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Crítica 2 | Guerra Mundial Z

BRAD PITT VIAJA PELO MUNDO NO 007 DOS FILMES DE ZUMBIS

Guerra Mundial Z, superprodução estrelada pelo astro Brad Pitt, serve de claro exemplo do papel negativo e positivo da atual imprensa especializada em cinema. A parte negativa diz respeito as inúmeras notícias dadas ao longo da produção da obra: Informações que revelavam as diferenças entre o filme e o livro no qual é baseado, do escritor Max Brooks (filho do icônico humorista e diretor Mel Brooks), problemas, refilmagens (o final precisou ser refeito), e todo tipo de novidade que traziam para Guerra Mundial Z uma má fama.

O tipo de coisa digna de verdadeiras “bombas”. Tais informações podem ter jogado em muita gente um balde de água fria. Por outro lado, os críticos trataram de fazer seu papel e impulsionaram o filme junto ao público, uma vez que avaliaram a obra de maneira positiva. Foi surpresa para a maioria que esperava uma produção bagunçada, concluir que Guerra Mundial Z é um blockbuster caprichado e eficiente. Embora baseado no citado livro de Brooks, o filme realmente só pega a ideia central de uma epidemia zumbi e seu título.

‘Guerra Mundial Z 2’ ainda pode acontecer? Atriz está ESPERANÇOSA com sequência!

Na obra literária eram reveladas experiências pessoais de diversas pessoas ao redor do mundo, em relação a pandemia. No filme, seguimos apenas os passos de Gerry Lane (Brad Pitt), um ex-funcionário das Nações Unidas. Na primeira cena, vemos o protagonista ao lado da família – a esposa (Mireille Enos, de Caça aos Gângsteres) e as duas filhas pequenas, e entendemos que o sujeito abandonou o trabalho que exigia dele muito tempo afastado do lar.

E logo de início também, de forma não anunciada, presenciamos o ataque fulminante no meio da cidade – cena mostrada nos trailers. Sem maiores explicações pessoas atacam outras e o caos se instala. O roteiro da obra é estruturado em três etapas. Na primeira, Pitt foge ao lado da família, enfrentando eventos inexplicáveis e surreais. É o desespero inicial, a reação às ações assustadoras. Pessoas lutam nos mercados em busca de suprimentos e tentam refugiar-se em locais seguros, como prédios.

Esse primeiro momento exibe traços de Guerra dos Mundos, de Spielberg, e Extermínio, de Danny Boyle. Na segunda etapa, Pitt deixa a família em segurança num grande porta aviões no meio do mar, e parte com uma equipe de militares a fim de localizar o paciente zero, a fonte da epidemia. É aí que as viagens do personagem pelo mundo começam; ele parte para a Ásia e depois para o Oriente Médio.

Recebe dicas do personagem de David Morse, que apresenta a teoria da remoção dos dentes como solução, e Matthew Fox (o Jack de Lost) tem uma aparição no estilo piscou perdeu. Esse trecho exibe contornos de blockbuster, uma espécie de 007 zumbi, com grandes cenas de ação elaboradas – perseguições, quedas de helicópteros e o já famoso montinho de zumbis, que se deslocam como uma corrente de água.

O diretor da obra é Marc Forster, um cineasta artístico (A Última CeiaMais Estranho que a Ficção) com a propriedade de comandante de superproduções (007 – Quantum of Solace). E é nesse momento que Forster pode exibir sua veia para a megalomania. É aqui também que conhecemos uma das melhores coisas do filme, a israelense Daniella Kertesz, que vive a militar Segen, uma personagem importante e marcante para a trama.

Por fim, o terceiro ato é onde os envolvidos realmente homenageiam o cinema original de zumbis, com os personagens enclausurados num laboratório, recheado de mortos-vivos, em busca da possível cura. Esse é o trecho minimalista onde o suspense impera. Guerra Mundial Z é um dos mais realísticos filmes a abordar o tema fantástico dos zumbis. Uma obra urgente e acelerada, que lida com um grande problema de forma inteligente.

Guerra Mundial Z

EM NOVA AVENTURA ZUMBI, BRAD PITT TENTA SALVAR NÃO SÓ O MUNDO, COMO O PRÓPRIO FILME.

Baseado no sucesso literário World War Z: An Oral History of the Zombie War, do escritor norte-americano Max Brooks, Guerra Mundial Z pega carona na onda do momento: os zumbis. A atual figura mais badalada da cultura pop mundial, vem atingindo, cada vez mais, várias mídias e ganhando novas roupagens, pelas mãos de diversos autores. Desde que Zack Snyder lançou, em 2004, o seu ótimo remake de Madrugada dos Mortos, novas obras não pararam de surgir. Tanto no cinema e TV, como nos livros e HQ’s. O próprio Brooks já havia lançando, anteriormente, O Guia de Sobrevivência a Zumbis, que misturava terror e humor.

Mas foi com World War Z, que a Paramount viu um real potencial dramático, e resolveu investir alto na franquia – valor esse que a empresa não quis divulgar, mas cogitasse que o contrato foi de seis dígitos. Contudo, depois de vários problemas em sua produção, como mudanças no roteiro, regravações de cenas e dificuldades no acabamento visual, o filme é lançado, com mais de seis meses de atraso, apostando em levar muitos fãs do gênero para as salas de cinema. E, provavelmente, irá conseguir, não só pelo seu apelo contemporâneo, como também por outros fatores externos.

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O maior deles, sem duvida, é a presença de Brad Pitt (O Homem da Máfia), como protagonista. Pitt não só atuou, como foi fundamental para que o longa pudesse, enfim, sair do papel. Alocando, até, sua própria produtora e fazendo visitas, através de uma campanha de marketing mundial, com sua imagem. Certamente o sujeito acredita bastante no projeto, e creio que ele seja, realmente, o destaque daqui.

Dirigido por Marc Foster (007 – Quantum of Solace), cineasta de carreira bastante irregular, e roteirizado pelo trio Matthew Michael CarnahanDrew Goddard e Damon Lindelof, que pegaram o argumento inicial de J. Michael Straczynski, e o próprio Carnahan, o filme traz a estória Gerry Lane (Pitt), um funcionário da ONU, que, em troca de proteção para sua família, viaja o mundo todo, ao lado do exercito americano, para de alguma forma, através de sua influência, conseguir um jeito de vencer a pandemia zumbi, que se alastrou pela terra, destruindo completamente os governos e dizimando boa parte da população.

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É, justamente, em cima do drama vivido pelo seu protagonista, Gerry Lane, que a fita se sustenta. E também pela grande presença de Pitt, que carrega toda obra nas costas. Dominando em tela, e emprestando seu carisma e versatilidade para as diversas situações do conto – em momentos tristes e emocionantes com sua família, e em tomadas recheadas de ação e suspense, em relação à aventura zumbi. Porém, no quesito de aprofundar os personagens, o filme para por aí. Todas as pessoas adicionadas (jogadas) na estória são, em seguida, descartadas da forma mais tola possível. E, como o processo de identificação não é criado, o sentimento de perda não advém. Até mesmo a esposa e as filhas de Lane, poderiam ser mais exploradas, mesmo sabendo que Foster gastou todo seu primeiro ato, com ambos.

Logo de início, o diretor constrói bem sua trama, através do drama familiar e os acontecimentos na cidade, e faz com que o espectador tome interesse pela estória e fique curioso em saber o está sucedendo. Com câmeras nervosas, em meio a várias cenas de perseguições e lutas, pela sobrevivência, Foster impetra um excelente começo. E, a partir daí, usando uma narrativa muito semelhante a um jogo de vídeo game, por fazer com que o protagonista realize inúmeras missões, o filme mantém um bom ritmo, até o fim do segundo ato. Onde, perceptivelmente, existe uma grande barriga, que deixa tudo morno e sonolento. Somente, em sua conclusão final, no laboratório, acordamos novamente e continuamos a luta, ao lado de Gerry, na busca pela possível cura – esta, muito curiosa, por sinal.

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Sobre alguns aspectos técnicos, diria que gostei da fotografia de Ben Seresin (Incontrolável), por imprimir uma aparência extremamente áspera e seca, dando um aspecto sem vida aquele mundo. Como se todas as esperanças da humanidade houvessem se esvaído. Também destacaria a direção de arte que, dispondo de apenas algumas locações, conseguiu fazer, através de pequenos detalhes, com que a plateia viajasse por vários países. Já a trilha sonora de Marco Beltrami (Duro de Matar: Um Bom Dia para Morrer) entra e sai despercebia. Servindo apenas para pontuar as cenas de ação e suspense.

Por fim, vejo que esse novo trabalho de Marc Foster não é de tudo ruim. Apesar de possuir alguns problemas, em seus seguimentos, e de ser prejudicado pela sua classificação indicativa – sim, é um filme de zumbi que quase não tem sangue e violência -, o mesmo se foca no ponto da sobrevivência humana e no drama da sua principal figura dramática, vivida por Brad Pitt, que jaz ótimo nesse papel. Está longe de ser algo enfadonho, e explora, mesmo que superficialmente, elementos interessantes que outros contos do gênero não abordam: como o envolvimento político mundial, em meio a todo caos apolítico dos comedores de cérebros.

OBS: Sobre o 3D, o mesmo não tem grande função narrativa, e é muito mal realizado, podendo ser devidamente descartado. Mas, se você se diverte com objetos saltando na sua cara e alguns sustos, poderá curti a proposta aqui apresentada.

