Os chamados fan films têm demonstrado níveis cada vez maiores de investimento e criatividade

Sempre que uma produção alcança um status cultural significativo, são inevitavelmente formadas as chamadas fanbases; ou seja, grupos sociais diversos que estão ligados entre si em grande parte pela adoração ao produto em questão. Com a consolidação da internet, bem como os meios de socialização provenientes da mesma, esses grupos puderam se organizar mais facilmente do que no passado.

Dessa maneira, não é inesperado que os fãs não se contentassem unicamente com o material oficial produzido para suas franquias e muitas vezes produzissem obras originais a partir de tal ambientação. A eventual popularização dos financiamentos coletivos, por meio de sites como o Kickstarter, facilitou em muito a produção dos chamados fan films.

Estes produtos audiovisuais, muitas vezes, tomando liberdades criativas com o produto base ofereciam abordagens e interpretações que, de outra formas pelos meios oficiais, jamais seriam contemplados. Através de plataformas de vídeos, principalmente o YouTube, essas produções se popularizaram e ganharam cada vez mais investimento.



É o caso do vindouro remake do seriado Um Maluco no Pedaço, clássico da comédia televisiva que lançou a carreira de Will Smith, que está para ganhar um remake com viés mais dramático do que o antecessor. Tal produção tem suas origens em um fan film de 2019, produzido pela Sun Square Media, intitulado Bel-Air que reimagina a história do jovem Will como um drama social.

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O fan film de 2018 chamou a atenção para uma abordagem mais séria do clássico

Não demorou para que o projeto ganhasse notoriedade e despertasse o imaginário da internet sobre o potencial que a trama de Um Maluco no Pedaço possui para o drama, principalmente em uma época simbolizada por movimentos como #blacklivesmatter; a própria sitcom em seu formato original não é lembrada só pelas piadas mas também pelos momentos de crítica social e apelo emocional.

No entanto esse não foi o único exemplo de uma produção de fã que chamou a atenção; a história recente da internet oferece outros tantos exemplos que expandiram a mitologia de suas respectivas franquias. Não importando se elas se tornaram oficiais no cânone da propriedade base ou não.

  • Voldemort: Origins of the Heir

A saga Harry Potter é certamente um dos terrenos mais férteis para a imaginação dos fãs em toda cultura pop. O universo habitado pelo jovem bruxo e seus amigos é vasto e complexo, sendo praticamente completo quando se têm como perspectiva apenas os livros oficiais. Sobra então muito espaço de manobra para os fãs.



A origem de Voldemort é explorada pelo olhar dos fãs

Origins of the Heir é um fan film de 2018, produzido pela Tryangle Films, que antecede aos eventos vistos nos livros e filmes. Nesse caso, a trama segue uma das últimas herdeiras de Godric Gryffindor, também conhecido como um dos fundadores de Hogwarts, que está em busca de reaver um item importante o qual também está sendo visado por Voldemort.  Por meio de uma estrutura de interrogatório, a protagonista conta o porquê da sua jornada e a importância do item, culminando em um clímax verdadeiramente criativo.

Já no universo de quadrinhos, o Batman geralmente é tido como uma das propriedades que melhor permite uma produção assinada por fãs. Tanto pelo personagem, em essência não necessitar de muitos efeitos visuais, quanto pela facilidade das histórias do mesmo terem uma identificação muito maior com tramas policiais no geral do que com ficção científica envolvendo aliens.

“Dying is Easy” é uma visão única do personagem

Dessa maneira, Dying is Easy se aproveita desse fator para entregar um enredo voltado para a dicotomia entre Batman e Coringa, tendo o vigilante investigando o que é o mais recente plano do criminoso que, por sua vez, está preso no Arkham; qualquer paralelo com a relação Clarice Starling e Hannibal Lecter em O Silêncio dos Inocentes não é coincidência.

  • Never Hike Alone

O subgênero do slasher teve seu auge na década de 80, imortalizado principalmente pelos inúmeros filmes da franquia Sexta Feira 13 de Jason Voorhes. Inevitavelmente esse segmento enfrentou um declínio mas o legado presente no imaginário dos fãs permaneceu. 

A reimaginação que os fãs queriam para Jason

Em 2018 foi lançado o curta Never Hike Alone, produzido por fãs como uma maneira de modernizar a fórmula estabelecida para a série. Dessa maneira, a trama segue um aventureiro que está a caminho do, agora, abandonado acampamento Crystal Lake enquanto grava todo o trajeto.



A direção do projeto brinca inicialmente com o estilo de vídeo que o protagonista está produzindo, dando a entender que é como qualquer outro do tipo que se encontra pela internet. Ainda assim, quando ele inicia a exploração dentre as cabanas do acampamento, é o momento que as referências para os fãs são despejadas em tela até a história acelerar o ritmo com a adição do próprio Jason.

Novamente o protetor de Gotham aparece, porém em um outro fan film bem mais antigo do que o anterior, datando de 2012. Em ambos os casos, a produtora é a mesma, Batinthesun, o que mantém uma continuidade em termos de design de produção (mantendo o máximo possível o tom gótico do material fonte) e, acima de tudo, personagens.

Tal como mencionado anteriormente, a trama também foca na relação caótica do Homem-Morcego com o Palhaço do Crime. A questão é que nessa ocasião, o vilão está a solta e a vida de uma criança está em jogo, o que desestabiliza o emocional do Batman

 



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