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Conexão Perigosa

(Paranoia)

 

Elenco:

Harrison Ford, Gary Oldman, Liam Hemsworth, Amber Heard, Lucas Till, Embeth Davidtz, Julian McMahon.

Direção: Robert Luketic

Gênero: Suspense/Thriller

Duração: 106 min.

Distribuidora: Diamond Films

Orçamento: US$ — milhões

Estreia: 18 de Outubro de 2013

Sinopse:

Conexão Perigosa‘ é uma adaptação do romance de Joseph Finder sobre um jovem (Hemsworth) que decide financiar uma glamurosa festa de despedida para um colega de trabalho, com recursos da própria empresa.

Ao ser desmascarado pelo chefe, ele concorda em se tornar um espião corporativo para evitar processos, e tem como missão se infiltrar em uma empresa rival para roubar informações de um projeto ultrassecreto.

Curiosidades:
» 
Robert Luketic (‘Quebrando a Banca’) dirige.

 

Trailer:

Cartazes:

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Fotos:

 

O Verão da Minha Vida

(The Way Way Back)

 

Elenco:

Steve Carell, Toni Collette, Rob Corddry, Sam Rockwell, Amanda Peet, Allison Janney, Anna Sophia Robb, Liam James, Maya Rudolph.

Direção: Nat Faxon e Jim Rash

Gênero: Comédia

Duração: 103 min.

Distribuidora: Diamond Films

Orçamento: US$ 4,6 milhões

Estreia: 25 de Outubro de 2013

Sinopse:

Para tentar dar vida às suas solitárias férias de verão, Duncan, um inseguro e tímido adolescente americano, arruma um emprego em um parque aquático local. Lá ele conhece Owen, um funcionário despreocupado, alegre e que adora curtir a vida. A amizade entre os dois cresce e Owen acaba se tornando um mentor e aliado para que o jovem desenvolva sua própria voz e ganhe coragem para enfrentar suas questões pessoais e familiares.

Curiosidades:

» —

 

Trailer:

Cartazes:

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Fotos:

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Os Filhos da Meia-Noite

(Midnight’s Children)

 

Elenco:

Satya Bhabha, Shahana Goswami, Rajat Kapoor, Shabana Azmi, Ronit Roy.

Direção: Deepa Mehta

Gênero: Drama

Duração: 146 min.

Distribuidora: Paris Filmes

Orçamento: US$ — milhões

Estreia: 22 de Novembro de 2013

Sinopse:

“Nascido na época em quem a Índia se liberta. Algemados para a história.”

No curso da meia-noite de 15 de agosto de 1947, quando a Índia proclama a independência da Grã-Bretanha, dois recém-nascidos são trocados por uma enfermeira em um hospital de Bombaim. Saleem Sinai, o filho ilegítimo de uma mulher pobre, e Shiva, o filho de um casal rico, estão fadados a viver o destino feitos um para o outro. Suas vidas se entrelaçam misteriosamente e estão intrinsecamente ligadas a jornada de um turbilhão de triunfos e desastres da Índia.

Curiosidades:

» —

Trailer:

Cartazes:

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Capitão Phillips

(Captain Phillips)

 

Elenco:

Tom Hanks, Catherine Keener, Max Martini, Michael Chernus, Chris Mulkey, Yul Vazquez, Corey Johnson, David Warshofsky, John Magaro, George J. Vezina.

Direção: Paul Greengrass

Gênero: Drama

Duração: 134 min.

Distribuidora: Sony Pictures

Orçamento: US$ 70 milhões

Estreia: 8 de Novembro de 2013

Sinopse:

Capitão Phillips é um exame em múltiplas camadas do sequestro do cargueiro norte-americano Maersk Alabama, em 2009, por um grupo de piratas somalis. Sob a direção característica do diretor Paul Greengrass, o filme é simultaneamente um thriller em ritmo pulsante e um retrato completo dos múltiplos efeitos da globalização. O filme se concentra na relação entre o comandante do Alabama, o capitão Richard Phillips (o ganhador de dois Oscars®, Tom Hanks), e o capitão pirata somali, Muse (Barkhad Abdi) que o toma como refém. Os dois entram em uma inevitável rota de colisão quando Muse e sua tripulação decidem colocar em sua mira o navio desarmado comandado por Phillips. E no impasse que se segue, ao longo de 145 milhas da costa da Somália, os dois irão encontrar-se à mercê de forças que vão além de seu controle.

Curiosidades:

» O filme é dirigido pelo indicado ao Oscar®, Paul Greengrass, a partir do roteiro de Billy Ray e baseado no livro, A Captain’s Duty: Somali Pirates, Navy SEALs, and Dangerous Days at Sea, de Richard Phillips com Stephan Talty. O filme é produzido por Scott Rudin, Dana Brunetti e Michael De Luca.


Trailer:

 

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O Jogo do Exterminador

(Ender’s Game)

 

Elenco:

Ben Kingsley, Harrison Ford, Abigail Breslin, Asa Butterfield, Hailee Steinfeld, Viola Davis, Han Soto, Moises Arias, Aramis Knight, Jimmy ‘Jax’ Pinchak.

Direção: Gavin Hood

Gênero: Aventura

Duração: 114 min.

Distribuidora: Paris Filmes

Orçamento: US$ 110 milhões

Estreia: 20 de Dezembro de 2013

Sinopse:

Em um futuro próximo, extraterrestres hostis atacaram a Terra. Com muita dificuldade, o combate foi vencido, graças ao heroísmo do comandante Mazer Rackham. Desde então, o respeitado coronel Graff e as forças militares terrestres treinam as crianças mais talentosas do planeta desde pequenas, no intuito de prepará-las para um próximo ataque. Ender Wiggin, um garoto tímido e brilhante, é selecionado para fazer parte da elite. Na Escola da Guerra, ele aprende rapidamente a controlar as técnicas de combate, por causa de seu formidável senso de estratégia. Não demora para Graff considerá-lo a maior esperança das forças humanas. Falta apenas um treinamento com o grande Mazer Rackham, e depois garoto estará pronto para a batalha épica que decidirá o futuro da Terra e da humanidade.

Curiosidades:

» Adaptação do romance ‘O Jogo do Exterminador‘ (Ender’s Game), de Orson Scott Card.

» Asa Butterfield, de ‘A Invenção de Hugo Cabret‘, interpreta o protagonista. Harrison Ford vive o Coronel Hyram Graff, e Abigail Breslin será Valentine Wiggin. Já Hailee Steinfeld, a garotinha de ‘Bravura Indômita‘, viverá Petra Arkanian, única garota do Exército da Salamandra. Viola Davis, indicada ao Oscar por ‘Histórias Cruzadas‘ será uma psicóloga militar.

» Gavin Hood (‘X-Men Origens: Wolverine’) roteiriza e vai dirige.


Trailer:


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Jogos Vorazes – Em Chamas

(Hunger Games – Catching Fire)

 

Elenco:

Jennifer Lawrence, Liam Hemsworth, Sam Claflin, Elizabeth Banks, Josh Hutcherson, Philip Seymour Hoffman, Woody Harrelson, Willow Shields, Stanley Tucci, Alexander Ludwig, Isabelle Fuhrman, Jena Malone, Amanda Plummer.

