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Sustos e tramas macabras: 10 séries para assistir debaixo do cobertor neste Halloween!

Para todo mundo que ama o universo do suspense e terror – daqueles enredos de causar arrepio –, o dia de 31 de outubro é sempre uma boa pedida para maratonas de obras que seguem nessa estrada. Para você que está procurando uma série para assistir neste Halloween, segue abaixo uma lista com ótimas sugestões espalhadas pelos streamings:

 

It: Bem-Vindos a Derry (HBO MAX)

Com um episódio piloto simplesmente brilhante e surpreendente, em It: Bem-Vindos a Derry, ambientado no início da década de 1960, acompanhamos uma série de situações sinistras que ocorrem na cidade de Derry, antes dos eventos de It: A Coisa.

 

Zomvivor (Netflix)

Na trama, conhecemos um grupo de estudantes que estão se escondendo pelos prédios de uma universidade quando o surto de um vírus, que transforma seres humanos em zumbis, vira algo descontrolado. Flashbacks ajudam a contar essa história, enquanto os dramas dos personagens se entrelaçam.

 

Origem (Globoplay)

Jim (Eion Bailey), um engenheiro que constrói atrações de parques de diversões, e sua esposa Tabitha (Catalina Sandino Moreno), são um casal em crise, perto de assinar o divórcio. Eles resolvem fazer uma última viagem juntos de trailer com os dois filhos após uma tragédia. Durante o caminho, são surpreendidos por uma árvore que impede de continuarem, regressando para uma outra parte da estrada onde se veem presos em uma cidade. O ótimo episódio piloto prende a atenção, sem deixar de esconder os principais mistérios e nos contextualizar de boa parte do que seria a jornada dali pra frente.

 

Yellowjackets (Paramount Plus, Netflix)

Na trama, conhecemos quatro mulheres na fase adulta que, por mais que sigam suas vidas com suas respectivas famílias, foram marcadas por acontecimentos trágicos quando eram adolescentes – cerca de duas décadas atrás. Elas viajavam de avião para um jogo importante já que eram do time de futebol feminino conhecido como Yellowjackets. Assim, vamos conhecendo Tai (Tawny Cypress), Shauna (Melanie Lynskey), Misty (Christina Ricci) e Natalie (Juliette Lewis), e os segredos que esconderam durante todo o tempo em que estiveram perdidas.

 

Stranger Things (Netflix)

Submetida a experimentos por um cientista que a roubou de sua mãe, Eleven tem super poderes e pode controlar objetos com a mente. Ao longo das temporadas de Stranger Things vamos conhecendo melhor sua trajetória no passado, já rumando para um presente onde seus amigos precisarão de seus poderes para vencer o mal.

 

A Maldição da Residência Hill (Netflix)

Na trama, conhecemos os Crain – a família de Olivia (Carla Gugino) e Hugh (Henry Thomas/ Timothy Hutton) – e seus filhos. Eles se mudam para uma enorme casa, que possui um passado que eles não sabiam. Lutando contra vários tipos de situações estranhas, a família precisará enfrentar seus medos mais delicados.

 

Arquivo 81 (Netflix)

O tempo e o universo especulativo de outras dimensões. Chegou tempos atrás ao catálogo da Netflix um seriado repleto de misteriosos acontecimentos, que envolvem um homem com um forte trauma no passado, uma mulher em uma jornada de descobertas sobre sua mãe biológica, uma seita mega macabra e um choque entre dimensões.

 

O Homem das Castanhas (Netflix)

Na trama, conhecemos a policial Naia (Danica Curcic), uma mulher que sofre por não ter tempo para cuidar de sua filha. Mãe solteira, ela tem como objetivo mudar de trabalho para conseguir mais tempo para sua família. Só que uma série de assassinatos cometidos pela mesma pessoa, um serial killer que deixa como rastro bonecos feitos de castanhas, começam a acontecer, levando Naia a uma angustiante jornada rumo à verdade.

 

The Head: Mistério na Antártida (Globoplay)

Na trama, seguimos para os detalhes complicados de decifrar sobre um grupo de pessoas que formam uma equipe de pesquisa no meio da Antártida. Quando uma outra equipe chega até onde eles estavam, liderados por Johan (Alexandre Willaume), após três semanas sem comunicação, apenas dois sobreviventes são encontrados. Assim, Johan deve comandar uma investigação e descobrir quem está mentindo, em uma investigação que está inclusa até mesmo sua esposa Annika (Laura Bach), uma das integrantes da expedição que deu problema.

 

Arquivo X (Disney Plus)

Quem nunca imaginou sobre peculiares questões ligadas à vida extraterrestre ou qualquer outra situação que foge da normalidade do que vemos em nosso planeta? Em Arquivo X, que teve o total de 11 temporadas, conhecemos dois agentes do FBI que pensam totalmente diferentes um do outro: Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson). Eles são designados para um departamento que investiga casos inexplicáveis. Um dos seriados mais surpreendentes dos anos 1990.

Crítica | O Dia Depois – O confronto das palavras

Concorrente a Palma de Ouro na edição passada no Festival de Cannes, ‘Geu-hu’, no original, é um retrato profundo sobre os sentimentos, suas razões e emoções quando afloram, fala também sobre a existência e maneiras de pensar sobre, não deixando de lado a forma como enxergamos as visões dos outros. Fragmentado quase em capítulos desordenados, com um preto e branco maravilhoso de pano de fundo, O Dia Depois mostra mais uma vez a todos o imenso talento do cineasta sul coreano Hong Sang-soo que nos apresenta a arte de decifrar as filosofias do universo de maneira madura e ao mesmo tempo as incertezas imaturas dos relacionamentos.

Na trama, conhecemos Song Areum (Min-hee Kim), uma jovem que vai para o primeiro dia de seu novo emprego em uma pequena editora comandada por Kim Bongwan (Hae-hyo Kwon). Se identificando demais com seu novo chefe durante os longos diálogos que participam os dois durante um almoço, tudo ia muito bem. Mas certa hora do dia, a esposa do seu chefe aparece de surpresa e começa a tirar satisfações com Areum sobre uma possível traição com seu marido. A partir disso, embarcamos em uma viagem rumos as verdades dessa delicada situação, principalmente quando a verdadeira amante de Kim Bongwan volta a cena.

A estética é exuberante. Entre os zooms e os paralelos da lente do ótimo Hong Sang-soo conhecemos uma curiosa história preenchida detalhadamente com diálogos inspirados. O inusitado faz com que o drama no dia de Areum vire quase uma comédia pastelão, por conta das absurdas idas e vindas provocados pelo perturbado e indeciso chefe da editora, interpretado pelo excelente ator Hae-hyo Kwon. Repleto de lições de moral que não duram dois minutos, a gangorra dos acontecimentos do quarteto criado é pra lá de cômico e explica bastante sobre as características dos personagens.

Estimado em 100 mil dólares, valor consideravelmente baixo, ‘O Dia Depois’ chega nos próximos meses no circuito brasileiro. Um filme poderoso, de diálogos intensos, onde os personagens lutam a todo instante atrás das curas que encontram  facilmente em palavras mas somente às vezes na realidade.

Crítica | ‘A Mulher da Fila’ – Novo TOP 1 da NETFLIX confronta a dor e o choque emocional para uma desconstrução

Apresentando um recorte sobre a relação de fora para dentro – focado nos familiares de condenados por delitos que cumprem pena em regime fechado em uma prisão da Argentina – o longa-metragem argentino A Mulher da Fila costura sua ficção a partir de uma base inspirada em fatos reais, ocorridos há duas décadas, sobre uma mulher que viu seu mundo desabar com a prisão do filho mais velho e precisou se adaptar à situação.

Em uma narrativa densa, que explora questões sociais e também morais em um núcleo familiar marcado por perdas, o projeto confronta a dor e o choque emocional para uma desconstrução, sendo pouco efetivo na amplitude que propunha a perspectiva do discurso. Não há camadas para o reeducar e o reinserir; prefere-se o olhar para a decepção, além de um contexto amoroso que, no desfecho, percebemos ser o principal objetivo da trama.

Andrea (Natalia Oreiro) é uma mulher batalhadora e viúva, uma mãe carinhosa que vive em um bairro de classe média com os três filhos. Um dia, é surpreendida com a prisão do filho mais velho, Gustavo (Federico Heinrich). Tendo que se adaptar a essa situação, ela passa a visitá-lo sempre que pode na prisão, onde acaba conhecendo outras mulheres em situação semelhante e também um outro detento, Alejo (Alberto Ammann), de quem se aproxima cada dia mais.

As burocracias do sistema judiciário, aqui com o olhar para as leis argentinas, ganham um bom espaço, principalmente quando pensamos no processo e sua efetividade. Sem adoção do jurisdiquês e com o olhar quase sempre na protagonista, caminhamos por dilemas de uma mãe que precisa acessar a ruptura dos seus valores chegando até uma crítica institucional – mesmo em camadas superficiais. Vale dizer que esse olhar também é expandido com breves retratos de outras mulheres que frequentam a mesma fila.

Uma questão que pode gerar debates é a romantização de uma situação – neste caso, o crime cometido pelo filho – algo que pode chegar na conclusão de muitas pessoas. Há uma linha tênue entre o emocionalmente envolvente e o moralmente questionável: o roteiro adiciona ficção a um fato que pode deixar essa linha balançada. Na vida real, o filho de Andrea foi totalmente inocentado, sem nenhuma participação no crime do qual foi acusado, diferente do que acontece no filme. Esse detalhe abre margens para algumas interpretações.

Dirigido por Benjamín Ávila, A Mulher da Fila conta com uma atuação visceral da atriz uruguaia Natalia Oreiro. Disponível na Netflix, o filme busca nas dores de uma forte protagonista apresentar a resiliência materna e as novas formas de enxergar o mundo ao seu redor, a partir de um choque de realidade.

Crítica | Borg vs McEnroe – Batalha de gênios

Antes de Sampras vs Agassi, antes de Nadal vs Federer, o universo dos esportes, não só do tênis, conheceu uma das mais expostas rivalidades, muito por conta das inúmeras diferenças entre os dois jeitos de ser. ‘Borg vs McEnroe analisa as emoções e o lado psicológico em esportes de alto rendimento mostrando o início de um duelo que ficou marcado como uma das melhores finais de Grand Slam da história do tênis. Dirigido pelo cineasta dinamarquês Janus Metz Pedersen realiza um trabalho primoroso na direção e conta ainda com uma atuação inspirada do ator sueco, pouco conhecido no Brasil, Sverrir Gudnason que interpreta o complexo Björn Borg na fase adulta.

Na trama, voltamos a década de 80, no célebre dia da final de um dos torneios mais midiáticos de todos os esportes, a final de Wimbledon entre o sueco e tetra campeão do torneio Björn Borg (Sverrir Gudnason) e o nada carismático tenista norte americano John McEnroe (Shia Lebouf). A construção de como eles chegaram até esse grande momento da vida deles é passada a limpa em flashbacks que preenchem as lacunas de personalidade e criação que os levam a serem como são dentro de quadra. Assim, aos poucos vamos entendendo a mente de um verdadeiro campeão em um esporte onde a vitória e a derrota precisam ser aceitas sem perder a elegância.

Nada é ganho por acaso. Nessa verdadeira batalha épica do tênis que foi essa decisão de Wimbledon, com um Borg totalmente consumido pela exposição que tem por sua carreira e a pressão de estar sempre no topo e McEnroe usando e abusando de uma imaturidade constante, o filme navega na mente de um homem conhecido por ser gelado em momentos chaves, ser um adepto de manias, que não sabe lidar com a pressão midiática imposta pelo seu sucesso em contraponto a outro totalmente inconseqüente que se descontrola em entrevistas e exagera dentro de quadra.

Muito mais focado em Borg do que no seu rival canhoto das Américas, as dificuldades no seu relacionamento com a noiva e com seu técnico, esse último interpretado pelo gigante ator sueco Stellan Skarsgård, são melhor compreendidos por conta de como tudo começou, sua vida de origem humilde onde sua mãe sempre o defendia de um pai um pouco afastado. Quando era jovem e fora escolhido para representar a Suécia no mundialmente torneio conhecido como Copa Davis (uma espécie de copa do mundo do tênis, onde um grupo de tenistas representa seu país em simples e duplas), sua vida ganha novos ares e ele passa a percorrer torneios importantes e a ganhar fama e dinheiro se tornando um verdadeiro iceberg. Nos constantes momentos de crise, cresce a atuação de Sverrir Gudnason que além de tudo é deveras parecido com o ídolo sueco.

John McEnroe era um rebelde desde sempre, que buscava a todo instante a atenção do pai que quase nunca acontecera. Entrou no tênis mostrando um talento técnico e uma falta de preparo emocional, brigando quase sempre com juízes, com outros tenistas e com o próprio público. Borg e McEnroe tem duas maneiras distintas para buscar suas glórias. E esse é o grande mérito do filme: detalhar cada uma dessas personalidades do esporte de maneira transparente, objetiva mas sem perder o ritmo.

Crítica | ‘Tremembé’ – Aguardada produção TRUE CRIME tem ótimas atuações e um calcanhar de aquiles evidente

Não era algo fácil trazer para a ficção uma série de histórias marcantes em nossa sociedade, que tem como elo um presídio que ficou bastante conhecido do público. Das polêmicas aos curiosos fatos expostos, que buscam construir através de escolhas narrativas um complicado quebra-cabeça moral passando pela maldade de crimes bárbaros que chocaram a todos nós, chegou ao Prime Video, nesse final de ano, uma das séries mais aguardadas de 2025: Tremembé.

Com um total de cinco episódios – todos lançados no mesmo dia – que se iniciam mostrando alguns dos mais famosos crimes dos últimos tempos, oferecendo uma parte introdutória para contextualizar o foco de determinado capítulo, acompanhamos transtornos de personalidades e de comportamento, violência e manipulação, além de outras perspectivas sobre fatos de forte impacto emocional, que logo ganharam o sensacionalismo através de parte da mídia.

Suzane von Richthofen, Daniel Cravinhos, Christian Cravinhos, Anna Jatobá, Alexandre Nardoni, Elize Matsunaga são nomes que estamparam páginas dos jornais, envolvidos em crimes chocantes. Poucas pessoas não sabem quem eles são. Esses são alguns dos personagens que tem seu tempo de prisão em Tremembé expostos, seja em disputas de poder ou relações amorosas, passando por questões políticas, a repercussão pública e pelos problemas do sistema penitenciário. Isso tudo, tendo o presídio dos famosos funcionando como outro importante personagem, pelo peso igual a qualquer outro mencionado, fugindo de meramente um pano de fundo.

 

O projeto, baseado nas obras Elize Matsunaga: A mulher que esquartejou o marido e Suzane: assassina e manipuladora, ambas escritas pelo ótimo jornalista Ulisses Campbell, busca tornar-se atraente para o público explorando elementos de fluidez narrativa. Ao longo dos episódios, as surpreendentes histórias daquele lugar proporcionam uma espécie de desafogo, mas acabam fazendo o roteiro se embolar no propósito do discurso.

 

A quebra de tensão é um dos grandes problemas dessa narrativa, um tiro que sai pela culatra. Ao tentar criar os contrates das inquietações que se seguem, acaba dando margens interpretativa ligadas à romantização de situações. Um exemplo disso é a trilha sonora, mirando na linguagem pop, um fator que acaba tendo um certo peso na narrativa, com músicas que marcam a chegada de determinados personagens, fugindo das tensões implícitas de todo um contexto.

Com direção geral de Vera Egito, vale uma menção ao ótimo elenco com destaque para Letícia Rodrigues, Kelner Macêdo, Carol Garcia e Marina Ruy Barbosa, simplesmente sensacionais – que realiza um excelente trabalho nessa grande produção, muito aguardada pelos fãs de True Crime. A questão em torno dessa obra sempre será as interpretações do seu discurso e a forma como apresenta sua narrativa: algumas pessoas vão gostar, outra nem tanto. Mas uma coisa é certa: você não pode deixar de assistir e tirar suas próprias conclusões.

Crítica | Uma Mulher Fantástica – A inesquecível arte do amar

Um dos fortes concorrentes ao prêmio de melhor Filme Estrangeiro na cerimônia do Oscar 2018 é sem dúvidas esse belíssimo trabalho sul-americano. Uma Mulher Fantástica, nova obra prima do excepcional cineasta chileno Sebastian Lelio (Gloria, que deve ganhar um remake norte-americano protagonizado por Julianne Moore em breve) é um projeto que desperta inúmeras emoções. Nossos olhos são guiados por uma protagonista forte, valente, fantástica, que luta pelo seu grito de liberdade quando perde o grande amor de sua vida. Sensação em diversos festivais que fora exibido, esse belo trabalho é um dos dez melhores filmes lançados no circuito brasileiro no ano de 2017.

Na trama, conhecemos Marina (Daniela Vega), uma jovem transexual, garçonete, que mantém um sonho de ser cantora lírica. Sua vida amorosa está muito feliz, possui um relacionamento com um homem mais velho chamado Orlando (Francisco Reyes) e o carinho é imenso de ambas as partes. Após uma noite agitada, o casal volta para casa e durante a madrugada Orlando começa a passar mal e acaba falecendo horas depois no hospital. Completamente abalada, Marina precisará enfrentar o preconceito da família de Orlando para poder se despedir do seu grande amor.

Marina é cativante. Enfrenta todo o preconceito de uma sociedade com valentia. Também sente medo, mas passa por cima. Quando se vê envolvida com Orlando, ambos resolvem não buscar a exposição de sua relação, vivem amorosamente e feliz, fazendo planos de viagens e com declarações a todo instante. Tudo muda quando Orlando falece. Marina precisa se expor para defender seus direitos como a companheira de seu amor, mesmo com o olhar atravessado da polícia, da ex-esposa, do filho. Sofre preconceitos com agressões verbais e físicas, mas nunca desiste. Daniela Vega empresta suas emoções e uma doação inacreditável para sua carismática Marina, em uma das personagens mais impactantes e fantásticas do cinema em 2017. Vega merecia muitos prêmios, quem sabe até uma indicação ao Oscar na categoria Melhor atriz. É inesquecível o que vemos ao longo dos 104 minutos de projeção.

Urso de Prata no Festival de Cinema de Berlim na categoria melhor roteiro,  o longa de Sebastian Lelio toca nossos corações do começo ao fim. Mais um impactante trabalho desse cineasta chileno que agora vai rodar projetos nos Estados Unidos. Seus próximos filmes são: Disobedience (com a dupla de Rachels mais famosa de Hollywood atualmente, McAdams e Weisz, e o remake norte americano de Gloria).

Crítica | ‘Um Natal Ex-pecial’ – Um filme caricato pés no chão

Foi aberta a temporada de filmes natalinos! Dezembro chegando e mais um ano ficando para trás, os streamings recebem a chegada de novos títulos que vão nos fazer refletir sobre esperança e reconciliações – tendo a força sentimental do período de união que acompanha o Natal. Alguns projetos, tendo esse elemento central, acabam se parecendo bastante, geralmente transitando entre a comédia, romance e o drama. E um deles, que acabou de chegar à líder dos streamings, não foge muito disso.

A Netflix largou na frente e já colocou em seu catálogo o longa-metragem Um Natal Ex-pecial, protagonizado por Alicia Silverstone. A produção busca refletir sobre o sentido de família de forma cômica, sem se distanciar de exageros e clichês, mas toca num ponto que é bem desenvolvido durante toda a narrativa: a sustentabilidade. A partir de uma carismática protagonista, vamos percorrendo os dilemas, dores de amor, sentimentos e leves conflitos em algumas situações que não se distanciam muito da realidade – definindo essa obra como um filme caricato pés no chão.

 

Kate (Alicia Silverstone) é uma mulher criativa que abriu mão das oportunidades na carreira de arquiteta para se casar com o médico Everett (Oliver Hudson) e se mudar para uma cidadezinha no interior dos Estados Unidos. O tempo passou, o casal teve dois filhos, que já cresceram, e agora Kate se encontra de frente com um iminente divórcio. Nunca se distanciando do desejo de ir atrás do seus sonhos profissionais, durante o natal, situações a farão refletir sobre sua família e seu casamento.

Mesmo sendo um filme de excessos, com algumas bobeiras que tentam ser atrativas (mas não são), a obra encontra um norte através de um bom desenvolvimento de sua protagonista e seu espírito pró-sustentável – uma postura que deixa ótimas mensagens. A produção foge de conflitos mais profundos, sua construção é em cima do olhar dela para todo aquele período: passando pelas surpresas do novo romance do provável futuro ex-marido (daí a brincadeira com o título), à relação próxima com os filhos – dentro de um sentido de nostalgia e pelos conflitos emocionais gerados pelas escolhas que fez até aquele presente.

 

Misturando as situações cômicas com o espírito natalino – englobando um grande mix de sentimentos que essa data desperta – Um Natal Ex-pecial é o famoso filme água com açúcar: um passatempo agradável, um pouco longe de ser especial.

Crítica | Mary Shelley – A solidão e as emoções do homem/criatura

Cinco anos após seu último filme – e que belo filme – O Sonho de Wadjda, a cineasta Haifaa Al-Mansour, a primeira saudita a filmar em Hollywood, volta as telonas agora com o desafio de recriar o contexto histórico e um importante período da vida de uma das grandes escritora britânica da história, a criada do clássico Frankenstein, Mary Shelley

O longa é um retrato histórico de um tempo distante, onde assistimos, cena pós cena, a trajetória de uma mulher à frente de seu tempo. No papel principal, a jovem Elle Fanning consegue absorver e transmitir toda delicadeza e certezas da protagonista.

