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10 Grandes Brigas de Celebridades – Conheça o lado sujo de Hollywood

Brigas de celebridades foi o foco de Feud, a sensacional série da FOX estrelada pelas veteranas Susan Sarandon e Jessica Lange, que apresentou o famoso embate de bastidores do longa O Que Terá Acontecido a Baby Jane? (1962), protagonizado pelas lendas Bette Davis (Sarandon na série) e Joan Crawford (Lange na série).

Em homenagem à série, o CinePOP resolveu trazer à tona este lado feio de Hollywood, que muitos preferiam esquecer. Vamos conhecer algumas das brigas mais emblemáticas nos sets de filmagens.

Mad Max: Estrada da Fúria (2015)

Quem olha o sucesso que Estrada da Fúria fez, entre críticos e o grande público (recebendo inclusive uma indicação ao Oscar na categoria principal de melhor filme), não imagina o quanto suas filmagens foram conturbadas. As três maiores forças, responsáveis pelo sucesso do longa, entraram em colisão durante as gravações: Charlize Theron, Tom Hardy e o veterano diretor George Miller, mostrando que a guerra de egos nos bastidores de filmagem podem ser cruéis até mesmo para artistas do porte do cineasta.

O problema principal era Tom Hardy, tido como um ator de temperamento difícil. Theron e Miller vieram a público afirmar que não se deram bem com o ator, o que prejudicou bastante a produção do quarto filme da franquia. Os ânimos estavam quentes entre Theron e Hardy e, durante uma cena de luta, a atriz acidentalmente ou não quebrou o nariz do protagonista com uma cotovelada. Fora isso, ambos Hardy e Theron não compreendiam a visão de Miller e por vezes se sentiam perdidos nas filmagens, sem saber inclusive qual era a motivação de seus personagens durante certas cenas. Como diziam, tudo o que conseguiam ver era o deserto. Uma vez pronto, o filme foi exibido e a dupla finalmente pôde conceber a visão do diretor. Hardy se desculpou publicamente durante a coletiva do filme no prestigiado festival de Cannes.

Batman Eternamente (1995)

O terceiro longa-metragem do Homem Morcego no cinema foi provavelmente o que teve o set mais problemático, isso contando o fiasco que viria a seguir: Batman & Robin. Acontece que Val Kilmer é notoriamente um ator quase intratável e fez da vida do diretor Joel Schumacher um inferno. Tanto que o diretor afirmou que nunca mais iria trabalhar com o ator, a quem chamou de infantil, dizendo que ao invés de resolverem suas diferenças, Kilmer optava por passar dias a fio sem se dirigir ao cineasta.

Os problemas de bastidores em Eternamente não se resumiam ao protagonista e o diretor, já que a “chapa esquentou” entre os intérpretes dos vilões também. Segundo o próprio Jim Carrey (que roubou a cena no filme, devido a sua popularidade na época, na pele de Charada), ele e Tommy Lee Jones não se deram bem. Carrey se pronunciou dizendo que o carrancudo ator (que deu vida ao afetado Duas Caras) deixou bem claro que não gostava de Carrey e de seus filmes, simplesmente se pronunciando desta exata forma ao próprio. Isso é que é uma recepção fria.

Blade: Trinity (2004)

Outro filme de super-herói, outra produção problemática. Aqui, o estresse todo se deu por causa do astro Wesley Snipes, que estava passando por um surto mental. Segundo relatos do ator Patton Oswalt, que viveu Hedges no filme, confirmados por Ryan Reynolds (Hannibal King no filme), Snipes se recusava a interagir com o elenco e membros da equipe, passando a maior parte do tempo trancado em seu trailer fumando maconha. O protagonista também exigia ser chamado de ‘Blade’ e, segundo o próprio, ao quebrar o silêncio com Reynolds apenas proferiu a sentença: “Mantenha a boca calada, você viverá mais assim”. Não sei o que vocês acham, mas soou como uma baita ameaça.

Obviamente, o nível de desentendimento maior ocorria entre o astro e o diretor do longa, David S. Goyer, que tinha a maioria das ideias vetadas, ou pelo estúdio, ou pelo próprio Snipes. De acordo com o próprio Goyer, durante uma das muitas discussões acaloradas, o ator teria perdido a compostura e esganado o cineasta. Fora isso, uma das gafes homéricas envolvendo Blade: Trinity se deu em sua campanha de divulgação, quando um comercial do filme foi veiculado na TV e precisou ser recolhido no mesmo dia. O motivo? Jessica Biel, estrela feminina do longa, foi creditada como a xará Jessica Alba. Após tudo isso, Wesley Snipes atualmente considera o filme águas passadas e já exprimiu o desejo de voltar a interpretar o personagem, agora já nas mãos da Disney / Marvel.

Adoro Problemas (1994)

Não se chega ao topo sem quebrar alguns ovos, ou fazer alguns inimigos. E foi exatamente este o caminho da musa Julia Roberts, considerada uma das maiores estrelas de Hollywood ainda em atividade. Em meados da década de 1990, Roberts estava aos poucos perdendo seu starpower (ou poder de estrela), e aqui, neste filme, pode ser onde tudo saiu dos trilhos.

Roberts não se deu com o colega de cena e par romântico Nick Nolte, a quem acusava constantemente de ser um machista desprezível. As trocas de ofensas e farpas eram constantes, já que Julia também é (ou ao menos era) uma conhecida estrela problemática – durante as filmagens de Hook: A Volta do Capitão Gancho (1991), a equipe e o diretor Steven Spielberg a apelidaram de “Tinkerhell” (uma alusão a sua personagem Tinkerbell e a palavra hell, inferno) e suas cenas precisaram ser reduzidas. Aqui, quanto mais o comportamento machista de Nolte a incomodava, mais o ator fazia questão de enfatizá-lo. No final, a maioria das cenas da dupla precisou ser rodada de forma separada e quando o momento exigia os dois em cena, foram usados dublês. Roberts só recuperaria o prestígio em 1997, com O Casamento do Meu Melhor Amigo.

Os Mercenários 3 (2014)

Os bastidores de uma produção conturbada podem inclusive acabar com amizades de décadas. Foi o que aconteceu em Os Mercenários 3, terceira parte da aventura criadas por Sylvester Stallone. Apesar do terceiro filme exibir as presenças de atores notoriamente problemáticos como Mel Gibson, Harrison Ford e Wesley Snipes, a “treta” rolou entre Sly e seu grande amigo Bruce Willis. O motivo: dinheiro. Segundo relatado, Willis ganharia US$3 milhões por quatro dias de filmagens. Mas o eterno Duro de Matar não se deu por satisfeito, e exigiu US$4 milhões, ou seja, US$1 milhão por dia de filmagem (pois é, tem algo de muito errado com mundo).

Stallone e os produtores se recusaram e Willis pulou fora do projeto, apesar de ter aparecido previamente nos dois filmes anteriores. Às pressas foi chamado Harrison Ford para viver um papel similar. Numa cena, o protagonista pergunta pelo personagem de Willis, ao que Ford retruca: “He´s out of the Picture”, ou “Ele está fora de cena”. A coisa não parou por aí, e Sly veio a público alfinetar Willis antes do lançamento do longa, com frases nas redes sociais do tipo: “ambicioso e preguiçoso, uma receita para o fracasso”. Willis é um conhecido encrenqueiro de bastidores, segundo afirma o diretor Kevin Smith, por exemplo, e recentemente foi retirado da produção de Woody Allen, Café Society, no qual viveria o personagem que ficou com Steve Carell.

A Cartada Final (2001)

Outro astro historicamente problemático, talvez o maior deles, é Marlon Brando. Ao longo de sua carreira, em filmes como A Condessa de Hong Kong (1967), Último Tango em Paris (1972) e Apocalypse Now (1979), só para citar alguns, o comportamento errático do astro se tornou notório. No entanto, esperava-se que o ator aprendesse com os erros e se comportasse bem, ao menos na velhice. Ledo engano, afinal, como já diziam os poetas do grupo de Axé, É o Tchan, “Pau que nasce torto nunca se endireita”.

Aqui, em A Cartada Final, seu último filme, Marlon Brando seguiu se comportando de forma polêmica. O atrito foi entre o astro e o veterano diretor Frank Oz, que além de cineasta, ficou famoso ao ceder a voz para bonecos clássicos, como o Yoda, de Star Wars, e a Miss Piggy, dos Muppets. O estresse atingiu o ápice e Brando começou a se referir a Oz apenas pelo nome da porquinha dos Muppets. Depois, precisou ser dirigido pelo colega de cena Robert De Niro, que tentava jogar panos quentes, já que foi a seu pedido que Brando entrou neste elenco. Será que foi aqui que Edward Norton, outro notório “estrelinha” intratável, aprendeu a se comportar de tal forma?

Corações de Ferro (2014)

Naturalmente, um filme de guerra precisa ser tenso e seus bastidores podem contribuir muito para isso. Foi exatamente o que ocorreu durante as filmagens deste longa do mesmo diretor de Esquadrão Suicida, David Ayer. Na trama, um grupo de soldados fica restrito a um tanque de guerra, durante a Segunda Guerra Mundial. Foi reportado que para manter o nível de tensão nas alturas, os atores todo dia antes das filmagens lutavam entre si. Também foi dito que a maioria tinha medo de Jon Bernthal, pugilista de verdade no passado.

Além disso, Shia LaBeouf, jovem ator que atrai problemas, estava no auge da “surtação”, fazendo cicatrizes reais na pele e arrancando os próprios dentes, a fim de criar maior veracidade para seu personagem. O arranca-rabo, no entanto, quase ocorreu com o filho da lenda Clint Eastwood, Scott Eastwood, um novato em início de carreira. Tudo porque o Eastwood Junior começou a cuspir tabaco no tanque repetidamente, fato que começou a irritar tanto Brad Pitt quanto Shia LaBeouf. As coisas começaram a esquentar entre os três, com Pitt e LaBeouf considerando o ato de Eastwood desrespeitoso. Somente depois os atores foram notificados que estas eram as instruções do novato para a cena.

Três Reis (1999)

Ainda no território dos filmes de guerra, o tempo fechou entre George Clooney e o diretor David O. Russell. O cineasta voltou ao lado certo da linha, fazendo as pazes com o sucesso de maneira renovada após O Vencedor (2010). Daí seguiram O Lado Bom da Vida (2012), Trapaça (2013) e Joy: O Nome do Sucesso (2015), todos aclamados pela crítica e com indicações a prêmios. No entanto, o dia no sol de Russell quase esteve extinto antes disso, mostrando uma das maiores redenções do cinema em anos recentes.

A fama destemperada do diretor o precedia, e a briga homérica no set de Huckabees: A Vida é uma Comédia (2004) se tornou notória, após os vídeos com as explosões de comportamento do cineasta vazarem na internet. O maior alvo da fúria de Russell então era a veterana Lily Tomlin, outra persona difícil, constrangendo com berros e palavrões atores do calibre de Dustin Hoffman, Isabelle Huppert e Jason Schwartzman, presentes nas gravações durante os disparates. Antes disso, em Três Reis (1999), Russell viu em George Clooney um desafeto muito mais do que um aliado, atrás das câmeras. Primeiro, porque Russell não queria o ator no filme, e só o aceitou porque suas outras opções estavam indisponíveis. Por sua vez, Clooney não gostou nada da forma como o diretor tratava figurantes e membros da equipe, chamando constantemente sua atenção. O ápice veio e os dois saíram no braço. Apesar de terem jurado jamais trabalhar juntos novamente, Clooney reconhece o talento do diretor. Bem, ele fez maravilhas para a carreira de Jennifer Lawrence.

Instinto Selvagem (1992)

Sharon Stone, então uma atriz em vias de deslanchar em sua carreira, também não era a primeira opção do cineasta holandês Paul Verhoeven. Conhecido pelo teor polêmico e sexual de suas películas, Verhoeven se aventurava em sua produção mais ousada, na qual o sexo era a palavra de ordem. O astro Michael Douglas topou participar do projeto, já que temia que filmes assim perdessem de vez o lugar em Hollywood devido ao pavor da Aids que dominava o mundo na época. Assim sendo, tudo estava no lugar para um dos filmes mais eróticos de que se tinha notícia, que viria a chocar e marcar seu lugar na história do cinema.

Douglas e Sharon Stone realizaram todas as ousadas cenas tórridas sem o uso de dublês. Mas foi quando a atriz realizou a infame cena da cruzada de pernas, num momento fora da cama, que o bicho realmente pegou entre ela e o diretor da obra. Segundo Stone, o cineasta pediu para que ela tirasse a calcinha, pois estava refletindo na câmera e atrapalhando a cena. A ingênua atriz atendeu o pedido, nunca em um milhão de anos imaginando que a mente fértil de Verhoeven estava a muitos passos na frente. Foi só durante a premiere do longa, que miss Stone pode conferir como ficou a cena e notar que o artista havia dado um baita close em sua genitália. Resultado, um safanão da atriz no rosto do diretor, e depois o perdão com a repercussão positiva do filme. Segundo Verhoeven, a atriz sabia do combinado e havia concordado, dando para trás por ter ficado envergonhada depois. Ano passado, o cineasta se debulhou em elogios para sua protagonista Isabelle Huppert no igualmente polêmico Elle.

Ilha do Doutor Moreau (1996)

O último item desta lista reúne dois notórios meninos-problema. Trata-se de Marlon Brando e Val Kilmer, que tiveram que ser controlados pelo pobre veterano John Frankenheimer (falecido em 2002). De forma surpreendente, Kilmer causou mais mal estar do que o icônico Brando, cuja peculiaridade no set se deu apenas por usar um ponto eletrônico no ouvido para as falas, já que sua dificuldade para decorar os textos era notória. Segundo o ator David Thewlis, o verdadeiro protagonista do filme, Brando captou até mesmo sinais de rádio da polícia com sua escuta nas filmagens.

Kilmer, por outro lado, aceitou participar do longa pelo sonho de contracenar com o ídolo Brando, a quem pode imitar durante algumas cenas, e depois reprisar a imitação no recente Virgínia (2012), de Francis Ford Coppola. Segundo relatos, Kilmer foi um verdadeiro pesadelo durante as gravações e sempre que terminava o trabalho, os envolvidos agradeciam a Deus. Segundo envolvidos na produção, no último dia de filmagens, ao terminar sua participação, o diretor Frankenheimer proferiu as seguintes palavras: “ótimo, agora tirem este bastardo do meu set”. Amor assim precisa ser conquistado.

E vocês, conhecem alguma briga de bastidores em Hollywood que queiram nos contar? Deixe nos comentários abaixo. =)

Crítica | O Estranho – Filme brasileiro exibido em Berlim reflete sobre um lugar e suas constantes mudanças [CINEBH 2023]

Em sua segunda exibição em território nacional, que aconteceu no CINEBH2023, o longa metragem O Estranho é uma profunda viagem de encontros do presente com o passado às margens das idas e vindas de um famoso aeroporto que fica em um território indígena. Os que passam e os que permanecem envolvidos com esse lugar ditam o ritmo de uma narrativa que vai do passado, passando pelo presente por meio de memórias e experiências. Rodado em 2021, exibido no Festival de Berlim, o projeto dirigido por Flora Dias e Juruna Mallon é bastante interpretativo.

Na trama, somos envolvidos por curiosos recortes que de alguma forma estão relacionados a uma área onde funciona um aeroporto de alta frequência, um enorme espaço ligado por meio do tempo com os indígenas. Nesse lugar de constantes transformações ao longo dos anos, percorremos retratos tocantes de pessoas que buscam responder a uma mesma pergunta: Como enxergar o mesmo lugar de formas diferentes?

O tempo como referência se torna um importante elemento para a narrativa. O refletir sobre essa obra é algo que se faz durante as horas que se seguem, é muita coisa para captar nesse longa atemporal. Outra deixa sobre a questão: o tempo passa por você mas como é a sua interpretação diária do que passa por você? Nesse ponto entram os personagens que se misturam junto às referências dentro de uma bolha interpretativa que deve gerar boas conversas sobre as individualidades do entendimento.

As horas correm, tudo passa por você mas como é a sua interpretação diária do que passa por você? Refletir no agora, o significado das palavras, brigas por uma necessidade de estar ali, o projeto ruma para uma questão existencial onde o espectador, cada qual com suas experiências, vai ao encontro das angústias dos personagens no presente, no ‘eu’ hoje e os seus encontros com o tempo.

A resistência indígena vira um complemento, um subtema para a narrativa, um recurso em forma de crítica que faz pensarmos bastante sobre o capitalismo e suas formas de usufruir do que muitas vezes não tem direitos. Com o presente esbarrando em pitadas de uma extensa linha temporal, O Estranho caminha lá de trás para encontrarmos soluções para frente.

Crítica | A Vigilante do Amanhã – Ghost in the Shell – impressiona pelo visual

Androides sonham com ovelhas elétricas?

A Vigilante do Amanhã, nova superprodução da Paramount Pictures estrelada pela musa atual do cinema Scarlett Johansson, é baseado em uma animação japonesa de 1995, intitulada Ghost in the Shell (no Brasil, O Fantasma do Futuro). O Anime, como são chamadas as animações japonesas, que por sua vez é baseado num manga (histórias em quadrinho japonesas) criado Masamune Shirow e publicado originalmente a partir de 1989, ganhou o mundo, uma legião de fãs, se transformando em uma verdadeira franquia – rendendo continuações e séries de TV animadas.

