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Colegas

(Colegas)

 

Elenco:
Ariel Goldenberg, Rita Pokk, Breno Viola, Lima Duarte, Rui Unas,
Deto Montenegro, Leonardo Miggiorin, Marco Luque, Juliana Didone,
Christiano Cochrane, Alex Sander, Amélia Bittencourt,
MarceloGalvão, Maytê Piragibe, Monaliza Marchi,
Daniele Valente, Nill Marcondes, Pedro Urizzi

Direção:
Marcelo Galvão

Gênero:
Comédia

Duração:
99 min.

Distribuidora:
Europa Filmes

Orçamento:
US$ — milhões

Estreia:
1º de Março de 2013

Sinopse:
Colegas‘ é uma divertida comédia que aborda de forma inocente
e poética coisas simples da vida através do olhar
de três jovens com síndrome de Down apaixonados
por cinema. Um dia, inspirados pelo filme Thelma & Louise,
eles resolvem fugir no Karmann-Ghia do jardineiro (Lima Duarte)
em busca de seus sonhos: Stalone quer ver o mar, Marcio quer
voar e Aninha busca um marido pra se casar. Eles partem do interior
de São Paulo rumo à Buenos Aires. Nessa viagem,
enquanto experimentam o sabor da liberdade, envolvem-se em inúmeras
aventuras e confusões como se a vida não passasse
de uma eterna brincadeira.


Curiosidades:

Jogos Vorazes: Em Chamas (2)

CHAMAS DA VINGANÇA

Jogos Vorazes é a melhor franquia para o cinema baseada numa obra literária infanto-juvenil. A única outra que ficaria à altura é Harry Potter, mas o material criado pela escritora americana Suzanne Collins consegue ser mais urgente, sério e provocador, mesmo disfarçado em um blockbuster pipoca para ser consumido pelos jovens. O segundo exemplar, Em Chamas, não deixa a bola cair. Vejam se essa ideia soa familiar, ou talvez com uma realidade terrivelmente próxima: Um governo totalitário e corrupto usa a TV como forma de anestesiar o povo, que se banha em grande miséria enquanto os poderosos usufruem de um status intocável.

Essa é a ideia central da obra, que ainda exibe diversas outras subcamadas em sua trama, como a personalidade de cada um dos vários personagens bem explorados. Em matéria de ideias latentes, podemos afirmar que essa produção “mirada ao público jovem” (como é definida ainda por muitos simplesmente por preconceito), consegue ter mais o que dizer até mesmo do que a maioria dos filmes de super-heróis, extremamente populares e que se tornaram um subgênero por si só. Jogos Vorazes é o filme com uma super-heroína que grandes empresas (como a Marvel) jamais conseguiram fazer. E essa é justamente outra quebra de barreira da obra, emplacar uma superprodução de conteúdo protagonizada por uma jovem mulher.

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É claro que aqui também é encontrada muita adrenalina, cenas de ação, aventura, momentos tensos, e o típico triângulo amoroso. Mas dá pena de quem só consegue enxergar isso. Ao contrário da maioria do que é visto dentro do cinema de entretenimento de Hollywood, dá prazer anunciar que a franquia Jogos Vorazes continua a ter o que dizer, e a querer ser relevante e pertinente sobre assuntos como política, sociedade, e por que não, entretenimento. Além do material principal, tudo é tão bem feito e detalhado dentro da produção que acreditamos e sentimos cada momento em relação ao que nos é mostrado na tela. Isso é saber contar uma história.

Um exemplo disso é numa cena durante os jogos, quando uma fumaça ácida é solta, que quando entra em contato com a pele humana a desfigura com terríveis queimaduras instantaneamente. O conceito é tão louco e surreal, que o imagino em qualquer filme de super-herói, como Homem-Aranha, ou Superman, sem que déssemos a devida importância. O segredo aqui é que os envolvidos (diretor, produtores, escritores e atores) criam personagens com os quais nos importamos, mortais e falhos. Então quando uma ameaça chega, mesmo que desse nível de surrealismo, sentimos por eles.

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Em Chamas começa com os vencedores do último jogos vorazes, Katniss e Peeta (vividos por Jennifer Lawrence e Josh Hutcherson respectivamente), precisando manter a ilusão de seu romance para as câmeras. Seu relacionamento se dá pela ameaça direta do presidente Snow (Donald Sutherland), já que a figura de Katniss incitou uma onda de protestos e revoltas contra o governo, em variados distritos. Nesse momento sobra alfinetada até mesmo para a vida forjada de celebridades, que imaginamos ser perfeita, como nos é vendida. São realidades que vão desde casamentos para esconder homossexualidade, até mesmo mudanças bruscas de comportamento, ou melhor dizendo, reinvenção de uma personalidade ou marca (afinal será que existe desespero maior do que as das personas de Lady Gaga e Miley Cyrus).

Assim, o governante escuso logo desenvolve uma forma de calar a rebelião. Formular um novo jogo, comemorando seus 75 anos de existência. Uma edição apenas com ex-vencedores, já que os tais (e não apenas Katniss) representam uma nova ameaça. Dessa forma, Peeta e Katniss voltam aos jogos. Junto com eles uma nova gama de personagens, dentre os quais valem ser mencionados o boa praça e exímio guerreiro Finnick (vivido por Sam Claflin, de Branca de Neve e o Caçador); o cerebral Beetee (Jeffrey Wright, de Cassino Royale); e a temperamental Johanna (Jena Malone, de Sucker Punch – Mundo Surreal). E dentre os novos personagens, ganham destaque o novo programador dos jogos, Plutarch (afinal qual filme não se beneficia em ter o grande Philip Seymour Hoffman no elenco), e o violento militar Comandante Thread (Patrick St. Esprit, de Super 8).

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Em Chamas pode ser considerado até mesmo superior ao seu original. Algo como O Império Contra-Ataca, referência a todas as sequências que excedem os primeiros filmes. Tudo é maior, principalmente o desenvolvimento da trama e dos personagens. A violência, e principalmente a crueza de situações também são elevados, sem nunca serem gratuitas. Esse não é um mal de mentirinha, e sim bem real. No quesito das atuações, a vencedora do Oscar Jennifer Lawrence (menina de ouro de Hollywood) também se excede numa atuação consciente e levemente exagerada (o chamado overacting). Nada que tire o impacto do melhor blockbuster do ano, que chega para deixar Homem de Ferro 3, Thor, e todos os heróis e marmanjos no chinelo.  Esse, assim como a trilogia original da saga espacial de George Lucas, é um filme mais sombrio, e se encaixa perfeitamente como um episódio do meio, já que seu desfecho é brusco e inconclusivo.

Tatuagem

Ferino e artístico, Hilton Lacerda surpreende em seu primeiro trabalho como diretor.

