Os 10 Melhores Filmes do Início de 2019

Os 10 Melhores Filmes do Início de 2019



Os três primeiros meses de 2019 já ficaram para trás. Ao adentrarmos abril, o primeiro trimestre do ano se vê completo e isso se traduz em algumas dezenas de filmes que já passaram por nossas salas de cinema, telas de streaming e que já pudemos conferir. Como não gostamos de perder tempo e deixar obras caírem no esquecimento, vamos manter logo nossos arquivos atualizados.

Como sempre, muita coisa boa e algumas coisas ruins passaram e nos marcaram. Portanto, o CinePOP resolve trazer sua nova lista com o que de mais especial, seja para o bem ou para mal, vimos nesses três primeiros meses do ano. Bem, é óbvio que nas listas só irão figurar filmes que tenham nos impressionado positivamente ou negativamente, e os que não estiverem nelas, não atingiram tais níveis.

Sem mais delongas, vamos conhecer agora os 10 Melhores filmes do Início de 2019. Não esqueça de deixar nos comentários quais foram os filmes que você mais gostou neste início de ano.

Os 5 Piores Filmes do Início de 2019

10 | Gloria Bell


Aproveite para assistir:


Se você ainda não assistiu a este filme, corra para os cinemas. O longa apresenta um dos melhores desempenhos da carreira da Oscarizada Julianne Moore – muito à vontade e se entregando de cabeça ao papel. Refilmagem do chileno Gloria (2013), a nova versão é criada pelo mesmo Sebastián Lelio (Uma Mulher Fantástica) – ou seja, propriedade de adaptação é o que não falta. E apesar de repetir muito do que o diretor já havia feito antes, aqui tudo é recriado com tamanho frescor que parece novidade. A energia e emoção dos envolvidos dominam a produção se mostrando contagiantes.

Crítica | Gloria Bell - o Lady Bird da melhor idade

09 | A Mula

Último trabalho como ator do monstro sagrado Clint Eastwood, o lendário artista se despede de frente das câmeras com o pé direito. Adaptação de uma história real, Eastwood dirige e protagoniza como um nonagenário “engolido” pelo tempo. Quando seu negócio vai à falência devido ao advento do mercado online, o idoso precisa achar outra fonte de renda. A oportunidade surge e ele se transforma numa “mula”, adentrado no terreno da contravenção e do tráfico de drogas. Precisando lidar com criminosos e policiais no seu encalço, Eastwood cria um filme dinâmico, moderno, antenado com os novos tempos, mas sem esquecer seu olhar antiquado de uma época distante. Essa mescla tem sido o sabor especial dos últimos trabalhos do cineasta.

Crítica | A Mula – Clint Eastwood se despede das atuações com o pé direito

08 | Nós

Um dos filmes mais recentes da lista, o novo trabalho de Jordan Peele (Corra!) já chegou chutando a porta. É verdade que a expectativa em torno do projeto era grande, mas o diretor não decepciona e cria um longa enérgico e classudo, dono de muita criatividade, elegância e, é claro, insanidade para dar e vender. O clima gélido de suspense nos acompanha desde a primeira cena, não nos deixamos até a inusitada conclusão. Assim como Corra!, Peele cria um novo ícone do gênero, que será muito comentado durante o ano todo. Quem marca presença de forma satisfatória também é a musa Lupita Nyong’o, no papel da protagonista, numa performance “tomada”.

Crítica | Nós – Novo capítulo da saga de ‘Além da Imaginação’ de Jordan Peele

07 | Guerra Fria

Uma das grandes surpresas desta edição do Oscar, o polonês Guerra Fria terminou figurando em mais categorias do que o previsto. Além da óbvia indicação na categoria de produção estrangeira, o filme também emplacou nas categorias de fotografia e direção para o cineasta Pawel Pawlikowski (a grande surpresa). Todo criado em preto e branco, e com o aspecto de imagem hoje chamado 4:3 (a tela quadrada do cinema clássico), Guerra Fria narra uma história de amor difícil e emocionante, cujos problemas são verdadeiramente reais e se afastam do domínio dos envolvidos. Um produtor musical (papel de Tomasz Kot) e uma aspirante a cantora (Joanna Kulig) se apaixonam, se encontram e desencontram no meio do conflito da Guerra Fria, na Polônia e França, da década de 1950. Um belo filme.

Crítica | Guerra Fria: Uma melancólica história de amor em tempos sombrios

06 | A Favorita

O diretor grego Yorgos Lanthimos subverte o gênero dos dramas de corte e monarcas, com um filme instigante, ácido e bastante insano. Quem comanda o show são três mulheres, numa época em que se discute muito o empoderamento feminino. A veterana Rachel Weisz, a jovem estrela Emma Stone e a desconhecida Olivia Colman criam uma trinca de personagens fortes, se digladiando através de intrigas para lá ferinas, viscerais e, por que não, mortais. Tudo isso sem esquecer o senso de humor seco e muito sarcástico. O resultado foram 10 indicações ao Oscar, incluindo melhor filme e para o trio de atrizes – com a vitória de Colman.

Crítica | A Favorita – Emma Stone e Rachel Weisz em filme de época sensual, hilário e repugnante

05 | Assunto de Família

Mais uma obra fora dos domínios de Hollywood. Trata-se de uma produção japonesa, do celebrado cineasta Hirokazu Koreeda, que levou a Palma de Ouro no prestigiado Festival de Cannes, além de indicações ao Oscar e Globo de Ouro na categoria de produção estrangeira. Dá para ver que pedigree a obra possui. Este conto místico e surreal – não fosse pela realidade aterradora – trata de nos fazer olhar com outros olhos tudo o que conhecemos por errado e repelimos. Aqui, somos apresentados a uma família unida e amorosa de seus membros. Eles são também membros de uma “gangue” de pequenos criminosos, que sobrevivem de seus golpes e furtos a mercados e afins. Com o desenrolar vamos vendo ainda que o buraco é mais embaixo, e o choque é inevitável. Uma obra poderosa.