Tirando do caminho sua base e referência, uma produção cinematográfica precisa ser muito mais, e isso requer entendimento e boa vontade dos fãs mais hardcore. Hoje, vivemos numa era na qual as maiores e mais rentáveis superproduções são baseadas em histórias de quadrinhos de super-heróis e isso trouxe toda uma nova gama de aficionados para os cinemas. Pessoas que antes não se dariam ao trabalho de sair de casa para assistir a mais de um filme por ano, agora correm toda vez que o novo projeto com seu herói favorito é anunciado. E isso é ótimo, quanto mais melhor, afinal a indústria precisa prosperar.

O que os fãs precisam entender é que cinema é mais. Cinema é mais do que apenas a adaptação de seu super-herói preferido, mesmo no filme deles. Precisa falar com uma audiência maior, precisa abranger um grande número de pessoas, superior ao número de fãs daquele material inclusive. Se formos pensar, a verdade é que um filme desses é feito muito mais para quem não é fã (mas sim fã de cinema) do que para quem de fato é. O que não significa em hipótese alguma que os fãs não serão agradados – isso é um fator que Hollywood aprendeu a levar em conta e a respeitar, através dos erros do passado.

Ou seja, o que quero apontar aqui é que um filme não deve ser avaliado meramente pelo quesito de fidelidade em relação ao seu material fonte, já que existe em seu próprio âmbito, se tornando um animal totalmente diferente, mais forte e maior. Um dos argumentos mais furados que ouço constantemente é: ele não pode avaliar isso, não conhece os quadrinhos, o livro ou o que quer que seja. É trabalho de um jornalista pesquisar sobre o que escreve, e talvez assim tenha mais propriedade para falar sobre o assunto por não estar emocionalmente envolvido com a obra, como um fã estaria.

A missão de um filme como A Vigilante do Amanhã é apresentar o universo que se propõe a retratar para o público, em especial os que não estão familiarizados com ele, para que assim possam ser avaliados todos os itens que o compõem como produção cinematográfica – nunca esquecendo que um filme é primeiramente um filme e todo o resto vem depois. Na trama, Scarlett Johansson interpreta Major, uma androide criada com a mais alta tecnologia, tendo seu cérebro humano como único elo com quem uma vez foi. Ela é uma espécie de Robocop, muito mais ágil e arrojada.

A história passada no futuro, no Japão, apresenta a protagonista como primeira de sua espécie, um híbrido entre ser humano e máquina, que é a última linha de defesa de uma equipe de policiais especiais, chamada Seção 9. Ao enfrentar um novo inimigo onipresente, a protagonista irá descobrir revelações sobre seu passado que mudarão para sempre seu entendimento de mundo, incluindo a quem deve lealdade. A trama é intrincada, digna das maiores conspirações, e o longa-metragem faz um bom trabalho em apresentar de uma forma dinâmica e explicada.

O grande chamariz de A Vigilante do Amanhã é seu visual. Cada detalhe deste admirável novo mundo é perpassado e nós, o público, conseguimos vislumbra-lo de forma satisfatória, o que não ocorre na maioria dos blockbusters ultra-acelerados atuais. A direção de arte, fotografia e efeitos especiais conseguiram até mesmo despertar o imaginário numa espécie de prévia do que poderá ser Blade Runner 2049 – se não soubéssemos, poderíamos imaginar que se passam no mesmo universo.

Os atores estão bem em geral, com Juliette Binoche se saindo melhor aqui em sua participação na pele de uma cientista dúbia, do que no blockbuster Godzilla (2014). Scarlett Johnasson, como esperado, vive outra badass, protótipo da mulher forte e heroína extrema do cinema, a estrela cai como uma luva neste tipo de personagem. Apontaria ainda as participações do dinamarquês Pilou Asbaek, como Batou, o parceiro de Major, e do lendário ´Beat´ Takeshi Kitano, como o chefe da Seção 9.

O maior problema de A Vigilante do Amanhã é seu roteiro, adaptado por Jamie Moss (Os Reis da Rua) e William Wheeler (Rainha de Katwe). Se encontra no fato de contar uma história muito comum e familiarizada a esta altura, por todo tipo de público. Sim, ela foi original há 20, 30 anos, mas hoje, depois de diversas outras grandes produções abordarem o tema, soa como refluxo de tantas, como Matrix, por exemplo – o que é irônico já que o citado bebeu na fonte original de Ghost in the Shell também.

As reviravoltas são percebidas a quilômetros de distância e não existe nada que seja de fato original ou surpreendente. Seja como for, o cineasta Rupert Sanders (Branca de Neve e o Caçador), um especialista em cinema visualmente chamativo, entrega um filme correto e linear. A verdade é que uma ficção científica moderna e atual precisa sempre refletir o hoje, pensando em como será o amanhã a partir deste ponto de partida. Pense na maravilha exuberante e complexa que é a série Black Mirror. Ghost in the Shell segue como visão do futuro sob o aspecto de vinte, trinta anos atrás.

‘Oldboy’ a obra-prima do cinema sul-coreana que voltou aos cinemas duas décadas depois de seu lançamento

Voltou aos cinemas em 2023, 20 anos após seu estrondoso lançamento nas salas de todo mundo, um dos mais marcantes longas-metragens sul-coreano, o pulsante e impressionante Oldboy. Dirigido por Park Chan-wook, baseado no mangá japonês homônimo escrito pela dupla Nobuaki Minegishi e Garon Tsuchiya, o projeto faz arte da chamada ‘Trilogia da Vingança’ do aclamado diretor. Passando pelo forte drama do protagonista, o roteiro caminha com brilhantismo para suas verdades impressionantes que mostram até a última gota de sangue caminhos que levam ao sofrimento. Uma obra-prima do cinema.

Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2004, o filme conta a trajetória de Oh Dae-su (Choi Min-sik, em atuação impressionante), um homem que após ser detido totalmente embriagado, é sequestrado e mantido assim por 15 longos anos. Quando enfim é libertado, aparentemente sem saber o motivo, tem alguns dias para ir atrás da verdade de seu encarceramento, embarcando assim em uma jornada de chocantes descobertas.

Há heróis? Há vilões? Tendo a vingança como elemento chave dessa história, vamos acompanhando a visão de um protagonista que ficou preso por uma década e meia sem saber o motivo. Assim, ao redescobrir a liberdade se vê em conflito com seus próprios sentimentos, o amor vira algo distante, o desejo algo permanente, o equilíbrio vira algo impossível de se enxergar em uma vida marcada por tragédias. A concepção de bom ou mau é uma linha que o roteiro navega com maestria fazendo o espectador repensar a todo instante conforme as reviravoltas da trama.

Há um forte olhar para a família, aqui em dois pontos de vistas, um revelado logo pelos caminhos do protagonista, outro que se revela aos poucos e que se torna a peça que falta para o quebra-cabeça ser montado. Que há um confronto é óbvio, mas quais são jogadores desse jogo macabro imposto? Não que Oldboy seja um filme deveras misterioso mas as reviravoltas acabam transformando um forte drama em um suspense de arrepiar.

Infelizmente e inacreditavelmente o filme não se encontra hoje em nenhum streaming mas se algum dia você tiver a chance de conferir esse filme, não perde tempo e vai assistir! Vai ser difícil você esquecer!

Os filmes de M. Night Shyamalan – Do Pior ao Melhor

O suspense Fragmentado é um dos grandes sucessos deste início de 2017, arrecadando elogios da imprensa especializada, do público e rendendo uma gorda bilheteria para um filme de seu orçamento. Tudo isso apenas soma para afirmarmos que o cineasta M. Night Shyamalan, uma vez considerado o novo Hitchcock ou o novo Spielberg (exageros à parte – como de costume) voltou às boas, após seu ensaio com A Visita (2015), caindo novamente nas graças dos Deuses do Cinema.

Pensando nisso, resolvemos listar (do pior ao melhor) todos os filmes que estampam o nome do cineasta APÓS SEU SUCESSO MUNDIAL com O Sexto Sentido (1999), o filme que colocou verdadeiramente seu nome no mapa. Queremos deixar isso bem claro – daí as letras garrafais – portanto, que seus dois longas iniciais, Praying With Anger (1992) e Olhos Abertos (1998), não estarão na lista. Assim como levaremos em conta somente produções cinematográficas, deixando também de fora a série Wayward Pines, com a qual esteve envolvido em 2015. Não esqueça de comentar e listar os seus em ordem. Vamos lá, apertem os cintos e preparem-se para serem Shyamalados.

O TEXTO ABAIXO CONTÉM SPOILERS – Caso não tenha visto o filme em questão, não leia a parte da reviravolta.

Demônio (Devil, 2010)

Sinopse: cinco estranhos ficam presos num elevador e coisas sombrias começam a ocorrer ao redor e dentro do local, como mortes. Policiais e técnicos tentam salvar as vítimas. A ideia era falar sobre fé.
Envolvimento:
essa era uma proposta do diretor que não deu certo. A ideia era criar uma série de filmes, todos parte de uma antologia de terror, sob o selo The Night Chronicles. Shyamalan produz o longa e escreveu a história, mas o roteiro e a direção não são seus.
Protagonista:
aqui temos um elenco de rostos desconhecidos, sem o foco em um único protagonista. Temos os cinco “jogadores” dentro do elevador, mas o que mais se aproxima de ser o principal é o personagem de Chris Messina, o detetive do lado de fora tentando salvá-los.
Elemento Sobrenatural:
além da tragédia de termos cinco pessoas trancafiadas em um elevador defeituoso, Demônio, como diz o título nada sutil, traz uma das vítimas como o próprio Belzebu encarnado. Essa é para se benzer.
Shyamalan Ator: não aparece.
Reviravolta:
todo o rebuliço criado pelo coisa ruim no final das contas era apenas uma forma de se vingar de um dos sujeitos, que havia atropelado a esposa do tal policial. Além disso, o filme trapaceia e mata a senhora idosa, primeiramente a eliminando da lista de suspeitos, para depois revelar ser ela a encarnação do capeta.

O Último Mestre do Ar (The Last Airbender, 2010)

Sinopse: adaptação para o cinema do famoso desenho animado Avatar, que devido ao monstruoso fenômeno homônimo de James Cameron, lançado no ano anterior, não pode utilizar seu título original. A história mística de aventura e fantasia, fala sobre diversas tribos, cada uma dominando um elemento da Terra, como fogo, ar, água e terra.
Envolvimento:
aparentemente, o desejo de Shymalan em adaptar o desenho veio da paixão de seus filhos pelo mesmo. Na época, seus filmes autorais de suspense e terror não estavam mais emplacando junto ao público, fechando portas para o diretor em estúdios como a Disney, a Warner e a Fox. O cineasta aqui resolveu dar um tempo de filmes menores e apostar no cinema blockbuster de efeitos visuais e heróis. Shyamalan adapta o roteiro, produz e dirige aqui.
Protagonista:
ao menos os personagens do desenho foram respeitados e trazidos para o longa, o problema é que certa leveza e humor foram esquecidos em prol de um épico enfadonho. Aang (Noah Ringer) é o protagonista, um jovem monge, que é o escolhido (para variar) e o único capaz de controlar os quatro elementos.
Elemento Sobrenatural:
por se tratar de um filme de fantasia, temos muitos elementos sobrenaturais, como pessoas que controlam o fogo, a água, o ar e a terra, além de uma criatura bestial, porém dócil, que é uma mistura de bicho preguiça e bisão.
Shyamalan Ator:
uma ponta não creditada como um dos membros da tribo do fogo.
Reviravolta:
a última cena deixava uma continuação engatilhada, que nunca viria. Após ter falhado em capturar o último Airbender, Zuko (Dev Patel) perde a preferência de seu pai, o rei, que agora mandará a filha para o encalço do “menino dourado”.

Depois da Terra (After Earth, 2013)

Sinopse: passada no futuro, esta ficção científica conta a história de um pai e seu filho (Will Smith e seu filho na vida real, Jaden Smith) ambos militares, viajando em uma missão interplanetária em sua nave. O pior acontece e a nave cai em um inóspito planeta. O pai fica impossibilitado, cabendo ao filho se provar e ir até o ponto oposto do local para enviar um sinal e pedir ajuda.
Envolvimento:
aqui, pela primeira vez em sua carreira, Shyamalan foi um diretor de aluguel. Por mais que em O Último Mestre do Ar tenha apenas adaptado um desenho, era um projeto de paixão seu, assim como a criação da antologia da qual Demônio faria parte. Mas com Depois da Terra, o diretor apenas serviu à família Smith, para que juntos desenvolvessem o projeto cujo subtexto é um dos mantras da cientologia, o da superação do medo. No filme, Shyamalan adapta em um roteiro a ideia de Smith, produz e dirige.
Protagonista:
mostrando que este é mais um veículo que Will Smith planejou para o lançamento da carreira de seu filho, embora o nome do astro seja o de maior relevância aqui, ele deixa Jaden, na pele de Kitai Raige, levar 80% da projeção sozinho.
Elemento Sobrenatural:
mais um filme de fantasia e ficção científica, aonde o que mais pode ser encontrado são elementos sobrenaturais. Passado no futuro, temos animais levemente modificados e evoluídos, como macacos, tigres e águias. Mas o que se destaca é a criatura monstruosa conhecida como Ursa.
Shyamalan Ator:
não aparece.
Reviravolta:
não existe grandes reviravoltas aqui, e a revelação de que o planeta inabitado e perigoso no qual caem com a nave é a Terra, é feita logo no início do filme, ao contrário do clássico Planeta dos Macacos (1968). Talvez a jornada e como Kitai derrota a Ursa sejam as surpresas aqui. O pequeno finalmente evoca o “fantasma”, técnica na qual se torna invisível ao monstro, superando de vez o medo.

Fim dos Tempos (The Happening, 2008)

Sinopse: um enigmático evento começa a ocorrer pelos EUA, no qual pessoas, aparentemente sem qualquer explicação, começam a se matar das formas mais variadas e grotescas. Devido à paranoia instalada no país, após o 11 de setembro, especula-se que sejam atos terroristas.
Envolvimento:
aqui ainda tínhamos o Shyamalan “moleque” e autoral. Porém, meio perdido, tendo usado todas as cartas na manga, com quase nenhum crédito junto aos críticos e público. Esse foi o primeiro filme de censura alta da carreira do diretor, que pôde usufruir da violência e cenas explícitas em seu filme declaradamente de terror. Como de costume, Shyamalan escreve, dirige e produz.
Protagonista:
uma das maiores críticas que Fim dos Tempos recebeu foi em relação aos seus personagens, em especial os protagonistas. Mark Wahlberg é o principal na pele do professor de ciências (??!!) Elliot Moore. O ator está longe de sua alçada e não convence, sendo alvo de cenas constrangedoras – como quando fala com uma samambaia (de plástico, para piorar). Pior que isso, só o desempenho inerte e robótico da geralmente agradável Zooey Deschanel, que interpreta sua esposa. A atriz parece anestesiada durante toda a projeção.
Elemento Sobrenatural:
alguma toxina parece a causa de tudo, se espalhando pelo ar e criando um novo nível de paranoia, que surpreendentemente dura apenas um dia. O que chama atenção é que assim como em alguns clássicos do gênero, a pessoa que você mais gosta e confia, pode se voltar contra você ou ela mesma.
Shyamalan Ator:
tomado pela timidez, o cineasta aparece apenas como uma voz ao telefone no filme.
Reviravolta:
bem, a grande reviravolta aqui, como diversos personagens entregavam em especulações durante o filme, é a revolta da natureza contra o homem. Em especial as plantas, que liberam esta toxina mortal, com a tentativa de embasamento científico da parte do cineasta. Bem, ou será que era isso mesmo?

A Dama na Água (Lady in the Water, 2006)

Sinopse: em um condomínio de classe média baixa, na cidade da Filadélfia (na qual se passam a maior parte dos filmes do diretor), figuras para lá de exóticas transitam. Até que o zelador do local encontra uma misteriosa jovem na piscina do prédio, e a trama se desenrola.
Envolvimento:
Shyamalan estava no auge de sua carreira, começando a colocar o pé no declínio. A divisão de opiniões causada por A Vila, ocasionou na saída do diretor do estúdio que o acolheu em seus maiores sucessos, a Disney. Este filme marca a primeira, e única (até o momento), aventura do cineasta pela Warner. O objetivo aqui era dar vazão aos contos de fadas que Shyamalan narrava para seus filhos antes de dormirem. Mais uma vez o cineasta escreve, dirige e produz.
Protagonista:
Cleveland Heep (Paul Giamatti, recém-saído dos sucessos de crítica Sideways – Entre umas a Outras e A Luta Pela Esperança), o zelador do condomínio, é nosso herói por esta jornada. Esse é o filme de Shyamalan que possui a maior gama de personagens excêntricos, a maioria propositalmente criados como alívio cômico. Um dos que mais chama atenção é o crítico de cinema e arte, pretensioso e arrogante (papel de Bob Balaban), tratado como vilão, e criado como forma de vingança do diretor em relação aos verdadeiros críticos que vinham destratando suas obras.
Elemento Sobrenatural:
por se tratar de um pretenso conto de fadas (ou conto de ninar, como dizia o slogan), temos figuras fantásticas e mitológicas, como ninfas (espécie de serias), papel de Bryce Dallas Howard, e criaturas que são mesclas de animais com outros elementos da natureza.
Shyamalan Ator:
esse é o melhor, ou pior, papel de Shyamalan em um de seus filmes, dependendo do seu ponto de vista. Essa é outra resposta, que soa muito como tapa de luva de pelicas (com uma ferradura dentro), que o diretor dá em seus detratores. Aqui, ele é Vick Ran, escritor e condômino (mora junto com a irmã) do local, cujo próximo livro irá ser tão importante que salvará o mundo. Egocentrismo no nível dez? Sim, por favor.
Reviravolta:
anunciado como conto infantil e história de fadas, A Dama na Água é enfadonho demais para as crianças. O filme possui inclusive cenas e momentos mais assustadores. No entanto, não guarda grandes reviravoltas. A maior delas talvez seja os papeis invertidos, que cada morador ganha na hora de ajudar a ninfa Story (Howard) – sim, nome bem criativo né? – a voltar para casa. Invertidos, pois iriam se mostrar equivocados, necessitando de nova escalação.

