Crítica | After Life: 3ª Temporada – Sempre ácido, Ricky Gervais provoca riso e choro no desfecho da série

CríticasCrítica | After Life: 3ª Temporada – Sempre ácido, Ricky Gervais provoca riso e choro no desfecho da série

É realmente impressionante que After Life tenha chegado ao seu fim e muita gente não tenha sequer ouvido falar a respeito. Sim, o show inglês tem como alvo um público específico e sempre conseguiu ser renovado, com o produtor, diretor, roteirista e ator protagonista Ricky Gervais dando exatamente o recado queria – ainda que esse último ano tenha reservado, nos bastidores, um escândalo de assédio envolvendo outro produtor da série, que foi imediatamente demitido após as denúncias surgirem.

Entretanto, é raro encontrar comentários a respeito da série, até mesmo nas redes sociais, sobretudo nesse nosso recorte Brasil. O que de certa forma é triste, pois a série sempre abordou temas e momentos que um dia, felizmente e infelizmente, teremos que encarar e vivenciar. Desde conviver com a dor da perda e reconstruir a vida novamente, até ter que lidar com situações constrangedoras e saber conviver com as diferenças.

E, assim como as temporadas anteriores, o personagem de Gervais, Tony Johnson, parece mesmo não aprender a se relacionar ou fazer parte do convívio social, nem mesmo dos seus amigos. Pelo menos é o que ele acha, já que todos ao seu redor parecem sempre depender de alguma conversa ou a ação por parte do sujeito, que carrega sempre consigo um mau humor engraçadíssimo, a ponto de entrar numa discussão com uma criança ou mesmo com um pai brincando com o filho bebê.

O elenco de apoio, dessa vez, parece ter ainda mais cenas isoladas, já que Tony, mesmo insistindo, não tem tido muita paciência para sair e conversar – até o ponto que veja necessidade disso, como sempre acontecesse, por exemplo, quando a redatora Kath (Diane Morgan) está prestes a desabar emocionalmente. E, nossa, que cena devastadora aquela do grupo de risos, não?

Por outro lado, o Lenny de Tony Way parece ser o único capaz de respeitar e entender o modus operandi da vida de Tony. E não é por aceitar as “piadas” e “brincadeiras” sem noção do coroa ranzinza, mas por compreender que tudo aquilo não passa do reflexo de sua dor. E se surge um momento em que não concorda, fala de pronto, ainda que não leve adiante ou insista em qualquer discussão ou debate, pois de fato aquilo não vai levar a nada.

David Earl continua sendo o maior destaque de After Life, sendo capaz de levar o espectador a querer virar rosto ou tapar os ouvidos quando a série apresenta algumas cenas envolvendo o seu personagem, o acumulador Brian. E o novo arco que traz a sua ex-esposa com seu novo marido cigano provoca tanto incomodo e constrangimento que o ator merecia aparecer nas temporadas de premiações, tal verossímil é afetação daquela figura.

Brian então encontra a sua metade com James (Ethan Lawrence), o menino gordinho que se ver na fase adulta e não é capaz sequer de brigar por sua privacidade, basicamente sendo comprado por qualquer agrado da mãe, como um pedaço de bolo. Ambos precisam se ajudar, cada um a sua maneira, por isso vão morar juntos e tudo, é claro, acaba sendo um desastre. Mas um desastre que no fim das contas precisava acontecer.

No entanto, o personagem que ganha mais destaque no terceiro ano é o chefe e ex-cunhado de Tony, Matt (Tom Basden), que continua com a velha insegurança de sempre, mas lidando como pode e ajudando todos a sua volta. Dividindo a maioria de suas cenas com Gervais, Basden imprime, perfeitamente, a imagem de alguém que carrega dentro de si a vontade de ajudar, e também um eminente desespero sobre o que pode acontecer com o seu amigo Tony a qualquer momento – isso o afeta de tal maneira que ele é quem acaba enfartando.

Aliás, ambos dividem uma das cenas mais sensacionais e engraçadas dessa temporada final, quando vão a um bar e jogam as cinzas do pai de Tony no tapete do lugar. Com o dono ficando enfurecido e dizendo algumas barbaridades inacreditáveis. Obviamente, o revés de Tony foi muito maior que todo chilique do sujeito insensível.

No mais, é preciso reconhecer o trabalho primoroso feito por Ricky Gervais. É louvável sua sensibilidade e coragem ao criar uma produção na Netflix que fala de câncer, Alzheimer, loucura, coração partido e solidão de uma forma tão natural e tragicômica. Não há limites ou “bom senso moral” na abordagem de Gervais para certos assuntos. Por mais incômodos ou tristes que sejam, eles serão executados como devem ser. Por sinal, o final deixa esse sabor agridoce, pois, sim, tudo aquilo é muito bonito, comovente e acolhedor, porém, a constatação de Tony sobre a vida é angustiante e deixa uma sensação de impotência tanto nos personagens quanto no espectador. O que faz total sentido, afinal de contas, After Life é sobre se entender.

Inscrever-se

Notícias

Liga a TV e aproveita: Essas 10 séries vão te surpreender!

Sabe aquela série que damos play sem conhecer muito...

10 filmes encantadores na NETFLIX para assistir hoje

Através do cinema, chegamos em algumas histórias encantadoras que...