Crítica | Assunto de Família – Filme do Japão no Oscar emociona, choca e faz refletir

04 | Free Solo

Documentário que levou o Oscar na edição deste ano, desbancando o favorito RBG – sobre a juíza Ruth Baden Ginsburg, a primeira mulher nomeada para a suprema corte norte-americana. Apesar de RGB enfatizar um tema importantíssimo, edificante e muito necessário para nossos tempos, Free Solo não chega atrás e enaltece algo de igual importância na atualidade: o espírito humano e sua resiliência. Free Solo é o termo usado para o esporte tido como o mais radical e perigoso do mundo, praticado apenas por menos de 1% da população do planeta: a escalada em montanhas sem cordas. Um destes aventureiros extremos é Alex Honnold, o protagonista aqui. O filme nos apresenta a vida e história deste ser humano exemplar, mostrando seu maior desafio, escalar o paredão conhecido como El Capitan, montanha de 910 metros localizada na Califórnia. Sem dúvidas, um dos filmes mais nervosos e eletrizantes que você verá na vida.

Crítica | Free Solo – Superação é o tema do Documentário vencedor do Oscar 2019

03 | Green Book: O Guia

O grande vencedor do Oscar de melhor filme este ano, se tornou uma obra polêmica, despertando o desafeto de muitos pela sua qualidade de feel good. Seja como for, a proposta do filme é realmente essa, criar empatia e falar de amizade e bons sentimentos, numa época em que tais elementos eram difíceis de serem encontrados – mas não completamente ausentes. Uma produção bem cuidada e rica em atuações, ambos os protagonistas são um show à parte. Viggo Mortensen cria o retrato de um sujeito truculento e grosseiro, vindo de descendência italiana – para o papel o ator engordou alguns quilos. Em contrapartida a performance inspirada de Mahershala Ali, de um homem negro culto e dono de dotes artísticos elevados, lhe garantiu mais uma estatueta do Oscar – o que deve ter elevado o contrato do ator a um novo patamar.

Crítica | Green Book: O Guia - Tocante filme sobre racismo é nosso grande preferido para o Oscar

02 | Cafarnaum

Mais um filme fora do grande circuitão, e mais um filme indicado ao Oscar de produção estrangeira. Cafarnaum, da ótima e belíssima cineasta libanesa Nadine Labaki, é um verdadeiro soco no estômago, uma obra extremamente reflexiva, que nos coloca diante de uma realidade que não queremos encarar ou sequer tomar conhecimento. Com ares de Quem quer Ser um Milionário? (2008), a cineasta apresenta a rotina miserável de moradores de uma favela, e das terríveis atrocidades cometidas por lá, tudo na ótica inocente de uma criança. O filme discute ainda problemas atuais e fervorosos como a política de imigração, a imigração ilegal, e como pode se tornar uma verdadeira armadilha para os imigrantes que buscam fugir das dificuldades de seu país de origem. Um dos filmes mais necessários dos últimos anos.

Crítica | Cafarnaum - Lirismo na Amarga Vivência da Miséria no Líbano

01 | Homem-Aranha no Aranhaverso

O primeiro lugar deste início de ano fica com a animação que levou pra casa o prêmio da Academia, se tornando assim o primeiro filme de super-heróis a receber o Oscar. Falar que o filme é criativo a esta altura é chover no molhado. A animação ultrapassa os conceitos, quebra barreiras e sai totalmente da caixinha, mostrando ter mais liberdade para a ousadia justamente por estar envolvido no manto de “uma animação”. A inventividade corre solta e mostra o que os filmes live action estão perdendo e podem vir a ser. Aranhaverso se tornou o filme de número 48 na preferência do grande público de todos os tempos, levando em conta que foi lançado no fim do ano passado, e início desse no Brasil, sem dúvida é um grande feito. Na trama, realidades paralelas se encontram, e Homens-Aranha de outras dimensões interagem, numa aventura pra lá de pulsante. Fora isso, o filme faz uso de uma estética nunca apresentada antes, mostrando que ainda existem novos lugares a serem visitados, quando falamos do visual de filmes.

Crítica | Homem-Aranha no Aranhaverso - O MELHOR filme do aracnídeo!

Bônus:

O Peso do Passado

Já fechamos a lista, mas resolvemos dar um prêmio honorário para esta obra. Prato cheio para quem curte suspenses policiais, o filme da diretora Karyn Kusama merecia ter recebido mais atenção, em especial na época de prêmios. Com o melhor desempenho recente da carreira de Nicole Kidman – e um dos melhores de toda a sua filmografia -, a história apresenta uma operação policial, na qual agentes infiltrados numa quadrilha de criminosos ainda na juventude, tem suas vidas viradas do avesso devido ao caso. Essa é uma daquelas jornadas estarrecedoras, nas quais os personagens são completamente moldados devido a um evento trágico, do qual nunca mais conseguem se recuperar. Com uma fenomenal maquiagem, que transforma a lindíssima atriz num verdadeiro farrapo humano, casada com um desempenho muito impactante, Kidman dá vida a uma personagem sofrida, mas muito interessante. Este não é apenas um drama de personagem, mas um thriller gélido, dono de cenas impressionantes de ação – algumas filmadas em plano-sequência (ou seja, sem cortes).

Crítica | O Peso do Passado - Nicole Kidman destruidora em sua melhor atuação


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