O Lugar Onde Tudo Termina

TRÊS HISTÓRIAS ENVOLVENDO A SAGA DE DUAS FAMÍLIAS

O Lugar Onde Tudo Termina marca a reunião do diretor Derek Cianfrance com o talentoso ator Ryan Gosling, dupla do sucesso de crítica Namorados para Sempre. Assim como no filme sobre a morte de um relacionamento de anos, o novo trabalho da dupla é uma obra recheada de fortes sentimentos, que em sua maioria condizem com a tristeza e melancolia. O cineasta se especializou em criar personagens problemáticos e errantes, mas ao mesmo tempo assustadoramente reais e próximos a nós.

O roteiro criado pelo próprio diretor, em parceria com Ben Coccio e Darius Marder, cria uma trama que exige uma produção maior. Essa é uma saga épica envolvendo diversas vidas, em três histórias, ao longo dos 140 minutos de projeção. A estrutura de roteiro criada pelo diretor é em etapas. A primeira nos apresenta o vagante Luke (papel de Ryan Gosling), um sujeito tatuado da cabeça aos pés, que atualmente ganha a vida como motoqueiro no Globo da Morte de um parque de diversões.

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A vida do desapegado protagonista muda quando ele se descobre pai de um bebê, de uma relação de uma noite apenas. Romina (papel de Eva Mendes, a namorada do ator na vida real) está em outro relacionamento, mas Luke pretende lutar para manter sua família unida, tentando criar o que nunca teve. O desnorteado personagem começa então a realizar assaltos a bancos, fazendo uso de suas habilidades com a moto, a fim de sustentar sua recém-descoberta família.

Depois, somos apresentados à Avery (papel de Bradley Cooper, em cartaz com Se Beber, Não Case – Parte 3), o policial que persegue Luke durante um de seus assaltos. Num confronto, o homem da lei sai ferido, mas logo é considerado um herói local por ter participado de tamanha ação no início de carreira. O roteiro de Cianfrance passa a acompanhar Avery agora, mas sem abandonar o universo desse pequeno local arbóreo localizado nos arredores de Nova York.

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O policial precisa lidar com a corrupção dentro de seu distrito, encabeçada pelo personagem de Ray Liotta (um especialista nesse tipo de personagem). E por fim, avançando 15 anos no futuro, vemos o relacionamento de amizade e desafeto entre os filhos dos personagens de Gosling e Cooper, interpretados por Dane DeHaan (de Poder Sem Limites) e Emory Cohen (do seriado Smash). O Lugar Onde Tudo Termina possui uma trama relativamente simples, mas bem delineada.

É o tipo de cinema autoral raro nos Estados Unidos atualmente, no qual um diretor tem total liberdade para contar uma história de seu jeito. Aqui o que conta são as situações, os personagens e seu desenvolvimento. As cenas representam trechos da realidade. Essas são pessoas, seres humanos que conhecemos em cada esquina, e não personagens num filme. Os relacionamentos mostrados soam genuínos, e criam grande impacto.

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Luke, por exemplo, é um sujeito tentando fazer as coisas certas, que sem saber como, acaba enveredando por lugares muito sombrios. Os atores dão conta do recado, em especial Bradley Cooper, que vem se tornando um verdadeiro rouba cenas (tanto aqui, quanto em O Lado Bom da Vida). Sua cena durante uma sessão com a psicóloga do departamento, na qual chegam a conclusão do motivo de seu atual desinteresse no filho recém-nascido é emocionante, e Cooper diz tudo somente com as expressões de seu rosto, sinal de um grande ator.

Gosling, começa a se prender e a se repetir no mesmo tipo de personagem: o sujeito monossilábico, e aparentemente pacífico, mas que esconde no interior a feracidade de um animal enjaulado. O ator repete o repertório aqui mais uma vez. Talvez precise se desprender da aura de “sou cool” que leva consigo em todos os seus papéis recentes. Tirando o fato de que nenhum dos personagens envelhece com a passagem de tempo (apenas Eva Mendes, fazendo uso de uma maquiagem ruim), O Lugar Onde Tudo Termina é um drama satisfatório, que consegue igualmente emplacar ação e suspense.

Universidade Monstros

A VINGANÇA DOS NERDS MONSTRUOSOS


Universidade Monstros é a nova aposta da Disney/Pixar para arrastar uma verdadeira legião de pequenos (e seus pais) aos cinemas. Nascida como produtora de curtas, a Pixar surgiu com a parceira da Disney em meados da década de 1990, e na seguinte já era um nome a ser reconhecido. Uma forte casa de ideias, a companhia desenvolveu ao longo dos anos não apenas produtos mirados apenas as crianças, mas muitas vezes até com mais relevância para os adultos.

Ao longo dos anos recebemos obras da qualidade de Procurando NemoRatatouilleOs Incríveis e principalmente Wall-E. Quantos estúdios especializados em animações podem se gabar de terem incluídos ano após ano na lista dos melhores de críticos e especialistas produções suas. O Oscar então, barbada, desde que a companhia apareceu levou diversos prêmios.

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E não só isso, ajudou a criar uma nova categoria no evento (sendo o primeiro filme animado a levar um Oscar) e a redefinir a forma das animações tradicionais para as realizadas tridimensionalmente através de computadores. Com um histórico desses imaginaríamos que a Pixar não tem como errar. Bem, quase nunca. Como dito, muitas produções do estúdio tem grande apelo aos adultos, mas nem todas.

Algumas, como Carros, por exemplo, parecem ser feitas exclusivamente para os pequeninos, ou para vender produtos para eles pelo menos. Com a Disney botando as asinhas de fora, e criando animações por conta própria sem o selo da Pixar, o estúdio precisa se empenhar para manter a liderança. Inicialmente quando a Disney solo entregava filmes como O Galinho Chicken Little e A Família do Futuro isso não era problema.

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Acontece que agora ela faz coisas do nível de Enrolados e Detona Ralph. E como a Pixar contra-ataca… bem, apostando no seguro. Há quatro anos sem lançar um produto realmente original, a companhia entra na nova década apenas continuando aventuras pré-estabelecidas. Tá certo que com Toy Story 3 o estúdio entregou uma obra-prima e o melhor filme da trilogia, e que Valente até tinha uma história original (embora reciclada de Irmão Urso em sua segunda metade).

Mas o fato é que suas últimas produções (sem contar o terceiro Toy Story) não tiveram o mesmo impacto de filmes rascunhados do zero como Wall-ERatatouille e Os Incríveis. Mais uma vez isso acontece com Universidade Monstros, espécie de pré-sequência (conceito bem atual) de um sucesso moderado da casa, Monstros.

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Voltamos no tempo para pegar os protagonistas Sullivan (voz de John Goodman), e Mike (voz de Billy Crystal) na época da juventude ingressando na universidade do título. O sonhador Mike esperava o dia em que poderia de fato se tornar um “assustador”, coisa que aguarda desde a infância. Esse dia chega cada vez mais perto, quando ele entra na faculdade para se formar e seguir tal carreira.

Aqui vemos como os dois se conheceram e mais uma vez suas personalidades divergentes entram em jogo. Mike faz o tipo nerd, empenhado nos estudos, para ele a universidade é a chance de um bom emprego e de conquistar tudo o que sempre sonhou. Já Sully é descolado, se enturma fácil, e para ele as coisas parecem vir naturalmente. Sem dúvida ajuda o fato de seu pai ter sido uma lenda no campus.

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De fato, a estrutura do roteiro de Universidade Monstros lembra muito todos os filmes juvenis que representam tal época. Datando de Animal House – Clube dos Cafajestes, nos longínquos 1978, até o recente Finalmente 18!, aqui temos as básicas confusões e situações esperadas numa comédia universitária. Festas e competições fazem muita graça, mas o assunto principal aqui é amizade e aceitação.

O filme com o qual mais se assemelha, no entanto, é A Vingança dos Nerds, comédia icônica da década de 1980, onde um grupo de renegados lutava para ser aceito no campus, criando sua própria casa de fraternidade. O roteiro é o mesmo mas isso não quer dizer que as situações cômicas ou emotivas sejam diminuídas.  Com Universidade Monstros a Pixar entrega, apesar de se repetir, uma novidade: seu primeiro filme adolescente.

A Memória que me Contam

A ARTE IMITA A VIDA OU A VIDA IMITA A ARTE?

A Memória que Me Contam é uma das mais interessantes produções nacionais de 2013. Escrito por Tatiana Salem Levy e Lúcia Murat, e dirigido por Murat (Quase Dois Irmãos), o filme aborda um tema que ainda existe como grande ferida dentro do coração brasileiro, os resquícios da ditadura militar. Inconscientemente traçando um grande paralelo com a realidade extremamente atual de nosso país, a obra de Murat traz como protagonistas um grupo de veteranos militantes da árdua época da grande censura brasileira.

Hoje, bem sucedidos em suas vidas pessoais e profissionais, o grupo se reencontra para os últimos dias de vida, numa cama de hospital, da provável líder, Ana. A personagem nunca aparece em sua forma da terceira idade, apenas através de flashbacks e lembranças, nas quais todos interagem com sua presença ainda jovem, personificada pela talentosa Simone Spoladore (Sudoeste). Em tais momentos os personagens sentem-se em diálogos com alguém especial de seu passado, e que significou tanto para suas vidas e ideais.

Essa narrativa é muito interessante, sempre colidindo presente com passado, nos confundindo de maneira positiva inicialmente. A Memória que me Contam usa elementos, talvez ainda inconscientemente, de duas produções recentes. A primeira é a obra francesa As Invasões Bárbaras, na qual um grupo de idealistas, agora na terceira idade, se reúne para se despedir de um querido membro de seu grupo de amigos.

