The Boys é um sucesso absoluto da plataforma de streaming Amazon Prime Video. Aliás, caso você ainda não tenha assistido, pare de tudo e vá ver. O programa é um prato cheio para os que curtem o universo dos super-heróis e de quadrinhos, mas a série é bem mais do que isso, sendo recomendada para os que gostam de tramas surpreendentes e repleta de reviravoltas. Bem mais adulta do que esperamos de obras do gênero, The Boys é violentíssima, lasciva e muito subversiva. De fato, não é nem de longe recomendada para os menores de idade.

No acervo da Amazon já constam as duas temporadas exibidas pelo programa original da casa, e a terceira e tão aguardada tem estreia anunciada ainda para 2021. Não por menos já se tornou um dos seriados mais queridos de todos os tempos na opinião dos fãs, constando entre os 95 melhores de todos os tempos para o grande público. Fora isso, reserva uma aprovação de 90% entre os críticos no agregador Rotten Tomatoes. A trama mostra um mundo onde os super-heróis são uma realidade, mas ao contrário do que esperamos deles, nos bastidores em geral possuem o pior caráter imaginável, completamente corruptos e corrompidos pelo estrelato – cometendo inclusive assassinatos sem que o público saiba. Sabe aquela história da celebridade que é horrenda na vida privada? Pois bem. Sendo assim, alguns ex-agentes criam um grupo clandestino designado a manter esses heróis “na linha”, mesmo que para isso precisem dar cabo deles.

Nossa recomendação máxima para a série já foi dada (e aqui vocês estão ouvindo de uma pessoa que inicialmente havia ficado relutante de embarcar nessa, mas que terminou mergulhando de cabeça). Como forma de ir aquecendo os motores para a terceira temporada, aqui vão algumas curiosidades sobre os bastidores do programa. Confira.

Origem

Muitos podem não saber, mas a sátira de The Boys começou nos quadrinhos. Sim, antes de ser uma série de TV que brinca com a mitologia dos heróis acrescentando muitas camadas ácidas, The Boys fazia a mesma coisa nas páginas de uma série de HQs criada por Garth Ennis e lançada originalmente ainda em 2006. As histórias duraram seis anos sendo publicadas até 2012, num total de 72 edições.



Seth Rogen e Evan Goldberg

Para quem não sabe também, o programa tem produção dos amigos Seth Rogen e Evan Goldberg, dupla mais associada a comédias escrachadas. É bem verdade que The Boys é dono de um humor pra lá de ácido. Dentre os trabalhos da dupla no cinema estão filmes como Superbad – É Hoje (2007), Segurando as Pontas (2008), É o Fim (2013), Vizinhos (2014) e Festa da Salsicha (2016), por exemplo. Deu para sentir a pegada. Rogen e Goldberg iam inclusive dirigir o primeiro episódio, mas acabaram impossibilitados devido a conflitos de agenda.

O Criador

Garth Ennis, o criador dos personagens nos quadrinhos, não é estranho a este universo. De fato, Ennis foi responsável pelo universo de Hellblazer e Constantine, e por Preacher. Assim, sentimos o estilo único do escritor presente em todos os seus textos, dono de muito humor impróprio e bastante grafismo. Hollywood não perdeu tempo em perceber o trabalho do autor como altamente adaptável ao audiovisual. Assim, Constantine ganhou filme (2005) e série de TV (2014), e Preacher se tornou um seriado bem sucedido (2016), igualmente produzido pela dupla Rogen e Goldberg.



Sátira da Liga da Justiça

Não é segredo para ninguém que conheça minimamente o universo de histórias em quadrinhos que os Sete, supergrupo de heróis mais famoso no programa, é uma paródia escancarada da Liga da Justiça, a equipe que reúne os maiores personagens da DC Comics. Assim rapidamente os fãs notaram as inúmeras semelhanças entre o Capitão Pátria (Antony Starr) e o Superman, a Rainha Maeve (Dominique McElligott) e a Mulher Maravilha, o Trem Bala (Jessie T. Usher) e o Flash, o Profundo (Chace Crawford) e o Aquaman, e o Black Noir (Nathan Mitchell) e o Batman. É justamente este um dos grandes atrativos do programa, apresentar uma versão deturpada destes ícones indefectíveis. Algo do tipo “como seria a Liga se seus membros possuíssem personalidades verdadeiramente nocivas nos bastidores”.

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O protagonista Pequeno Hughie

Hughie era um jovem normal, tinha um trabalho e uma namorada, até esta ser morta “acidentalmente” por um Super como “efeito colateral” de suas ações heroicas. Essas pessoas que deveriam nos proteger igualmente são capazes de atrocidades, propositalmente ou não, e seguem sem punição. O preço a se pagar? Ou cabível de repercussão? O fato é o que abre os olhos do rapaz para a realidade de que talvez estes heróis não sejam tão heroicos quanto ele imaginava. Assim, ele logo se vê recrutado para fazer parte dos The Boys, uma equipe clandestina que pretende expor as falcatruas dos corruptos poderosos. O papel, é claro, tem como intérprete Jack Quaid, filho dos atores Dennis Quaid e Meg Ryan na vida real. Mas nem sempre o plano foi esse. Inicialmente, Hughie foi desenhado nos quadrinhos como sósia do ator Simon Pegg, um entusiasta do universo nerd. Assim, cogitava-se que Pegg pudesse assumir o personagem em meados dos anos 2000, quando a HQ foi lançada. O problema é que a adaptação demorou tanto a sair do papel, que a solução foi escalar Pegg para viver o pai de Hughie, Hugh Campbell, no seriado.