Na trama, conhecemos a jovem Mary Wollstonecraft Godwin (Elle Fanning), filha do reconhecido William Godwin (Stephen Dillane), que vive nos tempos passados, em uma sociedade conservadora, o que mexe muito com a personalidade de Mary, bastante evoluída para sua época. Sua vida entra em constante mudança quando conhece o também jovem poeta Percy Shelley (Douglas Booth) por quem se apaixona instantaneamente, e por isso acaba sendo expulsa de casa pelo pai e vai viver esse intenso amor. Durante o início dos anos com Percy, Mary vive situações que nunca vivera, além de conhecer personagens que influenciarão sua grande futura obra prima, Frankenstein.

Uma das histórias mais adaptadas para o cinema, Frankenstein é um conto de agonia e solidão. Exatamente o reflexo do período que conhecemos Mary Shelley. Um dos méritos do filme é encontrar um ponto de empatia entre toda a tristeza e incertezas que vive a protagonista com o contexto histórico que somos testemunhas. Completamente atemporal, infelizmente, os absurdos do preconceito e mandamentos machistas levam a jovem personagem a buscar sua própria identidade sofrimento pós sofrimento. O homem que escolheu para amar, Percy, por mais que tenha carinho por ela, quer ser livre, viver em uma boêmia diária enquanto as dívidas se acumulam. Sua ‘irmã’ e sua ambiguidade de carência, por vezes parece estar em um relacionamento com seu marido, pois os três não se desgrudam.

Todas essas variáveis, fora outros personagens que aparecem na vida de Mary, influenciam a escritora a explorar as emoções, escrevendo com bastante detalhe e sem medo sobre a solidão e os monstros que enfrenta. Seus medos viram personagens, sua defesa são suas palavras. Elle Fanning interpreta com muita delicadeza mas sem deixar de transparecer a coragem, marca maior dessa mulher bem a frente do seu tempo.

10 filmes para assistir quando o dia não rendeu e o humor foi embora

Não tá fácil pra ninguém! Tem dias em que parece que tudo ao nosso redor deu errado e não vemos a hora de chegar em casa, tomar um banho e esquecer um pouco dos problemas. Nessas horas, assistir a um filminho para descontrair pode ser uma bela solução. Para você que está passando por um dia terrível, pega uma dessas dicas e dê o play:

 

Learning to Drive (Tem para aluguel em algumas plataformas)

Na trama, conhecemos a crítica literária Wendy (Patricia Clarkson), uma mulher de elegante e realizada profissionalmente que vê sua vida virar de pernas para o ar quando seu marido, Ted (Jake Weber), resolve se divorciar dela para viver com uma mulher mais jovem. Tentando superar a depressão que bate diariamente após o ocorrido, Wendy resolve se dedicar a uma atividade que nunca pensara muito sobre: dirigir. É assim que ela conhece Darwan (Ben Kingsley), um imigrante indiano que vive com o sobrinho em uma casa cheia de outros imigrantes. Darwan trabalha em uma autoescola e acaba virando o professor de Wendy. Aos poucos, uma grande amizade começa a nascer.

 

Manga (Netflix)

Lærke (Josephine Park) é uma mulher que busca os próximos passos no ramo hoteleiro. Mãe da jovem Agnes (Josephine Højbjerg), ela nunca consegue arrumar tempo para a filha. Focada em uma nova missão determinada pela chefe, Joan (Paprika Steen), ela parte para Málaga com o objetivo de convencer o viúvo Alex (Dar Salim) a vender suas valiosas terras, que abrigam uma enorme plantação de mangas. Tudo que ela não esperava era se apaixonar por ele.

 

A Corte (Tem para aluguel em algumas plataformas)

A Corte conta a história de um recluso e competente juiz, Michel Racine (Fabrice Luchini), que, as vésperas de mais um júri popular, reencontra a enfermeira Ditte (Sidse Babett Knudsen), uma mulher por quem o juiz nutriu um amor secreto e unilateral no passado. Ao longo dos intensos dias no tribunal, Michel Recine precisará equilibrar toda sua emoção e continuar fazendo justiça.

 

Vida Selvagem (Sony One)

Jerry (Jake Gyllenhaal) e sua esposa Jeanette (Carey Mulligan) são um casal de classe média baixa que moram em uma cidadezinha, em meados dos anos 1960. O casal possui um único filho, Joe (Ed Oxenbould), e é muito pela ótica desse personagem que vamos acompanhando o casamento dos pais ir do céu ao inferno, culminando em uma separação dolorosa marcando a vida de todos os envolvidos.

 

Paz e Chocolate (Prime Video)

Nessa bela história inspirada em fatos reais, acompanhamos uma família refugiados sírios que chegou ao Canadá e conseguiu criar um negócio lucrativo de chocolates.

 

Em Busca de Vingança (Mercado Play)

Roman (Arnold Schwarzenegger) aguarda ansiosamente a chegada de sua esposa e sua filha em território norte-americano. Chegando ao aeroporto para buscá-las, é surpreendido pela notícia que o voo em que elas estavam sofreu uma terrível fatalidade e que possivelmente ninguém sobreviveu ao ocorrido. Assim, o mundo de Roman desaba, e ele precisará colocar a cabeça no lugar e, tentar à sua maneira, superar essa tragédia.

 

Nonnas (Netflix)

Joe (Vince Vaughn), um simpático homem de meia idade que trabalha com consertos automotivos, acaba de perder a mãe. Nesse momento de luto, lembranças das comidas que ela e sua vó faziam dominam suas lembranças. Um dia, com o dinheiro da herança, resolve comprar um restaurante e fazer dele um lugar especial. Para isso, contará com a ajuda de amigos de longa data e quatro mulheres na melhor idade que tem receitas deliciosas para atrair o público.

 

Presente Maldito (Paramount Plus)

Polly (Dakota Fanning) é uma jovem buscando se encontrar na vida e vive sozinha na casa que aluga da irmã. Em uma noite, abre a porta da casa para uma senhora que lhe entrega uma caixa misteriosa. A partir desse momento, suas próximas horas serão de total medo e tensão, precisando executar algumas tarefas ingratas.

 

Green Room (Tem para aluguel em algumas plataformas)

Na trama, conhecemos uma banda de punk rock formada por jovens liderados por Pat (Anton Yelchin) que, entre um show e outro, acabam parando em um bar barra pesada. Após o show, quase indo embora, parte da banda presencia um assassinato e eles acabam ficando presos dentro de um quarto. Nessa situação de vida ou morte, precisarão manter a calma e tomar as melhores decisões caso queiram sair com vida desse lugar.

 

Esperando Bojangles (Tem para aluguel em algumas plataformas)

Georges (Romain Duris) é um contador de histórias, meio malandro, que durante uma festa na qual entrou de penetra acaba conhecendo a bela Camille (Virginie Efira), por quem logo se apaixona e mais tarde tem um filho. O cotidiano deles é repleto de festas, contas sem pagar, vivendo em um universo de fantasia. Em certo momento, Camille começa a apresentar sinais de que não consegue lidar com o cotidiano e a realidade que se apresenta.

Crítica 2 | O Retorno de Ben – Uma das maiores atuações da carreira de Julia Roberts

Mãe é mãe em qualquer tipo de situação, extrema ou não. Chega aos cinemas brasileiros na próxima 5ª (21.03), o mais novo trabalho do cineasta Peter Hedges (A Estranha Vida de Timothy Green), O Retorno de Ben. Tendo a curiosidade de dirigir o próprio filho em um dos papéis principais e ao mesmo tempo uma das mais conhecidas e competentes atrizes do mundo, Julia RobertsHedges, que também assina o roteiro, faz um recorte muito doloroso de uma família que luta para encontrar as respostas certa para a volta para casa, após estar em reabilitação, de um dos seus membros, o filho mais velho, Ben.

Exibido no prestigiado festival de Toronto no ano passado, O Retorno de Ben conta a luta de uma mãe, Holly (Julia Roberts), que é surpreendida com a volta do filho Ben (Lucas Hedges) para casa antes do tempo que ele tinha para cumprir em uma clínica de reabilitação. A partir da chegada do jovem, uma série de situações caem como consequência, mudando completamente a rotina de toda a família. Holly então parte numa busca desesperada para fazer de tudo para que o filho tenha, de certa forma, uma segunda chance com todos que o rodeia.

O filme começa com aquele simbólico e nostálgico sorriso de Roberts (uma expressão marcante da atriz de 51 anos), mas parece que aquela fração de segundo é o único motivo de sorrir da sofrida personagem. O roteiro foca na relação mãe e filho, detalhando a fé que a personagem de Roberts possui, e os confrontos que ambos travam, entendemos que fora por experiências ruins anteriores de retornos de Ben que não deram certo. Um dos méritos desse poderoso longa é conseguir ir além da superfície na composição dos personagens, além do mais, Julia Roberts e Lucas Hedges possuem um entrosamento que fortalece tudo que é narrado. Ainda sobre a eterna linda mulher, é sem dúvidas uma de suas melhores atuações no cinema, nos sentimos conectados com sua personagem a todo instante.

Um grande paralelo traçamos entre esse e um outro bom filme sobre o tema, Querido Menino onde o foco é mais na relação pai e filho mas com o mesmo problema em tema. São dois filmes que falam sobre o tema importante das drogas, e todo o sofrimento que os personagens passam por ver os filhos sofrerem e também por não saber direito como poder ajudá-los.

O cinema tem esse poder de ser conscientizador , de trazer para debate temas importantes de toda nossa sociedade, que, na vida real ou na tela grande, nem sempre tem final feliz.

Crítica | ‘O Apego’ – Retrato sensível sobre perdas e encontros que logo vira um livro aberto de emoções [Festival de Cinema Francês do Brasil]

É tão bom quando nos deparamos com uma obra profunda, ao mesmo tempo sensível e inquietante, que nos faz pensar sobre nós e o nosso papel no mundo quando somos convidados a ouvir mais do que dizer. Selecionado para a programação do Festival de Cinema Francês do Brasil 2025, o longa-metragem O Apego é uma jornada de emoções que vai direto ao ponto de seu discurso, avançando para um desenvolvimento que equilibra as facetas do distanciamento emocional, da perda e do desencanto, transformando uma história cheia de variáveis em um livro aberto de emoções.

Sandra (Valeria Bruni Tedeschi) é uma mulher solteira que vive seus dias dedicada ao trabalho como administradora de uma livraria. Um dia, sua vizinha da frente precisa que ela cuide de seu filho pequeno, Elliot, pois está em trabalho de parto e precisa ir ao hospital. Quando a vizinha morre durante o parto, o marido dela, Alex (Pio Marmaï), enfrenta a dor dessa perda, e Sandra passa a fazer cada vez mais parte dessa família, acompanhando situações pelos meses que se seguem após o ocorrido.

Dirigido pela parisiense Carine Tardieu e baseado na obra L’Intimité, de Alice Ferney, o filme apresenta uma narrativa que consegue se posicionar entre o dito e o sentido, traduzindo o interior dos personagens e suas emoções conflitantes. Consegue chegar em pontos de rasgar o coração com uma leveza poética pronta para distribuir reflexões ligadas às complexidades do desamor.

Explorando dicotomias – de forma muito mais profunda do que as obviedades entre a vida e a morte – por meio de relações de afeto e das surpresas nas interações que surgem quando menos esperamos, o filme também mostra como os pequenos gestos podem iniciar a construção de um recomeçar. Um ponto chama a atenção e se torna o elo que amarra os temas e desenvolve personagens de forma certeira: a troca de perspectivas constante, uma sacada simples que funciona como uma luva e oferece um bom ritmo à narrativa.

Há muitas formas de enxergar O Apego – e isso é mais um mérito. Um recorte maduro sobre o amadurecer e o reprender após uma tragédia, os desenrolares nas expectativas e olhares para o mundo. Qualquer ponto que te fisgar vai desembarcar na certeza que é normal haver desamor, mas que isso pode mudar a qualquer momento – faz parte da vida. Essa facilidade de conversar com a realidade, aproxima o público.

Na trilha sonora, a belíssima canção brasileira Você Abusou, de Antônio Carlos e Jocafi – uma das canções brasileiras mais famosas fora do Brasil – dá o toque final, uma surpreendente cereja do bolo, a uma obra marcante e que vai provocar o desejo de encontros para longas conversas.

E aí, querido cinéfilo?! – Nossa Coluna de Entrevista | Parte 5: Zeca Seabra

O que os cinéfilos mais gostam nessa vida, fora assistir a todos os filmes possíveis durante o ano, é bater papo sobre cinema com pessoas que tenham a mesma paixão que ele. Ser cinéfilo é amar a sétima arte de forma a entender todas as formas de pensar e sentir um filme, uma história. Nós cinéfilos não brigamos, nós argumentamos com emoção.

Pensando nesse sentimento bonito que existe entre a comunidade cinéfila espalhada por todo o Brasil e pelo mundo, resolvi eu, um humilde cinéfilo carioca, entrevistar de maneira bem objetiva, e aproveitando para matar a saudade dos pensamentos cinéfilos dos amigos, diversos amantes da sétima arte. Famosos ou não, que trabalham com cinema no Brasil e/ou no mundo ou não.

Membro da ACCRJ (Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro) desde 2013 e crítico do site Almanaque Virtual, o cinéfilo Zeca Seabra é visto constantemente em mesas de bate-papo sobre cinema ou entre uma sessão e outra nos cinemas de Copacabana, no Rio de Janeiro. Formado pela PUC-RJ em Comunicação Social na década de 80, Zeca é um dos mais queridos críticos de cinema da capital carioca. Conversar com Zeca sobre cinema é sempre enriquecedor e o papo dura horas e horas! Com tanta história para contar sobre esse universo mágico audiovisual, convidamos o jornalista para responder nossas perguntas.

1) Na sua cidade, qual sua sala de cinema preferida em relação à programação? Detalhe o porquê da escolha.

Tenho uma ligação muito profunda com Copacabana (bairro que morei 1/3 de minha vida). Frequento o Roxy desde adolescente por ser um dos cinemas de rua mais imponentes da cidade (1.600 lugares) e pela facilidade de acesso. Depois da reforma nos anos 90, continuei frequentando as 3 salas que, para minha surpresa, mantém uma programação variada e eclética. O Roxy faz parte do Festival do Rio e todo ano dou preferência à sua programação.

2) Qual o primeiro filme que você lembra de ter visto e pensado: cinema é um lugar diferente?

Eu tinha 10 anos quando fui no Metro Copacabana assistir 2001 – Uma Odisseia no Espaço com meu pai e fiquei extasiado com a ópera futurista de Kubrick. Foi quando caiu a ficha que o cinema era algo mais que uma simples diversão.

3) Qual seu diretor favorito e seu filme favorito dele?

Kubrick. 2001 e Barry Lyndon.

4) Qual seu filme nacional favorito e por que?

Tenho profundo respeito por Central do Brasil, que foi um filme com uma tremenda identidade brasileira mas com características universais. A história da jornada de dois seres diferentes que desbravam um país gigantesco para encontrar suas raízes, me toca profundamente.  Além disso, temos o reconhecimento internacional da primeira e única indicação de uma atriz brasileira ao Oscar.

5) O que é ser cinéfilo para você?

Ser cinéfilo não é ter uma atitude passiva e sentar numa poltrona e dizer para a tela: Me divirta. É participar e manter um diálogo frequente com a arte e reconhecer que em cada filme existe uma referência e um tema que não estão visíveis.

6) Você acredita que a maior parte dos cinemas que você conhece possui programação feita por pessoas que entendem de cinema?

Eu diria que a menor parte faz isso. Em cidades como RJ e São Paulo, o leque é bem mais amplo e tem profissionais que realmente entendem de cinema, mas basta ir um pouco para as periferias e verificar a péssima qualidade da programação que entopem as salas com os mesmos blockbusters em horários alterados.

7)  Algum dia as salas de cinema vão acabar?

Espero que não. E falo isso com receio, pois vejo uma nova geração preguiçosa, viciada em cultura rápida e cômoda, que não frequenta cinema porque em poucas semanas terão os filmes na palma da mão.

8) Indique um filme que você acha que muitos não viram mas é ótimo.

Uma Vida Oculta (A Hidden Life) do Terrence Malick. Passou em circuito pouco antes da pandemia explodir. É um belo trabalho do Malick baseado numa história real de um camponês austríaco que se recusou a lutar pelos nazistas transformando-se num mártir da 2º Guerra. Planos de tirar o fôlego.

9) Você acha que as salas de cinema deveriam reabrir antes de termos uma vacina contra a Covid-19?

Não saberia responder esta pergunta com alguma certeza. Por um lado, acho que muitas salas não irão resistir até a descoberta de uma vacina em ampla escala, o que é uma pena. Por outro, acho arriscado confinar um grupo de pessoas em ambiente fechado por quase 2 horas. É uma questão muito complicada.

10) Como você enxerga a qualidade do cinema brasileiro atualmente?

O grande problema do nosso cinema é a distribuição comercial. O grande público só tem acesso às comédias populares, deixando de assistir filmes com mais conteúdo crítico. No entanto muitos cineastas brasileiros estão mais preocupados com o reconhecimento internacional que seu filme terá em festivais e mostras abrindo mão de uma linguagem mais acessível. Alguns excelentes filmes nem entram em circuito nacional e essa briga não é saudável pois gera uma enorme necessidade de insumos, patrocínios e suportes para o cinema sobreviver. O cinema tem que ir até o público e não o contrário.

11) Diga o artista brasileiro que você não perde um filme.

Marcélia Cartaxo. Desde A Hora da Estrela de 1985, sigo o trabalho desta fantástica atriz nordestina. Seu último trabalho, Pacarrete, infelizmente não chegou ao circuito comercial pelas razões citadas acima, o que é uma pena.

12) Defina cinema com uma frase.

Cinema é sonhar de olhos bem abertos.

13) Conte uma história inusitada que você presenciou numa sala de cinema.

No meio de uma sessão no Itaú Unibanco em Botafogo, um gato pulou no meu colo me dando um susto tremendo. O animal entrou pela porta dos fundos do cinema e se escondeu numa das salas, aparecendo no meio da sessão. Ficou no meu colo até o fim da sessão e depois fugiu.

10 FILMES para aqueles momentos relaxados do FIM DE SEMANA!

Depois de um ano com altos e baixos, nada melhor do que, nos últimos fim de semana de 2025, dar aquele freio no acelerador e relaxar assistindo a um filme interessante no lugar mais sagrado que existe: a nossa casa! Para você que gosta de pegar referências de bons filmes em listas pela internet para esses momentos, chegou ao lugar certo! Abaixo, 10 produções que vocês vão gostar:

 

O Que Te Faz Mais Forte (Liongate +)

Dirigido pelo ótimo cineasta norte-americano David Gordon Green e, baseado em fatos reais, esse filme mostra a reconstrução na vida de homem após uma tragédia que aterrorizou os Estados Unidos.

 

Marcados para Morrer (Adrenalina Pura +)

Na trama, somos jogados em uma espécie de reality show, fruto de um trabalho de pesquisa do oficial Brian Taylor que resolve filmar o dia-a-dia de uma unidade de combate ao crime. Assim, a história se desenrola ao extremo depois que dois jovens oficiais estão marcados para morrer quando confiscam uma pequena quantia de dinheiro pertencentes a membros de um cartel perigoso.

 

Um Pombo Pousou num Galho Refletindo Sobre a Existência (Reserva Imovision)

Exibido na Mostra Internacional de Cinema de SP, Um Pombo Pousou num Galho Refletindo Sobre a Existência conta a história de dois vendedores ambulantes, Sam e Jonathan, que estão cansados da sociedade em geral. Aos poucos, vamos vendo a linha de pensamento dessas duas almas que vão refletindo sobre os casos e situações da vida e como cada ser humano pode vir a encarar todo tipo de sentimento: da alegria à tristeza, da emoção da felicidade à vergonha.

 

True Lies (Disney Plus)

Dirigido por James Cameron e lançado há quase 30 anos atrás, True Lies conta a história de Harry (Arnold Schwarzenegger), um homem que esconde de toda sua família – principalmente de sua esposa Hellen (Jamie Lee Curtis) – ser um agente secreto. Após uma série de situações, ele precisa revelar sua identidade.

 

Munique (Netflix)

Dirigido por Steven Spielberg e lançado no ano de 2006 nos cinemas, o filme conta a história de um grupo de agentes da Mossad que são designados para uma missão de caça aos responsáveis pelo assassinato de atletas israelenses – fato que ocorreu nas Olimpíadas de Munique, no início da década de 1970.

 

Band Aid (Tem para aluguel em algumas plataformas)

Na trama, conhecemos o casal Anna (Zoe Lister-Jones) e Ben (Adam Pally), que vivem uma imensa crise. Mesmo existindo muito amor na casa, as brigas são diárias e a rotina está deprimindo o casal. Até que certo dia, eles resolvem fazer o inusitado, compor músicas sobre todas as brigas que tiveram e assim montam uma banda junto com seu vizinho de porta.

 

Custódia (Tem para aluguel em algumas plataformas)

A angústia de uma separação. O longa-metragem francês Custódia aborda todo um processo de uma separação tensa, desde o viés jurídico até as consequências dramáticas da decisão.

 

Já era Hora (Netflix)

Com uma proposta interessante de navegar nos caminhos indecifráveis que podem se abrir no destino, o longa-metragem italiano Já era Hora, disponível na Netflix, através de um ótimo protagonista, nos conta uma história cheia de altos e baixos na vida de um advogado atrapalhado, consumido pelo trabalho, que vê seu mundo virar de cabeça pra baixo quando percebe estar saltando de forma aleatória para o ano seguinte.

