Armadilha

 

O que você faria se estivesse em um caixa eletrônico, em uma madrugada deserta, prestes a sofrer uma violência de um maluco encapuzado parado em frente à uma porta eletrônica? Dirigido pelo estreante em longas metragens, David Brooks, “Amadilha” (‘ATM’, como são chamados os “Caixas Eletrônicos 24 horas” nos EUA) tenta criar uma atmosfera de suspense que não surpreende nem gera medo em nenhum dos 90 minutos de filme.
Muito difícil saber quem está pior em cena, Josh Peck ou Alice Eve. Brian Geraghty ao menos se esforça ao seu máximo para tentar dar algum sentido ao seu medroso personagem.

Na trama, um amigo convence um outro de ir à uma festa de confraternização onde estará a garota de seus sonhos. Após um lance de sorte (bastante forçado, diga-se de passagem), o jovem apaixonado tem a chance de dar uma ‘carona amorosa’ à sua eminente conquista, porém, um amigo também embarca nessa viagem e o trio, após um pedido inusitado por comida, dá uma parada em um caixa eletrônico onde acabam em uma luta desesperada para salvar suas vidas quando ficam “presos” no local por um homem misterioso vestido com uma roupa de frio.

Quem assina o roteiro é Chris Sparling (que também fez o roteiro do ótimo “Enterrado Vivo”), pena que não consegue acertar com esse, como em trabalhos anteriores. Tudo é muito sem sentido e o material humano também não ajuda. Muitas das situações que vemos nas sequências são extremamente forçadas e sem um pingo de criatividade, deixa muito à desejar. É uma verdadeira maratona ir até o fim da fita.

Tem coisas que não dá para entender: 1) Porque eles decidiram ir até o “ATM” mais escuro, isolado e sombrio da cidade? 2) Porque o carro foi estacionado a muitos metros de distância da entrada do “ATM” ? 3) Qual o motivo do Serial “ATM”? Essas são apenas algumas, muitas outras vocês indagarão se forem ver esse longa que prometia ser ao menos interessante mas se perde do início ao fim.

Esse não vale nem levar aquela paquera para ver, o filme não dá medo! Se você quer pulos nas cadeiras ou uma trama intrigante corra para ver outra fita! Muito abaixo da média entre os filmes do gênero!

 

Crítica por: Raphael Camacho (Blog)

 

 

Argo

 

O que pensar de um filme que verdadeiramente salva pessoas? Baseado em fatos reais, “Argo”, é uma história inacreditável que mistura piadinhas hollywoodianas à uma tensão política que ocorreu entre Irã e EUA no final da década de 70 e início dos anos 80.
Dirigido pelo ator e também diretor (graças a Deus) Ben Affleck, o drama consegue prender a atenção do público, do início ao fim, nos poucos mais de 110 minutos de fita e tem tudo para ganhar muitos Oscars na próxima cerimônia dessa grande festa.

Na trama, somos guiados para o dia 4 de novembro de 1979 quando a embaixada americana no Irã foi atacada por militantes, fazendo inúmeros reféns. No meio desse caos, seis americanos conseguiram fugir por uma saída secreta e se refugiaram na casa do então embaixador canadense. Após acharem fotos de todos que estavam na embaixada, os militantes descobrem que faltam 6 pessoas e vão à caça dos mesmos. A CIA, sabendo disso, chama o especialista em “exfiltração” Tony Mendez (Ben Affleck) que arruma um plano incrível, inventar a gravação de um filme (uma ficção científica, à la “Duna”, talvez) e fazer os seis se passarem por parte dessa produção e assim retirar todos dessa zona de perigo.

Quem diria que um filme dentro de uma guerra gerasse uma trama tão inteligente inserido dentro dessa revolta mundial. O país todo dependia daquele ato, só alguns sabiam. O roteiro é bem amarrado, consegue utilizar clichês mas de maneira superficial, o que ajudará o longa a ter muita aceitação do mundo cinéfilo. O público não tira os olhos da telona, torce a cada instante para um desfecho positivo sempre guiados, dentro dessa tensão, pela fabulosa trilha sonora do genial Alexandre Desplat. Entre partidas de xadrez, cigarros e discussões a tensão aumenta a cada dia na vida daquelas seis pessoas. Os dramas individuais vão se unificando, totalmente reféns daquela situação que não tem fim. Destinam suas vidas a um homem com uma ideia mirabolante, fato que os deixam preocupados e em saber que decisão tomar (também, não era pra menos , né?).

Além de problemas políticos, vidas em risco, Cia, Governos, Eua e Irã, o filme tem um grande espaço para falar sobre cinema. Nessa ótica temos que aplaudir esse terceiro filme dirigido por Affleck e toda sua produção que fora impecável na retratação dessa grande história, principalmente o lado em que bate nessa grande indústria e seus envolvidos. Falando nisso, precisamos destacar os excelentes John Goodman e Alan Arkin. O primeiro interpreta o lendário John Chambers, artista famoso no mundo do cinema (ganhador do Oscar de melhor maquiagem por “Planeta dos Macacos” em 1968) que tem papel primordial para que a missão aconteça. Goodman consegue dar uma veracidade impressionante ao personagem sempre com ótimas sacadas. Já o segundo interpreta Lester Siegel, produtor famoso de décadas atrás, que junto com Chambers eram os únicos civis que sabiam de todo o plano. Arkin dá um show, humor, tensão e excelentes diálogos, merece todos os prêmios de coadjuvante no ano que vem. As duas atuações, marcantes, junto com o roteiro e a direção são os grandes pilares do filme.

Com tantos elogios, está feito o convite. O cinema salva vidas! Você duvida? Vá conferir nos cinemas!

Crítica por: Raphael Camacho (Blog)

 

 

Aqui é o Meu Lugar

 

Todos nós precisamos encontrar um rumo para nossas vidas. Com esse pensamento, a nova ‘dramédia’ dirigida pelo cineasta italiano Paolo Sorrentino, “Aqui é o meu Lugar”, mostra a história de um ex-roqueiro interpretado brilhantemente pelo ator californiano Sean Penn rumo à descoberta de novas diretrizes para sua tediosa vida.
A trilha muito agradável, assinada por David Byrne e Will Oldham, coloca o tempero certo para acompanharmos essa interessante trajetória.

Na trama assinada por Paolo Sorrentino e Umberto Contarello um deprimido ex-astro do rock, com uma vasta cabeleira preservada daqueles tempos, vai para os Estados Unidos em busca do carrasco de seu pai (com o qual não falava à 30 anos), um criminoso de guerra dos tempos do holocausto.