E o segundo, esse mais recente, é a produção americana Sem Proteção, dirigida por Robert Redford, onde um grupo de anarquistas veteranos ainda precisa lidar com as consequências de eventos passados há décadas. Esses dois elementos são encontrados na produção nacional, que acerta em cheio no retrato bem delineado de seus personagens, ao mesmo tempo em que trata com bastante seriedade um tema dolorido e muito polêmico.

Murat expõe o pensamento, e os diversos pontos de vista, de seus personagens criados de forma distante uns dos outros, justamente para conseguir pegar todos os ângulos do que significou o período. Se existe um personagem que se destaca, é Irene, vivida pela veterana Irene Ravache (Depois Daquele Baile), uma cineasta. Ela representa a persona de Murat, que baseia sua obra em experiências pessoais e reais, modificando e alterando elementos em nome da produção.

Ao final recebemos uma bonita dedicatória da cineasta para Vera Sílvia Magalhães, em quem Murat se inspirou para criar a personagem Ana (Spoladore). No elenco eficiente destacam-se Otávio Augusto, que vive o insatisfeito e famoso “do contra”, Ricardo; Naruna Kaplan de Macedo, diretora e atriz de dupla nacionalidade (e sósia de Zooey Deschanel), que vive a sobrinha de Ana – e quase um triângulo amoroso com o casal gay de filhos do grupo (vividos por Miguel Thiré e Patrick Sampaio); e o veterano italiano Franco Nero (recentemente visto em Django Livre), que vive o reacionário Paolo.

Paz, Amor e Muito Mais

JANE FONDA E O DIRETOR DE CONDUZINDO MISS DAISY SE UNEM PARA UMA SESSÃO DA TARDE SEM GÁS

É duro ver uma estrela veterana do porte de Jane Fonda, sete vezes indicada ao Oscar, e vencedora de dois, renegada ao mais baixo denominador comum. Fonda viveu a época dos cineastas autorais que tomaram Hollywood na década de 1970, e nela protagonizou filmes como “Klute – O Passado Condena”, “Júlia”, “Amargo Regresso” e “Síndrome da China”. Após uma autoimposta aposentadoria no fim da década de 1980, Fonda voltou às telas em 2005, com o veículo cômico “A Sogra”, ao lado da então musa Jennifer Lopez.

Agora, a atriz parece ter retomado o gosto pela coisa, e de lá pra cá participou de filmes como “Ela é a Poderosa” e “E Se Vivêssemos Todos Juntos”, além de ter entrado para o elenco da elogiada série “The Newsroom”Paz, Amor e Muito Mais” pode então ser considerado o ponto baixo do retorno dessa diva da sétima arte. Exibido em alguns festivais como o de Toronto, Rio e, obviamente, Woodstock, em 2011, o filme finalmente ganha as salas de cinema brasileiras ao ser apanhado pela distribuidora nacional Imagem Filmes.

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Um lançamento em vídeo seria o mais adequado para essa produção. Piegas e recheada dos mais rasos clichês, a obra apresenta Jane Fonda como uma hipponga de idade, que após vinte anos sem notícias, recebe a visita da filha e dos netos. Sua filha é interpretada pela talentosa atriz do cinema independente americano, Catherine Keener (“Sentimento de Culpa”). Ela é uma advogada que acaba de receber o pedido de divórcio do marido, papel do sumido Kyle MacLachlan (“Veludo Azul”).

Desnorteada a mulher não tem para onde ir, a não ser para a casa da pessoa que fez de sua infância e adolescência um inferno, sua mãe. A vida regrada e responsável de filha entrará mais uma vez em conflito com a filosofia desapegada e liberal da mãe. Essa é uma comédia de costume e de choques culturais. Apesar de reciclado, o enredo criado por Christina Mengert e Joseph Muszynski poderia render um filme interessante, se tivesse alguma vontade de realmente falar sobre alguma coisa ou frisar um ponto de vista, afinal qualquer argumento pode render uma verdadeira obra-prima.

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O filme, no entanto, não tem nenhuma aspiração de apresentar um conflito verossímil entre mãe e filha, coisa que até o citado “Ela é a Poderosa” criou com muito mais propriedade. Ou sequer pintar um retrato atraente despertando a simpatia para a comunidade hippie de Woodstock, local onde se passa o filme. A obra contenta-se com estereótipos e caricaturas de personagens, apenas pincelado-os como nesses filmes que são exibidos atualmente na Sessão da Tarde, ou como são conhecidos nos EUA, “after school specials”.

O filme não apresenta incoerências ou falhas em sua narrativa, apenas é simples demais, caricato e não possui emoção para impulsioná-lo. Esse é o tipo de filme que apenas olhando para o seu pôster ou lendo a sinopse, sabemos por a mais b tudo o que será exibido na tela durante seus 96 minutos de projeção. Fonda foi uma revolucionária e lutou por diversas causas fora das telas. Viveu a era dos hippies, mas madura atualmente parece não ter muito a dizer sobre aquela época.

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Na verdade, o tema parece ter se esvaído por si só, e o que encontramos em obras que retratam adeptos de tal estilo de vida, fora de seu tempo, são histórias desmotivadas que parecem dizer que precisamos aceitá-los, mesmo que a sociedade atual quase não o faça. Exemplares recentes procuram buscar força na comédia, como “Viajar é Preciso” e “O Idiota do Meu Irmão”, mas seu resultado foi menos do que encorajador.

Paz, Amor e Muito Mais” também não consegue emplacar, e sua propaganda acaba não sendo a seu favor. O diretor Bruce Beresford está muito longe da época de produções significativas como “Conduzindo Miss Daisy”, e numa Hollywood de franquias, perde a chance de fincar seu pé. A obra conta ainda com a talentosa Elizabeth Olsen, de “Martha Marcy May Marelene”, a melhor coisa do filme.

Odeio o Dia dos Namorados

HELOÍSA PÉRISSÉ SE TORNA UMA VERSÃO FEMININA E MODERNA DE EBENEZER SCROOGE NESSA COMÉDIA SOBRE O DIA DOS NAMORADOS

Em determinada cena de “Odeio o Dia dos Namorados”, a protagonista Débora, vivida por Heloísa Périssé (“O Diário de Tati”), diz as seguintes palavras: “Chega, não aguento mais, não quero ver mais isso”, referindo-se a seu estado pós-vida e pré-morte no qual vislumbrava sua existência inteira. Ironicamente, é o que muitos irão dizer ao assistir a essa nova investida da comediante.

O filme foi criado pela equipe de grandes sucessos nacionais do gênero como “De Pernas Pro Ar”, sua continuação e “Até que a Sorte nos Separe”, ou seja, o diretor Roberto Santucci e o roteirista Paulo Cursino. Existe certa centelha de criatividade aqui, e o mote obviamente é um produto voltado a uma grande data comercial, o dia dos namorados.

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Para isso, os envolvidos homenageiam ou usam como referência, o clássico do inglês Charles Dickens, “Um Conto de Natal”. Para quem não conhece a história, no dia de natal um sujeito avarento e mesquinho aprende o verdadeiro valor do ser humano ao ser abordado por um espírito, e depois mais três que lhe mostram passado, presente e futuro. Agora, provavelmente poucos não reconhecerão tal trama. No cinema ela já foi adaptada exaustivamente em filmes como “Os Fantasmas Contra-Atacam”, “Um Homem de Família”, “Do que as Mulheres Gostam”, “Minhas Adoráveis Ex-Namoradas” e “Click”, só para citar alguns.

Périssé interpreta uma megera que abriu mão do amor em nome da vida profissional, e por consequência se tornou repelida por qualquer manifestação grandiosa de afeto. Ao reencontrar seu amor do passado, papel de Daniel Boaventura (“Coisa de Mulher”), Débora envolve-se num acidente de trânsito logo em seguida, que basicamente tira a sua vida. A mulher então é visitada por seu grande amigo, e ex-parceiro profissional, falecido anos antes. “Odeio o Dia dos Namorados” usa um humor básico, sempre restrito a estrutura do enredo de Dickens.

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Em determinada cena, a protagonista ao lado dos colegas de trabalho, saem para fechar um acordo num restaurante, e fazem questão de ressaltar a homenagem, caso houvesse ainda alguma dúvida, ao apresentarem o nome do local no cardápio, “Dickens”. O que surpreende são momentos mais atrevidos, onde o humor faz uso de palavrões e diversas referências sexuais, limitando assim seu público jovem com a censura de 14 anos. Porém, quase sempre passa dos limites do tolerável se tornando algo ofensivo, principalmente nas tentativas de humor em relação a homossexualidade de seu melhor amigo.

Outro fator que chama a atenção é o merchandising de possíveis patrocinadores, como o bombom Sonho de Valsa e o site de vendas NetShoes, citados constantemente na produção. Imaginaríamos que com tamanho incentivo a obra contasse ao menos com um cartaz um pouco melhor. Aparentemente, “Odeio o Dia dos Namorados” irá acertar em cheio seu público-alvo, para todo o resto o charme de Heloísa Périssé não será o suficiente para salvar esse filme.

Um Golpe Perfeito

COMO POSSUIR LISSU, SEM LISSU?

Um Golpe Perfeito” é mais uma refilmagem assinada pelos cultuados irmãos Coen, depois de “Bravura Indômita”. Dessa vez, no entanto, os Coen escrevem apenas o roteiro da obra, que é baseada na produção de 1966, “Como Possuir Lissu”, estrelada por Michael Caine e Shirley McLaine, e dirigida por Ronald Neame (de “O Destino do Poseidon”). No filme, Caine interpretava um ladrão profissional, que decide dar um golpe num milionário, e roubar a obra de arte conhecida como Lissu, o busto de sua falecida esposa.

