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‘Em Busca da Atlântida’: Netflix vai adaptar saga de sucesso de Andy McDermott

De acordo com o Deadline, a Netflix adquiriu os direitos do romance ‘ Em busca da Atlântida‘ (The Hunt For Atlantis) e já está desenvolvendo uma adaptação escrita e produzida por Aaron Berg.

O projeto é fruto de uma parceria entre a plataforma de streaming e a produtroa 6th & Idaho, e também Matt Reeves e Adam Kassan como produtores.

Para quem não conhece, o romance escrito por Andy McDermott é o primeiro título da saga ‘Wilde/Chase’, composta por 15 volumes.

Na trama, a brilhante universitária Nina Wilde é contada por um bilionário que a envia numa jornada em busca de pistas sobre a lendária cidade perdida. Como recompensa, ela terá respostas sobre o misterioso desaparecimento de seus pais.

Unindo forças com Eddie Chase, um ex-guarda-costas britânico do Serviço Aéreo Especial, Nina vê a oportunidade de experimentar as aventuras que sempre sonhou e se libertar se sua monótona rotina.

Os títulos subsequentes giram em torno da busca da espada mítica Excalibur, o grande salão de Valhalla, a Fonte da Juventude e a cidade perdida de El Dorado.

Até o momento, não foram revelados detalhes sobre elenco, diretores e nem previsão de estreia.

Festival de Gramado | Por Que Você Não Chora? – Filme com Bárbara Paz Alerta Para o Setembro Amarelo

O 48º Festival de Gramado está acontecendo este ano em um formato diferente. Sem público, sem tapete vermelho e com a apresentação da Renata Boldrini e convidados, o público brasileiro ganhou uma vantagem: os filmes em competição estão sendo exibidos inédita e exclusivamente através do Canal Brasil, todos os dias a partir das 20hs até o dia 26 de setembro. E para celebrar esse novo formato – mais democrático, diga-se de passagem – foi escolhido o longa ‘Por que você não chora?’ como filme de abertura.

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Neste filme acompanhamos Jessica (Carolina Monte Rosa), uma estudante de psicologia que, em seu último ano, recebe a tarefa de acompanhar a paciente Bárbara (Bárbara Paz), uma mulher um bocado desequilibrada que é diagnosticada com transtorno de personalidade limítrofe, também conhecido como Transtorno de Personalidade Borderline. Bárbara também está lutando pela guarda de seu filho e, no meio disso tudo, Jessica começa a projetar muito de si na sua paciente, deixando-se impactar pelos distúrbios dela.

A escolha de ‘Por que você não chora?’ como filme de abertura é um importante posicionamento que o Festival de Gramado sinaliza, jogando luz sobre a urgência de se discutir mais abertamente sobre a saúde mental – especialmente nesse setembro amarelo, especialmente nesse ano de 2020, tão difícil.

Escrito e dirigido pela cineasta brasiliense Cibele Amaral, o filme, metafórico, aparenta sofrer do mesmo distúrbio de sua coprotagonista. O primeiro arco é focado em trabalhar a trama de Jessica, para, em seguida, direcionar-se para o círculo de Bárbara e toda a montanha-russa de emoções que ela enfrenta em sua realidade; por fim, volta ao universo de Jessica e como seu mundo é afetado pelas experiências vividas e sofridas durante o período do estágio. Tudo isso sem exatamente encerrar nenhum dos arcos.

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Com uma percepção mais aprofundada, o espectador pode observar o abalo da relação médico-paciente como uma crítica ao próprio sistema de saúde mental para ambos os lados: em uma ponta da corda está o paciente, despejando toda a sua carga emocional no psicólogo ou psiquiatra, enxergando-o como tábua de salvação; na outra está o médico, a quem é orientado não se deixar envolver, não demonstrar emoções e, portanto, não chorar. O quanto essa impossibilidade de se permitir sentir não causa, igualmente, marcas profundas naqueles que provêm o tratamento? Essa é uma discussão que precisa ser aberta.

O maior destaque em ‘Por que você não chora?’ está nas atuações da dupla protagonista. Carolina Monte Rosa constrói uma personagem enigmática e impassível – de fato, deve ser dificílimo não exprimir nenhuma emoção. Por sua vez Bárbara Paz é o excesso de emoções, uma explosão de sentimentos, um rolo compressor de impressões que faz o contraponto da personagem terapeuta. O longa conta ainda com a participação especial de Cristiana Oliveira e Elisa Lucinda como duas personagens bem didáticas, cujas funções é mastigar o argumento do filme para o espectador.

Embora deixe muitas lacunas em aberto com elementos inseridos no enredo que não se justificam, ‘Por que você não chora?’ é um bom filme que acende o alerta para o quão urgente é normalizarmos os cuidados mentais para a melhoria das relações entre os cidadãos contemporâneos.

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Crítica | Sarah Paulson rouba a cena na controversa ‘Ratched’, nova série de Ryan Murphy

Em 1975, Louise Fletcher conquistou o mundo com sua interpretação irretocável como a enfermeira Mildred Ratched no clássico Um Estranho no Ninho. Rapidamente, a complexa persona arquitetada pelo romancista Ken Kesey ganhou dimensões novas e bem mais profundas, colocando-a como um símbolo da tirania e da corrupção institucional – ainda mais por agir de modo passivo-agressivo para garantir que os pacientes do Instituto Psiquiátrico de Salem fossem-lhe fiéis e obedientes, punindo quem ousasse contraria as suas ordens – como Randie McMurphy (Jack Nicholson), que sofre lobotomia após juntar os outros residentes do manicômio em uma onda de protestos contra Mildred. Não é surpresa que, por sua carga alegórica, Ratched tenha se transformado em uma das maiores vilãs da história do cinema, servindo de inspiração para criações contemporâneas e análises sociológicas sobre a maldade e a ambição humanas.

Em 2020, o prolífico Ryan Murphy (American Horror Story) resolveu abraçar a personagem e lhe fornecer uma história de origem – dando vida, dessa forma, à série original da Netflix, Ratched. Ambientada quase vinte anos antes dos eventos do longa-metragem, a demoníaca enfermeira foi encarnada pela premiada Sarah Paulson em uma backstory totalmente diferente do que esperávamos, talvez tentando explicar suas atitudes controversas, talvez nos querendo dar uma centelha de empatia, retirando-a dos estereótipos em que foi infundida. Entretanto, a série se vale de caricaturas exageradas demais para que se dê algum tipo de credibilidade: o roteiro, seguindo os passos de tantas outras produções de Murphy, como Hollywood e The Politician, aposta suas fichas em um visual impecável, colocando as tramas em um patamar ora prolixo, ora superficial demais. Ademais, as atuações conseguem esconder os erros narrativos e garantir que o público se envolva – mesmo deixando um gostinho agridoce no final.

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RATCHED (L to R) SARAH PAULSON as MILDRED RATCHED in episode 103 of RATCHED Cr. COURTESY OF NETFLIX © 2020

Mildred Ratched é construída quase de forma sociopata: uma cética dama que parece ser da alta sociedade, mas na verdade procura fazer parte do time de enfermeiros do Hospital Estadual de Lucia, na Califórnia, contando certas mentiras desde seu primeiro momento em cena para garantir o emprego e vivendo em um motel à beira da estrada enquanto planeja algo não revelado logo de cara. Porém, conforme os capítulos se desenrolam, descobrimos que Mildred quis trabalhar lá para ajudar seu irmão, Edmund Tolleson (Finn Wittrock), recém-admitido no instituto por ter assassinado quatro padres a sangue-frio. É claro que, para a segurança dos dois, ninguém tem ideia de sua relação – e nem mesmo Murphy parece fazer muita questão de investir nessa primeira reviravolta, deixando-a de lado e recuperando-a sem muita necessidade ou explicação.

Esteticamente, Ratched é tudo que se espera de uma produção do showrunner e criador supracitado: comandando os dois primeiros episódios, deve-se notar que Murphy amadureceu consideravelmente desde sua estreia na indústria do entretenimento; enquanto era de se esperar que ele resgatasse certas inflexões caprichosas de obras anteriores, como planos holandeses e ângulos irreverentes, percebe-se que, aqui, há um apreço pela coesão comedida e pelo excesso de simetria. A série, no geral, tem espaço de sobra para invenções mirabolantes e paletas fabulescas – e faz isso ao fazer apologia ao body horror e ao gore diversas vezes; mas o foco sempre se destina à compostura da personagem de Paulson e de que forma, mesmo sem pronunciar uma palavra sequer, nos chama a atenção.

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RATCHED (L to R) SARAH PAULSON as MILDRED RATCHED in episode 107 of RATCHED Cr. SAEED ADYANI/NETFLIX © 2020

Murphy, ao lado de seu time criativo, presta bastante atenção à paleta de cores e cuida para que a direção de arte seja guiada pela sobriedade e pela melancolia exuberante dos tons esverdeados – destinando alguns objetos em um composée apaixonante. À Ratched, por sua vez, destina-se cores complementares, ultrajantes, até mesmo, quando justapostas à clareza do hospital ou aos cenários kitsch que acompanham sua jornada: seus vestidos amarelo-mostarda e seu cabelo ruivo parecem pontos luminosos em um túnel obscuro, transmutando-a na força-motriz que rege a organicidade desse universo fora do convencional. O problema é que essa imagética sem igual, que transforma o show no mais belo da carreira de Murphy, é inconvenientemente abandonada quando a protagonista entra em seu arco de redenção, fundindo-a ao amorfismo dos outros personagens.

Felizmente, Paulson já se mostrou como uma ótima atriz – e se junta à excelência de seus colegas, especialmente Wittrock, que traz elementos de sua psicótica atuação em American Horror Story: Freakshow’, e Judy Davis como a enfermeira-chefe Betsy Bucket, mostrando sua conhecida versatilidade mais uma vez. Sharon Stone também dá as caras como a vingativa socialite Lenore Osgood, que parte numa caçada para matar o Dr. Richard Hanover (Jon Jon Briones), diretor do Lucia, e cruza caminhos com a perigosa timidez e centralidade de Mildred. E, como é de praxe, a outrora estigmatizada vilã é humanizada com uma trágica história que transcende as expectativas e que nos faz sentir compaixão por atos autoprotetivos – ainda que, no final das contas, a “mágica” de sua frieza e de seu imperioso controle sobre os outros tenha sido varrida para debaixo do tapete.

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Ratched comete o equívoco de querer ser mais do que consegue – algo que realmente seria, caso não se deixasse levar pelas exaustivas fórmulas de qualquer drama novelesco dos últimos anos. Até mesmo a rebeldia cênica, própria das criações, dá um passo para trás como forma de colocar diálogos previsíveis e monótonos nas telinhas; mas, conforme percebemos os erros, é difícil parar de prestar atenção àquilo que nos é contado – principalmente com a majestosa elegância que nos aguarda desde o princípio.

Crítica | #Alive – Um Surpreendentemente Filme de Zumbi da Netflix

Em 2020, a realidade superou a ficção. Com tudo que estamos passando esse ano, ficou meio sem graça, até, ver filmes e séries de zumbi, uma vez que o que estamos vivendo há mais de seis meses trouxe para a nossa realidade muitos dos aspectos comportamentais que víamos e criticávamos na ficção. Apesar disso, há muitas produções de mortos-vivos que estão surpreendendo nos últimos meses –particularmente, a Netflix parece bastante interessada no assunto, aumentando, aos poucos, seu catálogo de oferta do gênero. É o caso de ‘#Alive’, filme sul-coreano que estreou essa semana na plataforma de streaming.

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Oh Joon-woo (Ah-In Yoo) acorda um dia em sua casa e vê um bilhete de seus pais com um dinheiro, pedindo para que compre comida porque não vão voltar tão cedo. Oh Joon-woo ignora-o solenemente e vai jogar videogame, porém, no meio da partida uma notícia na tv chama sua atenção: as pessoas na rua estão enlouquecendo, tornando-se zumbis de repente. Em poucos minutos a vida do rapaz muda completamente e ele se vê preso em casa, com pouca comida, e sem poder sair. Dias se passam nessa situação até ele finalmente conhecer Kim Yoo-bin (Shin-Hye Park), uma vizinha esperta que lhe dá motivação para continuar lutando por sua vida.

Matt Naylor e Il Cho construíram um roteiro calculado e equilibrado, topando o difícil desafio de narrar uma história centrada basicamente em um único personagem – que, por sua vez, não tem com quem conversar. ‘#Alive’ proporciona um bom desenvolvimento dos dilemas do protagonista em oposição aos desafios do perigo do lado de fora da casa dele. Fazendo uso da metáfora do zumbi, em uma camada mais profunda o roteiro reflete sobre o desafio dos jovens de sair da casa dos pais pela primeira vez, e, literalmente, encontrar no mundo uma selvageria que os faz querer voltar correndo para casa. É claro que poucas pessoas vão buscar sentidos metafóricos em um filme de zumbi, mas ele está presente em ‘#Alive’ e, de modo que o arco percorrido pelo protagonista é bem bonito até.

