Próxima ou a Mesma Fase?

O mundo do cinema está sempre nos surpreendendo. Seja com produções que esperávamos fazer um sucesso estrondoso e fracassam monumentalmente, seja com obras pelas quais ninguém dava nada e se tornam a nova sensação. Com esta franquia ocorre o mesmo. Jumanji (1995), protagonizado por Robin Williams, se tornou um filme queridinho dos millenials sem que minha geração (crias dos anos 1980) percebesse. Muito devido às reprises do filme na Sessão da Tarde. É compreensível, já que o programa vespertino fez o mesmo com filmes de entretenimento para a geração 80s.

Porém, não deixou de ser surpresa a grande comoção ocorrida após o trailer do reboot Jumanji – Bem-Vindo à Selva (2017). Recebido de forma extremamente negativa, e com apelos do tipo: “estragou minha infância”, por parte da geração de vinte e poucos anos, ficamos pasmos sem entender o que Jumanji significava para esta turminha. No entanto, os “reclamões” tiveram que engolir o choro e reconhecer o sucesso capitaneado pelo astro Dwayne Johnson – uma produção escapista e divertida que arrecadou quase US$1 bilhão ao redor do mundo, se tornando um dos filmes mais rentáveis de 2017. E mais uma vez, por essa ninguém esperava.

Dois anos depois, e a continuação acaba de sair do forno – como não poderia deixar de ser. Tudo que os estúdios buscam atualmente é sua própria franquia. E a Sony, que não tem acertado em suas últimas tentativas (As Caça-Fantasmas, Homens de Preto Internacional, As Panteras), não iria perder a oportunidade de investir após o golaço marcado. Assim, todo o elenco original (Johnson, Karen Gillan, Jack Black e Kevin Hart), os roteiristas e o diretor Jake Kasdan retornam para um segundo round. E como em toda continuação, a ideia precisa ser maior e melhor, recheada de novos personagens e desafios.

Surpreendentemente, o início do filme e as partes fora do jogo surgem de forma mais dramática e eficiente. Spencer (Alex Wolff) lida com depressão e não se sente confortável para reencontrar os colegas Fridge, Martha e Bethany (Ser’Darius Blain, Morgan Turner e Madison Iseman). Além disso, precisa passar as férias ao lado do avô idoso que lida com seus próprios problemas (papel de um Danny DeVito inspirado e entrando por completo na brincadeira). Aliás, os acréscimos no elenco são as melhores partes deste novo Jumanji, afinal os “jogadores” de antes, embora ainda muito satisfatórios, fazem o esperado deles.

DeVito e sua interação com Danny Glover fazem a proposta crescer a novos níveis. Os veteranos interpretam amigos de longa data, que eram sócios em um restaurante local. Glover opta pela aposentadoria, fazendo DeVito seguir pelo mesmo caminho, a contragosto. Esta subtrama fala sobre renovação, perdão e amizades que carregamos por uma vida toda, muitas vezes sem saber como lidar com esta longevidade. Awkwafina, vencedora do Globo de Ouro por A Despedida, também surge em cena com um personagem surpresa, e termina por roubar alguns trechos – podendo correr mais solta e funcionar bem melhor em seu humor característico do que no ambiente mecânico e sem vida que foi Oito Mulheres e um Segredo (2018), por exemplo.

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Jumanji: Próxima Fase não é a reinvenção da roda ou sequer um pneu novo. Podemos inclusive dizer que aqui ganhamos mais do mesmo, com algumas notas de frescor – grande parte trazido pelo novo elenco (o trio citado acima). Mas, se você é um entusiasta do anterior, a garantia é de um bom divertimento nas telas com este também. Ah, sim. A reinvenção da roda – ou uma tunada no carro antigo para os nostálgicos – virá no terceiro filme, como garante a cena pós-créditos. Esse sim nos deixa mais animados com as possibilidades.

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