Direção: Francis Lawrence

Gênero: Ficção Científica

Duração: 146 min.

Distribuidora: Paris Filmes

Orçamento: US$ 130 milhões

Estreia: 15 de novembro de 2013

Sinopse:

Depois dos Jogos Vorazes, a competição entre jovens transmitida ao vivo para todos os distritos de Panem, Katniss agora terá que enfrentar a represália da Capital e decidir que caminho tomar quando descobre que suas atitudes nos jogos incitaram rebeliões em alguns distritos. Dessa vez, além de lutar por sua própria vida, terá que proteger seus amigos e familiares e, talvez, todo o povo de Panem.

Curiosidades:
» Com o sucesso absoluto de ‘Jogos Vorazes‘ nas bilheterias, o salário da protagonista Jennifer Lawrence foi inflacionado para a sequência.A atriz receberá a bagatela de US$ 10 milhões para atuar em ‘Jogos VorazesEm Chamas‘ (The Hunger Games – Catching Fire). Para o primeiro filme, Lawrence recebeu “míseros” US$ 500 mil.

» Philip Seymour Hoffman (‘Missão: Impossível 3’) viverá Plutarch Heavensbee, que substitui Seneca Crane (Wes Bentley) como produtor dos jogos.

» Jena Malone (‘Sucker Punch’) interpretará Johanna Mason, do Distrito 7, que se alia a Katniss e Peeta na competição. A atriz concorria ao papel com Mia Wasikowska (‘Alice no País das Maravilhas’) e a desconhecida Zoe Aggeliki.

» Boatos colocaram Robert Pattinson como Finnick Odair em ‘Jogos Vorazes: Em Chamas‘ (Hunger Games: Catching Fire). Logo depois, o agente do ator desmentiu o boato.

» Sam Claflin (‘Branca de Neve e o Caçador’) ficou com o papel de Finnick Odair. Ele concorria com o pé frio Taylor Kitsch (‘John Carter – Entre Dois Mundos’), Armie Hammer (‘Espelho, Espelho Meu’) e Garrett Hedlund (‘Tron: O Legado’).

» Francis Lawrence (‘Eu Sou a Lenda’, ‘Constantine’) foi o escolhido para a direção da sequência do sucesso ‘Jogos Vorazes’ (The Hunger Games). O diretor concorria com Bennett Miller (‘Monneyball – O Homem que Mudou o Jogo’, ‘Capote’), Alfonso Cuarón (‘Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban’), David Cronenberg (‘Cosmopolis’) e Alejandro González Iñárritu (‘Babel’).

» Gary Ross, que comandou ‘Jogos Vorazes‘, alegou “não ter o tempo necessário para escrever e preparar o filme, por conta do cronograma fixo e apertado”.

» Michael Arndt, ganhador do Oscar de Melhor Roteiro Original por ‘Pequena Miss Sunshine‘ e indicado por ‘Toy Story 3‘, foi contratado para roteirizar a sequência. Ele vai trabalhar em cima do roteiro escrito por Simon Beaufoy (‘Quem Quer Ser Um Milionário?’).

» Baseado em ‘Em Chamas‘ (Catching Fire), segundo livro da franquia ‘Jogos Vorazes‘, sucesso mundial da escritora Suzanne Collins.

» Segunda parte de um trilogia de livros: ‘Jogos Vorazes‘, ‘Em Chamas‘ e ‘A Esperança‘.

» A antes mesmo da estreia do primeiro filme, a Lionsgate planejou transformar a trilogia de livros em quatro filmes. O estúdio planeja seguir a mesma linha de ‘Harry Potter e as Relíquias da Morte‘ e ‘Amanhecer‘, e dividir o último livro em dois filmes.


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À Procura do Amor

(Enough Said)

 

Elenco:

James Gandolfini, Julia Louis-Dreyfus, Toni Collette, Lennie Loftin, Jessica St. Clair, Christopher Nicholas Smith, Tracey Fairaway, Ben Falcone, Michaela Watkins, Catherine Keener, Phillip Brock, Tavi Gevinson.

Direção: Nicole Holofcener

Gênero: Comédia

Duração: 93 min.

Distribuidora: Fox Film do Brasil

Orçamento: US$ — milhões

Estreia: 06 de Dezembro de 2013

Sinopse:

Mãe solteira e divorciada, Eva (Julia Louis-Dreyfus) passa seus dias trabalhando como massagista e temendo a partida de sua filha para a faculdade. Ela conhece Albert (James Gandolfini), um homem gentil e engraçado que também está prestes a enfrentar o ninho vazio. Enquanto seu romance floresce rapidamente, Eva conhece Marianne(Catherine Keener), sua nova cliente e melhor amiga. Marianne é uma bela poeta, que parece “quase perfeita”, exceto por um pequeno detalhe: reclama demais de seu ex-marido. De repente, Eva se encontra duvidando de sua própria relação com Albert, quando descobre a verdade sobre o marido de Marianne. À Procura do Amor é uma comédia afiada e introspectiva que explora a confusão de se envolver novamente.

Curiosidades:

» Último filme de Gandolfini, que morreu em 19 de junho. O penúltimo filme do ator foi ‘Animal Rescue’, ao lado de Tom Hardy (‘Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge’) e Noomi Rapace(‘Prometheus’).

» Nicole Holofcener (‘Amigas com Dinheiro’) escreve e dirige ‘Enough Said’.

Trailer:

 

Cartazes:

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Os Amigos

(Os Amigos)

 

Elenco: Dira Paes, Marco Ricca, Sandra Corveloni, Teka Romualdo, Alice Braga, Caio Blat

Direção: Lina Chamie

Gênero: Drama Nacional

Duração: 89 min.

Distribuidora: Imovision

Orçamento: R$ —

Estreia: 27 de Novembro de 2014

Sinopse: 

Téo é um arquiteto solitário que passa por uma fase difícil na vida, devido ao falecimento de seu melhor amigo na infância. Sua melhor amiga na atualidade é Majú que tenta arranjar uma namorada para ele. Ao longo do dia Téo se perde em meio às lembranças do passado, o que faz com que visite a viúva Lígia, e as atribuições do trabalho.

Curiosidades: 

» A trama se passa durante um único dia, seguindo a linha do último filme da diretora Lina Chamie, ‘A Via Láctea’.

» Foi selecionado para a competição oficial do Festival de Gramado 2013.

» O conto “Os Amigos dos Amigos”, de Henry James, serviu de inspiração para o título do filme.

 

Crítica:

Os Amigos, por Raphael Camacho (Nota: 8,0)

 

Trailer:

Cartazes: 

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Fotos: 

 

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum (2)

Com uma introdução musical belíssima, o novo trabalho dos irmãos mais famosos do mundo do cinema pode ser considerado uma baladinha Folk dentro do cinema. Tecnicamente excelente, Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum mostra uma incrível jornada, rumo ao fundo do poço, ao mundo do Entretenimento musical norte-americano, trajeto vivido por uma alma conturbada e deveras sonhadora. A história fica engessada no protagonista mas bons coadjuvantes ajudam a contar esse conto sonhador moderno.