Para isso o golpista alista a ajuda de uma comparsa, papel de MacLaine, e a caracteriza exatamente como a estátua. A refilmagem toma diversas liberdades quanto a trama, pegando apenas a ideia central, e modificando quase tudo, em particular situações e personagens. O novo filme quase recebeu o título do original, “Como Possuir Lissu”, mas a distribuidora brasileira se deu ao trabalho de assistir, ou ao menos pesquisar sobre a produção antiga para perceber que a obra de arte Lissu não estava mais no enredo do novo.

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A trama gira em torno do mesmo protagonista, Harry, agora interpretado pelo vencedor do Oscar, Colin Firth (“O Discurso do Rei”). Harry passa de ladrão profissional a um descontente funcionário de uma grande empresa, cujo cargo é o de avaliador de obras de arte. O bilionário Shahbandar também é mantido (com um nome desses é difícil eliminar tal personagem). Agora nas formas de Alan Rickman, ele passa de sheik do oriente médio, para um ricaço londrino, patrão cruel do protagonista.

O avaliador decide dar um golpe em seu empregador, com a ajuda de um novo personagem, o Major Wingate (vivido por Tom Courtenay, do ótimo “O Quarteto”) – que rende alguns dos momentos divertidos ao ter sua patente confundida com a genitália masculina. Os dois recém-formados golpistas, decidem alistar uma jovem vaqueira em seu esquema. Simplesmente por uma conspiração do destino, já que a personagem é descendente direta de um soldado que poderia ter adquirido uma famosa obra de arte durante a Guerra.

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PJ Puznowski, interpretada por Cameron Diaz, é a personagem feminina totalmente modificada da versão original. Nome, personalidade, motivações, e caracterização, nada foi mantido da Nicole de MacLaine. Outro que entra em cena na nova versão é o avaliador alemão rival, interpretado por Stanley Tucci (“Jack – O Caçador de Gigantes”).

Dirigida por Michael Hoffman, de filmes de certo prestígio como “O Clube do Imperador” e “A Última Estação”, essa obra tinha tudo para chamar a atenção: bons atores, bons roteiristas e um bom diretor, mas de alguma forma terminou por passar completamente despercebida por onde foi exibida. O motivo talvez seja o subgênero no qual se encaixa, o das comédias de “slapstick” ou “pastelão”, cada vez mais provado sem lugar junto ao público atual, como o recente “Assalto em Dose Dupla” também mostrou.

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Tais filmes continuam sendo lançados nos cinemas brasileiros, já que nosso público talvez seja um dos que mais favorece obras de comédia de forma geral. Mas nem aqui esses projetos parecem chamar grande atenção. “Um Golpe Perfeito” é grande homenagem ao cinema da década de 1960, e ao tipo de filme que o falecido Blake Edwards construiu uma carreira em cima, como “A Pantera Cor de Rosa” e “Um Convidado Bem Trapalhão”. Esse tipo de filme geralmente é formado de situações absurdas e surreais, que são todo o mote para o humor.

Desencontros, desentendimentos, confusões, trocas de nomes, assim como um humor mais físico, são elementos clássicos de tais comédias. Obviamente, aqui os talentosos Coen subvertem isso (dentro do possível) com seu roteiro. Em um momento específico que faz parte da estrutura inicial, vemos o plano do golpista sair perfeitamente bem enquanto o mesmo nos narra a situação, somente para percebermos que nada daquilo estava de fato ocorrendo, e que a realidade (que chega logo em seguida) é completamente diferente da expectativa. Um bom truque narrativo.

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Um Golpe Perfeito” tem grande apelo aos nostálgicos, mas talvez somente para eles. É o tipo de filme fora de seu tempo, deslocado dentro da comédia atual muito ácida e recheada de referências pop por minuto, talvez para o seu próprio bem. Colin Firth repete a rotina do homem retraído e perdedor (que faz bem), Cameron Diaz capricha no sotaque texano para viver a vaqueira espevitada (exibindo a boa forma de rata de academia), mas é Alan Rickman quem chama a atenção com um personagem mais tridimensional do que esperaríamos, no qual não estamos tão acostumados a vê-lo.

Adeus, Minha Rainha

O TÓRRIDO CASO DE AMOR DE MARIA ANTONIETA

O consagrado cineasta francês Benoît Jacquot entrega a sua visão da corte durante a Revolução Francesa (baseado no livro de Chantal Thomas). No filme acompanhamos tudo através dos olhos de Sidonie Laborde, uma jovem servente do palácio real, cuja função era ler e recomendar livros para a Rainha Maria Antonieta, papel da bela Diane Kruger (“Bastardos Inglórios”). Sidonie é interpretada pela igualmente bela e jovial Léa Seydoux, atriz francesa de 27 anos que vem se destacando também em Hollywood, tendo participado de filmes como “Robin Hood” e “Bastardos Inglórios”,  e marcado presença no prestigiado “Meia Noite em Paris”, de Woody Allen, e no blockbuster “Missão: Impossível –Protocolo Fantasma”, no qual interpretava a vilã Sabine.

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O diretor Jacquot, presente após a exibição do filme para um debate, confessa que Seydoux foi sua primeira escolha para o papel, e a primeira escalada na produção, afinal sua personagem é a força e alma do filmeA personagem precisava ser uma mescla de inocência e astúcia. Sonhadora, apaixonada pela ideia do que significava a Rainha, como todos ao redor tratavam de apontar, mas esperta o suficiente para fazer seus próprios jogos com a verdade, o que incluía a grande amizade com o idoso funcionário dos arquivos reais. 

Seydoux já mostrou poder ser a dama fatal, mas faz o caminho inverso aqui, apenas como uma jovem da qual os outros funcionários do castelo nada sabem. A atriz exibe suas belas formas nuas num dos momentos de maior emoção e dramaticidade no filme, em que muito é pedido dela por seu objeto de afeto. Adeus, Minha Rainha” nos joga num período crítico para a realeza francesa da época, nos momentos decisivos quando o povo tomava o poder, e escorraçava os regentes, obrigados a saírem fugidos do castelo. 

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Ao contrário do filme de Sofia Coppola de 2006, protagonizado por Kirsten Dunst, o filme de Jacquot não deseja criar simpatia com a Rainha francesa, nas palavras do próprio diretor, sua Maria Antonieta é comparável a um animal perigoso, uma regente distante e indiferente. O filme de Jacquot tem como parte de sua trama a Revolução Francesa, mas foca numa espécie de triângulo amoroso entre três mulheres. 

Apresenta o amor de Maria Antonieta declarado pela Duquesa Gabrielle de Polignac, papel de Virginie Ledoyan (“A Praia”), com quem o diretor já trabalhou anteriormente duas outras vezes, em “La fille seule” (1995) e “Marianne” (1997). E mostra a obsessão da jovem Sidonie pela Rainha, sempre atrás de portas entre-abertas, espreitando e ouvindo conversas. É assim que o diretor nos situa na obra entreouvindo sem nunca nos deixar participar ou tomar frente.

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Em partes “Adeus, Minha Rainha” se assemelha a “Assassinato em Gosford Park”, de Robert Altman, ao nos mostrar e inserir mais no contexto dos funcionários da burguesia, e na maneira em que se relacionam, na hierarquia dos serventes, seus cômodos e refeitórios. Dessa forma nos transportando diretamente para tal era e local. Jacquot em seu discurso ao vivo não deixou de apresentar seu currículo, e de nos enaltecer com sua presença.

Disse que sua experiência de carreira lhe permite fazer filmes com grandes orçamentos, e que ficou cético por apenas receber críticas positivas de sua obra. Sobre a presença mais hollywoodiana de seu projeto, a atriz alemã Diane Kruger, o diretor foi categórico: “Ela me procurou quando soube do filme, e conseguiu o papel colocando uma arma na minha cabeça”, brinca o diretor.

Segredos de Sangue

A VERDADEIRA “FAMÍLIA ADDAMS”

Segredos de Sangue” era um dos filmes mais aguardados pelos cinéfilos e fãs do cinema cult. O fato se deve por ser a primeira incursão americana do prestigiado cineasta coreano Park Chan-wook, diretor de “Oldboy”. O diretor permanece utilizando seu estilo visual único, para contar a história de uma família diferente e muito estranha. India (Mia Wasikowska, de “Alice no País das Maravilhas”) é uma menina incomum, que parece não demonstrar emoções.

O relacionamento distante com a mãe, Evelyn (Nicole Kidman), só piora com a morte do pai devido a um acidente de trânsito, no dia do aniversário de 18 anos da jovem. India então se fecha mais para o mundo. Como citado diversas vezes no filme por sua mãe, a única diversão da protagonista parecia ser as longas caçadas ao lado do pai, Richard (Dermot Mulroney, em cena apenas através de flashbacks). A vida da família Stoker (título original da obra), em luto, muda com a chegada de Charles (Matthew Goode, de “Watchmen”), o tio de quem India nunca havia ouvido falar.

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O sujeito é encantador e carismático, contagiando não apenas India e sua mãe, mas também como as colegas de classe da menina (numa cena em que aparece com seu carrão na saída do colégio). Aos poucos, no entanto, as coisas começam a dar uma guinada para um terreno assustador e sombrio. “Segredos de Sangue” é uma obra interessante e curiosa, que consegue de cara despertar nosso interesse. A ambiguidade de todos os personagens influencia tanto a narrativa a ponto de não sabermos de que lado as coisas ruins irão começar a acontecer e para quem.