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Além de colaborar no roteiro, Il Cho também dirigiu o longa, e o fez com bastante maturidade. Seus zumbis – o grande atrativo do longa – não são idiotas, ao contrário, são inteligentes e super ágeis. Il Cho acertou em investir em maquiagem e numa ótima edição para conferir dinamismo e rapidez aos seus zumbis, o que os tornou impressionantemente críveis. O diretor também alcançou um bom ritmo no seu longa, sem deixá-lo cair nem mesmo nas muitas cenas sem diálogos em que só há um personagem em cena. Por fim, vale atentar a boa competência desse diretor em gravar cenas de ação e de intensa movimentação em locais apertados, como um apartamento ou um corredor, e de ter criado um filme com basicamente apenas essas locações.

#Alive’ é um ótimo filme de zumbi, e vai muito além disso. Com bastante semelhança ao nosso 2020, é um longa que convida à reflexão sobre sobrevivência e coletividade, surpreendentemente emocionante. Ah, sim, e com zumbis maneiros correndo para todos os lados, e não se arrastando.

‘O Diabo de Cada Dia’ – Drama que critica o fanatismo Religioso estreia na Netflix dividindo opiniões

O horror nosso de cada dia nos dai hoje

Adaptar para as telas uma obra literária é uma tarefa dificílima. Por isso, os bem sucedidos, mesmo que alterem bastante seu material original, merecem todos os louros do mundo. Quando falamos de obras complexas, repletas de personagens e com linhas narrativas distintas, como é o caso com este O Diabo de Cada Dia (baseado no livro homônimo escrito por Donald Ray Pollock em 2011 – que também fornece a narração), tudo fica ainda mais arriscado. Uma adaptação cinematográfica precisa criar conexão com seu espectador para além do já estabelecido público-alvo, e no caso deste longa – e bota longa nisso, com 2h20min de projeção – termina com um resultado pouco memorável.

A ideia por trás do roteiro adaptado por Paulo Campos e Antonio Campos (também diretor do filme e filho do veterano jornalista brasileiro Lucas Mendes) é a de uma crítica ferrenha ao fanatismo religioso. A todas as atrocidades cometidas pelo homem em nome de Deus, e a um senso moral incrivelmente deturpado, que somente esconde e valida ações de indivíduos altamente desequilibrados. Justamente servindo a este tapa na cara em relação a tal fé cega, o título em português chega bem acertado e mais eficiente do que sua versão original em inglês.

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Aqui, o cineasta aponta para o quão desprezíveis são os que se envolvem num manto santificado para liberar toda a sua monstruosidade, na ilusão de realmente estarem acima do bem e do mal. Num delírio íntimo de se encontrarem como um canalizador da voz divina. Mas igualmente enfatiza o perigo de uma crença acima de qualquer suspeita, deixando para trás avaliações lúcidas, nas quais os fiéis são facilmente manipulados e levados a cometer atrocidades. Tudo, novamente, em nome de Deus.

O Diabo de Cada Dia funciona de forma episódica, com diversas subtramas (ou micro histórias) que vão se entrelaçando ao longo da trajetória, e no final se afunilam para uma conclusão. Assim, a obra se torna quase uma antologia – como A Balada de Buster Scruggs (2018), dos irmãos Coen, por exemplo -, aqui costurando todos os contos com a temática da falsa ideologia religiosa e o fanatismo. Tudo começa com Bill Skarsgard (o palhaço Pennywise dos novos It: A Coisa), um jovem veterano de guerra retornando para casa na sua pequena cidadezinha rural. Ah sim, devo mencionar também que todas as histórias são ambientadas durante a década de 1950, e que o elenco é simplesmente estelar, e um dos melhores, definitivamente, dos últimos anos. O filme é produzido pelo ator Jake Gyllenhaal – ou seja, talento não falta na frente e atrás das câmeras.

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Voltando para Skarsgard, ele se casa com a personagem da gracinha Haley Bennett (ainda exibindo o inchaço pós-gravidez de seu primeiro filho com o diretor Joe Wright), e logo depois chega a cria do casal, o menino Arvin. Quando a mulher adoece, o patriarca vai aos poucos deixando florescer os traumas de guerra nunca enterrados, em especial sobre um colega crucificado e esfolado vivo pelos japoneses. Deus é visto por ele como uma entidade cruel, com quem precisa barganhar vidas. Assim, a tragédia se abate por completo sobre esta família. A esta altura vale dizer que O Diabo de Cada Dia é um filme altamente depressivo, trágico, sem qualquer vislumbre de alegria. É a ira de Deus, a tempestade sem a bonança.

O que o grande público irá querer ver ao acessar o ícone do filme na Netflix, no entanto, são as presenças de dois jovens astros do momento, cujos nomes são capazes de arrastar multidões: Robert Pattinson e Tom Holland. Da dupla, é Holland quem tem o protagonismo, interpretando a segunda fase, mais velha, de Arvin. E assim como Peter Parker, o órfão é criado por uma figura materna (aqui a avó), combate valentões no colégio e faz de seu trabalho eliminar “vilões” – aqui, de forma muito mais intensa e visceral. Mas quem rouba o show, apesar do elenco pra lá de eficiente e harmonioso de forma geral, é mesmo Pattinson em mais um desafio em sua filmografia. O vindouro intérprete do Batman escolhe para si o que é o personagem mais asqueroso de sua carreira: um pastor egocêntrico, que usa sua fala mansa e através da articulação da palavra bíblica abusa da boa fé de seu rebanho. E como adoramos odiá-lo no papel.

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Ainda sobram tramas para Jason Clarke (Cemitério Maldito, 2009) e Riley Keough (Mad Max: Estrada da Fúria) – a neta de Elvis Presley – como um casal de degenerados; Sebastian Stan (o Soldado Invernal da Marvel), num papel que seria do colega Chris Evans, como um xerife corrupto; Eliza Scanlen (Adoráveis Mulheres) como uma inocente carola; Harry Melling (sócio da Netflix, de filmes como Buster Scruggs e o recente Old Guard) se destacando como um pastor caído em desgraça; e Mia Wasikowska como uma vítima das circunstâncias, numa participação piscou, perdeu. Ou seja, “só gente boa”, nesta verdadeira sinfonia da miséria humana. Todos ligados pelo pecado de amar demais a Deus, ou ao menos corromper completamente seus ensinamentos.

A crítica funciona, a mensagem é passada de forma clara, e estes elementos estão entre os acertos do longa. Assim como a reconstrução mais que eficiente da época, e atuações de alto nível, em especial as de Pattinson, Melling e Keough. Porém, para um filme transcender sua intenção e o próprio assunto a que se propõe a discutir é preciso algo mais. E em sua maioria os personagens não obtém destaque ao ponto de realmente nos identificarmos e começarmos a nos importar com eles. Em muitos momentos, seja pela falta de diálogos mais fervorosos (para acompanhar o tema) ou pela confecção de cenas mais chamativas (ou artisticamente ousadas), sentimos como se O Diabo de Cada Dia fosse apenas uma sucessão de eventos muito ruins e violentos ocorrendo constantemente de forma genérica, sem grande apelo. Apesar de suas qualidades, é pouco provável que o longa possua a resiliência de permanecer marcado em nossas mentes.

‘A Ilha da Fantasia’: “Terrir” da Blumhouse estreia nos cinemas BRASILEIROS na próxima quinta, dia 24

Adiado por conta da pandemia de COVID-19, o “terrir” da BlumhouseA Ilha da Fantasia‘ finalmente ganhou data de estreia no Brasil.

O filme chega aos cinemas nessa quinta-feira, dia 24.

O MPAA classificou o filme com baixa classificação etária (PG-13) por “violência, terror, drogas, material sugestivo e linguagem brevemente forte.” 

O enigmático Sr. Roarke (interpretado por Michael Peña) realiza os sonhos secretos de seus sortudos convidados em um luxuoso e remoto resort tropical. Mas quando as fantasias se transformam em pesadelos, os convidados precisam resolver o mistério da ilha para escapar com vida.

O elenco ainda conta com Michael Rooker, Michael Peña, Charlotte McKinneyParisa Fitz-Henley, Austin Stowell e Jimmy O. Yang.

Jeff Wadlow é o responsável pela direção, roteirizando ao lado de Chris Roach e Jillian Jacobs. Todos colaboraram anteriormente com a Blumhouse no terror ‘Verdade ou Desafio‘.

O longa é baseado na série clássica ‘Ilha da Fantasia‘, exibida pela ABC de 1977 até 1984. A trama é similar à série, com a exceção de que alguém está matando os convidados na ilha.

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Opinião | “911” abraça a arte surrealista e prova que Lady Gaga é uma artista insuperável

O período entre guerras (1918-1939) da Europa serviu de ignição para que diversos movimentos ganhassem força para expressar a insegurança das pessoas e o constante medo de que a momentânea paz fosse colocada em xeque; enquanto todos prezavam pelo controle e pelo respeito (de certa forma), tal desejo tornava-se cada vez mais abstrato e insano conforme as tensões voltavam a crescer em meio a divergências ideológicas e sentimentos de represália que logo se transformariam em uma vendeta mundial. É a partir daí que surgiu a estética do Surrealismo.

Tendo como origem a sociedade parisiense de 1920, o movimento artístico-literário tinha como base o onirismo. Em outras palavras, nomes como Salvador Dalí e André Breton viraram expoentes dessas bizarras e loucas incursões, que tinham como raízes o dadaísmo de Tristan Tzara e a pintura metafísica de Giorgio de Chirico. Segundo o Manifesto Surrealista, assinado por Breton, a vanguarda reflete o “automatismo psíquico em estado puro, mediante o qual se propõe exprimir, verbalmente, por escrito, ou por qualquer outro meio, o funcionamento do pensamento” – em outras palavras, a total falta de lógica.

Ao longo dos anos, não apenas a literatura e a pintura abraçariam essa estética diferente de tudo que já havia sido apresentado, mas também o cinema. Afinal, enquanto esta era apenas uma ilusão congelada e aquela criava apenas metáforas linguísticas abstratas, a sétima arte fornecia uma perspectiva em movimento e emoldurava cenas estranhas, maravilhosas, colocando em ponto reflexivo o que era a realidade – como é o caso de ‘O Cão Andaluz’, certamente uma das obras que mais representa esse estilo, e até mesmo a filmografia de David Lynch, que bebe com constância assustadora dessas inflexões imagéticas (vide Twin Peaks, por exemplo). E é claro que podemos traçar certas semelhanças com obras fantásticas, mas a ideia do Surrealismo é a anulação dos limites da realidade, enxergando o meio audiovisual como a expressão da linguagem e do pensamento do modo mais puro possível – inclusive os fluxos de consciência que simplesmente não têm explicação concreta.

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Quando trazemos esses breves conceitos para o mundo da música, que também já aboliu as fronteiras entre o sonoro e o imagético, é muito fácil pensarmos em certos ícones da contemporaneidade que não apenas usam do classicismo cinemático, mas o revolucionam através de simbologias chocantes – como é o caso da titânica Lady Gaga. A cantora, compositora, atriz e emblema fashion da atualidade sempre trouxe conceitos diversos para sua videografia, explorando as profundezas do medo, as delícias da ambição desmedida e até mesmo sua sexualidade através de produções futuristas, vibrantes e provocativas dos mais diversos jeitos, fosse com os fosseanos trejeitos do blasfemo “Alejandro”, com o cyber-punk de “Rain On Me” ou com a bíblica rendição de “Judas”.

Gaga não é apenas uma artista completa – ela é a própria arte. Até mesmo em suas eras mais controversas, como ARTPOP (2013), a performer nunca deixou de imprimir uma identidade única e que se afastava dos convencionalismos baratos do cenário mercadológico. Em “Applause”, suas referências para Andy Warhol e para o expressionismo alemão em O Gabinete do Dr. Caligari e Nosferatu apresentavam seu respaldo acadêmico nas teorias da psicanálise sobre medo e sobre ID – do mesmo modo que havia feito em “Bad Romance” (The Fame Monster, 2009), um de seus vídeos mais icônicos, e no exuberante e subestimado “Marry the Night” (Born This Way, 2011). Mas nada poderia nos preparar para “911”, seu mais recente presente não apenas para os fãs, mas para os amantes do panorama audiovisual.

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A canção foi anunciada como single de Chromatica, seu 6º álbum de estúdio, no último dia 17 de setembro, com a confirmação de que a iteração ganharia um curta-metragem. A divulgação veio com bastante surpresa após Gaga ser entrevistada pela Billboard sobre sua carreira, sobre seus traumas e sobre o que o novo álbum representa para questões de saúde mental (que atravessa cada uma das impecáveis letras, desde “Alice” até “Babylon”). “911”, guiada pela cinemática prévia do interlúdio Chromatica II”, rapidamente tornou-se a favorita dos little monsters e carregava consigo um potencial imenso, refletido pela majestuosidade do vídeo dirigido por ninguém menos que Tarsem Singh (‘Espelho, Espelho Meu’). A história se inicia com a performer acordando em um deserto após cair de uma bicicleta e seguindo um misterioso caubói que a leva para um vilarejo – e é isso: nada depois disso faz muito sentido até o inesperado e arrepiante epílogo que revela que Gaga havia sofrido um acidente e alucinado com todas aquelas coisas.

Como bem sabemos, Gaga não dá ponto sem nó – e o clipe em questão deixa claro que sua arte é insuperável e fora dos padrões enrijecidos pela própria indústria do entretenimento. Enquanto acreditávamos que “911” seguiria os passos sci-fi dos dois singles anteriores, somos surpreendidos com uma fabulosa ficção fantástica ambientada em um mundo pincelado pelo encontro de culturas opostas, como se mostra pelas referências ocidentais de certos enquadramentos e pelas orientais no tocante aos figurinos e à alusiva imagética. Mais do que isso, Gaga evoca sensações ao transformar o crítico liricismo – que menciona os antipsicóticos que toma para se manter equilibrada – em uma aventura devaneante que não vê limites (ou seja, ela não apenas traz as inferências surrealistas de volta para o mainstream como faz parte dela sem restrições).