O personagem principal é um ex-roqueiro famoso que tem muitas peculiaridades, passando uma empatia fora do comum em cena. Conhecemos Cheyenne em seu casarão na Europa, onde mora com sua mulher Jane e vive uma vida pacata longe das badalações. Hoje em dia o ex-roqueiro vive uma vida limitada e monótona praticando esporte em uma piscina desativada ou indo ao shopping (sempre com sua mala de alça) conversar com uma vizinha, por quem tem um grande carinho. Começamos a entender melhor as aflições e conturbações que pairam naquela mente após Cheyenne saber do estado de saúde de seu pai. Nessa rota de fuga e liberdade, para achar um homem que fez mal ao seu velho, encontra a grande oportunidade que esperava há tempos: encontrar um novo sentido para sua vida.

Um fator muito interessante e que encaixa como uma luva na história é a excentricidade da esposa do roqueiro, Jane, interpretada pela ganhadora do Oscar Frances McDormand. Casada a mais de 30 anos com Cheyenne, a profissional do corpo de bombeiros tem cenas hilárias, às vezes praticando Tai Chi Chuan, outras vezes, praticando esporte com o marido.

O final da fita é bem emblemático e fecha bem todo o ciclo de descobertas que acompanhamos aos olhos do protagonista.

Curte filme Cult? Esse longa é uma grande pedida!

 

Crítica por: Raphael Camacho (Blog)

 

 

Aquarela – As Cores de uma Paixão

 

Sinopse: O pai de Carter o deixa passando um final de semana na casa de uma amiga. Ele se aproxima do filho dela, Danny. Entre os dois nasce um amor proibido.

As câmeras cinematográficas – aquelas que usam filme de celuloide – sempre fizeram um barulho tremendo. Como desde 1928 a maioria dos filmes são sonoros e os microfones captam o ruído, foram inventadas as chamadas câmeras blimpadas para solucionar a questão acústica. O aluguel desses equipamentos é mais caro do que das máquinas mais antigas e mais barulhentas. Por isso, muitas produções de baixo orçamento recorriam às câmeras sem proteção contra ruído.

Atualmente, com possibilidades mais baratas de captar as cenas em vídeo de alta-resolução, qualquer produção que teime em alugar câmeras que não são blimpadas mostra total descaso com o projeto de som. Infelizmente esse é o caso de Aquarelas – As Cores de uma Paixão (Watercolors).

Além do som da câmera ser audível em alguns momentos, há evidências de que todas as fases de construção sonora foram desleixadas (captação, edição e mixagem). Não há um ambiente sonoro pensado e em algumas cenas os microfones estão claramente mal posicionados, captando ruídos que se sobrepõem às falas dos atores.

Se o leitor conseguir eliminar os crimes contra a audição, poderá aproveitar uma bonita história de amor. As motivações dos personagens são bem autênticas, com destaque para a forma como Carter não assume para si mesmo sua homossexualidade, um drama comum em algumas pessoas.

O roteiro é bem inocente em certos sentidos e poderia tirar grande proveito de uma revisão para dar mais destaque para os elementos realmente importantes. Em mais de uma oportunidade Carter teme as reações de Henry ao descobrir a relação dos dois personagens principais, mas o espectador pode ficar se perguntando quem é o sujeito. Confesso que achei que se tratasse do pai de Carter, ou até do treinador de natação. Nem uma coisa nem outra, Henry não tinha ganhado uma apresentação decente.

O título é cheio de sentidos. O arco-íris é o símbolo do orgulho gay, Carter é nadador e a água remete a pureza do amor entre ele e Danny. Tudo isso faz sentido; no entanto, Danny é pintor e usa algumas técnicas durante o filme, sem nunca tocar em uma aquarela!

 

Crítica por: Edu Fernandes (CineDude)

 

 

Aquamarine

 

 

De tempos em tempos, Hollywood produz uma comédia adolescente que vai além da já sem graça batalha entre “winners” e “losers” da sociedade norte-americana. É o caso deste simpático “Aquamarine”, em que duas adolescentes encontram uma sereia dentro de uma piscina e precisam ajudá-la a conquistar um amor de verdade em apenas três dias – caso contrário, o belo ser mitológico terá de encarar um casamento forçado no fundo do mar.

Leve e bem humorada, a fita tem todos os ingredientes das melhores sessões da tarde: personagens carismáticos, em especial as amigas com 13 anos Claire (Emma Roberts, da série de TV do canal Nickelodeon “Unfabulous”) e Halley (a cantora e atriz Joanna ´Jojo´ Levesque), uma belíssima e convincente sereia (interpretada pela também cantora e atriz Sara Paxton, da série da rede NBC “Darcy”), divertidas batalhas entre a turma do bem e do mal, além de várias técnicas “infalíveis” de conquista.

Quando a sereia apaixona-se à primeira vista pelo salva-vidas boa pinta Raymont (Jake McDorman), por exemplo, rolam soltas na tela os valorosos e hilários conselhos de revistas femininas para chamar a atenção do ser amado, coisas do tipo “dê gargalhadas ao caminhar” e “elogie e suma”. O resultado deve garantir ao filme um generoso time de fãs adolescentes. Aquamarine é baseado no elogiado livro de Alice Hoffman, que, entre outras obras, escreveu “Da Magia à Sedução”, filmado com Nicole Kidman e Sandra
Bullock, e “Seu Amor, Meu Destino”. A direção foi entregue a Elizabeth Allen, que até então tinha dirigido apenas um curta, o premiado “Eyeball Eddie”.

 


Crítica por:
Edson Barros

 

 

Aproximação

 

Sinopse: O pai de Ana falece e lhe faz um pedido inusitado no testamento. Ela deve ir até a Faixa de Gaza conhecer a filha que teve na adolescência.

O cineasta Amos Gitai é nascido em Israel e em seu mais novo trabalho, o filme Aproximação (Disengagement), a história a ser contada se passa na desocupação da Faixa de Gaza. Para almejar certa imparcialidade, ele faz uma opção inteligente na dinâmica das câmeras. A todo o momento o que se vê são planos bem abertos e sem grandes movimentações, fugindo da câmera documental tão em voga no cinema contemporâneo. Se optasse por cortes e closes, haveria espaço para especular quais detalhes o diretor quer ressaltar e orientar o olhar do espectador.

Com isso, o filme acaba assumindo algumas características teatrais, para o bem ou para o mal. A atuação de Juliette Binoche (Paris), por exemplo, pode irritar quem não curte peças de teatro, mas pode ser bem recebida pelos fãs do tablado. Já o que foge da questão de gosto pessoal é a figura do rabino. Ele atravanca o desenvolvimento do enredo de tal forma, que algumas pessoas vão torcer para que haja uma cena de violência policial.

