Os fãs de terror mais velhos que cresceram nas décadas de 1980 e 1990 não tem do que reclamar em matéria de nostalgia. Acontece que algumas das produções mais icônicas do gênero estão ressurgindo a torto e a direito em novos produtos recauchutados para a época atual. Bem, na verdade nenhum fã de terror tem do que reclamar, já que cada vez mais produções de qualidade, seja nas telinhas ou nas telonas, estreiam aos montes fazendo a alegria dos aficionados. Mas quando falamos de nostalgia, algumas marcas conhecidas certamente tem um valor especial para aqueles que viram seu surgimento durante as décadas citadas.

O ano de 2021 trouxe novamente para a cultura pop novos exemplares de franquias como Halloween, Candyman, Chucky e Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, só para citar alguns. Só faltou mesmo a aparição de dois titãs do terror dos anos 80: Freddy e Jason. Enquanto os psicopatas queridos não ensaiam seu retorno triunfal no mundo do entretenimento, ficamos com alguns substitutos à altura. Esta matéria, no entanto, é sobre estes filmes clássicos muito adorados pelo público que ganharam adaptação nas telinhas como séries de TV, sejam atuais ou antigas. Como os seriados hoje tem tanta força, ou até mais que os cinemas, estrelar seu próprio programa televisivo se tornou uma boa empreitada para estes ícones. Confira abaixo e não deixe de comentar.

Chucky

Começamos pelo seriado mais recente da lista. Chucky, o Brinquedo Assassino favorito dos fãs de terror migrou das telonas para as telinhas e estrela seu primeiro programa de TV. Indo ao ar pelo canal americano SyFy, a série se mostrou um sucesso com o público e vem demonstrando uma boa audiência – no Brasil é parte do acervo da Star+, da Disney. Chucky já exibiu cinco de seus dez episódios da primeira temporada, tendo feito sua estreia no dia 19 de outubro, bem na época do dia das bruxas. A série tem envolvimento dos criadores originais e segue a linha temporal lá do primeiro filme de 1988, que já rendeu sete filmes – dos quais os últimos dois já haviam sido lançamentos direto em vídeo. Agora, com este programa de TV, Chucky volta a ser um item de sucesso entre os jovens. Por outro lado, o remake de 2019 fez sucesso igual e segue outra linha cronológica. E se ganhar uma continuação, pode confundir as coisas para o personagem.



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Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado

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Um dos maiores erros que os criadores de uma produção podem cometer é mexer com um material solidificado. Isso quase nunca funciona, na maioria das vezes se mostrando um risco. Tudo bem que ousar pode ser bom, mas é preciso entregar alguma familiaridade com o que os fãs esperam. Indo totalmente na contramão do item acima (que manteve sua linha narrativa original desde 1988), a releitura do querido filme noventista mudou “tudo e mais um pouco” do que os fãs conheciam e adoravam. Nenhum dos personagens foi mantido e a trama agora é outra, trazendo apenas a dinâmica “jovens sofrem um acidente de carro, que termina tirando a vida de uma pessoa e agora precisam esconder o fato”. Tudo bem que pode ser dito que o filme de 1997 também mudou bastante a narrativa de seu material original, o livro de Lois Duncan o transformando num slasher adolescente, mas convenhamos, quantas pessoas conheciam o livro antes do filme? A série estreou na Amazon no dia 15 de outubro e chegou ao seu finale da primeira temporada nesta semana, dia 12 de novembro.

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Ash vs Evil Dead

Talvez tão confusão quanto a franquia do Brinquedo Assassino/Chucky, a série de filmes de terror criada por Sam Raimi sobre mortos-vivos demoníacos talvez deixe muitos fãs sem entender como funciona sua história. Tudo começou, é claro, há exatos quarenta anos com o clássico Evil Dead – A Morte do Demônio, filme mezzo amador que Raimi fez na boa fé ao lado dos amigos. Entre eles, Bruce Campbell, que viria a se tornar um dos maiores bufões de Hollywood, incrivelmente querido pelo público. Seis anos mais tarde, Raimi finalmente conseguia tirar a sequência Uma Noite Alucinante (1987) do papel, e logo neste filme recriava parte do original e também continuava a história numa espécie de remake/reboot/sequência. Depois, em 1992 viria Army of Darkness, que era mais uma aventura cômica do que terror. Caminho que seguiu a série Ash vs Evil Dead, que trazia Campbell reprisando o papel do herói pela primeira vez em mais de vinte anos. No meio tempo, tivemos um remake bem barra-pesada do original em 2013. A série estreou em 2015 e durou 3 temporadas de 10 episódios até 2018 – todas disponíveis atualmente na Netflix. A franquia lançará mais um filme ano que vem, intitulado Evil Dead Rise.