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Se essa vanguarda artística preza pela espontaneidade e pela criação de realidades paralelas e de cenas irreais, a cantora e compositora, aliando-se a  Singh, faz questão de mostrar seu potencial subconsciente; ela expressa a fusão dos sonhos e da realidade em uma verossimilhança freudiana, valorizando os pensamentos conturbados e tentando realinhá-los em algo que seja ao menos passível de referências. Da mesma forma, ela não pensa duas vezes antes de citar obras imprescindíveis do aparato fílmico mundial, realizando incursões que vão desde ‘8 ½’, de Federico Fellini, até ‘A Montanha Sagrada’, de Alejandro Jodorowsky, além de se render ao filme de arte russo ‘A Cor da Romã’, que basicamente guia a estética do vídeo.

Reunindo tantas informações em um fio condutor que eventualmente faz sentido (mas não precisaria, dado a metodologia metalinguística e autossuficiente da qual a obra se nutre), Gaga talvez tenha entregado a produção mais ousada de toda sua carreira, até mesmo arriscando não cair no gosto popular; no final das contas, nada disso importa: ela, indesculpavelmente, rouba os holofotes do planeta ao revolucionar não só a si mesma, como também sua importância para entendermos, hoje, o verdadeiro significado de “arte”.

‘Liga da Justiça’: Ben Affleck surge como Batman em nova imagem promocional do Snyder Cut

Em comemoração ao Dia do Batman, uma nova imagem trazendo Ben Affleck como o icônico personagem na versão de Zack Snyder para Liga da Justiça foi divulgada pela HBO Max e viralizou nas redes sociais.

Na foto, Affleck posa imponente como o Cavaleiro das Trevas.

Confira:

Batman

Lembrando que a nova versão de ‘Liga da Justiça‘ será um evento dividido em quatro partes e com duração de quatro horas (o que faz com que cada “capítulo” tenha uma hora de exibição).

Conforme Snyder prometeu, a nova versão trará vários arcos inéditos de personagens, incluindo a história completa do Ciborgue.

E através do trailer, já podemos ter um gostinho do que esperar. E é delicioso. Só a curta prévia já emociona mais que a versão de Whedon inteira.

O vídeo traz a aparição de Darkseid, Desaad, e Iris West, além de revelar o novo visual do Lobo da Estepe.

Ao som de Hallelujah, o trailer apresenta diversas cenas inéditas da versão de Zack Snyder e traz um novo vislumbre do traje sombrio do Superman.

Assista, junto com os teasers:

Para quem não conhece, Desaad é um sádico, torturador e covarde, que atua como o conselheiro-chefe do exército de Darkseid. Além disso, ele supervisiona as operações de rotina de Apokolips com mãos de ferro e é temido até pelo Lobo da Estepe.

Além disso, o diretor Zack Snyder já havia confirmado em seu perfil do Vero que tinha gravado uma cena mostrando o encontro entre Desaad e o Lobo da Estepe.

E aí, você está ansioso?

Lembrando que o longa estreia na HBO Max em 2021.

Confira as imagens promocionais:

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10 ÓTIMOS Clássicos dos anos 90 para assistir na NETFLIX

Tão memorável quanto os anos 1980 para toda uma geração, os anos 1990 trouxeram muita coisa boa em questão de cinema e deixaram saudade. Muitos, inclusive chegam ao ponto de eleger o ano de 1999 como o melhor de todos os tempos para filmes – já que foi nele que ganhamos produções como Clube da Luta, Matrix, O Sexto Sentido, A Bruxa de Blair, Quero Ser John Malkovich, e outras obras atemporais.

Pensando nisso, decidimos revirar o baú da Netflix e procurar exclusivamente por filmes lançados entre 1990 e 1999, e o que encontramos foi muita coisa boa! Alguns, inclusive, se mantendo como clássicos incontestáveis. Portanto, você que é um nostálgico inveterado, é hora de revisitar estas obras inesquecíveis. E para os que são mais novos, não percam tempo e preparem-se para ter as mentes explodidas. Vamos lá.

Ghost – Do Outro Lado da Vida

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Ghost fez sua estreia nos cinemas americanos no dia 13 de Julho de 1990, ou seja, completou 30 anos de lançamento agora em 2020. Não poderia ser mais propício para revisitá-lo. O longa sobre um homem assassinado (Patrick Swayze), voltando como fantasma para proteger e se conectar pela última vez com o amor de sua vida (Demi Moore) se tornou um sucesso surpresa em pleno verão norte-americano, casa dos blockbusters. Ghost custou para a Paramount US$22 milhões e rendeu impressionantes US$505 milhões mundiais.

Ghost foi o filme de maior sucesso no mundo em 1990, com a maior bilheteria. Sua trajetória não parou na parte financeira, e o longa extremamente popular chegou até o Oscar – com cinco indicações, entre elas melhor filme, e as vitórias de melhor roteiro original e atriz coadjuvante para Whoopi Goldberg, que rouba a cena na pele de uma vidente trapaceira que realmente encontra seu dom. Ocasião perfeita para assistir a uma das maiores histórias de amor do cinema.

Perfume de Mulher

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Impossível falar de Perfume de Mulher hoje sem lembrar do trágico Cada um Tem a Gêmea que Merece (2011). Explico. Na única piada boa do filme de Adam Sandler, o comediante destrói a estatueta do Oscar na casa do veterano Al Pacino. E ao afirmar que o astro deve ter outras para substituir, a punchline vem com: “Não, eu só tinha essa”. O fato que o próprio Pacino resolveu satirizar é sobre sua única vitória no Oscar, apesar de muitas indicações, que ocorreu com este drama lançado em 1992.

No filme, Al Pacino vive um militar aposentado, que ficou cego devido a um acidente, e agora vive amargurado, com pouco que lhe faça seguir. Um rapaz colegial (Chris O’Donnell) é contratado para cuidar dele, mas o sujeito linha dura tem outros planos, e resolve passar um fim de semana em grande estilo em Nova York. O desempenho de Pacino é impressionante, e o prêmio foi mais que merecido. Fora isso, o longa possui um interessante discurso de se manter fiel aos seus princípios, além de ser uma bela trajetória de redenção. Perfume de Mulher é na realidade o remake de um filme italiano de 1974, que ficou muito mais famoso que seu original.

A Lista de Schindler

Schindler Cinepop

Este dispensa apresentações. A Lista de Schindler foi o grande título do Oscar de 1994 (o filme estreava no ano anterior), abocanhando os prêmios de melhor filme, diretor, roteiro e mais quatro, além de outras cinco indicações. Fora isso, figura como nada menos do que o 6º filme preferido de todos os tempos na opinião dos milhões de usuários no IMDB. Não deixe o fato deste ser um drama de guerra criado todo em preto e branco te afastar de assistir a esta verdadeira obra-prima da sétima arte. Você não irá se arrepender.

A Lista de Schindler foi um projeto muito pessoal para o diretor Steven Spielberg, que até já tinha feito filmes mais sérios, mas aqui resolve homenagear sua herança e linhagem judia ao falar da tragédia ocorrida durante a Segunda Guerra Mundial conhecida como Holocausto – e como um homem (Oskar Schindler) fez toda a diferença. Uma curiosidade é que Spielberg abandonou a faculdade de cinema em 1968 para seguir na carreira profissional. Em 2002, o cineasta finalmente se formaria e conquistaria seu diploma. O trabalho de conclusão do curso pedido pelos professores era um filme de 12 minutos no mínimo, e Spielberg entregou apenas A Lista de Schindler, que lhe havia rendido o Oscar de melhor filme e diretor. Alguma dúvida sobre ter passado com louvor?

Proposta Indecente (1993)

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O que você faria por um milhão de dólares? Até aonde você iria? O amor pode superar tudo? Essas são algumas questões universais levantadas no livro de Jack Engerlhard, que em 1993 se transformava neste drama romântico com doses eróticas, dirigido pelo especialista no assunto Adrian Lyne (9 ½ Semanas de Amor, Atração Fatal e Infidelidade) – que este ano retorna à direção após um hiato de 18 anos sem filmar (ele finaliza o suspense Deep Water, com Ben Affleck e Ana de Armas).

Aqui, Demi Moore (no auge de sua beleza e começando a explodir de verdade na carreira) e Woody Harrelson protagonizam como um jovem casal passando por dificuldades financeiras após uma crise na economia do país. Endividados, eles tentam de tudo, mas são seduzidos pelo “diabo” em pessoa, o bilionário interpretado por Robert Redford – que se interessa pela bela mulher, e oferece aos pombinhos a “módica” quantia de US$1 milhão para passar uma noite com ela. As coisas irão se desenrolar de uma forma acinzentada, quando novas facetas de cada um deles virem à tona. Proposta Indecente marcou época, e com um orçamento de US$38 milhões, faturou para a Paramount US$266 milhões mundialmente, se tornando assim a sexta maior bilheteria daquele ano.

Pulp Fiction – Tempo de Violência

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Bem, se A Lista de Schindler dispensa apresentações, o que dizer deste segundo trabalho de Quentin Tarantino como diretor? Só mesmo tendo estado debaixo de uma rocha pelos últimos 26 anos para não ter ouvido falar deste verdadeiro marco do cinema mundial. Sim, do cinema mundial, já que fez sua estreia no badalado Festival de Cannes na França, em 1994, e sacudiu as coisas por lá, dando início à sua carreira muito bem sucedida. Mas sabemos que talvez nem todos tenham tido a oportunidade de conferir o longa, principalmente os mais jovens. Resta dizer que se você gosta de cinema, de filmes de crime e humor peculiar, Pulp Fiction é o filme pra você – portanto não perca mais tempo.

Pulp Fiction foi tão importante que fez de Tarantino um diretor que criava tendências logo em seu segundo trabalho. O filme segue entre os 10 melhores de todos os tempos no IMDB e foi o responsável por resgatar e dar novo fôlego à carreira de John Travolta, além de mostrar ao mundo o baita ator que é Samuel L. Jackson. Se temos os tão celebrados filmes de Tarantino hoje, tenha certeza que é graças a Pulp Fiction. Produzido pela bagatela de US$8 milhões, o longa rendeu US$222 milhões aos cofres da Miramax. Além disso, foi indicado para 7 Oscar, incluindo melhor filme e diretor, e levou o de roteiro. Se você não viu, pare tudo e vá ver agora!

Cassino

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Continuando no terreno dos filmes de crime e mafiosos, temos a chegada de um verdadeiro especialista. O diretor Martin Scorsese é considerado por muitos o melhor cineasta ainda em atividade, em 1990 encantou o mundo de forma eletrizante com seu épico gangster Os Bons Companheiros. Ano passado ocorreu sua tão aguardada volta ao tópico com O Irlandês, da Netflix. Entre os dois encontra-se Cassino, lançado em 1995, e considerado a “sequência espiritual” de Os Bons Companheiros.

No filme, Scorsese reúne Robert De Niro e Joe Pesci para contar a ascensão da máfia em Las Vegas através dos grandiosos cassinos. Além de todos os atrativos, ainda contamos com o que é provavelmente o desempenho mais inspirado da musa Sharon Stone na frente das câmeras, que lhe garantiu a única indicação ao Oscar de sua carreira (e única nomeação do longa de forma geral). Curiosamente, Cassino não foi um sucesso de crítica ou público em seu lançamento, mas vem sendo redescoberto a cada geração, conquistando os avaliadores atuais e ressurgindo como um dos preferidos do grande público.

Seven – Os Sete Crimes Capitais

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No mesmo ano de Cassino, chegava aos cinemas este baita suspense da New Line Cinema (subsidiária da Warner). Este foi o segundo filme protagonizado por um então jovem Brad Pitt depois de ter se tornado um nome reconhecível no ano anterior. Fora isso, ele recebe o apoio de ninguém menos que Morgan Freeman como coadjuvante. A dupla interpreta parceiros policiais, mas este não é um buddy cop movie, já que investigam crimes brutais neste filme pra lá de intenso.

Seven se tornou um sucesso em seu lançamento apesar de seu teor pra lá de intenso. O filme pode ser considerado a estreia “oficial” de David Fincher, que pensou em desistir da carreira após dirigir o desastroso Alien³ (1992). Mas o cineasta respirou, contou até dez e deu mais uma chance, garantindo a nossa felicidade como cinéfilos – e do mundo, que não foi privado de um dos diretores mais talentosos dos últimos anos. Seven foi indicado ao Oscar de edição e está entre os 20 filmes favoritos do grande público de todos os tempos.

Apollo 13 – Do Desastre ao Triunfo

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Antes de derrotar o corona vírus, ser sequestrado em alto-mar por piratas somalianos e até mesmo de conseguir fugir de uma ilha deserta, Tom Hanks saiu da Terra, ficou perdido no espaço e voltou para contar a história. Me digam se este homem não consegue fazer de tudo. Muitos ficaram boquiabertos com a reconstrução precisa de Damien Chazelle para O Primeiro Homem (2018). Mas antes do passeio na lua do astronauta Neil Armstrong, a mesma Universal contava a história da missão que não foi.