 

A Hipnose (MUBI)

Na trama, conhecemos os sócios e namorados Vera (Asta Kamma August) e André (Herbert Nordrum) que estão prestes a conseguir alavancar um importante investimento para o aplicativo que criaram, focado na saúde das mulheres. Em paralelo, buscando parar de fumar, Vera resolve ir até uma hipnoterapeuta, fato esse que mudará sua maneira de enxergar a bolha em que vive e também suas relação sociais, se tornando o estopim para situações em meio a uma viagem de negócios.

 

Jogo de Espiões (Prime Video)

Lançado em 2001 nos cinemas e dirigido por Tony Scott, Em Jogo de Espiões acompanhamos a história de um agente da CIA perto da aposentadoria que precisa ajudar um ex-aprendiz em situação de risco na China.

13 filmes sobre relacionamento de PAIS e FILHOS

O cinema é uma forma bem prática de entendermos melhor as relações próximas de nossa realidade. Quem nunca teve problemas com seu pai ou com sua mãe? Na maioria dos casos, são anos e anos de conflito até conseguirem ter asas e voar para a vida adulta. Eu mesmo tenho uma estremecida relação com meu pai e minha mãe, mas busco pelos filmes alguma saída para tentar entendê-los de outra forma. Terapias podem ser importante mas o cinema é um complemento. Quem conseguir sugar analogias que saem da tela direto para nossa reflexão sairá fortalecido e com melhor compreensão sobre o poder da relação pais e filhos.

Pensando nisso e longe de ser uma grande receita com fórmula certa para sua felicidade, seguem abaixo 10 filmes onde o debate sobre esse relacionamento do título, às vezes nas entrelinhas, às vezes direto, dão boas reflexões.

 

Pais e Filhos (2013)

Depois do maravilhoso trabalho O Que Eu Mais Desejo (2011), o diretor japonês Hirokazu Koreeda volta a falar sobre a relação da família no cativante Pais e Filhos. Usando de uma simplicidade e uma delicadeza impressionante, o filme é uma grande jornada sentimental nas escolhas difíceis que pais e filhos se envolvem. O espectador é alvo fácil de cada palavra, cada sentimento, contidos em todas as linhas desse roteiro.

Na trama, acompanhamos Ryota Nonomiya (interpretado pelo ótimo ator Masaharu Fukuyama), um homem bem resolvido na vida que vive com sua mulher Midori Nonomiya (Machiko Ono) e seu único filho, Keita. Muito disciplinador e sempre se decepcionando com seu filho, Ryota faz de tudo para que nada fuja mais do seu controle. Certo dia, o hospital onde Keita nasceu surpreende essa família com a notícia de que o menino não é o filho biológico deles. A partir disso, escolhas difíceis terão que ser tomadas se unindo num mar de razão e emoção complicado de navegar.

O que mais deixa o público envolvido com a história é a construção belíssima do personagem Ryota. Um Workaholic assumido, deixa sua família em segundo plano, assim como seu pai no passado fizera com ele. Perdido em meio ao caos emocional estabelecido pela trágica notícia, Ryoto, a cada passo que tenta dar pra frente se esquece dos pequenos detalhes afetivos e comete uma série de ignorâncias, fruto de sua frieza característica. Quando a mudança se torna eminente, o filme ganha contornos tão emocionantes que fica impossível os olhos não se encherem de água.

A cultura e a disciplina, própria dos orientais, são muito bem exploradas pelas lentes certeiras do diretor. As diferenças no modo em educar uma criança, o paradigma entre o rico e o pobre, as diferenças entre o ser feliz com pouco e o ser infeliz ganhando muito são também algumas das profundidades das ações dos personagens. Pais e Filhos é um filme que de superficial não tem nada. Todas as situações são bem desenvolvidas, o que justifica os deliciosos 120 minutos que o espectador fica refém.

Se você já teve uma relação difícil com seus pais, esse filme chegará como um cometa colorido que vai atingir a superfície de seu coração. O poder dessa história, juntamente com a mágica do cinema, é enorme e pode fazer você querer mudar certas situações, quem sabe até mesmo perdoar. As lições são inúmeras, esteja de coração aberto para receber esse lindo trabalho. Sábio, é o pai que conhece o seu próprio filho. E vice-versa. Não perca esse filme.

 

Os Cowboys (2015)

Até onde devemos ir por quem amamos, mas não querem estar perto com nossa presença? Um dos filmes mais fortes do Festival Varilux de Cinema Francês 2016, sem dúvidas nenhuma, foi o espetacular drama Os Cowboys, protagonizado pelo ótimo ator François Damiens e com uma atuação digna de Oscar do ator britânico Finnegan Oldfield. Ao longo dos tensos 105 minutos de projeção, onde não conseguimos desgrudar os olhos da tela, vamos sendo apresentados a personagem movidos pela angústia e uma série de consequentes ações desesperadas em prol de um único objetivo, que acaba consumindo e destruindo uma família de classe média francesa. Em seu primeiro longa-metragem como diretor, o cineasta francês Thomas Bidegain brinda o público com uma trama muito bem dirigida e com atuações bem acima da média.

Na trama, conhecemos brevemente toda a família de Alain (François Damiens), um trabalhador de classe média que mora com sua mulher e os dois filhos no leste francês. Alain é um amante da cultura country e sempre vai com sua família a um famoso encontro onde confraterniza com outros amigos. Certo dia, num desses encontros, sua filha Kelly desaparece misteriosamente, levando Alain a uma desesperada busca por informações sobre a jovem. Os anos se passam e somente seu filho Kid (Finnegan Oldfield), que praticamente sacrifica sua adolescência, acredita e ajuda seu pai a tentar encontrar Kelly.

O clima é tenso desde o início. A trilha sonora composta por Moritz Reich (Fique Comigo, 2015) encaixa como uma luva e consegue deixar o público em total sinal de atenção às sequências fortes. François Damiens, na pele de Alain está possuído, embarca em um caminho sem rumo desesperado em busca de sua filha. A angústia é constante e impressionante. Isso obviamente destrói seu relacionamento com o restante de sua família. Essa estrada sem fim é acompanhada de perto por seu filho Kid, que é o único que também ainda acredita que eles possam encontrá-la. Os Cowboys é um filme sobre família mas também sobre até onde o ser humano pode ir para defender suas convicções.

O longa é recheado de surpresas. O porquê do sumiço dela (que não vou contar aqui) é um dos grandes trunfos do filme, que explora muito bem a reação da família ao saber o que aconteceu com ela. Uma segunda surpresa é a troca de protagonismo já entre o segundo e o terceiro ato, com o mesmo objetivo só que com um olhar um pouco diferente sobre a situação. A trama cresce demais nos últimos 30 minutos de projeção.

 

Nimby (2020)

A coragem na busca de contar ao mundo quem você ama versus o grito é o primeiro patamar da violência. Quase inédito no mundo todo, o ótimo longa-metragem finlandês Nimby é um drama cômico trágico que busca reflexões mas que gera risos altos. Escrito (também assina Jani Pösö) e dirigido pelo cineasta Teemu Nikki, o filme em um pouco mais de 90 minutos consegue explorar com profundidade conflitos existenciais como: imigração, orientação sexual, religião, política, conflitos familiares, entre outros. Os embates dialogados, inclusive com uma linha vertical na tela (cada um no seu quadro) é uma ótima sacada, talvez até mesmo um alerta para prestar atenção à reflexão.

Na trama, conhecemos Marvi e Kata, duas jovens inteligentes que namoram faz um ano, só que ambas ainda não contaram para suas famílias sobre esse relacionamento. Buscando resolver essa situação, aproveitam a ida da mãe de Kata (uma famosa comissária da União Europeia) e de seu pai até a Finlândia para talvez conversar sobre o assunto. Mas nesse meio tempo, Marvi convence a namorada a irem primeiro contar para sua família no interior da Finlândia. Muitas situações acontecem, mas as famílias das duas se encontram e precisarão de muita compreensão para todos se entenderem.

O roteiro é muito bem elaborado, com ótimas subtramas. O filme se transforma de repente e entramos em um clima inusitado de tensão de vários tipos, principalmente o psicológico. Nos encontros inusitados é onde somos testemunhas de desabafos como se fossem confissões ou uma ida ao consultório do psicólogo. Há muitas doses de hipocrisia camufladas na não aceitação das opções de relacionamento dos pais, pela ótica de Mervi. O roteiro contorna com elegância e eficácia todas as polêmicas e sabe como dividir sobre as óticas de cada personagem. Ainda há tempo, nas ótimas divisões de arcos, para tentarmos entender as razões de demitidos de uma fábrica de tintas virarem neonazistas, uma excentricidade camuflada de inconsequência e alimentada pelo preconceito contra o próximo.

Com ritmo intenso, nem vemos os minutos passarem, podemos dizer que Nimby, resumidamente, é a eterna busca pelo entendimento mútuo, mas o mundo nunca foi nem nunca será simples.

 

Pilatos (2020)

Ninguém mexe nas memórias do passado. Dirigido pela cineasta Linda DombrovskyPilatos é um filme húngaro que aborda uma relação conturbada entre mãe e filha. Com muitos méritos, usa do Simbolismo como referência ao tempo, principalmente, reflexões em forma de metáforas com curtos flashbacks sobre épocas passadas vividas por essa família. Delicado, com harmônicos arcos (Terra, Fogo, Água e Ar), o filme possui duas atuações destacadas: Ildikó Hámori e Anna Györgyi. A trama é uma adaptação do livro homônimo da autora húngara Magda Szabó.

Na trama, conhecemos Anna (Ildikó Hámori), uma senhorinha de vida simples que acaba de perder o marido. Tentando achar uma solução para não deixar a mãe sozinha, sua filha Iza (Anna Györgyi), uma importante médica, resolve levar a mãe para morar com ela. Isso acaba gerando uma série de problemas por conta da distância e diferença entre as duas, mesmo sendo mãe e filha. Há eminências de um conflito por todos os arcos.

Parece uma peça filmada, o ritmo se baseia na belíssima condução dos personagens. Há uma melancolia em todo canto nos menos de 80 minutos de projeção. Uma batalha emocional das memórias contra uma filha autoritária que parece desconhecer a trajetória simples de seus pais. Com diálogos profundos, a difícil tarefa de dizer adeus ganha luz nas visões de Anna, e um desfecho emblemático surge com diversas respostas que podem ser dadas para tal. Um filme simples e profundo. Um bom trabalho.

 

Capitão Fantástico (2016)

Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe. Escrito e dirigido pelo pouco conhecido ator e também cineasta Matt RossCapitão Fantástico é um daqueles filmes que deixam nosso coração na boca, faz nosso raciocínio brilhar e mexe intensamente com nosso modo de ver e viver tudo que aprendemos até hoje em nossas vidas. Com uma atuação brilhante do grande ator Viggo Mortensen, o longa-metragem de objetivos 118 minutos é um dos melhores filmes sobre esse tema.

Na trama, conhecemos Ben (Viggo Mortensen) e sua família para lá de diferente. Ben e sua esposa resolveram criar os seus seis filhos em um lugar muito bonito e longe da sociedade, deixando eles distantes de qualquer contato com as novidades e besteiras do mundo e sua globalização. Quando sua esposa, que precisou ser hospitalizada por conta de uma doença terrível, falece, Ben resolve ir até o encontro dela e leva junto seus filhos. Após o choque natural da criançada com o mundo da maioria das pessoas que os cercam, mas que nunca tiveram contato, o capitão fantástico desta turma terá que fazer escolhas difíceis e confrontar pessoas que consideram seu modo de vida prejudicial aos seus filhos.

A educação exige os maiores cuidados, porque influi sobre toda a vida. Pensador desse lema, o protagonista criou seus filhos com rigidez e muita disciplina. Livros complexos são passados como dever de casa para todas as crianças, não importa a idade. As verdades são uma só e vários tabus de outras casas, para Ben, são apenas verdades que precisam ser ditas da única maneira que existe. O ambiente é de total harmonia, músicas (a cena da família cantando ‘Sweet Child o’Mine’ é emocionante e arrepia), brincadeiras mas também alguns excessos como exercícios físicos que não respeitam idade e que podem machucar. O personagem principal é intenso em seus princípios, a ideia de ter uma família vivendo longe dos vícios e futilidades, além dos alimentos que só prejudicam, é vivida intensamente mas falta equilíbrio, no fundo, Ben sabe disso.

No terceiro arco em diante, a mudança começa a acontecer. Ben, personagem complicado, de bom coração, interpretado com maestria por Mortensen se vê cercado de situações que o fazem repensar alguns de seus conceitos. Seus filhos, sua única riqueza nesse mundo, percebem rapidamente e o ajudam nesse momento de transição, transformando uma linda história em uma história inesquecível. Capitão Fantástico é algo assim, único, um presente para quem gosta de se emocionar com filmes que mexem com nosso coração. A grande lição que aprendemos com essa fita é que Capitão Fantástico é qualquer um que acredita que uma boa ideia pode mudar um pouquinho nosso mundo, ou mesmo que um filme inesquecível faz com que reflitamos sobre nossa própria existência. Seja o Capitão da sua vida, viva fantasticamente. Bravo!

 

As Faces de Toni Erdmann (2016)

Sábio é o pai que conhece o seu próprio filho. Depois de um hiato de sete anos na direção de um longa-metragem, a cineasta alemã Maren Ade volta à telona em grande estilo com a hilária e doce dramédia Toni Erdmann. Contando a história de um pai cheio de impulsos cômicos na busca constante pela atenção de sua sisuda filha, o projeto, indicado a muitos prêmios internacionais, é um daqueles filmes imensos (2 horas e 40 minutos de projeção) mas que desejamos que nunca acabe, sempre à espera da próxima gracinha que Toni Erdmann vai aprontar.

Na trama, acompanhamos a árdua saga de Winfried Conradi (Peter Simonischek), um dedicado pai que muito se entristece com o distanciamento na relação com sua única filha Ines (Sandra Hüller), essa última, uma jovem em ascensão na empresa onde trabalha o que a transforma em uma Workholic sem limites. O problema é que Ines trabalha demais e pouco tempo de sua agenda é dedicada à sua família. Quando o cachorrinho de Winfried morre, ele decide encarar o desafio de ter mais atenção de sua filha e para isso, entre outras coisas, viaja para vê-la quando ela está a trabalho e desenvolve um personagem, um Alter ego de nome Toni Erdmann. Não é preciso nem dizer as inúmeras e hilárias que esses dois vão se meter ao longo desse complexo processo de melhoramento na relação pai e filha.

Escolhido o Melhor Filme Estrangeiro de 2016 pelos críticos de Nova York, Toni Erdmann navega pelo humor para mostrar o cotidiano de um relacionamento conturbado entre pai e filha. De personalidades completamente diferentes, os dois embarcam em uma jornada basicamente de auto descoberta. Aos poucos, após uma quantidade absurda de insistência, Ines vai conseguindo se reconectar com seu pai, o que provoca uma cena de desfecho para lá de emblemática. Mesmo tendo quase três horas de duração, o que dificultou sua entrada no circuito de cinema brasileiros (talvez um dos pontos para nenhuma distribuidora ter ainda comprado os direitos no filme no Brasil), o filme é uma delícia de assistir e essas horas passam voando.

O foco no primeiro arco é a personalidade forte de Ines em paralelo as trapalhadas e atos incompreendidos de Winfried. Tudo começa a fazer mais sentido, praticamente a virada na trama, quando chega o Sr. Toni Erdmann, com sua peruca para lá de chamativa e dentes falsos para lá de explícitos. Esse Alter Ego transforma demais a visão de Ines sobre a personalidade cativante de seu pai. Assim, o longa-metragem cresce demais em emoção, o inusitado começa a ter sentido, ficando num tom cômico na medida conforme as situações antes constrangedoras, mas agora compreendidas. Toni Erdmann rouba a cena, transforma o mais difícil dos conflitos paternos em uma aula de amor e afeto.

 

Querido Menino (2018)

Depois de devastar nossos corações cinéfilos com o drama Alabama Monroe, o cineasta belga Felix van Groeningen volta a atingir em cheio nossas emoções com seu novo trabalho, Querido Menino. Baseado nos livros Querido Menino, de David Sheff, e Tweak: Growing up on Methamphetamines, de Nic Sheff, o filme preenche a maioria das lacunas sobre o sentimento de um pai em busca de uma solução para os problemas de drogas do filho. Em atuações cativantes e dignas de Oscar, Timothée Chalamet e Steve Carell formam filho e pai nesse projeto importante também para mostrar essa realidade, para alguns distante para outros nem tanto, do desespero emocional que passa não só a pessoa que possui problema com drogas, mas também todos que estão ao seu redor.

Na trama, conhecemos David Sheff (Steve Carell), um homem de meia idade, bem sucedido em sua profissão pai amoroso que vive em uma casa confortável com sua atual esposa Karen (Maura Tierney). David é pai de Nick (Timothée Chalamet), um jovem que com o passar do tempo começa a ter sérios problemas com as mais diversas drogas que existem. Ao longo de uma passagem de tempo, vamos acompanhando David, suas lembranças, e principalmente sua busca em encontrar alguma solução para esse problema complicado que o filho passa.

O roteiro, baseado nos livros de pai e filho que são os personagens principais da trama, é um grande vai e vem entre recordações, solidão, desespero, medo e muitos outros sentimentos conflituosos que chegam como uma flecha principalmente para David. Ao longo de um pouco mais de duas horas de duração, conseguimos enxergar a situação de Nick através não só dos olhos de seu pai, mas também de sua madrasta (mãe de seus outros dois irmãos pequenos), e de sua mãe que mora em outra cidade. Em busca de alternativas para curar esse sofrimento que paira sobre a família, principalmente David embarca em uma jornada de redescobertas, estudo e desabafo mesmo quando suas forças para lutar estão limitadas.

Há uma carga de emoção muito grande em tudo que vemos nesse filme, Van Groeningen já mostrou que sabe como nos atingir desse lado daqui da tela, sua maneira de filmar te embarca para dentro daqueles cenários, aquelas conversas, que por mais difícil que possam parecer, tem o poder também de conscientizar. Querido Menino não é um filme fácil, toca bem forte nossos corações. É um forte e marcante filme.

 

O Tiro que não Saiu pela Culatra (1989)

Problemas familiares não tem endereço, a eterna roda gigante da educação. No final da década de 80, chegou aos cinemas O Tiro que não Saiu pela Culatra, dirigido por Ron Howard, um drama com pitadas cômicas que mostra um arranjo familiar complicado com tipos de educações diferentes. Passando um raio-x em uma família com as mais diversas crises, o brilhante roteiro da dupla Lowell Ganz e Babaloo Mandel nos faz refletir a todo instante. A atriz Dianne Wiest foi indicado ao Oscar por esse filme e Randy Newman, autor da trilha sonora, concorreu com a canção I Love To See You Smile ao Grammy, ao Globo de Ouro e ao Oscar.

Na trama, conhecemos uma família de classe média norte-americana e seus conflitos diários entre pais, mães, filhos e filhas. Tem o pai que pressiona na rigidez educacional de uma garotinha (até ler Kafka a garota é forçada) e a mãe não consegue se impor para evitar a pressão; uma mãe que cria os dois filhos sozinha e ambos passam por problemas e descobertas e tem problema com sua autoridade inexistente; Um advogado e sua esposa com três filhos e um com um deles sendo aconselhado a ir no psicólogo pela escola; O pai de muitos desses, que até hoje não conseguiu controlar os vícios do filho mais novo. A biologia, os motores da educação, nada tem muita lógica quando o assunto é educar. O elenco é ótimo: Steve Martin, Mary Steenburgen, Dianne Wiest, Rick Moranis, Keanu Reeves, Joaquin Phoenix (em um de seus primeiros filmes), entre outros.

Durante as pouco mais de duas horas, que nem vemos passar, uma coisa é certa: todos os núcleos tem os seus problemas. Por mais que o protagonista seja Steve Martin e seu Gil (os pensamentos futuros do personagem sobre erros e acertos são hilários – brincar com um tema tão sério não é fácil), todas as subtramas são muito bem detalhadas pelas lentes de Howard. O ritmo é recheado de objetividade, mas com lacunas a se preencherem talvez até por um julgamento reflexivo que podemos ter durante os assuntos mostrados. Não há fórmula para se educar, nunca será como queremos. Um dos filmes mais amplos em discussões sobre o tema pais e filhos.

 

Benzinho (2018)

Os filhos são para as mães as âncoras da sua vida. Exibido no importante Festival de Sundance, Benzinho conta todas as dificuldades de uma família moradora da região de Petrópolis no Rio de Janeiro, seja no lado financeiro, seja no lado emocional com a eminente partida do filho mais velho para uma nova oportunidade na Alemanha. O longa, dirigido por Gustavo Pizzi (do ótimo Riscado), gira todo em torno da forte personagem Irene, interpretada magistralmente pela excelente atriz brasileira Karine Teles. Entre as dificuldades do cotidiano, o amor não falta nesse grande retrato de família brasileira.

A trama, super elogiada pelos críticos não só no Brasil, conta a saga de Klaus (Otávio Müller) e Irene (Karine Teles), pai e mãe de quatro filhos que vivem a cada dia tendo que matar um leão para que a felicidade reine no lar deles. Os negócios de Klaus, que tem uma copiadora, e o trabalho de vendedora sem dinheiro fixo de Irene, não vão muito bem e associado a isso, a irmã de Irene, Sonia (Adriana Esteves), busca refúgio na casa deles após ser agredida pelo marido Alan (César Troncoso). Para completar as variações emocionais presentes nesse “laço” da família, o filho mais velho do casal Fernando (Konstantinos Sarris) é chamado para jogar handball profissionalmente na Alemanha, fato esse que mexe demais com Irene.

