Desde que o primeiro trailer do suspense Run (que por aqui no Brasil ficou conhecido como Fuja) foi divulgado na internet, o interesse pela obra atingiu níveis grandiosos, garantindo assim seu hype. Dentre os motivos de sua popularidade no boca a boca estava a trama sombria, que remete a aterradores casos de abusos maternos reais ocorridos através do Globo, além, é claro, da presença da sempre ótima Sarah Paulson no papel da mãe controladora, garantida de construir uma bela vilã. O tema, como dito, tem sido muito utilizado na cultura pop, em especial quando o macabro caso real de Dee Dee e Gypsy Blanchard veio à tona. Produções como a série The Act e o longa Ma, ambas de 2019, eram lançadas usando como base o caso. Nessa esteira surgia também Fuja.

Produzido pela Lionsgate, Fuja foi um dos filmes que sofreu em meio a pandemia do Coronavírus, precisando ser adiado. Logo depois, o filme foi comprado pela plataforma de streaming Hulu, rival da Netflix e da Amazon nos EUA, ainda inédita no Brasil. Geralmente as produções da empresa são relocadas nas rivais por aqui, desta forma a sensação Pequenos Incêndios por Toda Parte terminou na Amazon, e agora Fuja chega na Netflix em nosso país. E mal estreou, o thriller já se tornou sucesso, figurando no top 10 dos mais assistidos da plataforma. Também pudera, os fãs estavam ávidos pelo filme todo esse tempo. Se você ainda não assistiu, pare tudo e veja. Mas prepare-se para o nervoso, a raiva e o desconforto.

Pensando nisso, e no sucesso que Fuja vem fazendo, resolvemos trazer para você essa nova matéria focada em curiosidades sobre a produção e também nas inúmeras referências que a obra faz. Mas esteja avisado, aqui teremos pequenos spoilers. Confira.

Protagonista Cadeirante



Na trama de Fuja, Sarah Paulson vive uma mãe superprotetora de sua filha cadeirante e dona de diversos problemas de saúde, Chloe. A jovem, que é a verdadeira protagonista do longa, é interpretada pela estreante Kiera Allen. O que muitos podem não saber é que Allen não está interpretando uma cadeirante, ela é uma cadeirante de verdade na vida real. Ela vive com esta condição desde 2014, e para o papel os produtores decidiram escalar uma atriz que vivesse tal realidade, coisa que segundo os próprios, Hollywood raramente faz.

Inclusão Rara

Como dito, a bela Kiera Allen, que vive a protagonista Chloe no filme, é cadeirante na vida real. Isso torna todas as suas cenas bem mais impactantes e reais. Hollywood quase nunca usa de tal manobra, mas seria interessante ver mais inclusão deste tipo nos filmes. Para não dizer que isso nunca foi feito, podemos citar o clássico O Signo de Áries (1948), um suspense melodramático protagonizado pela estrela da MGM da época, Susan Peters. A atriz perdeu os movimentos das pernas após um acidente com um rifle durante uma caçada, quando a arma disparou e ficou alojada em sua coluna. Peters já era uma atriz estabelecida e orquestrou seu grande retorno com este longa.

O Diretor



Aneesh Chaganty, cineasta de descendência indiana, chamou bastante atenção dos radares cinéfilos em seu filme de estreia nos cinemas, o suspense Buscando (2018), todo feito através de câmeras de computadores, celulares e câmeras de seguranças nas ruas. O burburinho foi muito alto, garantindo que muitos especialistas o colocassem nas listas dos melhores. Dois anos depois, e o criativo e autoral cineasta repete a dose com este Fuja. Nem precisa ser dito que vale a pena ficar ligado nos próximos passos do sujeito. E seu lançamento seguinte será justamente a continuação de Buscando.

Um Lançamento Hulu

Acima eu havia mencionado o lançamento do filme na plataforma Hulu. O canal de streaming adquiriu os direitos de estreia do longa ainda em agosto de 2020, e anunciou que a plataforma seria a única casa do suspense, garantindo que o público assistisse ao filme em casa. Porém, em alguns países pelo mundo, como Espanha, Coreia do Sul, Rússia, Portugal e Austrália, Fuja recebeu um lançamento nas salas de cinema, no período em que as medidas restritivas contra o COVID afrouxaram um pouco.

