Nas últimas semanas, após a DC Comics anunciar que o filho do Superman, Jon Kent, seria um personagem bissexual, conferido na edição #5 da HQ Superman: Son of Kal-El, o mundo todo começou falar a respeito. Como era de se esperar, apesar de toda ideia bacana de trazer um contexto interessante para a comunidade LGBTQIA+ com mais um personagem de destaque, choveram impropérios, preconceito e falta de informação por parte de algumas pessoas. O ápice, aqui no Brasil, culminou com o comentário de teor homofóbico feito pelo jogador de vôlei Maurício Souza, que acabou sendo dispensado do Minas Tênis Clube, além de ser afastado da Seleção Brasileira de Voleibol. Isso aconteceu porque, em sua página pessoal do Instagram, Maurício havia publicado uma imagem do beijo gay entre John Kent e um outro personagem com a seguinte legenda: “É só um desenho, não é nada demais. Vai nessa que vai ver onde vamos parar“. Enfim, ele que se resolva.

Mas, voltando ao papo dos quadrinhos, de acordo com a linha editorial da DC Comics, o filho de Clark Kent e Lois Lane se envolve romanticamente com um amigo. O relacionamento entre Jonathan e Jay Nakamura, um ativista hacker, é apenas um dos aspectos que diferencia o herói atual do pai. A série em quadrinhos, que está saindo nos EUA desde junho, acompanha Jon combatendo incêndios florestais causados pelas mudanças climáticas, evitando tiroteios em colégios e até protestando contra a deportação de refugiados em Metrópolis, uma óbvia alegoria aos imigrantes, tema sempre discutido nos EUA. Ou seja, é um personagem realmente engajado e essa nova revelação é totalmente condizente.

E não é só a DC que, nos últimos anos, tem apostado em personagens que trouxesse mais diversidade à suas histórias, a Marvel tentou fazer esse movimento desde que trouxe os chamados personagens de legado, como o Miles, a Thor, a Coração de Ferro, a Kamala Khan, entre tantos outros. Dessa vez então a gente vai listar aqui dez personagens incríveis e marcantes que foram importantes para que algumas barreiras fossem quebradas, ainda que coisas como o caso do jogador de vôlei continuem acontecendo. E é curioso que tantas personagens grandes femininas já tenham tido cenas parecidas, mas só agora resolveram criar caso. Enfim, se a gente tiver esquecido de citar alguém muito importante, coloca aí nos comentários e diz qual personagem você mais curte.



Hera Venenosa (Poison Ivy)

Aproveite para assistir:

Como vocês devem saber, a Hera Venenosa carrega consigo vários símbolos da figura feminina, além da figura extremamente poderosa e imponente que aparenta ser. A Ivy é uma mulher independente, de opinião forte e lembra a todo momento que as mulheres não precisam que homens as defendam. É o tipo de personagem que nasceu com uma força imagética única. Não existe meio termo com a Hera, que não só acredita piamente que ela é superior, mas também que todas as mulheres são superiores aos homens. Ela já teve diversos casos com mulheres nos quadrinhos e tratou o sexo oposto como gato e sapato. Os marmanjos tiveram só que aceitar e chorar.

Estrela Polar (Northstar)



O Northstar, ou como foi chamado aqui Brasil, Estrela Polar, é irmão gêmeo de Aurora e membro da Alpha Flight. Obviamente ele e Aurora possuem um vínculo especial, já que quando os dois se unem são capazes de se mover na velocidade da luz e liberar um brilho ofuscante. Desde sempre Northstar se assumiu como homossexual, a ponto de até se casar na clássica revista Surpreendentes X-Men, exatamente no número 51. Ele casa com o seu parceiro de longa data, Kyle. O editor-chefe da Marvel na época, Axel Alonso, falou sobre o caso: “Nossos quadrinhos são sempre melhores quando refletem o mundo real. Fazemos isso há décadas e esta é apenas a expressão mais recente.” Ele se refere a justamente a época em que o estado de Nova York autorizou o casamento gay.

Homem de Gelo (Iceman)

O fato mais trágico da vida do Homem de Gelo não é que ele demorou anos para ser reconhecido como um mutante principal de nível Ômega, mas sim por ter levado décadas pra se assumir como homossexual. O Iceman (no original) apareceu pela primeira vez ao lado de mitos como Ciclope, Jean Grey, Anjo, Professor Xavier e Fera na clássica X-Men número 1, em 1963. Ele foi criado pelo próprio mestre Jack Kirby e a lenda Stan Lee, se tornando uma das figuras centrais nas histórias dos X-Men desde então. Em 2015, os leitores finalmente descobriram o que suspeitavam há anos, o Homem de Gelo era gay! Isso aconteceu depois que os X-Men originais viajaram no tempo e vieram parar nos dias atuais. Depois de conversar com a Jean Grey do futuro, o Iceman descobre o que tem medo de admitir. Pouco depois, o atual Homem de Gelo confessa que conviveu com esse segredo durante toda sua vida adulta. A revista X-Men, desde sua origem, discutiu amplamente sobre as diferenças.