Após a bem sucedida missão espacial mostrada no citado filme acima, alguns astronautas se viram à deriva quando algo deu muito errado logo no ano seguinte. Apollo 13, do diretor Ron Howard, é baseado nos relatos do Capitão Jim Lovell, de seu próprio livro, interpretado aqui por Hanks. O filme foi lançado em 1995, e conta com um grande elenco, vide Ed Harris, Kevin Bacon, Gary Sinise e Bill Paxton. Fora isso, foi indicado para 9 Oscar, incluindo melhor filme, e levou os de melhor edição e som.

O Show de Truman

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Facilmente podemos afirmar que O Show de Truman possui um dos melhores e mais relevantes roteiros dos últimos 25 anos – ou quem sabe de todos os tempos. Muito à frente de seu tempo, a ideia já falava sobre reality shows, onde acompanharíamos incessantemente o dia a dia de ilustres anônimos. É a maldição da “caixa de idiotas”, apelido “carinhoso” que a TV logo em sua estreia recebeu. Ah sim, o texto saiu da mente de Andrew Niccol, e foi dirigido pelo talentoso Peter Weir.

Revolucionário e subestimado em seu lançamento em 1998, O Show de Truman mostra uma megacorporação adotando um bebê e fazendo dele o astro de seu próprio Reality, sem que ele, por toda a sua vida, saiba do fato. Sua pequena cidade é criada em estúdio, e como ele nunca conheceu o mundo real, não consegue perceber a diferença. É claro, o protagonista é vivido por Jim Carrey em estado de graça, mostrando pela primeira vez depois da fama que podia ser um ator sério – e um eterno injustiçado pelos prêmios da sétima arte. O filme foi indicado para 3 Oscar, entre eles diretor e roteiro, e hoje é considerado um dos melhores de todos os tempos pelo grande público.

Elizabeth

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No mesmo ano de O Show de Truman, porém, com mais prestígio em premiações (os votantes adoram um filme de época), era lançado este Elizabeth – que serviu para lançar a carreira da então desconhecida australiana Cate Blanchett – no auge de seus 29 aninhos. E a musa já chegou chutando a porta, protagonizando e segurando na unha o difícil papel da Rainha britânica Elizabeth I, debaixo de indicação ao Oscar e a vitória no Globo de Ouro. O longa recebeu um total de 7 indicações, incluindo melhor filme, e levou a estatueta de maquiagem.

E sim, aqui voltamos ao fatídico Oscar de 1999, onde não apenas Blanchett foi derrotada, mas também nossa Fernandona Montenegro em Central do Brasil, pela, digamos, superestimada performance de Gwyneth Paltrow em Shakespeare Apaixonado. E quem gosta de lembrar? Nove anos depois, e Blanchett repetia o papel na sequência (não são só os blockbusters que as recebem) do mesmo diretor, Elizabeth: A Era de Ouro. E adivinhem, recebeu nova nomeação ao Oscar. Os dois podem ser assistidos numa sessão dupla, na Netflix. Aproveitem.

Batman – Ano Um | O filme de Darren Aronofsky que NUNCA foi feito

Por Gustavo Barreto

O mitológico filme do Homem-Morcego que jamais foi feito é alvo constante de indagações e imaginação por parte dos fãs

Em algum momento, entre a tempestade de cores de “Batman & Robin” do Joel Schumacher e a Chicago de “Batman Begins”, houve uma história do Homem-Morcego jamais contada. Um universo distorcido e sujo que jamais escapou da caverna das ideias. Um Batman jamais nascido.

No final do século passado, um ainda inexperiente Darren Aronofsky, foi convidado pela Warner Bros. para um projeto audacioso: revitalizar a figura do Batman após o fracasso do período Schumacher. Àquela altura, os executivos entendiam que o personagem estava na mesma encruzilhada que se metera no período pré Tim Burton, ou seja, eles tinham essa propriedade intelectual marcada novamente por versões cômicas e infantis, e que era chegada a hora de resgatar as raízes ‘pulp’ imaginadas para o personagem em sua criação.

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Em 1998, Aronofsky vinha de relativo sucesso com seu filme de estreia, “Pi”, cujo protagonista possuía fortes traços de genialidade e transtorno de personalidade antissocial. O filme foi rodado com um orçamento de US$ 60 mil e fechou com uma bilheteria global de US$ 3.2 milhões de acordo com o IMDB. No Rotten Tomatoes a obra possui uma avaliação positiva de 88%.

O desejo da Warner, portanto, era contar a origem do vigilante de maneira direta e mais fiel possível ao material base, do que Burton havia feito em 1989. A história escolhida para tal foi “Batman Ano Um”, escrita por Frank Miller e desenhada por Davi Mazzuchelli –  não só um clássico, como uma relíquia de um momento muito importante para os quadrinhos americanos.

 O Diabo, O Morcego e Miller

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Após a confirmação da direção, o lendário autor de historias em quadrinhos Frank Miller se juntaria a Aronofsky para planejar o argumento inicial do roteiro. No final dos anos 90, Miller já era uma figura lendária na indústria. Na Marvel sua parceria com o também lendário editor Denny O’Neil fora responsável por um dos grandes embates entre o Rei do Crime e o vigilante Demolidor em “A Queda de Murdock”, e por outras edições mensais do personagem que trabalhavam de maneira inédita o contexto social violento de Nova York. Em 1993 ele escreveria a história de origem definitiva do Demônio de Hell’s Kitchen conhecida como “Homem sem medo”.

Em 1986, Miller publicou pela DC Comics sua visão de como seria a história final do Batman. “O retorno do cavaleiro das trevas”. A minissérie em quatro edições se tornou um clássico atemporal, quase no mesmo período, por não ser uma história de quadrinhos convencional. Parte da leva liderada por “Watchmen”, Miller trazia uma Gotham do futuro no qual o Batman há muito estava aposentado e gangues extremamente violentas comandavam a cidade, o que eventualmente obrigaria o Homem-Morcego voltar à ativa.

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Drogas, violência, corrupção, Guerra Fria e loucura eram alguns dos elementos que diferenciavam “Retorno do cavaleiro das Trevas” anos luz das histórias cômicas da era de prata (nos anos 50 e 60 principalmente) e até mesmo daquelas gradativamente mais violentas feitas por Denny O’Neil nos anos 70. A reimaginação de personagens como Harvey Dent e sua psicose Duas-Caras, o Coringa midiático e Selina Kyle cafetina são outras características memoráveis da obra.

Apesar da escassez de informações sobre o número de vendas em 1986, em 2013 as vendas digitais da HQ subiram 161%, principalmente pelo anúncio de que, o então ainda em produção, “Batman vs Superman” seria inspirado no trabalho de Miller, segundo reportagem da Variety publicada no mesmo ano.

Renascimentos

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No final dos anos 80, a indústria de quadrinhos batia recordes de venda nunca alcançados antes graças ao sucesso de suas histórias maduras cada vez mais comuns. Em 1986, a DC finalizava sua mega saga “Crise das Infinitas Terras”, que tinha a finalidade de reiniciar todo o universo da editora após décadas de continuidades e histórias.

Nesse sentido, a editora encomendou que seus principais personagens sofressem os chamados reboots (tivessem suas origens refeitas) para que assim pudessem se adequar a estrutura narrativa dos novos tempos e abocanhar uma fatia maior de novos leitores que poderiam se sentir intimidados e perdidos com as várias histórias que haviam até então.

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Superman puxou o barco quando John Byrne reimaginou as origens do kryptoniano em 1986 com “Homem de Aço”, trabalhando melhor a juventude de Clark Kent em Smallville antes de se tornar o famoso herói. Esperando repetir o sucesso de “Retorno do Cavaleiro das Trevas” a DC Comics convidou Miller para dar sua visão dos primeiros anos do Batman como combatente do crime.

Combinado ao traço de David Mazzuchelli, que pareceu emular o estilo predominante nas primeiras histórias (inclusive no tocante ao uniforme do personagem), Frank Miller focou em resgatar o tom original estabelecido por Bill Finger e Bob Kane em 1940, em uma história que remeta às antigas revistas policiais do início do século, envolvendo uma cidade violenta, polícia corrupta e um protagonista solitário.

Ano Um” foi outro sucesso imediato com público e crítica no qual ambos concordaram que Miller havia estabelecido não só outro clássico, como também a origem definitiva para a mística do personagem, para o Comissário Gordon e para a turbulenta relação entre os dois.

A história que nunca foi

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Tido isso, Aronofsky e Miller partiram da premissa da história mencionada para recontar em definitivo a origem do Homem-Morcego nos cinemas. O processo, porém, viria com modificações que dariam ao filme uma identidade única. Em primeiro lugar, o argumento da dupla previa que Bruce Wayne, após ficar órfão, perderia sua empresa e fortuna e viveria junto com um mecânico chamado Big Al e seu filho Little Al.

Diferentemente dos quadrinhos aonde Bruce percorreu o mundo para se aperfeiçoar fisicamente, aqui suas habilidades viriam das tentativas de sobreviver à violência urbana diária a qual ele estaria exposto.

Outra diferença era que inicialmente o traje seria completamente artesanal, contando com luvas revestidas com lâminas de barbear e uma máscara de hockey. A batcaverna seria uma pequena parte abandonada do metrô de Gotham.

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Em uma entrevista ao site First Showing em 2017, Aronofsky afirmou que seu filme seria muito similar à atmosfera criada por Todd Philips em “Coringa”.

“Eu vi como eles estavam abordando o filme do Coringa e essa era exatamente minha visão. Eu dizia: nós iremos filmar no leste de Detroit e no leste de Nova York. Nós não construiremos Gotham. Eu queria que o Batmóvel fosse um Lincoln Continental com dois motores de ônibus nele”, afirmou.

Na mesma entrevista o diretor relatou mais uma semelhança entre seu projeto e o filme solo do palhaço do crime. Segundo ele, “Nós estávamos todos tentando reinventar isso e torná-lo mais como Taxi Driver. Esse era o objetivo”.

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Eventualmente o roteiro não agradou os produtores, considerado por eles muito violento e fadado a ter uma classificação +18 nos cinemas. Alguns dos fatores que embasam a decisão é o nível de violência praticada pelo Batman, considerado por Miller como brutal até para seus padrões, um final bastante sanguinolento envolvendo um tiroteio generalizado entre Gordon e policiais corruptos, além de uma abordagem complicada em relação ao próprio James Gordon, que por certa parte do filme tentaria se matar.

Durante uma entrevista ao The Hollywood Reporter, Frank Miller revelou sua opinião sobre o motivo do filme não ter ido para frente. “Os executivos queriam um Batman no qual eles também pudessem levar os filhos e o filme não era para isso. Não havia os brinquedos nele. O batmóvel era apenas um carro modificado”.

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Após o cancelamento do projeto, Aronofsky e Miller seguiram suas vidas. Em 2000, o diretor lançaria o aclamado “Réquiem para um sonho” e se consagraria como um nome de peso no cinema. Já Frank Miller viveria um declínio inacreditável na carreira. Em 2001, o autor lançou uma sequência de sua famosa história do Batman chamada “O cavaleiro das trevas ataca novamente”, sendo ela amplamente repudiada pelo público, que a considerou completamente confusa, e pela crítica, que achou os traços de Miller para compor a arte visual da história terríveis, diminuindo ainda mais o roteiro. Apesar disso, o marketing da obra foi inteiramente montado em cima de ser uma sequência de “Retorno do Cavaleiro das Trevas”, o que rendeu um bom número de vendas.

Entre 2005 e 2008, ele ainda voltaria a ser fortemente criticado, dessa vez com a minissérie “All Star Batman & Robin”. Novamente público e criítica se juntariam para questionar abordagens dadas por Miller ao relacionamento entre Batman e o menino prodígio, mostrado como fisicamente e verbalmente abusivo, além da própria personalidade do protagonista, retratado aqui como praticamente um “lunático descontrolado”.

Apesar do tempo ter passado e de “Batman Begins” ter mostrado, da melhor maneira possível, um pouco do que poderia ter sido esse conceito, a versão de Aronofsky continua a gerar fascínio e a atiçar o imaginário dos fãs. O cineasta veio a afirmar anos depois do cancelamento que ele e a equipe estavam “quinze anos adiantados”. Porém, seu projeto guiou a visão realista praticada por Christopher Nolan, que influenciou o ainda não nascido cinema de quadrinhos.

Veja abaixo algumas imagens dos conceitos que seriam usados por Aronofsky no filme:

Concept Art Shows Off Darren Aronofskys Batman Movie That Never Was

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10 Grandes FRACASSOS do Cinema que Completam 20 Anos em 2020

Entra ano e sai ano, o mundo do cinema nos apresenta novos sucessos que iremos lembrar e comentar pelos próximos tempos, ou quem sabe para sempre. Mas para isso, como forma de equilibrar o universo, também ganhamos anualmente fiascos monumentais. Fracassos de crítica, público ou ambos, algumas produções azaradas simplesmente se tornam uma grande dor de cabeça para seus realizadores e podem inclusive marcar carreiras – chegando a terminar o sonho de estrelato para muitos.

A cada geração, no entanto, alguns fracassos (ou flops, como são carinhosamente chamadas atualmente estas obras) são redescobertos e reanalisados, podendo vir a se tornar filmes cults. São os casos com produções como Blade Runner e O Enigma de Outro Mundo, por exemplo, ainda hoje fortes na cultura popular após seus fracassos na época de lançamento.

