A batalha pelas maiores bilheterias do ano que sempre tomou conta de Hollywood, fez grandes estúdios enriquecerem absurdamente, transformou atores em estrelas e filmes em lendas. Essa batalha foi completamente reformulada nos últimos anos. Na época das vídeo locadoras, era comum um filme ganhar segunda chance e receber status de cult. Hoje, na era dos streamings o que conta é a audiência que determinada produção alcança junto ao público – de certa forma similar ao que temos nos canais de televisão. A pandemia colocou um ponto final na discussão da relevância das produções feitas especificamente para as plataformas online. Alguns dos produtos mais falados e badalados de cada ano, sejam filmes ou séries, são produções feitas para serem assistidas em casa. E cada grande estúdio corre atrás de sua própria plataforma de streaming para entrar nessa briga por uma fatia do mercado.
E se as plataformas de streaming assumiram este lugar de grandes estúdios de cinema, é claro que a produção de seu conteúdo original escalaria até se tornar equivalente dos maiores produtores de Hollywood. Assim, em plataformas como a Netflix e a Amazon Prime Video podemos encontrar produções chegando a marca de US$200 milhões de orçamento. Por exemplo, a série O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder entrou para a história como o seriado mais caro de todos os tempos. Aqui, nesta nova matéria não iremos falar da Amazon, no entanto, e sim de sua rival Netflix – ainda a produtora de conteúdo em streaming número 1 do mundo, com mais assinantes. O que trazemos aqui são os 10 filmes mais caros da história da Netflix até hoje. Confira abaixo.
10 | Army of the Dead (2021)

O diretor Zack Snyder tem em seu currículo grandes blockbusters badalados, que fizeram dele rapidamente um dos nomes mais quentes de Hollywood. Produções como 300 (2007), Watchmen – O Filme (2009) e O Homem de Aço (2013). Porém, foi quando assumiu alguns dos filmes mais importantes da DC, que iriam definir o destino do estúdio junto ao público, que a carreira do cineasta começou a sair dos trilhos – com os resultados de Batman vs. Superman (em especial) e Liga da Justiça. Por outro lado, os fãs de tal universo abraçaram Snyder com força, se recusando a aceitar que tais filmes não são, digamos, muito bons, e até criaram um movimento que deu muito certo, para que o diretor entregasse sua visão definitiva de Liga da Justiça. No mesmo ano em que realizava algo se precedentes, Snyder entregava também esse blockbuster de ação e zumbis, sobre um time altamente treinado e armado, invadindo uma Las Vegas inteiramente dominada por mortos-vivos. Estrelado por Dave Bautista, o filme custou para a Netflix US$90 milhões.

Ainda mais caro que Army of the Dead, chega à lista agora esta produção de 2020, dirigida, estrelada e produzida pelo astro George Clooney. Baseado no livro de Lily Brooks-Dalton, o filme passado no futuro de uma realidade pós-apocalíptica conta sobre um cientista isolado no Ártico (Clooney), que precisa impedir que uma missão espacial retorne para a Terra após uma catástrofe global. O tema central aqui é a ameaça ecológica que o homem cria para o planeta ao destruir cada vez mais a natureza em nome da ambição financeira. Um assunto muito debatido e cada vez mais urgente. Com US$100 milhões de orçamento, esse longa de ficção científica e drama não se tornou tão popular quanto o item acima.

Parece que a Netflix está sempre dando nova chance a algum cineasta caído em “desgraça” junto aos críticos e de certa forma com o público também. Além de dar US$90 milhões para Zack Snyder realizar seu filme de ação com zumbis, o estúdio também apostou em David Ayer, que então acabara de sair de maus lençóis com o lançamento do primeiro Esquadrão Suicida (2016), lhe entregando o blockbuster Bright para comandar logo no ano seguinte. Com Will Smith estrelando, e orçamento de US$106 milhões, a história mistura thriller policial com fantasia, e apresenta um mundo onde criaturas mitológicas como ogros e fadas vivem entre nós e fazem parte de nossa realidade.

Esta aqui não é uma produção própria da Netflix, mas sim uma obra do departamento de animação da Sony e que foi distribuída no mundo todo através da Netflix. Sendo assim, podemos dizer que é parte de uma parceria – se tornando a animação mais popular do acervo da plataforma de streaming. O longa dos produtores Christopher Miller e Phil Lord chegou até mesmo a ser indicado ao Oscar na categoria animação, isso que é moral. Com um orçamento de US$110 milhões, a história mostra uma família numa viagem de carro pelo país com o propósito de levar sua filha mais velha para a faculdade. Durante o trajeto, ocorre uma revolução, onde máquina ganham consciência devido à inteligência artificial e se voltam contra os humanos. A família Mitchell precisará salvar não apenas eles mesmos, mas também o mundo.

Produção problemática, originalmente o filme seria dirigido pela vencedora do Oscar Kathryn Bigelow e falaria sobre o combate ao tráfico de drogas por agentes americanos nas fronteiras com o país, algo semelhante ao clima de Sicario – Terra de Ninguém. Percalços de bastidores fizeram a primeira diretora mulher vencedora do Oscar se afastar da direção, pulando para a cadeira de produtora da obra. Assim, Operação Fronteira ganharia novos contornos, que o aproximariam agora de um thriller de entretenimento, com uma pegada menos séria sobre o tema. O elenco é recheado, e conta com nomes como Ben Affleck, Oscar Isaac, Pedro Pascal, Charlie Hunnam e Garrett Hedlund. A produção contou com orçamento de US$115 milhões.