A Visita (The Visit, 2015)

Sinopse: um casal de adolescentes vai visitar os avós em outra cidade, com quem nunca tiveram contato devido à briga de sua mãe, filha dos idosos, com os pais anos atrás. Mas os adoráveis antepassados escondem um terrível segredo.
Envolvimento:
foi a volta por cima de Shyamalan, e o passo rumo a reconquistar o sucesso. Um filme menor, financiado de seu próprio bolso, e gravado no estilo found footage. Esse era o filme que o diretor queria fazer, com controle total, e não fazia desde 2008. O autor escreve, produz e dirige.
Protagonista:
os protagonistas são os inocentes netinhos Becca (Olivia DeJonge) e o cômico Tyler (Ed Oxenbould), aficionado por hip hop. Mas quem rouba a cena são os perturbadores avós Nana (Deanna Dunagan) e Pop Pop (Peter McRobbie).
Elemento Sobrenatural:
o filme inteiro ficamos esperando alguma ameaça sobrenatural, que justifique o comportamento errático dos velhinhos. Em certo momento, enfatizado pela mãe (papel de Kathryn Han), a justificativa de seu comportamento pode ser apenas pela idade. O que traria um tom cômico maior ao longa, que já utiliza de muito humor.
Shyamalan Ator:
mesmo voltando aos poucos às boas com o sucesso, o diretor ainda não arriscaria aparecer em um longa.
Reviravolta:
talvez uma das melhores e mais gélidas reviravoltas em um filme do diretor, que congelou minha espinha ao assistir no cinema, descobrimos que os adoráveis velhinhos não são os avós reais da dupla de jovens, e sim loucos fugidos do manicômio. Meu Deus!!!

Fragmentado (Split, 2016)

Sinopse: Kevin (James McAvoy) é um jovem que possui 23 personalidades. Para tentar curar o quadro, ele se trata com uma psicóloga renomada. No entanto, o tratamento parece não ajudar muito e ele termina sequestrando três jovens.
Envolvimento:
aqui, podemos afirmar que Shyamalan reencontrou a paz e o sucesso. O cineasta deu a volta por cima, sendo abraçado novamente por crítica e público, que fizeram de Fragmentado, escrito, produzido e dirigido por ele, um dos maiores sucessos deste início de 2017.
Protagonista:
Kevin e suas inúmeras personalidades (todas interpretadas por um James McAvoy inspiradíssimo), com destaque para Patricia, o menino Hedwig, Dennis e, é claro, a Besta. Casey Cooke (Anya Taylor-Joy, de A Bruxa), nossa heroína perturbada, também recebe o devido destaque.
Elemento Sobrenatural:
não existe um elemento 100% sobrenatural aqui, mas, além das inúmeras personalidades que permeiam a mente de Kevin, a Besta é uma criatura quase sobre-humana que ameaça vir à tona.
Shyamalan Ator:
Shyamalan não podia se conter de felicidade e no embalo aparece de novo como ator. Aqui, ele vive um técnico de segurança apaixonado pelo restaurante incorreto Hooters.
Reviravolta:
Existem algumas reviravoltas com as personalidades de Kevin, como a chegada da Besta, o destino de alguns personagens e o passado trágico da menina Casey. Mas o que mais chama atenção é o elo com um certo filme de sucesso do diretor.

Corpo Fechado (Unbreakable, 2000)

Sinopse: um homem é o único sobrevivente de um desastre de trem e, com a ajuda de outro que é seu exato oposto, começa a entender seu propósito no mundo e sua natureza indestrutível – ou inquebrável como diz o título original.
Envolvimento:
segundo longa de Shyamalan após ser glorificado com O Sexto Sentido. Hoje, Corpo Fechado possui status cult, mas na época muitos não entenderam a proposta deste filme de super-heróis de quadrinhos realista e dramático, pano de fundo para uma reconciliação matrimonial. O cineasta joga em todas as posições como de costume.
Protagonista:
David Dunn (Bruce Willis) é um homem que desiste do seu sonho profissional em nome da esposa (Robin Wright), se tornando infeliz quando a perde de qualquer forma. O personagem mais interessante de longe aqui, no entanto, é Elijah ‘Senhor Vidro’ Price (Samuel L. Jackson), em ótima homenagem ao cinema negro da década de 1970.
Elemento Sobrenatural:
O protagonista é um herói indestrutível e altamente sensorial, a não ser pela água, seu ponto fraco. Já o Senhor Vidro de Samuel L. Jackson é o oposto, se quebrando por completo ao primeiro esbarrão.
Shyamalan Ator:
a ponta do diretor neste filme resume-se a um fã que tenta vender drogas dentro do estádio, no qual o protagonista é segurança.
Reviravolta:
após a fantasia se tornar realidade, e ficar provado que o protagonista era de fato um super-herói saído direto da mitologia, resta saber qual o papel de seu antagonista nisso tudo… E que venha a continuação!

Sinais (Signs, 2002)

Sinopse: um fazendeiro e ex-pastor, perde a mulher em um acidente de trânsito, perdendo assim também a fé em Deus. Agora, ele cria os dois filhos pequenos com a ajuda do irmão mais novo.
Envolvimento:
Corpo Fechado, como a maioria das obras cult, não ganhou a atenção devida na época de seu lançamento, sendo redescoberto depois. Já em Sinais, seu terceiro longa, Shyamalan voltou novamente ao topo de mundo, adquirindo mais um sucesso de público e crítica, em um filme B que deu certo – ao contrário de Fim dos Tempos. O diretor novamente joga em todas as posições.
Protagonista:
Mel Gibson dava tudo de si na pele do ex-Reverendo Graham Hess, que perdeu a fé devido ao acidente fatal que tirou a vida de sua esposa. O bom do cinema de Shyamalan é dar enfoque dramático, em atuações dignas de prêmios, para tramas de terror e ficção, que geralmente não seriam levadas a sério. A escolha de Gibson, um intenso homem de fé, para o papel é mais que adequada. Além dele, Joaquin Phoenix também se destaca na pele de Merill, o irmão mais novo e destrambelhado, que serve como alívio cômico.
Elemento Sobrenatural:
o que ainda não foi mencionado aqui é que Sinais fala sobre uma possível invasão alienígena. Uma invasão diferente, no entanto, das que estamos acostumados a ver no cinema. Mais intimista ao ponto de ficarmos nos perguntando se tudo não passa de uma grande enganação. Shyamalan teve a ideia para o roteiro, depois de acompanhar os casos das enormes marcas em plantações, algumas se revelando um engodo, outras ainda sem explicação.
Shyamalan Ator:
esse é o papel mais legal de Shyamalan, tirando o hilário de A Dama na Água. Aqui, seu personagem é tão importante que faz a trama girar. Ele é Ray Reddy, veterinário da pequena cidade rural nos arredores da Filadélfia, que acidentalmente tira a vida da esposa do protagonista.
Reviravolta:
para quem estava na dúvida, os extraterrestres se mostram bem reais e nem um pouco amistosos. Os seres hostis invadem o local, e quando todos achavam que eles haviam partido… Bem, é ver para crer. No entanto, eles possuem um ponto fraco (que se mostra uma obsessão de Shyamalan). Sua fraqueza é explicada no filme, e na verdade, não é tão despropositada quanto afirmam os detratores do longa.

O Sexto Sentido (The Sixth Sense, 1999)

Sinopse: um psicólogo estrela, condecorado pelo prefeito, pega seu caso mais difícil: o de um menino diferente, que à primeira vista é alvo de abuso doméstico, porém, guarda segredos sobrenaturais, além da compreensão humana.
Envolvimento:
Shyamalan se tornou um astro aqui. Ele já havia dirigido dois filmes pouco significativos, mas foi com O Sexto Sentido que ganhou o mundo. O filme foi sucesso de crítica e público, e ainda recebeu 6 indicações ao Oscar, entre elas, melhor filme diretor. Além disso, consta na lista dos preferidos do grande público no site IMDB. Shyamalan cria aqui sua obra-prima, escrevendo, produzindo e dirigindo o longa.
Protagonista:
Bruce Willis dá vida o Dr. Malcolm Crowe, o psicólogo e protagonista. O ator recebe uma das poucas chances de atuar de verdade em sua carreira. Mas o rouba-cenas atende pelo nome de Haley Joel Osment, então um menino de 11 anos, inclusive chegando a ser indicado ao Oscar por seu desempenho como o problemático Cole, o garoto que via gente morta.
Elemento Sobrenatural:
como dito acima, o menino Cole via gente morta. Esse é um filme de fantasmas e assombrações, porém, um bem diferente do que imaginamos.
Shyamalan Ator:
o diretor interpreta um médico que começa a desconfiar que a mãe do menino (Toni Collette) seja quem vem lhe deixando marcas roxas por todo o corpo.
Reviravolta:
bem, na reviravolta mais manjada (agora) e surpreendente da história do cinema, ficamos sabendo que o psicólogo que ajudava o menino, estava também, ele mesmo, morto. Durante o filme, acompanhamos apenas seu fantasma se comunicando com o menino. Toque de gênio.

A Vila (The Village, 2004)

Sinopse: um pequeno vilarejo auto suficiente, e seus moradores, são assombrados pela floresta ao redor, na qual residem criaturas monstruosas, por volta de 1900. As duas raças vivem numa espécie de trégua, mas o que acontece quando esta trégua é quebrada?
Envolvimento:
esse é o melhor trabalho de Shymalan, embora não seja unânime, justamente porque o diretor brinca como nunca com sua audiência, manipulando de forma magistral o público, que teme sem saber o que temer. É um exercício em puro medo, o que o diretor propõe a realizar. E a plateia é sua cobaia. Ao final, alguns entenderão e apreciarão sua proposta. Outros, como sempre, se sentirão frustrados.
Protagonista:
embora o nome que encabece o elenco seja o de Joaquin Phoenix, e tenhamos atores da estirpe de William Hurt, Sigourney Weaver e Adrien Brody permeando a obra, a protagonista absoluta é Ivy Walker, a jovem cega, que marca a estreia vertiginosa de Bryce Dallas Howard no cinema.
Elemento Sobrenatural:
as criaturas que cercam o vilarejo, e habitam a floresta. Tais criaturas, que não devem ser mencionadas, nunca são de fato totalmente conhecidas ou explicadas, mas aparentam uma mistura de porco, com muitos espinhos e garras, num híbrido humanoide.
Shyamalan Ator:
Shyamalan dá as caras no final, como um dos seguranças responsáveis por guardar os arredores da reserva florestal.
Reviravolta:
são duas grandes reviravoltas aqui. A primeira, é que não existem de fato as criaturas, sendo tudo uma invenção dos mais velhos, para assegurarem que os mais novos nunca deixariam o local, pelo menos nesta geração. Essa ocorre antes do final, podendo ser acusada de ser anticlimática. A segunda reviravolta mostra que, na realidade, os aldeões personagens do filme estão vivendo em nosso tempo, dentro de uma reserva florestal apenas simulando o estilo de vida antigo. É a Alegoria da Caverna de Platão, recriada como forma de entretenimento ao grande público e fãs de terror e suspense.

Duas décadas de ‘Sinais’, um CLÁSSICO da carreira de M. Night Shyamalan

Acreditar ou não acreditar? Um estranho sinal numa plantação, animais se comportando de maneira estranha, estaria o mundo em conflito com forças que não conhecemos? Lançado no início dos anos 2000, um dos clássicos da carreira de M. Night Shyamalan, Sinais, é uma jornada que aponta sua narrativa para um embate poderoso sobre a fé. No elenco, os excelentes Mel Gibson e Joaquin Phoenix.

Na trama, acompanhamos um ex-padre, já seis meses sem ser clérigo, chamado Graham (Mel Gibson) que vive seus dias ao lado de seus dois filhos pequenos e seu irmão Merril (Joaquin Phoenix) em uma enorme fazenda nos Estados Unidos. Graham perdeu recentemente a esposa em um trágico acidente e tenta busca forças para seguir em frente. Certo dia, um intrigante e enorme sinal aparece em suas plantações e logo o mesmo sinal começam a aparecerem pelo mundo. Será o fim do mundo? Graham precisará lutar contra o seu próprio acreditar em busca de soluções.

O intrigante roteiro também assinado por Shyamalan traz para seu holofote um embate poderoso sobre a fé. A partir de um traumatizado protagonista, introspectivo, repleto de conflitos por conta da morte da esposa a trama navega sua alta linha de tensão fazendo com que todos se perguntem o que fariam na situação dele. Tudo funciona para que o suspense venha ganhando força conforme os conflitos crescem. A trilha sonora, elemento chave por aqui, foi feita com bastante antecedência pelo genial James Newton Howard a partir dos storyboards do diretor.

Filme de estreia de Abigail Breslin nos cinemas, o longa-metragem, muito elogiado, conta com um elenco de peso, com dois nomes fortes da indústria hollywoodiana: Mel Gibson e Joaquin Phoenix. Esse último conseguiu o papel após Mark Ruffalo ser afastado do projeto devido a descoberta de um tumor cerebral.

Muito mais que um filme de suspense com elementos extraterrestres, Sinais é um profundo drama sobre uma família em diversas lutas, onde precisam superar os obstáculos que o destino traz. Pra quem nunca assistiu ou quer rever, o filme está disponível no catálogo da Star Plus.

Velozes e Furiosos | Do Pior ao Melhor

Velozes e Furiosos 8 já aqueceu o motor e chega acelerando nos cinemas hoje, dia 13 de abril. O filme promete ser um dos maiores sucessos deste início de ano e também do ano inteiro.

Mal estreou, e novos exemplares da franquia extremamente rentável já são prometidos, começando sua produção.

Já são oito filmes ao todo e pensando nisso, o CinePOP resolveu homenagear a série mais envenenada do cinema, colocando em ordem todos os episódios, do pior ao melhor. Então, aperte o cinto e prepare-se para altas velocidades. Não esqueça de deixar seu comentário, listando você também em ordem de preferência os filmes Velozes e Furiosos.

Leia também nossa crítica de Velozes e Furiosos 8.

Crítica | Velozes e Furiosos 8 é diversão e adrenalina pura (Nota: 8.0)

Crítica 2 | Velozes e Furiosos 8 – Franquia megalomaníaca só faz crescer (Nota: 8.0)

 

8. + Velozes + Furiosos (2003)

Motor: com o sucesso do primeiro filme, uma sequência (desnecessária) foi logo criada. Dois roteiros foram escritos, um com e outro sem a presença do personagem de Vin Diesel. Dá para perceber qual foi usado. Soando como continuação caça-níquel, o que de fato era, o filme perdeu parte de seu charme e público.

Chassi: Brian O´Connor (Paul Walker), agora do outro lado da lei, é capturado por seus ex-companheiros, e forçado a se infiltrar numa gangue em Miami. Para a tarefa, ele recorre ao seu velho amigo Roman Pearce (Tyrese Gibson) – aonde se encaixaria Diesel na trama.

Velocidade: logo no começo, temos um racha com um carro pulando por cima de outro em uma ponte. Em outra cena, numa corrida, caminhões se mostram obstáculos nada agradáveis. No final, temos um carro decolando voo e aterrissando em um iate.

Arranque: Roman e Tej (Ludacris) foram introduzidos neste filme, mas o grande chamariz é a presença de Eva Mendes, como a policial infiltrada Monica Fuentes. Esperamos ansiosamente o retorno da cubana à série.

Trava Roda: o vilão aqui é Carter Verone (Cole Hauser), que tem como hobby colocar ratos na barriga de desafetos e atiçá-los para que cavem um buraco.

Piloto: John Singleton, de Os Donos da Rua (1991).

 

7. Velozes e Furiosos 4 (2009)

Motor: “novo modelo, peças originais”, era o que anunciava o slogan do filme. Parte continuação, parte reboot, o quarto filme da franquia trouxe de volta o elenco original – Vin Diesel, Paul Walker, Michelle Rodriguez e Jordana Brewster. Justamente por isso, precisava ser um filme melhor, decepcionando por não honrar o retorno dos envolvidos.

Chassi: Brian O´Connor (Paul Walker), novamente trabalhando para o FBI (decida-se, certo?), precisa se infiltrar nas operações de um grande traficante mexicano. Para o feito, ele recorre ao velho conhecido Toretto (Diesel), e termina reencontrando a paixão Mia (Brewster), irmã do careca.

Velocidade: a cena de abertura, com Dom e Letty (Rodriguez) roubando combustível de um caminhão tanque é a melhor do filme. De resto, ganhamos um filme abaixo do esperado, sem a adrenalina dos anteriores e uma sequência final dentro de túneis em uma caverna muito escura, que não funciona.

