A cerimônia do Oscar deste ano irá ocorrer no dia 25 de abril. O ano de 2020 mudou o mundo de diversas formas e terminou igualmente atingindo a maior premiação da sétima arte. Com os cinemas fechados há, praticamente, um ano, os estúdios seguraram a maior parte de seus lançamentos, os adiando para este ano. Assim, a solução para os filmes que visavam nomeações foi a estreia nas plataformas de streaming. E se os mais tradicionalistas ainda olhavam torto para tais serviços, embarreirando sua entrada em festas como o Oscar em prol das salas de cinema, podemos afirmar sem medo que os trágicos acontecimentos de nossa vida real foram no mínimo irônicos para jogar de vez uma pá de cal nesta discussão.

A seleção de indicados para a cerimônia deste ano está maravilhosa. Como forma de homenagem ao maior prêmio do cinema, resolvemos dar continuidade a nossa série de matérias olhando para os filmes nomeados nas décadas passadas. Porém, diferente da matéria que fiz sobre as edições passadas do Globo de Ouro, na do Oscar iremos comentar os filmes que completam 30 anos em 2021 e foram indicados e vencedores, e não a edição do Oscar de 30 anos atrás (com os filmes de 1990). Tendo deixado isso claro, vamos adiante. Confira abaixo os principais vencedores e indicados que se tornam trintões esse ano.

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O Silêncio dos Inocentes

O Silêncio dos Inocentes é provavelmente o filme de terror e suspense mais prestigiado da história do cinema. Para começar é o único do gênero a vencer o Oscar de melhor filme, além de igualmente manter o recorde como um dos três a sair vitorioso do chamado Big Five (Filme, Diretor, Ator, Atriz e Roteiro) na história do cinema – com os outros dois sendo Aconteceu Naquela Noite (1934) e Um Estranho no Ninho (1975). Fora isso, a trama arrepiante sobre o canibal mais famoso da sétima arte, Hannibal Lecter, e a agente do FBI Clarice Starling, fez tanto sucesso que rendeu duas continuações, uma série e continua dando frutos com o recém lançado programa televisivo Clarice (2021), da rede CBS. O Silêncio dos Inocentes é um filme ainda muito popular, marcando como o número 23 dentre os favoritos do grande público de todos os tempos. Além da vitória nas cinco categorias citadas acima (com os Oscar para Jonathan Demme, Anthony Hopkins e Jodie Foster respectivamente), o longa ainda recebeu nomeações para som e edição.

A Bela e a Fera

A seleção de filmes indicados ao Oscar que completam 30 anos em 2021 foi realmente muito especial. Além do recorde conquistado pelo thriller de horror citado acima, naquele ano ainda tivemos outras marcas históricas. A segunda que chama mais atenção é a deste longa animado da Disney, que se tornou o primeiro da história a ser nomeado na categoria principal de melhor filme nos prêmios da Academia. E aqui falamos de uma época em que apenas cinco produções eram indicadas em tal categoria, o que torna o feito ainda mais impressionante. O romance atemporal sobre uma camponesa e um príncipe amaldiçoado, transformado numa criatura bestial, que precisam ultrapassar as aparências em nome do amor verdadeiro, é baseado no livro clássico da francesa Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve. Ainda hoje, apenas outras duas animações conquistaram tal feito: Up – Altas Aventuras (2009) e Toy Story 3 (2010). A Bela e a Fera levou os Oscar de canção original e trilha sonora, e foi indicado para melhor filme, som e outras duas canções originais.

