Nessa semana foi anunciada a mais recente aquisição bilionária do ramo do entretenimento. A Amazon comprou o clássico estúdio MGM, aquele do leão rugidor entre rolos de filme (algo já datado na era digital, diga-se). A fusão se junta a uma verdadeira enxurrada de compras gigantescas que representam a reestruturação da indústria do cinema. Antes regidos pelos grandes estúdios, Hollywood e o mundo do entretenimento dão adeus ao passado de vez, adentrando com os dois pés à nova era. O futuro são as plataformas de streaming, e a pandemia do coronavírus (englobada nos anos 2020 e 2021 – pelo menos) serviu para reforçar isso.

Embora o movimento desta mais recente compra não se mostre, à primeira vista, tão nocivo ao mercado dos exibidores quanto outros que veremos abaixo, ainda assim estabelece a consolidação do novo jeito de nos relacionarmos e assistirmos a filmes em casa. Pensando nisso, resolvemos criar esta nova matéria listando algumas das compras mais ambiciosas de anos recentes dentro da indústria do entretenimento e cinema, que enfatizam definitivamente a transição para tempos modernos. Confira abaixo.

Amazon compra a MGM

Começamos com a aquisição do momento, que ainda vai dar muito o que falar. Fundada em 1994 na garagem de seu criador, a Amazon começou como loja de e-commerce de livros e expandiu ao longo dos anos vendendo desde videogames, aparelhos eletrônicos, até joias e móveis – superando assim a rival Walmart como maior revendedora dos EUA. Em 2005 era inaugurado o Amazon Prime Video, que evoluiria para se tornar o serviço de streaming da empresa. Ligado a filmes, este braço da empresa é dono do IMDB (o maior banco de dados de cinema na rede, considerado a “bíblia” dos cinéfilos) e recentemente adquiriu a MGM.



Jeff Bezos, o CEO da Amazon, é atualmente o homem mais rico do mundo, com um patrimônio estimado em torno de US$188.4 bilhões. Uma “pequena” parcela deste valor foi usada na compra do tradicional estúdio do leão rugidor, algo em torno de US$8.45 bilhões. Com a compra, a Amazon agora terá em seu acervo verdadeiros clássicos da sétima arte para exibir em sua plataforma, como E o Vento Levou (1939), O Mágico de Oz (1939) e Ben-Hur (1959), além de franquias bem sucedidas como 007, Rocky, Robocop e O Silêncio dos Inocentes. Resta saber se a empresa irá revitalizar algumas destas obras.

Disney compra a Marvel

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O MCU, como é conhecido o universo cinematográfico da Marvel, começou em 2008 com o lançamento do primeiro Homem de Ferro. Na época o então fundado Marvel Studios precisava financiar seus próprios filmes (que tinham distribuição da Paramount – foi assim também com os primeiros Thor e Capitão América, ambos de 2011 completando dez anos de lançamento este ano). As negociações entre os colossos iniciaram em 2009, e ao lançamento da superprodução Os Vingadores (2012), os direitos do universo Marvel já eram da Disney.

Desde então, sob a asa da Disney, o estúdio já lançou 17 blockbusters nos cinemas (alguns passando a marca do US$1 bilhão em bilheteria mundial); tem pelo menos outros 12 filmes programados e começou a investir pesado também em séries de TV (com 2 lançadas e outras 9 engatilhadas) – parte da estratégia de marketing para impulsionar seu serviço de streaming, o Disney+. O estúdio do Mickey comprou o peso pesado dos quadrinhos (e agora do cinema) pela “bagatela” de US$4.24 bilhões.



Disney compra a LucasFilm

Quando falamos em LucasFilm, o que vem imediatamente à cabeça é a franquia Star Wars, uma das maiores, senão “a” maior, do cinema. O império criado pelo cineasta e empresário George Lucas ainda em 1971, começou a dar lucro (e muito) com o lançamento do primeiro Star Wars (ou Guerra nas Estrelas para os mais velhos) em 1977. Verdadeiro fenômeno da sétima arte, o longa se tornou o segundo blockbuster da história (filmes que ultrapassaram a marca de US$200 milhões em bilheteria nos EUA).