Buscando retratar o cotidiano também de muitas famílias brasileiras, que buscam com bastante esforço ter o melhor para dar na criação de seus filhos, Benzinho navega com muita profundidade sobre as angústias, alegrias e surpresas que chegam a eles diariamente. Todos em cena brilham, mas o foco principal fica com Irene e o grande conflito que enfrenta por não aceitar muito bem a ida de Fernando para longe de casa por tanto tempo. Mesmo reconhecendo ser uma oportunidade de vida para o filho, Irene não consegue esconder sua insatisfação. Mas o longa-metragem (que poderia ser o indicado do Brasil ao Oscar tranquilamente) não se prende só a esse conflito, as razões financeiras e dificuldades de uma vida melhor chegam como pano de fundo assim como a situação de Sonia que busca refúgio na casa da irmã.

A emoção não deixa de estar contida em cada cena, seja nas felicidades, seja nas tristezas. Benzinho é um retrato muito bem feito sobre milhares de outras famílias, seus dramas e suas forças para enfrentar de cabeça erguida as loucuras desse mundo tão cheio de obstáculos em que vivemos, principalmente aqui no Brasil.

 

Sem Amor (2017)

Não se pode viver em desamor. Na era das selfies e das vitrines matrimoniais que a sociedade impõe para que a tal da incerteza da normalidade fique evidente e você não seja alvo de fofocas ou preconceitos, o novo trabalho do excepcional cineasta russo Andrey Zvyagintsev (dos excelentes Elena e Leviatã), Loveless, sensação nos festivais que fora exibido mundo afora, é um filme que fala sobre, acima de tudo, família. Em uma Rússia dos tempos modernos, repleta de idas e vindas em relacionamentos, Zvyagintsev faz o espectador navegar nas emoções mais profundas quando nos sentimos olhando pelo buraco da fechadura.

Na intensa trama, conhecemos o casal Zhenya (Maryana Spivak) e Boris (Aleksey Rozin) que estão se separando em meio a muitas brigas. Eles tem um filho de 12 anos chamado Alyosha (Matvey Novikov), que sofre bastante pelas discussões diárias dos pais. Tanto Zhenya quanto Boris já estão em outros relacionamentos, o segundo inclusive já está esperando um outro filho com a nova namorada. Em meio a essa tumultuada relação, Alyosha some certo dia e os pais precisam reunir forças para enfrentar essa difícil situação.

Entendemos melhor as características emocionais dos personagens nos diálogos profundos que ambos possuem com seus novos parceiros, principalmente Zhenya, que possui uma dificuldade de relacionamento com a mãe, nunca amou o ex-marido e se joga completamente nessa nova relação. Seu cotidiano com o filho é distante e agressivo, a impaciência e o comportamento distante com o filho são reflexos da impaciência e solidão que vivia com seu ex-marido. Quando o jovem desaparece, tanto mãe quanto pai se sentem perdidos e começam a perceber aos poucos o quanto existia uma barreira entre todos eles.

A frieza da polícia na condução do início do caso chama atenção. Durante o pequeno interrogatório com o grupo de salvação e resgate, fica nítido o grande descaso e falta de observação dos pais com o próprio filho, principalmente da figura materna. Alyosha sofria bastante com as brigas e principalmente com o que escutava dos pais. A ausência de amor, desafeição, desprezo, indiferença eram algumas das características que distanciavam os pais do filho.

Com belíssimas cenas de fundo e uma atmosfera melancólica que se envolve intensamente em pontos importantes, Loveless (no título original) é um retrato humano, que assusta mas acontece, das imperfeições na roda familiar. Zvyagintsev se consagra mais uma vez com suas lentes que conseguem transmitir com muita intensidade o que acontece entre quatro paredes e nos mostra os detalhes como se estivéssemos olhando pelo buraco de uma fechadura.

 

Belos Sonhos (2016)

“Tudo aquilo que sou, ou pretendo ser, devo a um anjo, minha mãe”. Filme de abertura da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo de anos atrás, a co-produção Itália/França dirigida pelo marcante cineasta italiano Marco Bellocchio é um daqueles filmes que conseguem chegar bem fundo em nossas emoções, trazendo um encanto de poesia na relação impactante de um filho com as lembranças de sua mãe.  Profundo, elegante, emotivo, a produção passa com louvor na avaliação criteriosa dos corações cinéfilos, principalmente aos que percebem uma analogia extraordinária entre seu enredo e uma letra famosa escrita por Renato Russo anos atrás. Belos Sonhos é sem dúvidas um dos mais belos sobre o tema.

Baseado no livro Fai Bei Sogni, de Massimo GramelliniBelos Sonhos, conta a história de Massimo, um amante do futebol que tempos mais tarde vira jornalista de um importante jornal. Ele possui um grande trauma, quase uma lacuna não preenchida sobre as lembranças que cercam o falecimento de sua mãe – quando Massimo era apenas uma criança. Percorrendo uma linha do tempo que vai e volta, no melhor estilo Bellochio, vamos juntando aos poucos o complexo quebra cabeça da trajetória emocional de Massimo com muitas surpresas e momentos de redenção ao longo dos emocionantes 134 minutos de projeção.

Dorme agora, é só o vento lá fora. O roteiro explora com louvor toda a tempestade de lembranças que passa o protagonista ao longo de sua tumultuada trajetória de vida. Desde a infância e os momentos dançantes com sua mãe, até os horrores da guerra vistas de uma maneira bastante profunda.  O trabalho do ator italiano Valerio Mastandrea (o Michael Fassbender da Itália), que interpreta Massimo em sua fase adulta, é irretocável, passa uma pureza no olhar que impressiona. O espectador sai do filme sabendo que assistiu a uma baita atuação.

Me diz, por que que o céu é azul? Explica a grande fúria do mundo! Os embates cheios de cargas emocionais entre o pequeno Massimo e o religioso que lhe ensinava na escola sobre a origem das coisas é muito interessante e traça um paralelo certeiro com a história de vida do menino. Há uma saudade que ele sente de tudo que ele ainda não viu.

Você diz que seus pais não entendem, mas você não entende seus pais. Um dos mais marcantes clímax que possui a película, o reencontro do protagonista com seu pai em uma reunião simbólica para lembrar de jogadores de futebol do time do Torino que morreram em uma trágico acidente aéreo anos atrás. Já mais velhos e mais calejados pela vida, o desabafo do pai ao filho ao falar sem mistérios sobre sua mãe, é bastante emocionante e toda a emoção contida nessas fortes sequências mexem muito com quem possui fortes ligações com a família.

É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã. O filme é tão bem realizado que prepara o espectador para um gran finale repleto de sentimentos guardados e que precisavam escapar para que o protagonista seguisse em frente com sua vida. Lindos momentos, reflexões sobre sua vida. Nesse final de ano, sendo uma gota d’água ou um grão de areia, veja esse filme e corra para abraçar as pessoas que você ama.

 

Seu Filho (2018)

Sábio é o pai que conhece o seu próprio filho. Com uma interpretação de tirar o fôlego do veterano e excelente ator espanhol Jose Coronado (do ótimo Não Haverá Paz Para os Malvados), está disponível no catálogo da Netflix Brasil o suspense Seu Filho, uma grata surpresa em meio a tantos títulos interessantes nesse streaming. Com um roteiro composto por um cirúrgico plot twist, vamos acompanhando a saga de um pai que pensa ter a família perfeita e sua busca sobre as verdades do seu único filho homem. A força dos personagens é um dos pontos fortes desse intenso filme.

Na trama, conhecemos o dedicado cirurgião Jaime (Jose Coronado), um homem já no terço final de sua vida que costuma ter uma relação muito amistosa com seu filho Marcos (Pol Monen) e um pouco distante com a filha Sara (Asia Ortega). Em uma certa noite, durante um de seus plantões, Jaime descobre que seu filho chegou de ambulância completamente ferido após uma briga em uma boate bastante frequentada no centro da cidade onde moram. O acontecimento mexe demais com o protagonista que começa uma investigação por conta própria o que o leva a limite mental e emocional que desdobrarão consequências para ele e o restante de sua família.

O thriller camuflado de drama vem com aquela pegada de todo bom filme espanhol dos últimos tempos. Intenso, impactante, sem previsões ou achismos de como termina as consequências em que se metem os personagens. Há um mistério correndo em volta de Jaime, isso o atormenta, entra em conflito com tudo e todos e busca de sua própria verdade, ou pelo menos a interpretação que deseja para o que aconteceu. Nem tudo é o que parece ao longo dos 103 minutos de fita. A atuação de Jose Coronado é o alicerce, um ponto cheio de clímax e repleto de intensidade, nossos olhos não conseguem desgrudar em descobrir pela ótica do protagonista o que realmente aconteceu naquela noite.

Os arcos são bem definidos, mesmo que haja um aceleramento descompassado no último, talvez fruto de uma história cheio de detalhes que precisa ser contada em menos de duas horas. O roteiro consegue extrair dos personagens toda a força que é preciso para nunca se perder o ritmo dessa reflexiva história que fala sobre o amor de pais e filhos e até onde é a linha tênue entre a razão e a emoção do argumentar ao favor de quem é próximo de nós.

 

Longe da Árvore (2017)

O consenso cultural nem sempre retrata a melhor maneira de enxergamos como podemos nos amar sendo quem somos. Explorando a montanha russa, os altos e baixos, da relação de pais e filhos, Longe da Árvore, impactante documentário dirigido pelas cineastas Rachel Dretzin e Jamila Ephron, baseado em partes em um livro (Far from the Tree) do escritor Andrew Solomon, percorre um olhar por dentro da vida de algumas famílias. São profundos e alguns dolorosos relatos, emocionante em muitos momentos, pais e filhos e suas descobertas diárias nessa relação que para uns parecem fáceis mas que sempre vão ter bons e nem tão bons momentos.

São vários os olhares que acompanhamos ao longo de cerca de 90 minutos de projeção. Jason tem síndrome de Down e seus pais sempre enfrentaram todo o tipo de preconceito com avanços corajosos na educação dele, que, mesmo com essa deficiência, consegue realizar tarefas básicas como a rápida matemática de maneira igual aos de sua idade; os relatos emocionados da mãe de Jack, um dos personagens, um jovem com autismo, sobre todas as maneiras que buscarão para melhorar a situação dele, principalmente na hora de interagir com os outros; Loini, que sofre por ser diferente e não ter contato com outras como ela que possuem o nanismo mas acaba se encontrando em uma convenção anual da associação de gente pequena dos Estados Unidos; O idealizador do livro e sua batalha antes perdida em entender seus pais após anunciar para a família que era gay; Pais que levam uma culpa para sempre após uma tragédia impactar suas vidas.

São registros por meio de vídeos, depoimentos atuais, reflexões sobre os impactos da criação de uma família. Não é uma escolha os pais amarem seus filhos. Em Longe da Árvore vamos acompanhar batalhas emocionais, força de vontade, novas descobertas, desejos, condições, tudo isso de maneira muito reflexiva e que de alguma forma deixa muitas lições para todos nós.

10 FILMES PERFEITOS pra quando o saldo bancário é uma piada de mau gosto!

Natal está chegando – e as contas também! Nós, meros trabalhadores brasileiros, tentamos equilibrar as dificuldades com pequenos momentos de prazer, muitas vezes correndo para os cinemas ou mesmo para a televisão de casa. Para você que quer fugir um pouco da rotina, com problemas se acumulando e o saldo bancário perto do negativo, seguem abaixo alguns filmes para você se distrair:

 

O Outro Lado da Esperança (Reserva Imovision)

Na trama, bastante peculiar e intimista, conhecemos um senhor de idade quase avançada que troca de ramo profissional e resolve ser dono de um restaurante na Finlândia. Além dessa mudança profissional, o cinquentão Wikhström (Sakari Kuosmanen), abandona a esposa e parte rumo ao desconhecido. Ao mesmo tempo, e na mesma cidade, Khaled (Sherwan Haji), um jovem refugiado Sírio acaba tendo seu visto vetado ao chegar na capital finlandesa. Esses dois universos se encontram por acaso e Wikhström resolve ajudar Khaled em sua jornada.

 

A Vida Secreta de Walter Mitty (Disney Plus)

Você já fez algo realmente extraordinário? Com um roteiro do sempre competente Steve Conrad, baseado em um personagem fantástico criado pelo escritor americano James Thurber no conto publicado na revista The New Yorker em 1939, o trabalho como diretor do astro de Hollywood Ben Stiller, A Vida Secreta de Walter Mitty se propõe em ajudar ao público a encontrar a verdadeira beleza do sonhar contido dentro de todos nós.

 

Ataque 13 (Netflix)

Apresentando um terror que abre espaço para reflexões sobre os tratos sociais, chegou na Netflix um longa-metragem tailandês que coloca o bullying no centro de uma trama onde pesadelos, assombrações e rituais ligados ao sobrenatural ganham forma através de jovens personagens em conflito, explorando também o anti-heroísmo. Nem tudo funciona com consistência – há pontas soltas no roteiro -, mas um plot twist totalmente inesperado na sua parte final entrega novos sentidos às ações e consequências.

 

Um Pai para Lily (Netflix)

A vida da jovem Lily Trevino (Barbie Ferreira) não tá fácil, completamente esquecida pelo pai Robert (French Stewart), trabalha como cuidadora para se sustentar. Um dia, numa navegada pelo facebook acaba acidentalmente chegando até um homônimo de seu progenitor, um outro Bob Trevino (John Leguizamo), um homem casado e com uma perda recente irreparável. Logo uma linda amizade surge e juntos vão aprender um pouquinho sobre a arte do recomeçar.

 

O Visitante

Esse é um daqueles filmes que a última cena nos faz emocionar e ficar lembrando durante anos nunca mais saindo de nossos corações. Aqui em O Visitante, dirigido pelo cineasta Tom McCarthy, conhecemos um professor já de idade avançada que descobre que dois imigrantes estão morando no seu apartamento em Nova York. Uma amizade acaba nascendo dessa relação. O maravilhoso ator Richard Jenkins foi indicado ao seu primeiro Oscar por esse filme.

 

Uma Vida Melhor (Lionsgate +)

O filme nos mostra a questão dos imigrantes ilegais de forma bem emocionante aos olhos de Carlos Galindo (Demián Bichir, indicado ao Oscar por essa atuação), um mexicano que vive com seu filho adolescente Luis Galindo (José Julián) em uma cidade americana. O medo de ser deportado, e os sonhos de uma vida melhor, tomam conta da trama, que tem o roteiro assinado por Eric Eason baseado na história de Roger L. Simon.

 

Ford vs Ferrari (Disney Plus)

Com um orçamento que beirou aos 100 milhões de dólares, Ford Vs. Ferrari conta a história real de um ex-piloto de carros de velocidade, Carroll Shelby (Matt Damon) que recebe a incrível missão de assumir um projeto na Ford para derrotar os carros até então imbatíveis da Ferrari na famosa 24 Horas de Le Mans na década de 60.

 

Lutando por um Sonho

Na trama, conhecemos o jovem iraniano Ali Jahani (George Kosturos) que consegue se mudar de um Irã aterrorizado por uma guerra sem fim, para os Estados Unidos, na década de 1980. Sem amigos e em um lugar totalmente novo, busca no esporte uma maneira de interagir. Acaba descobrindo um grande potencial para a Luta Olímpica/Luta Greco Romana e assim, dia após dia, e lutando contra diversos obstáculos, busca encontrar seu espaço nessa nova terra.

 

Eden (Reserva Imovision)

Na trama, conhecemos um grupo de jovens que gostam de se reunir para festas que invadem a noite, em uma França no início dos anos 1990. Ao longo da trama, um dos personagens se torna o protagonista, Paul Vallée (Félix de Givry), um estudante de literatura que abandona tudo para se dedicar integralmente ao universo das festas. Assim, vamos acompanhando todos os bastidores do cenário jovem parisiense.

E aí, querido cinéfilo?! – Nossa Coluna de Entrevista | Parte 12: João Rocha

O cinema é a luz que ilumina os nossos tempos, o passado e o futuro. Pensando em dividir com você leitor, dicas e curiosidades de inúmeros cinéfilos espalhados por nosso país, criamos essa coluna semanal onde convidado amantes da sétima arte que trabalham ou não com cinema.

Nosso convidado de hoje é produtor, diretor, ator, formado em Marketing, foi fundador e curador do Brazil Cine Fest / Macaé Cine International Film Festival entre os anos de 2011 e 2015. João Rocha, sobrinho de um dos maiores diretores que o Brasil já produziu, Glauber Rocha, segue seu próprio caminho no audiovisual, que teve início tempos atrás como designer do filme indicado ao Oscar O Que é Isso, Companheiro?

1) Na sua cidade, qual sua sala de cinema preferida em relação a programação? Detalhe o porquê da escolha.

Escolher uma sala de cinema por programação sempre foi difícil. A crescente difusão das redes das salas comerciais acaba fazendo adequações de mercado e de distribuição, as programações vão de acordo com as bilheterias, retorno financeiro e de mídia. Existem alguns refúgios que mantém uma programação ‘off-broadway’ com filmes que recebem pouco ou nenhum espaço de exibição, que permitem ao público alcançar produções menos parrudas, midiáticas e com narrativas menos comerciais. Valorizo muito esses locais. Aqui no Rio o Estação é um deles. O cinema Laura Alvim também.

2) Qual o primeiro filme que você lembra de ter visto e pensado: cinema é um lugar diferente.

A Dança dos Vampiros de Roman Polanski e seguida O Destino do Poseidon dirigido por Ronald Neame.

3) Qual seu diretor favorito e seu filme favorito dele?

Não tenho um. Tenho alguns. O australiano Baz Luhrmann, Darren Aronofsky, tem o Brian de Palma. Diretores com assinatura forte. Sei lá, não me ligo no nome de diretores. Toda mente brilhante tem altos e baixos. Ninguém é criativo o tempo todo, tampouco genial. Eu gosto de filmes, ponto! Gosto filmes para pensar, filmes para não pensar, para rir, para chorar, para sentir medo, só não gosto de filmes para cochilar. Filmes que começam, acabam e não chegam em lugar nenhum.

 

 4) Qual seu filme nacional favorito e porquê?

Vou ser nepotista, gosto do O que é isso, Companheiro?! (risos) sou o design do filme e concorremos ao Oscar, né?! Mas é difícil escolher, sou fã do cinema nacional. Nasci e cresci nos bastidores, vendo tudo acontecer. Tenho uma relação muito pessoal com quase todos. Poderia listar um monte aqui.

5) O que é ser cinéfilo para você?

É ter amor pelo cinema como um todo. Sem distinção de segmento. De gênero. É se permitir conhecer o cinema em sua totalidade e apreciar todo o universo que se relaciona direta ou indiretamente com essa maravilhosa sétima arte.

6) Você acredita que a maior parte dos cinemas que você conhece possuem programação feitas por pessoas que entendem de cinema?

As salas de cinema são um serviço comercial, são instituições financeiras. Acho que isso já responde.

7)  Algum dia as salas de cinema vão acabar?

Da forma que conhecemos, sim. As telas migram mas o cinema nunca morre!

 

8) Indique um filme que você acha que muitos não viram mas é ótimo.

Irreversível (2002) escrito e dirigido por Gaspar Noé.

9) Você acha que as salas de cinema deveriam reabrir antes de termos uma vacina contra a covid-19?

Uma pergunta difícil que exige uma resposta mais difícil ainda. Tenho opiniões divididas.

10) Como você enxerga a qualidade do cinema brasileiro atualmente?

Somos uma das maiores potências mundiais, porque fazemos filmes incríveis com o mínimo de recursos. É como o carnaval. Avançamos muito desde a retomada e podemos avançar ainda mais quando colocarmos nosso preconceito sobre os gêneros, sobre os aspectos comerciais, sobre indústria de lado. E principalmente, quando pararmos de fazer cinema para satisfazer nossos frágeis egos.

11) Diga o artista brasileiro que você não perde um filme.

Tem isso? Então nenhum. Vejo ‘o filme’, não vejo o artista. Até mesmo porque um filme não é a obra de uma única pessoa, é uma obra coletiva. É uma comunhão de talentos.

12) Defina cinema com uma frase.

Mágica.

13) Conte uma história inusitada que você presenciou numa sala de cinema.

Lembro quando eu era pequeno em Salvador e uma senhora pulou da cadeira e foi até a tela beijar o pé de uma personagem e começou a gritar coisas que não posso repetir aqui. Acho que era A Rosa Púrpura.

14) Defina ‘Cinderela Baiana’ em poucas palavras…

Um produto do momento, igual a tantos outros no mundo todo. Para todo filme existe um público.

15) Você é cineasta. Como você enxerga o setor audiovisual brasileiro? Há muita dificuldade em se realizar um filme e colocar ele em um cinema?

Enxergo como uma roleta russa. Fazer cinema no Brasil é um sacrifício. O incentivo é zero, o retorno quase nenhum e a exibição nos cinemas dependem de uma série de acordos, lobbies e contratos. Na verdade sempre foi assim. Atualmente existem plataformas digitais e canais de TV para assinantes, oferecendo novas possibilidades de exibição para um público muito mais abrangente, globalizado. Muita gente está voltando a produzir pensando nesses novos veículos.

 

16) Você acha que após a pandemia, vão haver muitos filmes com temática sobre a quarentena que o mundo vive nos dias de hoje?