Arranque: além da volta do time original, somos introduzidos a Gisele (Gal Gadot), criminosa, braço direito do vilão, com formas de modelo. Han (Sung Kang) também dá as caras, após sua “morte” no terceiro filme – quebrando a cronologia.

Trava Roda: Campos é o vilão deste grande retorno da trupe, interpretado pelo ótimo John Ortiz. Ele se mostra um adversário mais sério e ameaçador, voltando em uma participação no sexto filme, em uma cena na cadeia. O principal capanga do traficante é Fenix, papel do musculoso Laz Alonso, o assassino de Letty. O filme, infelizmente, não nos dá uma pancadaria entre ele e Dom, como esperado.

Piloto: o diretor aqui é o taiwanês Justin Lin, que havia entrado na série no comando do filme anterior.

 

6. Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio (2006)

Motor: se no filme anterior, Vin Diesel estava fora, neste nem Paul Walker retorna. Aqui, foi quando todos achavam que a franquia estava morta e enterrada. Hoje, olhando para trás, não é o pior episódio da série, e até possui certo charme ao se desassociar totalmente da proposta dos anteriores.

Chassi: movendo a ação para Tóquio, Japão, e com o objetivo de ser um animal totalmente novo, sem qualquer elo com os anteriores, Desafio em Tóquio não é sobre corridas, mas sim sobre drift, aquelas derrapadas em curva. Outra remodelada é por um filme mais jovem, com protagonistas colegiais.

Velocidade: as cenas das famosas derrapadas nas rampas em curva, os chamados drift, são bem legais. A cena que abre o filme, se tornando o motivo do protagonista Sean Boswell (Lucas Black) ser enviado para o Japão, também é recheada de adrenalina.

Arranque: nenhum dos personagens deste filme foi reutilizado ao longo da série, tirando Han (Kang), apesar de Sean (Black) ter feito uma ponta no sétimo episódio. Nesta história reciclada de filmes colegiais do aluno recém-chegado, temos a mocinha em quem ele fica interessado (Nathalie Kelley) e o antagonista valentão que surge como terceira parte no triângulo amoroso (Brian Tee). O rapper mirim Bow Wow, hoje usando o nome Shad Moss, interpretou o melhor amigo do protagonista.

Trava Roda: D.K. (Tee) era a peste do colégio, mas o maior vilão do filme era mesmo o tio do rapaz, o mafioso Kamata, papel do lendário Sonny Chiba.

Piloto: como dito, o asiático Justin Lin, de Annapolis (2006) – que fazia uso de dois veteranos da franquia, Jordana Brewster e Tyrese Gibson – realizava seu quarto longa-metragem com Desafio em Tóquio.

 

5. Velozes & Furiosos 5: Operação Rio (2011)

Motor: o episódio mais cultuado pelos fãs, Operação Rio (como ficou conhecido no Brasil) trouxe a franquia para terras tupiniquins e para nossas favelas – mesmo que nem tudo esteja geograficamente correto. Foi aqui que a série verdadeiramente recuperou seu fôlego e atingiu o status gigantesco e megalômano em que se encontra hoje.

Chassi: Toretto e sua equipe planejam um roubo audacioso, transformando a série totalmente, de corridas de carros para a ação de grandes assaltos ousados. A missão impossível no Brasil não será tão fácil, já que em seu encalço, Vin Disel e cia. possuem o braço mais forte da lei, Luke Hobbs (The Rock).

Velocidade: aqui foi quando a série começou a tomar proporções homéricas. Temos por exemplo a perseguição a um trem e o voo de uma ponte, que liga o Rio a São Paulo. Ou não. Carros arrastando um cofre não é algo que se vê todos os dias. Mas a pancadaria entre os brutamontes Diesel e Johnson definitivamente é um dos pontos altos aqui.

Arranque: como gostava de anunciar na época, Dwayne ‘The Rock’ Johnson afirmava ser o Viagra das franquias. Dito e feito, uma das decisões mais acertadas dos produtores para a série foi introduzir o carismático gigante na pele do policial Luke Hobbs, confeccionando assim um verdadeiro duelo de titãs com o Dom de Vin Diesel, no lado oposto da lei. Além disso, enquanto o quarto filme trouxe de volta as partes originais, o quinto trouxe todos os opcionais, vide Roman (Gibson), Han (Sang), Vince (Matt Schulze), Gisele (Gadot) e Tej (Ludacris). A policial brasileira Elena (Elsa Pataky), importante para a trama da franquia, faz seu debute.

Trava Roda: apesar dos bandidos serem os mocinhos e o antagonista, o agente da lei Hobbs, existe sim um vilão declarado no quinto longa da franquia. O português Joaquim de Almeida vive o criminoso brasileiro Reyes, que tem fortes laços com políticos, empresários e policiais corruptos. E o que mais? Como diz Toretto a certa altura do filme, “This is Brazil!”. Sim, definitivamente é.

Piloto: mais uma chance é dada para Justin Lin, que desta vez pôde conhecer o que era o sucesso absoluto em um filme da franquia.

 

4. Velozes e Furiosos (2001)

Motor: onde tudo começou. O primeiro Velozes e Furiosos se comporta demais como uma refilmagem não declarada de Caçadores de Emoção (1991), de Katheryn Bigelow.

Chassi: um agente do FBI (Paul Walker) precisa se infiltrar no submundo de corridas clandestinas para descobrir a gangue que anda assaltando caminhões de mercadorias nas estradas.

Velocidade: as cenas de corridas são todas muito bem orquestradas. A cena que mais marca o filme, no entanto, é o duelo final entre Diesel, Walker e um trem. Além disso, este filme ainda tinha um pé em nosso mundo, e cria um clima de mistério e certo suspense interessante para um blockbuster descerebrado.

Arranque: na época, o elenco se resumia a um grupo de desconhecidos. Seu status cult veio com o lançamento do longa no mercado de vídeo.

Trava Roda: o primeiro filme trata de assuntos mais relevantes, como confiança, do que o combate a um vilão. Mas eles não deixam de existir aqui, e o principal é Johnny Tran, o corredor com laços mafiosos, vivido por Rick Yune.

Piloto: Rob Cohen (Daylight) dirigiu o primeiro filme e voltaria a trabalhar com Vin Diesel em XxX (2002).

3. Velozes e Furiosos 6 (2013)

Motor: aqui foi onde a série deu o pulo para a estratosfera, embora muitos tenham creditado ao episódio anterior. O orçamento mais inflado, proporcionou a franquia Velozes e Furiosos adentrar no território dos filmes mais caros da atualidade e o resultado é percebido nas telas. Sem dúvida um dos mais divertidos de todos.

Chassi: na trama, Letty (Rodriguez) está viva! Mas não se lembra de nada, devido a uma amnésia (ridículo? Ei, não esqueça que estamos falando de Velozes e Furiosos). Além de viva, ela faz parte de um novo grupo de criminosos, que vem tocando o terror por Londres. Hobbs pede a ajuda de Toretto e seus amigos mais uma vez, em uma missão mais pessoal impossível para a “família”.

Velocidade: as cenas de ação aqui atingiram níveis inacreditáveis. Temos, por exemplo, uma perseguição em uma ponte com um tanque de guerra. Além dessa, as ruas de Londres se tornam o palco de uma batalha entre a equipe de Toretto e a nova família de Letty, que usa os infames “carros rampa”. O final traz o que acontece quando carros combatem um avião jumbo!

Arranque: Michelle Rodriguez é trazida de volta para a série e sua Letty, de volta à vida (ninguém morre de verdade aqui). Hobbs volta, assim como toda a trupe, mas alguns encontrarão um trágico destino.  Fora isso, Gina Carano, a então musa do MMA feminino e atriz nas horas vagas, reforça o elenco na pele da parceria do grandalhão The Rock, com direito a um “cat fight” com Rodriguez.

Trava Roda: o vilão da vez é Shaw (Luke Evans), um anarquista que planeja uma série de ataques e tem na manga a lealdade de Letty, por ter salvado sua vida – ao final do quarto filme. A gangue de Shaw é quase como uma versão “bizarra” de nossos heróis, com cada um dos membros encontrando sua contraparte.

Piloto: quarto e último filme da franquia comandado por Justin Lin, que decidiu alçar voos maiores, com Star Trek – Sem Fronteiras (2016).

 

2. Velozes e Furiosos 8 (2017)

Motor: após a morte de Paul Walker e da despedida no sétimo filme, a franquia poderia ter encerrado. Mas aí a Universal perderia sua galinha dos ovos de ouro. Então um novo filme saiu do papel, e não será o último. O grande mote aqui é a traição de Diesel, o pilar da família Velozes, e a chegada da vilã definitiva.

Chassi: é o fim dos tempos quando Toretto precisa se voltar contra o que mais considera importante no mundo, sua família. O motivo? O grandalhão careca é chantageado por Cipher, terrorista cibernética temida mundialmente, que planeja roubar ogivas nucleares e fazer governos de refém. E o que mais?

Velocidade: se o quinto filme abriu portas, o sexto foi o que atingiu nível de Missão: Impossível, 007, ou qualquer arrasa-quarteirão megalomaníaco. Aqui, seguimos a máxima de superar cada feito anterior, e temos carros guiados por controle remoto, chuva de carros e até mesmo uma corrida no gelo com um enorme submarino. Mas o que choca mesmo é o beijo de Charlize Theron em Vin Diesel.

Arranque: a musa Charlize Theron é a melhor adição do elenco no oitavo filme da franquia. Todos (ou a maioria) dos “jogadores” retornam. Além da loira, temos aqui a veterana Helen Mirren num papel hilário, e o novato Scott Eastwood como um agente federal tentando ocupar a vaga do saudoso Paul Walker como o galã da franquia.

Trava Roda: a vilã definitiva é Cipher, Charlize Theron, uma hacker terrorista superinteligente, que faz da trupe suas marionetes. É revelado que a criminosa estava por trás de acontecimentos datando do sexto filme, ou seja, Dom e sua turma eram uma pedra antiga em seu sapato, que ela tratará de retirar.

Piloto: F. Gary Gray, do sucesso Straight Outta Compton (2015), é o terceiro americano a comandar um filme da franquia.

 

1. Velozes e Furiosos 7 (2015)

Motor: adiado por um ano, o sétimo Velozes e Furiosos foi marcado pela tragédia, quando o astro da franquia Paul Walker faleceu em um acidente automobilístico (na máxima das cruéis ironias) e não pôde completar sua participação, sendo substituído por dublês, efeitos e seus irmãos da vida real. A arte imita a vida, e Velozes 7 serviu de despedida para Walker e seu Brian O´Connor, usando a metalinguagem de forma mais que emocionante. Impossível evitar as lágrimas e o nó na garganta ao final.

Chassi: um grande problema decide ir atrás de nossos heróis, eliminando-os um a um. A caça vira o caçador quando a equipe decide combater tal ameaça, para isso precisando da ajuda de antigos aliados e de novos, como o agente do governo Sr. Ninguém (papel do veterano Kurt Russell).

Velocidade: se no sexto filme tivemos um avião jumbo e um tanque de guerra, no sétimo temos carros caindo de paraquedas de um avião, descendo ribanceiras, comboios militares extremamente armados, a demolição de um estacionamento, drones e, é claro, carros atravessando os prédios mais altos do mundo, em Abu Dhabi.

Arranque: a despedida de Paul Walker chama atenção no sétimo episódio, mas temos também a entrada de Kurt Russell na série na pele do enigmático Sr. Ninguém, o agente federal que dá respaldo na caçada ao terrorista Deckard Shaw. Além disso, a série também ganha mais uma presença feminina de respeito, com a hacker Ramsey, papel da belíssima Nathalie Emmanuel (Game of Thrones).

Trava Roda: até então, a maior ameaça da série, tida como definitiva, era “o irmão mais velho e malvado”, vivido por Jason Statham. Escolha acertadíssima para um elenco de brucutus, Statham é outro herói de ação que se junta ao filme como o vilão. É claro que a chance de um embate entre ele e The Rock e depois com Vin Diesel não seria perdida. Além disso, a lutadora Ronda Rousey faz uma participação e trava seu próprio embate com Michelle Rodriguez. Os atores Djimon Hounsou e Tony Jaa também dão as caras como vilões.

Piloto: sai o taiwanês Justin Lin, e entra malaio James Wan (Invocação do Mal), que não faz feio. Nem perto disso.

Crítica | ‘Pedágio’ – BRILHANTE e VISCERAL, o grande filme do cinema brasileiro em 2023!

Pare, olhe, escute. Um embate familiar que se choca com a realidade de uma vida difícil, com o preconceito, com verdades impostas, com a absurda oferta de uma ‘cura gay’ se tornam os primeiros elementos de um longa-metragem exibido nos festivais de San Sebastian e Toronto, que contorna as duras camadas de momentos conflitantes com inteligência, com uma fotografia que escancara as emoções. Segundo longa-metragem da carreira de Carolina Markowicz, uma grande contadora de histórias com imagens em movimento (já tínhamos visto isso no excelente Carvão), Pedágio não é um filme fácil, necessita de atenção, há reflexões por todos os lados. Um dos melhores longas-metragens exibidos no Festival do Rio 2023.

Na trama, acompanhamos Suellen (Maeve Jinkings, em grande atuação) uma mulher batalhadora que trabalha como cobradora de um pedágio em Cubatão, São Paulo. Ela tem um filho, Tiquinho (Kauan Alvarenga), perto de completar 18 anos, que adora fazer vídeos e imitar divas da música. Ao longo do tempo, Suellen passou a se incomodar com algumas situações envolvendo o filho e de maneira inconsequente resolve ser parte de uma pequena gangue que rouba relógios, tudo isso para financiar a ida de seu filho à uma cura gay organizada por um pastor gringo.

 

Os protagonistas, mãe e filho não chegam a ser antagonistas, há sentimentos conflitantes mas não falta amor. Essa relação repleta de altos e baixos, acaba se transformando em mais um personagem que segue como uma sombra para todas as ações e consequências que se chocam no destino dos protagonistas. Suellen vive num presente perdida em um relacionamento abusivo repleto de falsas promessas em choque com a carência, com a solidão e parece despejar todas suas frustrações no único filho. Tiquinho sofre com as agressões por sua orientação sexual mas não deixa de seguir seu caminho driblando a bolha conservadora que sua mãe está estacionada.

Como percorrer uma distância entre dois pontos? Tem artistas que adotam o discurso reto e direto, outros buscam as trajetórias mais difíceis por meio de profundas camadas dramáticas para trazer ao centro do palco (ou melhor, da telona) uma série de críticas sociais importantes para serem debatidas. Um relacionamento entre mãe e filho marcado pelo preconceito é o primeiro passo de um brilhante roteiro que detalha a vida como ela é, uma versão nua e crua de recortes de uma sociedade que algumas vezes buscam os caminhos mais difíceis em busca de algum sentido para verdades impostas. A narrativa é cirúrgica também ao relatar e se fazer refletir sobre a opressão sofrida pela comunidade LGBTQIA+.

Um dos seis filmes pré-selecionados para uma vaga no Oscar 2024 (acabou sendo escolhido Retratos Fantasmas), Pedágio estreia dia 30 de novembro. Um filme que marca mais uma vez o talento de Carolina Markowicz.

O Clube do Bilhão | Os 30 filmes que passaram US$ 1 bilhão nas bilheterias (Atualizado)

Todo ano, a batalha nas bilheterias se torna uma competição mais disputada. Atualmente, temos superproduções (os chamados blockbusters) estreando inclusive no início do ano, vide A Bela e a Fera, Logan e A Grande Muralha, só para citar os lançamentos de 2017. A intensificação de produções cada vez mais caras, estreando não somente no verão norte-americano (época de maior fervor nas bilheterias dos EUA), mas ao longo do ano todo, pode vir a criar fracassos estrondosos, como também novos recordistas de bilheterias.

A nova lista do CinePOP apresenta justamente isso. Os reis dos reis. Os grandes dos grandes. Não basta estar no topo das bilheterias de seu respectivo ano mais, o que conta agora é o seleto grupo do clube do Bilhão. Somar centenas de milhões em bilheteria é para os fracos e coisa do passado. Agora, os arrasa-quarteirões de verdade querem saber é dos bilhões. Até hoje, no entanto, apenas 29 filmes conseguiram tal proeza na história do cinema – algo me diz que um certo oitavo filme de uma franquia muito acelerada em quatro rodas em breve se juntará ao clube. Vamos conhecê-los.