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Pânico: A Série

O quinto filme da franquia Pânico, intitulado sem o numeral da cronologia, tem estreia programada para Janeiro de 2022. Os fãs não poderiam estar mais em polvorosa, isso porque Pânico se tornou um filme extremamente influente e suas sequências ajudaram a moldar o que temos de horror adolescente hoje, ou seja, com muitas referências e humor autoconsciente. Mas é preciso lembrar que este quinto filme será o primeiro a não contar com o envolvimento do criador de tudo, o diretor Wes Craven, falecido em 2015. Craven dirigiu os quatro filmes anteriores da franquia. E seu último contado com a marca Pânico seria não no cinema, mas sim na TV. Acontece que ainda em 2015, ia ao ar a primeira temporada do seriado Scream, que levava o conceito dos cinemas para as telinhas, bancada pela MTV Films. O programa não tinha ligação com os filmes e nem mesmo o assassino usava a mesma fantasia do Ghostface. Em comum apenas a tortura psicológica que o maníaco gosta de fazer com suas vítimas e a estrutura do “whodunit”, na qual um dos personagens se mostraria o assassino. A série durou 3 temporadas até 2019, com a última reformulando todo o elenco, o uniforme do vilão e durando apenas 6 episódios.

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Um Drink no Inferno



Podemos dizer que o cult road movie de vampiros Um Drink no Inferno foi o filme que ajudou a erguer a carreira do astro George Clonney no cinema. Também pudera, por trás tínhamos a colaboração de dois verdadeiros pesos pesados da indústria, o roteirista Quentin Tarantino e o diretor Robert Rodriguez. O sucesso foi grande, e o longa renderia duas sequências, não no cinema, mas lançadas direto no mercado de vídeo, capitalizando na marca. Um ano antes da estreia da série Pânico, em 2014, Um Drink no Inferno debutava sua primeira temporada na forma de uma série televisiva. Indo ao ar na rede de TV de Robert Rodriguez, o canal El Rey, o programa ficou no ativo durante três temporadas, de 2014 a 2016, e conta com todas no acervo da Netflix, já que a plataforma tem exibição exclusiva da série no Brasil. Produzida por Rodriguez a série é uma espécie de remake do filme original, contando novamente a trajetória dos irmãos criminosos Seth e Richie Gecko, agora interpretados por D.J. Cotrona e Zane Holtz. Diversos personagens do original também retornam reescalados com outros atores.

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Freddy’s Nightmares

Recentemente aqui no CinePOP, fiz uma matéria inteiramente dedicada a esta produção dos anos 80. Como citado no início do texto, o maníaco dos sonhos (ou pesadelos) Freddy Krueger é um dos monstros mais famosos da sétima arte, tendo iniciado sua carreira com A Hora do Pesadelo, do mesmo Wes Craven, em 1984. Sendo interpretado por Robert Englund em todos os filmes da franquia (com exceção do remake em 2010), o psicopata de unhas afiadas já havia estrelado quatro filmes quando pulava das telonas para a telinha. A proposta era capitalizar ao máximo a figura do sujeito queimado, que agradava muito as crianças e o jovens. Todo tipo de produto licenciado com seu rosto chegava às prateleiras, assim nada mais natural que tivesse também um programa de TV. Englund reprisava o personagem também nas telinhas e o formato aqui era o de antologia, com Freddy apresentando os episódios, cada um formado por uma história de terror sobrenatural distinta, e eventualmente aparecendo como antagonista em alguns dos capítulos. Até mesmo Brad Pitt deu as caras em um deles no início de carreira. A série estreou em 1988 e durou duas temporadas até 1990.

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Loja do Terror

E se Freddy ganhava uma série para chamar de sua na década de 80, o outro grande monstro da época não iria deixar barato. Jason Voorhees mesmo sem falar uma palavra igualmente teve seu próprio programa. Ou quase. Ao contrário de Freddy’s Nightmares, a franquia Sexta-Feira 13 ganhou um seriado que deve ter deixado muitos fãs a ver navios – com certeza falo por experiência própria. Não por menos Friday the 13: The Series ganhou no Brasil o infame título Loja do Terror. E se você pergunta o que uma loja teria a ver com o maníaco que usa máscara de hockey para esconder suas belas feições? Bem a resposta é nada. A ideia dos produtores aqui era utilizar somente o título para deixar a marca na mente do público. E nada de Jason.

Assim como John Carpenter planejava com a franquia Halloween no cinema após o segundo filme, e até mesmo Sexta-Feira 13 nas telonas chegou a cogitar, nas telinhas a franquia se tornava uma antologia, a cada episódio contanto uma história de terror diferente. Bem, a verdade é que Loja do Terror estava mais para um predecessor de Arquivo X, com dois protagonistas recorrentes enfrentando a cada semana uma ameaça da vez. Indicada para dois prêmios Emmy, a história da série falava sobre o dono de uma loja de antiguidades, que faz um pacto com o diabo e transforma todos os objetos nela contidos em amaldiçoados. Anos depois, o local é herdado pela sobrinha do sujeito Micki (Louise Robey) e o primo dela Ryan (John D. LeMay – que depois teria a oportunidade de enfrentar Jason em pessoa, vivendo outro personagem, em Jason Vai para o Inferno, de 1993). A dupla precisa recuperar os itens amaldiçoados para evitar que o sangue escorra dos que os compraram.

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