Sim, com certeza! Na verdade já tem muita gente produzindo na quarentena, se adequando, falando sobre todo esse universo novo e solitário, que antes assistíamos apenas na tela grande. São experiências, sentimentos, sensações novas e que fazem parte de um momento nunca antes vivido em toda a humanidade nessas proporções. Falar sobre esse assunto é necessário para termos as impressões, os registros, as percepções de como cada um viveu e observou essa histórica pandemia.

PREPARE A NOSTALGIA: 10 filmes que marcaram gerações!

Aqui no Cinepop, estamos sempre lembrando os grandes filmes que deixaram marcas em cinéfilos nascidos em diferentes décadas. O poder da sétima arte de tornar uma produção atemporal nos conduz até histórias maravilhosas que permanecem conosco por toda a vida. Para relembrar alguns desses projetos, segue abaixo uma lista bem conhecida, com obras que marcaram gerações:

 

Feitiço do Tempo

Quem nunca assistiu ou ouviu falar desse filme? Um grande clássico da sessão da tarde! Dirigido por Harold Ramis, o filme que tem Bill Murray e Andie MacDowell como protagonistas, se passa na Pensilvânia e nos apresenta um rabugento meteorologista (interpretado por Murray) que acaba ficando preso em um loop temporal. Teve um orçamento de cerca de 17 milhões de dólares e faturou mais de 70 milhões de dólares – só em bilheteria. Um dos grandes sucessos da carreira de Bill Murray.

 

A Origem

Com um roteiro eletrizante, Christopher Nolan deixou os cinéfilos do mundo todo maravilhados com esse filmaço. Com o foco nas lembranças, com Leonardo DiCaprio e um elenco competente, o filme nos leva a um final que gera polêmica e interpretações até hoje.

 

A História sem Fim

Nunca desista e a sorte sempre o encontrará. Dirigido por Wolfgang Petersen, com roteiro baseado no livro homônimo escrito por Michael Ende, A História sem Fim é um dos mais queridos filmes infanto-juvenil que estiveram nas últimas décadas numa tela de cinema. A importância dos livros para o nosso sonhar é o combustível para embarcarmos em uma aventura repleta de variáveis, com seres carismáticos, nos mostrando a importância das emoções nas nossas trajetórias.

 

Os Goonies

Um dos filmes de maior sucesso na famosa ‘Sessão da Tarde’, nessa aventura dirigida por Richard Donner acompanhamos jovens que encontram um misterioso mapa do tesouro, se metendo em diversos conflitos.

 

ET – O Extraterrestre

Disponível em diversos streamings, esse é um dos grandes clássicos do cinema. Dirigido pelo genial Steven Spielberg e lançado no início dos anos 80, o filme conta a história de um jovem que encontra um extraterrestre, e, ao lado dos irmãos, embarcam em uma aventura emocionante tendo a amizade como força propulsora.

 

De Volta para o Futuro

Lançado em meados da década de 80, e, com uma arrecadação em bilheteria que faturou 20 vezes mais que o orçamento final de 19 milhões de dólares, De Volta para o Futuro é um dos filmes mais lembrados pelos cinéfilos quando pensamos em filmes empolgantes de ficção científica e viagem no tempo. Contando a história de um jovem estudante do ensino médio norte-americano, que consegue voltar no tempo após um experimento de um amigo cientista, na época em que seus pais se conheceriam, e acaba se metendo em diversos conflitos para não alterar o futuro.

 

Scarface

Tony Montana (Al Pacino) é um perigoso criminoso cubano que chega aos Estados Unidos, no início da década de 80 – ao lado de alguns comparsas -, e logo busca seu espaço na ilegalidade, se infiltrando em organizações criminosas pela cidade de Miami. Com um histórico violento, ele começa a ascender na organização e prepara o terreno para assumir seus próprios negócios, que envolvem em grande parte o contrabando de drogas de países sul-americanos para os Estados Unidos. O tempo vai passando e o império de Montana só aumenta, o levando a ser alvo de concorrentes e ações policiais ao mesmo tempo em que se perde de sua própria realidade.

 

Os Imperdoáveis

Na trama, ambientada no estado norte-americano de Wyoming no ano de 1880, conhecemos um grupo de prostitutas de uma pequena cidade, comandada pelo xerife Little Bill (Gene Hackman), que se revoltam quando uma delas sofre uma enorme violência, tendo o corpo todo marcado por um cliente. Não satisfeitas pela punição dada aos agressores, resolvem juntar a quantia de mil dólares e oferecer a pistoleiros em troca de darem um fim em quem cometeu esse ato violento. A notícia chega até o antigo pistoleiro William Munny (Clint Eastwood), um homem que por mais de uma década largou a bebida e não queria mais saber da antiga profissão, mas acaba embarcando nessa história ao lado do inexperiente Schofield Kid (Jaimz Woolvett) e seu eterno braço direito Ned Logan (Morgan Freeman).

 

Psicose

Ambientado em Phoenix, no Arizona, na trama, num primeiro momento, acompanhamos a história de Marion (Janet Leigh), uma secretária que foge com uma alta quantia de dinheiro que pertence a um cliente da empresa que trabalha e segue sem rumo por uma estrada até resolver parar em um hotel – onde encontraria um fatídico destino. Num segundo momento, vamos conhecendo a tenebrosa história de Norman Bates (Anthony Perkins), que a atende nesse hotel e as verdades de uma família.

 

Um Sonho de Liberdade

Na trama, indicada para sete Oscars, conhecemos Andy Dufresne (Tim Robbins), um homem bem-sucedido que após descobrir a traição da esposa é preso injustamente pela assassinato da mesma e seu amante. Mesmo alegando inocência, e com provas nada conclusivas, é sentenciado a uma dura pena. Ao longo de todo o período que fica preso, passa a buscar a sobrevivência através de suas habilidades, com a amizade que faz com outro prisioneiro – Red (Morgan Freeman) -, mas não deixa de viver em muitos momentos o terror daquele lugar. Em busca de uma solução, arma um plano de fuga que beira ao inacreditável.

E aí, querido cinéfilo?! – Nossa Coluna de Entrevista | Parte 23: Itamar Borges

A beleza do cinema é conseguir enxergar além do que os olhos conseguem captar. Falar de cinema é uma grande prova de amor ao sentimento das curiosidades que afligem esse imenso mundão que vivemos. Todo tipo de filme, de qualquer gênero, busca o importante elo em apresentar emoções ao espectador, seja ele quem for. Pensando em entender melhor as razões do porquê o cinema é uma coisa tão rica para nossa existência como seres humanos, esse eterno jovem cinéfilo que vos escreve buscou cinéfilos espalhados pelo Brasil (alguns até pelo mundo) para contar um pouquinho da trajetória cinéfila deles para vocês.

Nascido e criado em Goiânia, nosso convidado de hoje é cinéfilo desde a década de 60. Produtor responsável por vários festivais de cinema pelo Brasil, Itamar Borges é figura sempre muito querida nas redes sociais de quem tem a honra de tê-lo como amigo. Sempre com dicas e pensamentos profundos sobre o audiovisual brasileiro, conversar com esse querido cinéfilo é sempre muito bom.

 

1) Na sua cidade, qual sua sala de cinema preferida em relação a programação? Detalhe o porquê da escolha.

Aqui até há alguns anos a sala preferida era a dos Cinemas Lumiere no Shopping Bougainvile (filmes estrangeiros na sua maioria), que foram fechadas bem antes da pandemia, e o Cine Cultura (Cinema da Secretaria Estadual de Cultura) com uma programação de filmes brasileiros mais forte, mas não se esquecendo de filmes estrangeiros muitos deles fora de circuito comercial.

2) Qual o primeiro filme que você lembra de ter visto e pensado: cinema é um lugar diferente?

Difícil…. minha primeira lembrança de cinema eu acho que tinha uns 8 anos e fui levado ao Cine Teatro Goiânia na matinê de sábado e foi uma festa, mas o filme não me lembro o nome mas era alguma coisa do tipo Robinson Crusoé… isso faz tempo!!!

3) Qual seu diretor favorito e seu filme favorito dele?

São vários diretores e diretoras Bergman, Hitchcock, Chaplin, Visconti, Spielberg, Scorsese, Kurosawa, Copolla, Fellini, Agnès Varda, Suzana Amaral, Buñuel, Woody Allen, Kubrick, GodardAnna Muylaert, Samira Makhmalbaf, Dee Rees, Jane Campion, Scola, Allan Parker, Claudio Assis, Camilo Cavalcante, Bigode, KMF, PTA, Coutinho, Brant, Asghar Farhadi, Abbas Kiarostami, Almodovar, Pasolini, Sergio Leone ou seja eu gosto de muita gente…. gosto de bons filmes e se for citar todos aqui vou ficar o dia inteiro e isso vai ficar muito longo e eu vou esquecer um monte de gente…

 

4) Qual seu filme favorito e porquê?

Eu realmente não tenho um filme favorito, tenho filmes que gosto muito de rever como por exemplo revi há pouco Amantes Eternos (Jim Jarmusch), Diários de Motocicleta (Walter Salles), Um Dia Muito Especial (Ettore Scola), A Hora da Estrela (Suzana Amaral) ou seja sou bem eclético quanto a filmes… Adoro animações.

5) O que é ser cinéfilo para você?

Aprendizado, diversão e entretenimento, trabalho tudo isso ao mesmo tempo e agora.

6) Você acredita que a maior parte dos cinemas que você conhece possuem programação feitas por pessoas que entendem de cinema?

A maioria dos cinemas “independentes” que conheço tem bons programadores, com mostras bem interessantes e outros tem aquela programação feita para o seu público cativo, estes na sua maioria os multiplex que priorizam mais o lado comercial …..

7) Algum dia as salas de cinema vão acabar?

Não, pois não existe nada mais mágico do que a sala escura e a tela grande sendo iluminada e aquela imersão que isso proporciona. E antigamente tinha cinemas que tinham a cortina que abria… Se acabar um dia vai ser muito chato, como é chato ir ao cine drive in e ficar dentro de um carro vendo um filme… Mas a ideia de voltar a este tipo de cinema é bacana. Não imagino o mundo sem salas de cinema.

8) Indique um filme que você acha que muitos não viram mas é ótimo.

Frank  de Lenny Abrahamson, acho bem interessante e esquisito mas é legal.

9) Você acha que as salas de cinema deveriam reabrir antes de termos uma vacina contra a covid-19?

Acho complicado, mesmo com todos os protocolos de segurança…. em primeiro lugar vem a saúde, a minha e a do próximo a mim.

 

10) Como você enxerga a qualidade do cinema brasileiro atualmente?

Sou suspeito pois acho que não devemos nada em qualidade atualmente a nenhum cinema feito no mundo, isso em longa metragem e no curta metragem também. O nosso problema é a distribuição e atualmente a  “nova politica cultural do governo brasileiro” que insiste em desmontar toda a cadeia que há anos vem se consolidando  cada vez mais, mas vamos resistir  e ganhar essa guerra.

11) Diga o artista brasileiro que você não perde um filme.

Matheus Nachtergaele, Irandhir Santos…. são muitos.

12) Defina cinema com uma frase.

Parafraseando “Cinema é luz, é raio estrela e luar. Manhã de sol meu iaiá meu ioiô. Você é sim e nunca meu não, quando tão louco me beija na boca e me ama no chão”.

13) Conte uma história inusitada que você presenciou numa sala de cinema.

Nunca vou esquecer em Brasília, quando fui assistir Saló (Pier Paolo Pasolini), fila enorme, sala lotada…. no meio do filme, sala ficando vazia e no fim éramos somente eu e o meu amigo Emerval Crespi e mais umas duas pessoas. Nunca tinha visto isso.

14) Defina ‘Cinderela Baiana’ em poucas palavras…

A melhor comédia romântica brasileira dos últimos tempos!!

15) Você trabalha com cinema em um Brasil que já enfrentou diversas dificuldades quando falamos em incentivo à Cultura. Que dica você pode dar para os jovens cinéfilos que pensam em trabalhar no audiovisual futuramente?

“ Se for, vá na paz”.

16) Diga o pior filme que assistiu na vida.

Adoro Ficção Cientifica… mas Tau de Federico D’ Alessandro, não sei se é o pior pois isso é muito subjetivo…. não me pegou.

17) Depois de Gloria Pires e o falecimento do grande Rubens Ewald Filho, quem deveria comentar os prêmios do Oscar na TV aberta ou fechada?

Gente que entende de filme e premiações e principalmente gente que assiste a filmes e que saiba falar dos filmes e não apenas que o vestido é maravilhoso ou como ela é linda ou ele é lindo. Claro que isso é divertido também!

Crítica | ‘A Grande Inundação’ – Engenhosa poesia filosófica com ar existencialista camuflada de ‘filme-catástrofe’

É impressionante como alguns filmes conseguem nos surpreender. Chegou há poucos dias à Netflix um longa-metragem sul-coreano que, a princípio, parecia ser mais um ‘filme-catástrofe’, daqueles onde acompanhamos uma personagem protagonista lutando por sobrevivência em meio à devastação da vida na Terra. Só que em A Grande Inundação, um plot twist muda nossas percepções sobre o que estamos vendo, nos levando para uma jornada que explora de forma profunda questões ligadas à existência.

Nada neste projeto dirigido pelo cineasta Kim Byung-woo é simples. É preciso uma total atenção, já que, quando começamos a decifrar seus mistérios, percebemos uma narrativa que induz o público a decifrar pistas, mesmo preso a um complexo roteiro que confunde em alguns momentos mas deixa rastros importantes de reflexão em cada linha. Como as surpresas dessa história precisam ser sentidas pelo público para seu impacto, tentarei ao máximo fugir dos spoilers.

A trama, ambientada em uma Seul (Coreia do Sul) dos tempos atuais, gira em torno de An-Na (Kim Da-mi Koo), uma cientista e pesquisadora que acorda em um dia com um tsunami atingindo o prédio de 30 andares onde mora com o filho, Ja In (Kwon Eun-sung). Correndo contra o tempo para encontrar uma saída em meio ao caos, seu destino se cruza com o agente de segurança Hee-jo (Park Hae-soo), que está no local para resgatá-la. Aos poucos, vamos entendemos que essa história não se resume só a isso, com algo misterioso sendo revelado aos poucos.

Dentro de sua poesia filosófica com ar existencialista, o engenhoso roteiro provoca o espectador indo na contramão de qualquer ritmo contemplativo ou mesmo silêncios profundos. Sempre com o pé no acelerador, se camufla de ‘filme-catástrofe’ para explorar as emoções através de uma experiência, um surpreendente experimento complexo ligado à inteligência artificial. Nesse universo criado, a relação maternal ganha forte destaque, tornando-se um elemento importante nas interpretações que surgem na conclusão da obra.

Do drama à ficção científica, impressiona a forma como o roteiro nos leva às suas surpresas – mesmo que tudo fique bem confuso em certos momentos. Não era um trabalho fácil deixar tudo mastigado em forma de narrativa, há deslizes. Ainda assim, o projeto cresce quando percebemos sobre o que é essa história. Os conflitos humanos, principalmente os dilemas morais, ganham a frente sobre qualquer outras questões, fugindo de explicações objetivas e deixando a emoção ser sentida antes da razão.

A Grande Inundação se joga sem medo em sua ideia de atribuir significados às relações humanas e à nossa razão de ser, além de evocar importantes debates sobre a inteligência artificial e sua influência em um mundo onde o amor é algo difícil de ser explicado, mas ainda é uma grande força genuína que move e dá sentido à nossa existência.

13 filmes sobre relacionamentos entre pais e filhos – Parte 4

Continuando nossa pesquisa do ICGE (‘Instituto Cinéfilo de Geografia e Emoções’) para refletirmos sobre filmes que abordam a temática ‘Pais e Filhos’ das mais diversas formas. Com trajetórias percorridas, profundas ou não, conseguimos extrair um pouco das mensagens de cada um dos variados 13 filmes dessa quarta parte de nossa jornada. Nessa lista, temos filmes de Luxemburgo, Japão, Itália, EUA, Austrália, Brasil, Espanha, China, Austrália, França e Dinamarca. Vamos a ela:

Barreiras (Luxemburgo, 2017)

Como percorrer 10 anos em alguns dias? Buscando responder a essa e a muitas outras perguntas, Barrage, dirigido pela cineasta de Luxemburgo Laura Schroeder (em seu segundo longa-metragem) é um recorte de uma mãe e sua tentativa de recuperar anos perdidos na criação e afeto da filha. O ritmo é lento, sem muitas informações sobre o passado da protagonista, vamos pela dedução de acordo com as migalhas de memórias que nos apresentam o roteiro. Há um paralelo interessante entre o jogo de tênis (assunto que mãe e filha possuem em comum) e a maternidade, sobre a questão existencial da ‘obrigação x pelo amor’. O projeto conta com a participação especial da fabulosa atriz francesa Isabelle Huppert.

Na trama, conhecemos Catherine (Lolita Chammah), uma mulher que possui abalos psicológicos ligados a seu passado e volta após dez anos morando na Suíça a frequentar a mesma cidade de sua filha Alba (Themis Pauwels), que fora criada e mora com sua avó materna Elisabeth (Isabelle Huppert). Buscando essa reaproximação, mãe e filha embarcam em uma jornada de mágoas e ressentimentos sobre tudo que não viveram.

Co-produzido por Luxemburgo, Bélgica e França, o projeto explora em pouco mais de 100 minutos, uma dupla ótica, que é a grande sacada do roteiro. Com seu primeiro ato tenso e sem muitas informações, percebemos as dificuldades iniciais de Catherine de se entender minimamente com a filha. Há um divisor de águas nessa relação, que começa muito distante, logo nesse arco inicial. Contando histórias de sua família pela sua visão, Catherine embarca com Alba em uma viagem pelas emoções que foram vividas separadamente durante todos esses tempos. Já que as memórias acabam machucando muito, há algumas cenas sem diálogos, onde o olhar diz bastante.

Barrage é mais um filme que explora relacionamentos entre pais e filhos. O final aberto deixa margens para interpretações: será que elas algum dia vão se entender? Será que elas já se entenderam?

Três Solteirões e um Bebê (EUA, 1987)

Há mais de 30 anos atrás, uma comédia atemporal e que transpira carisma chegava a vista dos cinéfilos. Dirigido pelo eterno Spock, Leonard Nimoy (sim, ele mesmo!), Três Solteirões e um Bebê fala de forma leve e engraçada sobre a paternidade na visão de três adeptos do ‘solteirismo’ que precisam readequar suas vidas quando um bebê de poucos meses é deixando na porta de onde moram. Disponível no streaming Disney+ (assim como sua continuação), o longa-metragem de enorme sucesso é protagonizado pelos ótimos Tom Selleck, Steve Guttenberg Ted Danson. A trilha sonora, com a música chiclete Bad Boy, segundo single lançado pela banda americana Miami Sound Machine liderada por Gloria Estefan, é excelente.

Na trama, conhecemos três amigos muito bem sucedidos que moram em uma cobertura em Nova Iorque. Peter (Tom Selleck) é arquiteto, Michael (Steve Guttenberg) é desenhista e Jack (Ted Danson) é ator, todos eles são adeptos da vida boa e cultivam sua solteirice como modalidade de vida. Tudo muda quando um bebê é encontrado na porta da casa deles dizendo ser filha de Jack. Como o papai viajou para a Turquia para rodar um filme, Michael e Peter precisarão passar dias muito intensos, confusos e engraçados tentando cuidar da nova hóspede.

O foco principal é a paternidade em uma visão muito bem elaborada dentro de um roteiro simples onde a própria história ganha seu brilho através das lentes de Nimoy. Os personagens são ótimos, se encaixam com perfeição dentro de um contexto importante para a época mas a história não deixa de ser atemporal mesmo após mais de três décadas. O relacionamento pais e filhos pode ser mostrado de muitas formas, Três solteirões e um Bebê nos apresenta uma forma muito descontraída que o amor de quem cuida é o que vale no final das contas.

Verão Feliz (Japão, 1999)

Quando a tristeza pela decepção encontra as metáforas da vida. Indicado à Palma de Ouro em Cannes em um ano que tinha como concorrentes Almodóvar, Lynch, irmãos Dardenne, Greenaway, Manoel de Oliveira, Jarmusch, Sokurov, Egoyan, Bellocchio entre outros, Verão Feliz mostra a saga de um homem sem trabalho e um garoto criado pela avó que, quase sem direção, e contando com a ajuda além de caronas de desconhecidos, embarcam em uma aventura à procura da mãe do garoto que levarão na memória por toda uma vida. Contendo a força da delicadeza em todas as esferas, Takeshi Kitano, que escreve e dirige esse lindo trabalho, consegue encher de emoções e alguns risos as duas horas de projeção. Poucos são os diretores que com bastante sutileza nos mostram emoções com suas lentes.

Na trama, conhecemos Masao (Yusuke Sekiguchi) um triste menino, de olhar para baixo, que está sem amigos para brincar durante as férias. Ele é criado desde sempre pela sua avó já que sua mãe nunca aparece pois trabalha em uma outra cidade para poder sustentar ele. Certo dia, Masao resolve ir atrás de sua mãe e para isso vai contar com a inusitada ajuda de um amigo de sua avó, Kikujiro (Takeshi Kitano) um homem que vive seus dias sem muitos objetivos ao lado da esposa (Kayoko Kishimoto).  Assim, passando por diversas situações, ambos embarcam em uma saga à procura da mãe do menino.

Exibido no Festival do RJ e na Mostra de SP em um ano antes da chegada dos anos 2000, com planos longos e definindo arcos mostrados na tela, acompanhamos a junção equilibrada de um profundo mundo das emoções e situações de riso fácil, o drama e a comédia. Kitano fora conhecido no início de carreira pelos seus trabalhos como comediante e joga na tela todo seu talento além de mostrar uma grande habilidade em trabalhar os sentimentos principalmente na parte dramática do projeto.