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Na trama, acompanhamos todos os passos de Llewyn Davis (Oscar Isaac) um músico, especialista em músicas do gênero Folk, que após perder seu grande parceiro musical, caí na realidade e nas dificuldades de voltar a fazer sucesso. O músico, que possui uma terrível habilidade de brigar com qualquer pessoa ao seu redor, vive em dificuldades constantes e dorme a cada dia na casa de um dos seus pacientes amigos. Em uma época onde pedir carona era uma coisa comum, Llewyn (sempre com seu cigarrinho na boca) anda com seu violão de um lado para outro em busca de seu objetivo.

Esse filme mostra que cantar é a alegria e a expressão da alma. Quando o protagonista chega ao limite de suas forças, coadjuvantes surgem para contribuírem com um certo tipo de direção ou mesmo aprendizagem para o jovem cantor solo. Assim, vemos aparições relâmpagos de Justin Timberlake, a sempre ótima Carey Mulligan e o excelente John Goodman que dá um verdadeiro show com seu personagem folgado por si só que vai tirar risadas a todo instante da plateia.

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A melancolia do personagem principal e a forma como vê e sente o mundo ao seu redor é muito parecida com as letras das canções de Folk, gênero imortalizado pelo grande Bob Dylan (que é mencionado e interpretado em uma rápida sequência). Driblando sua própria desarmonia, somos testemunhas do sofrimento e desenvolvimento de um homem em busca do seu tão sonhado eldorado. É possível nos identificarmos facilmente com esse ótimo personagem, seu jeito enrolado de ver o mundo reflete o sentimento de muitos do lado de cá das telas.

Com o Folk tomando conta da telona, você vai sair do cinema querendo ter o cd com todas as músicas cantadas neste projeto. Mesmo sendo considerado Cult, o trabalho deve e merece ser assistido por pessoas de todas as idades, gostos cinéfilos, gostos musicais. Mais um acerto dos Coen. Viva essa experiência, bravo!

Pompeia

Fogo, destruição, maremotos… Ou apenas mais um filme de Paul W. S. Anderson

Estreando sem exibições para a imprensa carioca, Pompeia chega de forma simultânea aos Estados Unidos e Brasil. Este é o novo trabalho do cineasta Paul W. S. Anderson, que tem no currículo produções como Mortal Kombat (1995), Resident Evil (2002) e Alien VS. Predador (2004). Pela sua filmografia dá para perceber que o cinema de Anderson é voltado para o entretenimento. O valor de tal pode ser discutido em variados círculos de forma diferente.

Pompeia é seu filme mais ambicioso até hoje e também o mais sério. O épico medieval retrata a destruição da cidade título perante o Monte Vesúvio, um vulcão aparentemente inativo, que entra em erupção. A trama histórica é preenchida igualmente com elementos familiares do cinema blockbuster, como vilões caricatos, heróis musculosos, intermináveis cenas de luta e, é claro, um romance proibido e meloso. Afinal trata-se de um filme para os jovens que lotam os multiplex.

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Por outro lado, tudo é disfarçado com uma estrutura que apela também aos adultos, já que o filme mistura os subgêneros “sandália e espada” com cinema catástrofe. Tais gêneros sem dúvidas são mais atraentes para o grande público geral do que os filmes anteriores de Anderson, em sua maioria filmes baseados em videogames. Até quando adaptou sua versão de Alexandre Dumas com Os Três Mosqueteiros (2011), o cineasta fez uso de suas acrobacias que desafiam a gravidade, muita câmera lenta estilosa e conceitos tão non sense (como barcos voadores e metralhadoras) que nos ganhavam por seu valor de prazer culposo.

No filme, Kit Harington (o Jon Snow de Game of Thrones) é Milo, um jovem que no melhor estilo de Conan – O Bárbaro tem sua vila dizimada e os pais mortos por um líder tirano. Apenas o menino sobrevive e anos mais tarde se torna um exímio guerreiro gladiador. Tudo o que podemos esperar de clichês de filmes assim se fazem presente. O protagonista é um sujeito misterioso, mas muito bom de briga, que ganhará o respeito de seu maior adversário inicial (vivido por Adewale Akinnuoye-Agbaje).

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Existe também o romance instantâneo com uma jovem princesa insatisfeita. Ela é vivida pela gracinha Emily Browning. A promissora atriz mirim de Desventuras em Série (2004) tinha um futuro brilhante pela frente, mas depois de suas apostas mais ambiciosas darem errado, vide Sucker Punch e Beleza Adormecida (ambos de 2011), Browning tem se metido em um projeto malfadado atrás do outro, vide A Hospedeira e Plush (este ainda inédito no Brasil). Como Cassia, ela realmente não tem muito o que fazer, apenas viver um romance de A Dama e o Vagabundo.

Diversos bons atores são desperdiçados em personagens pífios, diálogos risíveis e atuações mais canastronas impossível. Entre eles, Kieffer Sutherland na pele de um vilão que só faltou “enrolar o bigode”, a sumida Carrie-Anne Moss (segundo nome nos créditos do filme) no papel da mãe de Browning, Jared Harris como seu pai e a beldade Jessica Lucas (A Morte do Demônio) como a mucama de destino tragicômico. Além de tudo isso, Anderson nos pede grandes saltos de fé em cenas duvidosas mesmo dentro de seu próprio universo, como quando Harington quebra o pescoço de um cavalo!? com as próprias mãos para sacrificá-lo. Está aí uma coisa que não se vê todos os dias.

Em outro momento, Harington corre em um cavalo acorrentado pelo pé, ao que a corrente esticada derruba diversos soldados inimigos com a colisão. A mesma o faria voar longe já que é apenas um contra vários corpos mais pesados. Em algum momento o protagonista vai para o chão, mas não sem antes “fazer a limpa”. A sensação é a de que esperamos 1 hora e 20 minutos com apenas encheção de linguiça, de uma história enfadonha sobre gladiadores e lutas cansativas, para somente nos dez minutos finais ganharmos o que realmente queríamos desde o início, cenas legais de destruição. Que enganação.

Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum

EM BUSCA DE UM LUGAR AO SOL, EM UMA SEMANA NUBLADA

 

Um gênio incompreendido ou um pretensioso que se recusa a reconhecer o seu fracasso? Durante Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum (Inside Llewyn Davis), novo filme dos irmãos Coen, acompanhamos uma semana na vida de Llewyn Davis (Oscar Isaac).

Tocando música folk em um pequeno bar nova-iorquino e dormindo de sofá em sofá, Llewyn é um sujeito que se vê como um grande e promissor artista. No entanto, a vida, essa teimosa, parece não concordar. Suas tentativas sempre são infrutíferas, e, mesmo quando surge uma chance, ela a perde, seja pelas necessidades financeiras, seja por uma certa arrogância.