Outra tática nessa estratégia da neutralidade é a falta de trilha musical. Há cenas interessantes com uma cantora de ópera, mas a trilha clássica que toca ao coração é deixada de lado para não ficar apontando os momentos em que mais emoção deve ser investida.

O efeito colateral de tal escolha é deixar filme muito frio. Tanto que, na cena final, quando finalmente se tem a trilha a todo vapor, fica praticamente impossível resgatar a emotividade.

 


Crítica por:
Edu Fernandes (CineDude)

 

À Prova de Morte

 

Antes tarde do que nunca, meus amigos! Podem comemorar que finalmente (e desta vez é para valer) chega aos cinemas brasileiros a obra mais descompromissada de Quentin Tarantino, parte integrante do projeto Grindhouse, no qual o diretor uniu-se a Robert Rodriguez (Sin City) para formar um combo de filmes propositadamente tosco e ousado.

Planeta Terror, a outra parte, estreou no Brasil há quase dois anos, não foi muito bem de bilheteria, mas acabou virando um pequeno cult-trash.  Lançadas separadamente e em versões ampliadas no Brasil, as obras me pareceram melhores como combo – mesmo porque os longas dialogam entre si, com personagens  que aparecem nas duas histórias e com seus diretores fazendo uma ponta, assim como o amigo e também diretor Eli Roth -, especialmente no caso do filme do Tarantino, que já é bom com 110 minutos, mas seria ainda mais dinâmico com a redução do tempo de algumas sequências, especialmente as sequências de longas e fúteis conversas de bar.

À Prova de Morte (Death Proof) é o nome do imponente e assustador carro do dublê Mike (Kurt Russell), pensado para cenas de acidentes, mas que Mike usa para outras finalidades. De passagem pelo Texas, ele tem sua atenção voltada para algumas garotas do local.

Utilizando de equipamentos bem menos tecnológicos e pouca luz artificial, Tarantino assume uma estética trash oitentista e imagens muitas vezes embaçadas ou propositadamente cheias de falhas, inclusive falhas de montagem, cortes bruscos que antecipam-se ao término da cena – chegando inclusive a cortar clímaxes, como a ótima dança sensual de Rose McGowan – erros grotescos de continuidade e oscilações de colorização.

Mas incrivelmente boa parte da graça do filme vem dessas “falhas” e é possível perceber o quanto a equipe deve ter se divertido e feito um trabalho sem compromissos de entregar algo perfeito imageticamente. Na verdade, este é o filme que Tarantino pode se mostrar um tremendo tirador de sarro, mais do que costumeiramente o faz em outros longas.

A história inicia-se morna, mas fica cada vez mais interessante, quando surge em cena Kurt Russell e quando entra nos últimos trinta minutos, eletrizantes e deliciosamente feministas, pela presença das vingativas Kim (Tracie Thoms), Abby (Rosario Dawson) e Zoe (Zoe Bell), esta última a melhor do filme – e olha que originalmente ela nem atua, pois é quase sempre dublê.

À Prova de Morte é um filme para poucos. É feito para aqueles que curtem um cinema descompromissado e que consigam entender a proposta do diretor, sem reclamar das falhas ou achar que foi realmente mal feito.

No fim, a empolgação pode ser tanta que ficará difícil se conter ao som de Chick Habit, interpretada por April March.

Doido demais.

 
Crítica por: Fred Burle (Fred Burle no Cinema)

 

 

À Procura de Eric

 

À Procura de Eric, de Ken Loach, nos cinemas a partir desta sexta, 6 de novembro, não é, à primeira vista, um trabalho típico do diretor. Conhecido por ser engajado e transportar isso para seus filmes, Loach segue o mesmo caminho de Ang Lee e aponta para uma nova estrada, a da comédia. Mas os fãs do diretor não irão se decepcionar: nas entrelinhas é o bom e velho Loach de sempre, agora com boas doses de risadas.

A história gira em torno de Eric Bishop (Steve Evets), um carteiro da cidade de Manchester, na Inglaterra, apaixonado por futebol. Sua vida não é lá essas coisas, mas ele insiste em não olhar para frente: com um pé no passado e remoendo mágoas, acumula problemas e frustrações.

Seu grande ídolo é Eric Cantona, o jogador de futebol que idolatrado pela torcida do Manchester United nos anos 1990. E é o próprio Cantona que passa a visitar Eric em sua imaginação, dando conselhos e o ‘empurrãozinho’ que faltava para o carteiro aparar as arestas de sua vida. Com ajuda o ‘amigo’, Eric tenta resolver seus problemas com a ex-mulher e com um dos seus enteados. E percebe que, assim como no futebol, a vida também é uma caixinha de surpresas.

O longa tem como grande trunfo a dobradinha simpática entre Evets e Cantona. Há, no entanto, lá pelo meio da história, alguns momentos em que o jogador não aparece – quando a trama perde o ar de comédia e vira um drama tenso. Sente-se falta de Cantona neste trecho do filme, mas ele volta, nos momentos finais, para a redenção de Eric.

Cena a cena, À Procura de Eric vai crescendo em emoção, humor e referências a problemas corriqueiros que qualquer pessoa poderia ter. É essa identificação com o protagonista que aproxima o espectador do filme, sendo impossível resistir às suas imperfeições tão comuns ao ser humano. Os amantes de futebol terão ainda a chance de ver Eric Cantona em momentos históricos no campo. E é justamente aí que Loach se revela: o esporte que leva multidões aos estádios foi o caminho achado pelo diretor para fazer uma análise sincera e peculiar do Homem.

À Procura de Eric é o tipo de filme que conquista o público aos poucos, fazendo com que o personagem fique em nosso imaginário assim como Cantona ficou no dele. Simpático e simples, mexe com a massa, exatamente como o futebol. E, ao invés de aplausos, vamos fazer uma ‘ola’ para o Ken Loach. Ele merece.

 


Crítica por:
Janaina Pereira (Cinemmarte)

 

 

À Procura da Felicidade

 

 

Os anos 80 é a década em que vive o personagem de Will Smith. Chris Gardner, um vendedor talentoso e carismático, que através do trabalho e da esperança, sustenta sua família. Mas os problemas financeiros tornam-se mais graves e Gardner é abandonado pela esposa (Thandie Newton). Sozinho, ele passa a ser o único responsável por seu filho Christopher (Jaden Christopher Syre Smith), uma esperta criança de cinco anos.

