Crítica | A Casa é dos Cachorros – Documentário da Netflix Mostra a Importância de Adotar Animais

Dois homens com um amor em comum pelos animais se juntaram para dedicarem suas vidas a ajudar cães e gatos a encontrarem um lar. O que começou como um ato de amor diante de uma situação extrema – o número de animais abandonados e perdidos após a devastação pelo furacão Katrina – logo tomou o lugar principal na vida de Ron Danta e Danny Robertshaw.

Localizada na pequena cidade de Cadmen, na Carolina no Sul – Estados Unidos, a ONG dirigida pelo casal, intitulada ‘Danny and Ron’s Recue’ no momento das gravações contava com 71 cachorros dentro de casa. Tudo bem que a propriedade – onde na verdade funciona um centro de treinamento de cavalos e de equitação – seja razoavelmente grande, mas o local onde os cachorros dormem, são tratados, tomam banho etc é tudo dentro de casa. O resultado? Há quinze anos, desde que iniciaram o projeto, Danny e Ron não têm nenhum tipo de privacidade, e literalmente afirmam que ‘A Casa é dos Cachorros’.

A pauta da adoção animal é extremamente importante, e quanto mais for levantada para o debate, melhor. Para se ter uma ideia, de acordo com o próprio documentário, só nos Estados Unidos 6,5 milhões da animais são abandonados por ano, mas apenas 2,5 milhões encontram um lar. Não é preciso ser expert em matemática para concluir que mais de 4 milhões de animais sofrem eutanásia anualmente – e parte desse problema gira em torno do fato de 90% desses animais abandonados não serem castrados.

A pauta é importante, sim, porém, enquanto produto audiovisual, o documentário ‘A Casa é dos Cachorros’ está mais para um vídeo empresarial. Em 1 hora e 23 minutos, o roteiro dá muito mais visibilidade à vida pessoal dos homens da empresa do que nos cachorros em si. Quer dizer, é claro que é legal saber um pouco da vida desses anjos que doam suas vidas a ajudar os animais em apuros, maaas, se um espectador pega esse documentário para ver, a pessoa provavelmente está mais interessada em conhecer os bichinhos, né? O que o roteiro poderia ter feito para tornar o produto final menos promocional e mais carismático talvez fosse acompanhar um ou dois animaizinhos, desde sua chegada à ONG e ir desenrolando a luta para encontrar um lar para eles, ao mesmo tempo em que conta a história de Danny e Ron – e não o contrário. Em ‘A Casa é dos Cachorros’ o espectador conhece o projeto da ONG, mas não cria vínculo com os animais – passo fundamental em qualquer tipo de adoção.

O diretor Ron Davis parece ter querido prestar uma bela homenagem a dois homens de alma generosa que ajudaram a mais de 10 mil cachorros a encontrarem uma família, mas não se preocupou tanto em tornar o documentário atraente para o espectador comum que não conhece os biografados. Vale o alerta, inclusive, na altura do minuto 56, em que aparecem cenas bastante fortes, um bocado desnecessárias para um documentário que deveria ter um tom mais positivo sobre a coisa.

‘A Casa é dos Cachorros’ é um filme que mostra toda a generosidade e as dificuldades que dois homens enfrentam para conseguir ajudar ao maior número possível de cachorros ao redor do mundo. Em tempos de distanciamento social, vimos que o número de adoções de animais aumentou consideravelmente, uma vez que as pessoas buscaram nos animais conforto e companhia dentro de casa. Vamos torcer para que essas adoções sejam permanentes, e que documentários como ‘A Casa é dos Cachorros’ abram os olhos dos amantes dos animais de que algo precisa ser feito por eles também.

Notícias

Ron Perlman aceitaria RETORNAR em ‘Hellboy 3’, mas com uma CONDIÇÃO…

Em entrevista ao Deadline, Ron Perlman ('Blade 2') revelou...
Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.