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Não é simples responder a pergunta feita no começo. Muitas atitudes de Llewyn podem provocar raiva no espectador, outras, um puro sentimento de vergonha alheia. Aí, nós o ouvimos cantando, e pensamos, alguém com músicas tão verdadeiras, carregadas de legítimas emoções, não alcança a fama por pura injustiça da vida.

A alusão clara ao livro Ulisses, do irlandês James Joyce, monumento fundamental da literatura moderna, reforça a ambiguidade de Llewyn: um homem comum, com uma vida ordinária, que guarda, por de baixo de seu cotidiano, a revelação de que nossas vidas são uma odisseia única.

Os traços da filmografia dos irmãos Coen estão presentes: uma narrativa fluída, filmada com belos enquadramentos, personagens com um ‘q’ de estranheza, mas carismáticos e o humor bastante particular. Merecem destaques a reconstituição da década de 1960, a fotografia de Bruno Delbonnel, que fornece à imagem uma textura desbotada, como se estivéssemos vendo imagens antigas de uma nublada Nova York, e a belíssima trilha sonora.

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Clube de Compras Dallas (2)

Até onde um homem vai em busca de sua salvação? Uma das grandes sensações em festivais importantes mundo à fora, e um dos indicados ao Oscar de Melhor Filme neste ano, Clube de Compras Dallas é um retrato escancarado de um homem em busca da cura para uma doença que já matou milhões de pessoas neste planeta. Dirigido pelo canadense Jean-Marc Vallée (que comandou o ótimo A Jovem Rainha Victoria) e com uma atuação digna de Oscar dos atores  Matthew McConaughey e Jared Leto, o drama deve comover do início ao fim qualquer um que tiver a sorte de assistir a este belo trabalho.

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Na história, baseada em fatos reais, ambientada na década de 80 no complicado Estado do Texas, conhecemos Ron Woodroof (Matthew McConaughey), um carismático eletricista, machista ao extremo, que após muitas relações sexuais com desconhecidos, uso de drogas injetáveis constantes descobre que está com Aids. Após os médicos terem lidado apenas mais 30 dias de vida, Ron entra em uma busca desesperada para encontrar a cura e assim funda um clube de tratamento contra a doença que utiliza remédios em fase experimental em outros países. Para o empreendimento, e salvação, dar certo, vira parceiro de Rayon (Jared Leto), um homossexual que também possui a terrível doença. Dessa sociedade nasce uma amizade surpreendente.

O longa-metragem aborda muito bem toda a mentalidade da população perante aos riscos do vírus HIV. O preconceito exacerbado (para muitos, quem tinha Aids era porque tivera relações homossexuais), as dúvidas sobre os tratamentos confiáveis pelos portadores do vírus, as brigas judiciais entre fabricantes de medicamentos norte-americanos e pessoas que procuravam novas soluções para combater a doença.  Clube de Compras Dallas não deixa de ser uma crítica à indústria farmacêutica que lucra milhões anualmente. É um trabalho inteligente e muito corajoso de Vallée e toda a equipe.

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Todo o elenco esteve inspirado durante o período de gravações. O antes rejeitado pelos cinéfilos, Matthew McConaughey consegue a melhor atuação de sua carreira (que decolou com muito mais talento nos pelos menos últimos cinco filmes que participou) e tem reais chances de conseguir um dos Oscars na próxima noite da grande festa. A certeza maior de prêmio é para Jared Leto. O cantor/ator mais uma vez interpreta um personagem envolvido no mundo das drogas e mais uma vez mostra que é um artista completo, magnífica atuação. Até a mulher do ex-novo Batman Ben Aflleck, Jennifer Garner, consegue desempenhar com muita eficácia sua complicada personagem.

Clube de Compras Dallas é um filme que conquistará muito fãs no Brasil e no mundo. A qualidade cênica é importante para toda a história fluir e captar a atenção do espectador durante toda a fita. Esse é um daqueles filmes impactantes que marcará a carreira de todos seus participantes.

35 Anos de Super-Heróis em 3 minutos

Foi divulgado no YouTube o fantástico vídeo ‘Superheroes Supercut: Celebrating 35 Years of Crime Fighters‘, que reúne cenas de todos os filmes de super-heróis lançados nos últimos 35 anos.

A edição é fantástica e saudosista. Assista:

Veja a lista dos filmes vistos no vídeo (em inglês):

Captain America — 1979
Supersonic Man — 1979
Superman — 1978 (1/2)
Flash Gordon — 1980
Swamp Thing — 1982
Condorman — 1981
Supergirl — 1984
Howard the Duck — 1986
Conan the Destroyer — 1984
Highlander — 1986
Masters of the Universe — 1987
RoboCop — 1987
The Punisher — 1989
Batman — 1989
Captain America — 1990 (1/2)
RoboCop 2 — 1990
Teenage Mutant Ninja Turtles — 1990 (1/2)
Captain America — 1990 (2/2)
Dick Tracy — 1990
Teenage Mutant Ninja Turtles — 1990 (2/2)
Darkman — 1990
The Rocketeer — 1990
Highlander 2 The Quickening — 1991
The Meteor Man — 1993
Terminator 2 — 1991
Batman Returns — 1992
The Crow — 1994
The Fantastic Four — 1994
The Shadow — 1994
The Mask — 1994
Guyver — 1991
Highlander 3 The Sorcerer — 1994
Robin’ in Batman Forever — 1995
Mighty Morphin Power Rangers: The Movie — 1995
Tank Girl — 1995
Judge Dredd — 1995
The Crow: City of Angels — 1996
Spawn — 1997
Men in Black — 1997
Barb Wire — 1996
Black Mask — 1996
The Phantom — 1996
Steel — 1997
Star Kid — 1997
The Matrix — 1999
Batman & Robin — 1997
Blade — 1998
Mystery Men — 1999
X-Men — 2000
Men in Black 2 — 2002
The League of Extraordinary Gentlemen — 2003
Blade Trinity — 2004
The Incredibles — 2004
The Specials — 2000
Unbreakable — 2000
Spider-Man — 2002
Daredevil — 2003
The Hulk — 2003 (x2)
Blade 2 — 2002
The Matrix Reloaded — 2003 (x3)
Terminator 3 — 2003
‘Elektra’ in Daredevil — 2003
X2: X-Men United — 2003 (x4)
Van Helsing — 2004
The Punisher — 2004
Catwoman — 2004
Underworld — 2003
Spider-Man 2 — 2004
Hellboy — 2004 (x3)
Man-Thing — 2005
Zebraman — 2004
The Adventures of Sharkboy and Lavagirl — 2005
‘The Fantastic Four’ in 4: Rise of the Silver Surfer — 2007
Fantastic Four — 2005 (x4)
Hancock — 2008
Astro Boy — 2009
TMNT — 2007
Underdog — 2007
Superman Returns — 2006
X-Men: The Last Stand — 2006 (1/2)
‘Silver Surfer’ in 4: Rise of the Silver Surfer — 2007
The Incredible Hulk — 2008
Aeon Flux — 2005
The Dark Knight — 2008 (1/2)
V for Vendetta — 2005
Kick-Ass — 2010 (1/2)
Iron Man — 2008
Wanted — 2008
Kick-Ass — 2010 (2/2)
Spider-Man 3 — 2007
Mercury Man — 2006
The Dark Knight — 2008 (2/2)
Constantine — 2005
Sin City — 2005
Superhero Movie — 2008
Ghost Rider — 2007
300 — 2007
Defendor — 2009
Zokkomon — 2011
Dragonball Evolution — 2009
The Last Airbender — 2010
X-Men: First Class — 2011 (1/2)
X-Men: The Last Stand — 2006 (2/2)
Monsters vs Aliens — 2009
Hellboy 2: The Golden Army — 2008
Watchmen — 2009
X-Men: First Class — 2011 (2/2)
Captain America: The First Avenger — 2011
Iron Man 2 — 2010
Thor — 2011
Super — 2010
Krrish — 2006
Punisher: War Zone — 2008
Jonah Hex — 2011
The Green Hornet — 2011
Green Lantern — 2011
The Wolverine — 2013
The Dark Knight Rises — 2012 (1/2)
The Punisher: Dirty Laundry — 2012
Man of Steel — 2013
Krrish 3 — 2013
The Amazing Spider-Man — 2012
The Avengers — 2012 (1/2)
Underworld: Awakening — 2012
R.I.P.D. — 2013
Thor: The Dark World — 2013 (1/2)
Dredd — 2012
The Dark Knight Rises — 2012 (2/2)
Men in Black 3 — 2012
Ghost Rider: Spirit of Vengeance — 2012
Kick-Ass 2 — 2013 (1/2)
Chronicle — 2012
Antboy — 2013
Hansel & Gretel: Witch Hunters — 2013
Kick-Ass 2 — 2013 (2/2)
Iron Man 3 — 2013
Super Buddies — 2013
The Avengers — 2012
Thor: The Dark World — 2013 (2/2)
I, Frankenstein — 2014 (x3)
Hercules: The Legend Begins — 2014 (x3)
RoboCop — 2014 (x3)
300: Rise of an Empire — 2014 (x4)
Captain America: The Winter Soldier — 2014 (x4)
The Amazing Spider-Man 2 — 2014 (x3)
X-Men: Days of Future Past — 2014 (x8)
Ant-man — 2015

