A Viagem” é sem dúvidas um dos filmes mais pretensiosos de 2012. Lançada no final de Outubro nos EUA, essa obra produzida e dirigida pelos irmãos Wachowski Tom Tykwer chega nesse fim de semana no Brasil com um dos maiores hypes gerados em um filme no ano passado, isto é, até o filme finalmente ser exibido lá fora, e as críticas desfavoráveis surgirem aos montes.
O que acontece aqui é que os diretores e produtores da obra, os irmãos Wachowski (agora Andy e Lana – não mais Larry) são os responsáveis pelo sucesso megalomaníaco conhecido como a trilogia “Matrix”, que parou o mundo no final da década de 1990 até meados da década de 2000. Com apenas o ótimo “Ligadas Pelo Desejo” no currículo antes da mania Matrix, os Wachowski pareciam determinados a provar que não eram fogo de palha, e daí assinaram projetos como “V de Vingança”, “Speed Racer” e “Ninja Assassino”, na direção e produção. Nenhum atingiu o esperado.

Com o alemão Tom Tykwer algo parecido aconteceu, e nenhum de seus filmes seguintes atingiram o status de sua primeira obra, o cult “Corra, Lola, Corra”. A união de mentes tão criativas parecia não ter como errar. Aqui, temos sem dúvidas uma ideia de alto conceito para uma produção cinematográfica, e os audaciosos cineastas ganham pontos por tentar. O que foi planejado para “A Viagem” é o seguinte: variadas histórias de inúmeros personagens através de diversas linhas temporais, mas que de uma forma ou de outra estão conectadas por outras vidas. A mensagem é estamos todos conectados com o universo. Parece clichê e piegas? Não se preocupe, é muito pior. A pseudo-filosofia rasa de boteco não incomodaria tanto caso o filme fizesse por onde, ou seja, se alguma coisa mostrada na tela fizesse algum sentido. Todos já conhecíamos a estrutura fragmentada da narrativa por sua sinopse e seu trailer, então não é surpresa para ninguém o fato de que “A Viagem” são seis pequenos filmes intercalados.


O problema é que a maioria dessas histórias não é minimamente interessante, e seus personagens são tão mal desenvolvidos que simplesmente não nos importamos com eles. Outro ponto negativo e irritante é que nenhuma história dura mais do que cinco minutos seguidos, e o que temos são cortes e transferências consecutivas de tramas. Nada é novo ou urgente aqui, e ficamos nos perguntando se alguma dessas subtramas realmente funcionaria como um todo num filme. Temos o trecho com Halle Berry nos anos 70, Ben Whishaw (o novo Q de 007) como um aspirante a compositor, Jim Sturgess como um recém abolicionista, e Jim Broadbent como um sujeito aprisionado numa espécie de asilo, que são todas histórias simplesmente mornas demais, sem nada que as impulsione verdadeiramente. Mas sem dúvidas o ponto baixo é a história futurística passada numa floresta com Tom Hanks como o líder de uma tribo, e Halle Berry como uma espécie de alienígena, eu acho. Essa é simplesmente ridícula e deixaria envergonhado o mais fraco episódio de Star Trek.

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A maquiagem usada por todos os atores, para distingui-los de uma história para a outra (cada um dos atores famosos interpreta inúmeros personagens), é péssima, e em muitas cenas causam vergonha. Não estamos vendo uma pessoa ali, e sim algum tipo de mutante. É ofensivo, de péssimo gosto, e sem sentido tentar transformar atores em pessoas de outra raça, ainda mais porque não possuem o que é preciso para realizar tal façanha ainda (a maquiagem, principalmente nesse filme, ainda não chegou lá satisfatoriamente). O resultado é algo simplesmente bizarro. Tom Hanks em todas as suas maquiagens fica parecendo algo saído de um desenho animado do Pica-pau. Por falar em Hanks, se achávamos que o ator tinha atingido o ponto baixo de sua carreira com “Matadores de Velhinha” dos irmãos Coen, ainda não tínhamos visto nada. Aqui o ator paga o mico de sua carreira. Algumas cenas são apenas desconfortáveis, outras causam risos involuntários.

O resultado é que “A Viagem” fica parecendo apenas uma brincadeira para que possamos distinguir tal ator debaixo de tanta maquiagem, e sem dúvidas o público terá algumas surpresas quando subirem os créditos. A melhor coisa do filme é a gracinha sul-coreana Doona Bae (de “O Hospedeiro” e “Mr. Vingança”), e sua trama de um futuro totalitário é a única com uma faísca de originalidade e criatividade.


 

Crítica por: Pablo Bazarello (Blog)

 

 


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