Nova produção da Blumhouse pretende seguir a linha narrativa que funcionou em O Homem Invisível

Você é o herdeiro do meu reino, Lawrence. Você sempre foi.

Após o sucesso comercial e crítico obtido com O Homem Invisível (2020), a produtora Blumhouse (que possui uma parceria com a Universal) parece mais certa do que nunca de ter encontrado uma forma de reinventar o gênero dos monstros clássicos do citado estúdio,  que tanto sucesso fizeram na primeira metade do século XX. Após confirmar Ryan Gosling como protagonista de Wolfman (Lobisomem), o produtor Jason Blum também confirmou que o diretor Leigh Whannell está em negociação para comandar o projeto.

Informações iniciais sobre a abordagem do filme dão a entender que Gosling poderá interpretar um âncora de telejornal eventualmente mordido para se transformar na famosa fera. Essas mesmas informações sugerem que o filme terá forte inspiração em dramas como O Abutre (filme de 2014 com Jake Gyllenhaal) e Rede de Intrigas (de 1976, protagonizado por Peter Finch). Dando prosseguimento também a ideia de trazer os monstros um pouco para fora do campo fantástico e mesclá-los com conceitos sérios do mundo real e até com obras já respeitadas do cinema.



Maiores detalhes sobre a produção, porém, permanecem escassos, como a data de lançamento, início das filmagens, ou até mesmo escalação de elenco. Antes de assumir a direção de O Homem Invisível, Whannell recebeu a proposta de comandar o remake do Lobisomem mas, à época, declinou do convite.

O sucesso da mais recente obra de Whannell se traduz pela sua aprovação em sites de crítica. No IMDB ele conta com uma nota 7,1 enquanto que no Rotten Tomatoes ele possui uma classificação de 91% por parte da crítica especializada, e 88% de aclamação junto ao público. Outro sucesso recente da Blumhouse, Halloween (2018) conta com 79% de aprovação da crítica em avaliação no Rotten Tomatoes.



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“Isso não é um lobo…é um Lobisomem!”

O Lobisomem fez sua estreia nos cinemas em 1941, quando Lon Chaney Jr. encarnou Lawrence Talbot no filme de George Waggner. A produção fez parte do movimento iniciado ainda em 1923, com O Corcunda de Notre Dame (cujo ator principal foi o Lon Chaney sênior), pela Universal Studios de adaptar clássicas histórias de terror para o cinema e contou ao todo com 32 filmes lançados entre 1923 e 1956.

O Universo de Monstros da Universal, como ficou chamada essa leva de produções, ao contrário de todas as franquias da atualidade (em sua maioria inspiradas por quadrinhos) não foi planejado para ser um universo compartilhado, mas sim uma sequência de produções que fossem auto suficientes e não dialogassem umas com as outras. Apesar desse projeto ter começado ainda nos anos 20, com O Corcunda de Notre Dame (1923) e O Fantasma da Ópera (1925), em meio a fase do cinema mudo, tais filmes ganhariam maior fama durante os anos 30.



Foi nesse período que os filmes de monstro realmente começaram a se tornar uma tendência bem aceita pelo público. Em 1931, Todd Browning lançou Drácula, papel que imortalizou o ator Bela Lugosi e que pela primeira vez utilizava os personagens criados para o romance de Bram Stoker, visto que Nosferatu (1922) não possuía os direitos de adaptação do livro. Ainda no mesmo ano Frankenstein, dirigido por James Whale, trouxe ao mundo um Boris Karloff completamente irreconhecível por uma maquiagem pesada e ausência de diálogos.

No ano seguinte veio a primeira versão de A Múmia (1932), novamente com Karloff irreconhecível no papel principal, e em 1933 a primeira adaptação de O Homem Invisível. Esse em particular foi muito bem recebido por público e crítica, tendo se tornado o maior sucesso do gênero de terror com monstros desde Frankenstein em 1931. O próprio autor do livro original, H. G. Wells, teria dito durante um jantar que gostou do filme, mas não concordou com a conversão moral do protagonista, que no filme é vilanesca.

Já em 1941, O Lobisomem chegava ao mundo com a cinessérie da Universal já estabelecida. O roteiro escrito por Curt Siodmak não bebeu de qualquer fonte literária, mas carregou muito de sua experiência pessoal, visto que ele começou sua carreira com roteiros na Alemanha em fins da República de Weimar e ascensão de Hitler.

Durante uma entrevista à revista do sindicato de roteiristas da América, em 1999, ele disse: “Eu sou o Lobisomem. Eu fui forçado para dentro da escuridão (em referência a ter que viver clandestinamente), eu não queria isso, ser um judeu na Alemanha. Eu não teria escolhido isso como destino”.



Em uma matéria póstuma publicada no Los Angeles Times em 2000, a jornalista Elaine Woo relata que a lua, elemento central na mitologia do Lobisomem, foi bolada por Siodmak como uma metáfora da suástica. “A lua que introduziu a transformação de Cheney (protagonista) em tela de um homem para uma fera, simboliza a suástica no universo pessoal de Siodmak. Transformar-se em um Lobisomem assassino era sua expressão do medo de ser mandado para um campo de concentração…”

Lon Chaney Jr. sempre demonstrou mais leveza ao falar de elementos atrelados ao filme. Em uma entrevista concedida ao The Tennessean em abril de 1965 ele abriu o coração sobre o personagem. “De todos os filmes de monstros, meu favorito é O Lobisomem porque ele é o mais sensível, aquele que é mais próximo da verdade e aquele que também é mais próximo de um fato histórico. Eu ainda assisto ao filme quando tenho a chance. Eu tenho certa ligação com ele. Sendo o Lobisomem dos filmes, eu assustei muita gente, mas também ganhei certa simpatia, amor e respeito das juventudes de cada geração”.

O sucesso do filme acabaria por gerar mais quatro sequências: Frankenstein Encontra o Lobisomem (um verdadeiro crossover já em 1943), A Casa de Frankenstein (1944), A Casa de Drácula ( 1945) e Abbott e Costello Encontram Frankenstein (comédia de 1948 protagonizada pela famosa dupla de comediantes). Em 2010, veio o primeiro remake do filme com a obra homônima protagonizada por Benicio del Toro e dirigido Joe Johnston (Jurassic Park III e Capitão América: O Primeiro Vingador).


Com a refilmagem no horizonte espera-se que o olhar da Blumhouse seja mais um passo em direção ao renascimento do gênero de monstros, tão abalado após a morte prematura do Dark Universe (universo compartilhado de monstros planejado pela Universal) e pelas últimas décadas marcadas por reimaginações totalmente esquecíveis – vide Drácula 2000 (2000), Frankenstein: Entre Anjos e Demônios (2014), Drácula: A História Nunca Contada (2014) e Victor Frankesntein (2015).

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