Filme X Série

Talvez nem mesmo alguns fãs do programa saibam que antes do sucesso que a série da Amazon se tornou foi cogitado que a adaptação das HQs viesse na forma de um filme para os cinemas. O que sem dúvidas seria interessante. No entanto, com a força que a TV tem ganhado nos últimos anos, ninguém há de reclamar a troca de mídias, já que The Boys é um seriado extremamente cinematográfico e que não deve nada a qualquer superprodução que passa nos cinemas.

Mudança na Equipe



Como dito, Os Sete é basicamente uma tiração de sarro com a Liga da Justiça, com semelhanças óbvias de personalidades, características e uniformes de seus personagens. Mas a similaridade ainda ficaria maior com a adição de mais um herói – que mudou sua forma na transposição de mídias. Originalmente nos quadrinhos, o membro dos Sete que sai de cena rapidamente não era Translúcido, o personagem com o poder da invisibilidade. No papel, sua vaga era ocupada por Jack de Júpiter, um personagem extraterrestre, que serviu de paródia do Caçador de Marte, o alienígena verde membro da Liga da Justiça. A mudança veio pelo fato de que no seriado, uma abordagem “mais realista” sobre os poderes do super-heróis foi dada, e um ser vindo de outro planeta não caberia nesta narrativa.

Subversão de Gênero

Outro aspecto de grande diferença na transposição das HQs para as telinhas é a representatividade feminina. Para se enquadrar mais em nossos tempos, não é incomum termos mudanças raciais ou de gênero que sejam mais afirmativas com a modernidade. Aqui, temos o exemplo de James Stillwell, o rosto da empresa Vought, que administra a superequipe de heróis e é seu contato com “o mundo real” e o governo norte-americano. Quem viu a série sabe que o personagem sofreu uma mudança de sexo se transformando em Madelyn Stillweell, papel da veterana Elisabeth Shue. A mudança veio bem a calhar e criou uma dinâmica mais eficiente e perturbadora com o líder dos Sete, Capitão Pátria. Uma curiosidade é que o ator Antony Starr, intérprete do herói, tinha crush em Shue na sua juventude. Outro personagem marcante que sofreu uma repaginada dos quadrinhos para a série foi Tempesta. Na HQ o personagem era homem, uma versão do Shazam, sendo modificado na forma de mulher para o seriado, no qual foi vivido pela atriz Aya Cash. Tempesta, ou Stormfront no original, no entanto, não mudou suas origens ou arco dramático nas mídias.

The Boys superpoderosos

Na série, o grupo anárquico The Boys descobre uma jovem asiática aprisionada, dona de uma fúria incontrolável e dons superpoderosos. Apelidada de “a fêmea”, a personagem muda é vivida por Karen Fukuhara. Além disso, os revolucionários também alistam Luz Estrela (Erin Moriarty), uma membro dos Sete em pessoa, para sua causa. Dois seres superpoderosos a seu dispor. Porém, nos quadrinhos, todos os integrantes dos The Boys, incluindo Hughie fazem uso do composto V, o produto que dá os poderes aos heróis, se tornando assim praticamente invencíveis e elevando sua luta a novos níveis. Será que veremos algo assim em algum momento do programa?


Quem é Black Noir?

Black Noir é um dos personagens mais enigmáticos da série. Soturno, sorrateiro e mudo, o herói é a versão deturpada do Batman para a série. Até o fim da segunda temporada, tudo o que sabemos sobre ele é que possui uma forte alergia à amendoim (seu calcanhar de Aquiles) e que por debaixo da máscara é um homem negro com certa deformidade no rosto. Nos quadrinhos por outro lado, é revelado que Black Noir é na realidade um clone do Capitão Pátria, criado como plano de contingência para assassina-lo caso este saia muito da linha. Mais insano ainda que o original, Black Noir comete crimes mais horripilantes do que o próprio Capitão Pátria para incrimina-lo. Até que no desfecho da história os dois travam um duelo mortal. Será que este segmento narrativo encontrará lugar em algum momento na série de alguma forma?

Pyro ou Homem de Gelo?

Também na segunda temporada somos introduzidos ao personagem Facho de Luz (Lamplighter no original). Ex-membro dos Sete, o herói foi “demitido” da equipe após ter sido descoberto por assassinato. Seus poderes remetem imediatamente aos do personagem Pyro, parte do universo mutante dos X-Men, visto no cinema nos filmes iniciais da Fox dirigidos por Bryan Singer – onde foi interpretado pelo ator Aaron Stanford. Ou seja, é capaz de controlar o fogo, mas não de gera-lo. A grande sacada por trás do personagem em The Boys está na escalação do ator que o interpreta: Shawn Ashmore. O ator também é um veterano de X-Men no cinema, mas lá viveu o papel do Homem de Gelo, arqui-inimigo de Pyro.

Nazismo é real (Infelizmente)

O verdadeiro chamariz da segunda temporada de The Boys foi a novidade Tempesta. A inclusão da nova personagem movimentou grande parte da narrativa da série. Tempesta é uma heroína que interage muito bem nas redes sociais, e inflama bastante seu público. Ao longo descobrimos que ela na verdade é uma poderosa imortal que não envelhece e sua história data da Segunda Guerra Mundial, onde era simpatizante do partido nazista na Alemanha e era mulher do criador da empresa Vought. Sua ideologia deturpada se encaixou como uma luva com a de narcisistas sem qualquer moral, vide o Capitão Pátria. Sem perder uma alfinetada sequer, os roteiristas surfam na onda do criador dos quadrinhos fazendo um trocadilho com o nome da heroína. Stormfront (nome em inglês da personagem) é também o nome de uma infame rede de ódio da internet, um site destinado a um público de supremacistas brancos neo-nazistas. Tudo a ver com a personagem.

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