Série espanhola que virou fenômeno na Netflix, La Casa de Papel acaba de retornar para sua quarta temporada. Lançada em 2017, a série focou num mirabolante plano de assalto à Casa da Moeda da Espanha em suas duas primeiras temporadas (ou partes, como chama a gigante do streaming). O terceiro ano começa com a captura de um dos criminosos, e com o grupo se reunindo para um novo golpe, com a intenção de resgatar o companheiro. Eis então que a turma decide assaltar a Reserva Nacional do Banco da Espanha, com mais um plano do astuto Professor (Álvaro Morte).

A quarta temporada começa exatamente onde acabou a anterior. O Professor acredita que Lisboa (Itziar Ituño) havia sido assassinada pela polícia, enquanto que, dentro do Banco, o grupo se une para tentar salvar a vida de Nairobi (Alba Flores), atingida por um tiro. Fora do local, o líder da equipe conta com a ajuda de Marselha (Luka Peros) para tentar superar o luto e dar seguimento ao plano. 

A série mantém a dinâmica que deu muito certo nos anos interiores, fomentando um jogo de gato e rato, e insistindo em muitas reviravoltas. Reviravoltas, por sinal, que estão cada vez mais absurdas. O que não chega a ser um problema, uma vez que os fãs de LCDP acompanham a série justamente por causa disso. Assim sendo, há de se valorizar os vários momentos em que temos uma virada de jogo, tanto do lado de fora quando do de dentro. É interessante notar ainda a dinâmica da investigação policial, com os agentes da lei assumindo cada vez mais as funções de antagonistas, principalmente quando tratamos da inspetora Alicia (Najwa Nimri).

Desde a primeira temporada que a trama criada por Álex Pina nos faz torcer pelos criminosos, dando-lhes personalidades carismáticas, uniformes chamativos e alcunhas peculiares. Agora, a torcida está cada vez maior, uma vez que Alicia jamais demonstra uma honra profissional ou vontade de fazer justiça, como era com Raquel (antes de virar Lisboa). A inspetora parece motivada pela violência e pelo sadismo. Aqui, ela conta com a ajuda de Gandía (José Manuel Poga), chefe de segurança do governador do Banco da Espanha, que consegue se tornar uma espécie de John McClane (personagem de Bruce Willis em Duro de Matar) dentro do prédio.

Mas a série tem bem mais do que criminosos contra policiais. Os conflitos internos entre o grupo são fonte de importantes momentos ao longo da temporada. Neste sentido, é importante separar conflitos interessantes, como a rivalidade entre Tóquio (Úrsula Corberó) e Palermo (Rodrigo De la Serna), em que ambos buscam assumir um papel de liderança. Não é muito diferente da disputa entre Berlim (Pedro Alonso) e Nairobi na primeira temporada, mas cumpre sua função narrativa. 

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Por outro lado, as discussões por causa de relacionamentos estão cada vez mais banais e ridículas. Os conflitos entre Denver (Jaime Lorente) e Estocolmo (Esther Acebo), e Tóquio e Rio (Miguel Herrán) são de deixar o espectador querendo pular as cenas. Temos crises de ciúmes, conversas aleatórias e casais realmente sem química. A dinâmica entre Denver e Estocolmo ainda traz uma complicação maior: Arturito (Enrique Arce). E, aqui, precisamos gastar algumas linhas falando de Arturito. Ele já era um personagem chato, feito para ser intolerável por parte do público. Mas isso fica ainda pior nesta nova temporada. Todas as cenas com Arturito são desnecessárias e absurdas – e temos até uma sugestão de crime sexual por parte do personagem -, algo que não faz muito sentido no caminhar da história. Fica parecendo que o único objetivo do personagem é irritar o público. Os roteiristas deveriam pensar em modos mais interessantes de criar conflito do que inserir um sujeito completamente intragável em cena.

La Casa de Papel 4 segue oferecendo aquilo que seu público gosta. Muitas idas e vindas, personagens femininas fortes e algumas frases de empoderamento. Há de se destacar ainda a introdução de uma personagem transsexual no núcleo principal, que acontece de forma natural e inteligente. 

Apesar das qualidades, a sensação é que a série está sendo vítima do próprio sucesso. Só o fato de Berlim ser querido pelo público justifica que o personagem siga aparecendo em flashbacks mesmo após sua morte. São cenas completamente desinteressantes e que pouco contribuem com a narrativa. Aqui, acompanhamos inclusive um casamento do personagem, que em nada faz a história avançar. Agora, diante da morte de outro importante personagem, é de se esperar que a série repita a fórmula na quinta parte. Afinal, é mais um produto de algoritmo da Netflix do que qualquer outra coisa.

Com um roteiro fraco e repleto de facilidades, principalmente no que diz respeito à rápida recuperação de feridas por parte de seus personagens, a série parece cada vez mais disposta a ficar enrolando seu público em busca de audiência. Ainda que ofereça bons momentos, a verdade é que a quarta temporada avança muito pouco na narrativa e falha ao não oferecer um final satisfatório. Pouco muda na situação dos personagens do início ao final da temporada. São oito episódios de idas e vindas, mas a sensação final é de que continuamos parados. O tradicional cliffhanger só colabora para mostrar que a série está mais preocupada em garantir as próximas temporadas (já está renovada até a sexta) do que garantir um entretenimento de qualidade a seus fãs. O que é uma pena.

LCDP segue uma experiência divertida. Mas até quando os fãs terão paciência diante de tantos truques narrativos baratos em busca de audiência e fidelidade do público?  

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