Crítica | Deuses do Egito

Crítica | Deuses do Egito

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Fúria de Titãs

Deuses do Egito é a nova aposta de Hollywood em um produto que venda todo tipo de merchandising, de bonecos até vídeo games. Isto definitivamente não é algo ruim, já que produtos do tipo fizeram infâncias de pessoas da minha geração muito felizes e continuam certamente a encantar os pequeninos. Já imagino os mais variados artigos estampando os personagens deste pretenso blockbuster.

Saído das mentes da dupla Matt Sazama e Burk Sharpless (que até parece um nome fictício), o filme traz a mitologia dos Deuses egípcios para as telonas, depois dos relativamente bem sucedidos Fúria de Titãs (2010 e 2012) – cujo foco eram as divindades gregas. Sazama e Sharpless produziram rápido, mas ao pararem para respirar verão que seus textos não resultaram em produções, digamos, satisfatórias, vide Drácula: A História Nunca Contada (2014) e O Último Caçador de Bruxas (2015).

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No Egito antigo, Deuses e homens convivem. O Deus Osiris (Bryan Brown) reina supremo, mas quando chega a hora de passar a coroa para seu filho Horus (Nikolaj Coster-Waldau, o Jamie Lannister de Game of Thrones), seu invejoso irmão Set (Gerard Butler) usurpa o trono, matando-o e banindo o sobrinho numa trama digna de Hamlet, ou O Rei Leão para os mais novos.

Tudo muda para o sofrido povo do Egito na regência do cruel Set. Agora, cabe ao ladrão Bek (Brenton Thwaites) se unir ao desgraçado Deus do Ar (Horus), para, entre outras coisas, trazer de volta à vida sua amada (papel da gracinha Courtney Eaton). Fica difícil descrever a trama de Deuses do Egito, já que tanta coisa ocorre – muitas vezes ao mesmo tempo – sem desperdiçar tempo e caracteres. Bem, talvez a trama realmente seja o que menos importe aqui.

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Temos, por exemplo, um elenco proeminente, chamando atenção do público. Como dito, Waldau, de Game of Thrones, é usado para impulsionar o filme no Brasil, apelando aos fãs da cultuada série. Além dele, Butler ecoa o Rei Leonidas (desta vez do mal), inclusive no comando de tropas que urram “ra-ul, ra-ul”, como em 300 (2007). Thwaites (O Doador de Memórias) é o jovem da vez, e a seu lado duas veteranas do fabuloso Mad Max: Estrada da Fúria, Courtney Eaton e Abbey Lee – duas das noivas fujonas de Immortan Joe. Elodie Yung (a Elektra da segunda temporada de Demolidor) vive a Deusa do Amor Hathor, e Chadwick Boseman (o Pantera Negra de Capitão América: A Guerra Civil) é o Deus da Inteligência Thoth. Isso sem contar Geoffrey Rush e Rufus Sewell.




Ou seja, todos os elementos para uma orgia nerd estão no lugar. No comando da produção está Alex Proyas, diretor de O Corvo (1994) e Cidade das Sombras (1998), dois cults por excelência e seus melhores trabalhos. E quanto ao que vemos na tela, bem, como diria o grande Roger Ebert, é chiclete para o cérebro. Duas horas de entretenimento, sem qualquer substância, que sacia momentaneamente sua vontade, sem fazer necessariamente um grande estrago. Os atores estão deliciosamente canastrões e o exagero é a ordem do dia. Embora os efeitos possam soar razoavelmente mambembes, terminam por dar gosto especial para este carnaval fora de época (por pouco) que é Deuses do Egito.

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