Wiccano (Wiccan)



A dupla Wiccan e Hulking (William “Billy” Kaplan e Theodore “Teddy” Altman) foram apresentados pela primeira vez nos Jovens Vingadores, em 2005. Embora parecesse que os dois eram mais do que apenas amigos, o relacionamento demorou pra se desenrolar de verdade. Em agosto de 2020, na edição número 4 da Empyre, é revelado o primeiro casamento do mesmo sexo entre super-heróis nas páginas oficiais do selo Marvel, a ganhar uma imensa repercussão. Nessa edição a dupla segue para Las Vegas e se casa antes que Hulking se torne o Imperador da aliança Kree/Skrull. Apesar de ter sido uma pequena celebração, o casamento foi lindo e contou com a presença de membros dos Jovens Vingadores. Não se engane, essa união foi um salto gigantesco pra indústria dos quadrinhos.

Arlequina (Harley Quinn)

Sim, a Arlequina é a “namorada não oficial” do Coringa há décadas, a estrela do universo cinematográfico da DC e a razão pela qual o selo foi capaz de se conectar com os fãs mesmo num momento ruim que eles nunca pensaram chegar. Ela é mais nova que a maioria dos personagens dos quadrinhos populares, e principalmente menos madura. Porém é disparado a personagem que mais vende na DC, mais até que o Batman. Por anos, ela e a Hera Venenosa compartilharam alguns momentos, troca de farpas e insinuações que insinuaram ali uma certa sexualidade entre as duas. No entanto, a DC nunca admitiu ou negou nada. Porém, em 2017, Jimmy Palmiotti e Amanda Conner finalmente confirmaram o que os fãs suspeitavam há anos, a Arlequina era bissexual. Na edição número 25 da Arlequina, ela e a Hera enfim se beijaram.

Mulher-Maravilha (Wonder Woman)


A Mulher-Maravilha foi criada por William Moulton Marston, famoso por ser casado com Elizabeth Marston. Ele e sua esposa ficaram famosos por terem uma namorada, Olive Byrne. Juntos, os três tiveram quatro filhos. Embora nunca tenham confirmado nada, desde sua estreia, a DC deu algumas dicas sobre a sexualidade da Mulher-Maravilha. Quer dizer, até Greg Rucka ser questionado sobre a sexualidade de Diana e responder: “é obvio que ela é bissexual”. A DC parece não querer entrar nesse mérito pra valer, no entanto hoje sabemos que a Mulher-Maravilha é o que muitos acreditavam e esperavam: um modelo para pessoas de todas as idades, raças e sexualidades. É gigantesca como personagem.

John Constantine (Hellblazer)

John Constantine tornou sua bissexualidade pública pela primeira vez em 1992, na edição número 51 de Hellblazer, com a seguinte declaração: “minhas namoradas, meu namorado estranho… todos eles têm o péssimo hábito de me abandonar.” Embora essa bissexualidade fosse conhecida, ela nunca foi posta em prática. Ou seja, além de uma frase ou outra nos quadrinhos, Constantine nunca demonstrou qualquer forma de atração por homens. Felizmente, depois de várias aparições em live-actions, a versão que aparece na série Legends of Tomorrow deixou claro que ele atrai tanto mulheres quanto homens. Essa versão do personagem é a versão mais autêntica que vimos até hoje fora dos quadrinhos.

Loki (Idem)

Ao contrário dos outros personagens LGBTQ citados na lista, Loki também foi rotulado incorretamente, já que os Genderfluid são definidos por não se identificarem como homem ou mulher, sendo assim não-binários. Acreditam que ele tenha sido rotulado dessa forma porque é a maneira mais simples de descrever suas habilidades de metamorfose, isso porque ele pode mudar de aparência entre ser homem e mulher. Não importa como ele seja rotulado, Loki deixou claro que sua sexualidade é baseada em crenças culturais diferentes daquelas que conhecemos na Terra: “Minha cultura realmente não compartilha do seu conceito de identidade sexual. Existem atos sexuais. É isso.” Como um dos vilões mais populares da Marvel, atualmente, Loki é uma figura de sexualidade plural.

Batwoman (Idem)

Com pouca idade, Kate Kane, uma jovem rica, lésbica, socialite e judia ficou traumatizada pelo sequestro e assassinato de duas pessoas muito queridas da família, sua mãe e irmã. Kate foi morar com o pai e ingressou na Marinha como forma de impressioná-lo. Infelizmente, Kate foi dispensada do serviço após se declarar gay. Depois da sua demissão, ela se viu no lado errado de um assalto, mas, assim que o assaltante entrou, o Batman chegou e a resgatou. Sentindo a emoção de ser salva pelo Batman, Kate se transformou na mais nova versão da Batwoman. Os leitores também descobriram que ela tem uma namorada, Renee Montoya. Batwoman se tornou uma pioneira na comunidade LGBTQ, onde não apenas teve uma das histórias recentes mais lindas da nota arte, como também foi a primeira personagem de quadrinhos abertamente gay a ganhar uma série de tv.

Deadpool (Idem)

Um antigo escritor de Deadpool, Gerry Duggan, disse que o herói é sexualmente atraído por “qualquer coisa que se mexe”. Ao longo dos anos, ele fez comentários que despertaram o interesse dos fãs que queriam saber de quem o anti-herói era afim. Dominó, Wolverine, Cable, Homem-Aranha e Justiceiro foram só alguns dos citados, pois tem muito mais. Deadpool trouxe fôlego pra uma indústria careta e que muitas vezes se leva muito a sério demais. Diversos escritores usaram bem todo apelo cômico do personagem pra falar das suas atrações sexuais. Até Ryan Reynolds declarou publicamente que deseja explorar esse lado pansexual do herói surtado em seus futuros filmes, muito por ele atrair leitores de todas as idades, crenças e opiniões, sendo assim um dos maiores personagens LGBTQ dos quadrinhos.

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