Apesar da sociedade ocidental ser patriarcal, muitos tabus impedem o pleno desenvolvimento emocional dos homens, colocando-os em pedestais da masculinidade do qual nunca podem descer, haja o que houver. Com o tempo, esses homens foram se tornando modelos de uma masculinidade que almeja poder, conquistas, quantidade, ao invés do afeto, da qualidade e da harmonia. Particularmente no Brasil, vivemos em uma sociedade na qual os homens ocupam os principais cargos nas empresas, e muitos deles se ausentam da prática da paternidade, como se ser pai significasse tão somente apenas fazer o filho. Numa tentativa de abrir os olhos dos espectadores, o longa ‘Papai é Pop’ chega aos cinemas no próximo dia 11 de agosto, e é um programão em família para o Dia dos Pais.


Tom (Lázaro Ramos) e Elisa (Paolla Oliveira) são casados e estão esperando a primeira filha. A expectativa é grande para o casal apaixonado, mas, depois que a pequena Laura (Malu Aloise, na fase já crescidinha) nasce, parece que tudo muda na dinâmica dos dois. De início, Tom se mostra presente e atencioso, porém, à medida que a bebê começa a demandar mais atenção e cuidados, e Elisa começa a solicitar mais participação de Tom, ele passa a se afastar, ficando cada vez mais fora de casa e justificando que sua vida não poderia mudar só por causa da filha deles. A partir daí, um ruído grave se instala na vida do casal, e os dois precisarão muito da ajuda da sogra Gladys (Elisa Lucinda) e do amigão Júlio (Leandro Ramos) para voltar a encontrar a harmonia de se viver em família.


Em cerca de uma hora e quarenta de duração, ‘Papai é Pop’ vai da comédia ao drama e de volta à comédia mostrando, sem medo, a vida como ela é. Inspirado no livro homônimo de Marcos Piangers, o filme aborda de maneira bem sensível e profunda como é a transformação do homem Tom em um pai – ou, como dizem as obstetras, “quando nasce um filho, nasce também um(a) pai/mãe”. Esse é o ponto que andamos esquecendo socialmente. Se por um lado o protagonista Tom fala que para mulher é fácil, porque nasce com esse manual de mãe já todo instalado no sistema, por que, então, não criamos os filhos homens para serem pais? Em que momento esses indivíduos assumem a paternidade para além do papel e das contas? Estes e outros questionamentos que estão enraizados na nossa cultura são levantados pelo longa, mas de maneira leve estilo ‘Olha Quem Está Falando’, consciente da complexidade do tema, o que torna o roteiro de Ricardo Hofstetter, com colaboração de Maíra Oliveira e Luísa Guanabara, um trabalho de intensa observação e reflexão.

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Além do tema principal, o longa de Caito Ortiz não deixa de mostrar a sobrecarga que recai às mães enquanto elas devem pacientemente esperar que o homem amadureça no tempo deles, enquanto elas, como diz o protagonista, já vêm prontas. É belo e triste ver a personagem Elisa sufocando sozinha no cuidado com a bebê – uma realidade que todos nós já vimos acontecer, embora poucos parem para reparar e interferir. Mas o ponto chave do enredo é mesmo a personagem de Elisa Lucinda, uma sogra/mãe diferente do que comumente é apresentado na dramaturgia: aqui a atriz dá vida a uma Gladys justa, amorosa, fortaleza, que percebe os erros do filho e não tem medo de apontá-los, em vez de super protegê-lo tão somente por ser seu filho; ao contrário, como mãe, ela o educa a ser um pai melhor, um pai em todos os momentos. Afinal, tudo começa na educação dos filhos.


Papai é Pop’ é um filme extremamente sensível, certeiro ao jogar luz num ponto tão frágil da estrutura familiar, mas que precisa urgentemente ser fortalecida e conversada. É um acerto danado estrear para o Dia dos Pais, pois, (tomara!), irá estimular mudanças profundas nos papais que o forem assistir nos cinemas. Emocionante, o filme merece continuações – no plural.

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