Missão: Impossível – Efeito Fallout é um dos grandes filmes de 2018. Uma das maiores franquias da atualidade, capitaneada pelo astro Tom Cruise, Missão: Impossível lança agora seu sexto filme. O sucesso já é garantido. O que talvez muitos não saibam, no entanto, é que esta superprodução foi baseada num programa televisivo homônimo da década de 1960.

Criado por Bruce Gellar, o seriado produziu 171 episódios ao longo de sete temporadas – que duraram de 1966 a 1973. A história falava sobre uma unidade de elite operacional secreta encarregada de missões altamente sensíveis, sujeitas a negação oficial dos superiores em caso de fracasso, captura ou morte.

A série foi ressuscitada na década de 1980, apesar da morte de seu criador Bruce Gellar em 1978, e protagonizada novamente por Peter Graves no papel de Jim Phelps. A nova edição se mostraria sem grande apelo junto ao público da época, resultando em apenas 35 episódios ao longo de duas temporadas – que duraram de 1988 a 1990.

Em 1996, foi a vez do astro Tom Cruise resgatar a ideia e transformá-la num longa-metragem blockbuster comandado por ninguém menos que Brian De Palma. No filme, Jim Phelps assume as formas do ator Jon Voight. A produção caiu nas graças do público e gerou mais cinco continuações, se tornando a mais bem sucedida série cinematográfica baseada num programa de TV.

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Os Vingadores

Aproveite para assistir:

Muito antes (mas bota muito nisso) da Marvel tornar este título a maior marca do cinema de Hollywood na atualidade, Os Vingadores já possuíam uma pequena legião de seguidores. Mas calma, a coincidência se encontra apenas no titulo, este não é o grupo de super-heróis que você está pensando. Trata-se de uma série britânica, criada por Sydney Newman, que foi ao ar em 1961, durando até 1969, com sete temporadas num total de 161 episódios. A trama pegava a onda de espionagem inglesa que dominava a cultura pop e apresentava John Steed (Patrick Macnee), um excêntrico agente secreto e suas parceiras. Uma curiosidade na série é que a principal braço direito do protagonista, a Dra. Emma Peel, foi interpretada por Diana Rigg (de 1965 a 1968), que no ano seguinte daria assistência a outro famoso espião, este do cinema, em 007 – A Serviço Secreto de Sua Majestade.

No mesmo programa, antes da substituição por Emma Peel (a parceira mais lembrada na série), a principal personagem feminina era Catherine Gale (1962 a 1964), vivida por Honor Blackman. Muitos lembram, é claro, que Blackman deu vida à icônica Pussy Galore em 007 Contra Goldfinger, no mesmo ano em que deixou o seriado.

Assim como Missão: Impossível, a série, Os Vingadores tentou sobrevida e retornou à programação em 1976 com The New Avengers. Novamente protagonizado por Macnee como Steed, a série durou apenas duas temporadas de 26 episódios.

No terreno cinematográfico é que a coisa muda completamente de figura. Se na TV as carreiras dos seriados foram bem similares, no cinema, tentando pegar este rastro, um filme de Os Vingadores foi produzido e lançado em 1998, dois anos após o sucesso de Missão: Impossível. Contando com Ralph Fiennes como Steed, Uma Thurman como Emma Peel e o às na manga de ter Sean Connery (o eterno e maior espião do cinema) como o vilão do longa, a Warner apostava forte no trunfo, pronta para colher os louros, como havia feito a Paramount. O resultado, porém, não foi exatamente este. Os Vingadores (1998) é uma das piores produções cinematográficas já lançadas na história do cinema.

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Os Destemidos / Sou Espião

Talvez seja mais fácil para a maioria lembrar do filme de 2002, protagonizado por Eddie Murphy e Owen Wilson, intitulado Sou Espião. Esta, no entanto, é outra obra baseada numa série de TV antiga sobre espiões. Aqui, tentando pegar carona no sucesso de séries como Os Vingadores e O Agente da UNCLE, o programa apresentava a improvável união de dois agentes se passando por esportistas a fim de resolver seus casos. Durante apenas três temporadas com 82 episódios, de 1965 a 1968, Os Destemidos trazia o primeiro trabalho de destaque do humorista Bill Cosby. Na trama, Robert Culp e Cosby vivem os agentes secretos disfarçados: Kelly Robbinson e Alexander Scott, respectivamente. Enquanto Robbinson finge ser um tenista profissional, Scott se passa por seu treinador.

Muitos anos após o fim da série, já em 1994, um filme produzido para a TV chamado Os Espiões Estão de Volta era lançado trazendo os velhos protagonistas já em nova fase de suas vidas, para uma nova missão.

Em 2002, I Spy (título original mantido em todas as encarnações) reformulava a ideia e modificava um pouco os personagens. Agora, Kelly Robbinson, anteriormente o protagonista caucasiano, assumia as formas de Eddie Murphy e mudava o esporte para o boxe. De fato, Robbinson no cinema é um lutador recrutado como espião e não o contrário. Já Alex (vivido por Cosby no programa) igualmente invertia sua raça para assumir as formas de Owen Wilson. O filme fracassou e não rendeu franquia. Uma das melhores lembranças é Framke Janssen como uma espiã dúbia.

