Todos os anos são lançados centenas de filmes (com a exceção de 2020), das mais diferentes nacionalidades. Muitos fazem enorme sucesso, tantos outros são rechaçados e odiados. Porém, existem aqueles que, embora chamem atenção da crítica caindo no gosto dos cinéfilos, na maioria das vezes terminam por passar em branco para o grande público.

Pensando nisso, o CinePOP preparou uma lista especial para você, focada no garimpo de algumas verdadeiras pérolas escondidas. E o melhor, todas estão completando vinte anos de seu lançamento em 2020. Ou seja, esta é a ocasião perfeita para correr atrás e conferi-las. Vem conhecer.

A Hora do Show

Indiscutivelmente o grande nome da representatividade no cinema negro norte-americano desde a década de 1980, Spike Lee fez as pazes com o sucesso. Seus mais recentes trabalhos voltaram a ser abraçados pela crítica e o mais importante: caíram nas graças da nova geração. Infiltrado na Klan (2018) se tornou muito popular e emplacou inclusive no Oscar; e Destacamento Blood (2020), seu último filme lançado pela Netflix, é um dos mais elogiados do ano. Nada melhor então do que revisitar uma obra meio apagada na filmografia do cineasta.

A Hora do Show (Bamboozled) é escrito e dirigido por Lee como uma crítica – talvez à frente de seu tempo. Este é uma espécie de Primavera para Hitler (1967) traduzido às questões raciais do universo afrodescendente. Na trama, um executivo de uma grande emissora de TV planeja ser demitido e para isso bola um programa com o objetivo de extrapolar toda e qualquer moral e bom senso: um show onde os apresentadores negros pintariam seus rostos de preto, trazendo de volta o infame conceito de mau gosto do “Blackface”. Mas o tiro sai pela culatra e o programa se torna um sucesso.

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Tigerland – A Caminho da Guerra

O diretor Joel Schumacher nos deixou há pouco tempo, aos 80 anos. E este é um de seus filmes mais subestimados e desconhecidos. O longa é o responsável por revelar o ator Colin Farrell, e traz um impactante desempenho dele, muito elogiado pelos críticos. Farrell vive Roland Bozz, o rebelde líder de um grupo de recrutas em treinamento para serem despachados para o Vietnã em 1971, neste drama de guerra.

Batalha Real

Os cinéfilos e fãs deste longa notaram grandes semelhanças com a franquia juvenil Jogos Vorazes, que claramente se inspirou nesta obra japonesa. Fora isso, também baseado num livro e dirigido por Kinji Fukasabu, este filme possui a honra de ter sido elogiado por Quentin Tarantino – que o considerou a melhor produção cinematográfica de seu respectivo ano. Na trama, num futuro distópico, o governo japonês força alunos colegiais a se digladiarem até a morte, tudo sancionado pelo ato revolucionário conhecido como “Batalha Real” – isto é, uma mistura de 1984 e Uma Noite de Crime.

A Sombra do Vampiro

Produção obrigatória para os fãs de terror e filmes de vampiro. Mas a obra vai além, sendo igualmente recomendada para os fãs de clássicos da sétima arte e de filmes sobre filmes. Usando de muita criatividade em sua narrativa, o longa retrata as filmagens do clássico Nosferatu (1922) – e traz John Malkovich como o diretor alemão F.W. Murnau, e Willem Dafoe como o protagonista Max Schreck. A ótima sacada desta produção, de ninguém menos que Nicolas Cage, é apresentar o ator principal como um vampiro de verdade. A Sombra do Vampiro foi indicado aos Oscar de melhor ator coadjuvante (Dafoe) e melhor maquiagem.