À procura de estabilidade financeira, Gardner aceita estagiar, sem remuneração, em uma grande corretora financeira. Apesar das dificuldades geradas pela falta de dinheiro e até de moradia, Gardner não se deixa abater-se e segue sua meta: ser o candidato escolhido para a única vaga e assim, admitido no quadro de funcionários.

Humano, o filme expõe de maneira crua e realista a indirefença sofrida por aqueles que estão à margem da sociedade, mostrando a perda do respeito e da dignidade de quem não possui as “qualificações” exigidas para poder viver em grupo. O diretor Gabriele Muccino demonstra isso através de várias passagens, como quando Gardner é despejado de sua casa e precisa andar carregando seus objetos, inclusive para o trabalho. As dificuldades pelas quais ele está passando não são notadas pelos colegas, pessoas com as quais ele convive durante todo o dia. Seres tão condicionados, que se tornaram pessoas automatizadas.

Baseado em uma história real, À Procura da Felicidade é um filme bem conduzido. E o público se identificou com a história de Gardner. A ótima receptividade nos cinemas americanos e canadenses, onde o longa arrecadou US$ 27 milhões no primeiro final de semana, demonstra que o público freqüenta o cinema quando boas histórias são contadas.

Mas os críticos também reconheceram o trabalho do diretor Gabriele Muccino e indicaram sua obra em duas categorias ao Globo de Ouro – Melhor Drama e Melhor Canção Original. Já no Oscar, a indicação foi para o ator Will Smith, que concorre na categoria de Melhor Ator.

Antes de ser um bom entretenimento, À Procura da Felicidade é uma lição de vida. Um belo, humano e sensível filme que merece ser assistido.

Crítica por: Viviane França

 

Aprendiz de Feiticeiro

 

 

Merlin, o próprio, treinou três aprendizes: Balthazar Blake (Nicolas Cage), Maxim Horvath (Alfred Molina) e Veronica (Monica Bellucci). Sua missão era proteger os segredos mais poderosos da feitiçaria, mas Horvath se voltou contra seu mestre e juntou forças com a maligna Morgana le Fay (Alice Krige). Veronica aprisiona a alma da bruxa em seu próprio corpo, e as duas são trancafiadas em um artefato mágico. Ao longo dos séculos, Balthazar procura o jovem sucessor de Merlin, que será capaz de destruir le Fay de uma vez por todas. Dave (Jay Baruchel), nerd incurável que não sabe como se aproximar de Becky (Teresa Palmer), é esse jovem.

Com uma sinopse dessas, o que se pode esperar de O Aprendiz de Feiticeiro é diversão pura e quem procurar mais que isso não sabe brincar. Levando em conta, claro, que os realizadores saibam brincar, para começo de conversa. Existe bastante material para trabalhar no sentido do entretenimento, pois o filme anda pela fantasia, pelo romance, pela ação e pela comédia. E, pouco a pouco, todos esses gêneros, salvo o primeiro, vão sendo diminuídos ao que têm de mais desinteressante e tedioso.

Apesar de alguns diálogos inspirados, a relação de Becky e Dave raramente sai daquele esquema chato: a aproximação atrapalhada, a esperança de dar certo, a decepção e o final… bem, falar que não há surpresa é estragar a não-surpresa? É bonito, por outro lado, que o amor dos dois ganhe bastante tempo de cena. O romance é tratado com dignidade, e não como um detalhe burocrático da trama, como o momento “dama em perigo” atesta.

Já na ação, não há nada que compense a incompetência do diretor Jon Turteltaub. Apenas alguns momentos isolados tentam, sem sucesso, desenvolver algum ritmo, mas as a maioria das cenas ou sai atrapalhada, ou apressada ou as duas coisas. Até no quesito comédia os seis roteiristas conseguem algumas poucas falas espirituosas e referências nonsense a Chinatown, Star Wars e Fantasia. Isto em meio a piadas péssimas de “ai-meu-saco”, de “o-que-é-que-você-disse?” e de “ai-desculpe-eu-não-queria-ter-soado-ambíguo”.

Por fim, como fantasia, o filme consegue se manter agradável. A profusão de magias e feitiços consegue fazer jus ao trailer, que junta quase tudo de mais legal em dois minutos. É até divertido como os poderes dos feiticeiros são praticamente ilimitados, dependendo apenas da imaginação e da alta qualidade dos efeitos visuais. Fica, entretanto, uma ponta de decepção pelo subaproveitamento de vários encantos interessantes e pelo uso excessivo da tal bola de plasma, que perde a graça bem rápido.

Um último comentário sobre o elenco, que, dada a qualidade da coisa toda, surpreende. Baruchel, apesar da voz afetada e da gagueira constante, soa natural e simpático, e faz um contraponto com Cage, contido para seus padrões. Molina se diverte e faz questão de passar isso para sua performance, criando um vilão simples e interessante, enquanto deixa instantes de maldade pura se apossarem de Krige, frígida até quando seu rosto virou uma maçaroca de CGI. Palmer está bem, e não dá para esperar mais.

Se diversão é a palavra de ordem, O Aprendiz de Feiticeiro oferece minúsculos lampejos do que propõe. Ou seja, o espectador não precisa pedir muito para sair insatisfeito. Seria melhor passar menos tempo defendendo a postura de “filme só para divertir” e mais tempo divertindo de fato.

 

Crítica por: Pedro de Biasi (Universo Animado)

 

 

O Aprendiz de Feiticeiro

 

 
O material de divulgação do novo filme da Disney trás o seguinte trecho: “Deve ser magia. O Aprendiz de Feiticeiro (The Sorcerer’s Apprentice) incendiou a imaginação de algumas das mentes mais criativas da história, como Nicolas Cage, Jon Turteltaub e Jerry Bruckheimer.” Sei. Daí vocês já tirem o quanto o filme força a barra.

O filme é baseado no trecho de Fantasia (1940), filme de curtas musicais Disney, cujo trecho “Aprendiz de Feiticeiro” é protagonizado pelo Mickey, num dos números musicais mais queridos do cinema, no qual ele (Mickey) é incumbido pelo seu mestre feiticeiro a limpar toda a casa. Cansado, o ratinho resolve usar dos seus poderes para ordenar que as vassouras e outros apetrechos limpem todo o recinto automaticamente, o que obviamente termina em bagunça, pois ele ainda não sabe domar seus poderes. A sequência é repetida no novo longa do diretor Jon Turteltaub (A Lenda do Tesouro Perdido), mas sem a magia da sua fonte inspiradora.