Seja como for, aqui iremos abordar em especial os fracassos financeiros de alguns lançamentos do cinema, que custaram muito, renderam pouco, e em 2020 completam 20 anos. Vem conhecer.

A Reconquista

Flops Cinepop

Não tem como começar a lista de outra forma. A Reconquista, ou Campo de Batalha Terra (no título original), é definitivamente um dos maiores fracassos da história do cinema. Projeto de estimação do astro John Travolta, a ficção científica é adaptada do livro homônimo de L. Ron Hubbard, o pai da cientologia, religião da qual o ator faz parte. A trama se passa no ano 3000 e é uma espécie de Planeta dos Macacos (1968) onde desta vez os humanos são escravizados por uma raça alienígena – da qual Travolta faz parte, ele é o vilão Terl.

Bancada pela Warner, a produção recebeu um orçamento de US$73 milhões, e viu de volta apenas algo em torno de US$21 milhões nos EUA. No mundo, não chegou nem a US$30 milhões. Fora isso, soma pífios 3% de aprovação no Rotten Tomatoes, e junto ao grande público no IMDB é o número 15 dos piores de todos os tempos. O filme fez a limpa nos prêmios Framboesa de Ouro, onde voltou a ser destaque no fim da década – eleito como o pior filme dos últimos dez anos, além do pior “drama” dos últimos 25 anos. Ah sim, e A Reconquista era planejado como uma trilogia, deixando até um gancho ao final para isso. E pensar que o diretor Roger Christian teve envolvimento com a saga Star Wars

Dungeons & Dragons

Dungeons Cinepop

Igualmente membro do seleto clube dos piores filmes de todos os tempos no IMDB (este em número 74), o filme é a adaptação do famoso jogo de RPG criado em 1974 – que fez e faz a alegria dos aficionados. Este longa, por outro lado, é uma aula de como NÃO fazer uma aventura de fantasia medieval (muito em voga nos anos 1980, e que voltaria com tudo no ano seguinte ao seu lançamento, com Senhor dos Anéis e Harry Potter).

Sim, o adorado desenho conhecido no Brasil como Caverna do Dragão (1983-1985) também é baseado em tal jogo e possui este título na versão original. Ao invés de adaptar o icônico cartoon, os envolvidos preferiram criar esta enfadonha história do zero dentro de tal universo. Dungeons & Dragons é uma das maiores vergonhas da carreira do vencedor do Oscar Jeremy Irons (que vive o vilão) e junto à crítica no Rotten Tomatoes soma histéricos 10% de aprovação. A produção custou US$45 milhões aos cofres da New Line (subsidiária da Warner) e viu o retorno de apenas US$15 milhões nos EUA, e um pouco mais de US$33 milhões ao redor do mundo.

O diretor Courtney Solomon seguiu para trabalhos melhores, como produtor do drama Cake, com Jennifer Aniston. E curiosamente, Dungeons & Dragons saiu ileso sem indicações ao Framboesa de Ouro.

Os Flintstones em Viva Rock Vegas

Flintstones Cinepop

Muito antes de SCOOBY! fazer sucesso online com sua intenção de um Hanna-Barbera-verse, outras criações do clássico estúdio de animação já haviam emplacado nas telonas. O primeiro Os Flintstones (1994) chegava na esteira dos sucessos de Batman (1989), Dick Tracy (1990) e As Tartarugas Ninja (1990), que apesar de mais sombrios, mostravam que produtos como quadrinhos e desenhos podiam se dar muito bem nos cinemas. E apesar do primeiro filme, que tinha produção de Steven Spielberg, não ter caído no gosto dos críticos, arrecadou impressionantes US$341 milhões num orçamento de US$46 milhões para a Universal.

Porém, ao invés de engatilhar rapidamente a continuação, o estúdio resolveu esperar nada menos que 6 anos, perdendo totalmente o timing e hype do longa original. Assim, Viva Rock Vegas, uma pré-sequência, mudou seus atores e Spielberg saiu, mas trouxe novamente a direção de Brian Levant. E apesar de seguir não impressionando os críticos (com 25% de aprovação), o prego no caixão foi a irrisória bilheteria de US$35 milhões para um orçamento de US$83 milhões nos EUA. Mundialmente, o filme fez um pouco mais que US$59 milhões. Ah sim, o segundo Flintstones teve indicações no Framboesa e no Stinkers Bad Movie Awards e consta como um dos piores de todos os tempos (número 79) no IMDB.

Sobrou pra Você

Nextbest Cinepop

A rainha da música pop Madonna é uma estrela irretocável nos palcos, mas sua carreira como atriz talvez tenha visto mais baixos do que altos. Quatro anos depois das críticas sofridas por Evita, Madonna, a atriz, retornava como protagonista nesta comédia dramática sobre uma mulher que decide ter seu primeiro filho (no auge dos 42 anos da atriz) com seu melhor amigo gay. A crítica deu apenas 19% de aprovação, e afirmou que “os elementos da história colidem e as atuações deixam a desejar”.

Sobrou pra Você não escapou dos prêmios ruins do cinema, e foi indicado para o Framboesa e o Stinkers Bad Movie Awards, sendo indicado para pior filme e “vencedor” de pior atriz para a material girl. O grande e saudoso diretor John Schlesinger (Perdidos na Noite e Maratona da Morte) já viu dias melhores. O filme fez uso de um orçamento mediano, de US$25 milhões, mas viu de volta apenas US$14 milhões nos EUA, e US$24 milhões mundialmente aos cofres da Paramount, não conseguindo sequer se pagar.

Supernova

Supernova Cinepop

Um dos filmes mais polêmicos dos últimos anos, a ficção científica com ares de terror é um dos inúmeros filhotes de Alien – O Oitavo Passageiro (1979), mas um bem problemático. Orçamentos estourados, roteiro reescrito, adiamentos da estreia, e até mesmo a mudança do diretor. Sim, desde que Hollywood é Hollywood estas tretas acontecem. Aqui foi o icônico Walter Hill quem sofreu com esta superprodução da MGM, precisando assinar como Thomas Lee, e dizem que Francis Ford Coppola foi chamado às pressas para terminar o filme.

O resultado final é basicamente um slasher espacial, com uma força galáctica maligna possuindo um tripulante resgatado pela nave dos protagonistas. Em tela desfilam nomes como James Spader, Angela Bassett, Robert Forster, Lou Diamond Phillips e os então jovens talentos Robin Tunney e Peter Facinelli. Com um orçamento pra lá de inflado de aproximadamente US$90 milhões (é de deixar qualquer um de cabelo em pé), o filme não conseguiu recuperar mundialmente nem ao menos US$15 milhões. Os críticos não perdoaram e tascaram uma aprovação de meros 10%, elegendo o longa como “um insulto ao gênero da ficção científica, sem qualquer empolgação e efeitos especiais ruins”.

As Aventuras de Alceu e Dentinho

Rocky Cinepop

E quem disse que filmes infantis não podem ser um verdadeiro desastre de trem? Quando dói no bolso, quem sente é o estúdio. Assim, por mais inofensiva que possa parecer esta primeira adaptação para as telonas de um desenho clássico e adorado dos anos 1950, quem “entrou bem” foi a Universal, que distribuiu o longa. Alceu e Dentinho foram personagens criados para um desenho na TV, e aqui a proposta era levá-los ao cinema numa espécie de Roger Rabbit dos novos tempos, misturando atores reais com os personagens animados. Tudo parecia estar no lugar, e até mesmo o grande Robert De Niro estava a bordo no papel do vilão.

O problema é que o estúdio desembolsou US$76 milhões para o projeto, e o desejo do público de ver o filme era tão pouco, que ele só viu de volta US$26 milhões nos EUA, e um pouco mais de US$35 milhões mundialmente, se tornando assim um prejuízo. Fora isso, a imprensa especializada deu apenas 43% de aprovação ao filme, e o definiu como “um roteiro decepcionante e sem graça, apesar de se manter fiel à natureza do desenho original”. Para os fãs dos personagens, no entanto, nem tudo está perdido, já que foi lançada uma nova série de animação com o alce o esquilo na Amazon em 2018, com 26 episódios.

Jogo Duro

Reindeer Cinepop

Já pensou um filme de ação protagonizado por Charlize Theron e Ben Affleck? Hoje isso seria o suficiente para deixar os fãs ansiosos. E se eu disser que esta produção já existe, e foi lançada há nada menos que 20 anos. Para começar, devemos dizer que na época, o segundo nome mais quente no elenco não era o de Theron (que ainda se firmava em Hollywood) e sim o do sumido Gary Sinise, indicado ao Oscar por Forrest Gump. Um thriller de ação igualmente problemático, que usa como temática a época de natal, mas que devido aos inúmeros empecilhos foi lançado em fevereiro. Já começa errado aí.

Na trama, Affleck vive um sujeito atraído por Theron para integrar a gangue do irmão dela (Sinise), que planeja um assalto na época do natal. A direção é do consagrado John Frankenheimer (que saía do sucesso do eletrizante Ronin) e o roteiro é de Ehren Kruger (Pânico 3). O filme produzido pela Dimension Films contou com um orçamento de US$42 milhões, mas só arrecadou US$23 milhões nos EUA, e US$32 milhões no mundo, não conseguindo se pagar. A crítica também não pegou leve, com 25% de aprovação, o considerando “um filme decepcionante, dono de um enredo forçado e atuações fracas, apesar do elenco decente”.

África dos Meus Sonhos

Africa Cinepop

Projeto pessoal da ex-modelo Kim Basinger, este filme foi o seu primeiro após a vitória no Oscar em 1998 por Los Angeles – Cidade Proibida, ou seja, existia hype dos cinéfilos. Baseado no livro homônimo de Kuki Gallmann sobre suas próprias experiências, Basinger interpreta Gallmann no longa, uma socialite que recebe um “despertar” e muda sua vida após um acidente. Para tanto, a Columbia/Sony desembolsou US$50 milhões e escalou o cineasta Hugh Hudson (indicado ao Oscar por Carruagens de Fogo) para o comando – pretendendo assim dar mais credibilidade à obra.

No entanto, ao invés de prêmios, África dos Meus Sonhos viveu um fracasso de crítica e bilheteria. Com apenas 10% de aprovação no Rotten, a opinião geral foi que a obra “não emociona, nem entretém o espectador, com seu retrato simples e didático da vida da protagonista”. Nos EUA, o público tampouco se interessou, garantindo uma bilheteria de míseros US$6 milhões, que somados com a bilheteria mundial fizeram um total de US$14 milhões. Ou seja, longe de pagar seu investimento. Para não dizer que o filme não viu “prêmios”, Basinger foi indicada para pior atriz no Framboesa e no Stinkers Awards.

A Filha da Luz

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A área do entretenimento pode ser cruel, e é preciso ter uma cabeça muito boa para suportar a pressão e os altos e baixos. Afinal, um dia se está no topo do mundo como a atriz mais quente de Hollywood, ganhando Oscars, e no outro, fracassos consecutivos podem colocar um ponto final ao seu estrelato. Mais ou menos isso ocorreu com Kim Basinger, que viu sua carreira cair em declínio após a vitória do Oscar. Tudo devido ao fatídico ano de 2000 que a atriz teve. Seguindo África dos Meus Sonhos, Basinger apostou neste terror, igualmente baseado num livro.

Se juntar com bons diretores é o primeiro passo para o sucesso de qualquer atriz. No entanto, muitas vezes isso pode não ser tudo. Aqui, trabalhar com Chuck Russell, vindo dos sucessos de O Máskara (1994) e Queima de Arquivo (1996), por exemplo, não quis dizer nada. E pior, essa era a volta do cineasta ao gênero que o consagrou em filmes como A Hora do Pesadelo 3 (1987) e A Bolha Assassina (1998). Resultado: com um orçamento inchado de US$65 milhões (mais caro que o drama acima), bancado pela Paramount, o terror só viu o retorno de um pouco mais de US$29 milhões nos EUA, e US$40 milhões mundialmente.

A Filha da Luz é mais um que pegou carona nos thrillers sobrenaturais com temática apocalíptica da virada do milênio na época, e trazia Basinger como uma mulher precisando proteger uma menina, sequestrada por um culto satânico. A crítica avaliou o longa com irrisórios 3% de aprovação e sobre ele disse que “desperdiça o talento do elenco numa trama mais propícia a inspirar risadas não intencionais do que arrepios e sustos”.

O Caminho para El Dorado

Eldorado Cinepop

Disputar com a Disney no terreno das animações sempre foi uma missão suicida. Mas no fim da década de 1990, a Dreamworks, estúdios de três figurões do ramo do entretenimento, entre eles ninguém menos que Steven Spielberg, chegou forte. Foram filmes como Formiguinhaz (1998) e O Príncipe do Egito (1998) em seus primórdios, por exemplo. Mas antes de Shrek (2001) e no mesmo ano de A Fuga das Galinhas (2000), o estúdio lançava uma animação tradicional que iria amargar um dos maiores fracassos para a Dreamworks – embora depois tenha ganhado seus fãs: O Caminho para El Dorado.

