'The Handmaid's Tale' |  2x06: ‘First Blood’ - Inflamável e avassaladora

'The Handmaid's Tale' | 2x06: ‘First Blood’ - Inflamável e avassaladora

Nota:

A perplexidade constante de The Handmaid’s Tale tem a habilidade de antecipar algumas reações de seu público. Em uma sucessão de descrenças na humanidade, flagelos de esperança se dissipam sorrateiramente, nos preparando sempre para algo cada vez pior. Talvez seja por isso que aqueles respiros súbitos e inesperados de fé tomem todo o fôlego, nos lembrando que nem tudo está perdido. E essa fagulha da pequena chama de esperança incendiou, em um episódio explosivo.

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First Blood’ nos leva a uma June que ainda aparenta estar um pouco aquém de si mesma, mas que gradativamente recupera o seu tato voraz e sua percepção sobre sobrevivência. Ainda com fragmentos do abuso emocional trazidos dos fatos mais recentes vividos pela personagem, ela cambaleia entre uma mentalidade que insiste em estimulá-la a lutar e o receio de alguém que continua marcada pela severidade das mentiras contadas pela Tia Lydia e alimentadas pelo casal Waterford. Neste contexto dúbio, nossa heroína tenta encontrar forças em sua própria gestação, à medida que pensa cautelosamente em quais serão seus próximos passos.



No sexto capítulo da segunda temporada da produção, nos encontramos como uma audiência constantemente desconfortável. Não que esse sentimento seja algo absolutamente incomum para nós, mas algo se destaca da tragédia que tantas vezes testemunhamos. Este incomodo se manifesta pela sensação de que há algo vago pairando no ar. Uma espécie de ausência. Algo está faltando. Serena Waterford (Yvonne Strahovski) se contém em si mesma, à medida que June pondera seus movimentos. As demais aias seguem o mesmo fluxo, de uma maneira misteriosa. O episódio caminha como se não soubéssemos de algo valioso, como se invadíssemos um ambiente, absorvendo o auge de uma conversa acalorada e cheia de risos que instantaneamente se calam. A princípio, ‘First Blood’ apenas parece ser um tanto simplista demais, sem algo extraordinário. Até que se prova ser completamente o oposto.

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E no entremeio deste episódio, uma nova peça do passado se encaixa, trazendo uma face mais detalhada do passado que precede a instauração de Gilead. Desta vez, conhecemos um novo pedaço das motivações de Fred Waterford (Joseph Fiennes) e Serena Joy - que por sinal não assinava o sobrenome do esposo na América futuramente extinta. Em meio a um clamor social cheio de revolta e indignação, uma incoerente feminista se posiciona a favor da escravização do corpo da mulher. Entre gritos histéricos, ela defende sua loucura e nos ajuda a dimensionar mais uma nova esfera que permitiu que este regime totalitarista ganhasse coro e força. Este hiato no tempo contextualiza ainda mais a narrativa original de Margaret Atwood, explanando aqueles pontos que a autora optou por não narrar.

E o que aparentemente seria o início de uma fase nova para Gilead e - possivelmente - iria coroar o fim da resistência do grupo Mayday, se transforma em um espetáculo cinematográfico de encher os olhos. Inesperadamente, somos tomados por uma repentina descarga emocional e visceral, que novamente traz aquela tal perplexidade a níveis soberbos, com um sabor diferente. Como já fizera em sua primeira temporada, The Handmaid’s Tale faz da surpresa seu grande trunfo, novamente nos lembrando que enquanto houver resistência, a esperança permanecerá inflamável e avassaladora.

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