Assim como Febre do Rato, de Cláudio Assis, abriu a quarta edição do Janela Internacional de Cinema do Recife, o primeiro longa-metragem dirigido por Hilton LacerdaTatuagem, iniciou o que foi o sexto episódio do festival. Ovacionados por público e crítica, ambos foram escritos pelo próprio Lacerda – roteirista já conceituado, que coleciona em seu currículo títulos como Amarelo MangaBaile PerfumadoÁrido Movie e Baixio das Bestas –, e se estreitam em vários aspectos sociais e artísticos. Ainda que o maior deles seja mesmo a luta pelo amor incondicional, entre os seres, e a arte surgindo como uma espécie de legenda, em relação à circunstância.

Livremente inspirado na setentista companhia teatral anárquica, Vivencial, e no trabalho do teatrólogo argentino, Túlio Carella, radicado em Pernambuco, Tatuagem se passa no Recife de 1978. Trazendo a história do também grupo de teatro escrachado, Chão de Estrelas, que realiza shows debochados, repleto de cenas de nudez e depravação, em plena época de ditadura militar. O bando é liderado pela figura andrógena, Clécio Wanderley (Irandhir Santos), que mantém um relacionamento aberto com a principal estrela da equipe, Paulete (Rodrigo Garcia).

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A vida dessas pessoas começa a mudar quando Paulete recebe a visita de seu cunhado, Arlindo Araújo (Jesuíta Barbosa), conhecido como Fininha, um garoto do interior que presta serviço militar na capital. Maravilhado com aquele universo mágico, Fininha logo é seduzido pelos encantos de Clécio. Iniciando, assim, uma tórrida paixão que desafiará infinitas barreiras daquele tempo, e que, infelizmente, até hoje, existem. É aí que se encontra a grande sacada da obra, onde o diretor pretendia fazer algo atemporal, sobre as perspectivas do futuro e o sucesso do país. Conseguindo não só tal feito, como indo até mais além.

Diferente do que eu havia idealizado, Hilton Lacerda realiza um trabalho bastante distinto de direção cinematográfica, em relação ao estilo do seu sempre parceiro Cláudio Assis – o que não aconteceu com Matheus Nachtergaele, em A Festa da Menina Morta, que soou bem similar. Se nos filmes de Assis, vemos a constante utilização de câmeras de mão, em meio a grandes planos sequências, obtendo um efeito documental semelhante ao Cinema Novo, com Lacerda a notamos mais estática e artística. O emprego de close-ups é bem explorado e a plástica das cenas mais evidente. Algo satisfatório e surpreendente, do ponto de vista estético.

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No entanto, assim como em toda sua carreira, Hilton aborda temas polêmicos e pungentes como sexualidade, religião, política e o poder judiciário. Ferindo, novamente, pela sua linguagem crua, com cenas impactantes que farão muitos se extasiarem, diante do que estão vendo. E, mesmo que muitas dessas tomadas tenham um forte apelo espetaculoso, a tensão que ronda aquele mundo causa sempre uma sensação de cautela. Mas pequenos gestos de amor dos personagens e a beleza de seus pensamentos também nos dão força para que acreditemos na vitória, dessa batalha covarde e opressora. É triste e decepcionante constatar que, mesmo com o passar dos anos, e de todas as barbaridades presenciadas, grande parte da nossa sociedade ainda tem raízes fortes da abusão ali aludida. Por outro lado, a ciência que escolhemos o caminho certo, é deveras reconfortante.

Um dos principais destaques da fita é o seu elenco. Repleto de jovens atores, muito envolvidos com o projeto, somos energizados pela alegria contagiante daquelas figuras. Irandhir Santos (O Som ao Redor), ator que vem fazendo sucessivamente trabalhos impecáveis, é quem comanda a trupe e vive o papel de Clécio. Lacerda confessa que escreveu o personagem com o ator em mente, concebendo-o especificamente para os seus movimentos corporais e a sua voz. Irandhir mostra versatilidade e engendra um estereotipo quase místico, se entregando por inteiro. Mas quem rouba a cena aqui é o estreante Rodrigo García, que dá vida ao revigorante Paulete. É um monstro quando está em tela, e faz os demais parecerem coadjuvantes. E, mesmo que boa parte de sua personalidade seja explosiva e cativante, quando é exigido num viés mais dramático, García surpreende com sua delicadeza e na veracidade obtida. Jesuíta Barbosa também não faz feio e desempenha bem sua função como Fininha.

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Assim, somos, então, envolvidos pela caravana Chão de Estrelas, no maior estilo Dzi Croquettes (grupo que certamente inspirou muitos outros da época, inclusive o próprio Vivencial), e suas apresentações musicais alegóricas. É bom ressaltar que por trás dessa espetacular trilha sonora, está Dj Dolores (Narradores de Javé), que novamente opta em trabalhar com sons diegéticos. Conferindo maior realismo aquela atmosfera. E também da participação do cantor pernambucano Johnny Hooker, que, em dado momento, faz uma apresentação belíssima e tocante, numa canção contemplativa. Você facilmente sairá da sessão cantarolando os temas de Tatuagem. Exatamente como deve ser, já que a obra e suas ideias precisam urgentemente se difundir nessa sociedade careta.

Texto originalmente publicado na cobertura do VI Janela Internacional de Cinema do Recife.

Cine Holliúdy

Halder Gomes acerta uma voadora na pleura, com sua ácida comédia rapadurenha.

Em 2004, o cineasta cearense Halder Gomes destacou-se internacionalmente por realizar o curta-metragem Cine Holliúdy – O Astista Contra o Caba do Mal, visto em 80 festivais de 20 países e vencedor de 42 prêmios. Alavancando sua carreira consideravelmente, teve as portas abertas e foi contratado para dirigir a continuação de terror Cadáveres. O que acabou não sendo algo proveitoso, do ponto de vista artístico, já que Cadáveres 2 foi terrivelmente ruim. Anos depois, Halder volta para sua terra e, em parceria com Glauber Filho, comanda o filme As Mães de Chico Xavier. Este, por sua vez, teve vários problemas de produção, atrasando assim o seu lançamento, sendo também massacrado pela crítica e não obtendo grande repercussão.

Talvez esses tropeços tenham feito Halder olhar para trás e perceber o incrível potencial deste antigo projeto, tão querido pelos que assim puderam conferir e ansiavam ver o conto ganhar maiores proporções. E, claro, tentar resgatar o prestigio, de anos atrás, com a mesma cartada, unindo o útil ao agradável. E, sim, acredito que ele tenha conseguido perpetrar tal objetivo, pois, ao transformar Cine Holliúdy num divertidíssimo longa-metragem, o diretor já alçou voos inimagináveis, e isso, sem precisar sair de casa.

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Estreando em terras cearenses, duas semanas antes do seu lançamento oficial, o filme levou cerca de 200 mil pessoas aos cinemas pra conferir as aventuras de Francisgleydisson e sua constante luta de manter a sétima arte viva nos corações sertanejos. Já que a estória se passa em Pacatuba, interior do Ceará, na década de 70. Pois, com a chegada das tevês, a população começou a se afastar dos cinemas, tornando os estabelecimentos cada vez mais escassos. É aí que o tal Francisgleydisson entra em cena. Mesmo com todos os empecilhos orçamentários, sociais e políticos, o sujeito tenta, a todo custo, manter o Cine Holliúdy de pé. Passando por cima do seu orgulho e utilizando da esperteza nordestina.