Clube de Compras Dallas

O auge da “McConaissance” 

Este ano o Brasil está de parabéns e conseguiu trazer todos os principais filmes do Oscar antes da premiação no início de março. Em anos recentes precisávamos esperar por alguns filmes indicados e até mesmo premiados, depois da cerimônia ter ocorrido. Neste fim de semana chegam os últimos dois, Clube de Compras Dallas e 12 Anos de Escravidão. Quando foi lançado nos Estados Unidos, Clube de Compras Dallas não chamou muito a atenção, a não ser, é claro, pelo desempenho assombroso dos protagonistas.

Para quem não conhece a história por trás da obra que fala sobre a assolação inicial da Aids nos EUA, nos anos 1980, os atores principais Matthew McConaughey e Jared Leto perderam uma considerável quantidade de peso para encarnarem seus personagens vítimas do vírus HIV. McConaughey vem desde 2011 com O Poder e a Lei, tratando de reeditar sua carreira como galã de comédias românticas rasas. Na chamada “McConaissance”, o ator entregou alguns de seus melhores trabalhos da carreira, como em Killer Joe – Matador de Aluguel e Amor Bandido.

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O auge, no entanto, ocorre aqui, na pele de Ron Woodroof. O ator se destaca de vez e usando do “método” tira qualquer dúvida de possíveis detratores do seu talento. A perda de peso de McConaughey é significativa para o projeto (além de ter entrado de gaiata em outros papéis do ator – como em O Lobo de Wall Street e na série True Detective), mas não serviria de nada sem uma atuação à altura. O ator desempenha um verdadeiro tour de force na pele do típico cowboy texano moderno, que na década de 1980 soma a cocaína ao seu repertório de entorpecentes, mas que sofre as consequências das conquistas de mulheres (às vezes dupla).

Woodroof vive seus dias de forma desregrada e acelerada. Quando o destino intervém, ele se descobre soropositivo e aí sim, será verdadeiramente testado por seu valor. Baseado em fatos reais, Clube de Compras Dallas, assim como outros indicados deste ano, tem uma história rica e digna de ser contada. É apenas a forma como é contada que talvez possa não agradar totalmente os mais minuciosos especialistas. O relativamente inexpressivo cineasta canadense Jean-Marc Vallée (que tem no currículo o satisfatório drama de época A Jovem Rainha Victoria – um dos melhores desempenhos da bela Emily Blunt) dirige a obra quase no automático e deixa para os atores a missão de impulsionar o filme.

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Escrito por Craig Borten e Melissa Wallack (responsável pelos horrendos Bill – filme com Aaron Eckhart e Jessica Alba – e Espelho, Espelho Meu), o roteiro é simples e por vezes cai na pieguice (principalmente nas cenas entre McConaughey e Jennifer Garner), não dando grande espaço para os atores brilharem (como cenas memoráveis e diálogos que entrarão para a história). E este é mais um motivo para tirarmos o chapéu para os atores indicados ao Oscar, que forçam vida e desempenhos fantásticos mesmo sem terem muito em troca.

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Além de McConaughey, Jared Leto se sobressai na pele do transexual Rayon, vindo de berço de ouro e renegado pela família. As escolhas do jovem ator e músico (que não trabalhava em um filme desde 2009) são certeiras, sempre evitando a caricatura e encontrando em diversas cenas o núcleo de humanidade do personagem. Já o desfalque fica por conta da limitada Sra. Ben Affleck. A atriz Jennifer Garner (A Estranha Vida de Timothy Green) bem que tenta, mas suas atuações na maioria se resumem a caretas, giros rápidos de cabeça (talvez trejeitos pegos na fase de TV) e um semblante que parece sempre esconder um sorriso iminente.

Oi?? Filmes no Brasil serão lançados nas quintas-feiras, e não mais nas sextas-feiras

Uma estranha decisão foi anunciada hoje no Facebook oficial da Rio Filme. A partir de 13 de março, os filmes serão lançados no Brasil nas quintas-feiras, e não mais nas sextas-feiras.

Foi uma decisão conjunta entre exibidores e distribuidores.

“Hoje a quinta-feira é agitada, animada em várias cidades do Brasil. Mas o público interessado em filmes não encontra novidade neste dia. Agora, o cinema entra também no cardápio de opções da quinta-feira”, explica Paulo Lui, presidente da Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas (FENEEC)

Vale lembrar que nos EUA e em praticamente todo o resto do mundo, os filmes chegam aos cinemas sempre às sexta-feiras, salvo pré-estreias especiais e feriados.

Os primeiros filmes nacionais a serem lançado numa quinta-feira serão ‘Alemão‘, de José Eduardo Belmonte, e ‘Éden’, de Bruno Safadi, dia 13 de março.