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Bugsy

Seguindo os passos do ano anterior nos prêmios da Academia, onde duas produções sobre o universo dos criminosos da máfia emplacaram entre os indicados a melhor filme (Os Bons Companheiros e O Poderoso Chefão III), o tema ecoava pelo ano seguinte com este Bugsy – biografia de Benjamin Siegel, o sujeito responsável pela criação de Las Vegas graças a seus cassinos. A superprodução da Columbia/Sony era capitaneada por Warren Beatty, que retornava às graças da Academia 10 anos depois de seu prestigiado Reds, e um ano depois de Dick Tracy. Aqui, Beatty produzia e estrelava o longa na pele de Busgy, no filme dirigido por Barry Levinson (Rain Man), com sua esposa Annette Beging à tiracolo coprotagonizando. Bugsy estava entre os cinco indicados a melhor filme, mas saiu apenas com duas estatuetas: melhor direção de arte e figurino. Além de melhor produção, ainda foi nomeado para Diretor (Levinson), ator (Beatty), coadjuvantes (Harvey Keitel e Ben Kingsley), roteiro original (apesar de ser baseado num livro), fotografia e trilha sonora (para o saudoso Ennio Morricone).

JFK – A Pergunta que Não Quer Calar



A cada ano o Oscar se internacionaliza mais, além de estar aberto para questões atuais como o empoderamento feminino e a representatividade racial. Mas não podemos esquecer que ele sempre foi mirado à história do próprio país, no caso os EUA. Assim, acima de qualquer outra coisa, os prêmios da Academia tinham muito orgulho em enaltecer produções como Dança com Lobos, por exemplo, que abordava os anos formadores da América sob um aspecto mais humanizado. Nesta seara encontramos o político JFK, sobre a investigação de um dos crimes que mais marcaram a nação: o assassinato do presidente integrador Kennedy. Quem dirige é o polêmico Oliver Stone (que a esta altura havia desmascarado a guerra do Vietnã por duas vezes, em Platoon e Nascido em 4 de Julho), e protagonizando, o mesmo Kevin Costner do citado Dança com Lobos. Além de melhor filme, JFK foi indicado para diretor (Stone), ator coadjuvante (Tommy Lee Jones), roteiro adaptado, som e trilha sonora; e saiu vitorioso das categorias de fotografia e edição.

O Príncipe das Marés

O mundo nem sempre é justo, e a cada nova edição do Oscar, além dos maiores vencedores da noite, temos também os maiores “perdedores”. Ser indicado em qualquer categoria no Oscar é sim uma vitória, mas quando seu filme recebe diversas indicações e sai do evento de mãos abanando, o sentimento de frustração é inevitável. Há 30 anos no passado, este romance produzido, estrelado e dirigido pela talentosíssima Barbra Streisand ocupou esta vaga infame. Baseado num livro, a trama narra sobre um homem simplório e muito truculento (interpretado pelo truculento da vida real Nick Nolte), que começa a fazer terapia com uma psicanalista (papel de Streisand) a fim de descortinar traumas de sua família. Os dois terminam se apaixonando. O Príncipe das Marés foi indicado para melhor filme, melhor ator (Nolte), atriz coadjuvante (Kate Nelligan), roteiro adaptado, fotografia, direção de arte e trilha sonora, mas saiu da noite a ver navios.

Os Donos da Rua

Voltando para os recordes dos filmes indicados que completam 30 anos em 2021, aqui temos mais um, e o mais importante da noite. Os Donos da Rua (Boyz in the Hood) é o longa de maior valor social dentre o lote dos indicados e o filme mais importante da premiação a não ser indicado na categoria principal. Extremamente representativo, o longa narra a trajetória de jovens negros vivendo no gueto de Crenshaw, em Los Angeles, em especial Tre (Cuba Gooding Jr.), que tem aspirações de deixar o local, repleto de gangues se matando, e fazer algo melhor com sua vida. A obra foi escrita e dirigida pelo saudoso John Singleton, falecido em 2019 aos 51 anos de idade. Os Donos da Rua marcou dois recordes muito especiais na história da Academia e na carreira de Singleton: um que jamais será quebrado e outro que até o momento ainda não foi. O primeiro é que Singleton se tornou o primeiro cineasta negro a ser indicado na categoria de melhor diretor. E o segundo, é que ainda se mantém como o realizador mais jovem a ser nomeado em tal categoria, aos 24 anos de idade, desbancando gente como Orson Welles em Cidadão Kane. E as duas indicações do filme foram para ele, além de melhor direção, também recebeu a de melhor roteiro original, mas terminou sem vitórias.



