Mais um projeto pseudo hitchcockiano do aprendiz Jaume Collet-Serra

O início de cada ano cinematográfico nos Estados Unidos é marcado pelas sobras do ano anterior. Produções que os estúdios não encontraram espaço para lançar no ano que passou, acabam sendo “despejadas” nos meses de janeiro e fevereiro. No Brasil, além dos filmes do Oscar, podemos notar que as obras miradas apenas para o entretenimento que chegam em tal época não são assim, digamos, de grande qualidade. Este ano, por exemplo, tivemos Hércules, Frankenstein – Entre Anjos e Demônios e Pompeia. Deu para sentir o drama.

Porém, nem tudo está perdido. E o motivo é que o grande Liam Neeson chega para nos resgatar. Uma breve história: Neeson, ator britânico indicado ao Oscar por A Lista de Schindler (1993), reinventou a carreira como herói de ação aos 60 anos. O inusitado fato era estreado com Busca Implacável, sucesso inesperado de 2008. Como disse o diretor Joe Carnahan, que dirigiu o ator em Esquadrão Classe A (2010), é muito melhor ter um bom ator desempenhando um filme de ação, do que um astro da ação fazendo o mesmo. E Carnahan está certo.

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Não apenas isso, mas Neeson se tornou o Sr. Início de ano, sempre oferecendo uma produção de qualidade dentro do gênero ação e suspense. Em 2011, o ator entregou o thriller hitchcockiano Desconhecido (Unknown) e no ano seguinte foi a vez de Perseguição (The Grey), ótimo exemplar de sobrevivência, homem versus natureza. Tudo nos meses considerados os mais fracos para os grandes lançamentos, janeiro e fevereiro. Dessa vez, chega Sem Escalas (Non-Stop), do mesmo Jaume Collet-Serra de Desconhecido.

Na trama, Neeson interpreta o agente federal aéreo Bill Marks. Depois que sua filha morreu de câncer, o sujeito entrou em declínio e se tornou um alcoólatra instável. Para piorar, o protagonista odeia voar, o que dificulta consideravelmente a sua profissão. Nos Estados Unidos, cada voo conta com um policial disfarçado a bordo, para evitar qualquer tipo de problema. Tudo parecia ir bem, quando o oficial recebe em sua linha privada uma mensagem, aparentemente de um dos passageiros, ameaçando matar outro tripulante a não ser que uma enorme quantia seja transferida para ele.

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Este é o estopim para um roteiro recheado de muita paranoia, mistério, reviravoltas e situações acumulativas de tensão. Neeson faz bem o tipo herói ou anti-herói sofrido. O sujeito em quem podemos confiar, até que a trama se volta contra ele. A talentosa Julianne Moore também está no elenco, mostrando que sabe se divertir entre uma obra mais séria e outra. Moore é Jen Summers, a pessoa de confiança do protagonista dentro do avião e possível interesse amoroso, ou será? Obviamente, o thriller se encaixa no subgênero whodunnit, ou seja, achar o culpado por algum crime.

Filmes de mistério sempre despertam a atenção do público. É a forma mais sincera de convidar o espectador a participar da história. É claro que não maioria desses casos, a resposta para o mistério não é satisfatória e aqui isso não é diferente. Acontece que nada jamais será tão criativo quanto a nossa imaginação. Mas nos deixamos levar na viagem e esperamos para ver até aonde os realizadores irão nos conduzir. Sem Escalas faz bem seu trabalho, ao introduzir diversas possibilidades e guinadas na sua trama, deixando o público coçando a cabeça para seguir uma linha de raciocínio.

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São apresentados diversos personagens e todos explorados minimamente bem para se tornarem suspeitos. Mas quando nenhum dos métodos do protagonista para encontrar o infrator parece dar certo, os níveis de nervosismo aumentam. O filme também não é recomendado para pessoas que se assustem facilmente ao viajar de avião e entra para o hall de obras proibidas para uma sessão num voo. De certo que Julianne Moore não precisava estar nesse filme, sua presença serve para dar certo status para a produção e mostrar que Moore também sabe ser legal.

Maior presença tem a bela Michelle Dockery (da série Downton Abbey), que vive a aeromoça Nancy. Seu papel é um dos mais importantes aqui. Já a talentosa Lupita Nyong´o (sim a queridinha dos cinéfilos e indicada ao Oscar por 12 Anos de Escravidão), entra basicamente muda e sai calada. Sua participação obviamente ocorreu antes de sua explosão. Dificilmente a nova musa do momento irá se contentar com papéis desse nível daqui para frente. Depois de muito suspense e de algumas cenas de ação envolvendo Neeson (como carinhosamente apelidei essa nova persona do ator – “Neeson porradeiro”), o filme precisa acabar e explicações precisam ser dadas. Mas isso é o que menos importa, porque recebemos pelo que pagamos, quase duas horas de puro entretenimento. E o desfecho é em grande estilo.

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