Crítica | As Five – Spin-Off de ‘Malhação’ Tem Sexo, Drogas e Rock’ n Roll

CríticasCrítica | As Five – Spin-Off de ‘Malhação’ Tem Sexo, Drogas e Rock’ n Roll

Desde que a novelinha ‘Malhação’ estreou na Rede Globo, em 1995, o público veio acompanhando os desdobramentos do mundo jovem e jovem-adulto através da tv aberta. De lá para cá foram 27 temporadas – algumas mais bem sucedidas que outras –, mas sem nunca antes ter prolongado um núcleo por mais de um ano. Até 2020, quando a série ‘As Five’ estreou na Globoplay – um spin-off da temporada de sucesso ‘Viva a Diferença’, de 2017 – que chega agora, em 2021, ao grande público da Rede Globo.

Cinco anos se passaram desde a formatura do grupo de amigas. Keyla Maria (Gabriela Medvedovski) agora lida com as dificuldades de ser mãe solteira de uma criança de cinco anos de idade e de não ter vida social; Ellen (Heslaine Vieira) acaba de chegar dos Estados Unidos, onde cursa faculdade e está noiva, mas começa a questionar se a vida no exterior é mesmo o que quer; por sua vez, Tina (Ana Hikari) está em dúvida sobre seu relacionamento com Anderson (Juan Paiva); Lica (Manoela Aliperti) não tem nenhum objetivo na vida, mas agora sua mãe não irá mais sustentá-la e ela terá que descobrir que para ganhar dinheiro é preciso trabalhar; e Benê (Daphne Bozaski), que, após descobrir que seu namorado, Guto (Bruno Gadiol), é gay, passará por uma árdua jornada em busca da própria sexualidade.

Com apenas seis episódios de cerca de meia hora de duração cada e cinco protagonistas com conflitos e núcleos distintos, a primeira temporada de ‘As Five’ tenta abraçar muitos temas, mas, com o tempo limitado da produção, fica acelerada em muitos momentos e não se aprofunda em nada do que propõe. Isso acaba prejudicando a série como um todo, que, com tanto potencial e ótimas atuações, entrega um resultado picotado, que confunde e causa estranheza, como se tivéssemos perdido alguma coisa. Os episódios quase sempre terminam com a interrupção de uma cena, que não é retomada no episódio seguinte; em outros momentos, bate uma preguiça no roteiro de Jasmin Tenucci, Francine Barbosa, Vitor Brandt, Luna Grimberg e Cao Hamburger, que literalmente abandona alguns elementos no meio do caminho (exemplo disso é quando Benê deixa Tonico na quadra de futebol, aos cuidados do vizinho que ela acabou de conhecer, para correr pro hospital, e, quando Keyla passa para buscá-la, nem sequer pergunta pelo filho, e tá tudo bem).

Apesar desses escorregões, ‘As Five’ amadurece um bocado as queridas personagens conhecidas pelo grande público em 2017. Os temas, sempre meio bobinhos e superficiais na tv aberta, agora, na Globoplay, se tornam mais sérios e realistas. Tudo que anteriormente ficou subentendido agora é explanado: personagens se revelam gays, lésbicas ou bissexuais; a hipocrisia é deixada de lado e eles agora consomem drogas, bebida alcoólica, etc. Através dessa nova linha narrativa, ganham destaque os personagens secundários, como a relação lésbica Limantha (Lica + Samantha, interpretada pela Giovanna Grigio), que agora é naturalizada ao público; e a relação entre Benê e Nem (Thalles Cabral), o vizinho misterioso cheio de carisma que rouba a cena desde o momento em que aparece, com seu visual emogótico fofo.

É legal ver como essas personagens – que foram apresentadas bem maduras até, quando estrearam – amadureceram bastante, embora continuem se sentindo perdidas na vida. Agora a série reflete com mais honestidade os sentimentos e os dramas do seu público-alvo e perde o medo de falar abertamente sobre as verdadeiras inquietações da juventude – como visto em produções similares como ‘Euphoria’ e ‘Sex Education’, mostrando que o Brasil pode e deve sim dialogar de maneira sincera com os jovens. E esse é o grande mérito de ‘As Five’: com personagens conhecidas e dramas populares, mais parece estarmos vendo nossas amigas entrando em enrascadas, e não que estamos assistindo uma série. Ainda bem que a segunda temporada já está confirmada.

Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

Inscrever-se

Notícias

Liga a TV e aproveita: Essas 10 séries vão te surpreender!

Sabe aquela série que damos play sem conhecer muito...

10 filmes encantadores na NETFLIX para assistir hoje

Através do cinema, chegamos em algumas histórias encantadoras que...