Entre altos e baixos, o mundo das séries conseguiu superar as nossas expectativas e entregar alguns títulos de extremo aclame e aceitação por parte da crítica nacional e internacional e do público.

Desde a incrível animação Arcane até o suspense dramático Mare of Easttown, 2021 provou ser incrível para o cenário do streaming e da televisão – motivo pelo qual nossa segunda matéria especial de final de ano contempla as 21 melhores séries do ano (sem ordem particular). Para tanto, estamos tanto considerando as séries estreantes (e dando mais atenção a elas, obviamente) quanto as que retornaram com temporadas impecáveis e que merecem ser conferidas.

Veja abaixo nossas escolhas e conte para nós qual foi a sua favorita:

RESERVATION DOGS



“Dividido em nove episódios de trinta minutos cada, ‘Reservation Dogs’ é uma série igualmente divertida e extremamente dramática, justamente por centrar sua história no universo juvenil. Ao mostrar a realidade dos adolescentes indígenas contemporâneos daquele país, a série coloca o povo indígena não no passado, mas sim no presente, e demonstra que as dificuldades e os sonhos desses jovens são iguais aos de qualquer jovem ocidental, porém, os conflitos com suas tradições e identidades são intensificados por causa de uma sociedade que não admite outras culturas. Por isso, ‘Reservation Dogs’ é uma das melhores produções do ano, apresentada por uma gracinha de elenco que faz o público rir e sentir com a mesma profundidade.” – Janda Montenegro

TED LASSO

Aproveite para assistir:

A 2ª temporada de Ted Lasso manteve o altíssimo nível da série e fez um estrondo entre a crítica internacional, conquistando 98% de aprovação no Rotten Tomatoes. Estrelada por nomes como Jason Sudeikis (que também fica responsável pelo desenvolvimento da obra), Hannah WaddinghamBrett Goldstein, a história é centrada em Ted, um treinador de futebol americano que é contratado para ser técnico de um time de futebol inglês. Ele, então, tenta conquistar o cético mercado britânico com sua personalidade superotimista e peculiar – além de lidar com a inexperiência no esporte.

SEX EDUCATION



“Episódio a episódio, é notável como o roteiro atinge um potencial esplêndido e que faz algo muito difícil no escopo audiovisual: manter sua qualidade sem se valer do pedantismo. Por um lado, os tópicos apresentados e explorados já foram vistos em construções similares; por outro, nunca foram tratados com tamanha franqueza quanto aqui. Percebe-se a preocupação em cultivar um terreno que celebra a infinita diversidade do elenco, trazendo causas LGBTQIA+ ao mainstream – incluindo duas pessoas não-binárias -, debates pungentes sobre depressão e ansiedade, discussões sobre mecanismos de enfrentamento de traumas e a livre expressão da entidade mental humana e até críticas à burocracia tradicionalista do sistema de ensino atual (que se aplica a diversos países, não só ao representado na série)” – Thiago Nolla

POSE

“Se os esforços estéticos são perfeitos sem querer ousar mais do que conseguem, as refinadas técnicas que Canals e seu time empregam merecem reconhecimento. Em comparação ao início da saga, a deslumbrante e vibrante paleta de cores por vezes manchava as telas em uma profusão frenética de glitter, passos de dança e figurinos chamativos que causavam uma explosão sensorial intensa; agora, tudo continua, mas com uma sobriedade que acompanha o amadurecimento das personagens sem se esquecer do refúgio artístico que criaram para se salvarem e se encontrarem em meio a tanto ódio – com destaque ao trabalho de Simon Dennis e Nelson Cragg numa progressiva e estonteante fotografia” – Thiago Nolla

MISSA DA MEIA-NOITE

“Se o roteiro já nos fisga desde o episódio piloto a descobrir o que caminha pela escuridão da ilha, as atuações do elenco protagonista e coadjuvante são inexplicáveis e exortam performances avassaladoras. Linklater, já conhecido na esfera televisivo, redefine sua carreira ao encarnar Paul, enquanto Sloyan, antiga colaboradora de Flanagan, transmuta-se em uma mulher cega pelo preconceito e movida pelo fanatismo religioso; Siegel se prova, novamente, como uma atriz incrível e que não tem medo de arriscar, nem mesmo nos momentos mais complicados – como nos vários monólogos que encabeça. É claro que as literais citações da bíblia católica podem se render em um artifício demasiado recorrente, mas não o bastante para apagar a brilhantismo da série.” – Thiago Nolla