Curioso, desde o primeiro momento, por sua cópia nacional ser exibida com legendas em português, já que é o primeiro trabalho audiovisual falado em “cearês” – uma crítica aos sulistas que tendem a gozar o dialeto nordestino –, o filme tenta se infiltrar, ao máximo, na cultura local, com diálogos espertos e facetos, mas que soam expositivos e nada orgânicos. Principalmente por parte da atriz Miriam Freeland – interpretando Maria das Graças, mulher do protagonista – que ainda carrega vestígios de seu sotaque carioca, sabotando a veracidade de sua personagem e o envolvimento com a família. Até mesmo sua bela aparência não ajuda na caracterização. Por outro lado, é certo que Edmilson Filho seja mesmo o grande destaque da fita. Se doando completamente ao seu Francisgleydisson, o ator possui grande carisma e domina em tela. Com um belo trabalho vocal e corporal, algumas cenas são salvas pelo dinamismo e versatilidade do intérprete.

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Entretanto, Halder Gomes acerta por conceber uma narrativa direta e sucinta, que mantém um ritmo eletrizante e não deixa o espectador perder o foco. A fita é recheada de referências a antigos filmes de artes marciais (ou mesmo a clássicos como 2001 e Cinema Paradiso), de terceira categoria, aqui realizados pela própria produção, e que tem a função de transportar não só a imaginação do garoto Francisgleydisson Filho, mas também a da plateia, para aquela época e situação cultural, em que todos ali achavam tratar-se de grandes obras cinematográficas – quando na verdade eram antigas películas perdidas (ou pedaços delas) que eram exibidas sem a menor preocupação de continuidade.

A paixão de Halder por lutas vem de muito tempo atrás, já que, sendo ele mestre e 4° grau em Tae-kwon-do, trabalhou como dublê, em Los Angeles, e aprendeu por lá tudo que precisava para fazer cinema. Mas não é só em aspectos estéticos que Cine Holliúdy tem seus méritos, o roteiro realizado em cima do vocabulário rapadurenho, é digno de ser estudado por profissionais de gramática. Não pela complexidade do tema abordado, mas sim pela rica coleção de (novos) termos que substituem os conhecidos. Já o seu humor é ácido e politicamente incorreto, sem medo de brincar com temas mais polêmicos como xenofobia, homofobia e piadas com deficientes físicos – que naquela sociedade era (é) algo muito recorrente e, por que não dizer, inocente.

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Assumidamente brega, tanto no nome de seus personagens, quanto nos figurinos, à trilha sonora não poderia ser diferente, é composta por cantores da época como Márcio Greyck, Fernando Mendes e Odair José, que marcaram uma geração, e irão fazer os mais antigos voltarem no tempo.

Assim, em meio a tantas comédias ruins que a Globo Filmes e derivados vem produzindo, nos últimos anos, Cine Holliúdy é um alento bastante satisfatório, e se distancia, significativamente, dessa forma novelada que vem nos sendo empurrada goela abaixo. Ainda que possua algumas ressalvas, essa nova empreitada de Halder Gomes funciona quase que totalmente, pois, nos entrega um humor sincero, repleto de conceitos críticos, sendo eles, dentro e fora da arte, e que, acima de tudo, não deixa de ser cinema de boa qualidade e feito com o coração.

Vazio Coração

(Vazio Coração)

 

Elenco:

Murilo Rosa, Othon Bastos, Larissa Maciel, Bete Mendes, Lima Duarte, Oscar Magrini, Patrícia Naves, Malú Moraes, Vantoen Pereira, Lauro Moreira, Lucas Rosa.

Direção: Alberto Araújo

Gênero: Drama

Duração: 90 min.

Distribuidora: Califórnia Filmes

Orçamento: US$ — milhões

Estreia: 22 de Novembro de 2013

Sinopse:

VAZIO CORAÇÃO narra a história de Hugo Kari (Murilo Rosa), um cantor de renome nacional, que faz uma pausa em sua atribulada agenda para se encontrar com pai, o Embaixador Mário Menezes (Othon Bastos), em Araxá onde a família passava férias no passado. Ali, cercados de boas recordações, pai e filho tentam colar os cacos de uma relação despedaçada por desencontros, conflitos de ideais e, sobretudo, por uma tragédia que os marcou para sempre.

Curiosidades:

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Fotos:

Jovem & Bela

(Jeune & Jolie)

 

Elenco:

Carole Franck, Charlotte Rampling, Djedje Apali, Fantin Ravat, Frédéric Pierrot, Géraldine Pailhas, Jeanne Ruff, Johan Leysen, Laurent Delbecque.

Direção: François Ozon

Gênero: Drama

Duração: 95 min.

Distribuidora: Europa Filmes

Orçamento: US$ — milhões

Estreia: 22 de Novembro de 2013

Sinopse:

Isabelle é uma bela jovem de 17 anos que, apesar de confortável condição social e familiar, se torna prostituta. Desprovida de culpa, moral ou traço de melancolia, a adolescente desassocia sexo de emoções, e se utiliza de suas aventuras sexuais para suprir algo que vai muito além do poder e consumação da sedução: o interesse em compreender seu próprio corpo. O longa se divide em capítulos que partem do olhar de quatro voyeurs (irmão, cliente, mãe e padrasto). Cada um se passa em uma estação do ano e tem canções compostas pela francesa Françoise Hardy. Competição de Cannes 2013.

Curiosidades:

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Blood Money – Aborto Legalizado

(Blood Money)

 

Elenco:

Documentário

Direção: David K. Kyle

Gênero: Documentário

Duração: 75 min.

Distribuidora: Europa Filmes

Orçamento: US$ — milhões

Estreia: 15 de Novembro de 2013

Sinopse:

Blood Money – Aborto Legalizado, é o polêmico documentário que disseca com realismo como a indústria do aborto nos Estados Unidos, onde a prática é legalizada há 40 anos, funciona. O filme procura esclarescer e debater o tema, mostrando de que forma as estruturas médicas disputam e tratam as clientes, os métodos aplicados pelas clínicas e o destino do lixo hospitalar, além de tratar dos aspectos científicos, legais e psicológicos relacionados ao assunto, com depoimentos de médicos e outros profissionais da área, de pacientes, cientistas e da ativista política, Alveda C. King, sobrinha do pacifista Martin Luther King, que também apresenta o documentário.

Curiosidades:

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Fotos:

37ª Mostra de Cinema de São Paulo: Cabra Marcado Para Morrer

REAL E COMPLEXO OU SERÁ QUE O COUTINHO IRIA GOSTAR DESTA RESENHA?

Uma das mais justas homenagens desta 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo foi a de Eduardo Coutinho. A retrospectiva completa de sua obra (inclusive trabalhos de ficção) foi um reconhecimento daquele que é, sem sombra de dúvidas, o maior documentarias brasileiro vivo. Costumo ser cauteloso com esses exageros, mas o caso permite. As honras contaram também com debates e lançamento de livro pela Cosac Naify (com um de seus trabalhos gráficos mais interessantes que já fez para o cinema).

