As políticas entre os países é uma coisa muito louca. Os cientistas políticos tentam estudar e esclarecer, mas a verdade é que cada país tem seus segredos e sua forma de governar, que nem sempre é a maneira como o país vizinho gerencia sua sociedade. Das diferenças, surgem os conflitos, os estranhamentos e as tentativas de sabotagem. Eventualmente, algumas dessas histórias vem à público, como em ‘Agente Infiltrada’, novo longa de espionagem baseado em fato real que chega essa semana às plataformas de aluguel de filme.

Thomas (Martin Freeman) é um dos gerentes da Mossad, o serviço secreto de Israel. Diante de uma missão especial, Thomas recruta Rachel (Diane Kruger), uma mulher que deverá trabalhar disfarçada como professora de inglês em Teerã, no Irã, mas cuja missão real é roubar dados de uma sofisticada empresa de tecnologia iraniana, encabeçada por Farhad (Cas Anvar). Só que em vez de tão somente roubar os dados do inimigo, Rachel acaba se envolvendo com ele, o que bagunça todo o andamento da operação.

Pelo enredo, o espectador consegue entender que esse é mais um filme de história de espionagem que envolve dois países com conflitos históricos. E sim, é isso mesmo. Em ‘Agente Infiltrada’ fica evidente como as relações nem um pouco diplomática entre esses países é tecida, com um tentando passar a perna no outro a qualquer custo, e como aquela região do Oriente Médio é conflituosa, ao ponto de, por exemplo, Israel (com a ajuda dos Estados Unidos e aliados) impor sanções que impedem forçosamente o desenvolvimento dos países árabes inimigos – que, por suas vezes, buscam no subterfúgio sua expansão econômica e tecnológica. É assim sobre o controle do petróleo, das armas nucleares, das matérias-primas para a base de eletrônicos, etc.



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Tudo isso é importante ser explicado porque o roteiro de Yuval Adler – baseado no livro de Yiftach R. Atir – não deixa as coisas muito claras; centrado na protagonista Rachel, o enredo a acompanha em sua transformação dentro da missão secreta e seu envolvimento amoroso com Farhad, relegando ao espectador a função de ligar os pontos sobre o porquê das coisas, sobre quem é mocinho e quem é bandido, o objetivo da missão e quais os países envolvidos no drama. A bem da verdade nem mesmo a organização da Mossad fica clara no longa, uma vez que os encontros do grupo ocorrem na Alemanha.

Também as atuações não são exatamente memoráveis. O papel de Martin Freeman inclina-se mais para um paizão do que para um supervisor de um serviço secreto, ao qual o ator conferiu expressões de preocupação afetiva, não de comprometimento com a causa. E Diane Kruger, outrora vencedora da Palma de Ouro de Melhor Atriz em Cannes, reprimiu as emoções para pouco evoluir numa personagem que poderia ter recebido bem mais emoção.

Em suma, ‘Agente Infiltrada’ é um confuso e sonolento filme de espionagem, cujo único atrativo é a história de bastidor, de que o diretor Yuval Adler gravou cenas escondidas em Teerã, sem que o governo iraniano soubesse, sem dizer-se israelense, através de uma produtora alemã (que por sua vez contratou uma produtora francesa), que filmou as cenas.



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