THE UNDERGROUND RAILROAD

“As performances são nada menos que viscerais e brutais. Mbedu rouba a cena ao encarnar Cora e ao deixar transparecer as múltiplas feridas que a acompanham desde pequena – o abandono da mãe, o sadismo de seus donos e as névoas de um futuro incerto. Como é de esperar, Jenkins promove um circense movimento de altos e baixos, nos convidando para um passeio de montanha-russa que não deixa nada de fora e não imprime nenhuma sensação desnecessária e forçada; pelo contrário, nota-se o modo como o realizador tem respeito pelos personagens e cultiva o terreno para que flores (ou ervas daninhas) cresçam na imensidão. Dessa forma, Cora não está protegida, mas é acolhida de modos variados por aqueles que querem o seu bem ou que apenas querem se aproveitar de uma condição condenável – por exemplo, quando ela cruza caminho com a fanática Ethel Wells (Lily Rabe) ou a distorcida mentalidade da Srta. Lucy (Megan Boone)” – Thiago Nolla



ROUND 6

“O roteiro de Dong-hyuk Hwang é muito bem escrito e convida o espectador a jogar também. Já no primeiro episódio somos fisgados, hipnoticamente, para dentro desse universo estético muito atraente, mas que no fundo sabemos ser uma grande ameaça. Ainda assim, é impossível desviar os olhos dos desafios simples, porém bizarros, aos quais os personagens são submetidos. O primeiro episódio (o da boneca) propõe o jogo ao espectador: quem quiser continuar assistindo e saber o final da história é só seguir adiante nos episódios; quem achar que o conteúdo é pesado demais, pode ficar apenas no primeiro capítulo mesmo, que já dá o tom do que se trata a série e, inclusive, oferece um final meio que alternativo aos que desistirem do jogo” – Janda Montenegro.

MARE OF EASTTOWN

“A obra, supervisionada pela HBO, já é interessante por, mais uma vez, apostar no gênero do drama criminal – dessa vez, nos levando à pequena cidade da Pensilvânia que empresta seu nome ao título. No centro desse melancólico e controverso vilarejo, Winslet insurge como Mare Sheehan, uma detetive sem papas na língua cujo principal objetivo é manter a ordem entre os seus vizinhos e, caso nada de errado aconteça, voltar para a casa que divide com a mãe (Jean Smart), com a filha (Angourie Rice) e com o neto, que passou aos seus cuidados após a aparente morte do filho mais velho, que lhe aparece em momentos mais catárticos e reveladores. Outrora uma famosa jogadora de basquete no colégio local, Mare é conhecida por todos e parece se arrastar para enfrentar os inúmeros problemas de todo dia” – Thiago Nolla

ONLY MURDERS IN THE BUILDING


Já renovada para a 2ª temporada, Only Murders in the Building foi uma das grandes surpresas de 2021 e merece nossa atenção pelo total descomprometimento e leveza com que trata seus temas. A trama segue três estranhos que compartilham uma obsessão pelo gênero true crime e que, de repente, se veem envolvidos em um crime na vida real. Quando uma morte horrível ocorre dentro de seu exclusivo prédio de apartamentos no Upper West Side, o trio – formado por Mabel (Selena Gomez), Charles (Steve Martin) e Oliver (Martin Short) – começa a suspeitar de assassinato e usa seu conhecimento de true crime para investigar o caso. Mas não demora para que o trio perceba que um assassino pode estar vivendo entre eles e que, portanto, estão em perigo. Agora, eles vão ter de correr para decifrar as pistas e descobrir a verdade – antes que seja tarde demais.