Surpreende também o roteiro do ator Wentworth Miller, o Michael Scofield da série “Prision Break”, em seu primeiro trabalho como roteirista. Miller cria uma trama relativamente simples, mas com a qualidade de grandes produções, dando força a seus personagens. Como brincadeira podemos dizer que “Segredos de Sangue” é uma versão séria e real de “A Família Addams”. A chegada do sedutor e sinistro tio Charlie prediz que o personagem trará o encargo assustador do filme, porém, facilmente podemos vê-lo como vítima de mãe e filha já por si só desequilibradas e em constante conflito.

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A jovem India é uma menina perturbada e deprimida. Isolada e anti-social, numa cena ela enfia um lápis afiado na mão de um jovem atormentador. Em outro instante podemos prever algo terrível para um flerte abusivo, vivido por Alden Ehrenreich (de “Dezesseis Luas”). Evelyn não sai por baixo, e durante um jantar ameaça, não declaradamente, a intrusiva tia Gwendolyn, papel da indicada ao Oscar, Jackie Weaver (“O Lado Bom da Vida”).

E o que dizer quando India sente vontade de tomar um sorvete e abre o freezer. Todo o charme de “Segredos de Sangue” vem da estética criada pelo diretor asiático, que cria uma beleza contrastante em sua obra. O filme é igualmente muito sensual, na forma como o personagem de Goode se infiltra na família, baixando a guarda de duas mulheres vulneráveis – uma mais facilmente do que a outra. Nicole Kidman está bela como nunca, passada sua fase de botox.

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Com uma participação especial, embora seja o nome mais chamativo do elenco, a atriz tem a personagem menos importante para a trama. No entanto, não deixa as coisas desandarem, e numa cena entrega todo o ódio e desdém de volta para a filha, quando profere a já icônica frase mostrada em clipes: – “Pessoalmente, mal posso esperar para ver o mundo te destruir”. Mia Wasikowska faz bem o papel de jovem retraída e insossa. Aqui, no entanto, existe algo a mais do que apenas comportamento introvertido. Mas quem se sai como o melhor ator em cena é Matthew Goode, explorando todos os ângulos de seu personagem. Ele é igualmente assustador, sedutor e digno de pena, em determinado momento.

Além da Escuridão – Star Trek (2)

CONTINUAÇÃO DO REBOOT DE 2009 É UM FILME MAIS DINÂMICO E EMPOLGANTE

A série “Jornada nas Estrelas” nasceu na década de 1960, e entre altos e baixos (que inclui diversos cancelamentos e voltas) viveu para se tornar objeto máximo de culto pelos fãs de ficção científica. O objetivo, no entanto, foi sempre o comentário social da época, transportado sutilmente (às vezes não tão sutil assim) para os problemas de uma sociedade futurista. No fim da década de 1970, a tripulação da nave Enterprise ganhava a tentativa de emplacar no cinema também.

Seguiu com mais cinco exemplares até o início da década de 1990 (dos quais os episódios pares ficaram conhecidos por sua qualidade superior aos episódios ímpares). A Nova Geração assumia também os filmes a partir de 1994, e seguia até 2002. Era a hora de “Jornada nas Estrelas”, agora conhecido internacionalmente como “Star Trek” (assim como “Star Wars”), receber uma espécie de refilmagem, na esperança de capturar toda uma nova legião de fãs.

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E para a quase impossível missão, os produtores da série contrataram o cineasta J. J. Abrams, vindo de séries de TV chamativas, como “Lost”. O reboot, com as novas caras da velha e conhecida tripulação, foi um sucesso de crítica e público (tanto os antigos quanto os novos). E assim, uma continuação era mais do que esperada. Chegando quatro anos depois, “Além da Escuridão” talvez não seja um filme cem por cento melhor do que seu predecessor, mas é uma aventura mais dinâmica e empolgante, que consegue de forma mais satisfatória realizar a façanha de atrair os não escolados.

A aventura começa com a equipe da Enterprise numa missão. Em um planeta inóspito, Kirk (Chris Pine, de “Guerra é Guerra”) e Magro (Karl Urban, de “Dredd”) fogem de uma tribo de nativos do planeta, similares a aborígenes com armas rudimentares. Ao mesmo tempo, os outros membros tentam colocar Spock dentro de um vulcão ativo a fim de extrair a ameaça para os habitantes do planeta.

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Já nessa primeira cena grandiosa, somos emergidos na ação, numa estrutura que ficou conhecida dentro do cinema espetáculo de Hollywood – prender a atenção do espectador nos primeiros minutos com uma chamativa cena de abertura. Mas o fato não é apenas uma peça isolada, e no decorrer repercute seriamente no relacionamento entre Spock e Kirk (peças opostas no mesmo tabuleiro), e entre o vulcano e sua namorada, Uhura (Zoe Saldana, de “As Palavras”). O fato também enfatiza o (ainda) comportamento rebelde de Kirk, que sempre opta por passar por cima das regras e procedimentos.

No entanto, um dos elementos mais legais do novo “Star Trek” é seu vilão. Interpretado por Benedict Cumberbatch (revelação em que todos devem ficar de olho), pouco se sabe sobre o antagonista, e o quanto mais assim permanecer melhor. Resta dizer que o sujeito é insuperável tanto fisicamente quanto intelectualmente, e é apresentado como um ex-membro da tropa estelar.

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Tido como um terrorista, o personagem comete atos bárbaros de genocídio, e termina por tirar a vida de alguém muito próximo a Kirk. A simplicidade da trama, dentro de um universo complexo por si só, faz do novo filme mais acessível para todos os não iniciados. Aqui o que temos é uma história de vingança, tanto da parte de Kirk, como também, em certo nível, do vilão.

Com efeitos visuais impecáveis e um eficiente 3D, o diretor J.J. Abrams e seus usuais roteiristas colaboradores bolam cenas eletrizantes, como o lançamento de Kirk ao lado do vilão no espaço, viajando apenas com o corpo e seus trajes, como mísseis disparados, até outra nave. “Star TrekAlém da Escuridão” é um dos melhores blockbusters de 2013, e entrega exatamente o que os fãs querem, sem alienar novos adeptos.

‘Os Cavaleiros do Zodíaco’: Quem seriam os mais cotados para estrelar a versão live-action?

Querendo colocar mais indagações cinéfilas em sua mente, o jornalistaRaphael Camacho resolveu sonhar o improvável, um eventual longa metragem hollywoodiano do maior sucesso dos animes, “Cavaleiros do Zodíaco”. Imaginaram tal feito? Quantos recordes de bilheterias essa produção bateria mundo à fora? Uma legião de fãs cinéfilos lotando todas as sessões desse clássico de muitas juventudes.

A série exibida na televisão foi uma adaptação do ‘mangá’ homônimo criado por Masami Kurumada (gênio). A primeira exibição ao público foi feita pela Toei Animation no Japão na TV Asahi, no dia 11 de Outubro de 1986. Seu nome original é “Saint Seiya” e teve sua música de abertura gravada em português pela banda Angra, na poderosa voz deEduardo Falaschi.

Para situar os que não conhecem tal saga magistral, basicamente falando, a história conta a trajetória de jovens guerreiros guiados pelas constelações, protetores da deusa da sabedoria, da paz e da guerra. Assim, o grupo de cinco guerreiros místicos, lutam em nome da deusa Atena contra seres maléficos que pretendem dominar o mundo.

Agora que estamos ambientados com a história, vamos sonhar um pouquinho?

Saori Kido

A Jovem grega é adotada pelo milionário Mitsumasa Kido e criada como sua neta. Saori é a reencarnação da deusa Atena no século XX, que sempre retorna à Terra quando a humanidade se encontra ameaçada pelas forças do mal.

Quem deveria interpretá-la nos cinemas: Cate Blanchett

Porque: Para interpretar Saori Kido, uma das personagens emblemáticas da historia precisaríamos de uma atriz com presença de palco e que exale carisma por onde passar. A veterana atriz australiana (ganhadora do Oscar) ‘cairia como uma luva’ nesse papel. E, por favor, sem comparações com a Galadriel, obrigado.

Seiya de Pégaso

Órfão, foi separado de sua irmã Seika e forçado a se tornar um Cavaleiro. Após conseguir cumprir tal missão e muito motivado pela vontade de rever sua irmã, Seiya depois descobre seu destino com um dos soldados de Atena, protegendo-a por vários anos e renascendo cada vez que a deusa reencarna, para apoiá-la na batalha final contra o mal que consume a Terra.

Quem deveria interpretá-lo nos cinemas: Emile Hirsch

Porque: Para o papel de um dos mais adorados cavaleiros dessa história (quem nunca tentou soltar um “me dê sua força Pégaso” ?) o Californiano Emile Hirsch seria uma ótima escolha, já mostrou seu talento no filme “Na Natureza Selvagem”.

Shiryu de Dragão
Shiryu é o mais maduro e sábio entre todos os cavaleiros. Treinou na China para obter a Armadura de Bronze da constelação de Dragão tendo como mentor o Cavaleiro de Ouro de Libra. Sua armadura é conhecida por possuir surpreendentes propriedades ofensivas e defensivas, nas respectivas formas de punho e escudo.

Quem deveria interpretá-lo nos cinemas: Matt Dillon

Porque: Quem dirigiria esse filme tem fama de salvar carreiras de astros que ficaram esquecidos do imaginário cinéfilo. Matt Dillon é um bom ator, porém, volta e meia é esquecido pela memória cinéfila. Esse poderia ser o grande filme dele.


Hyoga de Cisne

Hyoga é o Cavaleiro de Bronze da constelação de Cisne e nasceu na Sibéria, que na época do lançamento do mangá, pertencia à União Soviética. Então, Hyoga é russo na verdade! Sua maestria do Cosmo lhe garante a habilidade de criar gelo e neve em temperaturas de zero absoluto. Calmo por natureza, demonstra um exterior sem emoções.