Thelma & Louise

Aqui passamos de questões raciais para muito empoderamento feminista, o que só demonstra que tais tópicos não são novidade de agora, sendo adereçados já há trinta anos atrás. Um dos filmes mais badalados sobre o feminismo, Thelma e Louise traz as estrelas Geena Davis e Susan Sarandon como duas mulheres insatisfeitas no casamento, cansadas de serem abusadas por seus companheiros, que simplesmente jogam tudo para o alto e caem na estrada buscando recomeçar suas vidas. O problema é que se deparam com muito abuso e machismo também em sua nova jornada, e terminam procuradas pela justiça. O longa muito original, apesar de não ter sido indicado na categoria principal de melhor filme, recebeu nomeações para melhor diretor (Ridley Scott), duas atrizes principais (ambas Davis e Sarandon), fotografia e edição; e saiu vitorioso de roteiro original.

O Pescador de Ilusões

O diretor Terry Gillian, saído da trupe Monty Python, ficou conhecido por seus trabalhos em filmes de ficção científica e fantasia. Aqui, porém, o cineasta arriscava em seu longa menos surreal, digamos, numa história dramática, mas onde não por menos Gillian adicionou muitos elementos exagerados devido a seu estilo estético peculiar. Na trama, Jeff Bridges interpreta um locutor de rádio egocêntrico e estrela, que termina por causar uma tragédia na vida de um homem (papel de Robin Williams), vindo a querer se redimir após o ocorrido. O filme recebeu nada menos que cinco indicações na noite – ator protagonista (Robin Williams), roteiro original, direção de arte, trilha sonora; e saiu vitorioso da categoria de atriz coadjuvante para Mercedes Ruehl (e você, lembrava que a atriz havia vencido o prêmio?).

Cabo do Medo


Uma das muitas obras-primas da carreira do gigante Martin Scorsese, este suspense de arrepiar é na verdade o remake do clássico Círculo do Medo (1962) – e como forma de homenagear, o cineasta garantiu participações em seu filme para os veteranos Gregory Peck e Robert Mitchum, protagonistas do original. Na refilmagem, Nick Nolte (ele de novo) e Robert De Niro ficam com os papeis dos veteranos atores, respectivamente, como um advogado que comete o pior “erro” de sua vida e o criminoso a quem ele prejudicou. Cabo do Medo foi indicado para dois Oscar de atuação: melhor ator (De Niro) e atriz coadjuvante (a então novata Juliette Lewis).

As Noites de Rose

Muitos não têm ideia da estrada da veterana Laura Dern, que finalmente teve justiça feita em sua carreira, ao sair vitoriosa do Oscar do ano passado pelo filme História de um Casamento. Mas ela já tinha outras duas nomeações em seu currículo, sendo esta a primeira. No filme, Dern interpreta Rose, uma jovem humilde sendo acolhida por uma família do interior a fim de não cair em tentação se tornando assim uma prostituta. No entanto, seu jeito atraente e sensual desperta o interesse de todos os homens do local. Além da indicação de Dern como atriz principal, o filme ainda nomeou sua mãe na vida real, a atriz Diane Ladd na categoria de coadjuvante.

Para Eles, com Muito Amor

Fechando a categoria das atrizes principais, a veterana Bette Midler recebia sua segunda e última (até o momento) indicação ao Oscar, por este filme sobre uma entertainer se apresentando para tropas americanas durante a Segunda Guerra Mundial.

Tomates Verdes Fritos

Filme sensação na época para as mamães e vovôs, baseado num livro, conta a história de amizade entre uma dona de casa infeliz no casamento e uma idosa a quem ela conhece num asilo. O longa recebeu indicações de melhor roteiro adaptado e atriz coadjuvante para a veteraníssima Jessica Tandy.

