Crítica | Não Se Aceitam Devoluções  - Leandro Hassum mostra outro lado em comédia sobre paternidade

Crítica | Não Se Aceitam Devoluções - Leandro Hassum mostra outro lado em comédia sobre paternidade

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A comédia nacional, apesar de popular, está se tornando um gênero saturado, muito devido aos roteiros cada vez mais fracos e ao público que está cada vez mais exigente. E nessa busca para se reinventar, muitos filmes brotam à superfície tentando encontrar seu espaço. Alguns bons, outros ruins, e eis que nasce entãoNão Se Aceitam Devoluções, uma dramédia que se apoia em um grande astro do gênero para se diferenciar. Mas será que funciona?

O novo filme de André Moraes é, na verdade, uma versão nacional da comédia mexicana 'Não Aceitamos Devolução', de Eugenio Derbez, que fez um enorme sucesso em 2013. Dessa vez, uma parceria entre a Fox Film e a Total Filmes, trouxe à vida a história de Juca (Leandro Hassum), um mulherengo que leva a vida sem preocupação nenhuma, até o momento que descobre que é pai e precisa lidar com os desafios de criar uma criança sozinho, após a mãe (a excelente Laura Ramos) abandonar a menina em sua porta. Juca se assusta no começo, mas logo descobre que seu amor pela menina é maior que tudo.

Logo nos primeiros minutos já se nota que a montagem é um dos trunfos da comédia. Precisa e com muitos cortes, o filme propõe um ritmo diferenciado para o gênero. Algo que se assemelha muito ao longa que serviu de inspiração. O primeiro acerto é seguido de perto pela escalação de Leandro Hassum, dessa vez interpretando um papel que exige muito mais que apenas suas piadas certeiras. Juca é sim muito cômico, mas há também lapsos de medo, tanto do mundo quanto de ficar sozinho, que influenciam sua personalidade, e Hassum sustenta de forma fiel, dedicada e equilibrada. Mais uma vez provando que ele é o mais próximo que temos de atores como Adam Sandler, e acredite, isso é um elogio.




Como nem tudo são flores, o filme desliza em diversos momentos, mérito do roteiro adaptado, que apesar de diferente, não é inovador, e cai em convenções e clichês. Além de testar nossa inteligência, também nos força a comprar situações inusitadas demais para que sejam aceitáveis, muito mergulhado em soluções à la deus ex machina. É comum que hajam exageros em comédias, mas fica complicado aceitar tanta incoerência, como a cena da piscina, por exemplo, afinal, Juca só é Valente no nome.

Deslizes à parte, a trama apresenta um bom equilíbrio entre a comédia e o drama, sabendo dosar ambos os lados, definitivamente um diferencial alcançado. Há uma carga emocional muito presente, e quando o filme decide abraçar esse lado mais dramático, melhor fica o desenvolvimento da trama e mais interessante fica de se assistir, afinal, mesmo funcionando com pouco impacto, as piadas são bem pontuais, mérito do carisma do Hassum. Exceto por uma determinada sequência de cenas envolvendo Juca fazendo alguns trabalhos para um americano esquisitão -  essas sim são divertidas e causam até uma quebra no clima do filme, algo que poderia ter sido melhor aproveitado pela direção.

Não Se Aceitam Devoluções tenta sobressair à mesmice e até consegue emocionar os mais sensíveis, principalmente com seu plot twist arriscado (e diria até mesmo corajoso), que muda todo o rumo da trama no final. Por debaixo de todas as camadas descartáveis, ainda existe uma trama que toca em assuntos como paternidade, abandono, solidão e o mais importante de todos: como criar uma criança sozinho em um mundo tão real e perverso.

Se a comédia não te conquistar, definitivamente o drama vai te fazer refletir sobre o quanto a vida é curta e passageira, um efeito colateral positivo.





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