Alemão‘ conta a história da ocupação do morro do Alemão, vista com os olhos de quem participou de dentro. Cinco policiais estão infiltrados na favela, e elaboram o plano de invasão. Mas os traficantes recebem suas fotos e agora a caçada é da polícia em cima dos traficantes e dos traficantes em cima dos infiltrados. Sem contato com a rede de comando, para estes resta apenas um porão de uma pizzaria no morro e poucos mantimentos, que são a ampulheta que corre contra eles. A história de heróis desconhecidos, que contaram um dos maiores episódios da luta contra o tráfico e da violência no Brasil.

Vidas ao Vento

No mundo dos sonhos, tudo é permitido. Na realidade, tudo precisa ser vivido como a sensação gostosa de sentir o vento bater em nosso corpo. Contando a história real de Jiro Horikoshi, um dos maiores designers de avião da história da aviação, o premiado artista japonês Hayao Miyazaki volta aos cinemas brasileiros e promete cativar mais os adultos do que as crianças dessa vez. Seus traços marcantes são vistos a todo instante, deixando um sentimento de tristeza nos cinéfilos, pois, recentemente, Miyazaki anunciou sua precoce aposentadoria do cinema, assim, Vidas ao Vento pode ser o último trabalho desse genial cineasta.

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Em uma época de afirmação militar buscada por todas as grandes potências do planeta, toda a esperança da aviação japonesa se encontra nas mãos do sonhador engenheiro Jirô Horikoshi. O jovem míope sempre sonhou em ser um grande piloto mas por não ter todas as qualidades para tal se forma na universidade entre os primeiros da turma e se torna uma referência como designer de aviões. Quando consegue uma chance para trabalhar em uma grande fábrica, Jirô precisará sonhar cada vez mais para realizar seu feito mais marcante. Ao mesmo tempo, encontra o grande amor que sofre com uma doença maligna.

Hayao Miyazaki fala sobre o sonho em forma de animação e de uma maneira madura. A fórmula acaba se transformando em um filme feito mais para os mais velhos que para todas as idades. Fazendo com que Vidas ao Vento se diferencie de outros projetos desse grande idealizador. Os problemas japoneses de décadas atrás são expostos de maneira delicada. A recessão econômica que atingiu terrivelmente a economia da terra do arroz, as dificuldades com a natureza enfrentadas até hoje por conta de sua localização geográfica, as críticas da população ao governo são alguns dos fatos que ganham destaque na história.

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Em meio a um turbilhão militar que se instaura na trama (o próprio Myiazaki sofreu inúmeras críticas lá fora por conta disso), uma surpreendente e linda história de amor ganha contornos épicos e conquista a simpatia do público pela leveza que adiciona ao filme. Por mais que se estenda um pouco além do necessário, Miyazaki consegue mais uma vez realizar um belíssimo trabalho que conquistará a todos que são fãs de seus filmes e de todo mundo que ama cinema. Que o vento abra suas asas e chegue até você. Bravo!

RoboCop (3)

Mesmo não se aprofundando em críticas sociais, novo RoboCop é um filme original, de trama inteligente e ritmo eletrizante.

Algumas pessoas se enganam a respeito de RoboCop – O Policial do Futuro (1987), de Paul Verhoeven, por ter em mente apenas a figura canastrona do lento ciborgue policial que, seguindo diretrizes organizacionais, ia pras ruas matar bandidos e aplicar violentamente leis impostas. Porém, estas não se atentaram aos principais tópicos que nele são abordados, como ampla crítica social, capitalismo exacerbado e a influência do poder político e judiciário, em meio a todo caos das ruas de Detroit. E que trazia, além do lado indutivo, cenas impactantes, diálogos primorosos e efeitos práticos que permanecem intactos até hoje.

Sabendo disso, fica clara a ligação do cineasta brasileiro, José Padilha, ao clássico de Verhoeven, já que toda sua carreira foi, praticamente, em cima desses temas. Principalmente no petardo Tropa de Elite (2007), que também trazia uma espécie de RoboCop, aqui chamado de Capitão Nascimento. Onde, manipulado pelo sistema, decidiu, através de seu cargo, pôr em prática a justiça com as próprias mãos. Sendo deveras uma boa aposta da Sony, que pretende trazer de volta a franquia que, em outrora, fez tanto sucesso – pegando carona, também, nos filmes de super-heróis, subgênero que é o maior filão da indústria cinematográfica americana.

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E, sim, é louvável como Padilha conduziu este trabalho, criando uma narrativa sóbria, mas chocante, a ponto de nunca parar; parece que algo de importante está sempre acontecendo em tela. Mesmo num filme de estúdio, na sombra do PG-13, o diretor conseguiu introduzir seu habitual estilo documental, com câmeras nervosas, recheadas de planos detalhes, acompanhando, de perto, as cenas ilustradas. Que, pela ótica cominada, tem lá seus momentos crus e impactantes. Assim como o roteiro de Joshua Zetumer é enxuto e certeiro – também possuindo uma tola conclusão –, em que, ajudado pela montagem da dupla Peter McNulty e Daniel Rezende, parece seguir o estilo linear do mestre Jorge Amado, de deixar sempre o leitor ansioso pelo próximo parágrafo – aqui seria a próxima tomada.

Mesmo sem tanto carisma, Joel Kinnaman (The Killing) convence como o policial, pai e marido, Alex Murphy, por conferir um ar natural, e mais ainda como Robocop, pelo seu trabalho corporal, que em nenhum momento soa falso. Mas é em nomes como Gary Oldman (O Espião Que Sabia Demais), Michael Keaton (Batman) e Jackie Earle Haley (Watchmen: O Filme) que se concentram os papéis mais verdadeiros do conto. Todos ambiciosos, que usam a falácia do “bem de todos” para pôr em prática atrocidades – embora que o personagem de Oldman venha se redimir depois.

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Destaco também a presença de Samuel L. Jackson (The Avengers – Os Vingadores), que mais parece o repórter policial José Luiz Datena, por sua constante luta pela barbárie e dos discursos travestidos em apoio a violência radical – provavelmente, mais uma cínica alfinetada de Padilha, assim como havia feito em Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora É Outro, no polêmico Fortunato, vivido por André Mattos.

Alguns aspectos mais técnicos, como a fotografia de Lula Carvalho (À Beira do Caminho), tem função de deixar o clima frígido, através de lentes azuladas, mas ao mesmo tempo limpas, fazendo uma rima pontual com a personalidade de Alex e o robô que se tornou. Ou na trilha sonora assinada por Pedro Bromfman (Mataram Irmã Dorothy), que aparece como auxílio narrativo, apenas para pontuar algumas cenas aludidas. Inserindo, até, em alguns momentos, a passagem mais marcante da composição de Basil Poledouris, do primeiro filme da franquia, que, sim, empolgará os fãs de longa data.

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Não podemos garantir que a investida surtirá efeito no quesito comercial – até mesmo porque sua estreia nos EUA não foi tão agradável –, mas, do ponto de vista artístico, o reboot de RoboCop não faz feio a sua obra de origem e consegue superar todas as terríveis continuações. Pois, ainda que não tenha a mesma proposta fílmica do anterior, possui um ritmo eletrizante, é detentor de uma trama inteligente, que consegue prender a atenção do espectador, do início ao fim, impetrando êxito total no que se refere a entretenimento.