Quem deveria interpretá-lo nos cinemas: Ewan McGregor

Porque: Toda boa produção em cinema precisa ter a experiência de um grande ator entre os personagens. Ewan McGregor caracterizado poderia parecer muito com o Yoga. Para quem já dançou o Moulin Rouge o que seria soltar uns pós de diamante?


Shun de Andrômeda

Shun é o cavaleiro da constelação de Andrômeda e sua armadura possui correntes, utilizadas tanto para o ataque quanto para sua defesa. Misericordioso e gentil por ser essa a sua natureza, prefere resolver conflitos sem derramar sangue. É o irmão mais novo de Ikki.

Quem deveria interpretá-lo nos cinemas: Paul Dano

Porque: O jovem ator com mais de 18 produções no currículo, mostrou extrema competência em longas como: “O Bom Coração”, “Pequena Miss Sunshine” e “Sangue Negro”. Poderia surpreender os que não acreditam nele e quem sabe até ganhar uma indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante.


Ikki de Fênix

Ikki é completamente o oposto de seu irmão Shun: solitário, frio e agressivo. Treinado na Ilha da Rainha da Morte, o então aspirante a Cavaleiro de Fênix é ensinado a cultivar o ódio e chega até mesmo a desejar matar o irmão, culpando-o pelo destino que teve. Ikki é um antagonista no início da série, mas logo se regenera e passa a proteger Atena e seu irmão dos perigos que o grupo enfrenta contra os seres do mal.

Quem deveria interpretá-lo nos cinemas: Joaquin Phoenix

Porque: O interessante ator Joaquin Phoenix adora surpreender o público com papéis diferentes e com bastante carga emocional envolvida. Daria o tom certo de sofrimento que esse personagem amargurado precisa. Provavelmente seria elogiado pela crítica e pelos fãs da saga.


Quem deveria ser o roteirista:

Robert Rodriguez e Quentin Tarantino

Porque: Com essa dupla não tem erro. Show na telona!

Quem deveria assinar a trilha sonora:

Angra

Porque: Nessa caso é preciso manter o que já se consolidou. A abertura brasileira de Cavaleiros do Zodíaco é um marco nos desenhos exibidos por aqui, sendo assim, porque não deixa os roqueiros brasileiros (que fazem um tremendo sucesso no Japão) assinarem a trilha desse filme?! Ia ser show!

Quem deveria ser o diretor:

Quentin Tarantino

Porque: Meu Deus! Já imaginaram isso? Seria o desenho adaptado para a telona com os diálogos mais sensacionais da história do cinema. Um banho de sangue e inteligência na condução das cenas. Nesse caso a classificação do filme teria que ser elevada um pouquinho pois sabemos como o Tarantino adora cenas fortes. Concorreria ao Oscar com certeza.

E você? Quais seriam seus preferidos?

Texto por: Raphael Camacho

O Fim das Videolocadoras

É triste para o cinéfilo de longa data ver a era das videolocadoras chegando ao fim. Algumas redes de locadoras ainda se seguram no aluguel de DVDs e Blu-Rays, mas o número de locadoras físicas está caindo cada vez mais.

Segundo a UBV – União Brasileira de Vídeo, havia quase 14 mil locadoras no Brasil entre entre 2003 e 2005. Em 2009, esse número caiu para 6 mil. Hoje, são menos de 4 mil locadoras.

Ir alugar um filme em VHS era considerado quase um ritual até o fim da década de 2000, quando surgiu a internet e a pirataria.

Hoje, quase todos baixam filmes ilegalmente ou legalmente – ou compram os filmes por Pay-Per-View. Além disso, também cresceram assustadoramente o número de assinantes de TV à cabo – que já passam lançamentos em sua grade de programação.

Neste ano, o Brasil está em 5º lugar no ranking dos países que mais baixaram filmes ilegalmente: foram 19,7 milhões de downloads, segundo o Musicmetric. Em 2015, o estudo prevê que o Brasil será vice-líder mundial em downloads ilegais, ultrapassando a Inglaterra.

Visando continuar faturando com seus filmes, as distribuidoras iniciaram a venda de seus filmes online, com a qualidade de Blu-Ray e preço similar ao DVD.

O problema no Brasil? Apesar de ser ilegal, baixar filmes gratuítamente é uma opção segura no país, gratuíta e cômoda. Como as distribuidoras irão driblar essa concorrência desleal?

E então, fica a dúvida: Como será o futuro dos filmes em Home Video no Brasil? Até quando você acha que vão durar as videolocadoras? Sentirá saudades de levar multa por ter esquecido de rebobinar o VHS na entrega?

Metalinguagem em ‘O Artista’: Uma História do Cinema Mundial

No livro Ironias da Modernidade, o teórico Arthur Nestrovski afirma que uma das características da arte no século XX é a metalinguagem: diversos filmes e livros homenageiam, fazem pastiches e paródias de outros filmes ou obras de artes como a pintura e a música.

Em O Artista, filme mudo e preto-e-branco, dirigido por Michel Hazanavicius, nós viajamos até a década de 20, adentrando no mundo do cinema mudo e os problemas advindos da tecnologia do cinema sonoro.

Talvez um dos melhores filmes de 2011, O Artista abarca as problemáticas que outros filmes clássicos já fizeram muito bem, como Cantando na Chuva e Crepúsculo dos Deuses, mas com toques especiais, sem apelar para o mais do mesmo: aqui, as performances são brilhantes, a direção de arte e fotografia impecáveis, a trilha sonora mágica e o roteiro bem elaborado.

O filme nos leva aos anos 20. George Valentin (o ótimo e sedutor Jean Dujardin) é um dos mais representativos atores do cinema mudo, estrelando diversos sucessos ao lado do seu cachorro Jack Russel. Queridinho das plateias, invejado por muitos, entra numa seara de depressão e cai no ostracismo ao não se adaptar aos ditames do cinema falado, tornando a sua vida um desastre.

No lançamento do seu último filme, George conhece Peppy Miller, que ao sair nos jornais abraçando o ator, ganha notoriedade e é convidada a estrelar filmes sonoros, enquanto Valentin começar a decair. Peppy é uma jovem dançarina e aspirante a atriz que ganha toda a notoriedade da mídia. Ele até tenta produzir algumas coisas, insistindo no formato mudo, já desgastado e indesejado pelo público afoito por novidades. Desta forma, é ai que entra a sacada da direção e do roteiro, metaforizando com a contemporaneidade e o culto das celebridades vazias e tecnologias que sobrepõem umas as outras de maneira avassaladora. Tudo que não é novidade é descartado assim que uma novidade está preste a dar seu primeiro sinal.

Algumas cenas nos remetem diretamente ao clássico Cantando na Chuva, brilhantemente atuado por Genny Kelly e Debby Reynolds: são as coreografias e estilo. Em outros momentos, somos remetidos a Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder. A não adaptação da estrela de cinema ao mundo do cinema sonoro leva o artista a um denso estado de depressão e desespero. No bojo dos problemas, os Estados Unidos enfrentavam a celeuma do crash da bolsa de Nova York em 1929.

Jean Juardin consegue expressar cada palavra que não podemos escutar, num filme ambientado nos anos 20, mas contemporâneo em sua excelente execução, motivos que lhe concederam 10 indicações ao Oscar deste ano. O cachorrinho utilizado como amigo do personagem George era comum naquele período, basta lembrar de Charles Chaplin, que por sinal, tem um filme intitulado O Cachorro.

O ritmo de O Artista é fluente graças a edição de Anne-Sophie Bion e a beleza das cenas ficam por conta da direção de arte de Gregory S. Hooper.

Para os que adoram curiosidades, o diretor faz uma homenagem ao clássico Cidadão Kane: nas cenas de café-da-manhã de George e sua esposa, as expressões de amor, vão se transformando em indiferença ao passar do tempo. A história faz referencia a dupla John Gilbert Greta Garbo, que foram um casal na vida real. Ele era a estrela do cinema mudo, mas na transição para o cinema sonoro, Greta Garbo conseguiu maior espaço e expressão. No sonoro Rainha Christina, Garbo solicitou a presença de Gilbert. Muito similar ao enredo de O Artista.

O Artista levou para casa 5 Oscars, incluindo o de Melhor Filme. Com 100 minutos de duração, é magnético e merece ser visto por todo mundo que deseja conhecer um pouco mais da história do cinema mundial. Guillaume Schiffman assina a fotografia,Ludovic Bource assume a trilha sonora e Michel Hazanavicius é o responsável pelo roteiro e direção desta singular obra de arte.

Por que ainda continuo assistindo ‘Os Simpsons’?

E a família mais amarela do mundo completa 22 anos de histórias. Nem consigo imaginar quantas horas da minha vida passei assistindo à família mais famosa dos Estados Unidos. São mais de 450 episódios, um filme, centenas de participações inesquecíveis e uma cidade completa.

Já houve ameaças de fim da série, com o protesto dos fãs; já tiveram prêmios, polêmicas, tudo que um seriado histórico merece.

Bart foi culpado pela violência dos adolescentes da América. Marge posou nua. Até oD’ho do Homer foi parar no dicionário. Não há quem questione a importância da série.

Já sua vitalidade…

É inegável que os episódios, ao menos desde a 18ª temporada, são menos mordazes, irônicos, provocativos. Menos inteligente não! Apesar de alguns acharem os atuais episódios fracos, é difícil não reconhecer inteligência. Talvez todos concordem que o seriado é uma visão privilegiada da sociedade (não só da norte-americana). Mesmo assim, quando assisto episódios constrangedores de tão ruins, me pergunto, o porquê sento para ver essa família amarela?

