Halloween Kills: O Terror Continua estreou hoje nos cinemas do Brasil e chega este fim de semana nos EUA e grande parte do mundo. O novo filme do psicopata Michael Myers é a pedida certa para os fãs de terror neste mês do dia das bruxas, continuando a saga da família Strode após o reboot Halloween (2018). Tudo é claro irá culminar em Halloween Ends, a ser lançado em 2022. Como os fãs mais atentos estão cansados de saber, apesar da complicada cronologia da franquia, este trata-se do décimo segundo filme da série no cinema, constando nove outros longas no intervalo de quarenta anos entre o original e o reboot.

Aliás, Halloween (2018) não foi sequer nem mesmo o primeiro retorno de Jamie Lee Curtis a estes filmes de terror, com a atriz comemorando um aniversário anterior no papel de Laurie Strode. Estamos falando de quando a franquia fez vinte anos em 1998 e do filme Halloween H20, que completou 23 anos de lançamento em 2021. Já falamos um pouco da complicada cronologia de Halloween nos cinemas e também sobre Halloween H20 (1998) aqui no CinePOP recentemente, homenagens ao lançamento do mais recente episódio da série – que você pode conferir em links abaixo. O que talvez nem todos saibam é que H20 pretendia ser o primeiro filme desta série a contar com outro psicopata cometendo assassinatos, além do icônico Michael Myers.

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Como bem sabemos, o processo de construção de um roteiro é demorado e passa por variadas etapas. Raramente um texto, mesmo que em sua fase final, espelha cem por cento o que vemos em tela no produto final. E isso é verdade até mesmo para diretores extremamente autorais, como Woody Allen e Quentin Tarantino. Imagina um produto que precisa agradar inúmeras partes, entre elas atores, diretores, produtores e roteiristas. Muitas vezes só de um filme não ser um desastre completo em seu resultado final já é lucro.

Como dito em uma das matérias anteriores sobre Halloween, o que viria a se tornar H20, antes era conhecido como Halloween 7, pretendendo levar em conta as partes 4 a 6 – agora conhecidas como a “trilogia Thorn” pelos fãs. O sétimo filme chegou inclusive a ganhar um subtítulo de A Vingança de Laurie Strode, fazendo referência ao quinto (A Vingança de Michael Myers, 1989).

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Antes disso tudo, no entanto, e do envolvimento do roteirista Kevin Williamson (contratado depois para dar sua versão do texto), a ideia se encontrava nas mãos de Robert Zappia, escalado para escrever a história de Halloween: Two Faces os Evil (As Duas Faces do Mal) – uma das primeiras propostas para o sétimo filme, antes sequer de Jamie Lee Curtis ser cogitada a retornar. Os planos, porém, eram para um lançamento direto no mercado de vídeo, após a arrecadação decepcionante de Halloween 6. Nesta história um imitador estava se fazendo passar por Michael Myers e cometendo assassinatos em seu nome. Esse novo assassino seria revelado como sendo Charlie (Adam Hann-Byrd), um dos quatro colegas adolescentes principais de H20. Seus crimes, no entanto, iriam atrair a atenção do verdadeiro Michael Myers, que sairia de seu esconderijo novamente para os holofotes. Essa ideia de ter dois assassinos no filme seria interessante e inédita, embora pudesse ecoar o resultado não muito agradável de Sexta-Feira 13 – Parte 5: Um Novo Começo (1985).

Fora isso, uma outra versão do roteiro manteria estas ideias porém iria ainda mais fundo, revelando Charlie como o filho de uma freira estuprada por Michael Myers no hospital psiquiátrico e por consequência filho do maníaco mascarado também. Essa versão teria o título mais óbvio de Halloween: O Filho de Michael Myers. E o que vocês acharam?

Em ambas as versões o filme também se passaria numa escola cara para alunos privilegiados – mantida no resultado final como a escola da qual Laurie é diretora e que seu filho estuda. E foi a decisão de Jamie Lee Curtis de retornar para a franquia que mudaria tais rumos dos dois assassinos. A Dimension Films, subsidiária da Miramax dos irmãos Weinstein, trataram de elevar o jogo com o interesse de Curtis e além de planejarem um lançamento nos cinemas agora, chamaram seu “menino de ouro” Kevin Williamson, então no topo do mundo após os sucessos de Pânico (1996) e Pânico 2 (1997) para uma nova versão do roteiro, que desta vez incluiria Laurie Strode.

Mas você se pergunta, Williamson não é creditado no filme como roteirista. É verdade querido leitor. No produto final temos apenas os nomes de Robert Zappia e Matt Greenberg creditados como roteiristas oficiais do filme. Isso se deve porque Williamson não escreveu o roteiro do zero e apenas recauchutou algumas partes. Segundo a associação dos roteiristas de Hollywood, fica estipulado que um autor só recebe crédito como roteirista se tiver escrito ao menos 33% do roteiro. O estúdio chegou a oferecer mais dinheiro para Zappia a fim que o autor dividisse os créditos com Williamson, e quando ele recusou, o estúdio arrumou outro cargo para Williamson: o de produtor executivo. Tudo isso para não perder a oportunidade de estampar em seu cartaz a frase: “Do Autor de Pânico” e assim vender mais ingressos.

O personagem Charlie (Adam Hann-Byrd) seria o segundo assassino e até o filho de Michael Myers num dos roteiros.

Mas Williamson não foi “turista” nesta história e chegou a escrever alguns tratamentos diferentes para H20. Um deles, por exemplo, ao invés da abertura que vemos no filme, com a enfermeira Marion (Nancy Stephens) do filme original tendo sua casa invadida por Myers para recuperar informações de sua irmã, quem abriria o longa na versão de Williamson seria uma nova personagem: Rachel Loomis, a filha do Dr. Sam Loomis! A eficácia das cenas, porém, não seria tão destoante, com Myers recuperando as informações dela e matando Rachel.

O clímax deste tratamento também seria diferente, e envolveria uma perseguição entre um ônibus e um helicóptero, que cairia e, fora de controle, decapitaria Michael com sua hélice. E ainda uma outra versão onde ele seria cortado ao meio pela mesma hélice. Nada disso no fim das contas foi aprovado pois o produtor e então dono da franquia Moustapha Akkad possui uma cláusula em que Michael Myers não pode morrer de verdade, sempre visando um novo capítulo. E ele era bobo? Resta saber se seu filho Malek Akkad, à frente da franquia como produtor após a morte do pai em 2005, ainda mantém estas rigorosas restrições. Veremos ao final de Halloween Ends. Será que ends mesmo?



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