O Oscar é a maior celebração da sétima arte. A cada ano que passa, ganhamos mais e mais prêmios celebrando o melhor do cinema – e também alguns apontando os piores (na forma de uma grande brincadeira). Conforme o tempo passa e as coisas mudam, algumas premiações vão ganhando mais prestígio – os prêmios dos Sindicatos, como o SAG – e outros vão perdendo seu prestígio devido a escândalos, vide o Globo de Ouro. Porém, uma coisa permanece imutável: o Oscar é a maior honraria almejada por qualquer um que trabalhe com cinema. Tradição para isso o evento possui, já que este ano celebraremos a edição de número 95.
É verdade que ser um ator, um profissional ou um filme indicado ao Oscar, ou ainda melhor, vencedor, eleva o status num mercado competitivo como o de Hollywood. No entanto, nem sempre nomeações ao maior prêmio do cinema caminha lado a lado com a popularidade e o estrelato. É verdade que o Oscar já mudou a vida de muito ator, assim como elevou o prestígio de muitos filmes, mas existem também aquelas produções que mesmo com toda a badalação na época de prêmios, indicações e até vitórias no Oscar, terminam rapidamente caindo no anonimato e saindo da boca e da mente do público – o pior castigo para qualquer obra de arte. É justamente este o foco desta nova matéria, que aponta 10 filmes recentes indicados ao Oscar, que quase ninguém mais fala hoje. Confira.

Começamos com o filme mais recente da lista, tendo participado do Oscar 2016. A jovem estrela Saoirse Ronan tem 28 anos e já coleciona nada menos que 4 indicações ao Oscar. As duas últimas foram por dramas ainda bastante falados: ‘Adoráveis Mulheres’ (2020) e ‘Ladybird’ (2018). Mas sua terceira nomeação ocorreu por um filme que quase ninguém viu e a outra metade não lembra – fazendo de ‘Brooklyn’ um filme esquecido. Escrito por Nick Hornby (‘Um Grande Garoto’) e dirigido por John Crowley (‘O Pintassilgo’), o filme conta sobre uma jovem imigrante irlandesa indo para os EUA nos anos 1950 em busca de uma vida melhor, e se vendo dividida entre os dois lugares. Um drama emocionante.

Outro drama doce e leve, recomendado para toda a família. Ao que parece este tipo de filme não permanece muito na cabeça dos cinéfilos, já que são suaves como brisas passageiras. Esse aqui é protagonizado pelo tesouro mundial, a Dama Judi Dench. Pelo filme, a lendária estrela conquistou sua sétima e penúltima indicação até o momento, sendo a última por ‘Belfast’. Aqui temos a história de uma mulher que precisou abrir mão de seu filho, ao ser colocada num convento na juventude. Muitos anos mais tarde, já na terceira idade, ela contará com a ajuda de um jornalista para encontrar seu filho.

Na época, a indicação do independente ‘Indomável Sonhadora’ foi recebida com muita alegria pelos cinéfilos que tiveram a oportunidade de conferi-lo em festivais. O filme é uma produção pequena, mas muito humana, que fala sobre uma menininha vivendo com seu pai de forma precária nos pântanos da Louisiana. Após a interferência do clima instável e das constantes tempestades, a opção deles e de outras famílias é serem levados a abrigos, ou arriscarem a própria vida. O filme marcou pela indicação da atriz mais jovem no Oscar até hoje, Quvenzhané Wallis, então com 9 anos de idade. Hoje, porém, poucos comentam sobre o filme.

É incrível como um filme protagonizado pela dupla de peso formado pelos astros Sandra Bullock e Tom Hanks (em sua primeira e única parceria nas telas até o momento), tenha marcado tão pouco na mente dos fãs. Verdade seja dita, quem protagoniza o longa é o menino Thomas Horn – que depois seguiu para… bem, não fez mais nada de relevante e parou sua carreira em 2016. Bullock e Hanks apenas coadjuvam. Em especial Hanks, aparece em poucas cenas, já que a trama diz que ele morreu nos atentados de 11 de setembro, ficando em cena apenas para os flashbacks. Seu filho busca por pistas deixadas pelo pai antes de morrer. Completando o elenco, o saudoso veterano Max von Sydow, John Goodman e Viola Davis.

Outro filme muito querido em sua época de lançamento, em especial pelos cinéfilos, que quem viu não esquece. Infelizmente, o filme não conseguiu romper muito a barreira “cult”, mesmo se tratando de uma comédia relativamente leve, e se tornar uma obra popular. Talvez pela temática, ao abordar uma relação LGBTQI+ como centro de sua narrativa. Quem protagoniza são as talentosíssimas estrelas Annette Bening e Julianne Moore, como um casal. Quando resolvem ter filhos, elas usam o mesmo doador para engravidar de Joni (Mia Wasikowska) e Laser (Josh Hutcherson). Quando os irmãos crescem, no entanto, a curiosidade fala mais alto e eles decidem encontrar seu pai biológico por conta própria, que surge na figura de Mark Ruffalo, sacudindo as coisas.

