The Warriors: Os Selvagens da Noite | Filme Cult Completa 40 Anos

The Warriors: Os Selvagens da Noite | Filme Cult Completa 40 Anos



Sim, meus amigos, estamos ficando velhos. Bem, pelo menos alguns de nós. Além, é claro, dos filmes. Em 2019, algumas produções famosas completam 40 anos de seus lançamentos. Tais filmes estrearam numa época onde o cinema entretenimento ganhava forma e já geravam grande status de cult – além, é claro, de ser responsável pelos primeiros blockbusters da história, vide Tubarão (1975) e Star Wars (1977).

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Agora é a vez de homenagear um dos maiores cults da década de 1970: The WarriorsOs Selvagens da Noite. Misto de ficção científica, ação e suspense, o filme já nasceu com uma atmosfera cool, pronto para se tornar cultuado. O longa fez sua estreia no dia 9 de fevereiro de 1979 nos EUA, chegando por aqui somente em 24 de dezembro do mesmo ano (um ótimo filme para o natal, certo?) – sim, os filmes podiam demorar bastante naquela época até podermos conferi-los. E isso num tempo pré-internet. Seja como for, é hora de celebra-lo em seu aniversário.

O ano de 1979 viu o lançamento de produções que se tornariam icônicas para o gênero da ficção científica, vide Alien – O Oitavo Passageiro, Jornada nas Estrelas – O Filme e Mad Max. Até mesmo o espião mais famoso do cinema aderia à fórmula espacial com 007 Contra o Foguete da Morte. The Warriors se passa no futuro, mas num futuro não tão distante, quase como uma realidade alternativa, onde dezenas de gangues dominam a cidade de Nova York. De todos da leva, se assemelha mais a Mad Max, devido a seu retrato de um futuro caótico e nada clean.

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Curiosamente, The Warriors não fez sucesso estrondoso em sua estreia – assim como muitas obras cult -, e foi redescoberto no mercado de home vídeo. No ranking das maiores bilheterias do ano, figurou em número 27 – o que se formos levar em conta as centenas de produções lançadas a cada ano só nos EUA, não faz dele um fracasso retumbante também. Com um orçamento estimado em torno de US$4 milhões, o filme arrecadou só no primeiro fim de semana de estreia mais de US$3.500 milhões, ou seja, praticamente recuperou seu custo no lançamento. Sua bilheteria total nos EUA foi em torno de US$22.500 milhões.

O filme estreou em primeira posição nas bilheterias, e era prometido para se tornar um enorme sucesso. Mas a Paramount teve inúmeros problemas envolvendo a fervorosa premissa do filme – a de colisão de gangues urbanas. Afinal, aqui acompanhamos nossos heróis jurados de morte, todos membros de uma violenta gangue. Primeiro, o estúdio precisou retirar de seu material de marketing, como cartazes, frases provocativas que poderiam ser interpretadas como incitação de violência contra a polícia, com dizeres como “as gangues são em maior número que os policiais. Vamos tomar a cidade”. Mesmo depois de muito podado, o filme estreou e automaticamente atraiu a atenção de gangues de verdade, que adoraram seu tema. O problema era que gangues rivais começaram a se digladiar de verdade nos cinemas, atraindo publicidade negativa para a obra e preocupando os exibidores. A Paramount de cabelos em pé, decidiu retirar dos cinemas o filme pouco tempo depois de lançado. Mesmo assim, a obra conseguiu acumular o valor relatado acima.

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Na história, baseada no livro de Sol Yurick, a Nova York do futuro é inteiramente dividida por gangues, cada uma controlando um bairro da cidade, onde os rivais não são permitidos sem consentimento. A não ser por este detalhe, as coisas parecem exatamente como hoje – ou o “hoje” de 1979 -, sem grandes avanços tecnológicos ou descobertas. Na verdade, a sociedade parece ter regredido para um estado de violência bárbaro, onde a lei tenta sem muito sucesso proteger o cidadão. Aqui, vale a lei do mais forte e a lei das ruas. Em certos aspectos anárquicos, The Warriors remete ao clássico Laranja Mecânica (1971), de Stanley Kubrick, sem a mesma visceralidade e comentário social.

