Há aqueles que pensem que os clássicos da sétima arte são irretocáveis e intocáveis. De fato, uma obra-prima do cinema traz tanta felicidade a um cinéfilo quanto qualquer outra coisa. E quando temos envolvida tamanha paixão, é natural também o instinto de proteção de obras queridas. Mas ao invés de nos manifestarmos contra novas expressões artísticas – que visam unicamente dar continuidade a interpretações de tópicos através de novos tempos -, deveríamos nos concentrar em propostas de preservação e remasterizações de tais obras antigas, para que cheguem até mais e mais jovens – seja por mídias físicas ou virtuais.

Afinal, um remake, uma nova produção criada do zero, jamais irá destruir uma obra clássica. Pelo contrário, os responsáveis pelo novo trabalho são igualmente apaixonados pelo original, quem sabe até mais que você e eu. Além disso, desperta o interesse de uma nova geração de cinéfilos pelo clássico original homenageado. É claro que isso não garante a qualidade do novo produto, mas nunca devemos protestar contra sua confecção – nem que seja unicamente em aspecto de estudo. Pensando nestas constantes releituras de verdadeiros clássicos do cinema, o CinePOP traz em sua nova matéria algumas produções que revisitam clássicos do cinema para toda uma nova geração, e que serão lançadas em breve embora nem todos saibam.

Rebecca – A Mulher Inesquecível

Se você perguntar qual o melhor filme do mestre Alfred Hitchcock, muitos dirão Psicose (1960), Janela Indiscreta (1954) ou quem sabe Um Corpo que Cai (1958), e outros tantos poderão dizer Intriga Internacional (1959) e Festim Diabólico (1948). Mas o fato é que apenas Rebecca – A Mulher Inesquecível (1940), sua estreia em Hollywood, possui a honraria de ter levado para casa a estatueta de melhor filme no Oscar, no currículo extenso do diretor consagrado. Assim, é claro que uma reimaginação do prestigiado longa chama atenção de qualquer cinéfilo.



E a nova versão de Rebecca estreou hoje, dia 21 de outubro, diretamente na Netflix. Baseado no livro de Daphne Du Maurier, a história fala sobre uma jovem mulher humilde, se casando com um ricaço e indo morar com ele em sua mansão – somente para descobrir que a falecida ex-mulher do sujeito ainda está muito presente em sua vida. O filme é dirigido por Ben Wheatley (No Topo do Poder e Free Fire) e traz Lily James e Armie Hammer como protagonistas, substituindo os icônicos Joan Fontaine e Laurence Olivier respectivamente.

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Nightmare Alley | O Beco das Almas Perdidas

Seguindo pela década de 1940, nos deparamos com este verdadeiro ícone do cinema noir, dirigido por Edmund Goulding, baseado no livro de William Lindsay Gresham. E quem está por trás deste novo projeto é ninguém menos que o Oscarizado mexicano Guillermo del Toro – o que se torna o suficiente para chamar atenção de gregos e troianos. E dá para sentir a paixão do mexicano pelo clássico, afinal além de dirigir, del Toro produz e assina também o roteiro da nova versão.

O tema tem tudo a ver com del Toro e fala sobre farsantes, mentalistas e falsos poderes psíquicos – com os quais temos certeza que o diretor irá brincar muito. No elenco, um outro chamariz, com as presenças de Bradley Cooper no papel do protagonista trambiqueiro, Toni Collette como sua mentora e Willem Dafoe. E como se não bastasse, ainda temos a reunião da dupla do indicado ao Oscar Carol (2015), Cate Blanchett e Rooney Mara – que vivem respectivamente uma famosa psicóloga e o interesse amoroso do personagem principal. Nightmare Alley está sendo gravado, sem estreia definida, mas espera-se que saia em 2021.

Pinóquio



Por falar em Guillermo del Toro, sua versão do clássico Pinóquio finalmente sairá do papel no ano que vem. Criado pelo autor italiano Carlo Collodi, Pinóquio ficaria imortalizado e ganharia o mundo como parte do acervo dos personagens da Disney, graças ao clássico animado homônimo de 1940. Depois disso, ganhou uma versão em live action bancada pela New Line em 1996, que se mostrou um fiasco. Voltando para mãos italianas, o animado Robert Benigni escreveu, dirigiu e protagonizou como Pinóquio no filme de 2002, mas também não teve muita sorte. Em dezembro de 2019, esteava na Itália a versão do cineasta Matteo Garrone (Dogman) para o clássico, chegando neste ano em outras partes do mundo. E adivinhe só, Benigni novamente participa, mas desta vez como o criador Geppetto.

Em 2021 estreia a animação dirigida por del Toro para a Netflix, que trará vozes de gente como Ewan McGregor, Tilda Swinton e Christoph Waltz. Mas não para por aí. A própria Disney planeja um de seus famosos live action para o clássico, dirigido por Robert Zemeckis (De Volta para o Futuro) e com Tom Hanks como Geppetto. Quer mais? A overdose de Pinóquio não para (e não é mentira), e o mega astro Robert Downey Jr. estaria preparando uma versão com a Warner, a ser dirigida por Ron Howard (O Código Da Vinci), na qual Downey viveria ambos Pinóquio e Geppetto – será que o ator irá reconsiderar após o fracasso de Dolittle?