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Agente 86

Outro programa que apostou na comédia, Get Smart (no título original) trazia Maxwell Smart – eternizado por Don Adams – o espião mais atrapalhado da TV. Criado pela lenda da comédia Mel Brooks, em parceria com Buck Henry, Agente 86 durou cinco temporadas e 138 episódios, de 1965 a 1970, sendo contemporâneo de clássicos televisivos como Jeannie é um Gênio, A Feiticeira, Batman e Robin, A Família Addams e Os Monstros. Quem conheceu jamais esquecerá das bugigangas do agente secreto, como a cabine telefônica e o sapato-telefone.

Em 1995, um revival do seriado foi ao ar, trazendo de volta, já bem mais velhos, Don Adams como Smart e sua parceira que resolvia todos os problemas, a Agente 99 de Barbara Feldon. Esta investida durou apenas sete episódios de uma temporada. Antes disso, em 1980, era lançado nos cinemas o primeiro longa-metragem (e único para a telona) do espião cômico. Intitulado A Bomba que Desnuda (The Nude Bomb), o filme não contava com a presença de Barbara Feldon ou sua 99. Nove anos depois, e a agente retornava para dar o respaldo necessário ao parceiro Smart em Agente 86, de Novo! (Get Smart, Again!), num filme feito para a TV.

A versão mais conhecida pelo público mais novo é o filme de 2008, protagonizado por Steve Carell como Maxwell Smart e produzido pela Warner. De todos os filmes que não deram certo na lista, esta versão de Agente 86 é o melhor. O carisma está lá, assim como as interações. Uma pena realmente que não tenha vingado ao ponto de gerar continuações, pois merecia. A produção trazia ainda Anne Hathaway como a Agente 99 e Dwayne ‘The Rock’ Johnson como o Agente 23. Uma pena também que a atriz Barbara Feldon não tenha feito uma participação. Já Don Adams, infelizmente, não estava mais vivo quando a obra foi lançada, tendo falecido em 2005.

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O Protetor

Até o momento na lista, tirando Missão:Impossível, todos os filmes adaptados de séries de espiões antigas seguiram por uma veia mais cômica. Com O Protetor, protagonizado por Denzel Washington, é onde a coisa muda de figura. Criado por Richard Lindheim e Michael Sloan, The Equalizer ou O Equalizador, acompanhava os passos de Robert McCall (Edward Woodward), Agente da CIA aposentado, trabalhando como detetive particular, ajudando seus clientes a equilibrarem as chances contra aqueles que almejam lhes fazer mal. O programa durou quatro temporadas num total de 88 episódios, entre 1985 a 1989. Enquanto o seriado ainda estava no ar, um filme feito para a TV foi lançado em 1988.

No cinema, McCall muda de etnia e ganha as formas talentosas e premiadas de Denzel Washington. O Protetor, de 2014, adaptou as desventuras do ex-agente, que agora não era mais um detetive particular, mas sim um homem tentando deixar para trás seu passado de agente e seguindo com uma vida normal. A trama se desenrola quando membros de uma organização criminosa russa tentam matar uma jovem prostituta (papel de Chloe Moretz), com a qual o protagonista desenvolveu laços de amizade. Assim, o espião precisa voltar à ativa, fazendo uso de suas habilidades.

Este ano, com lançamento programado para 16 de agosto no Brasil, o equalizador estará de volta em O Protetor 2, novamente dirigido por Antoine Fuqua e protagonizado por Denzel Washington.

O Agente da U.N.C.L.E.

O último item de nossa lista já havia sido mencionado previamente acima. Criado por Sam Rolfe, O Agente da UNCLE foi ao ar em 1964 e durou até 1968. Durante as quatro temporadas, num total de 105 episódios, no auge da Guerra Fria – período fértil para produções do tipo – a história apresentava as desventuras de uma dupla de agentes para lá de improvável: o “caubói” americano Napoelon Solo (Robert Vaugn) e duro membro da KGB Illya Kuryakin (David McCallum).

No cinema, mais uma vez adaptado pela Warner, um longa-metragem foi lançado em 2015. Assim como Agente 86, o filme foi injustiçado por crítica e público, mas merecia uma nova chance. O Agente da UNCLE é um bom exemplar deste tipo de obra, digno de sua própria franquia. No longa, Solo ganhou as formas de Henry “Superman” Cavill e Kuryakin foi interpretado por Armie Hammer – ambos divertidamente carismáticos. A direção foi a cargo de Guy Ritchie, e o elenco desta deliciosa comédia de ação e espionagem conta ainda com Alicia Vikander, Elizabeth Debicki e Hugh Grant se divertindo horrores. O Agente da UNCLE é um dos filmes mais subestimados dos últimos anos.

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