Produção reuniu elementos clássicos da literatura gótica

Um dos trabalhos mais interessantes que surgiram na indústria dos quadrinhos em tempos foi lançado em 1999, assinada pelo excêntrico autor Alan Moore e com a arte de Kevin O’Neill: A Liga Extraordinária. Sua premissa básica era a reunião de alguns dos mais famosos nomes da literatura inglesa (de preferência do estilo gótico, mas esse fator não era imperativo).

A ideia de criar tal grupo nasceu de uma iniciativa secreta do governo britânico, que incluiu Campion Bond (ancestral do famoso agente criados nos livros de Ian Fleming) de reunir uma equipe para recuperar um artefato roubado por Fu Manchu. No que consta o próprio Moore a ideia de criar a série nasceu de um brainstorm entre ele e O’Neill sobre quais eram seus personagens favoritos da literatura.

A partir daí, quando transpostos para o texto, essas personalidades sofreram certas desconstruções para se adequar ao enredo pensado, sendo Allan Quatermain (uma espécie de precursor de Indiana Jones) o exemplo mais notório de uma desconstrução. Em 2003 foi realizada uma adaptação para o cinema tendo Sean Connery como grande estrela; produção essa que se tornou sinônimo de como não abordar uma HQ para a grande tela.



Filme foi o último de Sean Connery antes de se aposentar.

O conceito acerca da equipe ficaria esquecido até 2013, quando o roteirista John Logan começou a desenvolver o rascunho do que ser um novo drama ambientado na Inglaterra vitoriana e envolvendo elementos fantásticos da literatura. Nas palavras do presidente do canal Showtime, David Nevins, para a jornalista Nellie Andreeva do Deadline: “Logan tem sido obcecado com monstros da literatura desde a infância”.

O próprio nome do projeto, Penny Dreadful, funciona como uma referência a um estilo da literatura vitoriana mais acessível (consequentemente tida também como de baixa qualidade) para a classe operária, esta que normalmente apresentava histórias de mistério bem curtas e eram produzidas com materiais baratos. Seu estilo de publicação seguia um formato serializado, ou seja, a cada semana um novo capítulo era publicado.

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O início da década de 2010 foi muito positivo para o roteirista, uma vez que seu trabalho em Operação Skyfall foi amplamente aclamado. Junto a ele no projeto estava também Sam Mendes, um diretor com grande renome em Hollywood, no cargo de produtor; a dupla até então estava no comando da franquia protagonizada por Daniel Craig nos cinemas.

A série contou com a “benção” do premiado Sam Mendes.

O elenco tinha em suas peças centrais nomes famosos também, com destaque para Eva Green (outra que curiosamente também esteve envolvida no universo 007) no papel mais central, seguida de Timothy Dalton (que foi James Bond em duas ocasiões em 1987 e 1989) e um antigo nome ascendente do cinema americano, Josh Hartnett.



A premissa da nova série se aproximava bastante do volume I da história de Alan Moore; na Inglaterra vitoriana uma mulher misteriosa deve reunir um grupo de personalidades excêntricas para concluir uma missão. No caso de Penny Dreadful esse trabalho é encontrar a filha desaparecida de Sir Malcolm (personagem de Dalton) apelidada de Mina, nome referente ao líder do grupo nos quadrinhos.

Além deles, a produção também apresenta uma versão mais jovem de Victor Frankenstein, bem como uma recriação do monstro do mesmo (que deseja descobrir se de fato possui uma alma, acima de tudo), e o imortal Dorian Gray. 

O monstro de Frankenstein foi um dos destaques da trama.

Apesar de todas as similaridades entre os dois materiais, jamais foi assumido por nenhum dos envolvidos na série quaisquer ligações com os quadrinhos. A despeito de ser uma adaptação ou não o seriado consegue facilmente caminhar com as próprias pernas, oferecendo uma construção de atmosfera que se mantém real (à estética londrina do século XIX) até certo ponto, porém, com a sensação de que qualquer acontecimento sobrenatural que possa ocorrer é completamente crível.

Ao longo de suas três temporadas a série obteve 91 nomeações para diversos prêmios e 16 vitórias, com muitos deles tendo em vista os aspectos técnicos como o visual e a atuação de Eva Green no papel de destaque. O fim do programa veio em 2017, após uma decisão que teria vindo do próprio John Logan no qual aquele era o momento propício para encerrar.

A série ainda receberia um spin-off intitulado City of Angels com novos personagens e ambientação. A empreitada, entretanto, teve apenas uma temporada antes de ser cancelada. 

 

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