#30 – O Cavaleiro das Trevas (2008)

Bilheteria Mundial: US$1,004,558,444
Abertura:
US$158,411,483
Orçamento:
US$185 milhões

#29 – O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (2012)

Bilheteria Mundial: US$1,021,103,568
Abertura:
US$84,617,303
Orçamento:
US$180 milhões (estimado)

#28 – Zootopia (2016)

Bilheteria Mundial: US$1,023,615,211  
Abertura:
US$75,063,401
Orçamento:
US$150 milhões (estimado)

#27 – Alice no País das Maravilhas (2010)

Bilheteria Mundial: US$1,025,467,110  
Abertura:
US $116,101,023
Orçamento:
US $200  milhões

#26 – Star Wars: A Ameaça Fantasma (1999)

Bilheteria Mundial: US $1,027,044,677  
Abertura:
US  $64,820,970
Orçamento:
US $115 milhões

#25 – Procurando Dory (2016)

Bilheteria Mundial: US $1,027,364,326
Abertura:
US$135,060,273
Orçamento:
US$200 milhões

#24 – Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (1993)

Bilheteria Mundial: US$1,029,153,882  
Abertura:
US$47,026,828
Orçamento:
US$63 milhões

#23 – Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas (2011)

Bilheteria Mundial: US $1,045,713,802  
Abertura:
US  $90,151,958
Orçamento:
US $250 milhões

#22 – Rogue One: Uma História Star Wars (2016)

Bilheteria Mundial: US  $1,056,751,464
Abertura:
US  $155,081,681
Orçamento:
US $200 milhões

#21 – Piratas do Caribe: O Baú da Morte (2006)

Bilheteria Mundial: US  $1,066,179,725  
Abertura:
US $135,634,554
Orçamento:
US $225 milhões

#20 – Toy Story 3 (2010)

Bilheteria Mundial: US  $1,067,969,703  
Abertura:
US  $110,307,189
Orçamento:
US $200 milhões

#19 – O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012)

Bilheteria Mundial: US  $1,084,939,099  
Abertura:
US  $160,887,295
Orçamento:
US $250 milhões

#18 – Velozes e Furiosos 8 (2017)

Bilheteria Mundial: US  $1,101,321,355 
Abertura:
US  $98,786,705
Orçamento:
US $250 milhões

 

#17 – Transformers: A Era da Extinção (2014)

Bilheteria Mundial: US  $1,104,054,072  
Abertura:
US  $100,038,390
Orçamento:
US $210 milhões

#16 – 007 Operação Skyfall (2012)

Bilheteria Mundial: US  $1,108,561,013  
Abertura:
US  $88,364,714
Orçamento:
US $200 milhões

#15 – O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (2003)

Bilheteria Mundial: US $1,119,929,521  
Abertura:
US  $72,629,713
Orçamento:
US $94 milhões

#14 – Transformers: O Lado Oculto da Lua (2011)

Bilheteria Mundial: US  $1,123,794,079  
Abertura:
US  $97,852,865
Orçamento:
US $195 milhões

#13 – A Bela e a Fera (2017)

Bilheteria Mundial: US$1,142,500,233
Abertura:
US$174,750,616
Orçamento:
US$160 milhões

#12 – Capitão América: Guerra Civil (2016)

Bilheteria Mundial: US  $1,143,597,261  
Abertura:
US  $179,139,142
Orçamento:
US $250 milhões

#11 – Minions (2015)

Bilheteria Mundial: US  $1,159,398,397  
Abertura:
US  $115,718,405
Orçamento:
US $74 milhões

#10 – Homem de Ferro 3 (2013)

Bilheteria Mundial: US  $1,215,439,994  
Abertura:
US  $174,144,585
Orçamento:
US $200 milhões

#09 – Frozen: Uma Aventura Congelante (2013)

Bilheteria Mundial: US  $1,276,480,335  
Abertura:
US  $67,391,326
Orçamento:
US  $150 milhões

#08 – Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 (2011)

Bilheteria Mundial: US  $1,341,511,219  
Abertura:
US $169,189,427
Orçamento:
US$125 milhões

#07 – Vingadores: Era de Ultron (2015)

Bilheteria Mundial: US  $1,405,413,868  
Abertura:
US $191,271,109
Orçamento:
US $250 milhões

#06 – Velozes & Furiosos 7 (2015)

Bilheteria Mundial: US  $1,516,045,911
Abertura:
US  $147,187,040
Orçamento:
US $190 milhões

#05 – Os Vingadores (2012)

Bilheteria Mundial: US $1,519,557,910
Abertura:
US  $207,438,708
Orçamento:
US  $220 milhões

#04 – Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (2015)

Bilheteria Mundial: Us  $1,670,400,637
Abertura:
US  $208,806,270
Orçamento:
US $150 milhões

#03 – Star Wars: O Despertar da Força (2015)

Bilheteria Mundial:  US$2,068,178,225  
Abertura:
 US$247,966,675
Orçamento:
US$245 milhões

#02 – Titanic (1997)

Bilheteria Mundial: US  $2,186,772,302  
Abertura:
US  $28,638,131
Orçamento:
US $200 milhões

#01 – Avatar (2009)

Bilheteria Mundial:  US$2,787,965,087  
Abertura:
US  $77,025,481
Orçamento:
US $237 milhões (estimado)

Crítica | ‘Othelo, o Grande’ – Documentário vencedor de prêmio no Festival do Rio 2023 mostra a trajetória de um gigantesco artista [Festival do Rio 2023]

Buscando por meio de imagens de arquivos e depoimentos sobre diversos temas, contar de forma breve a trajetória de um intérprete de vários sentimentos que logo se tornou um dos mais destacados artistas da história dos palcos e telas de nosso país, Othelo, o Grande nos declama a genialidade do improviso e o dom de fazer rir se tornando um projeto fundamental para quem ama a sétima arte. O documentário, dirigido por Lucas H. Rossi traz em seu paralelo importantes momentos do cinema brasileiro.

Ao longo de hipnotizantes 82 minutos de projeção, acompanhamos parte da história de Sebastião Bernardes de Souza Prata, nascido na hoje conhecida Uberlândia, em 1915, um homem que tinha a política de fazer rir! Lutando contra o preconceito em praticamente todas as fases de sua vida, logo ficou conhecido como Grande Otelo, sendo o grande responsável por dar vida à personagens com enorme apelo popular que estão nas memórias de muitas pessoas até hoje.

Trechos de muitos de seus trabalhos mais conhecidos ganham pequenos recortes e reflexões, como: Macunaíma do cineasta carioca Joaquim Pedro de Andrade e Fitzcarraldo, do aclamado cineasta alemão Werner Herzog. Entre os momentos mais marcantes, seu encontro com Orson Welles gera um depoimento sobre o sumiço de filmes que mostravam grandes verdades do Brasil na década de 40, fato que poucos conhecem. A dupla com Oscarito não foi esquecida, essa que marcou uma fase impressionante da comédia brasileira.

O início da Atlântida (famosa produtora de filmes), no início da década de 40, além dos rumos do cinema brasileiro ganham alguns depoimentos de Grande Otelo tiradas de algumas das inúmeras entrevistas que o documentário conseguiu em sua excelente pesquisa. Durante todo o tempo em que esteve ativo no mercado, o ator nunca escondeu o que pensava sobre os bastidores. As tragédias da vida pessoal também ganham espaço, flertou com esse momento inclusive em plena Avenida Presidente Vargas sem ser época de carnaval.

Othelo, o Grande venceu o prêmio de Melhor Documentário no Festival do Rio 2023, um merecido prêmio para um filme que mostra com muita riqueza de detalhes, a vida de um gigantesco artista brasileiro.

Os Filmes Mais Esperados de Maio 2017

Não dá para acreditar que o ano já está chegando na metade. Passado abril, alguns dos maiores blockbusters de 2017 ficaram para trás. Velozes e Furiosos 8, a maior abertura de todos os tempos, já é o segundo filme mais rentável do ano, abaixo somente de A Bela e a Fera (estreia de março). Dom e cia já arrecadaram mais de US$1,100 bilhão, entrando para o seleto grupo dos arrasa-quarteirão megalomaníacos – leia nossa matéria sobre o Clube do Bilhão. Quem não deve ficar atrás é Guardiões da Galáxia Volume 2, outro estrondoso lançamento do mês passado (nos EUA estreia agora no início de maio), que promete brigar com todas as armas pelo topo das bilheterias do ano e quem sabe se juntar ao clube do bilhão. Vamos conhecer as principais estreias de maio nos cinemas brasileiros, e quem sabe um novo campeão de vendas. Façam suas apostas.

04/05

A Autópsia

Dirigido por Andre Ovredal, do criativo O Caçador de Troll (2010), o terror intimista apresenta um cenário inusitado: dois legistas e um cadáver dentro de um necrotério. Como diz o título, pai (Brian Cox) e filho (Emile Hirsch) se deparam com o corpo de uma jovem (Olwen Catherine Kelly) sem identificação e precisam descobrir a causa da morte. A situação recheada de mistério é o grande charme deste thriller assustador.

Ninguém Entra, Ninguém Sai

Saindo de um filme gelado para um mais leve, esta é a nova comédia nacional da Globo Filmes. Imagine a situação: clientes em um badalado motel são impedidos de deixar o local devido a uma quarentena, já que um funcionário foi diagnosticado como portador de um raro vírus, inexistente no Brasil. Dentro do estabelecimento, as figuras mais exóticas possíveis precisarão coexistir até que uma solução ao problema seja dada. Dentre os nomes do elenco, o chamariz é Letícia Lima, atriz e humorista em ascensão, oriunda do programa Porta dos Fundos.

11/05

Alien Covenant

Se no primeiro fim de semana de maio não houve grandes estreias, ainda reflexo de um certo fenômeno chamado Volume 2, o segundo fim de semana do mês traz um dos filmes mais esperados do ano. Alien Conenant é o novo exemplar da franquia espacial assustadora, que fez escola e continua a assombrar os fãs do gênero. Ridley Scott, o criador do original de 1979, retorna ao comando de mais um longa da série, dessa vez contando a história de um grupo de colonizadores descobrindo um planeta paradisíaco. Somente para perceberem que o local abriga também os infames xenomorfos.

O Dia do Atentado

O ator Mark Wahlberg trabalhou ao lado do diretor Peter Berg em dois filmes, O Grande Herói (2013) e Horizonte Profundo (2016), ambos elogiados pela crítica, conquistando lugar na concorrida época de premiações. No mesmo ano do último, a dupla realizou também este O Dia do Atentado, sobre os ataques terroristas durante a maratona de Boston, ocorridos em 2013. O elenco, além de Wahlberg, traz nomes como John Goodman (Rua Cloverfield, 10), Michelle Monaghan (Pixels), Melissa Benoist (da série Supergirl), J.K.Simmons (La La Land) e Kevin Bacon (Aliança do Crime).

A Promessa

Por falar em elenco renomado, temos neste épico centrado durante o império turco, a presença dos atores Christian Bale, Oscar Isaac e Charlotte Le Bon. O filme, que fala sobre um triângulo amoroso, conta a história de Mikael (Isaac), um brilhante médico em formação, seu alvo de afeto, a bela e sofisticada Ana (Le Bom), e Chris (Bale), um renomado jornalista americano vivendo em Paris. O longa é dirigido por Terry George (Hotel Ruanda, 2004),

O Cidadão Ilustre

Filme selecionado pela Argentina para ser o representante do país por uma vaga no Oscar 2017, O Cidadão Ilustre foi também o longa que encerrou o Festival do Rio do ano passado. Na trama, um celebrado autor de Best-sellers recebe o convite para retornar à sua cidadezinha natal na Argentina (ele agora vive na Europa), onde lhe será oferecido o título de cidadão ilustre do local. Recluso, o sujeito (vivido pelo talentoso Oscar MartínezRelatos Selvagens, 2014), resolve aceitar devido ao seu momento nostálgico. Uma vez no local, ele irá vivenciar experiências inesquecíveis, para o bem e para o mal.

18/05

Corra!

Um dos maiores sucessos do ano, Corra! é um terror polêmico e diferente, saído da mente de Jordan Peele, humorista sensação dos EUA. Parte sátira, parte terror impactante e parte crítica social, o longa funciona de diversos níveis, possuindo muitas camadas. A história traz um jovem casal inter-racial, ela branca e ele negro, que viajam para um fim de semana na casa dos pais dela para uma festa. Nervoso, o protagonista entende e tênue linha que estão prestes a ultrapassar. O problema, no entanto, se mostrará mais profundo e assustador.

Rei Arthur – A Lenda da Espada

Guy Ritchie, ex-marido de Madonna, é um cineasta cujo talento vive sendo posto à prova. O sujeito realizou obras muito boas em seu início de carreira, mas depois começou a decair e se tornou dono de algumas verdadeiras bombas. Goste ou não de seu estilo, Ritchie também começa a ficar conhecido por revitalizar franquias de personagens para lá de icônicos. Primeiro, foram os dois Sherlock Holmes (2009 e 2011), de Robert Downey Jr., e depois veio O Agente da UNCLE (2015) – este segundo verdadeiramente bom. Agora, chegou a vez do diretor reinventar a mitologia do Rei Arthur e sua távola redonda. Jude Law vive o vilão Vortigern.

O Rastro

O Rastro é o novo filme de terror brasileiro, e mais uma tentativa de nosso país emplacar um filme de gênero. A trama tem como mote um hospital desativado por falta de verbas do governo, cenário ideal para uma obra de horror – gravado num verdadeiro hospital abandonado. Rafael Cardoso vive o protagonista, um médico que se afeiçoa a uma paciente, uma menininha acamada, dias antes do local parar de funcionar. Quando ela some, o sujeito começa a investigar seu misterioso desaparecimento, no caminho, esbarrando com fatos mais assustadores que qualquer elemento de terror: a realidade de nosso país. Leandra Leal, Cláudia Abreu, Jonas Bloch, Felipe Camargo e o saudoso Domingos Montagner estão no elenco.

Antes que eu Vá

Estava sentido falta de um filme baseado em romance infanto-juvenil? Pois não precisa se descabelar mais, este mês teremos um fresquinho. Baseado no livro de Lauren Oliver, Antes Que Eu Vá tem a jovem Sam, dona de uma vida aparentemente perfeita, que após a morte repentina, fica presa revivendo por uma semana, seu último dia. Ou seja, uma mistura de Feitiço do Tempo (1993) e Se Eu Ficar (2014). No papel da protagonista, a carismática Zoey Deutch, de Academia de Vampiros (2014) – você lembra? Pois é, nem ela.

25/05

Piratas do Caribe – A Vingança de Salazar

Falando em sucessos estrondosos, o quinto Piratas do Caribe (sim, o quinto!) vem aí e promete ser mais um filme na lista seleta do clube do bilhão. Johnny Depp e seu Jack Sparrow estão de volta, basta saber como irão se comportar devido à vertiginosa queda que a popularidade do ator teve após seu azedo fim de casamento com a atriz Amber Heard – lembrando que fãs da franquia Harry Potter fizeram uma petição para que o ator fosse banido do elenco de Animais Fantásticos e Onde Habitam (2016).

Real – O Plano por Trás da História

Um gênero que o público costuma abraçar em nosso país são os filmes que falam sobre nossa sofrida realidade, sejam os favela movies (Tropa de Elite e Cidade de Deus) ou produções com uma verve mais política. Real se encaixa no segundo item e se propõe a romantizar a criação do plano que iria redefinir o sistema monetário de nosso país economicamente abalado.

10 Filmes Sobre AMORES Perdidos

Nem sempre na nossa trajetória conseguimos viver pra sempre com as escolhas que fazemos. Seja num encontro amoroso de duas almas, no relacionamento com algum membro da família, nas amizades, os encontros e desencontros podem e tendem a acontecer. Pensando nesse curioso recorte sobre a vida, separamos abaixo uma lista bem legal com 10 Filmes Sobre AMORES Perdidos:

 

A Odisseia de Alice

Na trama, conhecemos a jovem engenheira Alice (Ariane Labed), uma mulher de menos de 30 anos que trabalha na marinha mercantil. Entre uma viagem e outra, algumas que duram meses em alto mar, ela acaba reencontrando um dos grandes amores de sua vida, o capitão Gael (Melvil Poupaud). O problema é que Alice deixou em terra seu noivo, Felix (Anders Danielsen Lie – do excelente Oslo, 31 de Agosto) por quem tem grandes sentimentos. Ao longo dos dias, Alice precisará descobrir realmente para quem deseja entregar seu coração, ou se simplesmente prefere viver um dia de cada vez sem compromissos.

 

Depois de ser Cinza

Na trama, conhecemos Raul (João Campos), um sociólogo gaúcho, com pós em antropologia, com intensas crises de ansiedade, perdido em histórias de amor no passado que não tiveram o final que queria. Num primeiro momento conhecemos seu encontro com a artista Isabel (Elisa Volpatto) na longínqua Zagreb, uma imigrante brasileira amargurada, inquieta que parece buscar encontrar sentidos para seu presente. Em meio a apresentação desses dois estranhos, mentiras, dificuldades em se abrir se colocam em evidência e assim vamos conhecendo também a história de Suzy (Branca Messina), uma estudante que extravasa seus vazios existenciais em festas e consumos desenfreados de seus vícios, presa na conflituosa relação com o pai, um pesquisador que já se foi, talvez o grande amor da vida de João. E em paralelo, chegamos na história de Manuela (Silvia Lourenço), uma terapeuta bem sucedida que não consegue se desprender da perda de um grande amor que agora está com sua irmã e num momento de sua vida também se envolve com João.

 

A Incrível História de Adaline

Ao longo dos 110 minutos de projeção, vamos conhecendo (muito por meio de flashbacks) uma linda mulher chamada Adaline Bowman (Blake Lively) que nasceu próximo da virada do último século e após um terrível acidente de carro nunca mais envelheceu. Depois de viver grandes amores, ser perseguida pelo FBI, ver sua filha envelhecer, trocar de nomes a cada nova década, resolve se entregar/viver um novo e recente amor, Ellis Jones (Michiel Huisman). Assim, deverá enfrentar todos os seus medos e receios de sua curiosa imortalidade.

