Quando pensamos em Kylie Minogue, automaticamente nos recordamos de clássicos dançantes e exuberantes que acompanharam nossa jornada pelo mundo da música – como “Come Into My World”“Get Outta My Way”“In My Arms” e até mesmo “The Locomotion”, uma de suas primeiras músicas.

Em mais de três décadas desde sua estreia na indústria fonográfica, Minogue se reinventou, se redescobriu, ousou quebrar com sua própria identidade artística (vide o injustiçado Impossible Princess) e nunca deixou de fazer o que sempre amou: cantar. Depois de um breve show irretocável em território brasileiro, não demorou muito até que a performer já começasse a pensar em seu próximo álbum de estúdio, rompendo com as característica um tanto quanto oscilantes do country-pop Golden, prometendo voltar para suas raízes do pop e do dance.

Eventualmente, Kylie cumpriu sua promessa: neste momento, faz poucas horas que a artista voltou com “Say Something”, primeiro single oficial de Disco, sua 15ª iteração de inéditas. E o resultado, ainda que não represente um pop perfection como muitos acreditariam, é um retorno sólido o bastante para as incursões que outrora colocaram-na no topo do mundo.

Retomando sua parceria com Biff Stannard, colaborador de longa-data que produziu as memoráveis “In Your Eyes”“Love at First Sight”, a faixa é surpreendentemente etérea e foge do convencional em cada um dos seus elementos – o que é sempre bem-vindo dentro de um contexto contemporâneo que costuma reciclar o mais do mesmo. De um lado, temos os vibrantes sintetizadores, acuados em uma estética que oscila entre o final dos anos 1970 e o começo dos anos 1980, fazendo homenagem tanto à sua própria carreira quanto às reverberações sinestésicas de uma época que é lembrada com força nos dias de hoje.

De outro, a presença pungente da guitarra acrescenta uma camada interessante, se não completamente orgânica, que responde e antecede cada um dos longos versos. Minogue discorre sobre um amor distante e sobre o desejo que todos têm de se reencontrar – numa fabulesca narrativa recheada de metáforas inteligentes. O principal problema, talvez, seja sua total atenção às estrofes iniciais e a construção de um refrão efêmero que cede mais espaço para a extensa bridge do que para ele mesmo.

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Fazendo alusões tanto a Fever quanto a Aphrodite (incluindo uma progressão que nos recorda imediatamente de “Better Than Today”), Minogue se mostra em sua zona de conforto e consegue lançar algo envolvente o suficiente para nos deixar animados para as inflexões posteriores – apesar de ainda não ter chegado onde queria.

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