Meus primeiro episódios foram na Globo. Depois, inventaram TV por assinatura na minha casa e Os Simpsons se tornaram diários. Houve épocas que todo dia assistia; em outras, só aos fins de semana; mais adiante, apenas os inéditos aos domingos; rola mais o calendário, eles voltavam a me acompanhar todos os dias. Atualmente, assisto mais aos fins de semana. E foi acompanhando a estréia da 22ª temporada, em meio a piadas fraquinhas e alguns lances geniais, me perguntei: por que continuo na frente da TV?

Nas listas de melhores episódios, a maioria, ou todos, foram produzidos até idos da 12ª temporada, e já estou sendo generoso. Clássicos como a viagem de Homer ao espaço, a tentativa de Bart de saltar a Garganta de Springfield, o Moe Flamegante, a prisão de Krusty, o assassinato de Burns pela Meggie (por favor, isso não é mais spoiler!). Para mim, um dos incríveis é a história do nascimento da Meggie, que termina com a frase “faça isso por ela”. Obras-primas do humor e da animação, mistura perfeita de ironia e emoção.

Também podemos fazer com tranquilidade a lista dos 10 episódios esquecíveis, como aquele no qual o Diretor Skinner revela não ser o verdadeiro Direito Skinner. Tão ruim que no fim do episódio o juiz decretou que ele era o verdadeiro Diretor Skinner!
As últimas 5 temporadas não tem vulgaridades como essas. O que se vê são enredos ora absurdos, ora simplórios, a mesma estrutura dos episódios e histórias menos ácidas e mais sentimentais. Há episódios com uma profundidade que não se via no começo do programa. Ao invés dos finais irônicos, são recorrentes os fechos sentimentais, com exaltação da família e do amor/carinho. Não há pieguice. Parece que estamos diante daquela pessoa de meia idade que na juventude foi radical e hoje olha as coisas com serenidade. É isso! “Os Simpsons” se tornaram aquele tio de meia idade que adoramos conversar!

Mas não é só por isso que continuo a assisti-los.

Por pior que sejam as histórias, elas continuam a serem inteligentes, com texto bem escrito, animação impecável e sempre com uma perola de humor e ironia para nós. Em temporada recente, Homer pergunta à Marge“mas, por que não posso julgar as pessoas pela sua religião?!?!?!”

A evolução das personagens é um bom motivo para sintonizar no programa. É incrível como até o mais secundário morador de Springfield ganhou complexidade. Caso a parte é da Lisa: de perfeitinha, tornou-se ambiciosa, com fobia do fracasso e capaz de fazer coisas erradas, sem deixar de bancar a chata voz moral da família.

Mas será que ainda acompanhamos os Simpsons por hábito? Eles são exibidos todos os dias e aos domingos têm novidade. Não podemos deixar de fora a última máxima deHomer. E os especiais do Dia das Bruxas são aquela porção extra de morango. Ou será a capacidade de, mesmo os piores enredos, ficarem acima da média? Ou, porque mesmo após 22 temporadas, eles ainda nos surpreendem?

Duas décadas e a criação de Matt Groening é símbolo de uma época na qual as bandeiras são tecidas com deboche e sem-vergonhice, mas nunca sem sentimentalidade. “Os Simpsons” criaram um gênero, lançaram moda e foram absorvidos pelo imaginário popular. Basta dizer que, mesmo sem terem visto um único programa, meus pais sabem quem é Homer!

E vocês, por que insistem em assisti-los???

Os Melhores e Piores Filmes da Marvel

 

Em homenagem ao enorme sucesso de “Homem de Ferro 3”, cuja qualidade vem sendo discutida por todos desde que estreou há duas semanas, resolvi formular uma lista com os melhor e piores filmes produzidos sob a tutela da Marvel, nos últimos 15 anos (desde que realmente emplacou no cinema). Veja abaixo:

Piores:

4. Elektra (2005)

Derivado de “Demolidor – O Homem Sem Medo”, esse é o filme solo da personagem interpretada por Jennifer Garner. Muitos apontam “Demolidor” como um filme dispensável, no mínimo, mas até mesmo seus detratores dão o braço a torcer de que o filme protagonizado pelo herói cego é superior a essa escapada solo da guerreira ninja vivida por Garner. O dano não foi maior por se tratar de uma personagem não muito conhecida do universo dos quadrinhos, fazendo com que muita gente não tenha visto ou tomado conhecimento da produção.

Mesmo assim são muitos os problemas aqui. O principal deles é a descaracterização da personagem, inicialmente apresentada no filme como uma assassina fria e implacável, ela é transformada de uma hora para outra numa humanista de bom coração. Junte a isso a mania dos estúdios de quererem criar simpatia adicionando o relacionamento do herói com alguma criança genérica trazida pelo roteiro (erro contido em “Superman – O Retorno” e no recente “Homem de Ferro 3”). A lenda prega que a própria Jennifer Garner teria dito a um repórter que achava o filme terrível, mas precisou protagoniza-lo devido a obrigações contratuais.

 

3. Homem-Aranha 3 (2007)

Execrado pelos fãs como um dos piores filmes baseados em quadrinhos, a terceira parte da trilogia criada por Sam Raimi sofre principalmente pelos excessos. As discordâncias entre o diretor e os produtores da Sony foram crescendo de tal forma, quanto ao controle criativo da obra, que rendeu uma das produções mais problemáticas da época (embora o cineasta hoje desminta). O principal fator aqui é que Raimi não queria nenhum dos antagonistas apresentados no filme, e preferia uma história centrada no alado Abutre, que seria vivido por John Malkovich, e na Gata Negra (Anne Hathaway chegou a fazer o teste para o elenco).

Por uma questão de estética a preferência foi dada ao vilão arenoso vivido porThomas Haden Church. Inicialmente Raimi foi estritamente contra a presença do segundo vilão no filme, Venon, a criatura gelatinosa vinda do espaço. Raimideclaradamente disse detestar o personagem por sua falta de humanidade. O produtorAvi Arad eventualmente conseguiu convencê-lo já que o vilão possui grande apelo junto a fãs mais novos. O personagem, no entanto, parece ter sido maltratado por Raimi no filme, com pouco espaço em cena e descaracterizado. Mas nada nos prepararia para o horror que foi o “emo Peter”…. Infelizmente o filme termina com uma clara abertura para uma continuação, que nunca viria.

 

2. Motoqueiro Fantasma (2007) e Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança (2012)
Sinceramente não consigo decidir qual dos dois filmes do personagem demoníaco protagonizado pelo infame Nicolas Cage é o pior. O primeiro é dirigido pelo mesmoMark Steven Johnson de “Demolidor”, e trazia um tom cômico e cartunesco para um personagem que pedia seriedade e terror. O personagem foi criado na linha da Marvelmirada ao público um pouco mais velho, justamente por fazer uso de material impróprio para crianças, em sua maioria grande violência. Já o filme foi diluído e muito para acomodar o grande público pagante, os adolescentes. Então, ao invés de desmembramentos, sangue e citações barra-pesada sobre o inferno e demônios (tema da história), ganhávamos piadinhas disparadas por Cage a cada minuto, e muito efeito de computador que passavam o sentimento de realmente estarmos assistindo ao desenho animado do personagem.

Cage até se esforça e nas entrevistas para promover o filme antes de seu lançamento, jurava que esse era um filme de monstros. Alguns anos depois, e o personagem ganhava uma segunda chance, junto com Cage, que o personificava de novo. A esperança era grande já que na direção tínhamos os frenéticos Mark Neveldine eBrian Taylor, prontos para cair de pau na ação, e efeitos muito mais legais, crus, sujos e realistas, que realmente pareciam colocar o personagem em nosso mundo. Tudo parecia no lugar para o filme marcar um gol. O problema do segundo “Motoqueiro Fantasma” é seu roteiro. Com uma história genérica e desinteressante, esse é um filme enfadonho, que novamente cai na armadilha de focar a trama numa criança (parece sempre um escape fácil), além de personagens mal desenvolvidos (como o próprio protagonista).

 

 

1. X-Men Origens: Wolverine (2009)

O fato de ter vazado na internet (com os efeitos inacabados) antes de seu lançamento nos cinemas foi o menor dos problemas desse primeiro filme solo do mutante mais cultuado pelos fãs. Não há dúvidas de que Hugh Jackman continua perfeito no papel, e aqui ele é a melhor coisa dessa obra desavergonhada. Depois do sucesso dos filmes anteriores, os produtores da Fox erram feio na mão com esse filme, que claramente é apenas uma desculpa para vender brinquedos e videogames. Algo como o diretor Joel Schumacher já admitiu em relação ao péssimo “Batman e Robin”. “Wolverine” igualmente é um produto que não tem nenhum apego a uma obra cinematográfica, uma pena para o talentoso Gavin Hood (diretor do filme).

A estrutura do filme funciona assim: Wolverine encontra um personagem e luta com ele, encontra outro personagem exótico e outra luta, outro encontro e outra luta, e por assim vai. O filme também sofre com o excesso de personagens, todos mal desenvolvidos, essa parece ser a maldição de muitos filmes baseados em quadrinhos. Os produtores precisam aprender que às vezes menos é mais. “Wolverine” é meu eleito como o pior filme recente já produzido com o selo da Marvel porque vem de produções boas, que já haviam mostrado como fazer. O mesmo pode ser dito de “Homem-Aranha 3”, mas ao menos o filme não mudou em seu tom, cenas ou até mesmo o protagonista. Já “Wolverine” retrocede o que Bryan Singer havia criado originalmente, que era colocar os mutantes em nosso mundo, com poderes e tudo. “Wolverine” é tão irreal e desprovido de humanidade que realmente parecemos estar assistindo a um desenho.