A Enfermeira Betty

A estrela Renée Zellweger andava meio sumida, mas este ano voltou aos holofotes com Judy – Muito Além do Arco-Íris e até ganhou um Oscar pelo papel (o segundo de sua carreira). Esperamos que ela siga em voga e em bons papeis. Voltando vinte anos no passado, nos deparamos com um dos ótimos desempenhos de sua filmografia – e um não muito falado. Aqui, nesta comédia criativa e nonsense, ela vive uma mulher sofrendo de uma obsessão pós-traumática ao ver seu marido ser morto por assassinos profissionais (Morgan Freeman e Chris Rock). A obra é levada num tom de sátira, e a protagonista termina criando um mundo de fantasia em sua mente, no qual acredita que a história de uma novela é real. Pela atuação, Zellweger levou para casa o Globo de Ouro daquele ano.

Boa de Briga

Antes de Velozes e Furiosos (2001) e de ficar estereotipada nos papeis de personagens duronas em filmes de ação, a descendente de porto-riquenhos e dominicanos Michelle Rodriguez estreava no cinema neste drama de esporte. No filme, a atriz interpreta Diana, uma jovem que sem o apoio da família começa a treinar boxe e se torna uma lutadora de sucesso. A obra foi escrita e dirigida pela cineasta Karyn Kusama (O Peso do Passado) e ganhou prêmio no prestigiado Festival de Cannes.

Além dos Limites

Por falar em filme de esportes, aqui temos um dos mais interessantes exemplares do gênero. E um que de quebra é também um dos melhores romances dos últimos 20 anos no cinema. O que faz um bom filme de esporte, ou de fato qualquer filme bom, é em grande parte o desenvolvimento de seus personagens. E aqui temos exatamente isso nesta obra escrita e dirigida pela cineasta Gina Prince-Bythewood (The Old Guard), que é uma espécie de trilogia Antes do Amanhecer passado no universo de jovens negros jogadores de basquete. Na trama, Quincy (Omar Epps) e Monica (Sanaa Lathan) são universitários namorados que precisam deixar seu relacionamento de lado a fim de seguir carreira no esporte. Assim, ao longo dos anos, da juventude até se tornarem jogadores de sucesso variado, suas vidas se entrecruzam.

Audição

Fazendo sua estreia no Festival de Vancouver (e não em Toronto), no Canadá em 1999, este filme japonês de terror chegou no ano seguinte para o resto do mundo. Baseado num livro e dirigido pelo ótimo Takashi Mike, o longa mostra um viúvo realizando estranhas audições a fim de encontrar uma nova esposa. Dentre as candidatas, a jovem que desperta seu interesse se mostra algo diferente do que aparenta.

Sexy Beast

Tour de force do ótimo, mas às vezes subestimado, vencedor do Oscar Ben Kingsley – que inclusive recebeu nova indicação por seu desempenho aqui na pele de um insistente e ameaçador mafioso. O filme é dirigido por Jonathan Glazer, que fez sua debute com o longa e desde então se aventurou apenas outras duas vezes na direção de uma obra – sempre entregando trabalhos chamativos, vide Reencarnação (2004), com Nicole Kidman, e Sob a Pele (2013), com Scarlett Johansson, este último uma das melhores produções dos últimos 20 anos. Aqui, ele cria uma história tensa, porém, de certa forma divertida, sobre criminosos saindo da aposentadoria para um último serviço.

Dançando no Escuro

Acostumado com a controvérsia na qual pautou sua carreira, o dinamarquês Lars von Trier conhece como ninguém o afeto e ódio de maneira igual dos críticos e público. Aqui, no entanto, ele cria uma de suas produções mais unânimes e adoradas, vencedora da Palma de Ouro e melhor atriz para a protagonista Björk em Cannes– que ainda recebeu indicações ao Globo de Ouro de melhor atriz e melhor canção (também indicada no Oscar). Na trama, a cantora interpreta uma mulher humilde, trabalhando numa fábrica para o sustento do filho, cuja paixão são os clássicos musicais de Hollywood. Para fugir de seus problemas e da cruel realidade, ela recorre à fantasia, se imaginando numa produção do gênero. Dançando no Escuro é por si só um musical enquanto homenageia as obras do gênero de uma forma única e muito criativa.

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