Podemos enxergar esse lindo filme por duas perspectivas, a do menino que se protege da realidade dentro dos sonhos que são compostos por pessoas ou situações que encontra pelo caminho, ou do homem desajustado, trambiqueiro, no início nada simpático, que com uma transformação pura e bonita se torna uma referência para alguém que ele nunca imaginou. Ambos os personagens, nos brindam com uma história que irão contar por toda uma vida.

Bænken (Dinamarca, 2000)

Até aonde vai à redenção de alguém que pensara em não ter mais nada a perder? No início dos anos 2000, lançou-se na Dinamarca o longa-metragem Bænken que nunca pousou por aqui. O filme, escrito (Kim Leona também assina o roteiro) e dirigido pelo cineasta Per Fly conta a trajetória dura sobre um homem sem destino que achava que estava sozinho no mundo mas acaba indo buscar algum tipo de redenção quando encontra de maneira inesperada a filha que não via faz 19 anos. Tocando em muitos pontos polêmicos sobre alcoolismo, abandono e assistência social, o projeto se torna aos poucos reflexivo drama sobre escolhas da vida.

Na trama, conhecemos Kaj (Jesper Christensen), um rabugento alcóolatra na fase final de sua vida que vive gastando seu dinheiro de trabalho com cerveja. Sem ter mais ambições na vida e tratando mal a todos ao seu redor, acaba sendo surpreendido pela chegada de Liv (Stine Holm Joensen) e Jonas, mãe e filho que buscam abrigo no condomínio de apartamentos onde Kaj mora, mas especificamente no apartamento de um frustrado e lunático escritor. Um curto tempo depois, Kaj descobre que Liv é sua filha que não via a quase duas décadas e assim embarca em uma tentativa de jornada de redenção, principalmente, protegendo sua filha e neto do ex-companheiro de Liv e pai de Jonas, um homem ciumento e violento.

As lacunas à preencher após a chegada da dor na consciência. Completamente perdido em sua mesmice, o protagonista sofre com o alcoolismo, uma fuga sempre que não consegue enfrentar o mundo que construiu ao seu redor. As mudanças que chegam em sua vida acabam trazendo memórias perdidas/esquecidas que acabam se reativando por conta dos erros do passado cometidos por ele. Não sabendo lidar com a situação imposta pelo destino, busca se redescobrir como ser humano de maneira simples e objetiva, contando inclusive com a ajuda de alguns que pensas ser amigo. Tocando em assuntos delicados como a violência contra a mulher, a falta de assistência dos governos para determinadas situações emergenciais que muitos sofrem por aí, a trajetória do bom projeto se encaixa em sua essência como um profundo drama sobre relacionamentos entre pais e filhos.

 

Pieces of a Woman (EUA, 2020)

Quando os sentimentos viram uma série de portas fechadas. Com um abre alas angustiante, antes do título aparecer na tela, onde não conseguimos tirar os olhos das ações que acontecem Pieces of a Woman é um poderoso drama que mostra desenrolares da vida de um jovem casal e os passos seguintes que precisam caminhar durante o luto. Dirigido pelo cineasta húngaro Kornél Mundruczó e com roteiro assinado por Kata Wéber, o filme, disponível no catálogo da Netflix, é um dos mais badalados projetos desse ano: merecidamente! É tenso, polêmico, excelente para reflexão. Poderosas interpretações, personagem principal interpretada magistralmente pela atriz britânica Vanessa Kirby, um roteiro com bastante profundidade e uma excelente direção. Indicado na categoria Melhor Atriz ao Oscar desse ano (inclusive levou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Veneza do ano passado).

Na trama, conhecemos um jovem casal, Sean (Shia Lebouf) e Martha (Vanessa Kirby) apaixonado e com alta expectativa com a chegada da primeira filha. Eles optaram por um parto domiciliar, feito por uma parteira. No dia onde a chegada do bebê se torna iminente, a parteira que faria o parto não consegue chegar a tempo e uma outra vai no lugar dela. Durante o processo do parto, uma alta tensão acontece, um nervosismo de todos, pai, mãe e parteira. Infelizmente uma tragédia acontece. Nos meses após o corrido, a maneira como o casal lida com a terrível tragédia é o que vai moldando a trajetória desse impactante filme.

Como lidar com a perda? Os personagens são os grandes motores do filme. Levados ao limite após a tragédia que acontece em suas vidas, nada vai ser como antes e eles já sabem disso. Conflitos antes suportáveis, se tornam estopins para discussões ou intromissões injustas nas escolhas que os dois devem tomar juntos. Sean é um homem que trabalha com construções e em especial nas pontes, está a seis anos sóbrio, possui um relacionamento conflitante com a sogra, assim precisa lutar contra seus demônios após a tragédia. Já Martha é introspectiva, de fala mansa, de família com mais dinheiro que a do companheiro, mostra um controle na aparência para os outros mas um descontrolado ninho de sentimentos conflitantes por dentro após o ocorrido, principalmente lutando contra as interferências de sua mãe Elizabeth (Ellen Burstyn, em atuação também digna de aplausos). A habilidade de Mundruczó em mostrar as entrelinhas através da expressão dos personagens é digna de aplausos, emocionante em muitos momentos, nos sentimos próximos das dores dos personagens.

O filme toca em alguns pontos polêmicos. A questão da comunidade médica vs parteiras e os dilemas sobre doação de corpos para estudos médicos. As partes jurídicas de uma dessas questões são colocadas como ferramenta de ‘justiça’ por Elizabeth, insensível e intrometida, em muitos momentos. O projeto chega fácil aos corações dos espectadores, dentre os dilemas e os sofrimentos, vamos tentar entender como é possível (ou não) reunir peças de uma vida despedaçada.

 

Dente de Leite (Austrália, 2019)

O drama comum de alguém que não querem que se vá. Debutando na direção de longas-metragens, a cineasta Shannon Murphy apresenta ao público seu olhar para um tema difícil, doloroso, uma doença terrível em uma adolescente e como tudo muda muito rápido para todos que estão ao redor da corajosa protagonista que busca em suas ações fugir de rótulos dando lindos e emocionante gritos de liberdade. O roteiro, assinado pela também debutante em roteiros para longas-metragens Rita Kalnejais, possui arcos divididos em situações de encontros e desencontros dos personagens, fator muito interessante. Babyteeth, made in Austrália, emociona bastante, principalmente nos últimos 10 minutos com cenas maravilhosas e inesquecíveis.

Na trama, conhecemos a jovem Milla (Eliza Scanlen) que mora em um bairro de classe media com seu pai, o psiquiatra Henry (Ben Mendelsohn) e sua mãe Anna (Essie Davis). Os três, cada um à sua maneira, precisam enfrentar a doença de Milla que tem um câncer agressivo em evolução. Certo dia, Milla conhece Moses (Toby Wallace), uma desregulado alma que acabou a escola, praticamente um nômade que é expulso de casa pela mãe, mas por quem Milla logo se apaixona. Assim, enfrentando a cada dia uma dura batalha pela vida mas também para sair de vez do ninho montado pelos pais, a personagem principal encontra em Moses, um importante companheiro na luta pelas suas fortes tomadas de decisões.

A princípio os personagens parecem excêntricos mas é que a troca da apresentação do filme vai nos confundindo um pouco, muito até para quem nem leu a sinopse. Mas isso faz parte do ótimo roteiro de Babyteeth, produção australiana ganhadora de muitos prêmios, que fala sobre a vida de uma jovem, sua visão do seu entorno e como a doença que tem afeta a todos. Buscando ser quem sempre quis, começa a tomar decisões que fogem da normalidade que os pais se acostumaram, vivendo intensamente como se fosse o último dia de sua vida. Os pais, procuram entender a situação, eles estão em um casamento cheio de amor mas abalado pela situação da filha. A mãe é medicada pelo pai e vive em crise constante. O pai também, muitas vezes perdido no seu pensamento se equivoca mas tenta logo consertar.

Com muitos assuntos de bem ampla reflexão, ao longo das duas horas de projeção, há espaço para um ótimo debate sobre o uso de medicamentos controlados para problemas de todos os tipos. Babyteeth ainda nos brinca com dez minutos finais arrasadores, com uma força impressionante, de tocar nossos corações.

 

Minari: Em Busca da Felicidade (EUA, 2020)

Quando rezamos, podemos ver o céu enquanto dormimos? Exibido em muitos festivais e premiado com os dois principais prêmios do Festival de Sundance ano passado, Minari fala sobre os poderes da fé e até onde pode ir um sonho de uma família que enfrenta obstáculos de todos os tipos quando resolvem se mudar para Arkansas após saírem de uma grande cidade norte-americana. Escrito e dirigido pelo cineasta norte-americano Lee Isaac Chung o projeto, super badalado pela crítica internacional, também é um delicado retrato sobre tradições e culturas.

Na trama, conhecemos Jacob (Steven Yeun) e Monica (Yeri Han), um casal descendentes de coreanos com raízes nos Estados Unidos que estão de mudanças em busca de sonhos em uma terra de oportunidades junto com seus dois filhos Anne (Noel Cho) e David (Alan S. Kim), esse último possui um problema no coração. Chegando lá, as primeiras dificuldades aparecem, a questão da água, da terra… Jacob tem um grande sonho, de ter um enorme jardim onde cultivará vegetais coreanos, só que os obstáculos chegam e colocam seu casamento em risco. Mas a chegada da avó Soonja (Youn Yuh-jung), mãe de Monica, pode adicionar mais algum tempero positivo ou não para essa história.

Os diferentes simbolismos sobre a fé percorrem todo o filme. Podemos exemplificar as questões na figura do amigo Paul (Will Patton) ou mesmo na forte influência de Soonja sobre o cotidiano da família. A chegada da avó coloca em contrapontos valores e tradições, além de comparações sobre o modo de viver no seu país de origem e nos Estados Unidos. Durante boa parte do longa, os conflitos entre avó e neto preenchem a tela com muita delicadeza mostrando todas as etapas desse relacionamento repleto de amor e um pouco de desconfiança à princípio.

Os conflitos dos pais sempre chegam aos filhos de alguma forma. Jacob é orgulhoso, parece sempre estar em uma encruzilhada na qual lida muito mal com o revés, por mais que seja um amoroso pai e marido. Os irmãos sempre escutam os temas de discussão dos pais e conversam entre si sobre isso, um processo de amadurecimento precoce em meio a uma instabilidade emocional que a família passa, principalmente quando pensamos no universo da incerteza, terreno que o Jacob mais se encontra.

Lee Isaac Chung consegue transmitir os sentimentos de diversas maneiras, da fé à terra, das escolhas ao ponto de interseção entre todos: o amor.

 

Felicità (França, 2020)

Quantas variáveis existem na relação entre pais e filhos? Um dos filmes que ficou disponíveis na última edição do ótimo festival online e gratuito My French Film FestivalFelicità, é um road movie descontraído que nos conta a saga de uma família de três integrantes, meio nômades, que se mete em diversas confusões antes do início das aulas da jovem filha do casal. Parece simples e sem muitas saídas para reflexões mas o projeto consegue avançar a superfície principalmente quando analisamos o que assistimos pela ótica de Tommy, a jovem filha. Um trabalho interessante escrito e dirigido por Bruno Merle.

Na trama, conhecemos o ex-presidiário Tim (Pio Marmaï) e Chloé (Camille Rutherford), dois jovens sem muitas projeções na vida que vivem do dinheiro que a segunda recebe trabalhando na limpeza de casas para uma empresa. Eles tem uma filha, Tommy (Rita Merle), que acaba embarcando sempre nas loucas aventuras que os pais se metem ao longo dos dias que antecedem o início das aulas.

Os absurdos e as peculiaridades que navegam pela história não deixam de serem ingredientes interessantes para conseguirmos enxergarmos conflitos emocionais profundos. Um bom exemplo é a curiosidade da filha, e tudo o que sente quando percebe que seu pai repete os mesmos erros que o levaram para a prisão. As questões de dúvidas de Chloe quanto ao futuro da família e atabalhoadas tentativas de viverem uma vida repleta de amor mas longe de um ‘normal’. Tim é quem possui mais dificuldade em nos fazer refletir sobre suas construções emocionais, não há exatamente uma desconstrução mas algo é buscado para que tudo saia como melhor que ontem, mesmo que as velhas inconsequências não consigam estarem longe de suas ações.

Felicità é um recorte de uma família que se ama muito mas sempre fica distante de uma estabilidade.  Sempre bom assistir a filmes que possuam um bom desenvolvimento na temática muitas vezes vistas na telona que é a relação entre pais e filhos.

 

Mirador (Brasil, 2021)

A roda gigante entre a responsabilidade e o sonho. Selecionado para a Mostra de Tiradentes 2021, o longa-metragem Mirador conta a estrada percorrida por um lutador, em muitos sentidos, que precisa reajustar seu destino em uma nova jornada de vida pois agora precisa ser o responsável pela filha em tempo integral após a mãe da criança sumir do mapa. Buscando reflexões para a situação, parecida com muitos do lado de cá da telona espalhados pelo Brasil, o projeto dirigido por Bruno Costa é um drama existencial, profundo em muitos momentos. Belo trabalho, do Paraná para o Brasil.

Na trama, conhecemos Michael (Edilson Silva), um rapaz batalhador de trinta e poucos anos, vindo de Pernambuco para o sul do país anos atrás. Entre um bico e outro, envolve seu cotidiano juntamente com os treinamentos para uma eventual competição no Boxe, uma de suas grandes paixões. Ele tem uma filha chamada Malu. Certo dia, quando a mãe da menina some do mapa, Michael precisa aprender muitas coisas para criar sua filha.

Um dia a dia de batalha. O paralelo entre o ringue (boxe) e as duras batalhas da vida é ótimo, gera reflexões de várias maneiras, dentro do foco: a paternidade. O protagonista entra em construção muito bonita, após buscar se desconstruir da figura do pai que só vê a filha as vezes. Com seu cotidiano sendo afetado vemos uma luta constante dele para dar o seu melhor, sem desistir da vida, encontrando forças no amor e carinho pela única filha. A situação abandono de uma criança pela mãe (ou pai) não é fato raro infelizmente, sempre há notícias sobre o assunto nos noticiários.

As dificuldades legais na inscrição da creche da filha, problemas com o conselho tutelar, com quem deixar a criança para ir trabalhar, várias ótimas questões são levantadas pelo roteiro. Mirador merecia ser visto no cinema com debates após as sessões. De lição ganhamos que a verdadeira luta do protagonista, um homem honesto e trabalhador como muitos de nós é vencer a batalha da vida ao lado de sua filha.

 

Little Boxes (EUA, 2016)

O pré-conceito e o preconceito na busca pela compreensão ao olhar do próximo. Disponível no catálogo da NetflixLittle Boxes é um recorte simples e objetivo de uma família inter-racial que se muda de Nova Iorque para uma cidadezinha do interior de outra cidade norte-americana e precisa enfrentar todas as diferenças navegando pelos pré-conceitos e com receio dos preconceitos em uma incógnita parte da sociedade norte-americana. Escrito por Annie J. Howell e dirigido por Rob Meyer o filme teve exibição no Festival de Tribeca anos atrás.

Na trama, conhecemos Gina (Melanie Lynskey) e Mack (Nelsan Ellis), um casal apaixonado que resolve se mudar para o interior dos Estados Unidos ao lado de seu único filho Clark (Armani Jackson). Gina é fotógrafa e conseguiu um emprego muito bom no departamento de artes de uma universidade dessa nova cidade, Mack é escritor e busca inspiração para seus novos textos ligados à culinária. A vida dos três passará por uma profunda mudança e tentativa de adaptação nessa nova cidade.

Um dos pontos interessantes desse filme é a trinca de ótica que consegue definir, entendemos melhor como essa família se sente individualmente (e também em conjunto), seu modo de pensar e os porquês de pensamentos defensivos em determinadas situações que logo surgem nessa nova cidade que se mudam. A mãe é branca e com o novo emprego na universidade vê sua carreira decolar, Mack é negro e está infeliz com o desenvolvimento de sua profissão após um livro de sucesso anteriormente, fica na defensiva sempre quando percebe algum tipo de pré-conceito em relação a ele ou a sua família. O jovem Clark também está passando por uma fase de mudanças, conhece outros jovens de sua idade e de alguma forma tenta conhecer melhor o universo de uma cidade do interior mesmo que isso gere alguns conflitos dentro de si.

Com menos de 90 minutos de projeção, essa fita norte-americana também pode ser considerada um filme sobre relacionamentos entre pais e filhos pois em algumas situações vemos como os pais tentam entender todas as ações (algumas inconsequentes) de seu filho. Little Boxes é bastante inteligente em navegar em cima do cismativo e tentar de alguma forma descontruir isso através de ótimos diálogos.

 

King of Peking (China/Australia/EUA, 2017)

Educar é aprender. Colocando em um liquidificador uma singela homenagem ao mundo mágico do cinema e abordando as curiosas saídas que um pai consegue encontrar para ter a guarda de seu filho, King of Peking, dirigido pelo cineasta australiano Sam Voutas é cômico e reflexivo. Sem ser tão profundo mas deixando à margem uma dezena de pontos para pensarmos sobre, se divide em duas vertentes que é a da relação entre pai e filho e as dificuldades do pai na busca de alguma saída para seus problemas aproveitando o início do que podemos chamar de entretenimento doméstico na década de 90 na China.

Nessa co-produção China, EUA e Austrália, acompanhamos a saga de Wong Pai (Jun Zhao) e Wong Filho (Wang Naixun) em busca de diversão e felicidade através das confusas ideias do primeiro. Wong Pai é projecionista e sem ter muito trabalho em um país repleto de crises, consegue um trabalho como zelador de um enorme cinema e logo em seguida tem a ‘brilhante’ ideia de piratear os filmes que são exibidos nas telonas através de gravações clandestinas espalhadas pela sala de cinema.

Exibido no Festival de Tribeca em 2017, King of Peking é quase uma mistura de alguns filmes dos Trapalhões com a fita norte-americana Rebobine, Por favor, só que consegue buscar sua luz própria no embate educacional causado pela situação do pai e toda a problemática sobre a guarda do filho. De longe, o ponto de vista mais interessante dentro do às vezes confuso roteiro.

Não é um filme para se emocionar e sim de riso fácil. Jogando os paradoxos da inconsequência para o lado cômico, o filme acaba perdendo pausas dramáticas importantes que somente os mais observadores conseguirão chegar ao ponto de reflexão.

 

Mais Outro Filho (Itália, 2020)

As eternas lições do aceitar. Escrito por Mattia Torre e dirigido por Giuseppe BonitoMais Outro FilhoFigli, no original, é um filme italiano que de maneira hilária aborda as dificuldades inesperadas de um casal apaixonado na chegada do segundo filho. Há um equilíbrio entre a comédia e o drama, além de hilárias metáforas em formas de pensamentos muito bem encaixadas que nos fazem entender melhor os personagens e seus conflitos. A paternidade, a maternidade, os medos dos pais, suas angústias e dificuldades na criação dos filhos, um ótimo filme vindo da Itália e disponível na HBO Go.

Na trama, conhecemos o casal Sara (Paola Cortellesi) e Nicola (Valerio Mastandrea) que ‘estão grávidos’ pela segunda vez. Ela uma inspetora sanitária de estabelecimentos, ele um dono de um frequentado armazém, são surpreendidos pelas dificuldades que enfrentam pois achavam que seria mais fácil que na primeira gestação. À flor da pele com as emoções, o casal começa a observar um novo mundo ao redor, inclusive outras formas de se entenderem em busca de soluções para os conflitos que muito se devem aos problemas de comunicação entre ambos.

Buscando soluções em teorias que chegam para eles quando sonham acordados, que vão desde a criação que tiveram oriunda do modo de pensar de outras gerações até conversas em sonhos com uma espécie de Deus e hilários ‘saltos para o lado de fora da janela’ quando querem sumir das discussões que os rodeiam. Exaustos emocionalmente tem ótimas cenas com a pediatra ‘guru’. O filme pode ser considerado uma grande análise sobre o universo que rodeia a mente dos pais com a chegada de uma nova criança a uma família. Várias situações eles enfrentam na tentativa de encontrarem ajuda: seja com os sogros, na busca pela babá perfeita, os conselhos dos amigos, as idas na caríssima pediatra, tudo é composto por um humor agradável que geram risos mesmo nas reflexões mais sérias.

Com ótimas sacadas, como a troca do choro por melodia do Beethoven, Mais Outro Filho é um dos bons filmes lançados em 2020 que falam sobre o universo de pais e filhos.

 

Thi Mai (Espanha, 2017)

Até aonde vai o amor de uma mãe na busca pelas concretizações dos desejos de uma filha que não está mais por perto? Escrito pela roteirista Marta Sánchez e dirigido pela cineasta Patricia Ferreira, o longa-metragem espanhol Thi Mai consegue mesclar com muita objetividade as superfícies de momentos cômicos com uma profundidade elegante para falar sobre luto e desejos não realizados. Camuflado de filme água com açúcar, o projeto é sobre a renovação de algum sentido na vida de uma mulher na terceira idade após uma perda terrível. Disponível no catálogo da Netflix.

Na trama, conhecemos a comerciante Carmen (Carmen Machi) que vive seus dias ao lado do marido Javier (Pedro Casablanc) gerenciando uma loja de materiais de construção e pequenos reparos. Certo dia, recebe a terrível notícia do falecimento da filha, que mora na capital, depois de um acidente de carro. Tentando entender os rumos do destino, acaba descobrindo que o processo de adoção que sua filha iniciou para adotar uma criança no Vietnã foi concluído e assim resolve partir para Hanói ao lado das inseparáveis amigas Rosa (Adriana Ozores) e Elvira (Aitana Sánchez-Gijón).