MANHÃS DE SETEMBRO

“De certo modo, a carga dramática é centralizada na conturbada dinâmica entre duas mulheres diferentes que se unem por um tempo já esquecido, mas que conseguiu calcar um caminho que intercruzasse num futuro distante; e, enquanto é redundante falar da interpretação aplaudível de Teles, Liniker rouba a cena em uma rendição invejável que dá início a uma nova faceta de sua carreira: Cassandra reúne as minorias em um tour-de-force que oscila da independência sistemático ao conflito interno; sendo uma mulher negra, pobre e trans, ela encontrou seu lugar em meio a amigos próximos – como é o caso do casal gay formado por Paulo Miklos e Gero Camilo – e insurgiu como uma força imensurável em meio a tantas adversidades. É por esse motivo que a conquista de uma quitinete ou a possibilidade de cantar em um clube é motivo de alegria e de que as coisas seguem um caminho de ‘otimismo realista'” – Thiago Nolla.

MAID

A poderosa minissérie biográfica MAID já nos chama a atenção por contar com a produção de Margot Robbie, uma das mais prolíficas artistas do cenário do entretenimento contemporâneo. Baseado no romance não-ficcional homônimo de Stephanie Land, a história gira em torno de uma mãe solteira que trabalha como faxineira e luta para sobreviver contra a pobreza, o prospecto de perder sua casa e uma burocracia mortal. Em pouco tempo, se consagrou como um dos melhores títulos da Netflix neste ano e trouxe à tona discussões importantes sobre temas sociais que estão em voga, como abuso doméstico e os perigos do capitalismo predatório.

RICK E MORTY

Retornando para sua 5ª temporada, a animação adulta Rick e Morty permanece como um dos grandes títulos das últimas décadas do cenário estadunidense – e é claro que a nova leva de episódios não seria diferente. Aqui, o amadurecimento e os conflitos dos personagens principais entram como força-motriz de uma cadeia de eventos que culmina em uma das maiores reviravoltas do ano – e uma construção competente e de tirar o fôlego que destila traços do que poderemos ver em temporadas futuras.

LOVE, VICTOR

“É notável a evolução estética e técnica da segunda temporada em comparação com a anterior. Apesar da insistência alaranjada da fotografia, que por vezes denuncia uma repetição formulaica e que já é vista em diversas produções similares, a coesão do roteiro é o que rouba nossa atenção, fazendo questão de dar enfoque em cada uma das personas. Victor rege boa parte dos eventos que se sucedem, mas entrelaçando-se àqueles que o cercam, não fazendo-os depender dele; Mia passou dez semanas como monitora de um acampamento de férias para colocar a cabeça no lugar, entendendo que não poderia ficar brava com Victor por ser quem ele é, mesmo se sentindo traída; Felix (Anthony Turpel) e Lake (Bebe Wood) se unem em um casal perfeito que, como é de esperar, também passa por inúmeras problemas até culminar em uma realização chocante” – Thiago Nolla

THE WHITE LOTUS

“O aspecto mais vantajoso da produção é o fato de não se levar a sério: White, juntamente ao seu time criativo, não tem quaisquer intenções de arquitetar algo exclusivo ou original, e sim utilizar fórmulas constantes do cenário do entretenimento para criticá-las em um espectro ácido e divertido. Nenhum diálogo está fora de lugar e, mais do que isso, é notável como cada sequência caminha para um lugar diferente. Há certos momentos em que os personagens cruzam caminho, como a chocante interação entre Rachel e Nicole, ou o vergonhoso meltdown de Shane quando percebe que não é superior a ninguém dentro de um lugar em que todos se rendem à alienação e ao individualismo. Aliado a uma estética complexa e paradoxal – que cria um conflito entre uma tétrica trilha sonora e uma fotografia vibrante e panfletária -, o roteiro leva certo tempo para acertar no ritmo e caminha para um grandioso finale” – Thiago Nolla

HACKS

“Duas personalidades completamente diferentes. Duas fases de vida nada iguais. Idades distantes. As protagonistas embarcam em argutos debates sobre a vida, que vão desde os confrontos sobre a não mais atemporalidade de algumas piadas de Vance até mesmo as questões complicadas familiares que a diva do stand up enfrenta mas sem nunca se abrir. Tudo se encaixa com perfeição pelas linhas de um roteiro sublime, até as subtramas são ótimas equilibrando a comédia com dramas ligados ao coração. Há um destaque para a força dessas mulheres sempre à frente de seus tempos. Somos testemunhas de uma forte relação de amizade que nasce aos poucos, também podemos enxergar como ‘mãe e filha’, em meio a todo o caos que insiste em chegar dia após dia dentro do brilho das inesquecíveis noites de shows. Hannah Einbinder e Jean Smart possuem uma harmonia fantástica em cena, um diálogo melhor que o outro. Hacks merece aplausos de pé! Que chegue logo a segunda temporada!” – Raphael Camacho

