As Surpresas e Os Esnobados do Oscar 2017

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MatériasAs Surpresas e Os Esnobados do Oscar 2017

Pois é, caro leitor, chegou aquela época do ano que deixa todos os cinéfilos em polvorosa. Ontem, foram anunciados os candidatos para a disputa ao maior prêmio do cinema – digam os haters o que quiserem (a maioria diz que não liga, mas não consegue se controlar). E como todo ano, com o anúncio chegam também as surpresas, positivas ou negativas. Atores, diretores e filmes que adoramos esquecidos, e outros que ninguém contava surgindo das cinzas. É assim mesmo. Leonardo DiCaprio que o diga. Pensando justamente nisso, criamos esta lista com os maiores esnobados e também as maiores surpresas entre os indicados desta esta nova edição do Oscar. Comente se concorda e diga quais foram em sua opinião os maiores esquecidos e as melhores surpresas. Confira a lista completa com as indicações ao Oscar 2017.

Amy Adams

Não tem como começar a lista de outra forma. Não existe um cinéfilo sequer que não esteja levantando esta bandeira em solidariedade à talentosa atriz, cinco vezes indicada ao Oscar e sem vitória ainda. Este ano, Adams esteve em dois filmes com prestígio de prêmios: Animais Noturnos e A Chegada. Foi o segundo, no entanto, que vinha emplacando a atriz. A surpresa veio com o anúncio dos indicados do Oscar sem a presença da atriz. Já tem quem a compare com Leonardo DiCaprio, um dos maiores injustiçados em anos recentes. Confira nossas críticas de A Chegada e Animais Noturnos.

Meryl Streep

A esta altura comentar sobre Streep e o Oscar é chover no molhado. Com a nova indicação este ano, este verdadeiro monstro sagrado do cinema completa a sua vigésima no total, entrando para a história como a artista (entre homens e mulheres) que mais foi lembrada pelos prêmios da Academia. O que chama atenção, porém, é o filme estrelado pela atriz, Florence: Quem é Essa Mulher?, que muitos acreditam não merecer tamanha celebração. Em tempo, não foi Streep quem tirou a vaga de Amy Adams, já que sua indicação era praticamente garantida, e sim Ruth Negga, num trabalho igualmente poderoso em Loving.

Martin Scorsese e Silêncio

O que aconteceu com Martin Scorsese este ano? Um dos mais emblemáticos diretores de nosso tempo, e garantido de figurar na maioria das premiações tamanho é seu prestígio, Scorsese foi solenemente esquecido este ano e seu novo trabalho, Silêncio, que tem toda cara de Oscar, recebeu apenas uma indicação, na categoria de melhor fotografia para o mexicano Rodrigo Pietro. O motivo parece ter sido o lançamento atrasado do longa, para a avaliação dos votantes.

A volta de Mel Gibson

Um dos atores mais malditos do cinema, Mel Gibson foi excluído de Hollywood devido ao comportamento na vida pessoal. Mais de uma década depois, e o ator/diretor finalmente retorna agraciado pela indústria norte-americana. Foram 6 indicações para seu drama de guerra Até o Último Homem (incluindo melhor filme e diretor para Gibson), colocando o longa como o terceiro mais indicado neste ano, junto com um dos favoritos Manchester à Beira Mar. Já estava mais do que na hora do retorno do incorreto artista. Deus, como precisamos!

Deadpool

Bem, a Academia ainda não estava preparada. Se o filme do super-herói debochado emplacou com a imprensa estrangeira no Globo de Ouro, aonde recebeu indicações de melhor filme e ator para Ryan Reynolds, o Oscar demonstra que ainda é sério demais para isso. Bem, Deadpool é diversão pura e embora fosse exagero acreditar que poderia receber indicações nas mesmas categorias que o Globo de Ouro, sua falta foi sentida nas categorias técnicas do Oscar, como montagem, por exemplo.