Com uma história típica das aventuras de matinê do passado, o filme traz os aventureiros Tulio e Miguel – com as vozes de Kevin Kline e Kenneth Branagh respectivamente – em busca da cidade perdida de El Dorado, após se verem em posse de um mapa. O investimento para o longa animado foi um dos maiores do ano, com inacreditáveis US$95 milhões, daí um dos motivos de seu fracasso. A obra, embora fosse planejada como uma franquia para as aventuras da dupla, viu o retorno de US$50 milhões nos EUA, e US$76 milhões mundialmente, o que cancelou os projetos das continuações. Fora isso, as críticas também não animaram, com 48% de aprovação e a conclusão da imprensa de que os personagens eram fracos e a história previsível, resultando num filme raso.

Bônus: Um Tira à Beira da Neurose

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Você lembra da comédia romântica protagonizada por Sandra Bullock e Liam Neeson? Pois é, nem mesmo os atores devem lembrar. Ou quem sabe querem esquecer. Mas tal filme de fato existe, e foi lançado há 20 anos por ninguém menos que a Disney – através de sua subsidiária Hollywood Pictures. Este é um dos filmes mais obscuros da carreira dos astros e fala sobre um agente estressado (Neeson) se apaixonando pela enfermeira que o trata (Bullock) enquanto tenta derrubar mafiosos. Ainda bem que a atriz lançaria 28 Dias e, principalmente, Miss Simpatia no mesmo ano.

Com um orçamento pra lá de modesto para os padrões Hollywoodianos, de US$14 milhões, o filme foi rapidamente ignorado e esquecido, recuperando menos de US$2 milhões nos EUA, e um pouco mais de US$3 milhões mundialmente. Com a crítica também falhou em agradar, conquistando 24% de aprovação, e sendo considerado “uma comédia de humor negro pouco inteligente, cheia de piadas de peidos e de gays, que nem mesmo Liam Neeson e Sandra Bullock conseguem salvar”.

10 Filmes Bastante Originais que Você Provavelmente Ainda Não Viu

Todo ano são lançados centenas de títulos no concorrido mercado exibidor mundial. No Brasil, poucos são os cinemas que realmente possuem um carinho necessário com sua programação. Para vocês terem ideia, alguns dos programadores de cinema por aqui nem assistem aos filmes. Absurdo? Talvez. Cada empresa segue sua linha de raciocínio (lembrando que é na pipoca o grande lucro de um cinema) e o mercado acaba de alguma forma absorvendo todo tipo de pensar.

Algumas ótimas distribuidoras tentam trazer o melhor do cinema nacional e mundial para cá, mesmo sabendo a dificuldade que será entrar com esses títulos em cartaz pelo Brasil. Pena que não dá pra trazerem a maioria dos filmes. Temos pouquíssimas distribuidoras e muito menos cinemas de qualidade na programação do que tínhamos anos atrás. Sendo assim, muitos títulos acabam passando desapercebidos ano após ano, sendo, talvez, descobertos futuramente em plataformas de streamings, ou de outra forma…

Muitas dessas produções tem uma pegada bastante original, contando histórias que pouco vemos em filmes por aí. Pensando nisso, segue abaixo uma humilde lista de ótimas produções originais que tiveram poucas ou nenhuma chance de serem vistas por brasileiros, no Brasil.

#1 Canastra Suja 

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Quando em momentos de conflito não existe nem ao menos uma alma estranha para aconselhar. Escrito e dirigido por Caio SóhCanastra Suja é um drama, um retrato nu e cru de uma família repleta de problemas, onde muitos se blindam na dependência alcoólica do pai, Batista, interpretado pelo ótimo Marco Ricca. Impressiona a capacidade do roteiro em prender o espectador. Talvez pelos ‘plot twist’ existentes, talvez pela curiosidade do olhar do público em saber qual o final de cada personagem. É um filme sobre família, seus problemas, seu cotidiano. Cada personagem é uma peça nesse tabuleiro. A eminência da tragédia é algo que percorre todos os intensos 120 minutos de projeção.

Batista (Marco Ricca) e Maria (Adriana Esteves) são casados e são pais de três filhos: Emília (Bianca Bin), Ritinha (Cacá Ottoni) e Pedro (Pedro Nercessian). Eles levam uma vida de aparências, regados de problemas do cotidiano, muito por conta do fato de Batista ser um alcoólatra. Sem confiança de ninguém de sua família, o pai desconta toda sua raiva e frustrações da vida bebendo e no relacionamento repleto de dificuldades com o filho. Alguns acontecimentos surpreendentes vão contornar essa história.

As reviravoltas do roteiro são importantes para o ritmo da trama, vamos aos poucos vendo faces ocultas dos personagens que causam surpresa e mudam nossa ótica sobre eles. Cartas de baralho definem arcos. Extremamente complexos individualmente, completamente desalinhados como família, Canastra Suja apresenta um leque de portas se abrindo ao mesmo tempo que muitas outras se fecham. O olhar para o futuro com alegria vai virando um pequeno feixe de luz na porta mais distante que conseguimos enxergar.

As subtramas são muito bem elaboradas, exploram as características de cada personagem. Os dramas tomam camadas densas e profundas. Muitos personagens parecem estar no limite. Pedro usa os problemas do pai como justificativa para sua falta de rumo na vida, colocando-o sempre em evidência. Emília é um epicentro importante da família. Parece que todas as variáveis passam por ela, possui um papel de equilíbrio, pelo cuidado que tem com a irmã Ritinha. Namora Tatu (David Junior), mas também gosta do seu chefe dentista. A partir do segundo ato, conhecemos um pouco mais a fundo a dama do baralho, que parece esconder segredos, sonhos e objetivos, Maria, a mãe. Quando a família volta do trabalho, seu papel permanece como outra vertente de equilíbrio, principalmente na relação conturbada entre o filho e o marido. A batalha entre pai e filho percorre todos os arcos. Um coloca no outro a culpa pelos seus problemas. Batista é um pai rígido mas não consegue se livrar de seus fantasmas com a bebida, o que coloca em xeque todo o respeito que os outros poderiam ter por ele.

A bela apresentação inicial, ao melhor estilo teatral, onde a câmera passa pelos personagens já indica um certo tipo de ciclo que veremos, talvez com uma redenção, talvez com esclarecimentos sobre o futuro dos personagens. Canastra Suja é um trabalho sólido, surpreendente e, desde já podemos afirmar ser um dos grandes trabalhos do cinema nacional dos últimos anos. Pena que teve uma carreira relâmpago em algumas poucas cidades e em alguns poucos cinemas pelo Brasil.

#2 Bait 

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Quando a técnica de filmagem se sobrepõe e faz tudo ganhar sentido na características dos personagens. Bait, tá aí um filme extremamente interessante! O cineasta Mark Jenkin, que assina a direção e roteiro dessa pérola com passagem pelo Festival de Berlim e vencedor de um BAFTA, resolveu usar 130 rolos de filme Kodak que viraram um 16mm todo em preto e branco para mostrar aos cinéfilos as possibilidades da criatividade, não só narrativa mas de técnicas quando pensamos sobre um filme. Simples e complexo, dramático e pulsante, um baita achado na galeria dos bons filmes exibidos em festivais nos últimos anos.

Na trama, conhecemos o emburrado pescador Martin Ward (Edward Rowe), um homem de poucas palavras, que possui o sonho de ter um barco só dele para ganhar mais dinheiro e buscar uma felicidade ainda distante. O protagonista possui um péssimo relacionamento com o irmão Steven (Giles King), pois esse usa o barco que foi do pai deles como transporte turístico e não para pescar conforme as tradições da família. Além disso, Martin confronta tudo e a todos buscando preservar a parte da cidade que mais conhece da maneira como ele sempre conheceu. Mas, no meio tempo de tudo isso, uma tragédia acontece e isso pode mexer nos planos do destino de Martin.

O modo como foi filmado, belíssimo, precisando até ter todos os diálogos dublados em estúdio, às vezes pode atrapalhar nossa análise sobre essa pequena relíquia cinematográfica. Há um complemento entre a técnica utilizada e as características dos personagens. Tudo se encaixa muito bem, principalmente quando conhecemos os porquês e as consequências de tudo que assistimos. Ainda há tempo do roteiro abordar como subtrama jovens e descobertas do amor, os impactos e embates da mudança de rota do turismo de uma região tradicional, relacionamento familiar, ciúmes de irmão.

O interessante é que se formos analisar a fundo, percebemos que dá para se entender o filme de trás pra frente, ou ao contrário. Jenkin mostra aos cinéfilos que a simplicidade usada com criatividade, é uma arma impactante de quem busca uma originalidade tão necessária na mesmice de nossos tempos.

#3 Atlantique

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Em seu primeiro trabalho como diretora, a cineasta francesa Mati Diop consegue reunir elementos físicos e sobrenaturais para nos contar uma história de amor pouco convencional que acontece em Dakar, no Senegal. Em meio a uma paisagem e arcos que remetem ao grande oceano que banha a parte da cidade onde se passa a trama, Diop e suas lentes conseguem uma incrível conexão com quem assiste do lado de cá da telona. Disponível no catálogo da Netflix, o filme levou o grande prêmio do Júri em 2019 no prestigiado Festival de Cannes.

Na trama, conhecemos a jovem Ada (Mame Bineta Sane), uma mulher que vive seus dias na expectativa do casamento arranjado com um homem que não ama. Ada, esconde outra paixão, se encontra escondida com seu grande amor Souleiman (Ibrahima Traoré) sempre que possível. Quando Souleiman resolve, sem avisá-la, partir pelo oceano atrás de uma vida melhor, a vida de Ada ganha novas e curiosas passagens.

Abordar o sobrenatural de maneira interessante é um trabalho para poucos, e esse fato é a grande reviravolta do filme que caminha lentamente pelos detalhes do ambiente deixando surpresas como migalhas em uma trilha até o seu clímax. Dentro do contexto desse bom projeto, o amor é visto de uma ótica bonita através do sentimento, das afinidades, além claro de ótimas pitadas de críticas sobre a condição social da região, costumes e crenças.

Atlantique é um trabalho para ser apreciado. Um pequeno tesouro perdido nos milhares de lançamentos dos streamings. É um filme que cinéfilo tende a gostar, os contornos narrativos transbordam emoções puras que viram paralelos à nossa realidade.

#4 Nefta Football Club

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Nas linhas da ingenuidade, propósito e razão nunca desaparecem. Indicado ao Oscar de Melhor Curta, Nefta Football Club usa da criatividade de um assunto comum com a fragilidade do olhar ingênuo. Sacada bastante interessante do cineasta Yves Piat, que entre outros pontos incorpora à sua história a essência do futebol pelo olhar das crianças.

Ao longo dos quase 17 minutos de projeção, conhecemos rapidamente dois irmãos que estão sozinhos andando de moto por uma estrada deserta da Tunísia (próximo à fronteira com a Argélia) até que um deles precisa urinar e acaba avistando um burro com um headphone e uma carga curiosa: um pó branco que, no modo deles enxergarem, parece sabão em pó. Tentando descobrir ao certo o que é aquele produto, o mais velho bola um plano para tentar negociar aquilo, enquanto o mais novo acaba tendo outros planos.

Todo curta bom precisa ser impactante em algum momento, pois são poucos minutos para fazer o público se interessar pelo que acontece em tela. Nefta Football Club consegue reunir elementos que juntos constroem um desfecho com mensagem positiva, pra lá de emblemática, onde a pureza e a ingenuidade vencem qualquer tipo de caminho.

#5 Buoyancy

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A falta de perspectiva em um mundo que se distancia das emoções positivas. Indicado da Austrália ao Oscar de Melhor filme estrangeiro no ano passado (não chegou entre os cinco finalistas), Buoyancy, ou Empuxo como alguns denominaram por aqui, é uma forte e dramática saga de um jovem sem rumo que, buscando oportunidades na liberdade das escolhas, acaba envolvido no submundo absurdo do tráfico de pessoas. Com uma fotografia impecável e um roteiro com bastante profundidade, o projeto dirigido e roteirizado pelo cineasta australiano Rodd Rathjen (debutando em longas) nos guia para uma metáfora de sobrevivência cruel e impactante.

Há muitas verdades sobre o mundo lá fora que nem imaginamos ou nunca paramos para pensar. O dia a dia de milhares de jovens sem oportunidades de renda, alimentação e estudo básicos é o pontapé inicial dessa cruel história de um jovem de menos de 15 anos chamado Chakra (Sarm Heng), que resolve abandonar a família no Camboja para tentar a sorte de ser alguém no mundo e assim acaba sendo enviado para um barco de pesca em alto mar onde o capitão é uma alma bastante cruel. Buscando sobreviver após humilhações e testemunhando atos cruéis do capitão, Chakra precisará ser forte e lutar com todas as suas forças para sobreviver ao pesadelo.

Existem filmes onde a limite da maldade é colocada dentro de uma profundeza difícil de acessar. Humano até a ponta de qualquer borda de alma, os princípios de raízes da sobrevivência viram a única solução para a situação caótica enfrentada pelo protagonista. Há um jogo de emoções conturbado por situações extremas, como o fato de ter que trabalhar quase o dia todo para comer um potinho de arroz. O protagonista vai se modelando, inflando dentro de suas emoções para se tornar amadurecido a ponto de tomar decisões vitais para ter alguma chance de sobreviver em meio a essa maldade toda.

