domingo, março 3, 2024

Quais são as Melhores Animações do primeiro semestre de 2023?

Dos melhores filmes de 2022, dois — com certeza — foram animações. A técnica tem sido utilizada para contar histórias extraordinárias de maneira criativa e subversiva, como em Pinóquio, de Guillermo del Toro, e Marcel The Shell With the Shoes On, de Dean Fleischer-Camp. Enquanto a Disney caminha na contramão, ao transformar os seus clássicos contos de fadas animados em “live-action”, outros estúdios extraem o melhor do método: o encantamento do público.

Se formos honestos, a experiência “live-action” de personagens como o caranguejo Sebastian, em A Pequena Sereia (2023), por exemplo, parece peças forçadas em um quebra-cabeça mal articulado. Por outro lado, a Universal Pictures acertou em cheio em trazer os personagens Mario, Luigi e Peach para o seu universo animado e deixar para trás (e no esquecimento dos espectadores) a versão Super Mario (1993), com John Leguizamo e Bob Hoskins.

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Com o seu prestígio e diferentes estilos, seja stop-motion, aquarela, computação gráfica ou 3D, a animação é umas das mais primitivas formas do cinema. Ao colocar figuras em movimento e enganar os nossos globos oculares, os primeiros filmes eram desenhos em um papel em constante rotação. 

Como metade do ano já passou, vamos relembrar os títulos que fizeram sucesso no primeiro semestre de 2023 e, em breve, já estarão disponíveis em VOD e SVOD. O segundo semestre também promete com As Tartarugas Ninja: Caos Mutante, no dia 31 de agosto, e Trolls 3 – Juntos Novamente, em 19 de outubro, de acordo com Filme B.

Super Mario Bros. – O Filme

Líder de bilheteria do ano, os irmãos Mario e Luigi abrem a lista. Com arrecadação de mais 1,3 bilhão de dólares no mundo inteiro, segundo Box-Office Mojo, e a canção chiclete Peaches, de Jack Black, Super Mario Bros. – O Filme é a maior animação do ano em termos monetários, porém a recepção crítica não teve tanto suporte quanto o público e o longa amarga 58% de aprovação dos críticos no Rotten Tomatoes.  

Divertido e nostálgico, o longa de Aaron Horvath e Michael Jelenic agradou os pequenos por conta da sua verve aventureira, colorida e animada, enquanto os adultos foram cativados pelos simbolismos e alusões à memória afetiva do jogo ainda na sua configuração inicial em 2D, como o Super Mario World, de 1990.

Com uma princesa corajosa, Super Mario Bros. – O Filme apresenta às meninas a conjugação de doçura e aventura, isto é, os vestidos rosas podem ser o figurino de uma grande batalha, basta força e audácia. Além disso, a produção tem grandes chances de indicações às premiações do próximo ano: melhor animação e melhor canção original. 

Não deixe de assistir:

Suzume

Lançado no Festival de Berlim no início deste ano, Suzume apresenta uma aventura fascinante numa envolvente metáfora sobre a superação da tragédia pessoal da protagonista título em relação à real catástrofe nuclear de Fukushima, no Japão. Sucesso no seu país de origem, o filme apresenta uma exuberante reprodução das paisagens japonesas e da crença nos Djinns, criaturas da mitologia oriental. 

Em uma trajetória de autodescobrimento, Suzume percorre várias cidades e encontra no seu caminho pessoas impactadas pelas mudanças da nação após o desastre. Com o trauma da perda materna e o objetivo de impedir uma “mal maior” sobre todo o território japonês, a moça ao lado do jovem Souta, um “procurador de portas”, tem a missão de trancá-las definitivamente. 

Cativante, belo e redentor, o longa encanta pessoas de todas as idades, em contrapartida os mais novos precisarão de ajuda para compreender todo o simbolismo do enredo. Diretor dos simpáticos Seu Nome (2016) e O Tempo com Você (2020), Makoto Shinkai lembra os traços do mestre Hayao Miyazaki com exuberância de cores e detalhes com a finalidade de contar uma emocionante jornada de aprendizado e superação. 

Nimona

Originalmente uma produção do Blue Sky Studios, Nimona foi cancelado após o fechamento do estúdio pela Disney no início de 2021. Com 70% da produção concluída até aquele momento, a produtora Annapurna e Netflix resgataram o projeto e o lançaram direto no streaming. 

Baseado na graphic novel de ND Stevenson, Nimona mistura à animação futurista analogias sobre aceitação de imigrantes e as amarras sociais fincadas em crenças e tradições. Com bastante humor, reviravoltas e lutas, o filme não cansa o espectador e, mesmo que ele aborda temas atuais e importantes, tudo é de maneira leve e alegórica, tal como a ótima animação A Fera do Mar (2022), também da Netflix.

Elementos

Depois de dois filmes de pouca inspiração reflexiva e emotiva, como Luca (2021) e Red: Crescer é uma Fera (2022), a Pixar volta a tocar nossos corações com graça, leveza e deslumbramento visual, mas ainda distante dos elevados Up – Altas Aventuras (2009) e WALL-E (2008). Dessa vez, a dobradinha com a Disney aposta no tom da comédia romântica sem deixar de lado a importância da família

Ambientado na fictícia Element City, onde moradores do fogo, da água, da terra e do ar vivem juntos, a trama segue a trajetória de Ember (Leah Lewis), uma jovem dura, perspicaz e impetuosa, cuja amizade com Wade (Mamoudou Athie), um cara divertido e sentimental, desafia suas crenças sobre o mundo e o seu destino. Afinal água e fogo se misturam? 

Homem-Aranha: Através do Aranhaverso

Visualmente fascinante e tão cheio de ação quanto seu antecessor, Homem-Aranha: Através do Aranhaverso apresenta um discurso emotivo sobre família e escolhas, contudo deixa todos as portas abertas para o terceiro filme da saga. Desta vez, Miles Morales (Shameik Moore) parte do Brooklyn para uma aventura através do Multiverso ao lado de Gwen Stacy (Hailee Steinfeld) e uma equipe de Spider-Man. 

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Com mais de 663 milhões de dólares nas bilheterias mundiais, a animação do super-herói da Marvel é a quarta maior arrecadação do ano, atrás somente de Super Mario Bros. – O Filme; Guardiões da Galáxia 3 e Velozes e Furiosos 10. Ainda em cartaz em muitas cidades e países, o filme tem grandes chances de premiações por sua impressionante qualidade e originalidade técnica. Vale lembrar que seu antecessor Homem-Aranha: No Aranhaverso (2018) levou o Oscar de Melhor Animação. 

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Letícia Alassë
Crítica de Cinema desde 2012, jornalista e pesquisadora sobre comunicação, cultura e psicanálise. Mestre em Cultura e Comunicação pela Universidade Paris VIII, na França e membro da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). Nascida no Rio de Janeiro e apaixonada por explorar o mundo tanto geograficamente quanto diante da tela.

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