Os anos 80 foram uma época guardada com muito carinho pela geração que viveu nela. E para os fãs de cinema o mesmo acontece, por ter sido o berço do cinema entretenimento como conhecemos hoje. Justamente por isso se tornou palco de reprises diurnas muito queridas nas TVs aberta (Sessão da Tarde e afins) – o que definitivamente deu origem à cinefilia de muitos de nós. No entanto, é curioso notar a jornada de certos filmes através dos tempos. Certas produções fizeram muito sucesso em sua época de lançamento, mas terminaram seguindo para a obscuridade, ao ponto de não serem mencionadas pelas gerações mais novas, como se a passagem de bastão não tivesse sido feita com sucesso.

Por outro lado, temos também as que passaram totalmente em branco em sua época de lançamento nos cinemas, vindo a ser redescobertas como cult no mercado de vídeo, nas TVs e agora nos streamings. Afinal, os filmes são eternos e estão aí para seguirem sendo descobertos ou redescobertos por todas as gerações (só precisando ser encontrados em alguma plataforma – muitas fazendo um ótimo trabalho nesse sentido). Pensando nisso, resolvi criar um tipo diferente de matéria, tentando jogar luz em alguns filmes que caíram no anonimato logo em seu lançamento e nunca foram resgatados deste limbo. Portanto, anote e quando tiver oportunidade dê uma chance a eles, quem sabe você poderá gostar. Estes são os filmes dos anos 80 que completam quarenta anos em 2021 e quase ninguém lembra.

Condorman – O Homem Pássaro

Antes de ter em mãos todo o acervo da vasta biblioteca de super-heróis da Marvel para brincar como bem entender, a Disney tentava emplacar suas próprias criações originais. Ou quase, como o caso com o desconhecido Rocketeer (este até era baseado em quadrinhos underground) – que completa trinta anos em 2021. Voltando ainda mais dez anos no tempo, há quarenta anos o estúdio do Mickey Mouse apostava em outro super-herói alado: o infame Condorman. O personagem era uma mistura de Batman e 007, em sua identidade secreta sendo um cartunista que decide se tornar sua própria criação das páginas, um homem pássaro usando inúmeras bugigangas para combater os soviéticos. Pena que não emplacou, ou poderia ter dado início a uma série de filmes no cinema. Eu já havia comentado sobre esta produção na matéria sobre os filmes que gostaríamos de ver na plataforma da Disney+. Está mais do que na hora do estúdio tirar uma série com o personagem para um reboot no Disney+.



A Cara do Pai

Denzel Washington faz parte da realeza de Hollywood. O astro consagrado possui em seu currículo invejável duas vitórias no Oscar e mais sete indicações, além de uma carreira como diretor igualmente. Mas há quarenta anos, no início dos anos 80, Washington ainda era um ilustre desconhecido, iniciando sua filmografia em seu primeiro trabalho no cinema. Assim, o ator aceitou participar desta comédia que hoje surge de forma não muito palatável ao gosto de uma sociedade regida pelo politicamente correto. Mas também pudera. Na trama, quem protagoniza é o saudoso George Segal, astro das décadas de 60 e 70. Ele vive um rico homem de negócios que tem a vida virada do avesso ao descobrir um filho ilegítimo fora do casamento: papel de Denzel Washington. E sim, muito do humor vem do fato de um branco ter um filho negro. O título original, Carbon Copy (ou Cópia Carbono) tenta brincar com a “semelhança” de pai e filho.

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American Pop

Um dos maiores nomes da indústria da animação mundial, o israelense Ralph Bakshi foi responsável por algumas das obras mais icônicas do gênero. Dono de um estilo único de animações adultas, Bakshi foi o responsável pela criação do cult O Gato Fritz (1972), por exemplo. E antes de Peter Jackson, o artista foi o responsável por levar o lendário livro de J.R.R. Tolkien, O Senhor dos Anéis, aos cinemas na forma de uma animação em 1978. No acervo de produções cultuadas do diretor e animador está também a aventura medieval de fantasia Fogo e Gelo (1983). Há quarenta anos no passado, em 1981, Bakshi dava um de seus passos mais ambiciosos com American Pop, um drama musical em animação com estilo psicodélico que homenageava a era disco e falava sobre quatro gerações de uma família de músicos imigrantes nos EUA.



As Duas Faces de Zorro

Já imaginou um super-herói gay nos cinemas? Bem, ainda não tivemos coragem nem da Marvel e nem da DC no cinemão mainstream para isso. Porém, há quarenta anos, em 1981, uma comédia da Fox teve peito para esta empreitada ao desmistificar um dos personagens mais emblemáticos da cultura Pulp e pop de todos os tempos: o mascarado Zorro. O herói é uma figura tão icônica e antiga que remonta inclusive aos primórdios da sétima arte. Nessa investida, Diego, o filho do Zorro original, assume o manto do vigilante lutando contra a corrupção no México. Machucado, ele não tem outra opção a não ser passar o manto para o irmão, Ramon, papel do veterano George Hamilton, um homem gay extravagante. Assim, ele concorda em se tornar a figura mascarada, desde que possa fazer modificações ao herói para melhor se adequar ao seu estilo. O título original não esconde o teor da comédia: Zorro: The Gay Blade.