Amigos, Sempre Amigos

E quem disse que o Oscar não abre espaço para filmes populares? Esta comédia sobre homens da cidade, enfrentando a crise da meia idade e decidindo despertar seu “homem rústico” interno fez um baita sucesso nos EUA, mas no Brasil não emplacou da mesma forma. O longa saiu vitorioso de sua única indicação ao Oscar: a de ator coadjuvante para o veterano Jack Palance (após duas indicações na década de 1950).

Barton Fink – Delírios de Hollywood

Desde que apareceram em cena, os irmãos Coen se tornaram queridinhos dos críticos, do público cult e, é claro, da Academia. Aqui, eles brincavam com os bastidores de Hollywood, contando sobre um dramaturgo teatral sendo contratado para escrever o roteiro de um filme, e sofrendo muito no processo. Barton Fink recebeu 3 indicações ao Oscar: ator coadjuvante (Michael Lerner), direção de arte e figurino.

O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final

O filme mais popular do cinema que completa 30 anos em 2021, o segundo Exterminador do Futuro transformou James Cameron num dos cineastas mais quentes de Hollywood, e elevou Arnold Schwarzenegger a outro patamar. O longa também foi a maior bilheteria de 1991, e no Oscar, levou para casa nada menos que 4 estatuetas (efeitos visuais, maquiagem, som e edição de som), além de indicações de fotografia e edição.

Hook – A Volta do Capitão Gancho

Por falar em filmes populares, Steven Spielberg chegava pesado há trinta anos tentando emplacar sua visão de um Peter Pan crescido. Os críticos torceram o nariz e o filme foi tido como um fracasso, apesar de ainda manter uma legião de fãs. No Oscar, sua qualidade técnica o indicou a 5 estatuetas (direção de arte, figurino, efeitos visuais, maquiagem e trilha sonora), mas saiu sem nenhuma.

A Família Addams

Outro dos grandes filmes que Tim Burton não dirigiu de 1991, a versão cinematográfica do famoso seriado da década de 1960 foi lembrado para uma nomeação no Oscar de figurino, mas não levou.

Robin Hood – O Príncipe dos Ladrões

Seguindo no terreno dos sucessos de bilheteria de trinta anos atrás, a versão de Kevin Costner para Robin Hood foi um dos filmes mais falados da época. E foi indicado para a icônica “(Everything I do) I Do It For You”, de Bryan Adams. Páreo duro, mas terminou perdendo a estatueta para a canção tema de A Bela e a Fera.

Jornada nas Estrelas VI – A Terra Desconhecida

Jornada nas Estrelas ou Star Trek é sinônimo de sucesso. E no Oscar, o sexto filme da franquia, lançado há trinta anos, foi indicado para duas estatuetas: efeitos sonoros e maquiagem, mas terminou sem nada.

Cortina de Fogo

Terminando a lista dos filmes pop com mais um de bastante renome no período. Aqui, entrando na disputa dos blockbusters de trinta anos atrás, grandes nomes do cinema participavam desta história de ação e suspense sobre bombeiros. O filme foi indicado para 3 Oscar: efeitos visuais, som e efeitos sonoros.

Lanternas Vermelhas

Obra quintessencial do talentosíssimo Zhang Yimou, este representante da China no Oscar recebeu elogios da crítica especializada e conta sobre a luta interna de uma jovem eleita como quarta esposa de um poderoso lorde. Embora fosse o mais chamativo e mais falado da edição, terminou sendo eclipsado pela produção italiana Mediterrâneo, que venceu na categoria de filme estrangeiro. Mostrando que nem sempre o Oscar acerta, dois dos maiores críticos de cinema que já existiram, Roger Ebert e Gene Siskel, confessaram terem saído no meio da exibição do filme e mesmo após sua vitória no Oscar, prometeram não dar nova chance ao longa.

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