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O Passado de Diane

Em determinado momento do filme, Diane (Sarah Paulson) está no chuveiro tomando banho e podemos notar uma grande cicatriz em suas costas. Esta exposição nunca é adereçada no filme que vemos, criando em nossa mente especulação do que teria ocasionado a lesão. Acontece que tudo é explicado numa cena deletada, que terminou de fora da edição final, mas deverá estar contida no lançamento em mídia física do longa. A justificativa mostrada na cena é que Diane igualmente teve uma mãe abusiva em sua infância, com a mulher inclusive chegando ao cúmulo de se matar na frente dela quando tinha apenas 7 anos de idade. Isso explica um pouco as marcas físicas e psicológicas da vilã.

Uma Voz Conhecida

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Fuja é um thriller muito eficiente, mas de longe não é um filme perfeito e sem falhas. Existem alguns furos no roteiro que incomodam um pouco, nos pedindo para dar aquele costumeiro salto de fé, e simplesmente aceitar tais cenas que não descem tão redondas. Uma delas é quando Chloe liga para um desconhecido e pede para que ele simplesmente use o Google para verificar um remédio. Nos dias de hoje, será que alguém ainda cairia em tal “trote”? Seja como for, nesta cena, a voz que ouvimos ao telefone é a do ator Tony Revolori, conhecido por seu trabalho em O Grande Hotel Budapeste (2014) e por ser o Flash dos novos filmes do Homem-Aranha da Marvel.



Referências:

A Pandemia no Filme

Fuja foi um dos filmes pegos em meio a pandemia do Coronavírus, e justamente por isso precisou adiar seu lançamento. Como uma espécie de premonição do que veríamos muito em breve (e estamos vivendo até agora), o diretor resolveu deixar uma referência em tela. Na cena em que Chloe e Diane vão ao cinema, podemos ver os títulos dos filmes na marquise antes que elas adentrem o local. Um deles diz “The Breakout”, ou “A Epidemia”. O outro se chama “Fake News”, garantindo assim questões mundiais muito em voga, fazendo sua crítica e deixando seu recado.

Charles Manson

Quem viu a mais recente obra-prima de Quentin Tarantino, Era uma Vez em Hollywood (2019), pôde conhecer um pouco mais sobre a história da família Manson, uma “tribo” de hippies psicopatas. E o cineasta usa uma pequena referência disso em seu filme. O nome da médica que trata de Chloe é Linda Qasabian. Uma das seguidoras de Charles Manson, que ajudou a matar a atriz Sharon Tate, se chamava Linda Kasabian. O nome da personagem no filme também faz referência a uma das produtoras de Fuja, Natalie Qasabian.

Stephen King


Um bom filme de terror que se preze precisa ter algumas referências e homenagens em suas cenas. E o diretor e roteirista Aneesh Chaganty não poderia perder esta oportunidade. Assim, o cineasta presta sua homenagem a uma verdadeira lenda do horror, o escritor Stephen King. Numa cena, Chloe decide fazer um telefonema pedindo ajuda. Uma das primeiras ligações que faz é para um serviço automático, que pede para a moça dizer a cidade e estado em que está. O serviço usa como referência Derry, no Maine, local em que King centra a maioria de suas histórias.

Louca Obsessão

Por falar em King, a cidade de Derry não é a única referência que o diretor de Fuja faz ao renomado autor. Na cena em que Chloe foge do cinema e vai até a farmácia para descobrir o remédio que sua mãe está lhe dando, descobrimos que o nome da farmacêutica que a atende é Bates. O nome poderia ser confundido também com o psicopata vivido por Anthony Perkins em Psicose (1960), de Alfred Hitchcock, caso não descobríssemos o nome completo da mulher: Kathy Bates. A alusão aqui é à atriz vencedora do Oscar por Louca Obsessão (Misery, 1990), uma das melhores adaptações de Stephen King ao cinema.

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