Após a sequência de apresentação no (pior) estilo Harry Potter, vem o infeliz e batido truque do bilhete, que é deixado cair por um garotinho e é levado pelo vento, passando pela pata de um cachorro, a bolsa de uma senhora e assim vai, sendo seguido pelo garotinho, até que chega a uma antiga loja de antiguidades, na qual obviamente o menino entrará e encontrará o bruxo Balthazar (Nicolas “Hagrid” Cage), que verá nele a figura do “escolhido” (Neo?), aquele que poderá lhe ajudar a desfazer o feitiço que prendeu sua amada bruxa Verônica numa boneca chinesa, junto com a malvada bruxa Morgana. Só que os dois terão que enfrentar a perseguição e os poderes de Horvath (Alfred “Snape” Molina), que também cobiça a boneca, assim como o anel do mago Merlin, agora em poder do aprendiz de feiticeiro.

O tal aprendiz é Dave, interpretado por Jay Baruchel, jovem ator que parece ter disposto de todos os tiques e caras e bocas teatrais para ganhar o personagem principal. Interessante é que nem galã ele é, para podermos achar que a escolha foi feita por este motivo. Nicolas Cage é outro perdido, que não veste a camisa da produção e entrega um trabalho bem mediano. Ele contracena no filme com um outro ator-de-filmes-ruins, Alfred Molina, e com a bela mudinha Monica Bellucci (alguém dá uma fala para ela, pelamordedeus? Tadinha!).

Cheio de efeitos visuais bacanérrimos, o filme conta ainda com uma boa trilha sonora e algumas (poucas) sequências divertidas, mas só deve agradar as crianças… ou aqueles que curtiram Eragon e/ou Percy Jackson, quem sabe?!

Tudo bem que a safra de blockbusters não está num nível muito bom neste ano, mas daí a pagar para assistir um filme de roteiro tão batido e sem nenhum elemento ou personagem ou situações que no mínimo divirtam é frustrante.

 

Crítica por: Fred Burle (Fred Burle no Cinema)

 

 

Apollo 18

 

Quando os diretores Daniel Myrick Eduardo Sánchez tiveram a brilhante idéia de usar a internet para criar um viral sobre três pessoas desaparecidas que foram mortas por uma bruxa, o resultado foi o brilhante ‘A Bruxa de Blair’.
As notícias se espalharam pela rede, confundindo a todos sobre a veracidade daqueles fatos, e fazendo com o que o filme tivesse um assustador tom de documentário.

Com o sucesso estrondoso, começamos a ser bombardeados pelo sub-gênero “found footage”, onde somos enganados a acreditar que aquela filmagem mal feita realmente aconteceu, e as fitas foram encontradas e editadas em forma de filme. Tivemos os terrores ‘[REC]’ e ‘Atividade Paranormal’, e agora chega este ‘Apollo 18’.

A ideia é inteligente: ao invés de usar o terror, a fórmula é aplicada na ficção-científica, inovando um pouco o recurso já desgastado.

Oficialmente, a Apollo 17, lançada em 17 de dezembro de 1972, foi a última missão à Lua divulgada. Mas, um ano depois, dois astronautas americanos foram enviados para lá em uma missão secreta, financiada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. O filme traz o que, supostamente, são as imagens reais que eles fizeram durante a missão Apollo 18. Enquanto a NASA nega a sua autenticidade, outros acreditam que essa foi a verdadeira razão para o Homem nunca ter voltado à Lua.

Se a idéia é de bom tom, a execução é mediana. Tentando evitar mostrar que aquilo tudo foi, na verdade, comandado por um diretor, a apresentação dos personagens é corrida e mal feita, prejudicando a identificação do público com os protagonistas.

Porém, a tensão e os bizarros acontecimentos fazem com que o público acabe embarcando na história e se entretendo. Mesmo com as câmeras chacoalhando, ou embaçadas, podemos sentir o medo real daqueles homens – em boas atuações do elenco não divulgado.

Apollo 18’ pega uma fórmula desgastada e adiciona sangue novo, atraindo um certo charme para a produção. Afinal, que não gosta de uma boa teoria da conspiração?

 

Crítica por: Renato Marafon

 

 

Apocalypto

 

 

Mel Gibson realmente está mostrando que tem talento de sobra e conhecimento para conceder ótimas produções, além de conseguir a proeza de mixar filmes Blockbusters e adicionar arte. Após o sucesso do polêmico ‘A Paixão de Cristo’ nas bilheterias, ele ressurge com este ‘Apocalypto’, que não fica atrás.

Imagens belíssimas e um ritmo frenético poderiam facilmente transformar a trama em um ótimo filme de ação de verão, mas Gibson vai além. Ele gravou todo o filme com a linguagem Yucateca, original da tribo em que se passa a história, e ainda assim consegue empregar humor, ação e um toque de cinema Hollywoodiano.

Apocalypto conta a história de Jaguar Paw (Rudy Youngblood), um homem que teve sua vida tranqüila abruptamente mudada por uma violenta invasão.
Governantes de um império Maia em declínio insitem que a chave para a prosperidade é construir mais templos e oferecer mais sacrifícios humanos e por isso, Jaguar Paw é capturado e levado em uma perigosa viagem a um mundo governado pelo medo e opressão, onde um terrível destino o aguarda.
Com a ajuda do acaso e guiado pelo amor a sua esposa e família, ele consegue escapar e agora fará uma corrida desesperada para voltar a casa e tentar salvar a tudo o que mais ama.

O roteiro chega a ser bastante autêntico e inteligente, tenta passar de maneira subliminar que encontramos atualmente o mesmo problema que ocasionou a queda do império Maia, e ao mesmo tempo nutre um filme totalmente frenético, com imagens belíssimas, atuações dignas e uma produção espetacular.

 


Crítica por:
Renato Marafon
Site Oficial : —

 

 

Apocalypse Now

 

 

“Apocalypse Now” de Francis Ford Coppola (baseado no livro de Joseph Conrad) é desses filmes que surgem a cada 20, 30 anos tamanha é sua genialidade, portanto, se você ainda não viu o filme (você é um dos poucos!!) não perca essa oportunidade (o DVD da versão “Redux” está nas locadoras – alugue, adiante a seqüência dos franceses que foi incluída e assista ao resto com a maior atenção do mundo).

Tudo neste filme é espetacular a começar pelo nome que é excelente. Existem lá certas pessoas que dizem que o final é fraco (eu li algum crítico dizendo isso) e a esse respeito só posso dizer que a insanidade foi além do filme e atingiu certos críticos. Também existem umas poucas pessoas que consideram “Nascido Para Matar” (de Stanley Kubrick) como um filme superior, mais uma vez, a insanidade paira no ar. Ok, isso dito, vamos a obra prima.