O arco final é intenso e condiz com tudo que o filme se mostra. Exibido no Festival de Berlim do ano passado, Buoyancy vai até seu último minuto nos mostrando as escolhas e como e porquê o protagonista resolve suas questões. O que será do futuro dele? Há esperança por dias melhores? Ele se tornara outra pessoa? Depois dessa tempestade, uma coisa é certa, ninguém fica igual ao que era antes. Filmaço, que absurdamente não ganhou chances no circuito brasileiro de exibição.

#6 Rosie

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Da aparente simplicidade em contar a realidade, até a riqueza de chamar atenção para uma reflexão da sociedade. Daquelas gratas surpresas que nós cinéfilos sempre assistimos ao longo dos anos, aquele filme que você nunca tinha ouvido falar e se por acaso assistiu, se impressionou. Bem, isso acontece com Rosie, dirigido pelo cineasta irlandês Paddy Breathnach (que também assinou a direção do ótimo filme Viva) com roteiro de Roddy Doyle. Uma mãe, um marido e as dificuldades de arranjarem um lugar para morar. Parece simples? Mas não é não, drama dos bons, forte e impactante.

Na trama, conhecemos Rosie (Sarah Greene) e John (Moe Dunford), um casal que enfrenta dificuldades financeiras e não conseguem um lugar para morar tendo que passar dia após dia dentro do carro com seus filhos. Assim, ao longo de uma tentativa e outra, acompanhamos melhor a trajetória dessa jovem mãe, seu passado de brigas com a mãe e a busca por dias melhores para sua família.

Rosie é o tipo de filme com cara de festival de cinema. Reflexivo a todo instante, a protagonista é colocada em xeque a cada minuto, seja pela diretora da escola de seus filhos, seja pelas duras palavras de sua mãe, pelo olhar de outras famílias, pela ótica de amigos próximos que estão com o cachorro da família até eles arranjarem algum lugar. Mas ao longo dos curtos 86 minutos também dá tempo de entendermos a ótica de John, o marido, que se esforça entre um bico e outro para arranjar dinheiro e assim sustentar sua família.

O filme é duro em muitos momentos, dá uma aflição, encosta na realidade de maneira importante e serve para refletirmos e pensarmos duas vezes antes de julgarmos as pessoas. Mas, uma mensagem linda de união familiar chega a cada gesto, seja com a preocupação com o bichinho adorado de pelúcia de um dos filhos, no afeto entre marido e mulher, ou pela questão da proteção quando o carro está lotado e o pai precisa dormir fora dele, mas de perto e observando se todos ficarão bem. Rosie é um filme sobre um retrato de nossa sociedade, importante assistirem.

#7 Guaraní

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O que fazer quando nos damos conta de que o que buscamos está ao nosso lado? Escrito e dirigido pelo cineasta paraguaio Luis ZorraquinGuaraní é impactante da maneira mais pura e singela que você possa imaginar já ter visto em um filme nos últimos anos. Falando sobre cultura, tradições e família, o longa-metragem ainda não lançado no Brasil vai conquistando o coração do público aos poucos, de maneira simples e honesta. Somos testemunhas do amadurecimento dos personagens que de maneira linda encontram uma certa redenção a sua forma de pensar e ver o mundo mesmo tendo poucos recursos. Com um desfecho de deixar você sentado no cinema até o fim dos créditos pensando sobre a vida, Guaraní muito se aproxima, por conta de certos detalhes, do nosso campeão Central do Brasil.

Na trama, conhecemos Atilio (Emilio Barreto), um barqueiro que vive de maneira bastante humilde junto de sua família, repleta de mulheres. Sua vida é o rio, em sua profissão já viu de tudo dentro de toda água que já navegou. Seu contato mais próximo, mas mesmo assim não tão amistoso, é com sua neta Iara (Jazmin Bogarin) com quem passa longas horas ao longo dos dias após a jovem voltar da escola, já que é ela que o ajuda nas travessias pelo rio levando produtos de um lado para o outro. Atilio sempre quis ter um neto homem para passar tudo que aprendeu sobre sua cultura Guaraní, mas só mulheres nascem em sua família. A vida pacata de avô e neta muda quando a mãe de Iara, que mora na Argentina, envia uma carta dizendo que está grávida de um menino. Assim, a dupla parte rumo rio adentro em uma viagem rumo à Argentina para convencer a mãe de Iara a criar a nova criança no Paraguai com as tradições guaranís.

A simplicidade faz toda a diferença nesse emocionante filme. Usando de poucos recursos, mas com uma grande ideia nas linhas de roteiro, Zorraquin foca naquilo que precisava, que era conseguir passar toda a emoção em simples gestos de um protagonista limitado, que conta com uma neta rica de viver – terminando por ser o contraponto perfeito para que a emoção transborde em cena. Os últimos atos são fabulosos, chegando a um desfecho poderoso e inesquecível.

#8 Jak Pies Z Kotem

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Temos que aprender a viver todos como irmãos ou morreremos todos como loucos. Dirigido pelo cineasta nascido no Cazaquistão Janusz KondratiukJak Pies Z Kotem (sem tradução para o português) é um projeto que fala sobre as fábulas da vida em paralelo à uma realidade cheias de razões para não mais se acreditar. Uma relação conflituosa entre irmãos se transforma em uma jornada de descobertas, onde o brilho dos personagens está contido em cada cena.

Na trama, conhecemos os irmãos cineastas Andrzej (Olgierd Lukaszewicz) e Janusz (Robert Wieckiewicz) que ao longo do tempo nutriram uma relação repleta de altos e baixos. Agora já na etapa final de vida, Andrzej sofre um acidente que o impossibilita de viver sozinho e como não há mais ninguém para ajudar, seu irmão Janusz e sua esposa decidem cuidar dele.

A relação entre os irmãos navega pela tristeza e nos conflitos emotivos. Janusz guiou sua vida através dos sonhos do irmão e sentiu demais uma longa distância entre os dois que acontece já na chegada do terço final da vida de ambos. Andrzej, mente muito criativa, talvez pelo fato de trabalhar com arte, após seu derrame só lhe sobra o ato de sonhar e imaginar situações para tudo que está vivendo e o pouco caminho que ainda precisa percorrer antes de falecer.

Misturando um drama profundo com pitadas de comédia, esse longa polonês se destaca pela alma de seus personagens e pelo ótimo roteiro que nos faz navegar junto a tudo de emocional que aparece na trama. Sem previsão de estreia no Brasil, o filme é quase uma relíquia em torno de tantos lançamentos aos longos dos anos.

#9 Dogman

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Como você enxerga as brutalidades da vida? Indicado da Itália ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Dogman é um retrato social, brutal, passado em uma periferia italiana onde vários questionamentos são levantados a cada nova virada no roteiro. O longa é dirigido pelo cineasta italiano Matteo Garrone, do inesquecível e impactante Gomorra, e protagonizado pelo ator Marcello Fonte, vencedor da Palma de Ouro em Cannes de melhor ator.

Na trama, passada em uma cidadezinha na Itália não identificada, conhecemos o carinhoso, peladeiro e boa praça Marcello (Marcello Fonte), um humilde e gentil dono de uma petshop localizada na região central dessa cidadezinha. Marcello vive tranquilo seus dias e adora passar o tempo com sua única filha. Mas Marcello acaba envolvido em várias situações com Simoncino (Edoardo Pesce), um perturbador baderneiro que incomoda todos na cidade, sempre arrumando confusão. Após uma dessas situações terminar em consequências terríveis para Marcello, o protagonista busca sua vingança da maneira mais radical que poderia.

O bom roteiro é aquele que sabe flexionar sua trama para chegar ao clímax de maneira certa, sem pressa, levando ao público um estrondoso ar de surpresa. É exatamente isso que Dogman faz! De drama, vira thriller em frações de segundos, levando o espectador a ser o juiz das ações de Marcello na segunda parte do filme. A ação e consequência que sofre o dono da petshop, por ter a reputação abalada e o desespero de não saber o que fazer para acabar com aquela dor são parte desse quebra-cabeça psicológico instaurado e muito bem dirigido por Garrone.

Coisas ruins vão acontecer com pessoas boas. É praticamente um versículo vital. Os coadjuvantes dão ótimo tom a todo o liquidificador de pensamentos que chegam até o protagonista quando está em crise existencial, sozinho, tendo que combater o vilão de todos e que fora muito mais para ele. Somos testemunhas de uma desconstrução total do personagem e nos levam a pensar à margem da sociedade, como se vivessem em áreas sem regras, nem leis, onde os homens caminham pelos seus próprios e nublados pensamentos. Um soco no estômago esse belo trabalho que passou rapidamente pelo circuito exibidor brasileiro.

#10 American Animals

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Em um mundo tão belo, eu queria ser especial. Mas eu sou insignificante. Eu sou um esquisitão. Que diabos estou fazendo aqui?Creep, da extraordinária banda Radiohead, encaixa muito bem quando pensamos em American Animals. Um dos mais comentados filmes do Festival de Sundance de anos atrás, tem em seu roteiro criativo seu enorme pilar para apresentar ao público uma história real, com diversos pontos de vista e uma autoavaliação dos verdadeiros autores desse curioso roubo que ocorreu nos Estados Unidos alguns anos atrás. Escrito e dirigido pelo excelente Bart Layton (do ótimo O Impostor), o projeto é uma espécie de ação/ficção com documentário. Envolvente do primeiro ao último minuto, é, com toda certeza, um dos grandes filmes que nunca foram exibidos no circuito de salas de cinema no Brasil.

Na trama, conhecemos Spencer (Barry Keoghan), um estudante de arte bastante introspectivo que dorme e acorda pensando em encontrar algum sentido para sua vida. Certo dia, durante uma visita à biblioteca da universidade que estuda, descobre alguns livros raros que ficam em uma sala especial protegidos por uma bibliotecária. Assim, junto com seu amigo Warren (Evan Peters), e mais outros dois, começa a bolar um plano mirabolante para roubar as raridades. Para dar mais ingredientes à trama, realidade e ficção se unificam durante as quase duas horas de projeção, transformando um simples filme de roubo em algo muito interessante e esclarecedor.

Qual o sentido da vida? Viver o sonho americano nunca é fácil. Aos olhos dos dois maiores protagonistas da trama, conseguimos enxergar motivos e razões para entendermos seus atos. A troca entre realidade e ficção dita o ritmo do roteiro, com pontos de vistas entrelaçados e diferentes sobre determinados detalhes. Um trabalho primoroso de Layton. Indo mais a fundo nas palavras e contextos desse roteiro, se pensarmos em um protagonista, Spencer se encaixa, onde nossos olhos mais se concentram pois é o personagem que se constrói e desconstrói com uma rapidez gigante, divide as atenções com o excêntrico Warren, o motor do filme, o explosivo, dúbio, grande incentivador do roubo e inconsequente em seus atos.

Qual a razão dos jovens realizarem algo tão audacioso? Uma das grandes perguntas do filme é respondida a toda a instante, pelos personagens reais que aparecem relatando seus pontos de vista. Não só os que participaram do roubo mas também familiares e envolvidos no caso que marcou época na história recente norte-americana. American Animals é muito mais que um simples retrato sobre o panorama jovem norte-americano, é um crítica social profunda, repleta de camadas, onde cada um de nós, do lado de cá da tela, recebemos diversos argumentos para chegarmos ao nosso próprio final sobre todas as interrogações que o filme entrega.

‘Jurassic World: Acampamento Jurássico’ é um sucesso e entra para os títulos mais vistos da Netflix

A nova série animada da Netflix, intitulada ‘Jurassic World: Acampamento Jurássico‘, já está disponível na sua plataforma de streaming e se tornou um GRANDE SUCESSO.

A produção teve sua estreia na grade de programação nesta sexta-feira (18), e já figura no TOP 10 de títulos mais vistos do catálogo.

A trama se passa na mesma linha temporal de ‘Jurassic World‘ e acompanha um grupo de adolescentes que fora escolhido para a experiência única de viver uma aventura no lado oposto da Ilha Nublar. No entanto, o passeio foge de controle quando os dinossauros começam a atravessar para o outro lado, colocando a turma toda em um perigo iminente. Sem contato com o mundo exterior, eles terão que se unir para tentar sobreviver.

Confira, junto ao trailer:

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‘Reino Ameaçado’ foi o último filme da série a chegar aos cinemas, chegando aos cinemas no primeiro semestre de 2018. A nova trilogia será completada no dia 11 de junho de 2021, com Jurassic World 3: Domínio’.

‘Falcão e Soldado Invernal’: Imagens dos bastidores revelam mais detalhes do uniforme de Buck

As filmagens de ‘Falcão e Soldado Invernal’ seguem a todo vapor em Atlanta e novas imagens dos bastidores estão circulando na internet e elas revelam mais detalhes do uniforme de Buck para a produção.

As fotos foram compartilhadas por um usuário do Twitter.

Confira:

Confira a mais recente imagem de Anthony Mackie com o visual do herói Falcão:

“Os garotos estão de volta à cidade! Me divertindo enquanto pratico o distanciamento social…”

Confira a sinopse oficial da série:

Seguindo os eventos de ‘Vingadores: Ultimato’, Sam Wilson/Falcão e Bucky Barnes/Soldado Invernal se unem em uma aventura global que testa suas habilidades – e sua paciência – em ‘Falcão e Soldado Invernal’.

Estrelada por Anthony Mackie e Sebastian Stan, a produção será lançada na primavera norte-americana de 2020 (20 de Março a 20 de Julho). Emily Van CampDaniel Brühl e Noah Mills completam o elenco.