 

O Rio do Desejo

Na trama, conhecemos o capitão da polícia Dalberto (Daniel Oliveira) um homem sério que resolve abandonar a corporação e comprar um barco depois de se apaixonar perdidamente pela bela e alegre Anaíra (Sophie Charlotte). Ainda em fase de mudança de vida, Dalberto resolve levar a amada para morar por um tempo na casa onde vive com os dois irmãos, Dalmo (Rômulo Braga) e Armando (Gabriel Leone), o primeiro um fotógrafo que tem um pequeno empreendimento na cidade, o outro um amante do universo musical que faz apresentações com sua banda. Mas a aparente harmonia é colocada à prova quando Dalberto precisa fazer uma viagem de quase dois meses e Anaíra começa a se aproximar de Dalmo e principalmente Armando.

 

Todas as Razões para Esquecer

Na trama, tendo como pano de fundo uma bela trilha sonora, conhecemos o complicado Antônio (Johnny Massaro) que acaba de terminar um relacionamento com Sofia (Bianca Comparato), o grande amor de sua vida. O protagonista não consegue entender os porquês do término e começa a navegar em uma trajetória de autoconhecimento, usando todo tipo de medida nunca antes usada por ele, como ir ao psiquiatra, usar o Tinder, remédios ansiolíticos, em busca de descobertas para melhorar seus dias.

 

Sob o Sol de Toscana

Na trama, conhecemos Frances (Diane Lane), uma esforçada crítica literária, moradora da cidade de San Francisco, que também e professora e tem uns livros que está escrevendo estacionados na gaveta. Sua vida ia bem, casada, com um ótimo emprego, até que ela descobre que seu marido a está traindo. Tempos depois o divórcio acontece, e de maneira bem prejudicial para a protagonista, que além de entregar a casa onde morava com ele a vida toda, ainda teve que pagar pensão para o traidor. O tempo passa e Frances não consegue encontrar mais a felicidade, vive seus dias tristes sendo consolada muitas vezes pela melhor amiga Patti (Sandra Oh). E por essa amiga é onde chega uma oportunidade que mudará sua vida, Patti consegue uma passagem para Frances viajar até a Itália, na região da Toscana. Quando embarca, não sabe ela que laços profundos vão ser criados nesse novo lugar.

 

Dissonantes

Na trama, conhecemos Paulo (Marcelo Serrado), um homem de meia idade imerso nas desilusões dos sonhos perdidos. Ele tinha uma banda de rock algumas décadas atrás chamada Super Fuzz, na qual era guitarrista e vocalista. O empreendimento musical não foi pra frente e nos dias atuais ele vive em situação difícil: com aluguel atrasado, sem muitas perspectivas de continuar no complicado mercado fonográfico, além de ter que lidar com o sucesso de outros integrantes da banda que encontraram espaço em um reality musical. Para complicar mais ainda sua situação, seu relacionamento de 18 anos com Clara (Maria Manoella) se desfaz, o levando a uma tristeza profunda. Certo dia, ele conhece Loly (Thati Lopes), uma criativa artista que vira um produto da indústria nas mãos de seu antigo parceiro musical. Paulo e Loly percebem que juntos podem encontrar algum sentido para as soluções de seus respectivos conflitos.

 

O Próximo Passo

Na trama, conhecemos a bailarina profissional, de 26 anos, Elise (Marion Barbeau), uma mulher que após sofrer uma contusão durante uma apresentação pela companhia de dança que fazia parte ruma para uma estrada de redescobertas como pessoa, como profissional da dança, entre desilusões do amor, novas oportunidades, buscando também uma melhora no relacionamento com os que ama, principalmente seu pai, o advogado Henri (Denis Podalydès). Ao longo de quase duas horas de filme, que deixa um gosto de quero mais, somos testemunhas de sequências empolgantes onde o nosso refletir está em todos os lugares.

 

Mar de Dentro

Na trama, conhecemos Manuela (Monica Iozzi), uma mulher independente, dedicada à carreira como diretora de criação de uma empresa, que se aproxima cada vez mais de Beto (Rafael Losso) um colega de trabalho. Certo dia, descobre que está grávida. Entre dúvidas e medos, dá andamento à gravidez sempre com o apoio do pai da criança e tendo poucos amigos, de mais próxima somente sua irmã Tetê (Gilda Nomacce). Mas uma tragédia coloca todas as questões de seu atual momento em grande conflito.

 

Peggy Sue – Seu passado a espera

Na trama, conhecemos Peggy Sue (Kathleen Turner), uma mulher de meia idade, mãe de dois filhos que está prestes a se divorciar do marido Charlie (Nicolas Cage) por conta de inúmeras traições por parte dele e do distanciamento que o mesmo mantém de sua família, deixando outros assuntos serem mais importantes. Durante um baile de comemoração de 25 anos da formatura da sua turma do High School, inclusive onde conheceu Charlie, a protagonista desmaia e acaba indo parar 25 anos atrás podendo assim reviver momentos, driblar algumas escolhas e seguir um novo caminho. Ou não.

 

Crítica 2 | Corra! – Terror inteligente assusta e faz pensar

Crítica satírica na medida

Desde que foi inaugurada no final da última década, a produtora Blumhouse, criada pelo californiano Jason Blum, foi escalando até se tornar sinônimo de filme de gênero de qualidade. E o gênero ao qual estamos nos referindo é o terror. Tudo começou com uma pequena produção independente chamada Atividade Paranormal (2007), que se transformou num verdadeiro fenômeno rendendo inúmeras sequências. Com esta noção podemos afirmar que a Blumhouse é a casa que Atividade Paranormal construiu – assim como Freedy Krueger e a sua Hora do Pesadelo fizeram com a New Line.

Hoje, a Blumhouse produz filmes como A Visita (2015) e Fragmentado (2017), os dois últimos do autoral M. Night Shyamalan, assim como este Corra!, seu mais novo sucesso. O gênero do terror é conhecido por custar pouco e render muito. Quando é bem produzido então. Corra! não conta com grandes nomes à frente ou atrás das câmeras, mas é o típico filme para fazer estrelas, cujo chamariz é seu roteiro confeccionado à perfeição, recheado de suspense, e remetendo às boas histórias da era de ouro do cinema.

Se formos dar o mérito principal para alguém, ele deve ir para o diretor e roteirista Jordan Peele, garantido de se tornar um astro em breve. Mais conhecido como ator e comediante, Peele estreia na direção de longas com o pé direito, usando bastante seu background como humorista para falar de uma coisa que conhece bem: racismo. Curiosamente, Peele não usa seu espaço para ser panfletário ou tendencioso, e sua crítica social funciona muito mais na forma de uma sátira, apresentando inclusive o outro lado da moeda – uma cena específica aponta bem isso (a da delegacia).

Na trama, Chris Washington (Daniel Kaluuya), um jovem negro, está nervoso pois irá conhecer os pais da namorada branca Rose (Allison Williams, filha do famoso âncora norte-americano Brian Williams) durante um final de semana na casa deles. Com este mote simples, mas que ainda se mostra tabu cinquenta anos após o icônico filme de mesmo tema Adivinha Quem Vem Para Jantar (1967), saído de uma época bem menos amistosa para tal, o diretor cria uma semi obra-prima. Pode-se concluir inclusive que Peele tenha usado o clássico de Stanley Kramer como bússola, partindo desta premissa.

Uma vez no local, Chris percebe que não tinha com o que se preocupar, pois os pais da moça, assim como os empregados no local, familiares e amigos não poderiam ser mais receptivos e simpáticos. Mas como nem tudo são flores, ou não teríamos um filme de terror e suspense, aos poucos o protagonista começa a notar o comportamento errático de alguns, o que o leva a uma investigação sobre o que possa estar ocorrendo na propriedade. E bem, esta é a premissa básica. Falar mais do que isso seria estragar a surpresa de vocês.

Vale dizer apenas que o “horror” é provido de uma questão bem sensível, ainda mais vinda nos tempos politicamente corretos no qual vivemos. Justamente por isso, quando pela primeira vez fiquei sabendo do filme, e assisti às primeiras prévias, não entendi bem a proposta, a qual considerei de mau gosto. Um tempinho depois, estudando sobre o realizador Peele e percebendo qual seu objetivo com o filme, a coisa torna-se bem mais aceitável. O resultado do filme mais ainda.

Como citado, Peele caminha muito bem por essa tênue linha do aceitável e do bom gosto, como um exímio equilibrista, sem nunca bambear. Seu tiro direto é certeiro, desferindo tapas de pelica para todos os lados, sem eximir ninguém. Isso se deve muito pela forma como Peele escreve o filme, de uma maneira quase velada, subentendida, não declarada. Seu humor é a segurança, como uma autodefesa, deixando o verdadeiro cerne das questões mais sérias adereçados apenas subliminarmente.

Na parte dos atores, a veterana Catherine Keener é pura elegância fria e LilRel Howery rouba todas risadas como Rod Williams, melhor amigo do protagonista. Porém, é Allison Williams (estrela da série Girls), quem está pronta para ser comprada pelo time A de Hollywood. Aqui, vivendo uma personagem cheia de camadas, que pode ser considerada a espinha dorsal do longa. Mas a qual o quanto menos soubermos sobre melhor. Vale dizer que Williams acerta todas as suas notas.

Corra! é um interessante experimento e caso raro de filme que funciona em dois âmbitos. Pode ser vendido para as massas como entretenimento, sendo imensamente satisfatório de tal forma – ficamos a cada virada nos deliciando com as reviravoltas aqui confeccionadas, nas quais o cineasta brinca e engana seu público, no bom sentido, como poucos. Ao mesmo tempo cria um conteúdo tão substancial que se torna digno de acalorados debates sobre o significado de cada cena, como um bom filme deve trazer. E foi exatamente o que meus colegas críticos e eu fizemos ao final da exibição. Jordan Peele, quem sabe poderia seguir por esta linha, criando um novo subgênero dentro do terror, o social horror. Renderia um filão.

10 filmes IMPERDÍVEIS que retratam a vida e trajetória de grandes artistas brasileiros

A importância de alguns artistas é tamanha que suas histórias merecem um filme. O cinema brasileiro ao longo do tempo nos apresentou projetos interessantes quando pensamos em cinebiografias ou mesmo documentários que retratam a vida de grandes artistas de nosso país. Para você que curte conhecer mais brasileiros que marcaram história, segue abaixo uma lista com 10 filmes IMPERDÍVEIS que retratam a vida e trajetória de grandes artistas brasileiros:

 

Mussum, o Filmis

Na trama, conhecemos partes da trajetória de vida de Antônio Carlos Bernardes Gomes, apelidado de Mussum, desde os tempos da infância pobre, passando pela esperança de estabilidade no serviço militar, seu amor pelo samba e pela Mangueira que o levou a ser integrante de um grupo chamado Os Originais do Samba, e sem esquecer do momento onde brilhou, quando se viu humorista por acaso, primeiro na saudosa Escolinha do Professor Raimundo e chegando até o ápice quando fora chamado por Renato Aragão para ser um dos integrantes de um dos programas televisivos mais vistos da história, os Trapalhões. Seus dramas na vida pessoal também contornam o brilhante roteiro assinado por Paulo Cursino.

 

Simonal

Simonal nos mostra o sempre animado Wilson Simonal (Fabricio Boliveira) e seu início na carreira de músico se apresentando em festas e eventos com o grupo Dry boys. Após conhecer Carlos Imperial e seu assistente na época, Erasmo Carlos, ganha a grande chance de sua vida e daí vira um dos grandes cantores do Brasil. Um dos pioneiros na criação da própria gravadora, Simonal, no auge, é envolvido em um escândalo, condenado por sequestro e extorsão, além de sair dessa história como dedo duro da ditadura. Exilado no próprio país, sendo negado pela grande maioria da classe artística, restou apenas pelas décadas seguintes tentar provar que nunca havia sido um delator a serviço da ditadura militar.

 

Legalize Já

Na trama, conhecemos Marcelo (Renato Góes, longe de estar parecido com D2 mas com boa atuação) um camelô de blusas de rock and roll que trabalha no centro do RJ que vê sua vida mudar por alguns acontecimentos: a gravidez de sua namorada e o encontro inusitado com um engajado e viciado em música chamado Skunk (Ícaro Silva, em grande atuação). Aos poucos, se conhecendo melhor, entre brigas e vindas, resolvem investir tempo e criatividade no que viria a se tornar a inesquecível banda Planet Hemp.

 

Um Broto Legal

O filme começa na década de 50, mais precisamente no ano de 1956, em Taubaté, onde conhecemos os irmãos Tony (Murilo Armacollo) e Celly (Marianna Alexandre), dois amantes da música que possuem um sonho em comum: fazer sucesso com suas canções pelo Brasil. Contando com o incentivo do pai e as desconfianças da mãe, Tony é a mola propulsora e desbravadora desse sonho e logo parte para São Paulo em busca de oportunidades. Sempre muito simpático e querido por todos, Tony consegue que ele e sua irmã assinem um contrato com uma gravadora. Paralelo a isso, Celly ainda se dedica aos estudos e começa a namorar. Quando um sucesso cantando por Celly chega as paradas de todo o Brasil, escolhas precisarão serem tomadas sobre o futuro da carreira na música.

 

Migliaccio, o Brasileiro em Cena

O documentário busca de maneira mais profunda possível passar o modo de pensar e histórias da carreira de um artista muito criativo que conquistou o Brasil contando histórias próximas da realidade de muitos. Sempre em busca da importância de se comunicar com seu público através de sua arte, Flávio Migliaccio, um ótimo contador de histórias, através de entrevistas em algumas fases de sua vida, vamos começando a entender essa personalidade do universo das artes do Brasil.

 

Siron. Tempo Sobre Tela

A honestidade na arte de criar. Escrito e dirigido pelos cineastas André Guerreiro Lopes e Rodrigo Campos, Siron. Tempo Sobre Tela nos apresenta um profundo e impressionante raio-x sobre a criatividade de um dos maiores artistas plásticos de nosso país, Siron Franco. Com muitos depoimentos do próprio artista em uma espécie de narrativa intimista, o processo criativo é mostrado por várias óticas. Fontes de inspiração, meda da tortura, o pensar como uma peça de teatro, o fascínio com outras artes como o cinema, os fundamentos do sonho sobre à arte. Ao longo de cerca de 90 minutos somos premiados com memórias de sua intensa e bem vivida trajetória, tanto no lado profissional como no lado pessoal, declamadas belo lado do saudosismo.

 

Todas as Melodias

Nesse bom trabalho, acompanhamos uma parte da trajetória de Luiz Carlos dos Santos, o Luiz Melodia, que cresceu no morro do São Carlos, no Estácio, Rio de Janeiro, e que desde criança roubava o violão do pai para começar a criar músicas desde jovem. Teve suas canções imortalizadas por grandes artistas brasileiros, como a inesquecível canção Pérola Negra na voz de Gal Costa. Sua esposa Jane Reis nos conta algumas curiosidades ao longo do documentário que traz grande parte das incríveis canções que Melodia criou ao longo de várias décadas de carreira.

 

Othelo, o Grande

Ao longo de hipnotizantes 82 minutos de projeção, acompanhamos parte da história de Sebastião Bernardes de Souza Prata, nascido na hoje conhecida Uberlândia, em 1915, um homem que tinha a política de fazer rir! Lutando contra o preconceito em praticamente todas as fases de sua vida, logo ficou conhecido como Grande Otelo, sendo o grande responsável por dar vida à personagens com enorme apelo popular que estão nas memórias de muitas pessoas até hoje.

 

Os Quatro Paralamas

A arte de viver da fé no que acreditam. Amigos de quase toda uma vida, uma das maiores bandas da história da música brasileira. Em Os Quatro Paralamas, documentário disponível no catálogo da Netflix, temos a chance de acompanhar bem de perto, ao longo de um pouco mais de 90 minutos, entrevistas atuais, muitos vídeos de arquivo do diretor Roberto Berliner, fotos aos montes, lembranças de uma história que andou em paralelo com todas as mudanças sociais e políticas de nosso país. Exibido no Festival É Tudo Verdade de 2020, o documentário nos mostra em meio a muito papo, reflexões sobre a vida, desses paralamas, que passaram mais tempo juntos do que com as próprias famílias.

 

Cauby – Começaria Tudo Outra Vez

Na trama, conhecemos mais a fundo a trajetória e um pouco da vida pessoal do cantor, e porque não dizer grande artista, Cauby Peixoto. Pai professor de violão, mãe que tocava violino, nasceu e cresceu em um ambiente musical e aos poucos foi aprendendo as técnicas do canto. Em sua casa em Higienópolis, São Paulo, vamos conhecendo suas intimidades, e, em paralelo ao universo Cauby, uma história de um jovem fã e a aventura de encontrar o ídolo pela primeira vez.

Crítica | War Machine – sátira militar da Netflix sem fôlego

Nenhum Rei

É impossível assistir a War Machine, nova produção original da Netflix, e não ser remetido imediatamente a Três Reis (1999), de David O. Russell. Os dois filmes fazem parte de um subgênero que pode ser definido como sátiras de guerra, o qual se voltarmos bastante no tempo, encontraremos M.A.S.H. (1970), de Robert Altman, como um de seus pilares.

O subgênero não é novidade, porém, está sempre se reestruturando de acordo com as mudanças do mundo – pronto a extrair novos comentários jocosos sobre esta dura realidade. Apesar de depender bastante do humor, tais filmes apenas utilizam o artifício para atacar temas bem sérios, transitando especificamente entre alguns dos piores conflitos que a humanidade já viu, seja a Segunda Guerra Mundial, a Guerra do Vietnã, e agora a Guerra no Oriente Médio e suas ramificações.

