Na semana passada, a instantaneamente clássica e nova temporada de American Horror Story nos apresentou a um episódio um tanto quanto morno, por assim dizer. Entretanto, não me refiro aqui às habilidades técnicas e estéticas do time contratado pelos showrunners Ryan Murphy e Brad Falchuk, mas sim à narrativa que nos foi apresentada desde o princípio: ‘1984’, como ficou conhecido o novo ciclo, representou uma brusca mudança na perspectiva que a antologia vinha nos apresentando desde sua estreia em 2011, abrindo espaço para unir os elementos do mais puro horror slasher da década-titular, bem como cultivar algumas investidas que se correlacionassem às iterações anteriores (como o sobrenatural, a sensualidade, o suspense e o gore).

Porém, se o time de roteiristas nos apresentou a uma divertida e envolvente trama, talvez não tenha se policiado ao real significado do foreshadowing. Já no segundo capítulo, AHS resolveu expandir a mitologia do Acampamento Redwood e conectar o grupo de protagonistas ao massacre que ocorreu naquele lugar catorze anos atrás. Mas as sutilezas não vieram com tanta minúcia assim e já permitiram que os telespectadores mais atentos decifrassem o verdadeiro código – cuja reviravolta apresentada na semana passada não é original, por assim dizer, mas certamente se afasta dos convencionalismos de clássicos como Pânico e Halloween. Felizmente, o quinto arco da nova saga, mesmo mantendo-se em uma premeditada conclusão, reencontrou seu ritmo e voltou a prender nossa atenção do começo ao fim.

Desde o princípio, a ingênua Brooke (Emma Roberts) vinha se apresentando como a perfeita final girl: em contato com os dois serial killers da temporada, ela era atraída para armadilhas, ficava cara a cara com seus nêmeses e ainda assim permanecia viva enquanto observava todos os seus colegas morrendo da forma mais explícita possível. De fato, se analisarmos a apresentação dos personagens, é quase automático nos lembrarmos dos tipos sociais que fazem parte do gênero do terror: a virgem retraída, o valentão corajoso, a rebelde sem causa, a religiosa desmedida – cada qual representando um espectro variado da própria complexidade humana; mas conforme a história se desenrola, vemos que não é exatamente isso o que acontece. Na verdade, as personas restringidas a uma determinada esfera social são mais complicadas e mais tendenciosas ao mal do que parecem.

“Red Dawn”, seguindo os mesmos passos, funciona como uma conciliatória resolução entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas que acometeram o outrora paradisíaco refúgio. Aqui, Dan Dworkin explora os corolários da escuridão e das mentiras ocultadas dos protagonistas e resolve acabar tudo com uma explosão. Apesar da fragmentada e redundante explicação do arco de Donna Chambers (Angelica Ross), as vítimas e os assassinos encontram suas respectivas ruínas – talvez não do jeito que esperávamos, e sim da forma mais dialógica com o que já nos foi mostrado, invertendo até mesmo o que esperaríamos de Brooke e de Margaret (Leslie Grossman).

Eventualmente, a personagem de Roberts enfrenta a traumatizada e vingativa Montana (Billie Lourd) pela última vez, saindo-se vitoriosa, porém dentro de um contexto de pura ambiguidade. Brooke acaba enfiando uma faca no peito de Montana em uma última tentativa de salvá-la, mas faz isso no momento em que as crianças chegam para suas férias de verão no acampamento, atraindo a atenção de policiais que levam a final girl presa para uma possível instituição psiquiátrica; enquanto isso, Margaret posta-se como vítima, dizendo que uma de suas monitoras ficara louca e dera início a um banho de sangue. No final, não sabemos com clara certeza que fim as duas mulheres levaram e nem mesmo se elas retornarão para a segunda parte dessa complexa narrativa.

O que é mais interessante é observar como essas odiosas construções buscam por uma redenção que nunca chegará: Donna tenta explicar aos outros o que realmente aconteceu, admitindo que foi responsável pela soltura de Mr. Jingles (John Carroll Lynch) e por tudo o que aconteceu naquela noite; Xavier (Cody Fern) abandona sua personalidade fraca e covarde e tenta salvar os outros das garras do assassino – não que isso tenha muito efeito, visto que Margaret logo depois crava um facão em seu coração; e Brooke, que desde sua infância diminuía a si mesmo para afofar o ego de pessoas inseguras e problemáticas, se joga nos braços do recém-aparecido Ray (DeRon Horton) até descobrir que ele está morto e que ela teve relações com um fantasma.

O episódio ganha um ar de originalidade por brincar com os contrastes apresentados acima. Ainda que permeado de alguns deslizes amadores, incluindo uma finalização incompreensível de Mr. Jingles e Richard Ramirez (Zach Villa), AHS volta a um aprazível e satisfatório patamar que, semana após semana, vem transformando uma grandiosa temporada em um compilado de histórias de terror em volta da fogueira. Agora, estamos a três episódios do season finale e não temos ideia do que pode acontecer.

10 filmes de terror no Amazon Prime Video para fugir dos problemas…

Aproveite para assistir:

10 Séries de Comédia para Maratonar nas Próximas Semanas

15 Séries da Netflix Para Maratonar

15 Séries da Globoplay Para Você Maratonar

15 Séries da Amazon Prime Para Maratonar neste mês

10 reality shows insanos pra você que amou The Circle e Casamento às Cegas

Não deixe de assistir:

SE INSCREVA NO NOSSO CANAL DO YOUTUBE