O que esperar de um filme cujo título é ‘The Last Days of American Crime’ – que, em português seria “os últimos dias de crime americano”? Só o título já demonstra toda a pretensão dessa produção, seja por se autodenominar “americano” (quando, americanos são todos os nascidos nas Américas, e não só quem nasceu nos Estados Unidos), seja pela pretensa ilusão de propor o fim da criminalidade naquele país, ainda que na ficção. E ainda usou 2h30 pra contar isso.

Num misto de ação e distopia, o longa baseado na graphic novel de Rick Remender e Greg Tocchini traz a história do assaltante Graham Bricke (Édgar Ramírez), cujo irmão, Rory (Daniel Fox), acabou preso. Então, um dia, Bricke recebe a notícia de que o irmão se suicidou na cadeia, e Bricke fica injuriado. Dias depois, conhece a misteriosa Shelby Dupree (Anna Brewster) num bar, e, depois de uns amassos, surge o noivo dela, Kevin Cash (Michael Pitt), com uma proposta de assalto mirabolante – sendo que ele é filho de um dos caras mais perigosos da cidade que, vejam só, está atrás da cabeça de Bricke. Ah, e tudo isso num mundo distópico em que os Estados Unidos estão testando um implante na cabeça dos criminosos que, quando ativados, as pessoas ficam fisicamente incapacitadas de cometer qualquer tipo de crime. E o tal assalto que eles estão planejando vai acontecer minutos antes do implante ser ativado digitalmente no país inteiro.

O argumento poderia até gerar alguma reflexão sobre a questão do controle governamental sobre os cidadãos etc, mas o resultado de ‘The Last Days of American Crime’ é tãããão cafona, que o espectador nem sequer se prende a qualquer tipo de tema que o filme se propusesse a debater.

O roteiro de Karl Gajdusek tenta construir uma atmosfera meio noir, mostrando o background dos personagens para solidificar sua história – todas sofridas, narradas por um personagem sem emoção. O resultado é atores fazendo carão o tempo todo, uma chuva de falas estilo Temperatura Máxima (tais como Dupree falando “ele está com o pau dele em mim”, fazendo olhar de desafio como se falar a palavra pau fosse suuuper transgressor; ou Cash olhando alucinado antes do assalto e dizendo “vejo vocês do outro lado”). O roteiro desvia um bocado para justificar as atitudes dos personagens, o que impacienta o espectador, que só quer chegar ao tal assalto e ver o tal do dispositivo anticrime ser acionado – estes, por suas vezes, quando ocorrem, são uma salada confusa de explosão, violência e poses de uma ‘La Casa de Papel’ mal sucedida.

Last Days Of American Crime – Edgar Ramírez – Photo Credit: Netflix / Marcos Cruz

É tanto problema nesse filme, que fica difícil eleger o principal. Será que Édgar Ramírez não poderia ter dado mais expressão a seu personagem? Será que Anna Brewster não poderia ter dado mais solidez à sua Dupree, que vai de badass a pobre coitada em menos de uma hora? Será que a atuação de Michael Pitt realmente se destaca, ou só todo o resto que é ruim mesmo? Quando se tem tantos problemas assim, o único a ser responsabilizado só pode ser o diretor, Olivier Magaton.

The Last Days of American Crime’ é desses filmes que já na primeira cena você tem o tom do que está por vir – e é dali pra baixo. Pretensioso, cafona e gratuitamente violento, é uma grande produção, com explosivos e carros batendo, mas não vale o tempo do espectador.

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