“Apocalypse Now” (totalmente injustiçado pelo Oscar – levou apenas dois prêmios – fotografia e som) é muito mais do que um filme de guerra, é um filme sobre a influência que uma guerra gera nas pessoas, sobre o quão despropositados são os atos cometidos em uma guerra, é um filme surreal e – por mais contraditório que seja – ao mesmo tempo cruelmente real…

O filme de Coppola se passa no Vietnã – mas poderia se passar em qualquer outra guerra – e é lá que o Capitão Willard (Martin Sheen – que teve um famoso ataque cardíaco durante as filmagens nas Filipinas – os bastidores da complicada filmagem são um filme a parte – atrasando assim, a produção de um filme que era visto por todos como uma loucura de Coppola) é encarregado de encontrar (e exterminar) o renegado Coronel Kurtz (Marlon Brando) que enlouqueceu e fundou uma seita no meio da selva.

Desde a primeira seqüência do filme dá pra perceber a genialidade (estou voltando a essa palavra por não conseguir pensar em outra melhor…) pela qual Coppola e todo elenco estavam tomados durante as filmagens. A cena, com Martin Sheen bêbado no quarto, a música do Doors, o som dos helicópteros se confundindo com o som do ventilador de teto é simplesmente espetacular, e daí em diante não há um só momento de “Apocalypse Now” que não seja sensacional (não custa repetir que na versão “Redux” a maior seqüência incluída – a dos franceses – não condiz com o resto do filme, portanto se você assistir a essa versão, esqueça a seqüência citada).

Um dos pontos altíssimos do filme é o personagem de Robert Duvall, o coronel surfista Bill Kilgore, que é (mais uma vez) genial (na versão “Redux” o personagem de Duvall ganha mais espaço para mostrar as suas maluquices). É dele a mais famosa frase do filme “adoro o cheiro de napalm pela manhã” e também se deve a ele uma das mais surreais seqüências de “Apocalypse Now”, aquela em que ao som de “A Cavalgada das Valquírias”, de Wagner, helicópteros americanos atacam uma vila vietcongue.

Outro ótimo personagem é o seguidor alucinado do Coronel Kurtz feito por Dennis Hopper (que à época das filmagens vivia envolvido com drogas e eu arrisco dizer que a loucura vista na tela vai além de uma grande interpretação).

Além das ótimas atuações de Duvall e Hopper o filme ainda tem Marlon Brando – sempre envolto por sombras na versão original (foi uma exigência do ator que começava em 79 a ganhar as formas arredondadas de hoje) e aparecendo no claro na versão “Redux” – que compõe o insano Coronel Kurtz magistralmente. Sem esquecer de Martin Sheen excelente – inesquecível a cena em que ele levanta da água. (ainda temos no filme Laurence Fishburne – adolescente – como um dos soldados que parte em missão com o Capitão Willard e uma rápida aparição de Harrison Ford).

Contando com excelentes interpretações, direção excepcional e uma fotografia de chorar de tão boa (de Vittorio Storaro), “Apocalypse Now” é um filme estarrecedor e extremamente complexo, absolutamente obrigatório a todo fã de cinema. É sem dúvida um marco da sétima arte e dificilmente será superado algum dia.

 
Crítica por: Juliana de Paula 

 

 

O Apanhador dos Sonhos

 

 

‘O Apanhador de Sonhos’ é um filme em que todo potencial de Stephen King não é demonstrado. As cenas de sangue são bem aproveitadas, mas sua idéia final é um desastre.

Existem diversos fatores para produzir um bom filme , os que faltou em neste, com certeza foi o elemento ‘surpresa’, as cenas são óbvias e longas. Por um certo lado, os efeitos especiais conseguem reverter o processo dramático e monótono.

De uma certa maneira, pode-se notar a forte presença de Stephen King no filme , confesso que estou sempre apreciando seus trabalhos adapatados , desde ‘O Iluminado’ até ‘À Espera de um Milagre’, todos eles , mesmo que sejam dirigidos por pessoas diferentes, aparentam ter sempre elementos do passado que tornam-se importantes para compreensão do filme.

 

O que infelizmente acontece em ‘O Apanhador de sonhos’ é que esse toque foi usado de uma maneira em que o público se cansa, e o deixa cada vez com menos vontade de ver um filme adaptado de S. King .

 

A História do filme se resume em cenas que podem se chamar ‘nojentas’, o sangue usado no filme, é retratado de uma forma importante, a violência é usada de forma implícita, mas quando usada o resultado é ficar duas horas sem comer.

Por um outro lado, as atuações de Jason Lee, Morgan Freeman e Damian Lewis podem ser aplaudidas sem nenhuma dúvida, os momentos finais do filme mostram como pode-se ter um péssimo enredo e um ótimo desfecho.

O mais irritante do filme é a utilização do título (O Apanhador De Sonhos), que em nenhum momento faz jus ao que se passa durante o filme, na minha opinião somente mais um golpe de publicidade , o suposto ‘apanhador’ (dreamcatcher) não faz papel importante no filme, pois dizendo que a ameaça é alienígena, não estou entregando nenhum ponto importante ou final do filme, existe muito mais coisas perante essa ameaça.

A Idéia do trailer, mostra alguma coisa mais sobrenatural, como citado antes, mas espere até chegar nas cenas de ataque, ou finais, você vai notar que esse filme é um ‘SINAIS’ com mais sangue e efeitos especiais melhores.

Em alguns trechos do filme, pode-se perceber como o diretor utilizou bem o orçamento concedido, que aparenta ter sido bastante alto, infelizmente muitas vezes você não consegue perceber se está assistindo um filme de terror, ou um filme de drama ou mesmo ficção, o gênero ficou aberto e as explicações dadas são dificeis e irreais.

Mesmo depois de notar os supostos problemas desse filme, pode-se dizer que o dinheiro investido na compra do ingresso é compensado pelos momentos de suspense e cenas incríveis do ataque… é melhor parar por aqui.

Mas se você está procurando um filme com sangue, drama, cenas perturbadoras e nojentas, O APANHADOR DE SONHOS é um filme perfeito para você .

 
Crítica por: Bruno Medeiros 

 

 

Ao Sul da Fronteira

 

Sinopse: Partindo da Venezuela, o renomado cineasta Oliver Stone percorre países da América do Sul entrevistando seus presidentes. O documentário traça um panorama desses governos de esquerda no continente.