Agora chegamos ao top 5 dos filmes mais caros da história da Netflix. Aqui temos o único épico medieval da lista, com uma dramatização histórica da rebelião liderada pelo líder escocês Robert the Bruce, numa verdadeira luta de Davi vs Golias travada contra o Império Britânico. Parte desta história havia sido retratado no vencedor do Oscar Coração Valente (1995), onde a figura histórica coadjuva na narrativa de William Wallace (Mel Gibson). Quem protagoniza esta produção na pele de Robert é Chris Pine. A produção teve orçamento de US$120 milhões.

Quem aparece agora na lista em sua primeira e única (até o momento) parceria com a Netflix é o “rei da destruição” Michael Bay. Poucos cineastas na atualidade entregam filmes maiores onde tudo é explodido e voa pelos ares do que Bay. Tudo bem que os filmes da franquia Transformers mancharam um pouco a reputação do diretor (apesar de terem também enchido seus bolsos de dinheiro), mas é preciso lembrar que antes disso o cineasta era conhecido como um dos grandes nomes da ação, tendo entregue sucessos como Os Bad Boys, A Rocha e Armageddon. Para fazer filmes assim não é barato, então a empresa precisou desembolsar US$150 milhões de orçamento para que Bay contasse a história de um grupo de agentes secretos que são os melhores no que fazem, utilizando de muitos recursos financeiros para agirem por baixo dos panos e combaterem o mal de forma anônima. Quem comanda o espetáculo na frente das câmeras é o “menino de ouro” da Netflix, Ryan Reynolds.
03 | O Irlandês (2019)

Subindo ao pódio dos filmes mais caros de todos os tempos na Netflix, com a medalha de bronze, em terceiro lugar está uma produção de ninguém menos que Martin Scorsese; está bom para você? Quando anunciou a parceria com este verdadeiro mestre da sétima arte, a Netflix poderia ter fechado as portas no dia seguinte, pois já havia “zerado a vida”. Nada que a empresa fizer daqui para frente será tão grande quando bancar um filme para esta verdadeira lenda da sétima arte. A não ser que surja uma nova parceria com Scorsese. Ou quem sabe um projeto com Steven Spielberg. Aqui, finalmente o diretor de Taxi Driver conseguia tirar do papel um projeto dos sonhos que vinha desenvolvendo há muitos anos. Na trama de O Irlandês, baseado num livro, Scorsese se atreve a desvendar o sumiço do líder sindicalista Jimmy Hoffa, e de quebra juntar num filme os “bons companheiros” Robert De Niro, Joe Pesci e Al Pacino. É claro que algo assim não sairia barato, e custou US$160 milhões para a empresa – que ainda ganhou prestígio saindo da experiência com 10 indicações ao Oscar, incluindo melhor filme.

Agora na lista temos um empate técnico. As duas primeiras posições são na verdade uma única primeira posição, empatadas lado a lado. Começamos com a mais recente, que estreou este ano e apresentou uma ambiciosa investida dos irmãos Joe e Anthony Russo, conhecidos pelo comando de dois dos maiores filmes já feitos na Toda-Poderosa Marvel: Vingadores – Guerra Infinita e Vingadores Ultimato. Com tamanho prestígio os Russo não pediriam barato, e a Netflix precisou disponibilizar quase o mesmo valor que os diretores utilizaram lá na Disney/Marvel, a quantia astronômica de US$200 milhões – que não fica devendo nada para as maiores produções de Hollywood. Com esse dinheiro, os cineastas puderam escalar Ryan Gosling como o protagonista, que geralmente não trabalha neste tipo de filme, e o junta-lo com Chris Evans, o Capitão América em pessoa – aqui vivendo o vilão – para um embate verdadeiramente épico. De quebra ainda escalaram a cubana Ana de Armas para equilibrar as coisas.

Como dito, este item e o de cima estão empatados com o mesmo valor, como os filmes mais caros da história da Netflix – resta saber se algum dia esse valor será superado. Quando o ano de 2021 viu o lançamento de Army of the Dead, de Zack Snyder, os cinéfilos e especialistas estavam preparados para dizer que o filme seria o maior de seu respectivo ano. Mas eis que no fim de 2021 surgiu um projeto ainda maior. O curioso é que aqui não tínhamos nada de Zack Snyder ou sequer os irmãos Russo. O valor de US$200 milhões foi empregado na obra simplesmente devido a um nome: Dwayne Johnson – provavelmente o maior astro de ação em Hollywood na atualidade. Projeto dos sonhos do ex-lutador, que conta com a assinatura de sua produtora, Johnson bolou um sofisticado thriller de espionagem e roubo, com uma moldura de filme de ação (o que conhece muito bem). Através de sua influência ainda escalou Ryan Reynolds para viver um criminoso e seu oponente. Eventualmente os dois precisam se unir para enfrentar um oponente ainda mais formidável: a maior ladra de artes do planeta, vivida pela “Mulher-Maravilha” Gal Gadot. A sequência já está em desenvolvimento.