Coutinho teve muitas fases em sua carreira. Entre curtas e longas, dirigiu documentários como Edifício Master, Peões e Jogo de Cena. Sua obra-prima continua a ser Cabra Marcado Para Morrer.

Nos anos 1960, Coutinho se envolveu com o Centro Popular de Cultura – CPC da União Nacional dos Estudantes – UNE para realizar filmes com comunidades do interior. Nessas viagens, conheceu a história de João Pedro Teixeira, líder da Liga Camponesa da Paraíba que fora assassinado por latifundiário da região, em 1962. O movimento dos colonos lutava pela desapropriação do Engenho da Galiléia e de Sapé, causa da qual saiu vitorioso.

Ao tomar conhecimento do crime, Coutinho decidiu, no começo de 1964, realizar um filme de ficção contando a história de João Pedro. Se chamaria Cabra Marcado Para Morrer. Os próprios colonos atuaram nas gravações e a esposa de João Pedro, Elizabeth Teixeira, fez seu próprio papel. As gravações foram abortadas em pouco tempo em razão do golpe militar de 1964. Os militares apreenderam o material, restando apenas algumas fotos e alguns minutos de filmagem, alegando tratar-se de material de propagando comunista (divulgaram na época, que a equipe era cubana!…).

Em 1981, Coutinho retoma Cabra Marcado Para Morrer como um documentário.  Em um cruzamento costura entre ficção e realidades, o agora documentarista, procura cada um dos colonos que participaram das filmagens originais. Além de exibir para eles os trechos que se salvaram do filme, Coutinho faz entrevistas procurando entender a importância para eles de atuar em um obra ficcional, suas visões sobre o assassinato de João Pedro, como estão suas vidas hoje e o quanto o contexto político cultural brasileiros no período de 17 anos (1964 a 1981) pesou em suas vidas.

Com um jogo de ficção e realidade, e sua intenção de compreender o destino de cada um daqueles trabalhadores, da família de João Pedro e dos Engenhos de Galiléia e de Sapé, Coutinho conseguiu, com ou sem intenção, criar uma documentário de muitas camadas que, tanto pelo o que expõem quanto pelo o que deixa de fora, consegue transmitir a complexidade da sociedade brasileira do período – além de gerar reflexões sobre o Brasil de hoje.

Falei acima “tanto pelo o que expõem quanto pelo o que deixa de fora” porque Coutinho faz em Cabra Marcado Para… uma clara opção pelo ponto de vista dos colonos (opção bastante natural, considerando o período de ditadura). Em outras palavras, em alguma medida, o filme é uma leitura pela esquerda dos acontecimentos desse período de 17 anos. De forma nenhuma é um defeito do filme. É apenas a perspectiva escolhida pelo diretor. Faço questão de ressalto esse pormenor, primeiro porque muitos têm a ideia de que documentários são retratos realistas da vida. NÃO! Documentários são pontos de vista de uma realidade. Segundo, para dizer que essa escolho em nenhum instante faz o filme cair no proselitismo. Coutinho é muito competente para isso.

Assim, pouco importa sua orientação política ou ideológica, ou seu completo desinteresse por política. Cabra Marcado… detém muitas camadas, permitindo que o espectador descubra uma nuance específica do Brasil do período – e mesmo de hoje. Alguns momentos deixam bem clara essa complexidade.

A maioria dos entrevistados – e o documentário como um todo – é um elogio ao movimento camponês. No entanto, um dos trabalhadores rurais entrevistados fala contra esses movimentos. É um depoimento breve, mas que abre uma fresta permitindo uma, digamos, dialética em seu interior. Seriam os métodos usados por João Pedro os melhores? Será que a grandeza de sua luta compensou sua morte brutal? Para esta pergunta, dois outros elementos são importantes.

Durante o filme, as declarações de Elizabeth Teixeira, esposa de João Pedro, trabalham em dois registros: a defesa da luta no campo (especialmente na parte final) e a tristeza pela distância dos filhos.

A simplicidade com que ela fala sobre a luta no campo é contrastante com os discursos dos líderes dos movimentos sociais de hoje (de MST ao Passe Livre). Nota-se nas palavras de Elizabeth Teixeira uma inocência, uma saudável “despolitização”. Hoje, alguns historiadores levantam a hipótese do governo Jango teria tentado um golpe vermelho no Brasil. Fato ou ficção, o documentário deixa claro que o governo estimulou a sindicalização dos trabalhadores e a formação de grupos como o de João Pedro. A pergunta que pode surgir: será que os anseios de Elizabeth Teixeira, explicitados especialmente no final do filme, eram os mesmos dos dirigentes do Brasil (pré e pós 1964)? Possivelmente, a resposta esteja no próprio filme, quando um de seu filho, já em 1981, fala que nenhum – NENHUM – político no Brasil olhou para os pobres!

Há uma tristeza em Elizabeth Teixeira por ter sido obrigada pela perseguição dos militares a se afastar de muitos de seus filhos. Boa parte do filme é dedicada à busca de Coutinho pelos filhos dela. Ao expor o rumo que cada membro dessa família tomou, o filme acaba chamando atenção para algo profundamente triste e revelador: o quanto os fatos/fardos históricos podem pesar na vida das pessoas, especialmente quando falamos de um Estado que decide tratar seu povo como gado. E não falo apenas dos milicos.

Mesmo sem ser intenção do diretor, é possível ler o documentário, do começo ao fim, como uma narração de como processos históricos impessoais/desumanos e coletivistas podem triturar a vida das pessoas.

Independente de sua filiação ideológica confie, o Cabra… é complexo!

Rápida Vingança

(Faster)

Elenco: Dwayne “The Rock” Johnson, Billy Bob Thornton, Maggie Grace, Carla Gugino, Moon Bloodgood, Oliver Jackson-Cohen.

Direção: George Tillman Jr.

Gênero: Ação/Drama

Duração: 98 min.

Distribuidora: Imagem Filmes

Estreia: Direto em DVD – Julho de 2011

Sinopse:

Rápida Vingança‘ acompanha Driver (‘The Rock’), que passa 10 anos na cadeia após seu irmão ser assassinado em um golpe que eles sofreram durante um assalto, em que participaram. Agora, ele procura vingança contra os ex-companheiros de crime, enquanto tenta descobrir quem matou o irmão.

Curiosidades:

» A Sony Pictures lançaria o filme nos cinemas, mas a Imagem Filmes comprou os direitos.

 

37ª Mostra de Cinema de São Paulo: Lições de Harmonia

LIÇÕES DE UMA TERRA DISTANTE

O franzino Aslan (Timur Aidarbekov) segura uma ovelha e amarra as patas dela. Sua avó lhe traz um punhal, que usa para matar o animal. Em seguida, retira tudo que é útil: a pele, as vísceras, as costelas. Este é umas das sequências iniciais de Lições de Harmonia, filme do Cazaquistão vencedor do Prêmio do Júri – Competição Novos Diretores na categoria melhor filme ficção da 37ª Mostra de São Paulo. Nem todos os seus primeiros minutos são tão indigestos. Seu começo é bastante irregular, sem deixar claro a que veio. Mas, assim como na cena do cordeiro, depois da calmaria, Lições de Harmonia começa a expor suas vísceras.