Roar

Não é todo dia que nos deparamos com um desastre estrondoso do cinema. Alguns filmes dão prejuízo tão grande a seus investidores que entram para a história. O Portal do Paraíso (1980), por exemplo, um ambiciosíssimo faroeste, foi responsável por falir a United Artists, que precisou ser comprada pela MGM. Aqui temos um caso parecido. E o pior, num projeto liderado por uma estrela de peso da era de ouro e seu excêntrico marido. Tippi Hedren foi a estrela de Alfred Hitchcock nos filmes Os Pássaros (1963) e Marnie (1964). Ela também é uma ativista dos direitos dos animais. Casada com o produtor Noel Marshall, de O Exorcista, o casal investiu pesado nesta história sobre uma família de naturalistas que se veem a mercê de leões assassinos. O filme se tornou um fracasso lendário em Hollywood, demorando 5 anos para ser produzido e considerado o “filme caseiro” mais caro de todos os tempos. Fora isso, Hedren usa sua filha Melanie Griffith como coadjuvante ainda jovenzinha.

O Homem das Cavernas

Não é incomum vermos astros da música arriscando como atores no cinema. Aliás, é difícil encontrarmos um que ainda não tenha se aventurado. De Madonna a Michael Jackson, passando por David Bowie, Mick Jagger e Beyoncé, todos eles já estrelaram seus próprios filmes. Isso sem falar na performance indicada ao Oscar de Lady Gaga em Nasce uma Estrela (2018). Voltando quarenta anos no tempo, quem se enveredava pela sétima arte era o Beatle Ringo Starr. E o astro realmente protagonizou essa história de comédia sobre homens das cavernas disputando a afeição de uma mulher das cavernas. Ringo vive um neandertal mirrado precisando derrotar um espécime bem maior. O objeto de afeto é vivido pela atriz Barbara Bach, a agente Triplo X que protagoniza 007 – O Espião que me Amava (1977), e coadjuvando temos Dennis Quaid e Shelley Long no elenco.

Depois de Sexta 13



Obviamente você conhece Sexta-Feira 13, a franquia do maníaco da máscara de hóquei Jason no cinema. Mas quantos de vocês realmente conheciam Depois de Sexta 13, ou no original Saturday the 14th, ou seja, o dia seguinte da grande data de azar? Ao contrário que o título possa insinuar, no entanto, essa comédia da New World Pictures, não é uma paródia da franquia de terror da Paramount e as semelhanças param na sátira ao título. Aqui, a trama está mais para A Família Addams, brincando com os monstros clássicos do cinema. A história mostra uma família, encabeçada pelo diretor Richard Benjamin (aqui ainda atuando) e a graciosa Paula Prentiss, herdando uma casa, somente para perceber se tratar de um lugar repleto de assombrações e criaturas sobrenaturais. O “terrir” virou cult e gerou uma sequência em 1988.

Estranhos Vizinhos

Em uma pesquisa sobre as melhores duplas do cinema na década de 80, muitos apontariam para John Belushi e Dan Aykroyd como os imortais Joliet Jake e Elwood, de Os Irmãos Cara de Pau (1980), da Universal Pictures. No ano seguinte, visando capitalizar em cima deste sucesso, a Columbia Pictures (Sony) tratou de reunir a dupla para uma nova comédia – esta, infelizmente, ao contrário de seu trabalho anterior, caída no esquecimento. Um dos aspectos mais curiosos deste filme do diretor John G. Avildsen (o mesmo de Rocky e Karatê Kid) foi subverter os papeis do certinho na vida real Dan Aykroyd e o malucão John Belushi em sua história. Aqui, Belushi vive o caretão dos subúrbios americanos que só quer descansar em casa após o trabalho ao lado da mulher. Porém, para seu azar, para a casa ao lado da sua se muda um casal de picaretas desagradáveis, vividos por um aloirado Aykroyd e Cathy Moriarty (saída do sucesso Touro Indomável no ano anterior).

Student Bodies

Falando em sátiras de filmes de terror, há quarenta anos, em 1981, o subgênero slasher atingia seu auge no cinema (para o bem e para o mal). As salas de cinema da época viam uma verdadeira enxurrada de todo tipo de produções do gênero, que custavam pouco e lucravam muito. Tudo, é claro, impulsionado pelo fenômeno que havia sido Sexta-Feira 13 em 1980. Assim, ainda aproveitando a onda de sua própria produção, a Paramount, então dona dos direitos da franquia, decidia brincar com o gênero esperando tirar mais dinheiro desta fórmula. Nos moldes dos filmes paródia, tipo Corra que a Polícia Vem Aí e Top Gang, o estúdio criava essa zoação com os slashers passado no ambiente escolar. Isso bem antes de Pânico ou Todo Mundo em Pânico.


Jogos de Estrada

Por falar em slashers e filmes de terror adolescentes, não podíamos deixar a maior “Rainha do Grito” da época de fora. Quando falamos em Jamie Lee Curtis a primeira coisa que vem à cabeça dentro do gênero é obviamente Halloween e suas sequências. Porém, os aficionados podem apontar também para Fog – A Bruma Assassina, Baile de Formatura e O Trem do Terror, filmes cult de horror estrelados pela atriz. Porém, o que maioria deixa de fora, esquece ou simplesmente não conhece é uma produção australiana lançada por ela no mesmo ano de Halloween II. Trata-se deste Jogos de Estradas, uma espécie de reformulação do clássico Encurralado (1971), de Steven Spielberg. Aqui, Curtis se une a um caminhoneiro que desconfia que o motorista de uma caminhonete verde é na verdade um serial killer matando mulheres nas estradas. A dupla começa a investigar o sujeito.

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