Há uma certa poesia acoplada na ótica da perda, do luto. O contraponto de uma nova vida depois de um trágico acontecimento em uma família acaba se tornando complementar para aliviar as dores que o destino causou. Colocando uma lupa sobre o processo de adoção internacional, onde famílias mundo à fora buscam mais a cada ano, (principalmente na figura do personagem de Eric Nguyen, Dan), entendemos os lados dessa jornada através também dos profissionais que organizam a burocracia e acompanham todo o processo.

Com direito a belas paisagens, situações a lá filmes da sessão da tarde, diálogos inusitados e pra lá de engraçados, ótimo espaço para coadjuvantes brilharem em suas respectivas subtramas, Thi Mai é uma ótima surpresa no catálogo da mais famosa rede de streamings disponível no Brasil.

10 FILMES pra começar 2026 no clima certo!

Com o ano novo pertinho, o que mais fazemos nesse período é refletir sobre como podemos nos desenvolver como seres humanos – e reflexões não faltam! Alguns filmes tem o poder de nos fazer pensar sobre a vida e as mudanças que sempre deixamos para depois. Abaixo, segue uma poderosa lista com alguns filmes que podem ajudar você a enxergar a vida com outros olhos e entrar 2026 com um ar positivo:

 

Viver (Netflix)

Na trama, conhecemos o Sr.Williams (Bill Nighy), um homem que passou toda vida no departamento de obras públicas. No dia em que recebe a notícia de que está com uma doença terminal, praticamente vê o filme de sua vida passar pelas suas memórias. Nos dias seguintes, passa a buscar novos caminhos para sua estrada, se envolvendo em novas relações interpessoais e experiências, mesmo com o pouco tempo de vida que ainda tem.

 

Desajustados (Reserva Imovision)

O solitário Fúsi (Gunnar Jónsson) leva uma vida monótona em uma cidadezinha europeia. Ele trabalha no departamento de cargas e bagagens do aeroporto de sua cidade e sofre, quase diariamente, Bullying de alguns colegas de trabalho. O protagonista mora com sua mãe e o padrasto e, certo dia, o segundo matricula Fúsi em uma aula de dança. Nesse lugar, Fúsi acaba conhecendo Sjöfn (Ilmur Kristjánsdóttir), um fato que pode ser a grande chance dele descobrir uma nova vida.

 

A Vida Secreta de Walter Mitty (Disney Plus)

Você já fez algo realmente extraordinário? Com um roteiro do sempre competente Steve Conrad, baseado em um personagem criado pelo escritor americano James Thurber – em um conto publicado na revista The New Yorker -, A Vida Secreta de Walter Mitty se propõe a ajudar o público a encontrar a verdadeira beleza do sonhar, contida dentro de todos nós.

 

Canção para Marion (Diamond Films)

O ranzinza Arthur (Terrence Stamp) vive com sua mulher Marion (Vanessa Redgrave) em uma casa simples, em um bairro afastado do grande centro. Marion possui uma doença terminal, e sua única alegria é cantar e se reunir com o coral da cidade. Arthur a acompanha em todos os ensaios, mas faz questão de ser antipático com todos. Quando Marion falece, Arthur começa a tentar se reconstruir com a ajuda de todos que conhecem sua dolorosa história.

 

O Guia da Família Perfeita (Netflix)

Dirigido pelo cineasta canadense Ricardo Trogi, O Guia da Família Perfeita é um projeto que reúne uma série de situações que vivenciamos – ou sabemos pela realidade – sobre convivência em família, principalmente nas complexas relações entre pais e filhos.

 

Eu, Capitão (Tem para aluguel em algumas plataformas)

Os primos Seydou (Seydou Sarr) e Moussa (Moustapha Fall), dois jovens senegaleses, resolvem fazer uma viagem de Dakar até a Itália em busca de seus sonhos. Só que essa jornada não será como ele imaginam: sofrem com os horrores da ganância humana e dos conflitos geopolíticos, esgotando as curtas margens de esperança, mas também encontrando pelo caminho novas formas de entender o mundo.

 

O Grande Golpe do Leste (Filmelier +)

Maren (Sandra Hüller) e Robert (Max Riemelt) formam um casal que vive os tempos de incertezas após o início da reunificação da Alemanha, meses depois da queda do Muro de Berlim. Estabelecidos em um condomínio onde outros moradores passam pelas mesmas dificuldades e sem saber o que será do futuro, um dia encontram um bunker cheio de dinheiro prestes a perder o valor. Buscando trocar esse dinheiro o mais rápido possível, embarcam numa série de aventuras para conseguir estabilidade em um mundo novo que está por vir.

 

Hector e a Procura da Felicidade (Prime Video)

Hector é um psiquiatra que leva uma vida monótona ao lado de sua namorada. Após uma sessão com uma paciente, ele desperta para seus sentimentos e emoções, embarcando em uma jornada de autodescoberta.

 

Um Pequeno Grande Plano (Filmelier +)

Na trama, conhecemos Abel (Louis Garrel) e Marianne (Laetitia Casta), um jovem casal que, após notarem o sumiço de algumas roupas e objetos pela casa, confronta o filho Joseph, de apenas 13 anos. Após esse papo, descobrem que o filho, e mais centenas de jovens de todo o mundo, estão bolando um projeto secreto para ajudar a África. Tendo isso revelado, o casal embarca em uma jornada de conflitos sobre como enxergam o mundo e o próprio casamento.

 

Às Vezes quero Sumir (MUBI)

Fran (Daisy Ridley) é uma jovem introspectiva que trabalha em um escritório numa cidadezinha norte-americana. Seu cotidiano é pacato, prefere ficar sozinha na maior parte do tempo, presa em pensamentos quase indecifráveis, mas que dizem muito sobre seu estado de espírito. Certo dia, com a chegada do novo funcionário Robert (Dave Merheje), algo desperta nela e começa a perceber que as peças para se encaixarem para algum tipo de final feliz é preciso dedicação e um querer sobrepondo medos e receios.

E aí, querido cinéfilo?! – Nossa Coluna de Entrevista | Parte 31: Jorge Nunes

A beleza do cinema é conseguir enxergar além do que os olhos conseguem captar. Falar de cinema é uma grande prova de amor ao sentimento das curiosidades que afligem esse imenso mundão que vivemos. Todo tipo de filme, de qualquer gênero, busca o importante elo em apresentar emoções ao espectador, seja ele quem for. Pensando em entender melhor as razões do porquê o cinema ser uma coisa tão rica para nossa existência como ser humano, esse eterno jovem cinéfilo que vos escreve buscou cinéfilos espalhados pelo Brasil (alguns até pelo mundo) para contar um pouquinho da trajetória cinéfila deles para vocês.

Nossa entrevistado de hoje é cinéfilo, carioca, frequentador de cabines de imprensa no RJ. Trabalhou como editor em diversos lugares além de crítico de cinema de alguns portais. Jorge Nunes, a simpatia em pessoa, nos conta um pouco de seus pensamentos cinéfilos através de nossas perguntas desse especial.

 

1) Na sua cidade, qual sua sala de cinema preferida em relação a programação? Detalhe o porquê da escolha.

Rede Cinemark, seja por já ter trabalhado nela, seja pela proximidade. A programação acho que o Estação NET Botafogo.

 

2) Qual o primeiro filme que você lembra de ter visto e pensado: Cinema é um lugar diferente?

Batman – O Retorno.

 

3) Qual seu diretor favorito e seu filme favorito dele?

Christopher Nolan – A trilogia de Batman, mas se for pra ser um filme vai o Cavaleiro das Trevas.

 

4) Qual seu filme nacional favorito e porquê?

Elis. Porque achei uma grande história, interessante, com um roteiro rico em bons diálogos e que não teve palavrão pelo que eu me lembre! Rs.

 

5) O que é ser cinéfilo para você?

É ter vontade de ver filme todo o dia senão é como se o dia não compensasse.

 

6) Você acredita que a maior parte dos cinemas que você conhece possuem programação feitas por pessoas que entendem de cinema?

Eu acredito que não.

 

7)  Algum dia as salas de cinema vão acabar?

Nunca pensei nisso, mas com essa pandemia comecei a pensar no assunto! Acho que não acaba não. Assim como existe a TV e a Internet, existe cinema e Netflix. Se complementam!

 

8) Indique um filme que você acha que muitos não viram mas é ótimo.

Mais Que Vencedores.

 

9) Você acha que as salas de cinema deveriam reabrir antes de termos uma vacina contra a covid-19?

Acho perigoso nesse momento pois a curva só aumenta. Creio que o correto é reabrir quando houver a vacina.

 

10) Como você enxerga a qualidade do cinema brasileiro atualmente?

Depois de Mais forte que o Mundo, creio que em muita coisa melhorou. São produções e produções. O forte brasileiro são as histórias, temos tido grandes roteiros.

 

11) Diga o artista brasileiro que você não perde um filme.

Por enquanto Irandhir Santos ou Júlio Andrade.

 

12) Defina cinema com uma frase.

Cinema é uma paixão cheia de definição (pixels) kkkk.

 

13) Conte uma história inusitada que você presenciou numa sala de cinema.

Não consigo me lembrar de nenhuma kkk.

 

14) Defina ‘Cinderela Baiana’ em poucas palavras…

É como um belo vestido cheio de camadas em rodelas para enaltecer o quanto a baiana roda! Rs.

 

15) Muitos diretores de cinema não são cinéfilos. Você acha que para dirigir um filme um cineasta precisa ser cinéfilo?

O ideal é que fosse, mas sabemos que nem sempre é assim! Cinema é cultura. Quanto mais ele vê, mais know how ele tem pra criar!

10 FILMES pra assistir enquanto você aceita que perdeu o controle da própria agenda!

Há semanas que são realmente complexas, e quase tudo o que organizamos não saem conforme o planejado. A melhor coisa nessas horas, é se desligar do mundo, ligar a televisão e assistir a um bom filme em algum streaming. Para você que está enfrentando essa situação, seguem abaixo algumas ótimas dicas:

 

Uma Boa Pessoa (Prime Video)

Allison (Florence Pugh) é uma mulher de 26 anos que está em um momento muito feliz, prestes a se casar com o grande amor de sua vida. Só que um dia, uma tragédia acontece. Tentando seguir em frente, meses após o ocorrido, seu destino novamente se cruza com o do seu ex-sogro, Daniel (Morgan Freeman), um ex-policial e também ex-alcoólatra. Ambos vão buscar curar feridas do passado.

 

Rudderless (Prime Video)

Sam é um pai de família que vive intensamente o seu cotidiano. Certo dia, uma grande tragédia acontece e muda completamente sua vida. Dois anos depois, sem muitas pretensões na vida, Sam recebe de sua ex-esposa uma caixa com alguns pertences do filho. Isso o faz despertar para um elo esquecido que eles tinham: a música. Ainda preso aos pensamentos doloridos do passado, Sam embarca em uma jornada e decide criar uma banda.

 

Assassino por Acaso (Tem para aluguel em algumas plataformas)

Gary Johnson é um professor universitário pacato e tímido que, durante a outra parte de seu dia, trabalha para a polícia, tornando-se um habilidoso traçador de perfis, com autoestima elevada para o convencimento na criação de outras versões de si mesmo. Se fazendo de matador de mentira, com o objetivo de prender quem o procura, ele acaba se envolvendo com uma cliente – fato que o faz balançar na linha tênue entre a lei e a criminalidade.

 

Morte no Funeral (Prime Video)

Lançado em 2007, esse longa-metragem britânico dirigido pelo cineasta Frank Oz nos mostra surpreendentes revelações de alguns integrantes de uma família que se reúne para um funeral.

 

Pecados Antigos, Longas Sombras (Cindie)

Na trama, acompanhamos a saga de dois detetives de Madri, Juan (Javier Gutiérrez) e Pedro (Raúl Arévalo), com ideias, personalidades e ações sob pressão completamente diferentes. Eles são enviados a um pequeno povoado para resolver um caso intrigante de desaparecimento.

 

O Cidadão Ilustre (HBO MAX)

Na trama, conhecemos o rabugento escritor argentino Daniel Mantovani (Oscar Martínez), que ganhou recentemente o grande prêmio Nobel de Literatura. Certo dia, recebe um convite da prefeitura de sua cidade natal, Salas, na Argentina, para ser homenageado. Depois de muito pensar, acaba aceitando o convite e embarca em uma jornada alucinante onde colocará em prova tudo o que representa para os habitantes do local e alguns velhos conhecidos.

 

A Acusada (Prime Video)

Lucia de Berk (Ariane Schluter) é condenada à prisão perpétua pela morte de sete pacientes. Ao longo da trama, vamos descobrindo segredos sobre o controverso processo de acusação feito pela promotoria, apenas baseado em dados estatísticos contra a ré. Sempre alegando ser inocente e sendo tratada como uma das maiores assassinas da história da Holanda, Lucia de Berk precisou enfrentar a desconfiança de quase todos para poder provar sua inocência.

 

Saturday Night: A Noite Que Mudou a Comédia (HBO MAX)

Trazendo algumas curiosidades sobre os desenrolares do primeiro episódio de um dos programas televisivos, ao vivo, mais longevos da história, Saturday Night: A Noite Que Mudou a Comédia, com seu ritmo frenético nos leva por uma viagem pelo universo da comédia.

 

How to Have a Sex (MUBI)

Na trama, conhecemos três adolescentes britânicas que embarcam em uma viagem para Mália, na Grécia, um lugar paradisíaco. Só que uma delas, Tara (Mia McKenna-Bruce), começa aos poucos a perceber que a alegria e as descobertas que esperava se transformam em um enorme pesadelo, marcado por uma situação de violência que levará por toda a vida.

 

Veja por Mim (Prime Video)

A ex-esquiadora Sophie é uma jovem que, após algumas conquistas na carreira promissora acabou ficando cega. Essa nova condição a levou a uma certa rebeldia, chegando ao ponto de inconsequentes roubos. Um dia, após aceitar um trabalho, acaba se tornando refém de uma situação inusitada quando ladrões invadem a casa em que está. Sem saber direito o que está acontecendo, ela consegue fazer uma chamada por meio de um aplicativo, conhecendo assim Kelly, uma veterana do exército, que a ajuda a encontrar soluções para que a noite não termine em uma grande tragédia.

Crítica | Raia 4 – Longa nacional mostra as mensagens que o silêncio traz

Exibido em diversos festivais de cinema pelo mundo, como 35º Festival Internacional de Cinema de Santa Barbara (EUA), o 41º Festival de Havana (Cuba), a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o Festival Internacional do Rio e vencedor do prêmio da crítica no Festival de Gramado, Raia 4 possui uma narrativa lenta, perto da amargura, de paralelos com o psicológico, que busca em suas imagens e movimentos revelar o caos emocional de uma jovem, de família de classe média alta do sul do país,  perto de completar 13 anos entre as competições semi-profissionais de natação que participa e as descobertas das primeiras fases da adolescência. Escrito e dirigido por Emiliano Cunha.

Na trama, acompanhamos o dia a dia de Amanda (Brídia Moni), uma jovem que está passando por uma turbulenta fase emocional e divide seu tempo em suas novas descobertas e seu ritmo acelerado de competição na equipe de natação de sua cidade. Em casa, seu relacionamento com os pais é um pouco conturbado, tendo imenso carinho pelo pai e uma certa distância da mãe. Ambos são médicos e vivem sempre com suas agendas lotadas de compromissos. Amanda fica mais embaralhada no pensar com a existência de uma linha tênue entre algum sentimento confuso e a competição na relação com a amiga de treinos Priscila (Kethelen Guadagnini).

Tecnicamente é um filme muito interessante, as metáforas aquáticas, seus movimentos, luzes, mostram uma aflição em crescente com o que podemos fazer um paralelo com a mente da protagonista, completamente confusa nas suas interpretações sobre as escolhas que lhe aparecem. Introspectiva, de poucas palavras, parece não saber lidar direito com suas fases de vida, como a primeira menstruação, o primeiro beijo, a competição. A cada nova saída da água (seu lugar de refúgio), a ansiedade e as cobranças de uma jovem atleta chegam por todos os lados, gerando um caótico recorte emocional que determina as ações, inclusive, do desfecho marcante.

A produção chega aos cinemas em 06 de maio, e em plataformas digitais (NOW, Google Play, Apple Tv, iTunes e Youtube Filmes) no dia 20/05.

Sem sair de casa: 10 filmes com indicações ao Globo de Ouro 2026 já disponíveis no streaming

O Globo de Ouro 2026 foi mais um evento em que nós, brasileiros, vibramos muito! O Agente Secreto levou dois importantes prêmios – Melhor Filme em Língua Estrangeira e Melhor Ator Drama (Wagner Moura) – e fez o nosso público comemorar intensamente pelas redes sociais! Nessa premiação, muitos outros interessantes filmes estavam com indicações, alguns dos quais já estão disponíveis pelos streamings. Abaixo, segue uma lista com algumas dessas obras que você já pode conferir sem sair de casa:

 

Pecadores (HBO MAX)

Dois irmãos gêmeos retornam à cidade natal na tentativa de escapar de um passado ligado à máfia de Chicago, mas logo se veem de frente com forças aterrorizantes.

 

Uma Batalha após a Outra (HBO MAX)

Um homem que vive isolado com a filha é obrigado a reunir forças quando, após 16 anos, precisa encarar de frente o passado como ex-revolucionário, embarcando em uma jornada na qual precisará de toda a ajuda possível para reencontrá-la.

 

Sonhos de Trem (Netflix)

Nesse belíssimo filme, acompanhamos a trajetória de vida de um humilde lenhador, marcada por acontecimentos impactantes, que transitam entre os lapsos de felicidade e as perdas.

 

Depois da Caçada (Prime Video)

Alma (Julia Roberts) é uma professora renomada da prestigiada universidade de Yale. Casada com Frederick (Michael Stuhlbarg), ela trabalha há anos para ganhar a titularidade e reconhecimento do seu trabalho. Quando Maggie (Ayo Edebiri), uma aluna de doutorado, faz uma acusação contra Hank (Andrew Garfield), outro professor da instituição, Alma se vê perdida em dilemas trazendo à tona um segredo do passado que transforma seu presente num mar de instabilidades emocionais.

 

Jay Kelly (Netflix)

Na trama, acompanhamos um ator mundialmente famoso que, durante uma viagem pela Europa, mergulha em profundas reflexões sobre a vida e sua própria existência. Paralelamente, seu empresário — e amigo próximo — também se vê confrontado por dilemas existenciais.

 

Casa de Dinamite (Netflix)

Contornando a possibilidade de os Estados Unidos ser atingindo em cheio – e de forma inesperada – por um míssil nuclear, acompanhamos através de muitas perspectivas, os dilemas de autoridades em busca de soluções.

 

F1 (Apple Tv)

Na trama, acompanhamos a história de dois pilotos de uma equipe de Fórmula 1. Um deles é um jovem e talentoso piloto; o outro, experiente e marcado por traumas no passado. Juntos, eles buscam encontrar uma fórmula de sucesso para conseguir vencer como equipe.

 

Frankenstein (Netflix)

Basicamente dividido em duas partes, conhecemos Victor (Oscar Isaac) – com uma leve passagem por seu passado – e seu presente já como um cientista determinado a provar que é possível trazer alguém de volta à vida. Esse feito se concretiza com a criação de uma criatura (Jacob Elordi) que vai modificar seu destino para sempre. Nessa relação de amor e ódio, relações se invertem, o criador e criatura embarcam em jornadas dolorosas em busca de um sentido para a própria existência.

 

A Hora do Mal (HBO MAX)

Em uma certa madrugada, quase toda uma turma de jovens estudantes desaparece sem deixar rastros. A professora dessa turma passa a sofrer represálias e é colocada como grande culpada. Aos poucos, algumas respostas vão aparecendo.

 

Missão: Impossível – O Acerto Final (Paramount Plus)

Em mais um capítulo de uma das franquias de maior sucesso da história do cinema, no blockbuster Missão: Impossível – O Acerto Final voltamos a acompanhar Ethan Hunt em mais uma aventura.

Crítica | Amor, Casamentos & Outros Desastres – Uma Sessão da Tarde mal feita

Quando um arquétipo de filme romântico naufraga em uma comédia de erros. Dirigido por Dennis Dugan (Gente Grande, Cada um tem a Gêmea que Merece), Amor, Casamentos & Outros Desastres apresenta ao espectador uma receita de bolo que já vimos antes. Uma Sessão da Tarde mal feita, com estereótipos sonolentos, desinteressantes, que causam zero reflexão dentro de um roteiro repleto de recortes de algumas situações que fogem do verossímil sem buscar um pingo de profundidade. Narrativa acelerada, rasa, com clichês jogados aos montes dentro de um filme que sabemos 90% como termina desde o início.

Na trama conhecemos uma série de personagens que se encontram em um ponto de interseção, um casamento. Um homem, que é irmão do futuro prefeito, dentro de um reality show que vale um milhão de dólares; uma organizadora de casamentos enrolada que teve um vídeo viralizado com seu ex-namorado famoso; um senhor solitário, ranzinza que trabalha com casamentos acaba conhecendo por meio de amigos uma mulher cega que mexe com suas emoções; um jovem guia turístico que à bordo do seu ônibus busca o seu grande amor que viu apenas uma vez vida; um músico com conflitos com seu melhor amigo encontra o amor em uma jovem atrapalhada. Assim, essas almas buscarão encontrar seus destinos que envolve amor e outros desastres.