Apesar de vindo de um lugar, para nós, exótico, típico filme que só assistimos em Mostras, seu enredo é atualíssimo. O bullying que Aslan sofre em sua escola. É um realidade tão próximo da gente, que alguns poderiam até pensar que se trata de uma obra feita sob encomenda para o mercado internacional. Prefiro imaginar que tanto quanto os bons corações, a maldade é artigo comum entre crianças e adolescentes.

Bolat (Aslan Anarbayev), líder da gangue da escola, decide que ninguém deve fala com Aslan. Mirsain (Mukhtar Andrassov), aluno recém-chegado da cidade, ignora o aviso e torna-se amigo de Aslan. Daí em diante, o filme desenha a relação conturbada entre os alunos dessa escola.

Aslan é um garoto muito inteligente e tímido. Ele represa ressentimentos. Paulatinamente, observamos seu lado sádico, como a tortura que impinge a uma barata. Se seus ressentimentos geraram isso ou se lhe é algo natural, o diretor Emir Baigazin dispensa explicações.

Talvez pelo burburinho ao redor do filme, ou porque já o assisti na repescagem, não senti tanto o seu impacto. Quem sabe se tivesse visto antes, ou se revê-lo no futuro, o filme tivesse uma nota melhor. Mas, hoje, aprece não mais do que um bom filme vindo de uma terra distante.

Nota: A Repescagem da 37ª Mostra de Cinema de São Paulo encerrou no último dia 07/11.

Minha Vida Dava um Filme

TUDO PODE DAR CERTO (OU TERRIVELMENTE ERRADO)

Minha Vida Dava um Filme (Girl Most Likely) é uma dessas produções que se acham mais do que são. Com uma trama simples e reciclada, recheada de clichês do gênero, e sem momentos de brilho para dar espaço a seus atores, o filme soa extremamente genérico. Essa é também uma produção altamente esquecível, que desafiará nossas mentes por uma lembrança no mês quem vem. A pergunta que fica é: Por que diabos a distribuidora nacional Paris Filmes achou válido lançá-lo nos cinemas, ao invés de no sistema de home vídeo (sua casa mais apropriada).

Aqui temos a protagonista Imogene, vivida pela talentosa e graciosa Kristen Wiig (emergida do Saturday Night Live), uma das personagens mais angustiantes e menos identificáveis do cinema americano recente. Sabemos que Wiig possui talento, e que foi sucesso em Missão Madrinha de Casamento, mas aqui a comediante não tem muito com o que trabalhar em seu novo papel protagonista. Imogene é um ex-talento promissor na juventude, que deixou sua grande chance escapar e desde então viveu na sombra daquele momento. A personagem lembra o protagonista de Ben Stiller no ótimo O Solteirão (Greenberg), de Noah Baumbach.

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A personagem de Wiig é autora de peças, e quando seu namorado a deixa, surta e simula o suicídio. Personagem adorável, não? Ainda estão acompanhando? O ocorrido faz as autoridades responsáveis a colocaram novamente sob os cuidados de sua mãe extremamente disfuncional e odiosa, papel da grande Annette Bening (outra que desperdiça o talento aqui). É muito difícil nos identificarmos e nos importarmos com essas personagens, quando tudo o que queremos é parar de assistir e fugir para bem longe o mais rápido possível. O que acontece é que imediatamente criamos ligação com as pessoas que deveriam ser as antagonistas aqui, e entendemos o seu ponto de vista, em relação à forma como se comportam e se relacionam com a “heroína” de Wiig.

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Eles são os certos, e ela é a errada. Um desastre de trem em forma de ser humano, o qual todos nós temos em nossas vidas, e que na maioria das vezes está acima da redenção. E não estou execrando todos os filmes com personagens incorretos e odiosos, já que existem grandes obras-primas com personalidades assim. O fato é que tais filmes não tentam redimir seus personagens, e os tratam como são. Minha Vida Dava um Filme, escrito por Michelle Morgan (Middle of Nowhere) e dirigido por Shari Springer Berman e Robert Pulcini (Anti-Herói Americano), quer nos fazer acreditar, através de cenas e momentos indigestos, que todas as pessoas ao redor de Imogene são as erradas, frias e sem coração por a tratarem de tal forma. Quando na verdade, no mundo real, essa personagem de baixa autoestima, e perigosa para si mesma e para outros, é a verdadeira ameaça para a sociedade.

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A proposta é tão falha, que todos os personagens apresentados como alvo de tiração de sarro, como o “agente secreto” de Matt Dillon, são na verdade os mais carismáticos, e pelos quais criamos mais afeto. Já os que estão do lado de Imogene, os “bonzinhos”, são os verdadeiros repelentes, como o personagem de Darren Chriss (da série Glee). Ele é um “bom moço” que não hesita em levar uma garota para o quarto que aluga, numa casa de família, para fazer sexo. E se apresenta numa boy band cover de Backstreet Boys (adorável não é, como alguém deixou escapar esse príncipe encantado). Tudo o que os realizadores tentam aqui dá errado, e se volta contra eles emitindo o efeito oposto. Esse é um exercício cínico e sem alma, que representa tudo o que de pior existe no cinema americano formulaico.  Ainda existe espaço para personagens caricatos, como o irmão que desenvolveu uma concha de molusco em tamanho humano (é claro, por que não?); e o desfecho acontece da forma mais improvável, cartunesca e inacreditável do cinema nos últimos anos.

37ª Mostra de Cinema de São Paulo: Wakolda

HUMANIZAR SEM VITIMIZAR

 

O terceiro filme da argentina Lucía Puenzo possui narrativa ágil e enxuta. Wakolda enfoca o período no qual o médico Josef Mengele (Alex Brendemühl) esteve refugiado na Argentina. Com identidade falsa, ele conseguiu fugir para o Paraguai até morrer em Bertioga, Brasil…

Wakolda (nome de uma boneca) narra a relação de Mengele com a família da pequena Lilith. Filha de mãe alemã e pai argentino, Lilith é a narradora. Por seus olhos inocentes, vemos Megele usando os membros dessa família como cobaias em sua busca pela pureza e perfeição.

Falar de um sujeito que praticou experiências com seres humanos nos campos de concentração é um duplo desafio. Primeiro, para não recair na caricatura. O caminho simples é tratar figuras do naipe de Mengele como um demônio. O outro desafio é não vitimizar uma figura como ele. Em se tratando de nazismo, esse último desafia é mais tranquilo, afinal, não é fácil tornar vítima um grupo que cometeu algumas das maiores atrocidades da história humana.

Assim, Lucía Puenzo consegue criar um Mengele esférico, que realmente parece um ser humano real, com defeitos e qualidades. É possível reconhecê-lo como uma figura verossímil sem esquecermos de seu lado cruel. Ganhamos duplamente com isso. Primeiro, porque nos lembramos da banalidade do mal. A maldade não nasce de monstros, mas de sujeitos normais. A segunda vantagem, lembrar aos cineastas brasileiros de que, para humanizar um criminoso, não é preciso transformá-lo em vítima.

