Crítica 2 | Pantera Negra – Político, representativo e maduro

Crítica 2 | Pantera Negra – Político, representativo e maduro

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Se você perguntasse à menina de 13 anos, fã de super-heróis e apaixonada por cinema, se ela esperava em algum momento assistir a um filme com um elenco 99% negro, mulheres badass (e aqui me refiro a filmes com protagonistas femininas também) e representativo, ela provavelmente diria que não sabia sequer se um dia aconteceria. Hoje, meu irmão, aos 13 anos, não precisa duvidar desta possibilidade, pois estamos começando a viver nesta era.

Pantera Negra, dirigido por Ryan Coogler (Creed: Nascido Para Lutar), também roteirista ao lado de Joe Robert Cole (American Crime Story), é um filme que diverge do que o público está acostumado a conferir quando o assunto são os longas da Marvel: ele é maduro, possui uma história bem construída e estruturada, não falta representatividade e, antes de mais nada, é político. Enquanto de um lado se tem O Justiceiro, como uma série de TV com bastante contexto político atual, do outro se tem o filme de Coogler.

A produção audiovisual não se abstém de trabalhar assuntos como guerra, preconceito racial e diferenças sociais, o que o torna mais realista e próximo da situação atual do mundo. É difícil não encontrar elementos identificáveis dentro da história com a vida real, o que só acrescenta em positivo no roteiro, que é bem escrito e possui diálogos profundos, reais e com o tom certo para torná-los críveis.



A direção também não peca e apresenta um filme com a dose certa de entretenimento e maturidade. O público consegue acompanhar a história, respirar em momentos certos, entender o que está acontecendo no contexto em que ela está inserida, e até mesmo ovacionar algumas cenas de luta bem produzidas. Algo que merece destaque dentro do longa-metragem é a fotografia, de deixar qualquer um boquiaberto e com desejo de conhecer aqueles lugares. Wakanda, de fato, é um dos lugares mais bonitos do mundo (quem dera fosse real, não?).

Outro ponto importante de se comentar é a direção de arte que trabalha bem as cores dentro da produção, e também nas roupas dos personagens – elementos estes que estão de acordo com o roteiro, com a personalidade dos mesmos e com as cenas mostradas. A trilha sonora, por fim, dá o toque final para que o telespectador consiga imergir dentro daquele universo. É como viver a história contada e senti-la como se fosse parte da sua própria, afinal, é realista e bem construída, como dito anteriormente.

O mais difícil em Pantera Negra (ou seria impossível?) é encontrar uma atuação ruim. Se você conseguiu, por favor, diga-me inbox depois. O elenco tem uma sincronia própria e dá vida aos personagens com uma naturalidade que se torna difícil não comprar o que estão apresentando. Chadwick Boseman (42: A História de uma Lenda), o Rei T’Challa, lidera o filme de forma a parecer que ele nasceu para viver o Pantera Negra, é gratificante vê-lo no papel deste personagem tão importante dentro do universo Marvel.

Todos, até mesmo aqueles que fazem participações menores, possuem destaque memorável dentro do longa. Apenas diria que Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão), a Nakia, Letitia Wright (Black Mirror), a Shuri, irmã de T’Challa, e Danai Gurira (The Walking Dead), a Okoye conseguem se destacar dos demais e ganhar o coração do público. Sem contar que fazem parte do time mulheres badass dentro das histórias de heróis. É impossível não torcer para vê-las chutando mais alguns traseiros. Winston Duke (Person Of Interest), que interpreta M’Baku, de uma tribo que se distanciou de Wakanda, consegue trazer o alívio cômico em momentos de tensão, o mesmo vale para Wright, que particularmente, ganhou o coração desta que vos escreve.

Que o Michael B. Jordan (Creed: Nascido para Lutar) é um excelente ator, já sabemos, mas vê-lo dar vida a este vilão humano com uma história de fundo justificável e um motivo além dos típicos “sou mau e quero dominar a humanidade”, é como uma massagem nas costas, afinal, isto é apenas mais uma razão que transforma Pantera Negra neste filmão da porra!

O longa-metragem de Ryan Coogler ainda não é um Logan dos cinemas, entretanto, não está tão longe assim de ser. Pantera Negra consegue pavimentar um novo caminho para o Universo Marvel caso eles decidam continuar trabalhando as histórias em tons mais amadurecidos.