Esquadrão Suicida

Isso ainda vai dar briga. Enquanto Deadpool, o filme de herói mais elogiado do ano, saiu de mãos abanando das indicações ao Oscar, Esquadrão Suicida, o filme do gênero menos apreciado –  ao lado de BVS, recebeu indicação de melhor maquiagem. O mais legal é que o filme agora ganhou o título de “indicado ao Oscar”. E o mundo nunca mais será o mesmo. Confira nossa crítica de Esquadrão Suicida.

Isabelle Huppert

A musa francesa Isabelle Huppert tem quase cinco décadas de carreira e trabalhos excepcionais como atriz. No entanto, por ter trabalhado pouco no mercado norte-americano, nunca havia sido lembrada para uma indicação. O reconhecimento finalmente chega com sua forte atuação no suspense dramático Elle, de Paul Verhoeven. A atriz vinha emplacando em muitas premiações, mas seu destino no Oscar era incerto. Sua indicação foi uma das mais gratas surpresas deste ano. E a vitória seria ainda melhor.

Michael Keaton

O veterano Michael Keaton não teve a mesma sorte de Isabelle Huppert. Renovado para o mundo, após seu brilhante trabalho em Birdman, Keaton voltou à crista da onda e ano passado esteve no segundo vencedor do Oscar consecutivo com Spotlight: Segredos Revelados. Este ano, muitos vinham enaltecendo o trabalho do ator em Fome de Poder, biografia do criador do McDonald´s, e acreditava-se que Keaton teria força para chegar até o Oscar. Infelizmente, dessa vez o ator não precisará se preocupar com seu discurso de agradecimento.

Viggo Mortensen, Ruth Negga e Andrew Garfield

Na categoria de atores principais, os três nomes que mais causaram surpresa foram os de Viggo Mortensen, Ruth Negga e Andrew Garfield. O primeiro descolou sua segunda indicação (depois de Senhores do Crime, 2008) por Capitão Fantástico – filme no qual interpreta um amoroso e devoto pai de família e pelo qual este que vos fala fazia campanha por sua indicação – confira nossa crítica deste ótimo drama. Negga entrega um desempenho ótimo no drama racial Loving e merecia uma indicação – mesmo que para isso tenha tirado a vaga de Amy Adams. Já Garfield, que não se deu bem na pele do herói Homem-Aranha, conquista sua redenção este ano e, além de estar presente no elogiado Silêncio de Martin Scorsese, ganha sua primeira indicação ao Oscar pelo filme Até o Último Homem.

Clint Eastwood e Sully: O Herói do Rio Hudson

O diretor Clint Eastwood é outro veterano da indústria que figura facilmente em época de prêmios. Seu Sniper Americano, por exemplo, veio com força na edição de 2015. Sully: O Herói do Rio Hudson, ao contrário, só foi lembrado para uma indicação, na categoria de edição de som. Cogitava-se indicações para Eastwood como diretor, Tom Hanks como ator, Aaron Eckhart como coadjuvante e até mesmo para melhor filme. O problema de Sully, ao contrário de Silêncio que entrou muito tarde na disputa, foi que gerou hype muito cedo e foi perdendo sua força ao longo do trajeto.

Animais Noturnos

Animais Noturnos, de Tom Ford, dividiu opiniões. Enquanto alguns especialistas o enalteciam como um dos melhores filmes de 2016 (como o que vos fala), muitos outros torceram o nariz para o suspense. Apesar do diretor Tom Ford ter sido indicado ao Globo de Ouro, assim como seu roteiro para o filme, sua presença no Oscar era muito incerta. Mas uma luz no fim do túnel foi lançada, com a surpresa da indicação do sempre ótimo Michael Shannon, na categoria de coadjuvante. Uma curiosidade é que Aaron Taylor-Johnson foi quem recebeu indicação na mesma categoria no Globo de Ouro e saiu vitorioso. Será que veremos novamente um ator de Animais Noturnos triunfar sobre o favorito da categoria Mahershala Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar)?