Nota: Nesta quinta, dia 07 de novembro, é o último dia da Repescagem da Mostra de São Paulo.

37ª Mostra de Cinema de São Paulo: A Ternura

UM ROAD MOVIE CHEIO DE TERNURA

Nem só de tragédias vive uma Mostra de Cinema. Se há certo destaque para filmes que exponham o lado cruel da vida (que bom que eles existem), também é possível encontrar obras que falam do lado doce da vida (que bom que eles também existem). A Ternura da francesa Marion Hänsel entra nessa classe. Lise (Marilyne Canto) e Frans (Olivier Gourmet), separados há 15 anos, se veem juntos em uma viagem de carro rumo a outro país para buscar seu filho Jack (Adrien Jolivet), hospitalizado após um acidente de esqui.

O enredo pouco importa. Poderia resumi-lo sem prejudicar o espectador. Ele é uma justificativa para acompanharmos o reencontro desse casal. A força do filme está no registro terno da relação de Lise e Frans. Não se vê nenhuma sequência agressiva. As conversar são temperadas por saudosismos, risos, um certo gosto bom de “você continua o mesmo”. É um casal que já passou da fase de rancor e restou a amizade. Neste road movie bumerangue, não interessa a linha de chegada, nem o porque ele viajam, mas como o casal de comporta nesse reencontro.

O filme não se limita ao casal. Há a relação dos pais com o filho, deste com a namorada, entre outros pequenos acontecimentos que contribuem para expor um lado humano das figuras que surgem na tela. Mas, o essencial está em Lise e Frans, em como as pessoas, mesmo depois de um divórcio, podem manter uma convivência saudável e feliz.

Essa visão positiva, em nenhum momento, significa uma ideia ingênua da vida. Temos uma perspectiva humanista das personagens e esperançosa das relações afetivas.

O filme tem muitas cenas bonitas. Duas se destacam. A abertura que focaliza Jack praticando esqui. A imensidão da neve é de rara beleza, já inserindo o público no clima da película. Na sequência final, Frans se despede de Lise. A câmera corta e vemos ele indo embora, andando em paralelo a uma parede de vidro na qual o rosto de Lise está refletido. Por instante brevíssimo, os rostos de ambos se fundem. Ele entra no carro e vai embora. A câmera corta para Lise, que estampa um sincero sorriso de ternura.

Nota: Nesta quinta, dia 07 de novembro, é o último dia da Repescagem da Mostra de São Paulo.

Smashed – De Volta a Realidade

VÍCIO FRENÉTICO

Talvez você não saiba muito bem quem é Mary Elizabeth Winstead, a bela atriz americana de 28 anos de idade. Pois bem, vamos refrescar a memória. O primeiro papel de destaque da atriz foi como protagonista no terror jovem Premonição 3 (2006), segunda continuação da franquia de sucesso. No ano seguinte, Winstead foi a filha de John McClane (Bruce Willis) em Duro de Matar 4.0 – papel que reprisou no quinto, e detestável, filme da franquia lançado esse ano. Ainda em 2007 trabalhou com ninguém menos do que Quentin Tarantino, em À Prova de Morte. Em 2010 foi Ramona Flowers, no excelente Cult Scott Pilgrim Contra o Mundo. Em 2011 e 2012 vieram bolas fora, em superproduções como O Enigma de Outro Mundo (espécie de refilmagem e pré-sequência do clássico de John Carpenter), e Abraham Lincoln – Caçador de Vampiros, no qual vivia Mary Todd Lincoln.

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Lembrados agora?  O fato é que apesar de todos esses trabalhos, a atriz ainda não havia entregado uma performance forte, que chamasse a atenção. Bem, até Smashed: De Volta a Realidade. Aqui, Winstead desempenha a melhor atuação de sua jovem carreira, impactante o suficiente para receber prêmios. Exibido no Festival do Rio 2012 (além de Sundance e Toronto), o filme chega agora ao mercado de vídeo no Brasil. Essa é uma obra devastadora, e uma das melhores produções americanas do cinema em 2012. No filme a atriz é Kate, uma jovem professora primária casada. Sua vida à primeira vida parece nos eixos. Mas é só olharmos mais de perto para percebermos as graves falhas. Kate e seu marido Charlie, papel de Aaron Paul (da série Breaking Bad), são jovens boêmios que celebram a vida de forma exagerada noite após noite.

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Até o momento que o fato começa a interferir em suas vidas. Kate, por exemplo, passa mal durante uma aula, e precisa mentir uma gravidez para não arriscar o emprego. Antes da bonança vem a tempestade, e a jovem chega a fundo do poço ao aderir ao crack, e passar uma noite na rua, literalmente na sarjeta. Winstead mostra toda a sua abrangência como atriz, em momentos inquietantes, num verdadeiro tour de force. A ajuda primeiramente precisa vir de nós mesmos, e a inteligente personagem percebe que é hora de recomeçar, mesmo sem o apoio do marido ou amigos. Smashed não é um filme fácil, ou de respostas imediatas. É uma obra muito significativa, que atinge e fala diretamente com toda uma geração. Afinal, quem nunca teve ou conheceu pessoas com tais problemas.

O ótimo elenco coadjuvante conta com Octavia Spencer (vencedora do Oscar por Histórias Cruzadas), Megan Mullally (da série Will & Grace), Nick Offerman (Família do Bagulho), Mary Kay Place (O Reencontro), Kyle Gallner (A Hora do Pesadelo), e a bela Mackenzie Davis (Breath In). O roteiro e a direção pertencem a James Ponsoldt, um nome para acompanharmos de perto, já que esse ano o cineasta entregou o elogiadíssimo The Spectacular Now.

Terror na Ilha

DOCE PESADELO

Exibido em festivais de cinema (como Sundance e Londres), Terror na Ilha é o segundo filme dirigido pela atriz, roteirista e cineasta independente Katie AseltonBlack Rock (Rocha Negra, em seu título original) foi igualmente criado pela diretora, com o roteiro desenvolvido por Mark Duplass, diretor e roteirista de filmes como Cyrus (2010) e Jeff e as Armações do Destino (2012), e ator de filmes como A Irmã da Sua Irmã (2012), Sem Segurança Nenhuma (2012) e A Hora Mais Escura (2012). Duplass é também o marido da diretora Aselton, e com ela forma uma dupla de talento do cinema indie americano.

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A trama criada pelo casal apresenta três amigas de infância, agora na casa dos 30 anos, com a missão de passar um fim de semana numa remota e pequena ilha na costa do Maine. O local tem pedigree, já que é onde se passam quase todas as histórias do escritor Stephen King, morador do estado. O primeiro problema é que Sarah, vivida por Kate Bosworth (a Lois Lane de Superman – O Retorno, 2006), força o encontro de Abby (a diretora Aselton) e Lou (Lake Bell, de Jogo de Amor em Las Vegas, 2008), sem que elas saibam. As duas estavam brigadas há anos devido a uma traição de relacionamento. Sarah tenta reaproximar suas duas melhores amigas de forma brusca, e sentimentos intensos voarão pela ilha ao longo do fim de semana na natureza.