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O livro de Sol Yurick foi pensado como uma resposta para a glamourização e a romantização que obras abordando o tema de gangues de rua vinham sofrendo – tendo como maior exemplo disso o filme Amor, Sublime Amor (West Side Story, 1961), de Robert Wise, que Steven Spielberg está refilmando, com lançamento previsto para o ano que vem. Na trama, Cyrus (Roger Hill), o líder de uma destas gangues, consegue reunir todas as outras no mesmo local a fim de unifica-las. A proposta é abraçada por todos, mas no meio de seu discurso de paz, o sujeito é assassinado Luther (David Patrick Kelly), membro de outra gangue, que termina por acusar os protagonistas The Warriors do crime. Agora, correndo contra o tempo, os “heróis” precisam passar por diversos territórios inimigos até conseguir voltar ao seu próprio domínio em Coney Island, sendo perseguidos por todas as gangues rivais (já que o tratado de paz acabou com a morte de Cyrus) em seu encalço, assim como a polícia, e encontrar o verdadeiro culpado. Tudo isso transforma The Warriors num filme de sobrevivência, com os personagens pisando em ovos para saírem ilesos, criando uma narrativa de tremenda urgência e inquietude.

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The Warriors foi o terceiro longa-metragem do renomado Walter Hill (que também assinou o roteiro), e seu filme mais ambicioso até então. Hill ficaria conhecido por dirigir filmes policiais como 48 Horas (1982) e sua continuação (1990), além de ser o produtor da famosa franquia de ficção e terror Alien – que lançava seu primeiro exemplar no mesmo ano. Hill também produziu Warriors, ao lado de dois grandes nomes da indústria: Frank Marshall (usual colaborador de Spielberg e produtor de franquias como Indiana Jones e De Volta para o Futuro) e Joel Silver (produtor de grandes ícones da ação dos anos 80, como Máquina Mortífera, O Predador e Duro de Matar).

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No elenco destacam-se Michael Beck como o líder dos Warriors, Swan, e Deborah Van Valkenburgh, que vive Mercy, a protagonista feminina da trama. Ela vive no território de outra gangue, mas termina se aliando, meio que a contragosto, aos protagonistas. O ator cuja carreira obteve maior projeção no elenco foi James Remar, que vive o esquentado e corajoso Ajax. Além, é claro, do antagonista Luther (Kelly) e sua frase provocativa inesquecível, quando chama os protagonistas para virem “brincar” – “Warriors, come out and play-ay”, um momento de improviso do ator. E uma participação de Mercedes Ruehl (Quero Ser Grande e O Pescador de Ilusões) como a policial disfarçada no parque para atrair delinquentes.

Os Selvagens da Noite logo se tornou objeto de culto dos cinéfilos, sendo constantemente revisitado e analisado pelos fãs. Até mesmo o diretor Walter Hill, avesso a reinterpretações de suas obras, decidiu lançar uma edição especial em DVD adicionando novo material, e afirmando que esta era a obra que realmente queria fazer na época. Com misto de cultura pop, e visual de HQs nas mudanças de cenas, The Warriors continua gerando todo tipo de merchandising, inclusive um vídeo game lançado em 2005 que recria a história do filme.

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Curiosamente, esta é uma propriedade de grande potencial que os produtores resolveram deixar quieta, sem terem lançado uma sequência ou sequer planos para uma refilmagem ou reboot. O que por um lado é muito bom. Para não dizer que nada foi feito com o longa, em 2015, um curta escrito e dirigido por Patrick Nicholas Smith, trouxe de volta aos seus uniformes dos Warriors (o famoso coletinho de couro vermelho) Michael Beck (Swan), David Harris (Cochise), Thomas G. Waits (Fox) – cortado do filme devido a brigas com o diretor Hill – e Dorsey Wright (Cleon) para uma visita em Coney Island e entrevistas com os fãs, avaliando a repercussão da obra durante todos estes anos.

Fica a dica para quem não viu, não lembra ou deseja revistar este grande clássico do cinema. Não existe época melhor do que agora para celebrar e sair para brincar junto com os Warriors – Os Selvagens da Noite.



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