A Pequena Loja de Horrores

Clássico cult do cinema B, A Pequena Loja de Horrores nasceu como produção barata, dirigida por Roger Corman (o “pai” do baixo orçamento) em 1960, que tem como mérito ser um dos primeiros trabalhos da carreira do astro Jack Nicholson. Vinte e seis anos depois, e com a ideia já tendo ido parar nos palcos da Broadway como um famoso musical, chegava a versão cinematográfica de Frank Oz criada nos mesmos moldes da peça.



A história mostra um funcionário tímido de uma loja de plantas, apaixonado por uma colega de trabalho. Ele se depara com uma estranha planta carnívora, a traz para a loja e a batiza com o mesmo nome de seu afeto, Audrey. No entanto, descobre que a planta fala e tem um apetite inesgotável por sangue humano. Mas calma, sim, é uma comédia musical. Assim, produzido e dirigido por Greg Berlanti, grande responsável pelo sucesso das séries da CW, vide Arrow, Flash e os recentes Patrulha do Destino e Stargirl, um novo A Pequena Loja de Horrores promete reunir a dupla de “Vingadores” Scarlett Johansson como a Audrey humana e Chris Evans como seu sádico namorado. Taron Egerton, o Elton John de Rocketman (2019), será o protagonista introvertido.

Blonde

Esta não é especificamente uma revisão de um clássico, mas sim a interpretação da vida de uma das maiores estrelas a terem passado por Hollywood: Marilyn Monroe. Em 2011, Michelle Williams deu vida à icônica estrela no longa Sete Dias com Marilyn e saiu com uma indicação ao Oscar da experiência. Agora, de forma inusitada, uma cubana vive Marilyn no cinema.

Trata-se da cubana número 1 do cinema na atualidade, a bela Ana de Armas – no filme creditada apenas como Norma Jeane, o nome real de Monroe. Quem sabe a jovem atriz, que vem emplacando um trabalho de peso atrás do outro, saia do projeto com sua primeira indicação ao Oscar? A personagem sem dúvidas é suculenta. Intitulado somente Blonde, o longa é baseado no livro de Joyce Carol Oates, e tem roteiro e direção de Andrew Dominik (O Homem da Máfia).



Babylon

Brad Pitt viveu o dublê de um astro em decadência na ode de Quentin Tarantino a uma Hollywood do passado em Era uma Vez em Hollywood (2019) – e saiu da empreitada com seu primeiro Oscar debaixo do braço. E parece que o astro curtiu tanto a experiência que resolveu repeti-la em seu próximo trabalho, continuando pelo passado da maior fábrica de cinema do mundo. Desta vez, no entanto, ele será comandado pelo menino prodígio Damien Chazelle (La La Land) – que de quebra arrasta para o projeto sua nova musa, Emma Stone.

Pouco se sabe sobre Babylon ainda, se será uma incursão por alguma obra clássica ou uma história totalmente original – ou quem sabe a mistura dos dois como no longa de Tarantino. O que sabemos é que terá, como de costume, roteiro do próprio Chazelle, e que o trio principal ainda conta com Tobey Maguire, o eterno Homem-Aranha. A estreia é para 2021.



Bônus: Ratched

Bem, este não é um filme, mas sim uma série original da Netflix, cuja estreia ocorreu no dia 18 de Setembro, com oito episódios, e uma segunda temporada já confirmada para o ano que vem – demonstrando o tamanho da confiança que o colosso do audiovisual possui no programa. E você deve estar se perguntando o que a série faz aqui? Acontece que ela é uma prequel para o clássico Um Estranho no Ninho (1975), de Milos Forman, tido como um dos vinte melhores filmes de todos os tempos na opinião do grande público.

Vencedor de 5 Oscar, incluindo melhor filme, Um Estranho no Ninho ainda deu a Jack Nicholson um Oscar de ator principal na pele do amalucado R. P. McMurphy, que para fugir da prisão se declara insano e é interditado num hospital psiquiátrico. Achando que seria moleza, ele passa literalmente o “pão que o diabo amassou” nas mãos da autoritária e psicótica Enfermeira Ratched – numa performance igualmente premiada com o Oscar de Louise Fletcher.

Sim, é esta personagem que protagoniza a série, em seus primórdios como enfermeira, agora interpretada pela igualmente talentosa Sarah Paulson, vencedora do Globo de Ouro. A obra foi criado por Ryan Murphy (Glee e American Horror Story), e do jeito que programas recentes gostam de bagunçar mitologias clássicas através de uma nova cronologia – vide Bates Motel e Gotham – quem sabe poderemos ver McMurphy dando as caras também em alguma temporada vindoura.

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