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Como se não bastasse, o trio precisa lidar com o aparecimento de três caçadores no local. Para a sorte das mocinhas, um deles é um velho amigo de juventude. Ou será? A situação dá uma guinada para o pior, e logo as três se veem lutando por sobrevivência, nesse verdadeiro teste de força e coragem. Terror na Ilha não exibe nada que já não tenhamos visto antes dezenas de vezes, em filmes melhores, sendo o principal deles Amargo Pesadelo (1972) –  filme que estereotipou para sempre os caipiras. O que chama a atenção é a qualidade da diretora, que utiliza uma ótima trilha sonora e fotografia (principalmente noturna), e a entrega das protagonistas.

Os diálogos naturais, e situações tensas entre as duas ex-amigas, exalam veracidade. A primeira metade de Terror na Ilha consegue criar um clima autêntico, que por pouco não é estragado pela caricatura apresentada pelo elenco masculino. Acreditamos no trio como amigas, porque provavelmente o são, e deixam transparecer em suas atuações. Em determinado momento, Aselton e Bell chegam a ficar nuas na floresta, para não congelarem com roupas molhadas no frio. Mas tudo possui uma razão de ser. O fato citado apenas exibe o comprometimento das artistas com a obra. Lake Bell também se tornou uma diretora independente esse ano, com o elogiado In a World…, sobre o universo dos dubladores. Se o tipo de filme não for a sua praia, saiba pelo menos que a produção possui uma das melhores mortes (ou piores) e mais inusitadas do ano.

As Loucuras de Charlie

SÃO AS ÁGUAS DE MARÇO…

Conhecido por aqui como o filme em que Charlie Sheen canta “Águas de Março” em português, As Loucuras de Charlie teve seu lançamento direto em vídeo no Brasil. O filme marca o primeiro trabalho na direção de Roman Coppola (que também escreveu o roteiro), filho de Francis, e irmão mais velho de Sofia. A obra apresenta uma alucinada viagem pela mente do personagem título, vivido pelo controverso Charlie Sheen. Devemos nos atrever? Essa era realmente a proposta aqui. Visando lucrar em cima da recente surtada de mais um astro de Hollywood, o filme parece planejado para capitalizar o status do astro, um dos mais promissores de sua geração, parte de uma família de artistas, assim como o próprio diretor Coppola.

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Realidade se mescla com ficção ao conhecermos Charlie Swan III, um sujeito mulherengo, rico, bêbado e drogado. Ele perde o grande amor de sua vida, e arrependido tenta de todas as formas reconquistar a bela Ivana (grande chance para a belíssima Katheryn Winnick – de Almas à Venda). É como se Coppola com o aval e ajuda de Sheen, tentasse dar mais uma chance ao querido ator. Já reformado, ele pede perdão. Esse é um filme pequeno, mas com um bom elenco, e muitos talentos envolvidos. Nos EUA, foi lançado nos cinemas de forma restrita, e logo depois distribuído no sistema de vídeo demanda. As Loucuras de Charlie consiste numa série de situações surreais definidas pela tal “olhada na mente” do protagonista. O sujeito refaz os passos para tentar compreender o que deu errado em seu relacionamento, assim ganhamos vislumbres do passado, ao mesmo tempo em que o personagem de Sheen fantasia quase todas as situações mostradas na produção.

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Coppola é um usual colaborador do cineasta Wes Anderson, e com ele escreveu os roteiros de Viagem a Darjeeling Moonrise Kingdom. O diretor de primeira viagem pega para si alguns traços do amigo Anderson, para criar personagens estranhos e situações bizarras. As Loucuras de Charlie foi produzido pela A24, empresa recém formada que vem financiando bons projetos independentes americanos. Iniciada esse ano, a produtora lançou Spring Breakers – Garotas Perigosas (de Harmony Korine), Bling Ring – A Gangue de Hollywood (de Sofia Coppola), Ginger & Rosa (de Sally Potter), e o elogiado The Spectacular Now (de James Ponsoldt). Ano que vem a A24 já tem agendado os lançamentos de Under the Skin (de Jonathan Glazer, com Scarlett Johansson), The Rover (de David Michod, com Guy Pearce e Robert Pattinson), Enemy (de Denis Villeneuve, com Jake Gyllenhaal, Mélanie Laurent e Sarah Gadon), e Locke (de Steven Knight, com Tom Hardy).

As Loucuras de Charlie é um grande filme entorpecente, onde nada faz muito sentido, mas sentimentos são expostos de forma honesta. É bom ver o ator de volta ao jogo. Aqui, ele tem o apoio de Bill Murray, que interpreta seu contador e amigo, além de Patricia Arquette (sua irmã), Jason Schwartzman (primo do diretor, que interpreta seu melhor amigo), e das jovens talentosas e promissoras Mary Elizabeth Winstead e Aubrey Plaza.

A Batalha do Ano

(Battle of the Year: The Dream Team)

 

Elenco:

Josh Holloway, Laz Alonso, Josh Peck, Caity Lotz, Chris Brown, Ivan ‘Flipz’ Velez, Jon ‘Do Knock’ Cruz, Anis Cheurfa, Jesse ‘Casper’ Brown.

Direção: Benson Lee

Gênero: Musical

Duração: 110 min.

Distribuidora: Sony Pictures

Orçamento: US$ 20 milhões

Estreia: 21 de Março de 2014

Sinopse:

O filme segue a história de uma equipe americana de breakdancing, ou “”B-boy””, formada por jovens com problemas sociais e familiares. Eles são liderados por um treinador rígido, que os leva à França para participarem da competição Battle of the Year, na qual equipes de 18 países lutam pelo título de campeões mundiais.

Curiosidades:

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Trailer:

Cartazes:

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Fotos:

Pequenos Espiões 4

(Spy Kids 4: All the Time in the World)

 

Elenco:

Jessica Alba, Alexa Vega, Daryl Sabara, Joel McHale, Rowan Blanchard, Mason Cook, Jeremy Piven, Danny Trejo, Belle Solorzano, Genny Solorzano, Ricky Gervais.

Direção: Robert Rodriguez

Gênero: Ação/Aventura

Duração: 115 min.

Distribuidora: Imagem Filmes

Estreia: 16 de Março de 2012

Sinopse:

Em ‘Pequenos Espiões 4‘, os irmãos Rebecca e Cecil descobrem que a sua madrasta Marissa (Jessica Alba), é na verdade, uma agente super secreta! Que está em uma missão para derrotar “Time Keeper” (tradução que ficará no roteiro). Diante de uma missão tão incrível como esta, estes dois irmãos contarão com as armas mais fantásticas do mundo! Jatos supersônicos, luvas mega poderosas e até um cão-robô! E você não fica de fora desta aventura! A sua missão aqui é acomode-se na poltrona e embarque nesta fantástica viagem. Com participação especial de Antonio Banderas.