Na época, essa ficção científica com muito bagagem social fez um baita sucesso, em especial por ser uma produção pequena e independente, mas muito criativa. Passada na África do Sul, a história conta sobre o choque de nosso mundo ao entrar em contato com imensas naves especiais que chegam em nosso planeta. Acontece que foi só passar a novidade deste estranhamento, que alguns anos depois, os humanos já estavam marginalizando as criaturas em favelas. O filme funciona também como crítica, usando de certo humor, ação e terror. ‘Distrito 9’ fez o nome do diretor Neill Blomkamp, que igualmente se apagou após alguns trabalhos, como ‘Elysium’ e ‘Chappie’.

Tudo bem que esse seja um filme dirigido pelos cultuados irmãos Coen, de ‘Fargo’, ‘O Grande Lebowski’ e ‘Onde os Fracos Não tem Vez’, queridinhos da Academia, mas acontece que este pode ser considerado sua obra menos badalada e uma que nem em sua época de lançamento foi tão falada. De fato, o longa talvez só tenha figurado no Oscar por ser um filme dos Coen, tanto que mantém o recorde como produção indicada ao Oscar de melhor filme com apenas uma outra indicação – essa sendo a de melhor roteiro. A trama que desafia o engajamento com o público mostra um professor de física azarado, que vê sua vidinha monótona começar a desmoronar diante de seus olhos.

‘Preciosa’ foi outro filme que se beneficiou pela mudança na regra da Academia e começar a nomear até 10 produções por ano para melhor filme. ‘Preciosa’ veio junto logo ao primeiro lote, assim como ‘Um Homem Sério’, tirando espaço de obras mais queridas e ainda comentadas até hoje, vide ‘Coração Louco’, ‘Direito de Amar’ e ‘Julie & Julia’, por exemplo, indicadas para outros prêmios na mesma edição do Oscar. ‘Preciosa’ foi o primeiro grande sucesso do diretor representativo Lee Daniels, que depois seguiria para trabalhos de prestígio, como ‘Obsessão’, ‘O Mordomo da Casa Branca’ e ‘Estados Unidos vs. Billie Holiday’ – mas nenhum se igualaria a ele, ao menos no Oscar. Na trama, temos retratada a vida de uma jovem negra e obesa chamada Preciosa, cuja vida é completamente desestabilizada graças à sua infernal matriarca Mary. Com o passar dos anos o filme começou a ser acusado de explorar a desgraça humana e começou a sumir dos radares cinéfilos.
Milk – a Voz da Igualdade

Este é um importante drama baseado numa história real, que foi lançado e fez sucesso no Oscar um ano antes da mudança para até 10 filmes indicados. Ou seja, ‘Milk’ fez parte da última leva de no máximo 5 filmes. O longa é baseado na história real da trajetória Harvey Milk, ativista de causas LGBTQI+, antes da causa sequer possuir esta sigla – na época considerado ativista pelos direitos dos gay. Ele próprio era um homossexual declarado, que escalou até ser eleito a um cargo público em San Francisco – se tornando também o primeiro homem gay da história a realizar tal feito. Sua história trágica termina em violência com seu assassinato.’Milk’, além da indicação de melhor filme, deu o segundo Oscar para Sean Penn, que faz o papel principal, e a única nomeação (até o momento) de Josh Brolin.
Frost / Nixon

Terminando a matéria dos filmes indicados ao Oscar que quase não são mencionados hoje em dia, temos mais uma obra contida no último ano em que o máximo de produções indicadas era 5 filmes. E de sua respectiva edição, este talvez tenha sido o longa menos famoso, o que menos gente conhecia na época e que muitos continuam sem saber da existência. É dito que neste mesmo ano, todos que tinham influência fizeram campanha para ‘O Cavaleiro das Trevas’, de Christopher Nolan, ser indicado para melhor filme, mas a Academia decidiu por preconceito não indicar um filme de “quadrinhos de super-heróis”. É muito repetido também que o longa que ocupou a vaga de Batman foi ‘O Leitor’, que deu o Oscar para Kate Winslet. Mas muito possivelmente pode ter sido este ‘Frost/Nixon’, obra excelente e intimista, sobre a preparação de um apresentador sem prestígio para a maior oportunidade profissional de sua carreira, uma entrevista com o polêmico ex-presidente americano Richard Nixon.