sexta-feira, julho 19, 2024

Crítica | Um Filho: Hugh Jackman em atuação poderosa em melodramático filme do mesmo diretor de ‘Meu Pai’

Florian Zeller viu sua estreante carreira no cinema independente migrar rapidamente para os holofotes de Hollywood ao apresentar para o público, nos pequenos palcos do Festival de Sundance 2020, o aclamado drama Meu Pai. Até o fim daquele ano, ele veria sua peça francesa se transformar em uma catártica experiência cinematográfica que nos daria a melhor atuação de Anthony Hopkins, no auge de seus 83 anos. Uma estatueta do Oscar depois e ele retorna com Um Filho, segundo capítulo de sua trilogia de obras teatrais – que se encerra com ‘The Mother’, e que acompanha a luta de pais divorciados cujo filho único sofre de depressão.

Seguindo a mesma premissa que tanto nos encantou em Meu Pai, Um Filho era a grande promessa de Zeller para a temporada de premiações de 2023. Dessa vez mundialmente lançado sob a luzes brilhantes do Festival de Toronto de 2022, o cineasta se apoiou nos complexos dramas familiares de um lar desfeito para convidar a audiência a uma profunda reflexão sobre perda, dor e o vazio que apenas aqueles que venceram e ainda vencem diariamente a depressão saberiam explicar. Mas ainda que o drama coescriro pelo francês e por Christopher Hampton tenha boas intenções, a má execução torna o longa esquecível, apagado e ofuscado pelo brilhantismo de seu antecessor.

E é inegável a comparação entre ambos os filmes, exatamente por sua ligação congênita. Enquanto Meu Pai une seu roteiro a um delicado processo criativo de design de produção – que se incorpora à trama como um personagem adicional, Um Filho é um filme sem identidade visual. Com uma direção bela, mas um tanto comum, e uma produção técnica tão básica que nada de substancial entrega para a audiência, o longa passa diante dos nossos olhos como a sombra do que de fato poderia ter sido. Pouco profundo na abordagem da depressão e simplista demais em seus questionamentos, ele apela para o sentimentalismo, a fim de extrair algumas lágrimas a partir dos constantes confrontos de personalidade entre os personagens de Hugh Jackman, Laura Dern, Vanessa Kirby e Zen McGrath.

Diante de tudo isso, a falta de carisma e sensibilidade dos papéis principais os tornam bidimensionais e pouco identificáveis. E ao final de suas pouco mais de duas horas de duração do filme, ainda que as lágrimas percorram nossos olhos, saímos da sessão com a sensação de um enorme vazio. E o elenco tenta. Jackman e Dern são duas forças talentosíssimas que tentam extrair o melhor de seus personagens que, sempre em lados opostos, às vezes parecem caricaturas forçadas de divórcios rancorosos. Com pouca profundidade na construção dos protagonistas e uma dose exagerada de melodrama familiar, Um Filho é reduzido a um protótipo de filme do canal Lifetime, cheio de excessos e pouca substância.

Se esquivando da possibilidade de realmente aprofundar o debate sobre depressão, o drama perde a oportunidade de sair da zona de clichês hollywoodianos batidos e acaba não agregando tanto à discussão – ao contrário do impecável Meu Pai, que leva a audiência por uma catártica epifania sobre velhice, demência e o inevitável fim da vida. Mas com uma certa delicadeza que consegue nos impactar em alguns momentos, o filme não beira o total desperdício e pode facilmente se conectar com os corações naturalmente ultra sensíveis e sentimentais. Mas sempre ficando no meio do caminho, Um Filho é infelizmente apenas uma apagada lembrança de um belíssimo trabalho que já sabemos que Florian Zeller é capaz de nos entregar.

Filme assistido no Festival de Toronto

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