Lançado nos cinemas no finalzinho de novembro, Encanto gerou algumas polêmicas no exterior porque alguns norte-americanos acusaram o filme de ser racista por trazer personagens brancos para a América do Sul. Pois é, bizarro. Porém, essa polêmica besta causada pela ignorância deles ressalta a principal característica dessa animação: o retrato da pluralidade familiar e cultural da América Latina.

Ambientado na Colômbia, mais precisamente na Amazônia colombiana, Encanto traz a história da família Madrigal, que sofreu uma tragédia no passado e, da dor desse evento traumático, recebeu um presente místico da floresta para se reerguer e sobreviver. Assim, conforme os anos passam, uma vela mágica influencia na vida da família e confere poderes especiais a todos os novos membros do clã Madrigal, menos Mirabel, a protagonista da vez.

Assim, ela acaba sendo meio excluída pela matriarca da família, apesar de estar sempre tentando se esforçar para mostrar que ela também é especial. Então, quando a vela mágica começa a apagar, Mirabel parte em uma jornada para tentar salvar a magia de sua família.

Apesar da trama não ser exatamente original – e lembrar um pouco a de Hereditário, mas sem ser filme de terror – ela é competente em criar um caminho divertido e cheio de aventura nas terras colombianas. E é justamente nesse ponto que mora seu maior trunfo: se passar na América do Sul.



Mesmo sendo ambientado na Colômbia, trazendo elementos culturais tipicamente colombianos, é perceptível como existem elementos sócio-culturais comuns aos povos latino-americanos, como a arquiteturas de algumas casas, o comportamento mais caloroso, a relação familiar, a própria fauna retratada no longa é encontrada em praticamente todo o território sul-americano. E não é absurdo dizer que certos momentos, caso não soubéssemos se tratar de um filme passado na Colômbia, parece uma aventura brasileira.

A trilha sonora original é talvez a única coisa que realmente não orne tanto com o ritmo brasileiro, apesar de lembrar estilos musicais de outros países sul-americanos. E mesmo assim, ela é envolvente, divertida e muito marcante.

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Se a trilha dá show, a animação da Disney segue com seu altíssimo padrão de qualidade. Diferentemente da Pixar, que tem buscado um estilo de animação mais cartoon, a Disney continua procurando o realista, recriando com muita veracidade a fauna e a flora, além de representar toda a pluralidade de cores e corpos possíveis, não se prendendo apenas a personagens brancos ou só indígenas, como os gringos pensaram que seria.

Por fim, vale a pena chamar atenção para o curta que vem antes do filme. Ele usa guaxinins em uma praia para abordar temas familiares com muita sensibilidade. É quase como uma introdução para as questões familiares que ditam os rumos da trama da família Madrigal no filme que vem após ele. Ah, a dublagem brasileira trouxe algumas vozes muito parecidas para fazer alguns personagens, o que acaba comprometendo nas sequências musicais. Então, se você costuma assistir animações dubladas, talvez valha a pena abrir um exceção nesse caso.



Nota: 9

Encanto está disponível no Disney+.

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