Por Gustavo Barreto

Os anos 2000 foi a década dos zumbis. Antes de, em seu crepúsculo, dar lugar para as adaptações de quadrinhos. Jogos, séries, filmes, livros – e tudo que se possa imaginar – se apropriaram da imagem dos mortos vivos para os mais diversos fins. No cinema é imediata a identificação com a saga Resident Evil, iniciada pelo cineasta Paul W. S. Anderson em 2002 e que tinha na figura da atriz Milla Jovovich uma protagonista que poderia bater em zumbis até dizer chega.

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A franquia passou toda sua existência sendo constantemente criticada por fãs da série de jogos por realizar um mau trabalho de adaptação e até mesmo desrespeito com os elementos tradicionais. O nível de produção dos filmes também era vítima de críticas por parte de veículos especializados, especificamente algumas opções de narrativa escolhidas por Anderson (e os diretores que o sucederam), as atuações fracas dos elencos em todos os filmes e efeitos visuais considerados ultrapassados. As bilheterias, porém, sempre foram consideradas pelo estúdio como positivas e se mantiveram assim, fortes o suficiente para que a saga fosse fechada.

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Nos games, a Zumbimania da época também marcou presença forte em diversos títulos. Em 2006 teve início a franquia Dead Rising no qual o jogador se veria preso em um shopping junto a um grupo de sobreviventes enquanto a cidade ao redor era tomada por zumbis em um enredo muito similar a refilmagem Madrugada dos Mortos de 2004. O diferencial do game estava em colocar hordas gigantescas de zumbis para perseguir o jogador através do mapa e que o mesmo poderia personalizar suas armas das formas mais insanas para combater os inimigos.

Em 2008 a ideia de hordas de zumbis foi levada a outro patamar com o jogo multiplayer Left 4 Dead onde um ou mais jogadores deveriam trabalhar juntos para atravessar um mapa infestado de zumbis em direção a safe rooms (salas seguras) sobrevivendo assim a fase em questão. Mesmo só apresentando conceitos básicos para os personagens disponíveis e não havendo uma trama densa a ser apresentada, o jogo conquistou muitos fãs por sua jogabilidade divertida e crescente dificuldade, gerando assim uma sequência.

O diferencial para o gênero nos games viria em 2012, com o lançamento de The Walking Dead desenvolvido pela Telltale e baseado na franquia de quadrinhos e série de mesmo nome. Diferente de tudo que estava sendo trabalhado com zumbis até então, a abordagem conferida a The Walking Dead foi algo muito mais próximo de Heavy Rain do que de Left 4 Dead. O foco não era mais sobreviver às ondas infinitas de zumbis, mas absorver o drama dos personagens inseridos naquele cenário e realizar escolhas bem difíceis por meio de um sistema muito parecido com os da Quantic Dreams.

Interessante lembrar que The Walking Dead da Telltale trabalhou também o conceito de dupla de protagonistas formada por um adulto e uma garotinha e como esse tipo de relação molda a personalidade de ambos no decorrer da jornada, seja suavizando a visão de mundo do adulto ou construindo o amadurecimento da criança, mostrando que apocalipse zumbis nos games não precisavam ser sinônimo apenas de jogos frenéticos.

É claro que o grande expoente de toda essa onda foi a série da AMC The Walking Dead baseada nos quadrinhos de mesmo nome de Robert Kirkman, Tony Moore e Charlie Adlard. Foi essa produção quem ditou as normas sobre dinâmica de grupos de sobreviventes, cenários pós-apocalípticos retomados pela natureza (cenário padrão em The Last of Us), atenção aos detalhes de produção como maquiagem de zumbis figurantes e ferimentos dignos dos trabalhos de Tom Savini nos antigos filmes Slasher, e a atenção para o psicológico de personagens nessas histórias. Sobre como sua humanidade vai se degradando aos poucos em prol da sobrevivência.

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