Curiosidades:
» A Imagem Filmes não lançar ‘Pequenos Espiões 4‘ em 4D nos cinemas brasileiros. Nos EUA, a exibição nos cinemas incluiu o cartões de cheiro, para serem raspados em momentos-chave da história. Chamado de “aromascope”, o artifício consiste em papeizinhos com oito odores, como lavanda, com números correspondentes a cenas específicas do filme. A empresa chegou a negociar para trazer a novidade ao Brasil, mas um acordo não foi fechado. O lançamento acontecerá em 2D e 3D.

» Inicialmente intítulado ‘Spy Kids 4: Armageddon‘.

37ª Mostra de Cinema de São Paulo: Miss Violence

O SOCO ESCONDIDO DEBAIXO DA IMAGEM

 

Miss Violence é um filme intrigante e brutal. Uma brutalidade escondida debaixo de uma imagem sofrida. No filme do diretor grego Alexandros Avranas, debaixo da imagem, um soco nos aguarda!

A narrativa começa com o suicídio de Angeliki. Em seu aniversário de 11 anos, ela pula da sacada, após olhar para a plateia com um sorriso! O que afinal teria levado uma menina tão jovem a cometer suicídio de maneira tão convicta e feliz?! Dos 98 minutos de projeção, essas perguntas ficam no ar por cerca de uma hora.

Além da Angeliki, há Eleni, sua mãe. Ela tem mais dois filhos pequenos (que não conheceram os pais) e está grávida. Na casa também vivem sua irmã mais nova, seu pai e sua mãe. Durante a primeira hora do filme, o pai surge como uma figura resignada com o suicídio, que batalha para retirar a família da depressão e impedir que o serviço social descubra a gravidez da filha Eleni, pois diante dos fatos ela poderia perder a guarda do bebê.

A estética adotada transmite a devastação espiritual dessa família. A câmera fixa, com raríssimos movimentos, é posicionada na altura dos olhos de uma pessoa sentada no sofá. Aparentemente, essa câmera seria a tradução visual do impacto do suicídio de Angeliki. Acontece que desde antes do suicídio, esse esquema já está presente.

SPOILERS A SEGUIR!!!

A parte final do filme explica os reais motivos da devastação dessa família e do suicídio. Uma sequência envolvendo Eleni, seu pai e um amigo fornece indícios dos segredos dessa família. Pela cena, o pai cafetinou a filha. Ficamos em dúvida da motivação. Como o pai foi demitido, imaginamos que a transação poderia ter sido movida pelas circunstâncias.

Pouco depois, vemos o pai buscando sua filha mais nova (a irmã de Eleni) na escola. Eles param em uma rua deserta e ela muda para o banco detrás do carro. Na cena seguinte, ela esta sendo violentada sexualmente por um homem; em seguida, por outro homem. Depois, aparece o pai que, ante dela se vestir, transa com ela. Em seguida, o pai recebe o pagamento pelo programa. Detalhe: a filha não tem mais do que uns 13 ou 14 anos! A irmã teria contado para Angeliki o segredo da família, motivando o suicídio. Há detalhes mais escabrosos, mas deixo para quem quiser conferir. Logo, a câmera baixa representa a depressão que esse pai causa na família.

Além da abordagem corajosa, o filme tem o mérito de provocar o espectador. Por boa parte da projeção, o pai é visto como porto seguro da família. Mas, um mal-estar difuso permanece no ar. Quando os segredos são revelados, toda a imagem que temos das personagens é alterada. Como se retirado um véu, enxergamos a verdade.

Próxima exibição: oficialmente, a Mostra de Cinema de São Paulo já encerrou. Contudo, do dia 01/11 ao dia 07/11, ocorreu a Repescagem. Alguns dos filmes com maior destaque são reexibidos em algumas salas selecionadas. Vocês podem conferir a programação da repescagem no site da Mostra de São Paulo. Miss Violence será reexibido no dia 07 de novembro, às 20:00 h na sala BNDES da Cinemateca.

37ª Mostra de Cinema de São Paulo: Peixe e Gato

IRANIANO DISPENSA A SALA DE EDIÇÃO

Mostra de cinema é algo curioso. Ia eu assistir ao 3x3D, conjunto de curtas-metragens que diretores como Peter Greeneway e Jean-Luc Godard discutem. Aí começa a conversa na fila e alguém sugere o filme Peixe e Gato. O filme seria um genial plano-sequência (sem cortes) misturando presente, passado, flashbacks, etc. A figura nem quis dizer muito para não estragar as surpresas. Como ainda tem mais uma exibição do 3x3D (e segundo informações que tive, entrará em cartaz no Cinesesc de São Paulo) e era a última exibição de Peixe e Gato lá fui vê-lo.

Dirigido pelo iraniano Shahram Mokri, o filme é um longo plano sequência de 134 minutos. Realmente não há cortes. A câmera só desliga no final do filme. Nesse tempo, acompanha dois grupos: um de jovens que vão participar de um campeonato de pipas e outro de três senhores donos de um restaurante (pelo que pude compreender, eles serviam carne humana por lá).

Visto apenas na técnica, o filme realmente é um feito! A direção consegue coordenar os diversos atores para que entrem em cena sem tirar a organicidade do movimento da câmera. É até bastante eficiente a passagem de um grupo de atores para outros. Existe mesmo momentos bonitos, como a representação de um déjà vu efetuado com um giro que a câmera dá em seu próprio eixo. Realmente, muito bonito! Contudo, fica a questão, esse maneirismo vai além disso? O plano-sequência torna-se algo essencial para a mensagem do filme?

A quebra das regras artísticas tem duas motivações: o simples desejo de quebrar uma regra ou porque ela é necessária para contar a história e passar certas sensações. Como as vanguardas do século XX cuidaram de quebrar as regras para mostrar que a essência da arte é a liberdade, hoje, a quebra pela quebra perdeu força. Ainda temos casos muito interessantes (como a abertura de Gravidade, em cartaz), mas, o que mais encanta é quando a fuga de um modelo serve para a narrativa, quando percebemos que, sem essa subversão, não acessaríamos centro da narrativa. Será que Peixe e Gato é um caso assim?

Sinceramente, não consegui perceber esse vínculo entre forma e conteúdo. Depois de quase uma hora e meia, é perceptível a função do plano-sequência, dispensar a sala de edição! Isso mesmo. Shahram Mokri monta o filme na tela. Nos primeiro minutos, há uma narrativa linear. Depois de certo momento, o filme torna-se circular, passando mais de uma vez pela mesma cena. Como em um déjà vu primeiro acompanhamos um par de atores, depois, voltamos ao ponto inicial para ver outro par de atores.

É realmente muito curioso. Mas, depois que descobrimos o jogo, o filme de esvazia. Não há uma história interessante, as personagens são vagas demais, não se compreende a ligação entre elas. Enfim, é uma historia vazia em uma embalagem sofisticada. A única função do plano-sequência é esconder um roteiro ruim (se é que foi feito um roteiro formal).

O iraniano deixou duas reflexões interessantes: quais os limites do uso do plano-sequência? No caso do iraniano, não colheu bons resultados. Segundo, depois das vanguardas do início do século passado, a forma pela forma não tem mais o mesmo impacto; a quebra da forma, se bem integrada à narrativa, é deliciosa!