Kari Skogland, veterana da televisão norte-americana, será responsável pela direção de todos os seis episódios da nova série.

Skogland é conhecida por seu trabalho em The Walking DeadFear the Walking Dead e pela aclamada série ‘The Handmaid’s Tale’.

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Festival de Gramado | O Silêncio do Caçador – Thriller Argentino Alerta Sobre a Urgência do Pantanal

A região do Pantanal está nos noticiários do mundo inteiro devido aos inúmeros e incontroláveis incêndios que estão destruindo a fauna e a flora local. Embora a maior parte dessa região se concentre em território brasileiro, há também uma grande área que pega parte do norte da Argentina, na região de Missiones – local onde se passa ‘O Silêncio do Caçador’, longa argentino em competição no 48º Festival de Gramado 2020.

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Ismael Guzmán (Pablo Echarri) é um ferrenho guarda florestal de Missiones, que luta quase que sozinho para combater o desmatamento, o tráfico de animais e a caçada ilegal na província. Esse quadro se agrava ainda mais porque Orlando Venneck (Alberto Ammann), conhecido como Polaco, se acha acima da lei, e, portanto, entende-se como no direito de fazer o que quer, dentro ou fora da sua fazenda, até porque é o sujeito mais rico e influente da região, e ninguém quer mexer com sua família. Ninguém, exceto Guzmán.

O trio principal do elenco imprime a angústia e a impotência a seus personagens, características corriqueiras dentre aqueles que se veem num ambiente de disputa de poder e, ao mesmo tempo, isolados das capitais cosmopolitas. Ao criar um triângulo composto por um guarda ambiental, um filho de coronel e uma jovem médica (Mora Recalde), o argumento do longa se apropria desses três elementos essenciais da dinâmica ambiental para ilustrar a profunda complexidade da disputa pelo poder na zona da mata, e o quanto tudo isso ainda é reflexos da partilha das capitanias hereditárias.

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É muito louco pensar nisso, mas, de fato: a disputa pelo poder nas regiões florestais realmente são dignas de mirabolantes tramas de suspense, desses que nos deixam sem respiração, uma vez que as histórias parecem potencialmente reais, como em ‘O Silêncio do Caçador’. Assim, o roteiro de Francisco Kosterlitz consegue dosar bem a pegada do thriller com a reflexão da pauta ambiental, misturando uma pegada shakespeariana de disputa entre a família rica X família pobre, envolvendo uma bela donzela em jogo, num ritmo crescente alucinante que desponta a tragédia anunciada.

Com um projeto ambicioso – uma vez que filmar em floresta é uma das coisas menos recomendadas em qualquer escola de cinema – o diretor Martín De Salvo alcança um bom retrato da hercúlea realidade daqueles que tentam, a todo custo, proteger as florestas nesses locais isolados onde a lei parece não alcançar. Com gravações dentro da floresta, o jogo de câmera oculta entre as árvores foi uma acertada decisão para ajudar a ambientar o espectador dentro do universo solitário e claustrofóbico da selva.

Ao jogar luz no urgente debate sobre o descontrole e o coronelismo vigente nas zonas inóspitas das cidades florestais, ‘O Silêncio do Caçador’ se apresenta como um bom thriller ambiental, elevando o nível da competição no Festival de Gramado, posto que o drama do Pantanal se tornou gritante na vida real. É impossível permanecer impassível nesse debate, e ‘O Silêncio do Caçador’ faz a gente pensar que o agro, afinal, não é pop. E muito menos é tudo.

‘Locke & Key’: Começam as gravações da 2ª temporada!

As gravações da 2ª temporada de Locke & Key começaram oficialmente na Netflix.

Nesta última sexta-feira (18), o elenco se juntou para anunciar as boas novas através do Instagram oficial da produção, revelando uma imagem da família Locke. É possível que o próximo ano seja lançado no meio do ano que vem.

Confira:

 

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Season ✌️ is now in production! Drop an aloha 🖕if you’re excited

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Em entrevista ao Collider, os showrunners Carlton CuseMeredith Averill aproveitaram o sucesso da 1ª temporada para comentarem sobre o que os fãs podem esperar para o próximo ciclo – indicando que a mitologia criada por Joe Hill será expandida cada vez mais.

“Houve um processo de história pelo qual passamos, no qual tivemos que fazer decisões fundamentais sobre o que colocaríamos na 1ª temporada e o que levaríamos para a 2ª. Passamos um longo tempo conversando sobre o que iríamos apresentar da mitologia no começo, e fizemos decisões conscientes sobre o que traríamos para o final da primeira temporada e o que seria guardado para o futuro. Acho que ficamos bem felizes com os resultados. Há algumas revelações interessantes para a 2ª temporada, mas decidimos dar ao público uma boa dose de respostas logo de cara”.

Lembrando que os dez primeiros episódios já estão disponíveis na plataforma de streaming.

Os quadrinhos de ‘Locke & Key‘ foram publicados pela primeira vez em 2008 por Joe Hill, e acompanham uma família cujos membros são os guardiões de uma série de chaves místicas, tentando mantê-las protegidas das forças malignas do vilão Caravaggio.

De acordo com o Deadline, a série trará Connor Jessup e Jackson Robert Scott como protagonistas, interpretando os irmãos Tyler e Bode Locke, respectivamente. 

Griffin Gluck (‘American Vandal’) e Steven Williams (‘The Leftovers’) também fazem parte do elenco. Gluck será Gabe, um estudante que vai para a Academia Matheson – a mesma escola de Kinsey Locke (Emilia Jones); Williams, por sua vez, será Joe Ridgeway, um professor da mesma instituição.

Além deles, Coby Bird dará vida à Rufus Whedon, um personagem neurodivergente que se torna uma peça essencial na missão de Bode e Tyler Locke. 

Carlton Cuse entra como showrunner da série ao lado de HillAndre Muschietti, responsável pelo remake de ‘It – A Coisa’, havia sido cotado para dirigir os episódios, mas saiu do projeto.

Locke And Key Poster

‘Duna’ ganha comercial de TV incrível com cenas INÉDITAS; Confira!

Warner Bros. divulgou o primeiro spot para televisão da vindoura adaptação de Duna, baseada no clássico romance sci-fi de Frank Herbert.

Confira:

Lembrando que o longa permanece com previsão de estreia para 18 de dezembro de 2020

Uma jornada de herói mítica e emocionante, ‘Duna’ conta a história de Paul Atreides, um jovem brilhante e talentoso nascido com um grande destino além de seu entendimento, que deve viajar para o planeta mais perigoso do universo para garantir o futuro de sua vida, família e seu povo. À medida que as forças malévolas explodem em conflito sobre o recurso mais precioso existente no planeta – uma mercadoria capaz de desbloquear o maior potencial da humanidade –, somente aqueles que podem dominar seu medo sobreviverão.

Além de Chalamet (‘Me Chame pelo Seu Nome‘) no papel principal, o elenco conta com Oscar Isaac, Rebecca FergusonJason MomoaDave Bautista, Javier BardemCharlotte Rampling e Josh Brolin completam o elenco.

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‘The Test’: John Boyega será psiquiatra em distopia de suspense psicológico

De acordo com o Deadline, John Boyega (‘Star Wars: A Ascensão Skywalker’) e Payman Maadi (‘Esquadrão 6‘) vão estrelar a adaptação do romance ‘The Test‘, escrito por Sylvain Neuvel.

Escrito e dirigido por Gavin Hood (‘Decisão de Risco‘), o longa é ambientado em um futuro não tão distante e vai acompanhar Boyega como um psiquiatra comportamental do Reino Unido responsável pela criação de um teste que identifica possíveis terroristas entre um grupo de imigrantes.

Maadi será um desses imigrantes, um homem de fala mansa e capaz de confundir qualquer um com suas palavras ambíguas.

Em entrevista ao portal, Hood descreveu projeto como “um thriller psicológico de tirar o fôlego, ambientado em um futuro autoritário que vai agarrar o público pela garganta e bagunçar suas mentes.”

Ainda sem previsão de estreia, o longa deve ser rodado ainda em 2020 através da produtora Entertainment One.

Maiores detalhes não foram revelados, e como o projeto ainda está nos estágios iniciais, novas informações devem ser divulgadas pelos próximos meses

‘Supernatural’: Jared Padalecki diz quer adoraria fazer um filme baseado na série

Supernatural‘ está chegando ao fim em sua 15ª temporada e os fãs já estão em clima de tristeza por conta da despedida de Jensen Ackles e Jared Padalecki, os irmãos Dean e Sam Winchester.

Durante uma entrevista para o podcast Inside of You com Michael Rosembaum, Padalecki tocou no assunto e foi questionado se voltaria a reprisar o papel no futuro.

Em reposta, o astro disse que adoraria fazer um filme baseado na série.

“Eu espero que sim, definitivamente. Sempre imaginei que poderíamos contar a história dos Winchester em um filme ou em um episódio especial de duas horas. É só uma ideia, mas quem sabe?”

O astro foi adiante e disse que não acredita que a 15ª temporada seja o fim definitivo da jornada.

“Eu sinto que isso não é um adeus, sabe? Parece mais um ‘vamos tirar uma folga antes de voltar à ativa’. Sempre pensei que poderia haver uma possibilidade de retornarmos no futuro, uns cinco anos depois do fim… Eu me imagino recebendo uma ligação e alguém diz: ‘Ei, o que vocês acham de fazer um revival de seis episódios?'”

E aí, o que você acha da ideia?

Lembrando os episódios finais da 15ª temporada de ‘Supernatural‘ vão ao ar a partir de 08 de outubro, na CW.

Confira o trailer estendido, junto com o pôster:

Supernatural

“Sua jornada final continua. Os sete episódios finais de Supernatural estreiam a partir de 08 de outubro!

Criada por Eric Kripke, a série inicialmente foi planejada para durar 5 temporadas, mas continuou após se tornar um dos maiores sucessos do canal.

Sam (Padalecki) e Dean (Jensen Ackles) lutaram contra demônios e anjos, criaturas míticas e monstros, em uma busca aparentemente interminável para salvar o mundo. Mas na batalha final, eles enfrentam o próprio Deus (Rob Benedict), recusando-se a matar seu filho Nephilim Jack (Alexander Calvert), trazendo assim a decisão de Deus de acabar com essa realidade de uma vez por todas…

O elenco conta com Jared Padalecki, Jensen Ackles, Misha Collins, Samantha Smith, Mark Pellegrino, Ruth Connell e Alexander Calvert.

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‘Superman & Lois’: Elizabeth Tulloch faz teste de Coronavírus para iniciar as filmagens da série; Confira o vídeo!

Para garantir a segurança de todo o elenco e de sua equipe de apoio, a emissora The CW está realizando uma bateria de testes de Coronavírus nos bastidores da série ‘Superman & Lois‘, antes de iniciar as filmagens da produção.

E a atriz Elizabeth Tulloch compartilhou um rápido vídeo onde ela é submetida a novos testes, para que então possa ingressar no set de gravações.

Confira:

“Representando meu time durante meu primeiro teste de Covid de hoje, para Superman & Lois”. 

Recentemente, a CW divulgou um novo teaser do universo compartilhado da DC nas telinhas, agora chamado ‘CWVerse’.

O vídeo recapitula alguns momentos marcantes desde o início da jornada apresentada em ‘Arrow‘ até chegar às mais novas produções da emissora, incluindo ‘Stargirl‘.

Ao final, há um breve teaser de ‘Superman & Lois‘, que estará disponível em janeiro de 2021.

Confira, junto com a sinopse e os cartazes individuais:

“Em Superman & Lois’, anos depois de enfrentarem supervilões megalomaníacos, monstros caóticos em Metrópolis e invasores alienígenas que desejavam varrer a raça humana da face da Terra, o super-herói mais famoso do mundo, o Homem de Aço (também conhecido como Clark Kent) e a jornalista mais famosa dos quadrinhos, Lois Lane, enfrentam um dos maiores desafios de todos os tempos: lidar com o estresse, as pressões e as complexidades que surgem em ser pai nos dias de hoje.

Além desse complicado trabalho de criar dois meninos, Clark e Lois também se preocupam com o fato dos filhos Jonathan e Jordan poderem herdar os superpoderes kriptonianos do pai à medida que crescem.

Retornando a Smallville para resolver algumas situações, o casal também se reencontra com Lana Lang, antiga namorada de Clark, e seu marido Kyle Cushing. Os adultos não são os únicos a cruzarem com antigas amizades, visto que os jovens membros da família Kent se reencontram com a filha rebelde de Lana e Kyle, Sarah.”

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Tyler HoechlinElizabeth Tulloch vivem os personagens titulares, respectivamente. Emmanuelle ChriquiInde NavarretteErik ValdezJordan ElsassAlexander GarfinDylan Walsh completam o elenco.

Vale lembrar que a CW já encomendou uma temporada completa da atração.

A trama será bem semelhante à ‘Lois & Clark‘ (1993-1997), e irá acompanhar a rotina do casal enquanto tentam lidar com a pressão e o estresse em dividir suas vidas como jornalistas e guardar o segredo do maior herói da América, o Superman.

O projeto é escrito por Todd Helbing, produtor executivo de The Flash‘, e supervisionado por Greg Berlanti, produtor da DC Universe e da Warner Bros. Television.

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