Quando cito Três Reis, também devo adereçar a caracterização de Brad Pitt, protagonista e produtor de War Machine, encarnando o amigo George Clooney no filme citado, ou até mesmo nas colaborações com os irmãos Coen. Pitt está grisalho, empostando a voz e descobrindo novas expressões no rosto, as quais testa com afinco em seu personagem, em partes, caricato. Existem algumas semelhanças, porém, muitas diferenças, inclusive com o Tenente Aldo Rayne, infame protagonista de Bastardos Inglórios (2009).

Apesar de certa mudança de tom com o restante do filme, Pitt é o grande destaque de War Machine, demostrando o forte interesse do ator em se desassociar por completo da imagem de galã (de outrora ou atual, dependendo do seu ponto de vista) que permeou sua carreira. Algo semelhante ao almejado por Johnny Depp, que igualmente costuma se esconder sob a maquiagem dos personagens.

Baseado no livro de Michael Hastings, War Machine tem direção do celebrado australiano David Michôd, do essencial Reino Animal (2010) e do acima da média The Rover – A Caçada (2014). War Machine, no entanto, surge se tornando seu filme mais irregular, nos fazendo compreender o motivo pelo qual o colosso Netflix o preteriu para a viagem a Cannes (a empresa optou por levar Okja e The Meyerowitz Stories).

Na trama, o General Glen McMahon (Pitt), herói condecorado com quatro estrelas, tem o total respeito e admiração de seus subordinados, no comando de tropas americanas no Afeganistão. Uma vez no topo do mundo, o único caminho a seguir é para baixo, quando sua imagem é denegrida por uma história jornalística. Em partes baseado em fatos, o que inclui o personagem de Pitt, War Machine se mostra deficiente nos dois âmbitos que deseja retratar.

O roteiro adaptado pelo próprio Michôd pega leve na sátira, não funcionando muito bem em seus momentos cômicos. O resultado soa mais como Os Homens que Encaravam Cabras (2009), com o próprio Clooney, do que o citado Três Reis, por exemplo. O que serve para apontar certa carência do cineasta australiano no quesito veia humorística, visto que seus trabalhos anteriores eram fortificados pelo teor dramático. Ao mesmo tempo, a sucessão de eventos pelos quais personagens transitam e são apresentados soa como episódica, sem que qualquer uma seja marcante através diálogos, narrativa ou outro elemento que a faça transcender.

O elenco de nomes conhecidos, vide Topher Grace, Anthony Michael Hall, Ben Kingsley, Will Poulter e Meg Tilly não possui espaço suficiente para causar empatia com o público e muitos deles apenas entram e saem do filme sem nada acrescentarem. O texto é básico e passa longe de qualquer relevância atual ao tema, se tornando apenas repetição de abordagens melhores ao tópico, que ganhamos ao longo da última década.

War Machine é um exercício de atuação para Pitt e no quesito, principalmente para os fãs do ator, se sobressai. É muito curioso assistir ao ator se portando nas telas como nunca anteriormente, seja através de trejeitos, postura, movimentação corpórea ou até mesmo na peculiar forma com que corre – reproduzindo o exercício quase de forma neandertal. De resto, esta máquina de guerra, assim como o recente The Discovery (com Robert Redford e Rooney Mara), soa enguiçada e demonstra que o toque de midas Netflix também oscila.

10 Filmes que marcaram ÉPOCA nas memórias de muitos cinéfilos

Com tantos filmes maravilhosos que já assistimos em nossas vidas fica até difícil definir alguns dos mais inesquecíveis. Mas topando esse desafio, resolvemos criar uma lista super legal com alguns dos 10 filmes que marcaram época nas memórias de muitos cinéfilos:

 

Os Imperdoáveis

Na trama, que é ambientada no estado norte-americano de Wyoming no ano de 1880, conhecemos um grupo de prostitutas de uma pequena cidade comandada pelo xerife Little Bill (Gene Hackman) que se revoltam quando uma delas sofre uma enorme violência tendo o corpo todo marcado por um cliente. Não satisfeitas pela punição dada aos agressores, resolvem juntar a quantia de mil dólares e oferecer a pistoleiros em troca de darem um fim em quem cometeu esse ato violento. A notícia chega até o antigo pistoleiro William Munny (Clint Eastwood), um homem que por mais de uma década largou a bebida e não queria mais saber da antiga profissão mas acaba embarcando nessa história ao lado do inexperiente Schofield Kid (Jaimz Woolvett) e seu eterno braço direito Ned Logan (Morgan Freeman).

 

As Pontes de Madison

Na trama, dois irmãos vão saber sobre os documentos e testamento deixados por sua mãe recém falecida. Assim, conhecemos a história de Francesca (Meryl Streep), uma descendente de italianos, moradora do interior de Iowa, casada, mãe de dois filhos, que um dia tem seu destino cruzado com o de Robert (Clint Eastwood), um fotógrafo que trabalha para a Revista National Geographic e está fazendo um trabalho sobre as pontes da região. Passando alguns poucos dias juntos, após a família de Francesca sair para um evento em outra cidade, Francesca e Robert viverão momentos que nunca mais irão esquecer.

 

Pânico

Na trama, acompanhamos o início da trajetória de Sidney (Neve Campbell), uma jovem atormentada pela assassinato da mãe anos atrás que em seu presente precisa fugir de um terrível assassino mascarado que vem aterrorizando e deixando rastros de sangue na cidade onde mora, Woodsboro (cidade localizada no estado americano de Maryland). Com uma trilha sonora repleta de ótimas canções, o projeto teve um orçamento de 14 milhões de dólares e arrecadou quase 180 milhões de dólares em bilheteria por todo o mundo. O elenco tem ainda Courteney Cox, David Arquette e Skeet Ulrich, além da participação mais que especial de Drew Barrymore.

 

Sideways – Entre umas e Outras

Na trama, conhecemos aos amigos, desde os tempos de faculdade, Miles (Paul Giamatti) e Jack (Thomas Haden Church). O primeiro, um professor de inglês, divorciado faz dois anos, parece embolado em uma melancolia não conseguindo ser um sucesso como escritor. O segundo, um inconsequente ator, longe do estrelato, que vai se casar em breve. Pensando em sair por alguns dias antes do dia do casamento de Jack, rumam para uma viagem, um verdadeiro tour pelas vinícolas de uma região norte-americana. O destino deles acaba cruzando com as amigas Maya (Virginia Madsen) e Stephanie (Sandra Oh), a primeira uma garçonete recém divorciada que está terminando seus estudos na faculdade e a segunda uma mãe solteira que trabalha em um bar. Essa viagem e esse encontro vai mudar para sempre a maneira como lidam com suas vidas.

 

Psicose

Ambientado em Phoenix, no Arizona, na trama, num primeiro momento, acompanhamos a história de Marion (Janet Leigh) uma secretária que foge com uma alta quantia de dinheiro que pertence a um cliente da empresa que trabalha e segue sem rumo por uma estrada até resolver parar em um hotel perto da estrada onde encontraria um fatídico destino. Num segundo momento, vamos conhecendo a tenebrosa história de Norman Bates (Anthony Perkins) que a atende nesse hotel e as verdades de uma família.

 

O Sexto Sentido

Na trama, ambientada no sul da Filadélfia, conhecemos Malcolm (Bruce Willis) um psicólogo infantil que após um trauma com um antigo paciente vê seu casamento entrar em uma crise profunda, sua esposa nem mais o olha sequer. No outono depois, apresentado a um novo paciente, um jovem com diversos conflitos e repleto de medos de algo que não conta a ninguém e por isso tem um cotidiano conflituoso com a mãe. Aos poucos, paciente e psicólogo vão embarcando em uma jornada onde um ajuda o outro quando as surpresas pelo caminho começam a serem reveladas.

 

Os Bons Companheiros

Na trama, conhecemos o jovem Henry Hill (Ray Liotta) que sempre sonhou em fazer parte do grupo de gângster que dominavam as ruas do bairro onde morava. Começando lá embaixo na hierarquia ao longo do tempo foi crescendo e seu destino acaba se chocando com o de James Conway (Robert De Niro) um experiente criminoso e do explosivo e altamente inconsequentemente Tommy (Joe Pesci). O trio arma diversos atos criminosos e se envolvem cada vez mais com o crime, principalmente quando chega forte o tráfico de drogas na cidade. Mas essa amizade fica em xeque quando conflitos começam a surgir para os três.

 

Adeus, Lenin!

Na trama, conhecemos Alex (Daniel Brühl), um jovem morador da Alemanha Oriental, que tinha o sonho de ser astronauta e vive em um modesto apartamento junto de sua irmã e sua mãe. Essa última é uma influente mulher nos tempos de socialismo só que sofrera bastante no campo emocional, principalmente quando o marido a abandonara e nunca mais deu notícias. Durante uma passeata, mesmo que sem participar dela, a mãe sofre um ataque cardíaco e entra em coma. Em paralelo o Muro de Berlim não existe mais e a a crescente ocidentalização chega para o lado ex-oriental. Após 8 meses em coma, a mãe acorda milagrosamente, assim é dito pelo médico que ela não deve passar por grandes emoções. Alex então tem uma ideia mirabolante que é esconder que o socialismo alemão acabou transformando o quarto da mãe em um museu de memórias sobre aquele tempo. Mas será que ele conseguirá mentir pra sempre?

 

A História sem Fim

Na trama, conhecemos Bastian (Barret Oliver), um jovem solitário adorador dos livros, que perdera a mãe recentemente, e sofre diariamente com o bullying provocado por outras crianças. Um dia, em fuga para não sofrer represálias de um grupo de garotos, acaba entrando em uma livraria onde encontra um livro mágico que o transporta de alguma forma para Fantasia, um mundo completamente diferente do que já viu. Assim embarca na leitura de uma história que irá confrontar seu próprio mundo.

 

Gladiador

Na trama, ambientada em 180 D.C, conhecemos o respeitado general Maximus Decimus Meridius (Russell Crowe) um homem que lidera milhares de soldados em linhas de frente de batalhas e só possui um objetivo: voltar para casa e reencontrar a família. Só que após vencer uma importante batalha, já no final de uma grande guerra, o imperador Marco Aurélio (Richard Harris) lhe motiva a ser um dos próximos líderes romanos, fato que deixa o filho do imperador, Cômodo (Joaquin Phoenix), com enorme ciúmes. Num ato premeditado e cruel, Cômodo mata seu pai assumindo assim o poder máximo desse grande império. Em um de seus primeiros atos como grande chefão romano é ordenar a morte de Maximus e toda sua família. Só que o herói dessa história consegue fugir e começa aos poucos a planejar uma enorme vingança tendo pelo caminho que se tornar um gladiador.

 

 

 

Crítica | Z: A Cidade Perdida – superprodução séria e exuberante

Indiana Jones para adultos

Indo na contramão de cineastas que adoram trabalhar, vide Woody Allen (que bate ponto com um lançamento por ano), existem aqueles que levam bastante tempo entre uma obra e outra, considerados diretores bissextos. Um dos grandes exemplos na categoria é Terrence Malick – que até o indicado ao Oscar A Árvore da Vida (2011), sua produção mais conhecida, tinha cinco décadas de carreira e apenas cinco longas no currículo.

O nova yorkino James Gray, embora mais novo (48 anos), seguia pelo mesmo caminho. Sua carreira começou na década de 1990 e rendeu apenas cinco produções cinematográficas. Z: A Cidade Perdida é o sexto. Se formos apontar uma linha nas obras de Gray, ela seria o retrato de thrillers / dramas urbanos e sua melancolia implícita – o que inclui até mesmo o trabalho como roteirista em Laços de Sangue (2013), do francês Guillaume Canet. Até mesmo seu último trabalho como diretor, Era Uma Vez em Nova York (2013), embora seja um filme de época, trabalha com estas especificações.

Sendo assim, Z:A Cidade Perdida é um filme único em seu currículo (ou o chamado ponto fora da curva), e sua produção mais ambiciosa até o momento. Baseado no livro de David Grann, com roteiro adaptado pelo próprio Gray (como de costume), o filme relata a biografia de Percy Fawcett, condecorado herói militar britânico. O sujeito honrado e exímio profissional se deparou com barreiras devido a sua árvore genealógica e nunca conseguiu adentrar o círculo privado do alto escalão. Mesmo assim, foi selecionado a participar de um projeto, numa sociedade de exploradores, a fim de mapear territórios sul americanos desconhecidos, no Brasil e Bolívia.

A aventura tem início e ao lado do protagonista, um talentoso rastreador chamado Henry Costin dará todo o respaldo necessário, além da amizade para uma vida. Como dito, Z:A Cidade Perdida é aventura à moda antiga, de antes deste tipo de cinema ser revitalizado com o subgênero das matinês. Remete aos grandes clássicos do gênero, nos quais percebemos o escopo da produção, através de suas locações, direção de arte, figurinos, fotografia, sempre impressionando pelo realismo. Ao contrário do recente O Regresso (2015), de Alejandro Inarritu, Z não possui a pretensão de capturar os jovens através de um estilo arrojado de filmagem, se tornando um filme de narrativa extremamente tradicionalista.

Filmes como Z estão cada vez mais raros e quase extintos, já que existe numa zona neutra, na qual não são produções enérgicas e tampouco pretensiosas para serem consideradas cinema de arte. Além do valor de entretenimento, Z parece trazer de volta valores primordiais para o homem, perdidos há muito, e levanta questões como o feminismo e o lugar da mulher (acredite), através de fervorosos diálogos entre o protagonista e sua esposa, papel da bela Sienna Miller – mostrando acima de tudo que tais dilemas não são novidade.

E se você ainda não foi compelido a assistir, talvez os atores façam esse trabalho. Charlie Hunnam vive Fawcett, e com dois filmes em cartaz nos cinemas atualmente (além deste, Rei Arthur: A Lenda da Espada), mostra que está pronto para se tornar um astro e adentrar o time A de Hollywood. Seu carisma é inegável. Quem se sai bem igualmente é Robert Pattinson, irreconhecível enterrado debaixo da pesada barba de Costin, o fiel escudeiro. Além da dupla, Tom Holland (o novo Homem-Aranha do cinema) também abrilhanta o elenco na pele do primogênito do protagonista. O astro Brad Pitt trabalha atrás das câmeras como produtor.

A direção de Gray é luxuosa, sem ser excessivamente chamativa. De fácil identificação, e com o carisma de seus atores, tira totalmente o que poderia ser um filme sonolento do terreno da apatia, lhe garantindo vida o suficiente para nos manter interessados nesta longa jornada – dentro e fora das telas, já que são 2h e 21 minutos de projeção. Apesar de alguns trechos se mostrarem desnecessários, Z:A Cidade Perdida flui de forma eficaz, garantindo o apreço dos aficionados pela história e amantes nostálgicos de uma era mais calma para o cinema.

10 Filmes que refletem sobre Bullying

A agressão e intimidação são duas características marcantes quando pensamos em Bullying, essa prática covarde, geralmente feita contra pessoas indefesas que precisa ser cada vez mais combatida. Infelizmente é uma situação que pode acontecer em qualquer lugar, em qualquer idade. Para refletirmos sobre esse tema, segue abaixo uma lista com 10 filmes que refletem sobre Bullying:

 

Piggy

Na trama, conhecemos Sara (Laura Galán), uma adolescente que sofre frequetemente bulliyng das outras garotas da região onde mora, até mesmo de uma ex-amiga do qual era muito próxima num passado recente. Certo dia após ir nadar sozinha, numa espécie de piscina que tem no local, num horário onde não tina ninguém, acaba passando por mais uma situação constrangedora, tendo suas roupas roubadas e precisando voltar pra casa com o que não foi roubado. Nessa caminhada, seu destino cruzará com uma série de pessoas e situações que a colocarão no centro de escolhas aterrorizadoras.

 

O Novato

Na trama, conhecemos o jovem Benoit (Réphaël Ghrenassia) um pré adolescente que se muda para uma nova escola e começa a sofrer bullying dos garotos mais populares. Tentando vencer seus medos e timidez começa a desenvolver uma linda amizade com outros jovens que, assim como Benoit, também se sentem excluídos na escola. Ao longo do tempo uma forte amizade vai se criando e várias fases da pré adolescência os amigos enfrentarão unidos e mais fortes.

 

A Volta por Cima

Na trama, conhecemos, Jonathan (Jérôme Niel) e Pierre (Ludovik Day), dois amigos de longa data, bem sucedidos que descobrem uma comemoração da turma que estudaram quando criança e sofriam bastante bullying. Agora de bem com a vida, resolvem ir até esse encontro para se gabarem de seu presente mas acabam esquecendo que surpresas podem ocorrer quando se há um reencontro depois de muito tempo e obviamente nada sai como o esperado deixando a dupla em situações onde precisarão tomar decisões rápidas para se sentirem bem.

 

Joe Bell

Na trama, conhecemos Joe Bell (Mark Wahlberg), um homem atingido por uma enorme tragédia. Seu filho mais velho Jadin (Reid Miller) cometeu suicídio após uma série de situações constrangedoras que passou provocado pelo preconceito de muitos por ele ser gay. Buscando reunir forças nesse momento tão difícil para qualquer pessoa, ele resolve botar em prática um projeto onde vai caminhar por diversos estados norte-americanos conscientizando a população sobre o bullying.