Vendo potencial na coisa, Lucas investiu sozinho na produção da sequência O Império Contra-Ataca (1980), assim criando seu próprio universo de filmes ainda na década de 80. Com produtos licenciados que abrangem desde bonecos, videogames, desenhos, especiais de TV e todo tipo de brinquedo, Lucas construiu seu império. O que muitos podem não lembrar é que a LucasFilm engloba também outra franquia milionária: Indiana Jones. A aquisição da Disney ocorreu em 2012, pela quantia de US$4 bilhões.

Disney compra a 20th Century Fox

Botando o prego no caixão de seu domínio mundial, a Disney concluiu sua compra da 20th Century Fox, um dos maiores e mais tradicionais estúdios de Hollywood, em 2019. Depois de um longo embate com o governo norte-americano, sob acusações de um possível monopólio de indústria, a operação por fim foi legalizada. O que não diminui em nada a abertura da maior empresa de entretenimento da atualidade, ainda mais quando levamos em conta a aquisição dos itens acima. O valor gasto por esta compra, no entanto, foi maior do que as da Marvel e LucasFilm somadas. Afinal, adquirir uma franquia é diferente de levar um estúdio inteiro, dono de diversas propriedades muito valiosas.

Com produtos como Os Simpsons, Avatar, Alien, Predador, Duro de Matar, 24 Horas, Planeta dos Macacos, X-Men e Quarteto Fantástico, o valor da compra foi de US$71.3 bilhões. Entre outras coisas, a Marvel irá finalmente poder incorporar em seu universo no cinema os personagens que estavam faltando em sua coleção, vide os mutantes dos X-Men e a primeira super equipe de seus quadrinhos, o Quarteto Fantástico, cujo filme dentro do estúdio já foi anunciado com direção de Jon Watts (dos novos filmes do Homem-Aranha).

Comcast compra a Universal



A Comcast é a maior operadora de TV a cabo norte-americana, algo como a NET para os brasileiros, dadas as devidas proporções. Em dezembro de 2009, o conglomerado de telecomunicações finalizou o acordo de compra da Universal, outro gigante de Hollywood. O valor da aquisição foi de US$13.75 bilhões. Além do estúdio de cinema, a propriedade conta também com uma das maiores e mais famosas redes de TV dos EUA, a NBC. Dono de franquias gigantescas como Jurassic Park e Velozes e Furiosos, e parcerias com cineastas como Jordan Peele, M. Night Shyamalan e com a Blumhouse, o estúdio conta também com seu próprio parque temático, que rivaliza com a Disney, com suas inúmeras atrações.

Bônus: Warner na HBO Max

Finalizando a lista, temos outro grande e tradicionalíssimo estúdio de Hollywood. A Warner Bros tem como parceiros os gigantes da telefonia de celular AT&T e de serviços de internet AOL. Em 1989, a empresa englobou a HBO, um dos maiores canais de TV a cabo do mundo, com faturamento anual de mais de US$2 bilhões. Na recente guerra dos streamings, incialmente a empresa havia lançado a HBO GO. Porém, planos mais ambiciosos viriam com o lançamento da HBO Max em maio de 2020 nos EUA. O serviço de streaming que tem concorrentes gigantes vide a Netflix, a Amazon e a Disney+, revolucionou ao anunciar que todos os seus lançamentos, incluindo suas maiores produções, iriam estrear simultaneamente nos cinemas (em meio à pandemia) e na plataforma para ser assistida em casa. A manobra foi uma forma de encarar as possíveis perdas das salas vazias devido ao Coronavírus e impulsionar as assinaturas de seu streaming.

No acervo do estúdio estão algumas das maiores franquias da atualidade, como por exemplo os filmes de super-heróis da DC: Batman, Mulher-Maravilha, Superman, Shazam, Aquaman, Esquadrão Suicida, Arlequina e o Coringa. Fora isso, possui o universo de monstros gigantes (King Kong e Godzilla) e a adaptação do famoso game violento Mortal Kombat. A plataforma chega ao Brasil no fim de junho e promete lançamentos como Duna, Matrix 4, Invocação do Mal 3 e Space Jam: O Novo Legado, além de especiais de séries de sucesso como Friends e Um Maluco no Pedaço, e derivados de Game of Thrones e Sex and the City.

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