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A Tropa de Elite do Futuro

A onda de refilmagem que assola Hollywood de maneira desenfreada desde a década passada finalmente chegou ao que havia de mais sagrado dentro do cinema mainstream: os clássicos da era de ouro dos blockbusters – os filmes dos anos 1980. O conceito dos blockbusters foi criado em 1975 com Tubarão e dizem respeito a filmes que todos precisavam assistir. Tais filmes arrastavam verdadeiras multidões aos cinemas como nunca anteriormente. Apesar do início em meados dos anos 1970, o conceito só se estabeleceu realmente na década seguinte, os anos 1980.

Nesta época estão contidos alguns dos mais importantes sucessos que ajudaram a definir o que conhecemos de Hollywood. Filmes como De Volta para o Futuro (1985), Os Caça Fantasmas (1984), Rambo (1985), Os Gremlins (1984), E.T. (1982) e tantos outros. Mais pra o final dela, mais precisamente em 1987, chegava um filme como nenhum outro do pacote. Robocop – O Policial do Futuro, escrito por Edward Neumeier e Michael Miner e dirigido pelo holandês Paul Verhoeven, misturava ficção científica com muita ação na hora de contar a história do policial dado como morto, cujo corpo volta a funcionar mesclado com uma máquina.

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O que chamava a atenção, no entanto, era o subtexto político e seu teor de grande sátira social. Tudo somado a uma ultraviolência jamais vista anteriormente e uma narrativa igualmente incomum (que dividia o andamento do filme com comerciais de produtos incríveis). Extremamente irônico, Robocop (1987) atropelou o mundo, que ficou sem saber o que o atingiu e mostrou que o cinema entretenimento casava muito bem com um conteúdo inteligente. Muitos anos mais tarde e o anúncio de que este clássico moderno receberia uma roupagem atual deixou os entusiastas em polvorosa.

As refilmagens já se tornaram um fato comum. As desnecessárias mais ainda. As mal sucedidas então são a maioria. Recentemente, outro filme de Verhoeven, O Vingador do Futuro (1990), ganhou nova versão e morreu na praia. As chances estavam todas contra. O anúncio de que o comandante da obra seria o brasileiro José Padilha (Tropa de Elite 1 e 2) sem dúvidas deixou nosso povo esperançoso e feliz. No entanto, outros cineastas conterrâneos não emplacaram como deveriam na maior indústria do cinema (Heitor Dhalia com 12 Horas e Walter Salles com Água Negra).

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Padilha sem dúvidas é talentoso, mas até aonde iriam suas vontades perante estúdios grandes e poderosos como a Sony e a MGM? Após ter assistido ao produto final é seguro dizer que RoboCop é um produto quase 100% de José Padilha. O diretor insere inclusive um estilo muito próximo de ação do que é visto em Tropa de Elite, em especial na cena aonde Alex Murphy e seu parceiro saem a tiros de um encontro que “azedou” em um restaurante. Enquanto o Robocop original servia como sátira e previsão de para onde estávamos caminhando como sociedade, o novo filme de Padilha funciona mais fincado na realidade e explora a discussão de alguns fatores que em breve serão colocados em pauta.

O principal deles, que serve de mote para a obra é a substituição de soldados humanos em conflitos internacionais pelos chamados drones – robôs altamente tecnológicos. Ao vermos a abertura de RoboCop, somos levados a alguns anos no futuro, aonde a política americana permite o uso das criaturas mecânicas em ações fora do país. Num país do oriente médio, os robôs americanos pacificam conflitos. Tudo é televisionado. Esta é uma das melhores cenas de abertura para um blockbuster recente, que serve para nos imergir instantaneamente na trama e ao mesmo tempo preparar o que está por vir.

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O veterano Michael Keaton (o primeiro Batman do cinema) vive Raymod Sellars, uma espécie de Steve Jobs dos robôs (como define o próprio diretor) e presidente da nova e inescrupulosa OminiCorp, antiga OCP – a empresa maligna que privatiza setores do governo, como a polícia de Detroit no filme original. Sellars é bem delineado como um megaempresário apoiado pelo governo e pela mídia. Os comerciais de muito humor negro do original são substituídos pelo programa de extrema direita, apresentado pelo personagem de Samuel L. Jackson. A sátira existe aqui também e ela recai na Fox News, motivo de chacota nos Estados Unidos.

Outro personagem que ganha destaque é o médico cirurgião e especialista em robótica como substituição de membros e órgãos, Dr. Dennett Norton, papel de Gary Oldman (Conexão Perigosa). O núcleo do personagem de Oldman serve para inserir outro texto ao filme, igualmente embasado na evolução de algo já presente e em andamento em nossa sociedade. Ah sim, temos também a história de um tal de Alex Murphy, o único personagem mantido da versão original, que é também o protagonista. O sueco Joel Kinnaman é o escolhido como a nova face (e mão) do herói. A beldade talentosa Abbie Cornish (Sete Psicopatas e um Shih Tzu) também tem destaque como a esposa do protagonista.

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Apesar de aparentemente possuir tudo contra, RoboCop surpreende e é um filmaço. Talvez não seja tão significativo quanto sua contraparte foi para sua época respectiva, mas é seguro dizer que a nova versão está bem longe de ser um produto hollywoodiano medíocre e voltado apenas para o entretenimento sem uma ideia sequer para salvá-lo. A obra de Padilha possui muitas ideias e diversos elementos dignos de discussão. Todo conteúdo planejado pelo diretor funciona bem e o cineasta tem espaço o suficiente para explorar os assuntos que pontuam a produção.

Além de tudo isso, o novo RoboCop é incrivelmente bem sucedido na forma como apresenta e destaca cada um dos seus inúmeros personagens. Todos tem uma razão. E obviamente, capricha nas cenas de ação e nos efeitos visuais, tudo é claro ajudando a contar a história e não ao contrário. Se para mais nada, o novo RoboCop entrará para a história como o filme mais caro que deu voz e autonomia para um cineasta brasileiro em Hollywood. Violento, político, recheado de ideias e bons personagens. Sim, esse é um filme de José Padilha.

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O que é mais importante do que a segurança do povo? Resgatando com grande genialidade um super-herói esquecido de todos nós cinéfilos, o diretor brasileiro José Padilha surpreende o mundo do cinema no seu novo trabalho Robocop. Criando um remake infinitamente superior ao original do cineasta holandês Paul Verhoeven, Padilha utilizou os U$$ 130 milhoes que teve de orçamento de maneira inteligente focando nos fervorosos embates políticos sobre máquinas como forma de segurança mas sem esquecer as espetaculares cenas de ação que são necessárias nesse tipo de filme. Utilizando toda sua experiência no cinema e utilizando recursos tecnológicos avançados transformam Robocop, sem dúvidas, em um trabalho de primeira linha desse nosso grande diretor.