Há uma tentativa de se fazer comédia refletindo sobre relacionamentos mas acaba sendo muitas informações jogadas com pouco desenvolvimento. Falta carisma, se atrapalham na desinteressante tentativa de criarem comédia com tudo que aparece pela frente chegando nas partes dramáticas sem força em cena. Impressionante como Jeremy Irons e Diane Keaton são muito mal aproveitados dentro de uma subtrama que merecia mais delicadeza no seu narrar.

A trilha sonora é aquela questão que você acerta quando erra a prova toda, consegue se safar mesmo que muito mal encaixada flutuando em formato de transição entre as cenas. Deixando um rastro de desinteresse pelo caminho, nos perguntamos a todo instante: que horas vai acabar esse filme? Dia 20 de maio você poderá conferir nos cinemas.

Lágrimas, dor, silêncio e impacto: 10 filmes de drama que nunca esqueceremos!

Há filmes que possuem uma força impressionante ao conseguir alcançar camadas profundas de personagens em conflito, jogando nós expectadores em gangorras emocionais que apresentam a dor de inúmeras formas. Muitas dessas obras exploram a questão humana de forma tão cirúrgica que se logo se tornam inesquecíveis. Para você que curte um ótimo filme de drama, deixamos abaixo uma poderosa lista que você precisa conferir:

 

Foi Apenas um Acidente (Atualmente em cartaz nos cinemas)

Após um incidente na estrada, um homem e sua família precisam de ajuda com o carro. O que parecia uma situação comum toma outros rumos quando ele é reconhecido por alguém que o identifica como seu antigo torturador.

 

Valor Sentimental (Atualmente em cartaz nos cinemas)

Um diretor de cinema, com mantém uma relação distante e estremecida com as duas filhas, está prestes a iniciar seu novo filme e oferece o papel principal a uma delas. Diante da recusa, ele convida uma famosa atriz norte-americana para o projeto. Aos poucos, vamos compreendendo a complexa dinâmica familiar que se forma, marcada por sentimentos conflitantes de todos os lados.

 

Pollock

Dirigido e protagonizado por Ed Harris, o drama Pollock nos mostra recortes da vida do pintor norte-americano Jackson Pollock, com seus dramas que se alinhavam com sua genialidade.

 

Sonhos (Tem para aluguel em algumas plataformas)

Uma mulher da alta sociedade norte-americana (Jessica Chastain), diretora de uma fundação de renome, se apaixona perdidamente por um bailarino mexicano (Isaac Hernández) que está ilegalmente nos Estados Unidos. Ao longo desse relacionamento, que se mostra conflituoso, situações vão colocando os personagens em dilemas, até o último suspiro dessa relação.

 

Setembro 5 (Netflix)

Inspirado em acontecimentos reais, esse filme acompanha a perspectiva de uma equipe de TV de uma grande emissora dos Estados Unidos que, em meio à cobertura das Olimpíadas de Munique, se vê diante de um sequestro marcado por um desfecho trágico.

 

Esperando Bojangles (Tem para aluguel em algumas plataformas)

Georges é um contador de histórias, meio malandro. Durante uma festa, que chegou de penetra, acaba conhecendo a bela Camille (Virginie Efira), por quem logo se apaixona e tem um filho. O cotidiano deles é repleto de festas, contas sem pagar, vivendo em um universo de fantasia que acaba passando para seu filho. Em certo momento, Camille começa a apresentar sinais de que não quer, nem consegue, acessar o cotidiano e a realidade que se apresenta.

 

Sonhos de Trem (Netflix)

Nesse belíssimo filme, acompanhamos a trajetória de vida de um humilde lenhador, marcada por acontecimentos impactantes, que transitam entre os lapsos de felicidade e as perdas.

 

O Campeão (Tem para aluguel em algumas plataformas)

Billy (Jon Voight) é um ex-boxeador, perto dos 40 anos, que despencou no auge da carreira, dominado pelos vícios em jogos e bebida. Ele é pai do pequeno T.J (Ricky Schroder), um garoto de oito anos. Quando Annie (Faye Dunaway), a mãe do garoto, reaparece na vida dos dois após quase uma década sem contato, novos conflitos surgem, paralelamente a uma nova oportunidade para Billy: uma luta que pode trazer seus dias de glórias de volta.

 

Um Filho (Prime Video)

Na trama, ambientada na cidade de Nova York, conhecemos Peter (Hugh Jackman), um homem com enorme sucesso na sua vida profissional, que se tornou pai novamente faz pouco tempo e mantém um relacionamento estável com a nova esposa, Beth (Vanessa Kirby). Toda sua rotina muda completamente quando Kate (Laura Dern), sua ex-esposa, o avisa que o filho adolescente deles, Nicholas (Zen McGrath), está passando por uma fase difícil e precisa do pai. Assim, Nicholas passa a morar com ele, e a relação entre os dois atravessa diversos conflitos, afetando em todas as esferas a vida de Peter.

 

Nas Profundezas do mar Sem Fim

Na trama, uma mãe e sua família são completamente afetados por uma tragédia: o desaparecimento de um filho. Anos mais tarde, depois de uma descoberta, precisarão enfrentar novamente esse trauma.

Crítica | Saída à Francesa – A mesmice de uma vida de aparências

Lançado diretamente nas plataformas digitais, Saída à Francesa possui uma narrativa peculiar, um ritmo dosado, lento, como se não conseguisse sair do lugar. A questão do não desenvolvimento da vida está preso às ações dos personagens que beiram a uma ingenuidade quase forçada dentro de uma essência egoísta e inconsequente. Dirigido por Azazel Jacobs, com roteiro de Patrick DeWitt (baseado no livro homônimo do mesmo), o projeto pode ser visto até mesmo como uma grande sessão de terapia, como se os problemas aparecessem em nossa frente personificados pelos complexos personagens que circulam o cotidiano da protagonista interpretada pela sempre ótima Michelle Pfeiffer.

Na trama, conhecemos Frances (Michelle Pfeiffer), uma socialite norte-americana (a indiferença em pessoa) que por anos torrou toda a fortuna que herdou do seu casamento com o ex-marido que faleceu. Ela vive com o único filho, Malcolm (Lucas Hedges), um rapaz tímido e com pouca interação social. Certo dia, avisado por seu contador, Frances percebe que o dinheiro acabou e sua única saída, e mesmo assim ajudada por uma amiga, é se mudar para um pequeno apartamento em Paris para viver os últimos dias de sua vida confortável.

Indicado ao Globo de Ouro na categoria Melhor Atriz, o filme gira totalmente em torno de sua protagonista. Jacobs busca detalhes e a tal da profundidade em temas emocionais complicados de serem mostrados aliados à comodidade, conversas com o além, uma reunião pra lá de terapêutica, em muitos momentos parece mesmo que estamos na plateia de uma peça de teatro. Pelas ruas de uma França moderna, lembranças despretensiosas, situações que constatam o fim da linha, a chegada do extremo, tudo isso acoplado em uma charmosa trilha sonora que merece destaque.

À beira do precipício, quando não enxerga mais a própria moral, a personagem principal entra em uma intensa desconstrução (de alguma forma, o limitado filho também) e chegar até esse clímax é uma estrada morosa mas de certo brilho pelo impacto da atuação de Michelle Pfeiffer, ela em cena consegue sugar a atenção de todos, dominando completamente uma personagem interpretativa e cheia de ambiguidade.

10 SÉRIES INTENSAS que fazem o BIG BROTHER parecer terapia de grupo

Um dos mais conhecidos ambientes de pressão emocional, exibido todo mês de janeiro – e os alguns meses que se seguem – há mais de duas décadas, o Big Brother Brasil é um dos programas mais conhecidos de todo o planeta. Esse fenômeno de audiência gera burburinho por todos os lugares, nos deixando de frente com conflitos emocionais, brigas e algumas reflexões ao longo do confinamento.

Mas, acredite: o mundo dos seriados tem projetos psicologicamente tão intensos – e alguns até desconfortáveis – que fazem o Big Brother parecer algo bem leve em comparação. Para você que quer descobrir algumas dessas séries, segue abaixo uma lista:

 

Succession (HBO MAX)

Uma das sensações no universo das séries dos últimos tempos, Succession é um poderoso drama que nos mostra os bastidores de uma família bilionária e as confusões que eles se metem por conta da ganância incentivada por um pai nada carinhoso.

 

Yellowstone (Paramount Plus)

Nesse resgate do faroeste em versão moderna, acompanhamos a família Dutton, liderado por John (Kevin Costner) um ex-homem da lei que comanda um dos maiores ranchos do mundo, situado no estado norte-americano de Montana.

 

Dois Verões (Bélgica)

Um crime e as interpretações da impunidade. Essa minissérie belga, busca em seus intensos seis episódios nos mostrar os desenrolares, ao longo de décadas de uma linha temporal, sobre um crime cometido por um grupo de amigos que se reúnem tempos mais tarde onde as verdades são jogadas na mesa.

 

Modern Family (Disney Plus)

Focando no cotidiano, repleto de conflitos, de uma família norte-americana, essa dramédia foi um enorme sucesso ao longo de suas 11 temporadas.

 

A Namorada Ideal (Prime Video)

Cherry (Olivia Cooke) é uma corretora de imóveis em busca de dias melhores para sua vida repleta de limitações. Ao conhecer Danny (Laurie Davidson), um médico recém-formado e filho único de uma família rica, a felicidade parece bater novamente em sua porta. A questão é que a mãe do novo amor, Laura (Robin Wright) – uma elegante dona de galerias de arte -,   começa a desconfiar dela, levando essa história para uma série de conflitos brutais.

 

Mentirosos (Prime Video)

Depois que um acidente muda completamente a vida de uma jovem herdeira de uma família milionária, vários segredos começam a surgir sobre tudo e todos ao redor. Baseado num livro de sucesso da escritora nova iorquina E. Lockhart.

 

Estado de Fúria (HBO MAX)

Trazendo uma série de situações conflituosas vividas por algumas mulheres em seus cotidianos – que acabam se entrelaçando -, o seriado Estado de Fúria é daquelas obras que você ri e fica chocado na mesma medida.

 

Terra da Máfia (Paramount Plus)

Conrad Harrigan (Pierce Brosnan) é um temido mafioso, casado com a enigmática Maeve (Helen Mirren), que comanda os negócios da família em Londres. Seu eterno inimigo é Richie Stevenson (Geoff Bell), com quem nunca se deu bem e divide o poder na cidade. Quando o filho de Richie é assassinado de forma violenta, um banho de sangue vira algo iminente e as atenções se voltam para a família Harrigan. Nesse momento, entra em cena Harry da Souza (Tom Hardy) um resolvedor de problemas e leal aos Harrigans.

 

Gilmore Girls (Netflix)

Os dramas e conflitos de uma mãe e uma filha que moram em uma cidadezinha dos Estados Unidos contornam a essência de Gilmore Girls. Protagonizado por Lauren Graham e Alexis Bledel, o seriado estreou no ano de 2000 e teve sete temporada – além de alguns episódios especiais que estrearam há pouco tempo na Netflix.

 

A Sete Palmos (HBO MAX)

Indicada a mais de 50 emmys, Six Feet Under – no título original – conta as histórias de uma família que administra uma funerária. É o primeiro trabalho de destaque do ator Michael C. Hall, que anos mais tarde seria o protagonista do aclamado seriado Dexter.

Crítica | Shiva Baby – Quando o trágico encontra seu equilíbrio no cômico

Disponível na plataforma MUBI, Shiva Baby nos mostra segredos, famílias, mentiras. Todo tipo de drama se afunila no campo das surpresas, em encontros quase inimagináveis, além de situações mal resolvidas em um passado recente de uma jovem em grandes conflitos quando resolve ir com os pais a uma reunião tradicional após um funeral, parte da tradição judia. O confronto com seu modo de viver, do qual foi criada, essas tradições de sua família judia, vira rebeldia e parece que acompanhamos o clímax, da primeira cena até os acontecimentos dentro de um leque de situações constrangedoras que se juntam aos montes somadas a um eminente insucesso nas suas tentativas já frustradas de liberdade sem limites. Um grande filme, escrito e dirigido pela cineasta Emma Seligman, um dos melhores disponíveis pelos streamings aqui no Brasil.

Na trama, conhecemos Danielle (Rachel Sennott), uma jovem que se prostitui sem que seus pais saibam de nada. Um dia, resolve acompanhar os pais (que a bancam desde sempre), a um pós funeral de uma amiga da família judia que pertence. Nesse dia, que é uma reunião em uma casa, acaba encontrando antigos amores, conflitos com seus pais por conta dos seus objetivos na vida, desconfiados olhares de conhecidos e uma surpresa ligada à sua vida na prostituição. Prestes a chegar a um ataque emocional, vamos descobrindo todas as fraquezas e inconsequências que acompanham a complexa protagonista. Lembra um pouco, mesmo com inúmeras diferenças, a também ótima comédia britânica Morte no Funeral.

Parece que estamos olhando pelo buraco da fechadura no campo das emoções da protagonista, um mérito de um afiado roteiro e uma lente detalhista de Seligman. Há também um equilíbrio entre o trágico e o cômico. A protagonista busca sua liberdade ser alguém à frente do seu tempo. Mas comete o erro, fruto de sua imaturidade, de não buscar desenvolver alternativas para suas inconsequências, como se estivesse em órbita somente com seus impulsos esquecendo dos complementos vitais para um equilíbrio de felicidade e dedicação.

Iminentes conflitos, um peso na consciência, buscando no desespero de se sobressair, almejando uma perfeição por meio de mentiras, elementos que obviamente levarão a personagem a um limite emocional, quase um divisor de águas sobre sua vida. Há uma busca de reconhecimento de seus pais mas envolvida em muitas mentiras e foco descontrolado sobre o que quer da vida, fora a mordaça imaginária que se coloca que fica evidente quando se vê sem saída sobre como resolver todas as situações que estão em descontroles na sua frente. Shiva Baby apresenta um complexo cenário sobre abalos emocionais, reunidos com um certo clima de tensão, um filme que todo psicólogo deveria assistir, além de todos que amam uma boa história, um bom cinema. Bravo!

Crítica | ‘Gilson de Souza – Na Corda Bamba’ – Uma história que precisava ser contada [Mostra de Cinema de Tiradentes]

Com um recheio generoso de inesquecíveis canções, que buscam o complemento para uma atmosfera introspectiva de um lutador que, em muitos sentidos, buscou seu lugar no mundo por meio de sua arte, o curta-metragem Gilson de Souza – Na Corda Bamba brinda o espectador com uma história que precisava ser contada, mesclando documentário e ficção.

Dirigido por Brunno Alexandre, o projeto apresenta um curto recorte da vida de Gilson de Souza: de pugilista da categoria meio-pesados à sambista, autor de ‘Orgulho de um sambista’ e ‘Poxa’. Falecido há quatro anos, no dia do próprio aniversário, aos 78 anos, percorremos algumas de suas estradas da vida, com início no interior de São Paulo, na década de 1960, perto do começo da ditadura no Brasil. Nesse momento chave de sua trajetória, vemos um homem em conflito entre o esporte e a música, duas paixões de sua vida.

Ressaltando silêncios e provocando atemporalidade por meio da estética de uma fotografia em preto e branco, além de umas brincadeiras com a linguagem de forma a causar impacto estético e contribuir com o ritmo e a imersão da narrativa, esse filme de 10 minutinhos acerta no alvo ao resgatar a memória de uma rica trajetória e transformá-la em registro.

Selecionado para a Mostra de Cinema de Tiradentes 2026, Gilson de Souza – Na Corda Bamba nos leva para um passeio por meio de uma realidade subjetiva, na qual sensações e pensamentos conflitantes se tornam expressões das mais diversas emoções.

Crítica | Rumo – A genialidade das reflexivas declamações musicais

O que é a palavra dentro da canção? No início da década de 80, a ditadura emergia e as produções musicais em SP, origem do grupo que vamos conhecer ou redescobrir nesse documentário, se encontravam nos porões do teatro Lira Paulistana. Com Músicas declamadas, Poesias sociais, reflexivas, sobre a vida e momentos de muitas estradas, o grupo Rumo começava a surgir. Por meio de depoimentos dos integrantes, as histórias, as ideias, o início, vamos conhecendo melhor esses sonhadores, quase teóricos, da música brasileira. Interessante documentário dirigido pela dupla de cineastas Flavio Frederico e Mariana Pamplona.

O projeto tem vários méritos, navega por assuntos importantes dentro de um cenário musical concorrido em uma época que tocar nas rádios era uma vantagem, inclusive com uma análise bem profunda sobre essa questão. Havia uma falta de espaço nessas mesmas rádios, dominadas pelas táticas comerciais das gravadoras e para um grupo tão inovador em sua proposta como o Rumo, o início da produção independente acabara sendo um caminho preponderante em sua jornada mesmo que isso não significasse viver 100% da música para sobreviver. Um grupo sem fins lucrativos? Eles buscavam viver de uma maneira livre mas ou menos um paralelo com suas músicas, sem tom fixo, buscando quase o elemento na canção que caracterizava a linguagem. Talvez por não terem o lucro como o foco principal, o agradar, tinham uma liberdade artística caminhando em cima da teoria e evolução da música brasileira.

O início do grupo é bem explicado, com divertidos depoimentos de seus integrantes, quase todos vivos até hoje. De peculiar, um exemplo são os debates sobre as canções, após inesquecíveis shows na FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo), no início da carreira. De vez em quando buscavam simetrias em canções de outros, como em uma música de Noel Rosa inclusive. Esse documentário é quase um grande aulão sobre o cenário da música brasileira em décadas passadas e mais profundamente de maneira simples e explicativa navegamos pelos fundamentos da linguagem da música popular, até da arte teatral, aliada a um humor que fazia um elo com os sambas dos anos 30. Muito prazer Rumo, gostei de conhecer você. O documentário tem lançamento nacional em 01 de julho.

10 Séries na HBO MAX que vão roubar sua noite!

Para você que tem um vício incontrolável por séries, a HBO MAX é quase um parque de diversão! Com um catálogo de qualidade, com ótimos seriados – atuais e do passado -, esse streaming oferece ao público poderosas histórias, capazes de nos fazer maratonar episódios durante dias. Para você que está procurando sua próxima série nesse streaming, dê uma olhada nas sugestões abaixo:

 

C.B. Strike

Tendo como protagonista um ex-veterano de guerra com um enorme trauma, imerso numa bolha de melancolia tendo à sua disposição apenas o seu modo de pensar limitado aos aspectos negativos de cada situação que aparecem em seu caminho, C. B. Strike – baseado nas obras assinadas por Robert Galbraith, pseudônimo da criadora do universo de Harry Potter, a escritora britânica JK Rowling – é um seriado que vai se construindo aos poucos, sempre nos complementares contrapontos de seus personagens intrigantes.

 

The Pitt

Logo no primeiro dia de um grupo de novos residentes em um hospital escola de Pittsburgh – conhecido como The Pitt – uma série de complicadas situações se mostram à disposição de novas e experientes pessoas que escolheram a medicina como ofício. Ao longo de 15 horas, acompanharemos as batalhas morais e escolhas difíceis de homens e mulheres que podem ser a última barreira entre a vida e a morte.

 

Entourage

Ao longo de oito temporadas, conhecemos Vince, um jovem ator que se torna um badalado artista em Hollywood. Vivendo fases de altos e baixos na carreira, está sempre cercado dos amigos de infância e do indecifrável Ari Gold (seu agente).

 

Efeitos Colaterais

Marshall dedica sua vida a suas pesquisas. Um dia, pelas florestas peruanas, encontra um cogumelo azul que logo se mostra como um poderoso remédio contra qualquer coisa. Observado de perto por agentes enviados por pessoas que não querem que esse cogumelo vire de conhecimento público, Marshall precisará encontrar soluções para sobreviver tendo a ajuda apenas de uma ex-amiga dos tempos de colégio.

 

Task

Um ex-padre, que se tornou agente do FBI, precisa liderar uma força tarefa designada para investigar uma série de roubos e acontecimentos violentos. Por diversas perspectivas, vamos acompanhando essa história rumo a um final de temporada de tirar o fôlego.

 

Barry

Na trama, acompanhamos um assassino profissional depressivo chamado Barry (Bill Hader), que mora no meio-oeste norte-americano. Quando é chamado para um serviço em Los Angeles, acaba parando em uma aula de teatro, fato que o faz repensar muito sobre seu momento e sua vida como um todo. Agora, buscando o equilíbrio entre sua profissão arriscada e o novo mundo que aparece em sua frente, Barry passará por enormes conflitos emocionais em busca de dias melhores.

 

Estado de Fúria

Trazendo uma série de situações conflituosas vividas por algumas mulheres em seus cotidianos – que acabam se entrelaçando -, o seriado Estado de Fúria é daquelas obras que você ri e fica chocado na mesma medida.

 

A Sete Palmos

Indicada a mais de 50 emmys, Six Feet Under – no título original – conta as histórias de uma família que administra uma funerária. É o primeiro trabalho de destaque do ator Michael C. Hall, que anos mais tarde seria o protagonista do aclamado seriado Dexter.

 

Os Sopranos

Um dos seriados de maior sucesso da história, nos mostra a trajetória de um poderoso mafioso que, entre seu cotidiano cheio de decisões nos negócios e os problemas na parte familiar, resolve procurar ajuda de uma psicóloga.

 

O Cavaleiro dos Sete Reinos

Ambientada 100 anos antes de tudo que acontece em Game of Thrones, este novo seriado da HBO MAX apresenta a história de Duncan, o Alto, um cavaleiro que, acaba conhecendo por acaso um futuro grande amigo — e também seu escudeiro: Egg.