O diretor Oliver Stone faz questão de deixar claros seus pontos-de-vista quando adota alguma temática política em seus filmes, como em Platoon (1986). Dessa vez ele traz toda sua armagura com os republicanos no documentário Ao Sul da Fronteira (South of the Border), no qual alguns presidentes sul-americanos são entrevistados para mostrar como funcionam esses governos de esquerda.

Por ter sua visão bem explícita, o documetário é totalmente parcial e poderá ofender quem não tem a mesma visão de mundo. Quem vota em políticos que preferem construir pistas e viadutos para automóveis e esquecer os corredores de ônibus, ou que aprovam a progressão continuada que permite analfabetos chegando até o ginásio, com certeza não faz parte do público-alvo desse filme. Os representantes clássicos dos setores sociais que já apoiaram a ditadura militar ficarão irritados com as entrevistas. (OK, essa crítica também pode ser considerada tendenciosa).

Stone tenta entrar no filão que já é dominado por Michael Moore, mas sem os requintes que seu colega despojado domina com mais facilidade. Só há as conversas com os presidentes e algumas imagens de arquivo. Ao Sul da Fronteira não se preocupa em construir diagramas, animações ou dar espaço para piadinhas. Alguns dizem que esses recursos tiram a seriedade da obra, mas acabam deixando a mensagem mais fácil de ser assimilada.

 

 
Crítica por: Edu Fernandes (CineDude)

 

 

Antônia – O Filme

 

 

Preta, Bárbara, Mayah e Lena. Quatro garotas da periferia de São Paulo (mais especificamente na Brasilândia) que lutam para fugir da realidade que estão inseridas. Mulheres, negras, nascidas e criadas na periferia, encontram no rap a maneira mais completa de expressão dos sonhos, desejos e ambições dessas e de muitas mulheres desta realidade. Nasce então o grupo “Antônia” que, em meio a todas as adversidades consegue levar esperança para todos os envolvidos no projeto.

Negra Li, Leila Moreno, Quelynah e Cindy são as quatro cantoras escolhidas por Tata Amaral (diretora do filme) entre 1.200 garotas para protagonizarem o longa. Bem escolhidas e preparadas para o contato com as câmeras, cada uma consegue imprimir com veracidade as nuances de cada personagem, mostrando que, apesar de se encontrarem em várias idéias, estão ali mulheres diferentes, com temperamentos diferentes… mas que se unem por uma verdadeira amizade e bem-querer umas pelas outras.

Além do desempenho acima da média das quatro, temos um elenco que soma muito bem com as quatro garotas, onde podemos destacar Thaíde e Nathalye Cris, como empresário e filha de Preta, respectivamente. Todo o elenco veste os personagens com uma espontaneidade que impressiona, agindo naturalmente em cada uma das cenas e situações.

Com um tom quase documental, “Antônia” se destaca pela proximidade com o dia-a-dia da vida das personagens. Uma câmera próxima, colada as personagens nos dá sensação de proximidade física e emocional de tudo que está sendo passado. O espectador se torna um pouco cúmplice, um pouco confidente de cada uma delas, o que facilita o contato entre quem está “do lado de cá com quem está do lado de lá”. Em vários diálogos temos a impressão que não existe separação entre personagem e interprete, tamanha a naturalidade com que as falas são ditas, os sentimentos expressados e, principalmente, a música flui. Não podemos esquecer que se trata de um filme sobre jovens cantoras, logo, a música é parte fundamental do sucesso do longa. Além das boas músicas compostas para o filme, as quatro conseguem dar um verniz interessante até para músicas de letra e melodias duvidosas, como e da cena do casamento, onde elas cantam Killing Me Softly.

Também situado em uma região de violência e descaso, Antônia vai na contra-mão de Cidade de Deus, por exemplo. Resolve centrar sua história em objetivos, em sonhos. A violência está ali, a falta de oportunidade e os preconceitos também. Entretanto, é um filme sobre a batalha incansável por um futuro melhor e pela realização de ideais. É um filme que merece ser visto, revisto e assimilado que mesmo nas adversidades existem diversos motivos para seguir em frente.

 

Crítica por: Rodrigo Soares 

 

 

Anticristo

 

O internauta deve ter ouvido glórias e pedradas sobre Anticristo, novo trabalho de Lars Von Trier. Em parte, foram reações provocadas pelas sequências finais, que se aproximam do cinema extremo. São as tão faladas cenas de mutilação dos genitais. Outro motivo foi o diretor ter feito o filme ainda se recuperando de uma depressão. Some-se a sua declaração de que não explicaria nada sobre o filme. Pronto, o suficiente para parte da crítica atacá-lo.

Apesar das circunstâncias da produção, Anticristo se mantém de pé. Considerando um autor como Von Trier, que vem de obras como Dogville, não podemos esperar algo fácil. Se o cinéfilo quiser o doce da bandeja, deverá se levantar e buscá-lo. Se o espectador amarrar as pontas, poderá sair do cinema com uma sensação mais nauseabunda que a maioria.

O filme se concentra na depressão sofrida por uma mulher após a morte do filho e como o marido tenta ajudá-la. E, principalmente, nas consequência. A primeira sequência é um belo prólogo em câmera lenta e fotografia em preto-e-branco. Enquanto uma cena de sexo entre o casal é mostrada, o filho Nic se dirige para a janela e cai. O acontecimento provoca profunda depressão na mãe (Charlotte Gainsbourg) – em nenhum momento, homem ou mulher são nomeados.

Muito se falou da atuação de Gainsbourg; realmente consegue expor todas as dores de uma mulher que perdeu o filho. Porém, Dafoe não fica atrás. Ocorre que sua atuação não é histriônica. O ator demonstra o afastamento do marido em relação à situação com pequenos gestos e voz burocrática, sempre buscando racionalizar as reações da espora. As dúvidas provocadas pelos acontecimentos no Éden (casa de campo do casal) aprofundam a psicologia da personagem, impedindo que ele se torne um tipo.

A película, contudo, é mais que um “filme de ator”. A marca de Von Trier se faz notar na profundidade da história. Caso o leitor não queria saber o final, pare aqui, porque vamos entregar tudo.

O diretor deixa muitas pontas soltas. Nada de final redondinho. O filme permite muitas interpretações, sempre em torno do que provoca a insanidade da mulher.

A fase inicial de depressão da personagem de Gainsbourg é seguida por reações díspares. Ela acusa o marido de esquecer a familiar, depois declara amor eterno e em seguida tortura-o; há sua relação ambígua com o sexo, ora como uma ninfomaníaca ora culpando-se pelo ato.