 

 

4 Konige

Na trama, acompanhamos Alex (Paula Beer), Lara (Jella Haase), Timo (Jannis Niewöhner) e Fedja (Moritz Leu), quatro jovens que se internaram em uma clínica em busca de melhoras nos seus quadros emocionais. O psiquiatra Dr. Wolff (Clemens Schick) busca ajuda-los de todas as formas e inclusive propõe que eles passem o natal juntos. Assim, aos poucos, vamos descobrindo os motivos de cada um deles estar ali e a busca constante de todos por uma melhora. Há questões sociais, familiares, envolvidas nos traumas que acompanhamos e tudo isso é abordado de maneira profunda pelas linhas do roteiro assinada por Von Eltz e Esther Bernstorff. Há cortes secos de câmera, deixando pequenas entrelinhas para uma melhor compreensão sobre as atitudes, ou melhor, reações de cada personagem dentro de seus traumas. Há um descontrole sobre a raiva, uma carência quase obsessiva, bullying que deixa marcas, cada caso é diferente um do outro mas juntos eles buscam encontrar uma mesma solução satisfatória para todos.

 

O Telefone Preto

Na trama, conhecemos Finney (Mason Thames), um jovem de cerca de 13 anos que vive uma vida repleta de conflitos ao lado da irmã Gwen (Madeleine McGraw). Eles moram com o pai, o alcóolatra Terrence (Jeremy Davies), um homem conservador e muito rígido que está repleto de infelicidade em sua rotina. Finney sofre bullying na escola diariamente e possui o forte elo de carinho e afeto com a irmã como sendo um Oasis em meio ao caos de conflitos emocionais que atravessa. Na cidade onde moram, algumas crianças começam a desaparecer. Um dia, voltando da escola, Finney acaba sendo sequestrado por um homem em uma van repleta de balões pretos. Ele vai parar um porão onde tem apenas uma cama e um telefone preto, sem o fio. Conforme os dias vão passando, algo inusitado acontece, o telefone começa a tocar e Finney percebe que os outros jovens sequestrados pelo mesmo homem estão tentando ajudá-lo a sair daquela situação.

 

Extraordinário

Na trama, conhecemos o jovem Auggie (Jacob Tremblay) que depois de alguns anos terá seu primeiro dia em uma escola repleto de outras crianças. Auggie nasceu com Síndrome de Treacher Collins (TCS) que causa deformidades craniofaciais, fato que o fez ser educado até então dentro de casa por sua mãe Isabel (Julia Roberts). Adorado por sua família, que também tem o engraçado pai Nate (Owen Wilson) e a carinhosa irmã mais velha Via (Izabela Vidovic), Auggie precisará enfrentar o mundo fora de sua casa.

 

Sing Street

Na trama, passado em uma Dublin em meados dos anos 80, conhecemos Conor (Ferdia Walsh-Peelo) um adolescente que se muda para uma nova escola onde começa a sofrer bullying. Em meio a uma tentativa de ser forte em relação a essa situação, se apaixona perdidamente por uma jovem mais velha e para conquistar seu coração, resolve criar uma banda com alguns amigos, que conhece na nova escola, e assim uma linda história de amor surge.

 

Meninas Malvadas

Com uma bilheteria que chegou na casa dos 130 milhões de dólares e até hoje faz sucesso quando exibido na televisão, Meninas Malvadas, dirigido por Mark Waters, é um dos mais lembrados filmes adolescentes mais lembrados de algumas gerações. Na trama, acompanhamos uma jovem que foi educada na África e acaba voltando ao Estados Unidos indo parar numa escola pública onde conhece as meninas mais populares da escola.

 

Beijos Escondidos

Lançado em 2016 e dirigido por Didier Bivel, o longa-metragem Beijos Escondidos conta a história de um jovem adolescente que vai para uma festa e beija um outro jovem de sua idade. Alguém tira uma foto dos dois e uma série de conflitos acabam devastando a vida dos jovens.

 

Lançamento da sala 4DX no Rio de Janeiro – com ‘A Múmia’

O CinePOP esteve entre os veículos convidados para o lançamento da primeira sala com tecnologia 4DX no Rio de Janeiro, que ocorreu ontem, dia 7 de Junho. Além do tour pela sala, que incluiu a exibição de um trailer próprio para demonstrar os efeitos e um caprichado coquetel, tudo provido pelo anfitrião New York City Center, o maior complexo de cinemas da cidade, 18 salas ao total, onde se encontra a nova 4DX, a parceria com a Universal Pictures melhorou a experiência com a exibição para a imprensa do blockbuster A Múmia, protagonizado pelo astro Tom Cruise. A crítica do filme você já encontra no site, clicando neste link.

Para quem não está familiarizado com a tecnologia, a proposta é quase a mesma de um simulador de parque de diversões, desses que adoramos frequentar na Disney e afins. Na 4DX, poltronas especiais, mais largas, e uma estrutura que lembra mesmo a de um passeio num brinquedo, sacodem, mexem e vibram, simulando a sensação dos personagens na tela. Mas não apenas isso, dispositivos acionam sopro na nuca, algo se mexe em nossos pés, sentidos cutucadas nas costas e água espirra em nosso rosto. Também conseguimos sentir diferentes odores ao longo da jornada, fortes ventiladores pendurados no teto dão a sensação de vendaval, luzes acendem e piscam, e fumaça impregna o ambiente quando alguma explosão ocorre.

No tour pela sala, como aperitivo, foi exibido um trailer próprio, criado apenas para demonstrar os itens que a 4DX tem a oferecer. Antes do filme, as prévias de Homem-Aranha: De Volta ao Lar e Valerian e a Cidade dos Mil Planetas, devidamente confeccionadas para a tecnologia também ganharam novos contornos e mais emoção. E quando o filme finalmente começou, a diversão foi garantida. A sala se preencheu de risadas, como se todos os profissionais, alguns mais velhos do que este cavalheiro antigo que vos fala, voltassem a ser crianças. Risadas estas que não seriam encontradas, se não fosse pelos efeitos fora das telas. Salas com a tecnologia 4DX, devidamente aprovadas pelo CinePOP.

Das VideoLocadoras | Demi Moore, Jack Nicholson e Tom Cruise no EXCELENTE ‘Questão de Honra’

Os deslizes da moral. 31 anos atrás chegava aos cinemas de todo o planeta um projeto que mostraria uma intensa batalha jurídica militar que gira em torno de condutas duvidosas em uma ação que resultou em morte. Caminhando nas estradas turbulentas do mundo militar, o longa-metragem dirigido por Rob Reiner, com roteiro baseado em uma peça teatral chamada A Few Good Men, escrita por Aaron Sorkin, possui uma narrativa repleta de detalhes que geram reflexões sobre os pontos de vistas que reúnem os conjuntos de valores que se chegam no certo ou errado em uma questão. Indicado para quatro Oscars, incluindo Melhor Filme, Questão de Honra não poderia ter um título mais certeiro.

Na trama, conhecemos Daniel Kaffee (Tom Cruise), um jovem tenente e advogado da marinha, formado em Harvard, sem muita experiência em casos de homicídios. Com menos de um ano no cargo é designado para um caso cheio de variáveis suspeitas, um cabo e um soldado acusados de assassinato de um outro militar que iria denunciar uma prática ilegal onde eles serviam como fuzileiros navais, em Guantánamo, a base militar norte-americana em solo cubano. Contando com a ajuda do assistente jurídico do caso, Sam (Kevin Pollak) e principalmente da tenente da corregedoria militar Joanne Galloway (Demi Moore), Daniel precisará descobrir o que esconde o responsável pela base militar, o enigmático coronel Nathan R. Jessep (Jack Nicholson) um condecorado militar que está prestes a assumir um alto cargo no conselho de segurança nacional.

A honra, o que seria? Um dos pontos principais dessa obra é conseguir destrinchar para os espectadores o universo sempre complicado de entender sobre o mundo militar. Partindo do tal ‘Código Vermelho’, algo como uma punição para o militar que não vem cumprindo com total eficiência seu ‘dever’, chegamos em temas como o machismo, o autoritarismo, além de uma ampla reflexão sobre a reunião de valores que determinam o que seria o certo ou o errado em determinada situação. Isso tudo é revelado em uma batalha jurídica (dentro das regras do tribunal militar) onde a sociedade reflete sobre inúmeras questões na visão do protagonista, um homem em dúvida sobre o caminho que percorre na linha tênue entre o que entende como direito dentro da lógica militar.

O filme foi baseado na peça teatral A Few Good Men escrita pelo hoje conhecido Aaron Sorkin. Contratado para transformar o teatro em cinema, esse foi o seu primeiro roteiro escrito para um longa-metragem. Essa peça que viraria um enorme sucesso foi escrita nos tempos em que ele era bartender de shows na Broadway, ele usava guardanapos, entre uma folga e outra, para ir escrevendo as cenas. A peça foi baseada em relatos de um fato que aconteceu na vida real na Baía de Guantánamo, exatamente um ‘Código Vermelho’ com um sumiço de um corpo que nesse caso não teve solução até hoje.

O elenco é fabuloso. Além de Cruise, Moore e Nicholson, outros grandes artistas dão suas contribuições em cena: Cuba Gooding Jr, Kevin Bacon, Kiefer Sutherland, Kevin Pollak.  Uma curiosidade é que Jack Nicholson recebeu cerca de 5 Milhões de dólares por apenas 10 dias de trabalho, inclusive sendo indicado ao Oscar pelo papel. Demi Moore recebeu nem a metade desse valor, sendo sua personagem uma figura muito presente em todo o filme.

Com uma longa carreira como ator e como diretor dentro do cenário hollywoodiano, o nova iorquino Rob Reiner, diretor também dos ótimos Conta Comigo e Louca Obsessão, consegue com grande maestria nos transportar para dentro de muitas questões passando pelo tabuleiro de forças de leis militares chegando até os reflexos disso para uma sociedade num sentindo objetivo sobre responsabilidade. Pra quem se interessar pelo filme, Questão de Honra está disponível no Catálogo da HBO Max.

Do Pior ao Melhor | Universo Cinematográfico DC

É fã da DC no cinema? Preparamos justamente para você este novo vídeo especial.

Colocamos em ordem – do pior ao melhor – os 4 filmes do Universo Cinematográfico Compartilhado da DC.

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Crítica | ‘Nada Será como Antes – A Música do Clube da Esquina’ – Interessante recorte sobre um famoso movimento de músicos mineiros [Fest Aruanda 2023]

Que notícia que nos dão de vocês? Buscando trazer novos olhares para um famoso movimento de talentosos músicos mineiros na década de 60, o Clube da Esquina, o documentário dirigido pela cineasta Ana Rieper, Nada Será como Antes – A Música do Clube da Esquina, navega com leveza e poesia pela história de algumas criações de sucessos em canções oriundas de uma observação detalhada do que viviam, também dos amores. As referências musicais e os paralelos entre o movimento estudantil e o cinema como pontos importantes para a criação do grupo são amplamente debatidos sob diversos olhares. Ganchos para um recorte mais amplo de uma época de constante mudanças no Brasil são vistos mas a narrativa estaciona na superfície.

A primeira parte do documentário é contagiante, seguimos numa estrada deliciosa que nos mostra curiosidades da amizade ao brilhantismo. No bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte, futuros compositores e letristas de sucessos se reuniam, cada um com suas referências musicais, alguns adoravam Jazz, outros Beatles. Essa diversidade de influências é muito bem captada pelas lentes da diretora que por meio de imagens de arquivos e depoimentos de quem viveu todo aquele início de história leva o espectador a ficar hipnotizado durante a reflexão de como a simplicidade e a genialidade encontram paralelos constantes.

Todo dia é dia de viver. Na sua segunda metade, sem se desprender de mérito algum, o filme perde fôlego, tentando entrar em um recorte mais amplo de uma época com muita coisa a se dizer, caminha lentamente para um lugar perto do comum, como muitas outras produções. Exibido no Festival do Rio, na Mostra de São Paulo e filme de abertura da décima oitava edição do Fest Aruanda Nada Será como Antes – A Música do Clube da Esquina pode ser visto como um registro marcante para quem viveu o Brasil desde aqueles tempos além de plantar uma semente para o olhar atento de uma nova geração.

Naquela calçada, fugindo de outro lugar, talvez num domingo qualquer, a história foi escrita. Milton Nascimento, Lô Borges, Marcio Borges, Toninho Horta, Wagner Tiso, Beto Guedes e outros integrantes brindaram a todos nós com o flerte ao inesquecível, uma poderosa ferramenta de amor pela cultura como um todo de um timaço da nossa música que provaram a cada verso que os sonhos não envelhecem.

Crítica | Ao Cair da Noite – terror psicológico aborda o medo do comportamento humano

Paranoia Enclausurada

Esqueça tudo o que você imagina sobre Ao Cair da Noite. Os elogios da imprensa estrangeira, a nota exuberante no Rotten Tomatoes (86% de aprovação) e o disse me disse do hype de que este é “o filme de terror do ano”. Você irá sair decepcionado e frustrado! Mas isso não é necessariamente uma coisa ruim, ou qualquer indício de que a produção escrita e dirigida pelo jovem cineasta Trey Edward Schults não possua inúmeras qualidades – ela possui sim.

Ao Cair da Noite chega para mostrar, entre outras coisas, o mau condicionamento do público atual. Se nossas expectativas não forem atendidas tendemos a desmerecer qualquer tentativa de originalidade. Se não assistirmos nos trailers e prévias quase o filme inteiro e se houver alguma surpresa escondida, o fato se torna uma tempestade num copo d´água. O curioso é que as mesmas pessoas que acusam os trailers de mostrarem demais, saem insatisfeitas quando são oferecidas algo inesperado, algo com o qual não estão acostumadas e que só tende a acrescentar o repertório de qualquer cinéfilo – enriquecendo-o. Afinal, para que queremos algo novo, se podemos ter a mesma ideia reciclada à exaustão?

Mas não sinta-se depreciado por estes comentários, afinal sair frustrado de Ao Cair da Noite mostra-se apenas humano, sentimento que permeou a mente inclusive de profissionais escolados, alguns com décadas de experiência. Este fiel amigo que vos fala, vivenciou o mesmo, inegavelmente. E o pior, sabendo o que me esperava. Obviamente, não recebi nenhum spoiler, mas fui alertado por colegas que haviam assistido ao filme antes sobre o que me aguardava. Mesmo assim, fui pego de surpresa. Portanto, sintam-se livres para terem sentimentos mistos sobre a obra.

Ao Cair da Noite é a segunda parceria do diretor Schults com a produtora A24, um dos grandes nomes atuais do cinema norte-americano. A diferença é que a A24 aposta no inusitado, aposta no diferente, nas chamadas ideias fora da caixinha. Justamente por isso, é dona de alguns dos filmes mais polêmicos e elogiados dos últimos anos, vide Spirng Breakers: Garotas Perigosas (2013), Sob a Pele (2014), Ex-Machina (2015) e A Bruxa (2016). Ou seja, de maneira alguma obras para todos os gostos. Uma coisa é certa, para apreciar as produções da casa, é preciso ter a mente muito aberta – e mesmo assim, isso não é garantia de que irá gostar, ao menos não de todas.

Na trama, uma família vive enclausurada numa casa na floresta. Sem recebermos todas as informações necessárias, presumimos que alguma espécie de vírus tomou conta do local. Esta é uma realidade apocalíptica. Pense em filmes como A Estrada (2009), de John Hillcoat, com Viggo Mortensen, ou Os Últimos na Terra (2015), de Craig Zobel, com Margot Robbie. Dentro do local, pai (Joel Edgerton), mãe (Carmen Ejogo) e filho (Kelvin Harrison Jr.) vivem uma rotina rigidamente regrada, com o único propósito de sobrevivência. Logo de início, ocorre a despedida do avô (David Pendleton), o quarto morador, que mesmo ausente terá grande peso nesta dinâmica. O cão da família também é um elemento de importância aqui.

A comida é racionada e máscaras de gás são constantemente usadas, em especial para as vezes em que é preciso sair da casa para buscar lenha e água. À noite, a ordem é permanecer dentro. Estabelecido o cenário desta assustadora realidade, o conflito é apresentado na forma de um estranho que chega ao local, vivido por Christopher Abbott. De potencial ameaça, o sujeito passa a aliado, ao apresentar sua família, igualmente necessitada – um espelho para a família protagonista. Riley Keough (uma das noivas de Mad Max: Estrada da Fúria), novo clone de Kristen Stewart (depois de Teresa Palmer), é a mãe do pequeno Andrew (Griffin Robert Faulkner). Os seis começam a viver juntos sob o mesmo teto e tudo poderia se encaminhar para um final feliz – não fosse este um thriller dramático.

Quem for esperando terror, sairá insatisfeito. Ao Cair da Noite não possui nada em comum com filmes de terror de grandes estúdios que são exibidos nos shoppings, como Invocação do Mal, Quando as Luzes se Apagam e O Homem Nas Trevas. Sua narrativa é a de cinema de arte, com ritmo deliberadamente lento, e estética que valoriza mais o cinema independente na hora de contar uma história. Atuações intensas, fotografia contemplativa, edição com menos cortes – alguns planos sequência são muito interessantes e bem vindos – e nenhum (ou poucos) sustos fáceis – os chamados jumpscares.

Ao Cair da Noite fala muito mais sobre nossos medos internos e transborda tópicos como paranoia, experimentando a forma como lidamos e convivemos sob circunstâncias extremas. O mal pode existir e estar lá fora, mas permeia todos nós, se mostrando muito mais perigoso e urgente quando é deflagrado de dentro para fora. Na era de Trump, o filme se apresenta como forte analogia, digna de diferentes conclusões e inúmeras possibilidades.