Coadjuvantes

As categorias dos coadjuvantes são algumas das melhores este ano. Na categoria feminina, temos finalmente a inclusão desejada, com três atrizes negras indicadas: Naomi Harris por Moonlight, Octavia Spencer por Estrelas Além do Tempo, e Viola Davis por Um Limite Entre Nós (Fences) – se tornando a primeira atriz negra da história com três indicações ao Oscar e a favorita para o prêmio deste ano. Na categoria masculina, o jovem Lucas Hedges causa alegria com sua indicação por Manchester à Beira Mar. Já Dev Patel intriga com sua indicação como coadjuvante por Lion: Uma Jornada para Casa, sendo que é o protagonista do filme. O britânico Hugh Grant, lembrado para o Globo de Ouro, terminou fora da disputa do Oscar por seu trabalho em Florence: Quem é Essa Mulher?

Animações

Kubo e as Cordas Mágicas, do estúdio Laika (especialista em stop motion) não poderia ficar de fora, mas o que chama atenção de verdade é ter sido indicado para o Oscar de efeitos visuais também, se tornando a primeira animação em mais de vinte anos a realizar a façanha (a última havia sido O Estranho Mundo de Jack, também em stop motion, em 1994). Fora isso, é bom ver trabalhos longe do mainstream serem reconhecidos, como Minha Vida de Abobrinha, animação francesa, e A Tartaruga Vermelha, coprodução entre Japão/França/Bélgica. Outra curiosidade é perceber a força das animações Disney longe da Pixar, emplacando Moana e Zootopia na categoria, e tendo seu trabalho ao lado da Pixar, Procurando Dory, deixado de fora.

Canção

As ausências mais notáveis desta categoria foram as do musical britânico Sing Street, indicado para o Globo de Ouro, lançado no Brasil direto na plataforma Netflix, e Pharrell com seu trabalho na animação Sing: Quem Canta Seus Males Espanta.

Outras curiosidades

Filmes para os quais os críticos torceram o nariz, como Passageiros (trilha sonora e direção de arte), Aliados (figurino) e 13 Horas (mixagem de som), receberam indicações ao Oscar.

A plataforma de streaming Amazon sai na frente e faz história com a indicação de Manchester à Beira Mar. Ano passado, o colosso Netflix não conseguiu emplacar Beasts of No Nation no Oscar. Este ano, porém, chega com o documentário A 13ª Emenda, de Ava DuVernay.

O roteirista e dramaturgo August Wilson concorre postumamente ao Oscar, por seu trabalho na adaptação da própria peça no roteiro de Um Limite Entre Nós (Fences).

Allison Schroeder é a única mulher a concorrer este ano na categoria de roteiro, pelo filme Estrelas Além do Tempo. Schroeder é coautora do texto, ao lado do diretor Theodore Melfi.

Apesar da atriz Annette Bening, outra eterna injustiçada (indicada para 4 Oscar, sem vitória, datando de 1990), ter sido esnobada por seu desempenho em 20th Century Women, o filme recebeu uma indicação na categoria de roteiro original para o diretor Mike Mills.

Ainda no quesito roteiro, desta vez adaptado, a maior surpresa foi a indicação dos gregos Efthymis Filippou e Yorgos Lanthimos (também diretor da obra) pelo filme O Lagosta, exibido no Festival do Rio 2015 e lançado direto em vídeo no Brasil. No Globo de Ouro, o filme recebeu indicação de melhor ator para Colin Farrell.

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Pablo R. Bazarello
Crítico, cinéfilo dos anos 80, membro da ACCRJ, natural do Rio de Janeiro. Apaixonado por cinema e tudo relacionado aos anos 80 e 90. Cinema é a maior diversão. A arte é o que faz a vida valer a pena. 15 anos na estrada do CinePOP e contando...

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