Mary, o Barco Assassino

Entendemos que os filmes de terror são um filão geralmente muito rentável. Baratos de produzir (para os padrões das demais obras), tais longas podem se tornar extremamente satisfatórios financeiramente. Até aí, tudo bem. O problema é quando algum executivo mequetrefe decide ganhar um dinheiro rápido e fácil entregando qualquer coisa mal ajambrada para o público. É exatamente este o caso com A Possessão de Mary – filme trash que, de tão ruim, parece uma destas sátiras do tipo Todo Mundo em Pânico.

Fica muito difícil levar a obra a sério. E não precisaríamos, caso ela também não se levasse. O que chama atenção aqui primeiramente é a participação do veterano Gary Oldman, vencedor do Oscar de melhor ator em 2018 por O Destino de uma Nação – no qual viveu de forma fervorosa o Primeiro Ministro britânico Winston Churchill. Pior do que a maldição do fantasma no barco, é pensar que Oldman pode ter sido pego na maldição do Oscar: que se refere a bombas consecutivas estreladas pelos ganhadores do prêmio máximo do cinema (veja o caso com Halle Berry).


Na trama, Oldman é um sujeito simples, de classe média baixa, lutando pelo sonho de dar uma vida melhor para sua família. Sua esposa (vivida por Emily Mortimer), por outro lado, acha a aposta do marido em comprar um velho barco para passeios turísticos, arriscada demais. O casal possui duas filhas, Lindsey e Mary, interpretadas respectivamente por Stefanie Scott e Chloe Perrin – ambas parecendo ter saído diretamente de uma peça escolar. Depois que a mulher cede, a família, ao lado dos agregados Mike (Manuel Garcia-Rulfo) – um amigo do protagonista – e Tommy (Owen Teague) – o namorado da filha mais velha – parte para um “teste drive” com a embarcação no mar.

É claro que esta história não irá acabar bem, afinal este é um filme de terror. De forma muito mal explicada, ficamos sabendo que o espírito antigo de uma mulher acusada de bruxaria, e morta, tomou o veleiro e fará de tudo para levá-lo ao ponto onde seu corpo foi afogado – como já havia feito algumas outras vezes com os donos anteriores do veículo. Agora, para qual propósito não me pergunte. Ou sequer como o fantasma da mulher foi parar dentro do barco.


O roteiro de Anthony Jaswinski (Águas Rasas e Satânico) usa Christine – O Carro Assassino, obra escrita por Stephen King, como ponto de partida. Inclusive na forma como um veículo maligno leva seus donos (e antigos donos) à loucura. A Possessão de Mary, no entanto, não possui um décimo do charme da história do Plymouth Fury 1958. Essa é uma trama bem rotineira, recheada de sustos fáceis (telegrafados à distância), que desperdiça por completo qualquer vislumbre de qualidade que a obra pudesse ter.

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Quem dirige é Michael Goi, mais acostumado a comandar episódios de séries de TV como The Gifted, O Mundo Sombrio de Sabrina e o recente O Monstro do Pântano. A direção de Goi é básica, mas não consegue evitar os clichês do gênero: portas se batendo atrás de personagens no escuro, pessoas possuídas que piscam e revelam sua verdadeira identidade, insuportáveis e constantes momentos de pesadelos e alucinações (que só existem para tentar o susto), e no final, o cineasta inclusive orquestra uma pancadaria, onde Oldman e sua esposa saem no pau com a fantasminha – que por sua vez, faz uso de uma maquiagem ridícula, digna do mais improvisado “cospobre”.

Ao que parece, Oldman substituiu Nicolas Cage no projeto, o que faz um pouco mais de sentido. O vencedor do Oscar, no entanto, devia estar apenas em busca de acertar dívidas. Mais digno de pena do que o resultado em si, é a produção acreditar que daria certo ao ponto de prometer no desfecho uma continuação – sim, acredite! Repleto de risos involuntários (eu dei ao menos duas fortes gargalhadas – o que é mais do que posso dizer de muitas comédias), A Possessão de Mary é desde já um forte concorrente a pior filme de 2020. E estamos apenas em janeiro.

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