DICKINSON

Facilmente uma das produções mais subestimadas da televisão, Dickinson pode até ter começado aos trancos e barrancos, mas voltou em 2021 com uma das pérolas do escopo seriado. Guiada pela performance sempre espetacular de Hailee Steinfeld como a revolucionária poeta estadunidense Emily Dickinson, o último ciclo da produção mergulha de cabeça em um amadurecimento estético e narrativo de arrepiar os cabelos. Nos novos episódios, Emily percebe que seu momento mais produtivo como artista ocorre em meio à violenta Guerra Civil Americana e uma batalha igualmente feroz que divide sua própria família. Enquanto tenta curar as divisões ao seu redor, ela se pergunta se a arte pode ajudar a manter viva a esperança e se o futuro pode ser melhor do que o passado.

WANDAVISION

“Com atuações muito boas em personagens excelentes, o saldo da primeira produção original da Marvel no Disney+ é bem positivo. Revolucionaram o mercado? Não acredito, mas nem sempre queremos ver alguém inventando a roda, basta nos entregar uma boa história e bom desenvolvimento de personagens que já ficamos mais que satisfeitos. E isso WandaVision faz muito bem. Fica difícil de controlar a ansiedade para ver o que a Marvel fará daqui pra frente, porque seus primeiros passos no Disney+ foram muito promissores” – Pedro Sobreiro

LUPIN

“A tripla direção de Marcela SaidLudovic Bernard e Louis Leterrier é afinada, construindo um arco geral da missão de maneira sólida e homogênea sem deixar a peteca cair em nenhum dos cinco episódios. De mero golpista, Assane passa a justiceiro a la ‘V de Vingança’ com uma pegada de 007, e a gente torce por ele,  graças à atuação primorosa de Omar Sy, que consegue mudar totalmente sua postura, sua expressão e até mesmo sua voz a cada novo disfarce que Assane usa, com um charme e carisma irresistíveis” – Janda Montenegro

SUCCESSION

Depois de ter dominado a temporada de premiações com duas temporadas irretocáveis, o drama Succession retorno com novos episódios que transformaram o terceiro ciclo na melhor entrada da série até agora. Amplamente ovacionado pelos críticos e pelo público, os capítulos mais recentes têm grandes chances de dominar as categorias das honrarias televisivas e, investindo ainda mais cautela e tempo na narrativa, aumentou os conflitos entre os membros da Waystar RoyCo e da família que empresta o nome à companhia – arracando performances insuperáveis de um elenco estelar.

SWEET TOOTH

“A série ganha notoriedade pelo modo como estrutura a história. Enquanto nada é essencialmente original ou revolucionário, Jim Mickle, que desenvolveu a obra e abarcou a direção do primeiro episódio, conduz com maestria uma aventuresca análise do que significa viver em meio à desordem. Gus e Jepperd são delineados com personalidades totalmente diferentes e que entram em conflito numa constância caótica, a princípio não nutrindo de afeição um pelo outro apenas para culminar em um respeito e um carinho mútuos que o transformam em família. Mas eles não são os únicos que desfrutam de momentos de protagonismo, ainda mais pelo sutil movimento multicronológico que Mickle ergue” – Thiago Nolla

ARCANE

Conquistando nada menos que 100% de aprovação no Rotten TomatoesArcane, série animada baseada nos clássicos games da saga ‘League of Legends’, veio com grande surpresa e se torno um dos títulos de maior sucesso crítico e comercial da Netflix. Contando com nomes como Hailee SteinfeldElla Purnell no elenco de dublagem original, a produção é ambientada no conflito entre a próspera região de Piltover e a oprimida cidade subterrânea de Zaun, explorando as origens de duas campeãs icônicas e do poder que as separa. Em meio ao conflito entre essas cidades-gêmeas, duas irmãs lutam em lados opostos de uma guerra entre tecnologias mágicas e convicções incompatíveis.

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