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Na trama, ambientada em 2028 na cidade de Detroit, conhecemos o incorruptível detetive Alex Murphy (Joel Kinnaman) que diariamente luta contra os criminosos da cidade, além de colegas de corporação extremamente corruptos. Certo dia, após chegar em casa depois de mais um dia cansativo, sofre um atentado na porta de casa ficando em estado grave, à beira da morte. Sua sorte é que a equipe do Dr. Dennett Norton (Gary Oldman) estava procurando exatamente um ex-policial que sofrera algum tipo de acidente para criar um robô de combate ao crime, financiado pelo bilionário Raymond Sellars (Michael Keaton). Alex então vira Robocop, um super policial, sem se esquecer de sua mulher e seu filho. Assim, luta contra o crime e busca sua verdadeira personalidade em meio ao caos político que se instaura em sua cidade.

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Uma importante contextualização no início do filme é uma das grandes sacadas do roteiro para que o público se sinta muito próximo das ações dos personagens. As vezes tratado como fantoche pelo magnata que o constrói, Alex Murphy / RoboCop é muito mais do que uma maquina contra o crime. A sensibilidade, a alma, o coração de Alex é muito bem conduzida pelas lentes certeiras de Padilha. Sentimos e entendemos as reações do personagem como se ele fosse um velho conhecido nosso. A questão da família também se torna importante, fazendo com que o personagem se desconstrua e se construa com brilhantismo.

Um dos motivos que faz esse remake superar o original homônimo é o fato de que sabe como explorar a relação pessoal do ex-detetive de maneira nua e crua, além de dar grande destaque a mídia exibicionista, comandada pelo inspirado Samuel L. Jackson que dá um show sempre que aparece em cena na pele de Pat Novak, sem esquecer em nenhum momento que trata-se de um filme de ação e por isso muitos tiros e cenas espetaculares recheiam inúmeras sequências.

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Um debate interessante sobre a ilusão do livre arbítrio em que o personagem título é exposto vai gerar opiniões diversas entre o público, o que claramente era uma das intenções do filme, jogar o público para dentro dos debates que ocorrem na trama. Assim, com direito a dedilhadas robóticas no violão, a participação especial de Frank Sinatra cantando “Fly me to the Moon” para o restabelecimento de boas memórias e um Samuel L. Jackson inspirado, Robocop crava de vez o nome de José Padilha como um dos grandes diretores de filmes de ação do momento atual do cinema mundial. Orgulho tupiniquim na terra do Tio Sam. Bravo!

12 Anos de Escravidão (2)

Steve McQueen é um dos melhores cineastas da atualidade. No entanto, o inglês, homônimo do falecido ator americano, não é conhecido do ‘grande público’ no Brasil. Seus dois primeiros filmes – Hunger e Shame – foram exibidos em festivais de cinema (Cannes e Veneza, respectivamente) com muito sucesso, e lançaram aos olhos do mundo o ator alemão Michael Fassbender. Com uma história real americana, McQueen vem chamando a atenção do público e da crítica e parece que, finalmente, será reconhecido também em solo tupiniquim. Porque 12 anos de Escravidão (12 years a slave), seu novo filme que estreia nesta sexta, 21, é uma das melhores produções dos últimos tempos.

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Baseado no livro homônimo de Solomon Northup, o longa conta a história do próprio Solomon (interpretado de forma ímpar por Chiwetel Ejiofor, de Coisas Belas e Sujas), violinista negro e alforriado em Saratoga, Estado de Nova York. Em 1841 ele foi sequestrado em Washington e vendido como escravo na Louisiana. Acompanhamos sua saga ao longo de 12 anos, quando passa por alguns senhores de escravo até chegar às mãos do cruel Epps (o sempre brilhante Michael Fassbender, de Shame), que açoita os escravos sem dó nem piedade.

Em sua sangrenta jornada, Solomon tenta esconder que sabe ler e escrever, para que sua formação não lhe custe a própria vida. Ele vê negros morrendo por nada, e tenta compreender o porquê da escravidão. Ainda assim, se mantém aparentemente passivo diante dos constantes abusos físicos que Patsey (a estreante Lupita Nyong’o) sofre de Epps, e a forma como isso vira agressão pelas mãos da esposa do senhor de escravos (Sarah Paulson, de Amor Bandido).

A passividade, porém, é puro instinto de sobrevivência. Não reagir com o corpo é corroer a alma e expressar no olhar. E aí entra a força da interpretação de Chiwetel Ejiofor – desde já uma das mais marcantes da história do cinema. Enquanto no dia-a-dia ele parece aceitar aquela vida injusta, seus olhos dizem outra coisa. O desespero, o pavor e o pedido de socorro que são vistos claramente no olhar de Solomon/ Ejiofor fazem o espectador querer entrar na tela para salvá-lo. Reparem na cena do enterro de um escravo, onde Solomon canta e parece colocar para fora, pela primeira vez, a sua dor, expressa pelas palavras da música, e não apenas pelo olhar.

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No ótimo elenco que tem nomes como Benedict Cumberbatch (Star Trek Além da Escuridão), Paul Giamatti (Tudo pelo Poder), Paul Dano (Os Suspeitos) e (o também produtor do longa) Brad Pitt (Guerra Mundial Z), Michael Fassbender (parceiro de McQueen em todos os seus filmes) mais uma vez mostra porque é um dos melhores atores do mundo, e dá ao público outra atuação visceral e memorável. Já a revelação Lupita Nyong’o aparece o suficiente para garantir seu (merecido) Oscar de coadjuvante – o longa foi indicado em nove categorias, entre elas melhor filme, diretor, ator (Ejiofor) e ator coadjuvante (Fassbender).

Destacam-se também a trilha sonora de Hans Zimmer, a fotografia, o roteiro no ritmo certo e a direção impecável de Steve McQueen.

Muito se fala que 12 anos de Escravidão é um filme violento, uma espécie de Paixão de Cristo (filme de Mel Gibson) dos escravos. Discordo. A produção traz à tona uma história real sobre sequestro de escravos livres, algo que eu – e a maioria da humanidade – sequer imaginava que um dia tivesse acontecido. A violência de fato está lá – e sabemos que isso foi real – e vem num crescente, explodindo na cena em que Epps resolve castigar Patsey, já na parte final do filme. Não há nada de desnecessário ou abusivo nas cenas de sangue e lágrimas: McQueen apenas mostra corajosamente o que de fato aconteceu.

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Perdendo terreno na corrida para o Oscar para Gravidade e Trapaça, é de se espantar que alguém ainda tenha dúvidas de que 12 anos de Escravidão é o filme do ano. O tema é árido, existem cenas difíceis, mas diante de uma humanidade que insiste na discriminação – de negros, mulheres, homossexuais, judeus, idosos – este é o filme mais importante produzido nos últimos anos.

Se você tiver que escolher um filme, um único filme para assistir, veja 12 anos de Escravidão. Você vai ficar emocionalmente abalado, pode até chorar e ficar angustiado, mas ele é necessário para o mundo em que vivemos.

E se eu puder descrevê-lo em uma palavra, digo a vocês que 12 anos de Escravidão é devastador.