 


MELHORES:


4. Blade II (2002)

Deixe para Guillermo del Toro criar um baita filme de terror, e colocar como protagonista um personagem saído de quadrinhos, mesmo que seja um quadrinho desconhecido. Blade vinha do time C da Marvel, ou seria D, com uma caracterização original totalmente saída da década de 1970 (o que incluía golas altas e calça boca-de-sino no melhor estilo John Travolta). Os envolvidos com o filme original já haviam realizado um ótimo trabalho em caracterizar o personagem de forma mais séria, num eficiente thriller de ação.

Sem dúvidas o primeiro Blade também entraria numa lista dos melhores, já que criatividade no filme é o que não falta. Mas o segundo filme, dirigido por del Toro, é mais cru, violento, e muito mais assustador. Para começar o cineasta subverte totalmente o que havia sido apresentado no filme anterior em relação aos vampiros, com a criação dos Reapers, transformando assim os predadores do filme original, em vítimas na continuação. Com uma estrutura que lembra um faroeste, del Toro monta seu bando de protagonistas comandados por Blade (Wesley Snipes), que irão cair um a um no combate com os antagonistas.

Para completar, o diretor ainda forja algumas reviravoltas, como o ressurgimento do velho mentor do protagonista, a traição de um aliado, e a mudança sobre quem de fato era o vilão aqui. A empolgação de Snipes era tanta em viver o personagem, que na época do lançamento do filme original o ator aparecia caracterizado como Blade em programas de entrevistas como o de David Letterman, para promover o filme. Empolgação que podemos sentir na tela nesse segundo filme. Já no terceiro, dirigido pelo roteirista dos filmes originais David Goyer, o clima era tenso, e a produção foi problemática com Snipes tentando esganar literalmente o diretor. O resultado também vemos na tela.

 

3. Homem de Ferro (2008)

O que falar sobre o primeiro “Homem de Ferro” que já não tenha sido muito dito. Talvez o mais importante seja que a franquia não existiria sem Robert Downey Jr., ou pelo menos não dessa forma que temos. E pensar que por anos o astro Tom Cruise esteve vinculado ao filme para viver Tony Stark. A Marvel foi sábia em não fechar contrato com o ator, a menos que quisesse o Homem de Ferro de Tom Cruise, e não oHomem de Ferro da MarvelDowney Jr. foi escalado, e salvou o dia. Mas igualmente o filme salvou sua carreira, transformando-o num dos atores mais rentáveis de Hollywood.

O interessante aqui é que o Homem de Ferro sempre foi um personagem do time B daMarvel, e o que vemos nas telas do novo Tony Stark é tudo Downey Jr.. Mas “Homem de Ferro” não é só Downey Jr., fosse o caso, o subestimado segundo filme e o superestimado recente terceiro episódio seriam igualmente elogiados. O que contou aqui foi uma superprodução que tinha tudo no lugar certo, e equilibrava momentos sérios e diversão descontraída, tratando o público com respeito, e os atores entrando no projeto como se estivessem mirando prêmios.

 

2. X-Men 2 (2003)

O impacto causado ao assistir a continuação orquestrada por Bryan Singer de seu filme anterior foi tão grande, que até hoje ressoa comigo. O primeiro “X-Men” pode se gabar de ter sido o primeiro filme mainstream da Marvel a fazer de maneira correta. Mas na época filmes de super-heróis de quadrinhos eram uma grande incógnita, e por mais que Singer viesse de filmes prestigiados, sua verba foi curta e seu filme podado para encaixar em apenas 90 minutos de projeção. Tudo poderia sair muito errado. Tudo saiu muito certo.

Singer recebeu sinal verde para um filme maior e melhor. “X-Men 2” elevou o jogo em todos os quesitos; pôde desenvolver melhor seus personagens num filme mais longo, e Singer teve recursos suficientes para nos tirar o fôlego com suas grandes cenas de ação. Preferindo sempre usar o mínimo de efeitos de computador possíveis, o diretor se mostra da velha guarda criando tudo de maneira prática durante as filmagens, e adicionando o mínimo na pós produção. “X-Men 2” ainda reina como o melhor filme dos mutantes no cinema, e possui algumas das cenas mais antológicas já criadas para um filme do subgênero, como a discussão sobre deixar de ser um mutante, com os país do personagem Homem de Gelo.

 

1. Os Vingadores (2012)

Não tem jeito, o mais lucrativo filme da Marvel é também seu melhor e mais completo. É raro lucro e qualidade casarem, mas no caso de “Os Vingadores” seu sucesso é justificável. Em parte por uma sacada de gênio da Marvel que desenvolveu todos os personagens do filme, em projetos solo anteriores, dessa forma não precisávamos adentrar nenhuma de suas histórias de origenm, e o diretor Joss Whedon pôde se concentrar apenas no desenvolvimento dos personagens, seu relacionamento, e é claro, nas empolgantes cenas de ação. Uma aposta arriscada que poderia muito bem ter resultado numa verdadeira bomba (era o que achava o seu terrivelmente equivocado locutor), cujos medos foram limados ao chegar ao conhecimento geral que a obra teria duas horas e meia de projeção. Whedon, vindo da TV, mostra como fazer malabarismo com diversos personagens num único filme de forma satisfatória. Uma verdadeira aula.

Celebridades Antes e Depois da Fama…

Dinheiro, glamour, fama… é quase impossível não ter sua aparência alterada para melhor quando você leva uma vida de celebridade, com direito a assessores, tratamentos, cabelereiros particulares e uma equipe à seus pés.

As grandes celebridades de Hollywood gastam fortunas para parecerem perfeitas:Botox, extensões de cabelos, treinadores pessoais para musculação, personal stylists…

Com exceção de um ou outro jogador brasileiro de futebol, cujo nome não citaremos para evitar processo, a maioria das celebridades são endeusadas pelo poder dinheiro e benefícios da fama.

Sendo assim, separamos várias imagens dessas gracinhas antes e depois da fama.

Angelina Jolie

Mila Kunis

Hayden Panettiere

Rihanna

Jessica Biel

Scarlett Johansson

Natalie Portman

Halle Berry

Milla Jovovich

Jennifer Aniston

Charlize Theron

Teri Hatcher

Brad Pitt

Colin Farrell

Lady Gaga

Sandra Bullock

Nicole Kidman

Jennifer Aniston

James Franco

Amy Adams

Anne Hathaway

Natalie Portman

Tina Fey

Zach Galifianakis

Brad Pitt

Taylor Swift

Linda Evangelista

Madonna

Heather Locklear

Megan Fox

Cameron Diaz

Angelina Jolie

Katie Holmes

Planeta Solitário

(The Loneliest Planet)

 

Elenco:

Gael García Bernal, Hani Furstenberg, Bidzina Gujabidze.

Direção: Julia Loktev

Gênero: Suspense

Duração: 113 min.

Distribuidora: Lume Filmes

Orçamento: US$ — milhões

Estreia:2014

Sinopse:

Casal explora as montanhas do Cáucaso, na Geórgia. Mas, durante a viagem, começam a descobrir coisas um sobre o outro.

Curiosidades:

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Tese Sobre um Homicídio

(Tesis Sobre un Homicidio)

 

Elenco:

Ricardo Darín, Alberto Ammann e Calu Rivero.

Direção: Hernán Goldfrid

Gênero: Suspense

Duração: 106 min.

Distribuidora: Califórnia Filmes

Orçamento: US$ — milhões

Estreia: 26 de Julho de 2013

Sinopse:

Roberto Bermudez é um especialista em Direito criminal cuja vida se torna um caos quando ele se convence de que Gonzalo, um de seus melhores alunos, cometeu um assassinato brutal em frente à Faculdade de Direito. Determinado a descobrir a verdade ele começa uma investigação pessoal que logo vira uma obsessão e o leva inevitavelmente a lugares sombrios. A verdade está próxima, mas a que custo?

Curiosidades:

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Trailer:

Cartazes:

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Fotos:

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A Bela que Dorme

(Bella Addormentata)

 

Elenco:

Toni Servillo, Isabelle Huppert, Alba Rohrwacher, Michele Riondino, Maya Sansa, Pier Giorgio Bellocchio.

Direção: Marco Bellocchio

Gênero: Drama

Duração: 115 min.

Distribuidora: Califórnia Filmes

Orçamento: US$ — milhões

Estreia: 05 de Julho de 2013

Sinopse:

O novo filme de Marco Bellocchio faz uma exploração multifacetada da complexa questão da eutanásia, em resposta ao famoso e controverso caso de Eluana Englaro na Itália. Um senador tem de decidir se quer aprovar uma lei que vai contra a sua consciência e a linha de seu partido, enquanto sua filha Maria, uma ativista de um movimento pró-vida, protesta na porta da clínica na qual Eluana está sendo tratada. Ao lado de seu irmão, Roberto é um militante laico, um opositor por quem Maria se apaixona. Em outra parte, uma grande atriz procura por sua fé e um milagre para salvar a filha, que está em coma irreversível há anos, e por quem ela sacrificou sua relação com o outro filho. Por fim, a desesperada Rossa quer morrer, mas um jovem médico chamado Pallido opõe-se radicalmente ao seu suicídio. Essas histórias convergentes são conectadas por uma reflexão sobre o sentido da vida.

Curiosidades:

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Trailer:

Cartazes:

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Fotos:

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CINEMA: BELLOCCHIO, IL MIO SGUARDO LAICO SU FINE VITA

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