A morte do filho seria a primeira causa. Outro agente seria a natureza. Von Trier consegue personificá-la. Ruídos, gritos, animais falantes tornam o Éden um ambiente de horror e claustrofóbico. Constantemente se escuta o barulho das sementes das árvores caindo no telhado, dando a impressão de que a casa será invadida. É quase impulsivo culpar a natureza pelo caos reinante. A própria mulher diz que a natureza é a morada de Satanás.

Todas essas interpretações são permitidas. Porém, uma terceira resposta é possível por conta das pontas deixadas pelo direito.

Primeiro, descobrimos que a mãe já maltratava o filho. Isso explicaria tanto para seus atos quanto para a ideia que faz da natureza em torno do Éden. A morte do filho seria apenas a gota final.

Outro elemento é a culpa pelo falecimento do filho. Próximo do fim, o diretor intercala cenas do prólogo e o rosto de Gainsbourg. Depois, em um close, ela corta sua vagina. Antes, tratou o sexo de forma ambígua e impôs torturas ao marido.

Nada gratuito!

Em um curto espaço de tempo, com fragmentos do prólogo, Von Trier dá a entender que ela podia ter salvado o filho, mas preferiu o sexo. Assim, a agressão ao marido seria uma maneira de culpá-lo. A automutilação seria o reconhecimento de sua culpa.

No fim, o marido mata a esposa. O julgamento que o espectador fará desse ato influirá a interpretação do epílogo. Novamente em preto e branco e com a mesma música, a persona de Dafoe desce o monte do Éden enquanto uma legião de mulheres caminha em sentido oposto. Se o leitor achar que o marido agiu com fúria, essas mulheres seriam a sua danação; se pensar que ele tentava livrar a esposa do sofrimento, a legião seria um bálsamo. Coisas para se discutir na hora do lanche!

Crítica por: Georgenor de S. Franco Neto

 

 

Anticristo

 

Sinopse: Depois da morte do filho de 2 anos em um acidente, um casal retira-se para uma casa de campo para se recuperar do trauma.

Para quem conhece o tamanho do ego do diretor Lars von Trier, Anticristo (Antichrist) será uma lufada de ar renovado no currículo do dinamarquês. Exceto pelos créditos iniciais, compostos apenas pelo nome do filme e o nome do cineasta, ele se comporta. Enquanto no fracasso de O Grande Chefe ele chega a narrar a história, dessa vez ele deixa que o enredo flua livremente com posicionamentos de câmera interessantes.

No entanto, o maior mérito de Trier nesse filme está na forma como ele consegue convidar seu espectador de forma gradativa a adentrar na loucura na trama. Conforme avançam os capítulos, vamos nos aprofundando na psique dos personagens até chegarmos à nebulosa e torturante (no bom sentido) sequência final.

Para se ter uma noção da diferença gritante entre o começo e o final de Anticristo, basta comparar as sensações que esses momentos opostos geram. A primeira cena é altamente plástica, com uma bela direção de fotografia assinada por Anthony Dod Mantle (O Último Rei da Escócia), em câmera lenta e com uma tocante trilha de fundo – uma daquelas passagens únicas em experiência cinematográfica. Por outro lado, ao final da exibição muitos estômagos estarão doendo e muitos corações ficarão inquietos. A tensão permanecerá na mente do espectador mesmo depois de sair do cinema.

Finalmente, em um filme com um elenco composto praticamente por apenas dois atores, o trabalhos desses profissionais é uma peça-chave para o valor geral da obra. Será suficiente dizer sobre o assunto que Charlotte Gainsbourg (A Noiva Perfeita) foi premiada em Cannes e que Willem Dafoe (Um Segredo entre Nós) não fica para trás.

 

 
Crítica por: Edu Fernandes (HomemNerd)

 

 

Antes só do que Mal Casado

 

 

Os irmãos Bobby e Peter Farrelly são típicos casos de gênios que se perdem em meio ao marasmo Hollywoodiano. Diretores e criadores de pérolas, como ‘Débi e Lóide’ e ‘Quem vai Ficar com Mary?’, eles acabaram se tornando politicamente corretos demais, e o humor negro se perdeu.

‘Antes só do que Mal Casado’ consegue retomar um pouco da diversão que transformou a dupla em diretores de sucesso, mas ainda deixa a desejar comparado aos primeiros trabalhos dos diretores. O filme é ótimo, sim, mas ao invés de termos uma comédia romântica abobalhada, inteligente e com humor negro, temos mais um filme romântico com toques de humor.

No terceiro dia de sua lua-de-mel, Eddie Cantrow acredita ter encontrado o amor verdadeiro. Mas, infelizmente, não com a sua nova esposa. Solteiro e com 40 anos recém-completados, o dono de uma loja de artigos esportivos começa a se perguntar se está sendo muito exigente em relação às mulheres que conhece. Sentindo que o mundo inteiro está namorando menos ele, e pressionado por seu libidinoso pai septuagenário Doc e pelo subordinado amigo casado Mac, Eddie Cantrow está pronto para um relacionamento. Tudo o que precisa agora é de uma garota. Depois de evitar um aparente assalto nas ruas de São Francisco, Eddie conhece Lila e os dois rapidamente embarcam em um romance relâmpago, que leva a um precipitado pedido de casamento. No caminho para a lua-de-mel no México, Eddie descobre que a esposa, além do rosto angelical, tem também um linguajar pesado e um apetite quase insaciável por sexo hilariamente vigoroso.

Quando eles chegam ao resort, Lila já passou de uma gentil e doce companheira para uma grosseirona louca por tequila e dona de um passado sórdido, fazendo com que Eddie se pergunte em que se meteu. Com Lila recusando-se a sair do quarto do hotel devido a uma forte queimadura de sol, Eddie encontra consolo no bar, onde conhece Miranda, que não faz idéia de que ele esteja em lua-de-mel. Enquanto se apaixona pelo encanto singelo de Miranda, Eddie tenta ao máximo lidar com as duas mulheres. Mas uma série de confusões leva a um loucamente divertido confronto entre um homem, duas mulheres e uma água-viva.

Ben Stiller continua ótimo com seu jeito de homem abobalhado, e o filme reserva cenas hilárias com seu personagem.

‘Antes só do que Mal Casado’ é uma comédia divertida e cômica, com alguns momentos que tiram o fôlego dos mais animados e risonhos, mas perdeu o que os diretores sabiam fazer de melhor: chocar Hollywood.

 
Crítica por: Renato Marafon