Crítica 2 | Batman vs Superman: A Origem da Justiça

Crítica 2 | Batman vs Superman: A Origem da Justiça

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Atrasada em relação à concorrência, a Warner Bros. finalmente começa a desenhar o Universo Cinematrográfico da DC Comics com um blockbuster megalomaníaco, que custou caros US$ 250 milhões de produção + US$ 150 milhões de marketing.

Tendo estabelecido apenas o universo do Superman nos cinemas, com o mediano ‘O Homem de Aço’ (2013), a Warner decidiu agilizar o processo criativo e incluir o Batman e a Mulher-Maravilha na sequência, e chamou o roteirista vencedor do Oscar Chris Terio (‘Argo’) para encaixar todos esses personagens de uma maneira convincente e elaborar uma história que faça os dois maiores heróis da DC Comics se pegarem na porrada.

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O visionário diretor Zack Snyder faz o seu melhor, criando um universo sombrio em que esses dois heróis possam coexistir, e é bem sucedido com um visual espetacular e uma técnica impecável que tenta seguir os passos e os cortes secos do diretor Chris Nolan. O estilo visual criado por Snyder aqui se assemelha à sua maior obra-prima, o subestimado ‘Watchmen – O Filme’.

O elenco também é recheado de atores de renome que, em sua maioria, entregam seu melhor. O tão criticado Ben Aflleck cria um Batman agressivo, envelhecido e extremamente perigoso, muito semelhante àquele das HQs de Frank Miller que os nerds tanto amam. Ele também é a personificação de Bruce Wayne, um bilionário afogado em mágoas pela morte dos seus pais e pelos percalços da vida.

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Henry Cavill é a imagem e semelhança do Superman: um Deus belo, forte e bombado. Falta-lhe apenas expressões faciais (talvez os kryptonianos não conheçam isso).




Seu super-herói falha em gerar empatia com o público, já que o ator sempre está com o mesmo olhar frio e seco que o distância dos meros mortais. Ele é um ser superior, mas não aparenta ter muito apreço pelos seres humanos (ok, com razão). Como Clark Kent, Cavill consegue demonstrar alguns trejeitos desajustados do repórter, mas ainda longe de ser a versão que sempre imaginamos.

Os únicos momentos em que os sentimentos do herói são afetados são quando a amada Lois e a mãe Martha estão em perigo, fazendo com que o personagem pareça um tanto egoísta e egocêntrico.

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O grande destaque fica pelo elenco feminino: Gal Gadot chega tarde para a festa como a Mulher-Maravilha, mas rouba a cena e se destaca em meio a tanta testosterona. Apesar da criticada magreza, a atriz demonstra a força da Amazona através de sua atuação. Amy Adams brilha como a ruivinha Lois Lane, sempre atrás de problemas e sendo salva pelo amado,  demostrando um grande “girl power” com sua inteligência e audácia. Adams demonstra uma grande evolução de sua personagem, após uma atuação no modo “automático” em ‘O Homem de Aço’.

Outros que merecem elogios são Jeremy Iron, como um irônico e fanfarrão Alfred, e Holly Hunter, como uma senadora ponta firme.

Quem destoa do resto do elenco é Jesse Eisenberg, extremamente afetado e irritante como o vilão Lex Luthor. O ator tenta entregar um vilão cheio de trejeitos, mas sofre de overacting e chega a parecer um Coringa hipster em alguns momentos. Sua atuação caricata chega a incomodar, em um belo exemplo de miscasting.

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Com a correria para introduzir tantos heróis e vilões, ‘Batman vs Superman’ é um filme “ame ou odeia”. É inegável o esforço da Warner Bros. para fazer o filme funcionar, entregando uma ação desenfreada para alegrar os fãs, que acaba extrapolando com a longa duração de 151 minutos. Os olhos chegam a cansar com tantos acontecimentos simultâneos e informações fornecidas.

Inserir mais um vilão no terceiro ato o torna cansativo e supérfluo, tentando agradar demais e falhando em conquistar os fãs com um CGI pra lá de duvidoso.

No mais, o roteiro faz o melhor com o tanto de acontecimentos que precisava entregar, transitando entre Gotham e Metrópolis para estabelecer o Universo de ambos os heróis, mas falta motivação para o tão aguardado embate. Você vai pegar se perguntando “como?”, “aonde?” e “porquê?” em diversos momentos do filme, principalmente os que envolvem as motivações de Lex Luthor e suas ações, sempre mal explicadas e destoadas da trama central.

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Batman vs Superman: A Origem da Justiça’ é entretenimento em sua mais pura forma, que irá agradar aqueles que desligarem o cérebro e desencanarem dos furos do roteiro em detrimento da diversão. O tom sombrio e sério da produção é extremamente distinto da alegoria feliz do Universo Cinematográfico da Marvel, para a alegria geral dos fãs dos quadrinhos.

É o sonho de infância de muitos de nós se tornando realidade, e só por isso já merece seus méritos. O pontapé inicial de ‘Liga da Justiça’ deve agradar o grande público, visando o tanto que desagradou a crítica especializada. Mas não se assuste: público e crítica sempre sempre tendem a discordar quando se trata de grandes produções.

 

 

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