Obra abordou estilo de vida nômade que tem se tornado a opção de sobrevivência para muitos

Lançado em 2020 com ampla aclamação, Nomadland abordou um estilo de vida que tem se tornado a opção mais viável para muitos: o nomadismo. Ambientado em 2011, a trama segue Fern após sua cidade colapsar devido ao fechamento da maior indústria local (e principal empregadora) em uma jornada em diferentes pontos do país em busca de trabalhos temporários. 

Munida unicamente de seu trailer, ela conhece diversas pessoas em sua jornada que, de uma forma ou de outra, foram afetadas pela economia e agora buscam quaisquer meios para sobreviver. Dessa maneira, a diretora e roteirista Chloé Zhao desenvolve um retrato sobre um estilo de vida minimalista e pautado principalmente na solidão daqueles que estão em constante movimento, mesmo quando são integrantes de comunidades móveis (as assim chamadas caravanas).

Em entrevista concedida à Wendy Mitchell para a matéria Chloe Zhao on her journey bringing ‘Nomadland’ to the big screen, para o portal Screendaily, é dito pela cineasta a importância de determinado sentimento para o resultado final do filme. “Eu gosto de fazer filmes que aparentam final em aberto, onde as pessoas podem tirar o que elas precisam… Para mim, eu tiro essa importância da solidão. Desde o momento em que nascemos, nós somos constantemente definidos pela sociedade em que vivemos, a família, a comunidade – então o que acontece quando todo esse barulho some e você está por conta própria?…”



A vida móvel está no epicentro a trama de Fern

A questão é que o nomadismo, ou melhor dizendo os fluxos migratórios internos, como estilo de vida se tornou uma tendência preferível no cenário de desaceleração econômica em muitos países, principalmente do ocidente. Inicialmente motivados pelos efeitos da crise de 2008, atualmente são as consequências da pandemia de Covid-19, decorrentes principalmente das medidas de prevenção necessárias para conter a proliferação, que regem os fluxos de pessoas em nações afetadas.

Essa nova configuração permitiu o aumento nunca antes visto dos chamados nômades digitais; termo que identifica os funcionários ou trabalhadores no geral que exercem suas funções à distância e com auxílio de equipamentos eletrônicos. No artigo Will Covid-19 unleash a new generation of digital nomads? publicado no Oxford Business Group é chegado a uma conclusão sobre a possibilidade do nomadismo digital ser o novo normal.

“Com a Covid-19 facilitando uma nova mudança relacionada ao trabalho remoto, o fenômeno do nomadismo digital é previsto para continuar se expandindo nos próximos anos, conforme as empresas vão desistindo de ter espaços mais caros e empregados e empregadores vão se acostumando mais a trabalhar remotamente”.

Nomadismo digital tem sido uma opção barata para as companhias

No entanto, a questão dos fluxos migratórios nacionais é um fator de análise há muito presente nos levantamentos populacionais. As variações estaduais sobre disponibilidade de empregos é tradicionalmente o fator imperativo que motivam o indivíduo a atravessar longas distâncias de seu estado de origem até um novo local.



Em 2019 foi lançado o artigo Migração interna em tempos de crise no Brasil, assinado pelos professores Ednelson Mariano Dota e Silvana Nunes de Queiroz, para a Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais em que é analisado o quadro econômico necessário que incentiva o nomadismo de uma localidade para outra no âmbito brasileiro.

“Contudo no segundo período (2011-2015) , a desaceleração provocada pela crise econômica em anos recentes representou redução considerável no saldo de vagas criadas no Brasil que passou de positivo durante toda a série para a “queima” de vagas ou saldo negativo em 2015 (-1,6 milhão)… Portanto, diante desse cenário de baixo crescimento econômico conjugado com o aumento do desemprego no país, como se comportou a dinâmica migratória nacional? Aumentou ou diminuiu a intensidade/volume da migração? As migrações de longa distância (inter-regional) permanecem se arrefecendo e as de média distância (intrarregional) e curta distância (intraestadual) crescem?”

Ao passo que a sociedade vai se adaptando à nova realidade e tendo que lidar com o recuo do mercado, além da escassez de oportunidades, é notável o aumento da preferência de alguns grupos pelo estilo de vida itinerante. Não só deles como também da versão digital do nomadismo, que pode muito bem vir a ser a nova tendência do mercado de trabalho. A questão é que independente de quantos milênios tenham se passado, um dos hábitos mais antigos da humanidade ainda está bem presente; tanto no cotidiano quanto na ficção. 

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